O ENSINO DA FILOSOFIA NA ESCOLA DE ENSINO MÉDIO

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DICAS PARA ANALISAR, COMPREENDER, E INTERPRETAR TEXTOS

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO NO ENSINO DE FILOSOFIA
Francisco Augusto de Souza
O ENSINO DA FILOSOFIA NA ESCOLA DE ENSINO MÉDIO COELHO MASCARENHAS
CRATEÚS – CE
2007

RESUMO

A presente monografia apresenta uma reflexão sobre a contribuição do Ensino da Filosofia da Escola de Ensino Médio Coelho Mascarenhas na formação integral dos jovens alunos para assumir com consciência a sua cidadania levando em conta os valores éticos e morais tão necessários para a transformação da sociedade. Para isso, faz-se necessária a priori uma análise conceitual sobre a relação entre ética e educação, a fim de verificar se as práticas pedagógicas adotadas pela referida escola para o ensino e a aprendizagem têm sido pautadas nos princípios da cidadania, para que, dessa forma, o objetivo da educação, que é a construção de cidadãos participativos e conscientes, isto é, indivíduos responsáveis e solidários com a comunidade e autônomos intelectualmente, sejam alcançados de forma significativa.
Palavras-Chave: Jovens, Educação, Participação, Cidadania.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

1. O ROSTO DA ESCOLA DE ENSINO MÉDIO COELHO MASCARENHAS
1.1. A Natureza da Escola
1.2. As Finalidades e Objetivos
2. O CURRICULO DO ENSINO DA FILOSOFIA NA ESCOLA DE ENSINO MÉDIO COELHO MASCARENHAS: UM ENSAIO PARA EDUCAÇÃO ÉTICA
3. O LUGAR DA ÉTICA: DA EDUCAÇÃO PARA A SOCIEDADE
CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

INTRODUÇÃO

Nos dias atuais o maior desafio na escola e de modo especial na Escola de Ensino Médio Coelho Mascarenhas é a conscientização dos jovens alunos de que sua participação e envolvimento nas atividades escolar se fazem necessária. Nossos alunos têm manifestados diversos atos de indisciplina que preocupa a congregação de professores e núcleo gestor da escola que tem em seu projeto pedagógico a missão de formar para a cidadania e a convivência feliz na sociedade.
Sabemos que para um convívio em sociedade sempre se exigiu um comportamento relativo às leis estabelecidas. Ao longo da história, observa-se que as leis variaram de acordo com o contexto religioso e político de cada época. A ética não era considerada uma ciência, logo não havia uma relação entre ética e educação. Essa visão só foi modificada na idade contemporânea, onde a ética teve uma nova conotação, sendo dessa forma considerada como uma ciência. E com isso fortaleceu-se o argumento que a relação entre a ética e a educação é notória no cotidiano do ser humano, pois ambas são extremamente importantes para sua formação moral, intelectual e teológica. Não há como isolá-las por ações, pois elas estão inseridas no mesmo contexto da sociedade.
A escola é uma das instituições mais responsável pela formação integral e ética do indivíduo. É ela quem dá um norte aos jovens alunos para se oportunize o exercício da cidadania de fato e de direito. Alguns questionamentos são necessários: a escola tem conseguido desempenhar seu papel na formação integral do indivíduo como um membro da sociedade? A realidade externa a escola reflete no interior da sala de aula de forma silenciosa e às vezes de forma gritante na ação e reação dos nossos jovens alunos ao serem provocados pelos professores diante de conteúdos básicos para sua formação. O confronto se processa porque valores humanos estão sendo jogados no esgoto da ignorância e vaidade dos homens modernos e capitalistas que deixam prevalecer o Ter e sufocam o Ser levando-o ao nada, ao vazio, aos caos.
Hoje vivemos em um mundo mais flexível e em nome de uma democracia tudo passa a ser normal e relativo. A educação escolar perde sua essência, os padrões de comportamentos querem seja na relação do eu com o outro, a afetividade, o consumismo, tudo passa a ser visto como ocasional.
Diante deste quadro a escola avalia sua postura e percebe ter falhado na sua função social e que ainda está longe de, realmente, trabalhar a educação em princípios éticos de cidadania. Na escola muito se fala em ética e cidadania no processo de ensino e aprendizagem, e de como ela deve ter por objetivo a construção de cidadãos participativos e conscientes dos seus deveres e direitos para com a sociedade. Daí a pergunta básica: de que forma a Escola de Ensino Médio Coelho Mascarenhas têm se empenhado em desenvolver atividades curriculares que envolvam os direitos e deveres de um cidadão? Os professores de filosofia e sociologia têm se empenhado muito em trazer para os alunos temáticos relevantes que propiciem debates e discussão acerca da ética e do respeito como treino para o exercício da sua cidadania, mas infelizmente ainda são poucos os jovens alunos que despertam para este aspecto de sua formação. O Grêmio da escola vem nos últimos tempos despertando para um assumir mais coerente sua função de ser representação dos alunos na escola e assim, a esperança fica no ar.
A análise deste comportamento dos jovens alunos na Escola de Ensino Médio Coelho Mascarenhas deve nos ajudar a entender a real necessidade de um ensino escolar mais insistente nos valores éticos e morais tão necessários para a cidadania e o compromisso com a transformação da sociedade. Não podemos ficar como expectadores da derrocada humana e a filosofia juntamente com a sociologia que agora estão mais presentes na sala de aula nos três anos do Ensino Médio devem ser protagonistas da necessidade da conscientização dos jovens para exercerem de forma efetiva seu papel de cidadãos na sociedade e na vida.

1. O ROSTO DA ESCOLA DE ENSINO MÉDIO COELHO MASCARENHAS

1.1. Caracterização da Escola

Conforme o Regimento Escolar (2006), em seu artigo terceiro a Escola de Ensino Médio Coelho Mascarenhas Pertencente à Rede de Ensino Oficial mantida pelo Governo do Estado do Ceará e subordinada técnica e administrativamente a Secretaria da Educação Básica, cadastrada no MEC com número do Censo Escolar 23091240.
Nesta escola estudam alunos advindos da zona urbana e rural. Na sua maioria são alunos de classe baixa, filhos de trabalhadores e também alunos trabalhadores. Temos alunos que vem a escola após um turno pesado de trabalho na roça, portanto, cansado e sem força para concentrar-se nas aulas.

1.2. As Finalidades e Objetivos

Como toda escola, a Escola de Ensino Médio Coelho Mascarenhas tem objetivos e finalidade que norteiam sua prática pedagógica nas atividades corriqueiras do dia-a-dia.
No Regimento Escolar (2006), artigo quarto: A escola tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. O ensino será ministrado com base nos princípios da Lei Nº 9394/96, artigo 3º nos Incisos:
I-igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II-liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
III-Pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas;
IV- respeito à liberdade e apreço à tolerância;
IV-Coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
V-Gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
VI-Valorização do profissional da educação escolar;
VII gestão democrática do ensino público, na forma desta lei e da legislação dos sistemas de ensino;
VIII- garantia de padrão de qualidade;
IX- valorização da experiência extra-escolar;
X- Vinculação entre educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.
Sobre os objetivos, estes são claros e possíveis de serem observados por todos os segmentos da escola sem nenhuma dificuldade. Para deixar claro os objetivos da escola, mais uma vez podemos nos apegar ao Regimento Escolar (2006), no artigo quinto que diz: A Escola deverá atingir os seguintes objetivos:
I Desenvolver um Projeto Político- Pedagógico democrático, com a participação do Conselho Escolar, Grêmio Estudantil e de toda comunidade escolar civil e circunvizinha.
II Proporcionar o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
III Ressaltar a construção da cidadania, constituindo princípios integradores dos eixos e de toda ação educativa, para o desenvolvimento de uma CULTURA EMPREENDEDORA.
IV Compreender o homem educando, em suas relações sociais, consigo, com os outros e com o mundo em busca de uma formação que resulte em um homem integrado, participativo, ousado, reflexivo, crítico, autônomo, livre de preconceitos, criativo, curioso, investigador, solidário, cooperativo e construtor de sua história.
V Preparar para o exercício consciente da cidadania, contribuindo para a formação moral e ética dos alunos, a fim de torná-los cidadãos ativos e participantes, através de estudos que permitem compreender as variedades de uso, costumes e tradições das sociedades, distribuição dos fenômenos físicos, biológicos e humanos, sua preparação para o mundo do trabalho e o desenvolvimento de competências para continuar seu aprendizado.
VI – Favorecer a integração dos portadores de deficiência no ensino regular.
VII Promover a cultura do sucesso escolar, favorecendo uma linha de ação pedagógica que respeite os diferentes níveis de desenvolvimento, os ritmos de aprendizagem dos educandos, com ênfase na flexibilidade do tempo escolar.
VIII Proporcionar material didático mínimo indispensável para o bom funcionamento e atendimento da clientela do Ensino Médio, através do Multimeios, onde os alunos deverão ser atendidos de forma individual ou em pequenos grupos.
IX- Promover o pleno desenvolvimento do educando na perspectiva da formação de verdadeiros cidadãos, valorizando a dignidade do ser humano, de permanente enriquecimento no campo das relações interpessoais, desenvolvimento do senso crítico, da responsabilidade social do sentimento participativo.
A partir do que foi dito nos parágrafos anteriores podemos perceber a clareza da escola no processo educacional de seus alunos. É importante compreender, nas entrelinhas da natureza, finalidades e objetivos da escola, a relação existente entre a ética e a educação para se trabalhar melhor com a educação dos jovens a fim de que eles apreendam valores éticos e morais que lhes ajudem a vivenciar no seu dia-a-dia, atitudes práticas do bem viver e conviver. A ética na educação, além de formar, também constrói o indivíduo, permitindo que o mesmo se compreenda como um membro da sociedade, assumindo dessa forma as responsabilidades que lhe cabem como cidadão. Logo, é praticamente impossível pensar no processo de ensino-aprendizagem sem uma referência ética, pois ambos se entrelaçam.
A ética não é apenas uma teorização do agir moral, ela é uma prática que está vinculada diretamente à ação humana na sociedade. A ética é vivenciada em contextos diferentes na sociedade, como por exemplo, no político, no social, no econômico e no educacional. Assim, contribui de uma forma abrangente no que se refere a uma perspectiva coletiva e não puramente individual.
O acesso ao conhecimento e às habilidades em nossa escola constitui parte do processo de formação humana na educação, o que não deve ser confundido com a totalidade do processo. A ética pregada pela Escola de Ensino Médio Coelho Mascarenhas e inserida na educação desenvolve no indivíduo a capacidade de estabelecer relações entre esses conhecimentos e habilidades, orientando-o para a prática da cidadania e para a busca da qualidade de vida justa e solidária.
Nossos alunos são a todo instante motivados a experimentarem na prática os valores que na sociedade estão em desuso e que os jovens banalizam. Em grupo esta prática apresenta bons resultados e até os próprios alunos ficam eufóricos quando conseguem vivenciar os valores que na roda de amigos eles tratam com deboche. Nosso olhar se direciona para o futuro destes jovens.
Sabemos que para que tenhamos um futuro digno não podemos deixar que certos valores se percam na pluralidade da sociedade atual. Não podemos nos deixar levar por uma posição acrítica e inerte, mas devemos passar a colocar em práticas táticas que resgatem os valores universais de emancipação e libertação humana.
Pensando nisso, a educação não pode, e não deixará de ser um fator que merecerá nossa atenção aqui. Sendo a educação um projeto tanto do imaginário individual quanto do coletivo, são esses dois fatores que configuram e dão força a uma projeção futura. Refletir sobre educação, tendo em vista o passado e o presente será imprescindível para que percebamos onde estamos e para onde caminharemos. Evidentemente, faz-se necessário, hoje, que superemos a percepção do sujeito como mera mercadoria, conforme mencionamos há pouco, mas que reconheçamos o papel social de cada indivíduo no meio em que este se encontra.
Desta forma a Escola de Ensino Médio Coelho Mascarenhas tem consciência de estar desempenhando uma tarefa relevante na formação dos jovens alunos.
A escola é o lugar onde os valores universais de verdade, do bom e do belo devem ser transmitidos pelo professor, o mediador do saber, às crianças, até então, indivíduos sem luz. A educação é concebida como socialização, e com isso o aluno é repreendido com castigos ou recompensado através de estímulos ou gratificações. Cabe à escola não só introduzir o pensamento racional, mas as regras da vida em sociedade, desse modo, o aluno tende a aprender a dominar-se, tendo sua personalidade individual ofuscada pelas regras da moral e do dever.
Fazendo uma relação da proposta educacional de nossa escola com o pensamento de Gallo percebemos diferenças significativas entre seu pensamento e nossa proposta muito embora ainda tenhamos alguns aspectos semelhantes, pois Gallo (2002) ao tentar apontar os verdadeiros objetivos do ato educativo cita o filósofo Herbert Read, quando este coloca que existem duas possibilidades quanto aos objetivos da educação: a de que o indivíduo deve ser educado para ser aquilo que ele realmente é, e nesse caso a sociedade seria a expressão dos indivíduos que a compõem; ou que o indivíduo pode ser educado para ser aquilo que ele não é assumindo para si a expressão dada pela sociedade.
É importante que percebamos esse ponto, pois, ainda que não declaradamente, a educação tradicional sempre educou o indivíduo para ser aquilo que ele não era, para que se dobrasse diante das regras do sistema. Este autor ainda acrescenta:
Todos os indivíduos nascem com uma série de possibilidades e a educação ou será organizada de modo a fazer aflorar e atualizar tais potenciais, harmonizando-as, ou então está preparada para selecionar quais dessas possibilidades devem ser atualizadas e quais devem ser extirpadas, de acordo com o modelo de indivíduo que aquela sociedade em questão concebe
(GALLO, 2002, p.20).
Quanto à educação oferecida pela burguesia Gallo vai dizer que esta categoria da sociedade forma para atender seus interesses sociais.

2. O CURRICULO DO ENSINO DA FILOSOFIA NA ESCOLA DE ENSINO MÉDIO COELHO MASCARENHAS: UM ENSAIO PARA EDUCAÇÃO ÉTICA

Etimologicamente a palavra ética vem do grego ethos, que quer dizer o modo de ser, o caráter. Os romanos traduziram o ethos grego para o latim mos, que quer dizer costume, de onde vem a palavra moral. Ambas indicam um tipo de comportamento propriamente humano que não é natural, o homem não nasce com ele como se fosse um instinto, mas é adquirido ou conquistado por hábito (Vázquez, 2003).
A ética é construída histórica e socialmente a partir das relações coletivas dos seres humanos, é algo conquistado, adquirido como relata Vázquez (2003). A escola dispõe de um ambiente favorável para a construção deste processo ético. Mas infelizmente observa-se que as instituições educacionais têm permitido um grande distanciamento entre a ética e a educação. E com isso a ética tem sido interpretada somente como um conjunto de regras comportamentais, orientando o educando somente no sentido profissional. Isso nos mostra que a escola dessa forma tem falhado com sua função para com a sociedade, que é de possibilitar que o indivíduo se entenda como cidadão, isto é, alguém que participe da esfera pública de forma ativa e responsável.
Esse processo de participação ativa e responsável faz-se necessário para um convívio saudável na comunidade, que tem por pilar fundamental a ética. Mas como formar cidadãos éticos hoje em um sistema educacional repleto de lacunas? Pois são raras as vezes que a escola proporciona discussões éticas presenciadas de modo explícito no campo pedagógico. Além do mais as famílias praticamente se isentaram do seu dever que é de educar os filhos, transmitir valores morais e religiosos. Isso reflete conseqüências terríveis na sociedade, e tudo isso ocorre porque alguém no processo educativo não cumpriu com a sua responsabilidade perante a sociedade.
Mas, então, o que fazer para reverter este quadro que às vezes parece ser impossível? E que às vezes acomoda muitos profissionais? Talvez o primeiro passo seja repensar sobre os próprios posicionamentos como profissional e refletir sobre algumas evidências negativas nas instituições educacionais. É preciso reconhecer que alguns esforços concretos vêm sendo formalizados com intuito de inserir a discussão ética no contexto educacional e procurar inserir no currículo temas que levem os alunos a perceberem sua importância na sociedade e na escola bem como a necessidade da ética para o bem viver em sociedade.
Um bom exemplo para ser abordado nas aulas de filosofia está contemplado nos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) que se referem a um conjunto de temáticas sociais, presentes na vida cotidiana, que deverão ser tangenciadas pelas áreas curriculares específicas, impregnando dessa forma transversalmente os conteúdos em cada disciplina. Sem dúvida os PCN são uma iniciativa digna e válida. Mas, vale ressaltar que estes só resultarão positivamente se os temas abordados como princípios básicos para a dignidade do ser humano: respeito mútuo, justiça, diálogo e solidariedade, forem de fato praticados nas escolas e universidades. Agindo dessa maneira, a escola estará oportunizando um local de diálogo para possibilitar o estabelecimento da validade dos princípios que vão orientar esta mesma convivência na sociedade. Sendo assim, faz sentido pensar na educação como um processo que possibilite aos indivíduos a validação dos princípios morais que servem de pressupostos para uma convivência saudável na comunidade.
A Escola Coelho Mascarenhas percebe esta importância e insere em seu currículo temas de interesse da juventude. È preciso permanecer com o currículo flexível devido o multiculturalismo presente na escola enquanto instituição formativa da consciência e da vida humana.
A presença de jovens advindos de diversos grupos sociais exige que o professor de filosofia seja capaz de abrir uma discussão onde todos possam expressar sua visão de vida e de mundo e a partir daí oferecer conceitos capazes de transformar para uma vivência em sociedade de forma que os valores sejam respeitados e as pessoas sejam vistas como gente e portanto precisam ter dignidade.

3. O LUGAR DA ÉTICA: DA EDUCAÇÃO PARA A SOCIEDADE

Vive-se hoje na era da informação, sendo que diariamente os jovens são bombardeados por diversas informações, que estão disponíveis em toda parte e que atingem todas as classes sociais. Dentre os principais veículos tem-se a internet, jornais, rádio, revistas e TVs. As informações transitam com tal rapidez e abrangência, que causam incertezas quanto ao futuro, principalmente àqueles que possuem dificuldades em se adaptar ao cenário globalizado. Esse acesso imediato às informações fez com que o mundo se tornasse pequeno, mediante a um conhecimento tão diversificado. Mas este modelo de globalização gerado pela evolução das comunicações e tecnologias requer de todo indivíduo um preparo, principalmente dos profissionais da educação, já que a qualificação é um quesito necessário para sobrevivência neste século.
Nesse novo contexto, a educação que se baseava na transmissão de conteúdos e na memorização de regras já não mais consegue preparar o ser humano para a vida cotidiana, que é cheia de desafios e exigências. A educação assume então uma responsabilidade que vai além de ensinar conteúdos. O novo modelo de educação deve preparar o indivíduo para uma convivência saudável e útil na comunidade. Hoje, ter um diploma não é sinônimo de sucesso. Além da formação acadêmica o indivíduo tem que ser versátil e ter a capacidade de adquirir um aprendizado contínuo. Além do que o mesmo tem que ser hábil e ético em suas relações inter-pessoais. Nesse aspecto aumenta a importância e a responsabilidade das instituições educacionais, como uma referência marcante na vida de crianças, adolescentes e jovens. Pois a mesma possui um espaço onde valores são vivenciados e compartilhados. Entretanto, vale ressaltar que infelizmente em algumas escolas o ato de educar se restringe às salas de aula. O que não pode acontecer, já que a escola não é mundo à parte, desconectada da realidade. Pelo contrário, seu papel é conduzir o indivíduo a desenvolver as habilidades que evidenciam todo seu potencial.
No ambiente educacional deve haver a integração das disciplinas com os valores éticos, ensinando dessa forma o ser humano a pensar multiculturalmente. Isso leva a exigir dos educadores uma postura de ação com responsabilidade, ou seja, habilidades para atender as demandas, à medida que elas se apresentam. Neste tempo de transformações, observa-se que se tem perdido os fins éticos e culturais que a educação deve empreender. Por esse motivo, os profissionais da educação têm que oferecer ferramentas necessárias à apropriação crítica de conhecimentos, que não visem somente uma relação funcional com novas tecnologias, mas que consolidem os valores éticos e atitudes socialmente responsáveis, qualificações essas básicas ao indivíduo inserido num processo de globalização.
A Escola Coelho Mascarenhas desenvolve um trabalho pedagógico com vistas a fixação dos valores, respeito ao próximo para que a comunidade possa viver um ambiente agradável e prazeroso a fim de desenvolver melhor o processo de ensino e aprendizagem escolar.
Entre as disciplinas que colaboram com este tema, o ensino da filosofia levanta a bandeira promovendo seminários, debates em sala de aula e pesquisa em ambientes diversos para interagir com as demais pessoas numa vivência de valores e respeito ao próximo.
Os projetos trabalhos na escola pela disciplina de filosofia são um convite para os alunos desenvolverem a capacidade de filosofar e refletir sobre seu comportamento na família, na escola e na sociedade.
De certo, o professor de filosofia não pode omitir-se do seu papel social de estar insistindo com seus alunos a necessidade de resgatar ou valorizar a ética e a moral como princípios preponderantes para que tenhamos uma sociedade mais humanizada que perceba a vida como um bem que deve ser conservado.
Existem algumas reflexões que são necessárias sobre o papel social do professor para com a sociedade e os caminhos para que ele exerça a profissão com qualidade. Para que ocorra essa qualidade no trabalho, exigem-se mudanças no relacionamento do professor com seus alunos e nas ações didáticas adotadas para a socialização do conhecimento, socialização esta necessária para uma sociedade equilibrada em todos os aspectos.
Atualmente, verifica-se uma crise na instituição educacional que reflete diretamente na sociedade atitudes não éticas. A violência, o egoísmo, a falta de solidariedade e a corrupção que imperam em nosso país são exemplos desse reflexo. Com isso, ao mergulhar na discussão sobre a contribuição do professor na formação ética do indivíduo, somos levados a indagar: Como os aspectos de uma moralidade profissional podem se constituir em posturas e práticas éticas no exercício da profissão? Através desta reflexão, busca-se formular algumas questões sobre o lugar da ética no trabalho do professor.
Pode-se considerar a moral, nesse aspecto, como um ponto de partida, entendida como um conjunto de regras e normas, que são socialmente aceitas e consideravelmente adequadas para a vida em coletividade. Isso tanto como normas e regras na forma de leis, quanto na forma de costumes e hábitos sociais que se impõem ao grupo ao longo de sua história. É neste contexto social que o indivíduo define sua eticidade, principalmente nas instituições educacionais onde ocorre o contato direto com educador, que tem por incumbência educar de forma integral o indivíduo. Isso levando em consideração que os professores são pessoas morais, o que não significa que os mesmos tenham uma postura ética em todo momento. Pois ética situa-se acima da moralidade podendo assim questioná-la e lançar diferentes alternativas sociais. Daí a importância em qualificar o trabalho do professor como uma atividade que ultrapasse a dimensão moral na direção da postura ética.
É somente através da ética que poderão se estabelecer projetos sociais que disponham de ações concretas para com a sociedade. Logo, faz-se necessário que os profissionais da educação tenham consciência do seu incrível papel como educador na sociedade, uma vez que detém em suas mãos um poder transformador, que reflete a esperança de uma sociedade solidária e justa.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesse processo de reconhecimento da ética no processo educativo, verifica-se que há um distanciamento do ideal da ética na educação que é a formação moral e intelectual do indivíduo, em relação à prática das instituições. Onde embalados por uma perspectiva politizante, acostuma-se a atribuir os fracassos do contexto educacional ao: O governo, órgãos governamentais ou então a estruturação das famílias que hoje possuem diferentes ordens de carência.
Enquanto isso tem se observado as conseqüências na sociedade de uma educação não solidificada na ética. Pois a mesma encontra se mergulhada em meio à violência, corrupção, desrespeito, a falta de solidariedade e ausência de justiça.
Logo, faz se necessário que os profissionais da educação assumam então com seriedade e compromisso o ato de educar. Não se limitando apenas em ensinar conceitos e valores democratizantes, mas sim os vivenciando e compartilhando-os no ambiente escolar.
Para que a partir daí, o desejo de uma sociedade justa e igualitária, não seja apenas um objeto utópico. Mas seja a força que revitalize o real sentido de educar. Verbo este que exige uma ação com atitude transformadora.
Com este pensamento a Escola de Ensino Médio Coelho Mascarenhas localizado no interior do Estado do Ceará, uma escola onde seus alunos são, na maioria, oriundos da zona rural, desenvolve seu trabalho didático pedagógico com foco na valorização da pessoa com ser humano que necessita de respeito para se ter um relacionamento que leve os jovens a dialogarem e discutirem possibilidade de melhores condições de vida na sociedade e na escola com avanços na aprendizagem, no conhecimento escolar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARISTÓTELES. Política. Ed. I. Bekker. Edição Bilíngüe grego-português. Trad. Antônio C. Amaral e Carlos C. Gomes Lisboa: Veja, 1998.
BRASIL. Ética e Cidadania: construindo valores na escola e na sociedade/coordenadora geral: Lúcia H. Lodi. Brasília: Secretaria Especial dos Direitos Humanos: Ministério da Educação, SEIF, SEMTEC, SEED, 2003.
HERMANN, Nadja. Pluralidade e Ética em Educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.
OLIVEIRA, M.A. de (org) Correntes Fundamentais da Ética Contemporânea. Petrópolis: Vozes, 2002.
VALLS, Álvaro L.M. O que é ética. Brasiliense, 1993.
VÁSQUEZ, A. S. Ética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

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