ESCOLIOSE

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DICAS PARA ANALISAR, COMPREENDER, E INTERPRETAR TEXTOS

O que é Escoliose?

A escoliose é o desvio lateral da coluna vertebral e provoca uma modificação muscular, ligamentar do tecido conjuntivo, dos discos intervertebrais e dos ossos, podendo até comprometer a medula espinhal, pulmões, coração e pelve.

É um desvio lateral e rotatório no plano frontal e horizontal.

As escolioses são fáceis de corrigir quando os desvios são de pequena intensidade, em indivíduos jovens, em fase de crescimento.

Existe escoliose total, dorsal, lombar ou em “S”. Na escoliose existe a curva primária e a secundária, com que esta é uma compensação da curva primária para manter o equilíbrio estático e dinâmico. É mais fácil prevenir a escoliose do que corrigi-la.

Tipos de Escoliose

– Escoliose Funcional: É reversível. As alterações estruturais dos corpos intervertebrais ou dos discos intervertebrais não são causas e não são considerados como resultado da escoliose funcional. A escoliose funcional diminui ou desaparece através da ação da gravidade, ou quando se remove o fator causal.

– Causas da escoliose funcional: Quando o membro inferior é mais curto que o outro ou em posições defeituosas, sendo que isto pode ser remediado.

A inclinação lateral corrige uma curvatura funcional, mas não altera uma curvatura estrutural, exceto em pacientes muito jovens, com escoliose mínima, recente e flexível.

– Escoliose Estrutural: A escoliose estrutural tem muitas etiologias, mas os verdadeiros fatores causais permaneceram desconhecidos. As curvaturas da coluna progridem em direção lateral e são, geralmente, acompanhadas por deformações rotatórias. A escoliose é progressiva em crianças que estão em crescimento epifisários e progride pouco em curvas de menos de 40°, depois de completado o fechamento epifisário.

Dentro da escoliose estrutural existe uma classificação:

Escoliose congênita: é orgânica, pela má formação de vértebras, costelas e músculos. Pode também ser acompanhada de outras alterações como por exemplo: espinha bífida, pé eqüino e luxação congênita de quadril. O tratamento da escoliose congênita é geralmente cirúrgica. Devem ser operadas precocemente para não chegar a deformidades acentuadas.

Escoliose do bebê: é uma manifestação precoce da escoliose idiopática.

É comum observar-se em bebê que apresenta torcicolos congênitos, pois a mãe atende o bebê sempre pelo mesmo e este fica posicionado sempre em um só decúbito lateral.

Escoliose idiopática infantil: é rara, e verifica-se desde o nascimento até a idade de 3 anos. A maioria 80% a 90% das curvas, consegue uma melhora sem tratamento e a minoria das curvas progride, constituindo-se em uma escoliose muito grave.

Escoliose idiopática juvenil: a curva escoliótica inicia após os 3 anos e vai até a puberdade quando não tratada, evolui para grandes deformidades não havendo remissões espontâneas.

Escoliose idiopática do adolescente: inicia depois da puberdade. Geralmente quando se descobre, a curva já está estruturada, tendendo a progredir durante o crescimento, produzindo sérias deformidades. Acredita-se que a causa da escoliose idiopática seja a hereditariedade, ou por uma harmonia no sistema de secreção hormonal entre o hormônio sexual e a somatotropal, provocando modificações nas epífises nas vértebras.

Escoliose paralítica: quando ocorre após poliomielite, paralisia cerebral, distrofia muscular. As escolioses paralíticas são mais freqüentes nas seqüelas de paralisia assimétricas, principalmente quando atingem os músculos abdominais. As escolioses de paralisia flácida progridem mais rapidamente do que as espásticas. O tratamento é preventivo; caso contrário é necessário recorrer à cirurgia.

Escoliose estática: quando apresenta modificações estruturais. Diferencia-se em 2 aspectos:

ascendente quando tem problema a nível de membros inferiores;
descendentes quando tem problema a nível de membros superiores.
Escoliose de cicatriz: ocorre principalmente devido a cirurgias torácicas.

Escoliose pós-traumática: ocorre devido a um choque ao nível da coluna vertebral mas pode aparecer muito tempo após o choque.

Escoliose antálgica: é devido a um reflexo antidoloroso. Ocorre numa atitude em cifose lombar com flexão de joelho, algumas vezes favorecendo retroversão pélvica.

Escoliose de doença sistêmica ou metabólica: é devida a falha da musculatura, dos ligamentos e arcabouço esquelético de origem desconhecida.

Escoliose histérica: é freqüente nas meninas, na época da puberdade. Não é uma escoliose real, mas atitude escoliótica.

Classificação da gravidade:

Escoliose leve: menos de 20°. As menores de 10° são consideradas normais e não requerem tratamento;

Moderada: 20 a 40°;

Grave: 40 a 50° ou mais.

A medida da escoliose é feita pelo método de Cobb.

1. Vértebra inferior. Dirigida para a concavidade da curva; traça-se uma linha na parte caudal da vértebra.

2. Traça-se uma perpendicular a essa linha.

3. Vértebra superior. Traça-se uma linha na parte superior da vértebra mais elevada, na extremidade em que se dirige para a concavidade da curva.

4. Traça-se uma perpendicular a essa linha.

5. Mede-se o ângulo de intersecção de ambas as perpendiculares.

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O que causa a escoliose?

As causas não são completamente conhecidas. Pode “existir” em algumas famílias, indicando fatores de hereditariedade. Novamente, pode simplesmente aparecer como um caso isolado em um indivíduo. Distúrbios do nervo e músculo pode produzir escoliose, como também doenças como a polio ou uma lesão na infância que faça com que a vértebra se desenvolva com anomalias.

Como a escoliose é detectada?

Inspeção visual e manual das costas são os testes simples conduzidos durante um check-up. O mau alinhamento dos ombros ou quadris, ou o aparecimento de curvas para frente pode fazer que os olhos treinados (de um especialista) vejam um sinal precoce de uma possível escoliose.

Alguns sinais podem ser observados indicando a possibilidade de uma possível escoliose:

Um ombro é maior que o outro;
Uma escápula é mais proeminente que a outra;
Um dos quadris é mais alto ou mais proeminente do que o outro;
Quando os braços estão dependurados pelas laterais, há mais espaço entre o braço e o corpo de um lado do que do outro;
A criança parece ser corcunda;
Há mais “pregas” de um lado da cintura do que do outro;
A criança aparenta ter uma postura pendente para um dos lados.
Qualquer um dos sintomas acima também pode ser uma indicação de uma outra desordem ou condição. A melhor avaliação, no entanto, será feita por uma radiografia.

Avaliações

Os desvios laterais são detectáveis através do eixo de simetria que é a coluna vertebral.
As condições de exame devem ser rigorosamente as mesmas.

O paciente deve apresentar-se despido ou com trajes de banho (sunga ou biquíni), colocado em pé, em posição habitual de repouso, olhar no horizonte, pernas estendidas, braços na linha do corpo e calcanhares na mesma linha.

O exame clínico será local, mas também geral de todo o indivíduo.

Exame Local

No exame local, pode-se utilizar materiais como o fio de prumo, esquadro graduado a partir da ponta, lápis demográfico.

Os processos espinhais do paciente são marcados com lápis demográfico. Este exame é feito com o paciente em pé (de costas, de frente e de perfil). Pode-se ainda examiná-lo sentado e em certas circunstâncias em decúbito ventral.

Exame Geral

O exame geral completa o exame clínico na prática, e é por ele que se pode começar.

Aspecto geral – Alguns pontos essenciais:

Visão global e sintética da postura;
Tipo morfológico: longelíneo, brevelíneo, magreza, obesidade…;

Tipo vertebral: curvaturas sagitais mais ou menos acentuadas, hipotonia, astenia, hiperlassidão, contraturas.
Altura e peso – Sua comparação com os quadros de valor médio estabelecidos de acordo com a idade e o sexo permite revelar insuficiências ou desequilíbrios de desenvolvimento, sempre possíveis em período de crescimento. A altura deve ser observada muito particularmente em dois casos precisos:

Em torno dos 11-13 anos, um aumento brusco de altura é muitas vezes o indício do começo da eclosão pré-pubertária; esta representa um período possível de evolução propícia para certas escolioses, é um sinal que não se deve nunca negligenciar;
Para um escoliótico adulto, ou adolescente em final de crescimento, uma diminuição da altura pode traduzir uma redução vertebral e ser um indício de agravamento da escoliose.
Balanço respiratório – A capacidade vital é um dado essencial simples, indispensável ao reedudor, visto que o escoliótico tende quase sempre a ser portador de uma respiração deficiente. Os perímetros axilar e xifóide tomados em inspiração e em expiração possibilitam avaliar a flexibilidade costal. Os traçados cirtométricos identificam deformações torácicas, após os progressos produzidos em seguida na sua modelagem pelos tratamentos.

Quando as escolioses se tornam graves, essas medidas não são mais suficientes, visto que o déficit respiratório aumenta: as provas espirográficas, as pesquisas do V.E.M.S. e outros testes médicos tornam-se indispensáveis.

Sinais púberes – O aparecimento progressivo das características sexuais secundárias
(pêlos das axilas e do púbis, desenvolvimento das mamas nas meninas) dá uma indicação aproximada da instalação gradual da puberdade. Utilizadas pelo médico, estas informações devem ser completadas pelas indicações mais precisas referentes à idade óssea. Temperamento, comportamento – As reações do paciente durante as primeiras sessões fornecem ao fisioterapeuta informações sempre preciosas. O paciente é cético, passivo, tímido? Será necessário encorajá-lo, estimulá-lo, colocá-lo à vontade?

O exame clínico é indispensável. Ele fornece um conhecimento mínimo do paciente que permite orientar e adaptar as técnicas reeducativas. Repetido periodicamente ele permite também acompanhar a evolução do desvio e os efeitos do tratamento.

Exame Fotográfico

Deve-se marcar com lápis demográfico os processos espinhosos. O paciente está despido e colocado diante de um quadro negro quadriculado, nas condições já definidas: pernas esticadas, calcanhares na mesma linha, olhar no horizonte sem nenhuma correção ativa.

Fotos de vista posterior – Paciente diante do quadro graduado. Estar atento para que os grandes corcundas não se posicionem em sua quase totalidade.

Fotos de perfil – Do lado da concavidade da curvatura principal. Ela evidencia a gibosidade. Deverá estar atento para que o membro superior não dissimule as curvaturas.

As condições técnicas – Precauções são necessárias quando se deseja que as fotografias sucessivas no decorrer do tratamento traduzam objetivamente a evolução morfológicas da deformação. Distância, iluminação, ângulos de tomadas e posições do paciente serão portanto rigorosamente os mesmos.

Exame Radiográfico

Muitas vezes indispensável, o exame radiográfico permite determinar e completar as observações do exame clínico. As chapas contínuas ( 4 a 6 meses em período evolutivo, 8 a 12 meses em período de estabilidade aparente ) são feitas com a mesma incidência e, se for conveniente, num plano de escolha determinado previamente.

Chapas úteis

Coluna inteira em pé de frente ou, ao menos se possível da T1 à base sacra. Para os pacientes grandes, o tamanho 30 x 90 é necessário. O paciente é colocado em pé, nas mesmas condições que para o exame clínico. A chapa assim obtida é mais proveitosa. Ela permite ao médico avaliar o estado funcional da coluna colocada em “sobrecarga” e julgar a evolução eventual da escoliose.
Coluna inteira de frente, em decúbito dorsal, com a mesma distância focal que para o filme em pé. A chapa revela o aspecto da coluna em repouso, e serve para avaliar o grau de redutibilidade da deformação com relação à incidência em pé. Permite também analisar mais facilmente as lesões estruturais, notadamente as alterações das vértebras ápices e as rotações.
Importância do exame radiográfico

O exame determina verdadeiramente a deformação escoliótica:

Ele evidencia as informações fornecidas pelo exame clínico e revela outras que as chapas não podem fornecer:

Ele evidencia:

A localização exata das curvaturas, sua extensão, portanto o tipo anatômico da escoliose;
A localização exata da verdadeira deformação que é a dos corpos vertebrais. Ora, a inflexão lateral da coluna que suporta um esforço não é senão muito incompletamente avaliada pelo exame clínico, visto que a linha dos processos espinhosos dá apenas uma idéia imperfeita e atenuada.
Ele revela:

As deformações estruturais: extensão, localização, importância; permite reconhecer facilmente as vértebras ápices e as vértebras neutras;
As rotações que fazem parte integrante da deformação escoliótica; pode-se avaliar o grau de rotação de duas maneiras:
1) Seja medindo a distância que separa o pedúnculo, de uma parte do arco superior e de outra parte do rebordo vertebral.

2) Seja medindo na radiografia de frente a projeção da ponta do processo espinhoso com relação ao eixo de simetria do corpo vertebral.

Certas causas de perturbações estáticas: malformações congênitas, formas cancerosas, mal de Pott; ele permite também ao médico estabelecer as indicações e contra-indicações;
Muitas vezes a idade de aparecimento do desvio. Esta informação é importante para certos tipos de escolioses que aparecem no paciente muito jovem. O exame clínico não pode revelá-lo senão com uma certa defasagem, visto que a rotação pode aparecer primeiro.
A – Opção das vértebras limites – Elas delimitam a curvatura considerada. São as mais inclinadas em relação à horizontal.

B – Traçado do ângulo de Cobb – Uma reta no prolongamento do platô superior da vértebra limite superior. Uma reta no prolongamento do platô inferior. O ângulo assim determinado é medido com o transferidor, seja diretamente se a intersecção das duas retas é obtida sobre a chapa, seja indiretamente depois de traçadas perpendiculares nos lados do ângulo.

C – Vantagens – É um dado objetivo.

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Testes

Muitas vezes o terapeuta precisa aplicar alguns testes para avaliar o grau e o tipo da escoliose presente. Entre estes testes estão:

1. Posição do paciente: decúbito ventral, com os dois braços estendidos para frente.

Movimento realizado: o paciente age ativamente levantando um braço de cada vez.

Terapeuta: observar se o quadril acompanha os movimentos dos braços.

2. Posição do paciente: quatro membros apoiados no chão.

Movimento realizado: levantar o braço e a perna do mesmo lado ao mesmo tempo e depois com o outro lado.

Terapeuta: observar a reação do quadril e tronco.

3. Posição do paciente: decúbito dorsal com os braços ao longo do tronco.

Movimento realizado: flexão do quadril 90° com a perna direita e o terapeuta aplica uma pressão contrária ao movimento. O movimento é repetido com a outra perna.

Terapeuta: observar a ação dos braços, do quadril e o grau de resistência aplicada.

4. Posição do paciente: decúbito ventral.

Movimento realizado: o paciente levanta simetricamente até ficar com a posição agachado, tomando cuidado para que a cabeça permaneça dentro do eixo, o terapeuta então, exerce uma pressão lateral na altura da orelha.

Terapeuta: observar se o paciente consegue manter a posição.

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Tratamento

O tratamento tem como principal objetivo corrigir e evitar a deformidade, além de interromper e evitar o distúrbio progressivo da função cardiopulmonar. O tratamento deve ser inicializado o mais breve possível a fim de evitar que o caso seja irreversível.

Apesar de não apresentar total recuperação, a escoliose pode ser tratada de maneira especializada que ajuda a corrigir as seqüelas compensatórias posturais e evitar sua progressão.

Geralmente o tratamento utiliza exercícios, colete de Milwalkee, massagem, eletrotermoterapia, hidroterapia e trações. Basicamente a escoliose é tratada através de alongamentos, e dissociação de pontos chaves (cabeça, ombro e quadril).

Todo paciente escoliótico deve estar ciente da sua postura e procurar manter-se o mais correto possível. A grande queixa do escoliótico é a permanência em uma posição por muito tempo, por isso terapeuta deve estar atento para que o paciente fique o mais confortável possível.

Os objetivos do tratamento são o restabelecimento do equilíbrio , reeducação de curvas excessivas, manutenção de uma inclinação pélvica adequada e fortalecimento da musculatura.

Os exercícios são realizados nas posições deitado, sentado e em pé, mas a que traz maior benefício é aquela em que o paciente fica deitado, já que é tirada a força de gravidade. O movimento de engatinhar é bastante utilizado por forçar o paciente ao desvio lateral da coluna, trabalhando assim os músculos dorsais e paravertebrais. Os exercícios de rotação do tronco, cabeça, ombros e pelve também são muito eficazes.

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