CULTURA,UM CONCEITO ANTROPOLOGICO

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São velhas e persistentes as teorias que atribuem capacidades específicas inatas a “raças” ou a outros grupos humanos. Os antropólogos estão totalmente convencidos de que as diferenças genéticas não são determinantes das diferenças culturais.

Qualquer criança normal pode ser educada em qualquer cultura, se for colocada desde o início em situação conveniente de aprendizado. Os fatores que tiveram papel preponderante na evolução do homem são a sua faculdade de aprender e a sua plasticidade.

É falso que as diferenças existentes entre pessoas de sexos diferentes sejam determinadas biologicamente. Um menino e uma menina agem diferentemente não em função de seus hormônios, mas em decorrência de uma educação diferenciada.

O determinismo geográfico considera que as diferenças do ambiente físico condicionam a diversidade cultural. Antropólogos como Franz Boas, demonstram que existe uma limitação na influência geográfica sobre os fatores culturais.

E mais: que é possível e comum existir uma grande diversidade cultural localizada em um mesmo tipo de ambiente físico. O termo germânico Kultur era utilizado para simbolizar todos os aspectos espirituais de uma comunidade, daí originou-se o vocábulo Culture, que “tomado em seu amplo sentido etnográfico é este todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”.

O homem é o único ser possuidor de cultura e, como parte do reino animal, participa do grande processo evolutivo em que muitas espécies sucumbiram e só deixaram alguns poucos vestígios fósseis.

Tem-se dúvidas sobre o sentido das expressões instinto maternal, filial, sexual, pois não referem-se a comportamentos determinados biologicamente, mas sim a padrões culturais.

Pois se prevalecesse o primeiro caso, toda a humanidade deveria agir igualmente diante das mesmas situações. O homem passou a produzir cultura a partir do momento em que seu cérebro, modificado pelo processo evolutivo dos primatas, foi capaz de assim proceder. Estudar cultura é, portanto, estudar o código de símbolos partilhados pelos membros dessa cultura.

A nossa herança cultural, desenvolvida através de inúmeras gerações, sempre nos condicionou a reagir depreciativamente em relação ao comportamento daqueles que agem fora dos padrões aceitos pela maioria da comunidade.

Em lugar da superestima dos valores de sua própria sociedade, numa dada situação de crise os membros de uma cultura abandonam a crença nas mesmas e, conseqüentemente, perdem a motivação que os mantém unidos e vivos. Exemplo disso são os africanos removidos de seu continente, que perdiam toda motivação para continuarem vivos.

A cultura também é capaz de provocar curas de doenças, reais ou imaginárias. Estas curas ocorrem quando existe a fé do doente na eficácia do remédio ou no poder dos agentes culturais. A participação do indivíduo em sua cultura é sempre limitada; nenhuma pessoa é capaz de participar de todos os elementos de sua cultura. Como afirmou Marion Levy Jr., “nenhum sistema de socialização é idealmente perfeito, em nenhuma sociedade são todos os indivíduos igualmente bem socializados, e ninguém é perfeitamente socializado.

Mesmo não conhecendo totalmente o próprio sistema cultural é necessário ter um conhecimento mínimo para operar dentro do mesmo, de forma a permitir a convivência dentro do mesmo. Todo sistema cultural tem a sua própria lógica e não passa de um ato primário de etnocentrismo tentar transferir a lógica de um sistema para o outro. A tendência mais comum é de considerar apenas o próprio sistema e atribuir aos demais um alto grau de irracionalismo.

Todas as sociedades humanas dispõem de um sistema de classificação para o mundo natural, mas é importante reafirmar que esses sistemas divergem entre si porque a natureza não tem meios de determinar ao homem um só tipo taxionômico.

O homem tem a capacidade de questionar os seus próprios hábitos e modificá-los. Qualquer sistema está em contínuo processo de modificação. Existem dois tipos de mudança cultural: uma que é interna, resultante da dinâmica do próprio sistema cultural, e uma segunda que é o resultado do contato de um sistema cultural com um outro. O tempo constitui um elemento importante na análise de uma cultura.

Cada mudança representa o desenlace de numerosos conflitos. Por isto, num mesmo momento é possível encontrar numa mesma sociedade pessoas que têm juízos opostos sobre um novo fato. Entender as mudanças dos sistemas é fundamental para evitar comportamentos preconceituosos.

Da mesma forma que é fundamental para a humanidade a compreensão das diferenças entre povos de cultura diferentes, entender as diferenças de seu próprio sistema.

Bibliografia:

LARAIA, Roque de Barros. Cultura um Conceito Antropológico
Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 2003. pág 17 a 63

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