ALUGA-SE CASAS OU ALUGAM-SE CASAS?

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ALUGA-SE CASAS OU ALUGAM-SE CASAS?

Quando o verbo se constrói com a partícula se, precisamos saber a quem essa ação se refere. Para isso, perguntamos Quem? ao verbo. “Aluga-se” casas – quem se aluga? Casas é a resposta. Então, o sujeito é casas. E, como nos é perceptível, está no plural (casas). Sendo assim, o verbo teria que concordar com ele: ALUGAM-SE casas. Outros exemplos: Vendem-se bicicletas e automóveis; Não se fazem homens como antigamente; Aluga-se salão; etc.>

Nesses casos, o sujeito do verbo sofre uma ação. Dizer Vendem-se casas é o mesmo que Casas SÃO vendidas (o sujeito casas sofre a ação – as casas são vendidas). Vendem-se bicicletas e automóveis – Bicicletas e automóveis SÃO vendidos; Não se fazem mais homens… – Homens não SÃO feitos; Não se devem fazer acusações infundadas – acusações infundadas não devem SER feitas. É só fabricar o verbo ser. Se der certo, quer dizer que o sujeito está recebendo, sofrendo uma ação. Na Gramática, isso recebe o nome de voz passiva (passivo é justamente quem recebe).

Mas tome cuidado: essa regra só vale para os verbos que não exigem preposição (a, em, de, com, para, etc.) no seu complemento. Perceba que alugar, vender e fazer não têm preposição alguma nos termos que os completam: quem aluga aluga alguma coisa; quem vende vende alguma coisa; quem faz faz alguma coisa. Se o verbo ligado à partícula se tiver a dita preposição no complemento, ficará sempre no SINGULAR. Exemplos: Precisa-se DE datilógrafos (quem precisa precisa DE alguma coisa); Acredita-se EM duendes (quem acredita acredita EM alguma coisa); etc. Independentemente de o termo seguinte estar no plural, o verbo, como se pode notar, fica sempre no singular.

Veja que é impossível fabricar o verbo ser nestes últimos verbos, como fizemos com os primeiros: Datilógrafos “são” precisados (ficaria horrível!); Duendes “são” acreditados (péssimo também). Também se deve observar que esses verbos possuem um sujeito que não se pode determinar (indeterminado). Quem precisa de datilógrafos? Não se sabe. Quem acredita em duendes? Também não se sabe.

Obs.: Nota-se acentuada tendência de deixar o verbo transitivo direto no singular, ignorando a concordância com o sujeito plural, quando há a intenção de indeterminar o sujeito. Exemplo: Parece que se faz muitas burradas nesta empresa (o locutor não pode ou não quer especificar o autor das “burradas”). Ao contrário dos gramáticos tradicionais, consideramos lícito esse tipo de construção, respeitando a liberdade do autor de querer indeterminar o sujeito, não tendo que, necessariamente, construir uma oração na voz passiva [Parece que se faz muitas burradas (…) – Parece que fazem muitas burradas]. Todavia, como nem todos compartilham a nossa opinião, prefira a concordância tradicional, pluralizando o verbo se o sujeito for plural (Parece que se fazem muitas burradas).

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