FILME: NELL

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O filme se inicia com a morte de uma senhora idosa e seu corpo sendo preparado para a despedida final. A mulher morta era mãe da personagem-tema deste filme, uma eremita, vivia apenas com a filha Nell, mulher de, aproximadamente, 30 anos de idade, e que possuía problemas na fala, morava em uma casa no meio da floresta. A primeira impressão que ela passou foi a de uma pessoa selvagem com problemas mentais.

Os Drs. Jerry Lovell (Liam Neeson) e Paula Olsen (Natasha Richardson) interessam-se pelo caso, mas tiveram divergências de opinião sobre a situação de Nell. Surge à questão sobre quem poderia cuidar dela e o caso vai a júri, onde decide-se que é fundamental compreender a “paciente” para saber como ela vivia e se precisava de algum tipo de ajuda para poder sobreviver. É dado o prazo de três meses para que ambos “conheçam-na melhor”.

Paula instala câmeras na casa de Nell, com intuito de observá-la. Jerry procura estabelecer contato direto, encontra resistências, mas obtém bons resultados. Com o passar do tempo, conseguem ganhar a confiança de Nell, começam a compreender a fala, os hábitos e os medos dela, descobrem que a personagem é absolutamente capaz de viver só e de decidir sobre a própria vida.

Nell possuía dificuldades na fala devido ao convívio continuado com a mãe a qual tinha paralisação facial. A personagem era diferente das pessoas da cidade, pois adquiriu uma cultura própria do meio em que vivia e, por isso, sofreu discriminação. Os médicos da cidade queriam a internação, para que recebesse os cuidados necessários a uma deficiente mental. Deram a ela diagnósticos precipitados, dentre esses o de autismo.

Após passados os três meses estipulados pelo juiz, chega o dia da decisão sobre quem cuidaria de Nell, enquanto todos achavam que ela não seria capaz de se cuidar sozinha, ela se levanta e pede para Jerry “traduzir” a sua fala e começa a própria “defesa”. Demonstra todo o seu carinho, medo, angústia e vontade, mostra que está em pleno gozo de suas faculdades mentais e poderia se cuidar sozinha, era solitária sim e possuía suas individualidades, assim como todos nós.

O filme é um ótimo ensinamento sobre como devemos ou não agir em relação às pessoas diferentes de nós, com hábitos e costumes peculiares, enfim, pessoas que possuem uma cultura diferente da que conhecemos.

Vemos a todo tempo pessoas que possuem necessidades especiais e se deparam com as dificuldades do dia-a-dia, como os “cadeirantes” que não encontram calçadas facilitadoras de acesso às ruas, como os deficientes visuais que raramente encontram textos em Braille. Estas pessoas desenvolvem hábitos para se adequarem à realidade encontrada. Muitos não são compreendidos e são vistos com discriminação pelos membros da sociedade em geral, que não entendem as implicações e obstáculos enfrentados por um portador de necessidades especiais.

Esse filme nos ajuda a ver um pouco da realidade das pessoas que, além de conviver com uma necessidade especial, têm de enfrentar a indiferença de uma sociedade preconceituosa e etnocêntrica.

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