MDF – "MEDIUM DENSITY FIBERBOARD"

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DICAS PARA ANALISAR, COMPREENDER, E INTERPRETAR TEXTOS

MDF – “MEDIUM DENSITY FIBERBOARD”

Onde: Fiberboard = Chapa de Fibras de Madeira
Density = Densidade
Medium = Média

CHAPA DE FIBRAS DE MADEIRA DE MÉDIA DENSIDADE

Com características totalmente especiais, os painéis de MDF permitem operações de usinagem e produção antes só possível com a madeira maciça. Sua utilização nos segmentos de movelaria e construção civil vêm crescendo ano a ano, provando sua superioridade em relação a alternativas antes utilizadas. Sua versatilidade de uso e de trabalho vem ganhando cada vez mais mercado e dando aos usuários a possibilidade de explorarem novas formas e o desenvolvimento de novos produtos cada vez mais sintonizados com o consumidor final.

Origem e História

MDF é a sigla internacionalmente utilizada para referir “Medium Density Fiberboard” que podemos traduzir como “Chapa de Fibras de Madeira de Média Densidade”. Trata-se de um produto derivado da madeira, produzido a partir das suas fibras aglutinadas por uma resina sintética.

Comparativamente a outros produtos derivados da madeira, a distribuição uniforme da fibra em toda a sua espessura permite operações de usinagem precisas, sem prejuízo na qualidade da superfície daí resultante.

O MDF standard está cada vez mais a ser usado com sucesso para a fabricação de Tampos de mesa, painéis de portas e frentes de gavetas com topos moldados ou superfícies perfiladas.

As superfícies bem acabadas do MDF permitem uma excelente base para acabamento:

Envernizado ou laqueado, ou para revestimentos com painéis decorativos, lâmina de madeira ou PVC. Sendo um material estável com boa maquinabilidade e elevada resistência, o MDF propicia boas oportunidades de utilização em alternativa à madeira maciça, em aplicações mais sensíveis tais como laterais de gavetas, perfis para molduras ou quadros de espelhos.

Com o MDF, consegue-se tingir e envernizar, laquear ou revestir com lâmina de madeira usufruindo a sua excelente maquinabilidade e boas performances no lixamento e acabamento.

Processo Produtivo

1. Descascador – recebimento de toras de madeira pinus, que passam pelo descascador para separar a casca da madeira. Aproximadamente 10% do peso das toras recebidas são relativa às cascas que, uma vez retiradas no descascador, são levadas para esteiras mecânicas até um forno para serem queimadas, de forma a gerar energia utilizada no processo produtivo;
2. Produção de cavacos – uma vez descascada, as toras passam por um picador, que as transforma em cavacos, com dimensões definidas por meio de um picador (Chipper). Os cavacos são transportados através de esteiras mecânicas para serem armazenadas em silos;
3. Lavador de cavacos – os cavacos são lavados para retirar a areia (sílica) da madeira, que prejudica a qualidade final do produto;
4. Produção de fibras – os cavacos são transformados em fibras através de um processo termomecânico de desfibração;
5. Dosagem de cola – a resina melamínica uréia-formaldeído é preparada e misturada com fibra de madeira.
6. Secagem da madeira – a mistura fibra /resina vai para o secador, quando a madeira sofre uma redução de 80% para 10% em sua umidade. A resina passa por um processo de cura, reforçando suas características de cola;
7. Produção do colchão de fibras – após a secagem, a mistura fibra/resina vai para a linha de formação, onde é concebido o colchão de fibras. Tal equipamento distribui as fibras de maneira uniforme. O processo de formação do colchão é um processo seco, no qual não se acrescenta água;
8. Prensagem – o colchão de fibras é transformado em chapas de MDF através do processo mecânico de prensagem e do processo termo-químico de cura das resinas com as fibras, ambos contínuos;
9. Climatização – após a prensagem, as chapas são submetidas ao processo de climatização, durante o qual ocorre a consolidação da chapa de fibras no que se referem os seus aspectos de estabilidade dimensional e cura de resina;
10. Acabamento – nesta etapa é retirado o refilo das chapas, proporcionando um acabamento nas bordas. Também se determina a dimensão final da chapa – comprimento e largura.

De forma resumida, o processo de fabricação de MDF é realizado por meio de um processo seco, a partir das fibras de pinus. E inclui a aplicação de resinas.

Gamas de Espessuras

Finos:

A tecnologia da fabricação de MDF já permite a prensagem de chapas com espessuras muito finas. Pelas suas propriedades bem características e campo de aplicações das espessuras tradicionais, pode dizer-se que o MDF fino (de 1,8 a 6mm) é uma classe distinta deste material. O campo de aplicações é semelhante ao do compensado multilaminado fino: painéis para paredes e tetos, fundos de gavetas, painéis traseiros de mobiliário, painéis centrais de portas, painéis para exposições, bases para assoalhos, etc. Podem aplicar os mesmos acabamentos e tratamentos superficiais que no MDF de maior espessura. Esta gama de espessuras é normalmente fabricada com pesos específicos da ordem dos 800/900Kg/m.

Médios:

Englobam-se habitualmente neste grupo as espessuras de 7 a 30mm.

Grossos:

É atualmente possível fabricar MDF até 60mm de espessura. O maior potencial de utilização deste tipo de produto reside em elementos estruturais e arquitetônicos para edifícios, colunas e pilares em que são importantes boas características para acabamento e boa superfície. Também se pode utilizar em assoalhos, prateleiras, tampos de bancadas, portas interiores com faces profundamente moldadas, pés torneados para mesas, bilhares, etc…

Modelos Crus

Standard: a classe Standard destina-se ao consumidor que não tem exigências especiais em relação ao MDF, a não ser aquelas características normalmente esperadas do produto e definidas pelas normas existentes.

Baixo teor de formaldeído: a classe de baixo teor de formaldeído é particularmente importante para os fabricantes de mobiliário que colocam seus produtos na União Européia. A Alemanha e os países escandinavos, em particular, têm legislação muito severa quanto à emanação de formaldeído presente na resina aglomerante do MDF.

Resistente à umidade (MDF MR): o MDF resistente à umidade suporta razoavelmente bem a existência de vapor de água no ambiente em que for empregado, podendo receber ocasionalmente água ou um pano úmido sobre a superfície. De salientar que esta classe não é resistente (ainda) a intempéries e, por isso, não deverá ser utilizada ao ar livre. Possíveis aplicações do MDF resistente à umidade: moldes, assoalhos, batentes de portas interiores, painéis de janela, rodapés, guarnições, placas decorativas e sinalizações para exteriores semiexpostas, mobiliário de banheiro, mobiliário de cozinha. Em todas as aplicações citadas, não se dispensa uma proteção do MDF, através de envernizamento ou pintura em toda a sua extensão.

Para exterior: o MDF para exterior possui além das boas características para maquinabilidade e acabamento do MDF Standard, a vantagem de extra-resistência a condições ambientais adversas, desde que sejam tomados cuidados especiais em nível de acabamento, principalmente na selagem de superfícies e topos comprodutos adequados. Recomenda-se que os utilizadores desta classe de MDF contatem os fabricantes ou os seus agentes, visando obter dados sobre a aplicabilidade e, principalmente, sobre os acabamentos. Esta classe de MDF pode ser utilizada, por exemplo, em: placas de publicidade e sinalização, mobiliário de jardim e de zonas de recreio, esquadrias exteriores de janelas e portas exteriores, painéis de portas exteriores, painéis desportivos, revestimento de cabines de barcos, prateleiras para zonas ao ar livre, etc…

Resistente ao fogo (MDF FR): as chapas de MDF denominadas Standard deverão, em condições normais, respeitar a Classe 3 de resistência ao fogo, cujo método de tese se pode, por exemplo, regular pela norma BS 476 Part. 7. As classes 1 ou 2 de MDF são conseguidas durante a produção das chapas, adicionando produtos químicos às resinas que contrariam o desenvolvimento da combustão. O material desta classe pode ser utilizado para revestimentos de paredes, divisórias de escritório, mobiliário institucional, mobiliários e componentes decorativos de locais públicos, onde seja imperativo por lei, o uso de materiais resistentes ao fogo.

Alta Densidade (HDF ): enquanto os tipos anteriormente citados são adequados à fabricação da maior parte do mobiliário e aplicações na construção civil, existe a possibilidade de se produzirem chapas com resistências físico-mecânicas melhoradas para aplicações que requeiram alta resistência à flexão, suportando pesos elevados ou repetidos impactos. Estas chapas obtêm-se aumentando a quantidade de fibras, de resina aglutinante, e modificando o ciclo produtivo. As chapas assim obtidas têm um peso específico que pode atingir 900 Kg/m. As aplicações mais prováveis para este MDF são: escadas, prateleiras industriais, tampos de bancadas industriais, estruturas de mesas, componentes de cadeiras, assoalhos.

Modelos Revestidos

Os revestimentos podem ser aplicados em princípio, sobre qualquer tipo de chapa de MDF cru. É evidente que, com uma boa superfície, a qualidade do revestimento será significativamente superior.

Os materiais utilizados no recobrimento das chapas são sensivelmente os mesmos usados tradicionalmente.

Deve-se salientar, entretanto, o revestimento com papel primário, porque é de particular importância que nas superfícies que serão laqueadas ou envernizadas se evite os custos inerentes a uma aplicação convencional do primário.

Os principais tipos de revestimentos são os seguintes:

Papel melamínico, papel “finish-foil”, lâmina de madeira, papel envernizável, revestimentos plásticos (PVC).

Fonte: Tafisa Brasil SA e Duratex

A empresa EUCATEX produz três versões básicas:

• Madefibra – é a chapa natural, que possibilita excelente acabamento nos processos de pintura, revestimento com PVC ou lâmina de madeira, podendo ser tingido ou envernizado. Têm ampla gama de aplicações em móveis e na construção civil, com destaque para portas de armário, frentes de gaveta, tampos de mesa, molduras, pisos e outras aplicações;
• Madefibra BP – é a chapa de Madefibra revestida, em uma ou duas faces, com laminado melamínico de baixa pressão, com acabamento liso ou texturado, em padrões madeirados, unicolores e fantasia. Por permitir que as superfícies sejam usinadas e acabadas de várias formas, adequa-se bem a aplicações na indústria moveleira;
• Madefibra FF – é a chapa de Madefibra revestida com película celulósica, do tipo Finish Foil, que apresenta superfícies lisas ou texturadas em vários padrões madeirados. Pode ser aplicado em móveis de sala e quarto, possibilitando a confecção de rebaixos e acabamentos pintados ou somente envernizados.

De densidade standard, o MDF é produzido nas espessuras de 9, 12, 15, 18, 20, 25 e 30mm, com dimensões de 1.830 x 2.750mm. Para trabalhá-lo, recomenda-se o seguinte:

SERRANDO E USINANDO

• máquinas, ferramentas, velocidades de corte e avanço iguais aos usados para madeira;
• as ferramentas calçadas com metal duro (widea) são mais recomendáveis por sua durabilidade.

Obs: serras de fita e serrotes com muita trava provocam graves lascamentos.

PARAFUSANDO

• deve ser utilizado furo-guia. Na pré-furação, o diâmetro deve ser igual à espessura do corpo do parafuso;
• profundidade: 2 a 3mm maior que o parafuso;
• usar parafuso de haste reta e rosca soberba ou especial (tipo Mitto Fix, da Mitto). Não usar parafuso cônico no topo, o que provoca rachaduras.

PREGANDO NO TOPO

• usar pregos somente quando não houver outra alternativa de fixação; nesse caso, utilizar em forma de cunha;
• observar distância mínima de 25mm do extremo do painel;
• o diâmetro do prego não deve ser superior a 2,2mm (usar, de preferência, pregos estriados);
• é recomendável que o comprimento do prego seja pelo menos três vezes a espessura da chapa que se prega;
• não empregar pregos em chapa de espessura menor que 15mm.

GRAMPEANDO

• colocar o grampo de forma angular em relação à borda, usando grampeador pneumático, observando a espessura da chapa.

CAVILHAS

• dar preferência às cavilhas estriadas para uma boa ancoragem de cola;
• o diâmetro do furo para alojamento deve ser ligeiramente maior, permitindo a colocação manual;
• a profundidade da perfuração deve ser de 1 a 2mm maior que o comprimento da cavilha.

ADESIVOS

• são os mesmos utilizados para madeira: PVA (cola branca), UF (tipo Cascamite) ou cola de contato.

JUNÇÕES

• qualquer tipo: espigado, machete, macho e fêmea;
• deixar pequena folga para trabalho do produto.

FERRAGENS

• quase todas as ferragens existentes no mercado podem ser utilizadas;
• dobradiças: devem ser usadas as que permitem fixação na face da chapa;
• é necessária furação-guia para fixação dos parafusos.

FOLHEAMENTO

• o MDF pode ser folheado com lâminas de madeira, PVC, laminado plástico e hot stamping;
• folhear em ambas as faces, com revestimento da mesma espessura;
• temperatura, pressão e tempo na prensa devem ser equilibrados (recomendação para lâminas de madeira: pressão de 3 a 6kgf/cm², temperatura de 70 a 100ºC e tempo de 2 a 4 minutos);
• evitar temperatura superior à 100ºC no interior da chapa.

TINTAS, VERNIZES E TINGIMENTOS.

• normalmente, as tintas e vernizes encontrados no mercado podem ser empregados no acabamento do MDF; é sempre recomendável seguir as orientações do fabricante;
• para o tingimento, recomenda-se utilizar sistemas que permitam aplicações conjuntas com produtos tapa-poros (seladores). Adequações finais de tonalidade são obtidas empregando-se vernizes tingidos no acabamento final. Tingidores à base de água não são recomendados, pois podem causar manchas principalmente se aplicados diretamente sobre o painel; o uso de pistola de pintura proporciona melhores resultados.

CUIDADOS ESPECIAIS

• armazenagem: o material deve sempre ser armazenado em local seco e ventilado, protegido de respingos de chuva, goteiras e umidade excessiva.
• aplicação: como qualquer outro painel de madeira, o MDF não deve ser utilizado em lugares expostos à ação direta da água ou em ambientes com muita umidade.
• calor: manter afastamento adequado de nichos de fogão, forno e outras fontes de calor (seguir recomendações do fabricante do eletrodoméstico).
• ataque de insetos: por suas características, o MDF não é um meio favorável ao ataque de insetos. Porém, quando aplicado em ambiente infestado, ele poderá estar sujeito a esse tipo de ataque.

Fonte: Folheto Como Trabalhar MDF – Duratex.

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