O GOVERNO BUSH E A CONSEQÜENTE ONDA DE ANTIAMERICANISMO

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2003
DICAS PARA ANALISAR, COMPREENDER, E INTERPRETAR TEXTOS

O GOVERNO BUSH E A CONSEQÜENTE ONDA DE ANTIAMERICANISMO NO MUNDO E OS RESPECTIVOS IMPACTOS NA ECONOMIA AMERICANA

RESUMO:

Neste artigo o autor analisa a ação do atual presidente dos Estados Unidos da América , enfocando uma abordagem das relações externas americanas com o restante do mundo e as devidas relações e reações que vários países do mundo têm manifestado com relação à política externa americana. Relações e reações de caráter político, econômico, bélico,geopolítico são analisadas e ressaltadas as devidas conseqüências para a economia dos Estados Unidos da América.

ABSTRACT:

In this article the author analyzes the action of the current president of the United States of America, focusing a boarding of the American external relations with the remain of the world and the had relations and reactions that some countries of the world have revealed with relation the American external politics. Relations and reactions of character politician, economic, warlike, geopolitical are analyzed and salient the had consequences for the economy of the United States of America.

PALAVRAS-CHAVES: antiamericanismo, política externa, geopolítica, terrorismo relações internacionais

INTRODUÇÃO:

Os sentimentos contra os Estados Unidos da América e as manifestações antiamericanas não são fenômenos dos dias atuais porque, através da história, tanto no século XIX como no século XX e até mesmo nos primórdios do século XXI, pode-se constatar, em todo o mundo e em vários países, manifestações de repúdio à presença e à ação americana .

Os Estados Unidos da América, como a potência mais rica da Terra sempre foi hostilizada em vários países, tal como no Brasil com o seqüestro do embaixador americano Charles B. Elbrick, durante a ditadura militar. Sempre foi comum observar-se cenas de queima de bandeiras americanas em episódios de protestos contra os Estados Unidos da América.

Acontece porém que nos dias atuais há um recrudescimento do antiamericanismo e dos sentimentos de aversão aos e, que passam a serem responsabilizados por tudo o que acontece em escala mundial. Recentemente os meios de comunicação de massa mostraram os moradores de um bairro da cidade de Teerã, no Irã, culpando os americanos pela queda de um avião de grande porte que se chocou com um edifício de apartamentos e fazendo numerosas vítimas. A falta de manutenção e fornecimento de peças pelos americanos casou, segundo estes moradores, a queda do avião.

Cabe a análise dos fatores causais deste recrudescimento dos sentimentos antiamericanos dos dias atuais e das conseqüências que podem advir, tanto em escala mundial, como dentro do território dos Estados Unidos, deste sentimento de aversão.

DESENVOLVIMENTO:

A questão do antiamericanismo enquadra-se numa perspectiva voltada tanto para os acontecimentos recentes como para a conduta e decisões tomadas pelo atual presidente americano, que , pelo que parece, tem tomado medidas arrojadas e antipopulares, tanto dentro do território americano como no exterior. O entendimento desta questão passa pelo crivo da análise dos acontecimentos da última década e dos anos recentes e pelas diretrizes impostas pelos presidentes americanos, principalmente o atual presidente George W. Bush..

Cada supremo mandatário dos Estados Unidos da América tem manifestado um estilo típico de governança. Assim Henry Trumann notabilizou-se por ordenar o ataque atômico ao Japão e pondo assim fim à Segunda Guerra Mundial. Dwigt Eisenhower e John Kennedy sustentaram a Guerra Fria ; Richard Nixon foi o caso do Watergate; Jimmy Carter foi a presidente dos direitos humanos e entendidos como um presidente pusilânime e que deixou os americanos perderem vários espaços geopolíticos no mundo e facilitando vitórias de movimentos revolucionários, tais como os do Ayatolas do Irã , a guerrilha sandinista da Nicarágua e a perda do controle do canal de Panamá.Ronald Reagan foi o presidente “mão-de-ferro” e que aplicou uma teoria econômica ortodóxica e recessiva na economia americana e que teve repercussões em escala mundial já que todos os países que deviam dinheiro para os Estados Unidos da América, tiveram as suas dívidas multiplicadas várias vezes em decorrência da elevação das taxas de juros. Nesta ocasião a dívida externa brasileira alcançou a cifra de cem bilhões de dólares.

No cenário do mundo contemporâneo a atual geopolítica norte-americana pode ser definida pelo atentados de “11 de setembro”, com o ataque às torres gêmeas do World Trade Center, em Manhatan , que despertou o pavor e o medo pelos atentados terroristas cada vez mais ousados , deu certo apoio às ações arrojadas contra o terror em escala mundial e dividiu o mundo em dois períodos distintos: antes e após “11 de setembro” e relegando o século XX com as suas guerras quentes e frias a um passado nebuloso e cheio de neblina , e marcando o século XXI como um século com características completamente distintas do século XX.

Bill Clinton e George W. Bush administraram as conseqüências imediatas da queda do comunismo e o fim da Guerra Fria, mas o fizeram quando a premissa ainda era que a maior ameaça ao mundo tinha sido eliminada, quando não parecia haver nenhuma urgência em definir uma nova ordem não comunista. Esta nova ordem surgiu do crescimento constante das ações terrorista, cujo marco mais importante é o ataque de “11 de setembro”.

Neste pano de fundo a ação do presidente norte-americano direcionou-se não para assegurar uma nova ordem mundial na qual os arsenais militares seriam drasticamente reduzidos e na qual as democracias cooperariam para solucionar conflitos , garantir os direitos humanos e proteger o meio-ambiente.

Pelo contrário as diretrizes estabelecidas pelo presidente dos E.U.A . foram no sentido de garantir a qualquer custo a segurança dos Estados Unidos da América , até mesmo com guerras preventivas, como bem ilustra os episódios dos ataques e da ocupação norte-americana no Iraque.

Nesta perspectiva as instituições multilaterais e os organismos internacionais somente seriam usados quando interessasse aos norte-americanos e não apenas isso: a garantia da segurança dos Estados Unidos da América exigia dos norte-americanos a imposição dos seus valores “democráticos” no resto do mundo, a começar pelo Oriente-Médio.

Esta política não engendrou uma cadeia harmoniosa de democracias amistosas desde a Ásia Central até o mar Mediterrâneo e pelo contrário gerou um maremoto de sentimentos antiamericanos , no qual os Estados Unidos são vistos como uma ameaça maior à paz mundial que a própria Al Qaeda.

Esta política em escala mundial adotada pelo atual presidente norte-americano não goza do apoio total da opinião pública norte-americana e este é um dado que deve ser bem ponderado porque já no passado ela pesou em decisões políticas importantes, tal como a renúncia do então presidente Richard Nixon em decorrência do escândalo provocado pelo episódio de espionagem política: o Watergate.

Também no mandato de Kennedy e Lyndon Johnson foi o peso da opinião pública norte-americana que obrigou a retirada das tropas norte-americanas do Vietnã e a vitória comunista na península da Indochina, apesar de todo o poderio militar dos Estados Unidos, que chegaram a colocar quinhentos mil soldados no Vietnã.

Em termos dos aliados norte-americanos, a política de Bush também gera dissidência. Assim o continente europeu constituído por inúmeros pequenos Estados teve,por uma questão de condições atuais, que eliminar fronteiras e procurar uniões entre países. As fronteiras herdadas do passado, da época das constituições dos Estados modernos, do fim do Feudalismo e começo da Idade Moderna , devem , por circunstâncias atuais, que serem eliminadas e permitindo assim maior fluxo de pessoas, mercadorias , serviços e capitais entre os vários países.

A idéia de fronteiras protecionistas, restringindo o acesso de produtos alienígenas dentro dos mercados nacionais e protegendo os mercados internos é algo que, sob a ótica dos acontecimentos atuais, deve ser mais bem elaborada. Tanto é verdade que o surgimento de diversos mercados comuns em várias partes do mundo, inclusive na América Latina, atesta a necessidade da eliminação, senão total, pelo menos parcial das fronteiras entre os países.

No mundo islâmico a política norte-americana também trouxe seqüelas. Os acontecimentos recentes dos protestos da população muçulmana, derivados da publicação de caricaturas do profeta Maomé por um jornal dinamarquês, com a queima da embaixada em Beirut e da queima das bandeiras dinamarquesas não parecem serem fatos isolados mas incluídos em tendências atuais de sentimentos antiocidentais.

As interferências recentes de tropas norte-americanas no Afganistão e no Iraque têm jogado a opinião pública do mundo islâmico contra os Estados Unidos e não só no mundo islâmico houve reação contrária a estas interferências militares americanas . Na Europa países de peso como a Alemanha e a França mostraram o seu repúdio contra estas ações militares dos Estados Unidos da América.

O exemplo da ação americana no Iraque revela com maior ênfase as diretrizes de política externa norte-americana e que fundamentam os sentimentos antiamericanos. Apesar das informações dos serviços de inteligência de que as hostilidades americanas poderiam acentuar os riscos de ataques com armas biológicas de destruição em massa , por ação iraquiana e da intensificação do terrorismo internacional como reação às beligerâncias ianques, o governo Bush não as levou em consideração.

Assim em setembro de 2002, o governo Bush anunciou sua “Estratégia de Segurança Nacional” , que declarava ser seu direito recorrer à força para eliminar qualquer ameaça detectada contra a hegemonia global americana, prevista para ser permanente e contra qualquer ameaça de ataque terrorista ou não ,contra o território norte-americano.

Como esta estratégia deveria gozar de respaldo popular e político, Bush recorreu à mídia e as agências de publicidade, na mesma linha de propaganda que quase todos os mandatários costumam usar.

De fato, já na época do presidente Kennedy , a mídia mostrava este presidente , numa imagem simpática, em um iate com os seus familiares na baia de Chesapeake; mostrava ainda o seu filho fotografado em baixo da mesa de trabalho do presidente.

Também no Brasil a mídia já mostrou o ex-presidente Figueiredo praticando Cooper; o ex-presidente Collor de Mello pilotando um avião e a Secretaria de Comunicação Social do Planalto encarrega-se de fazer a propaganda do atual presidente Lula.

A questão é que a mídia é usada em sentido, não de informar corretamente a opinião pública, mas pelo contrário, de criar imagens negativas , conceitos errados e informações deturpadas e enganosas acerca das personalidades e dos acontecimentos.

Ocorre aí aquilo que pode ser chamado de “violência da informação” tão ou mais importante que a “violência do dinheiro”, e através da qual ocorre uma manipulação das informações que chegam ao público, tornando erradas os seus níveis de consciência e de interpretação daquilo que na verdade está acontecendo.

Neste sentido fica fácil entender que as agências de propaganda, a mídia e as centrais de informações podem facilmente definir qualquer decisão política e eleitoral.

Bush, para nau fugir à regra, fez a mesma coisa. Para dar suporte popular a sua “Estratégia de Segurança Nacional” Bush recorreu à mídia para pintar Saddam Hussein como ameaça iminente aos Estados Unidos e que ele fora o responsável pelos acontecimentos de “11 de setembro” e que preparava outros atentados.

Esta campanha publicitária programada para coincidir com as eleições para o Congresso norte-americano atingiu em cheio o seu alvo. Em pouco tempo a opinião pública americana avaliou Saddam Hussein como inimigo público dos americanos , auxiliou o governo a alcançar os seus objetivos eleitorais e transformou o Iraque em teste válido para a recém –anunciada doutrina de recorrer à força, quando convier aos interesses americanos.

Concomitantemente a esta estratégia política Bush adotou uma política contrária à vontade de muitos países do mundo com relação a temáticas importantes da questão ambiental, mormente com respeito ao “efeito-estufa”, à emissão e controle de CFC e à emissão de carbono na atmosfera , para o qual existem cotas atribuídas aos vários países , e que determinam quanto de carbono cada país-cotista pode emitir na atmosfera e cujas cotas podem ser compradas, vendidas e negociadas entre os vários países, à semelhança da compra e venda de ações na bolsas de valores.

A recusa americana de endossar estes acordos mundiais foi motivada pela necessidade de atender aos interesses privados dos grupos econômicos americanos e das grandes indústrias que não querem ver os seus negócios prejudicados. O governo norte-americano não tem, através das suas agências ambientais, qualquer recomendação de limitação da emissão de poluentes na atmosfera.

Isto é um dado grave quando se sabe que há um aumento de cerca de 14% por década ,de poluentes aéreos lançados na atmosfera pelas atividades econômicas norte-americanas.

Há indícios de que está emissão de poluentes poderá levar a um aquecimento global em curto prazo e produzir drásticas mudanças de temperaturas capazes de gerar enormes riscos climáticos e ambientais para os Estados Unidos, Europa e outras zonas temperadas.

Esta postura insolente quanto á cooperação multilateral para a solução do problema do aquecimento global e outros problemas ambientais do governo Bush foi o ponto de partida de um longo e contínuo processo de erosão das relações entre os Estados Unidos e a Europa..

Já em outubro de 2002 o mundo estava mais preocupado com o uso desenfreado do poder americano do que com a suposta ameaça representada por Saddam Hussein. Esta preocupação mundial aumentou nos meses seguintes quando os Estados Unidos deixou claro o seu intento de atacar o Iraque, ainda que as inspeções da ONU , relutantemente toleradas pelos Estados Unidos, não tivessem conseguido encontrar os arsenais de armas químicas e biológicas de destruição em massa , que justificassem um ataque e invasão americana. Estes fatos e intenções jogaram a opinião pública mundial contra os Estados Unidos .

No início de 2003 o medo inspirado pelos Estados Unidos em escala mundial alcançou picos elevados em todo o mundo, o que foi acompanhado de desconfiança das boas intenções de sua liderança política. A opinião pública mundial entendia que a liderança política norte-americana voltava-se para o menosprezo das necessidades e direitos humanos e isto de maneira muito acentuada , apesar de que a retórica discursiva alardeava as boas intenções de devoção aos respeitos humanos e à democracia.

Ao longo da história dos E.U.A . estes fatos já aconteceram antes e ,às vezes, de maneira trágica. O bombardeio e a destruição de Dusseldorf no final da Segunda Guerra Mundial pela aviação dos E.U.A . e que em somente uma noite destruiu toda a cidade e matou milhares de pessoas, não teve outro objetivo senão o de mostrar para os soviéticos; os grandes vencedores europeus da Segunda Guerra Mundial; o poder da força aérea americana e de intimidar os soviéticos. Dusseldorf não tinha na época nenhum significado estratégico e militar que justificasse tal bombardeio e destruição.

Durante o mandato do presidente Kennedy, no apogeu da Guerra Fria , este ex-presidente declarou, num discurso ao lado do Muro de Berlim, que a democracia podia ter defeitos, porém nunca houve a necessidade da construção de um muro que impedisse a livre circulação de pessoas , tal como acontecia com o Muro de Berlin, que impedia a passagem do setor americano de Berlim, para o setor soviético da mesma cidade.

Neste discurso, o ex-presidente Kennedy esqueceu-se de que os norte-americanos construíram um muro eletrônico na fronteira entre os Estados Unidos e o México para impedir a entrada de mexicanos no território americano.

É certo que o propósito da construção do muro eletrônico visava impedir a entrada ilegal de imigrantes mexicanos e latino-americanos dentro dos Estados Unidos, os quais iam disputar com os americanos o mercado de trabalho do país.

Os propósitos da construção do Muro de Berlim, que foi demolido com o fim da “Guerra Fria”, era de impedir que trabalhadores que moravam em Berlim oriental, onde o custo de vida era muito baixo, fossem trabalhar em Berlim ocidental, onde os custo de vida era alto ,porém os salários eram altíssimos. Todos os trabalhadores de Berlim queriam morar em Berlim oriental, de custo de vida baixo e trabalhar em Berlim ocidental, de salários muitos elevados.

De qualquer maneira, fosse qual fosse o motivo da construção de muros e cercas, tanto pelos americanos, como pelos soviéticos, ambos impediam, por um motivo ou outro, a circulação e o trânsito de pessoas . Para ambos a retórica discursiva alardeava os ideais de democracia e liberdade, que de fato não justificavam aquilo que estava acontecendo, tal como nos dias atuais , quando a retórica dos discursos dos mandatários americana camufla os verdadeiros motivos e causas da ação política e militar americana.

Isto é muito bem ilustrado pelos ataques,invasões e ocupações do Afganistão e do Iraque por tropas americanas sob ordem do presidente norte-americano sob o pretexto de combate ao terror. Depois de derrubar o regime talibã e depor Saddam Hussein , os EUA instalaram bases militares no território afegão e nos países vizinhos, com o objetivo de “estabilidade” na região.

Na verdade o caminho para o petróleo da área ficou sob o controle dos EUA porque o objetivo maior destas invasões era dominar regiões com suficiente riqueza de petróleo que justifique uma presença direta das tropas norte-americanas que garantam o acesso a este petróleo e que reprimam qualquer tentativa de independência.

A alegação maior de “combate ao terror” não teve na prática eficácia nenhuma tendo em vista que o terrorismo nestes países ocupados só aumentou. O uso de todo o poderio militar norte-americano, com armas modernas , tecnologias avançadas e ataques de precisão logrou derrubar belicamente todas as possíveis resistências que estes países pobres e subdesenvolvidos pudessem oferecer. O Iraque, por exemplo, com 438.317 quilômetros quadrados possui uma população de vinte e cinco milhões de habitantes e, salvo o petróleo, não possui industrialização.

Como reação aos ataques e agressões norte-americanas a população local usou as armas que dispunha, qual seja , o atentado terrorista , que para serem executados não necessitam de aparato militar sofisticado. Várias vezes na História isto já aconteceu, até mesmo no Brasil, país que está fora das áreas de significância geopolítica e estratégica como é o Oriente Médio.

No Brasil, durante o regime militar, as ocupações feitas à força pelos militares engendraram reações adversas de terrorismo e atentados em várias partes do país, inclusive com mortes e execuções.

A força da ação terrorista já se mostrou também eficaz a ponto de derrubar potências militares forte como os EUA. Foi o que ocorreu durante a guerra do Vietnã , cuja ação terrorista impedia o domínio completo das tropas americanas e que chegaram a um número expressivo de quinhentos mil soldados americanos no Vietnã, quando Lyndon Johson era o presidente americano.

É fato notório que a guerra do Vietnã foi perdida , não nos campos de batalha , mas em Washington, dada a força da onda de protestos da população norte-americana, que era contrária a tal ação bélica norte-americana.Mesmo assim a força da ação terrorista pesou na balança na hora da formação da opinião pública ianque e da retirada norte-americana do Vietnã.

No Oriente-Médio e mormente no Iraque algo semelhante e com grande intensidade está acontecendo. Os atentados terroristas são mostrados diariamente pelos meios de comunicação de massa, principalmente pela televisão, atentados aliás, que se repetem em outras partes do mundo, como no metrô de Londres e no trem espanhol.

A intensidade do nível de sofrimento imposta à população iraquiana é fácil de ser imaginada. O Iraque já é um país subdesenvolvido , cuja única riqueza é o petróleo. Uma situação de ocupação por tropas militares estrangeiras e de ausência de comando próprio do país por iraquianos não permite absolutamente qualquer tipo planejamento econômico e de taxas significativas de crescimento econômico, aumento do produto interno bruto (PIB) e absorção de mão-de-obra, qualificada ou não, pelo mercado de trabalho. Além de uma situação de guerra, atentados e ocupação militar, os iraquianos ainda têm que enfrentar o flagelo da fome.

De certo modo a posição da economia americana, apesar de crises que a rodeia, ainda é vantajosa visto que, por enquanto ainda é o centro do Capitalismo mundial, o que dá as vantagens de domínio e manipulação da ordem econômica mundial .

Sabidamente as áreas core do Capitalismo gozam dos privilégios das economias de escala, pelas quais o custo unitário da produção de bens e serviços saem mais barato. A presença de infra-estrutura avançada e meia de transportes e comunicações muito eficazes também favorece as áreas centrais do Capitalismo.O domínio do dinheiro, da acumulação de capital e dos processos relativos a esta acumulação são vantagens das áreas nas quais estão os centros do Capitalismo mundial.Tudo, na dinâmica da economia capitalista , favorece quem tem o dinheiro e acumulação de capital.

Como o dinheiro e o capital significam poder , as áreas core, das quais a mais importante são os EUA, mandam e dão as diretrizes em escala mundial.Desta maneira os empréstimos e investimentos são feitos para favorecer os norte-americanos. As suas contas nacionais estão em dia porque podem repassar seus déficits, mormente o déficit público para os demais países e nada pode funcionar direito se não houver, direta ou indiretamente a presença norte-americana.

Qualquer oscilação, por menor que seja, na economia norte-americana tem por isto repercussões mundiais. A História mostra muitos exemplos disto, desde a crise de 29 com a queda da bolsa de Wall Street, que teve grandes conseqüências mundiais, inclusive no Brasil onde , por causa dela, terminou a República Velha e começo o Ciclo de Vargas.

Mais recentemente a austeridade e ortodoxia econômica aplicada na economia norte-americana pelo ex-presidente Ronald Reagen, com a implantação de recessão e elevação das taxas de juros , saneou a economia americana mas afetou o mundo todo.Os países que deviam dinheiro de empréstimos contraídos no governo e nos bancos norte-americanos tiveram as suas dívidas elevadas à estratosfera como corolário da elevação das taxas de juros. Nesta ocasião a dívida externa brasileira chegou a uma cifra de cem bilhões de dólares, praticamente impagáveis e atestando uma situação de falência nacional e de Estado sem perspectivas econômicas nenhuma.

Existem hodiernamente indícios de que, apesar da pujança da economia norte-americana , ventos de instabilidade começam a soprar sobre o poderio econômico dos EUA.

O simples fato da outrora dócil Alemanha, a principal força industrial do continente europeu , não dar o seu aval para a ação bélica norte-americana no Iraque , já revela um declínio do poderio americano. A França também não apoiou a aventura americana no Iraque, o que foi seguido pela Turquia , que revelou uma tendência de maior aproximação com a Europa e pelas reticências do Vaticano.

A União Européia está mais forte e é nela que há a tendência da concentração maior do dinheiro e os Estados Unidos da América não tem mais o mesmo poder econômico-financeiro do passado e por este motivo fica mais fácil dizer não aos Estados Unidos e mais difíceis aos americanos fazer ameaças.

A própria panacéia da presença americana no Iraque , com a crescente onda de atentados terrorista revela uma presença pusilânime porque com mesmo poder econômico fica mais difícil manter o poder militar.

Nos vestígios da nova ordem geopolítica e econômica mundial que está surgindo nos dias atuais , a posição norte-americana mostra-se ameaçada. Por muito tempo os EUA foi um país com uma economia poderosa e útil para o mundo e desempenhou um papel importante na luta contra regimes totalitários como o nazismo. A situação agora é diferente e os americanos são mais dependentes do restante do mundo. Isto fica patente com a observação do crescimento do déficit comercial dos EUA, atualmente em torno de quinhentos bilhões de dólares.

Isto torna os americanos dependentes de financiamento externo. Antigamente o “Velho Mundo” principalmente a Europa precisou da América mas atualmente não precisa mais. A Europa , principalmente a ocidental é muito próspera e estável e a Rússia deixou de ser uma ameaça para tornar-se uma parceira. Então a dependência dos EUA paulatinamente deixa de existir e até pode inverter-se a situação e os americanos precisarem mais da Europa e do resto do mundo do que o contrário, como ocorria intensamente no passado.

Os norte-americanos não devem se esquecer que existem potências que crescem dia a dia , tal como a China continental , sobre a qual existe e projeção que em 2040 será uma potência mais importante que o próprio Estados Unidos. Muitos líderes asiáticos voltam-se para a China continental e voltam as costas para os Estados Unidos. A Índia, com o seu crescimento espetacular, também não poder ser olvidada.

A ação americana do passado e dos dias de hoje, recrudescida pela ação do presidente George W.Bush, jogou alguns países , considerados Estados terroristas , contra os Estados Unidos. Nesta categoria estão a Venezuela ,com o seu líder Hugo Chavez;Cuba, com o arquiinimigo americano Fidel Castro; alguns entreveros com a Argentina e as ameaças de enriquecimento de urânio e fabricação de armas atômicas por parte do Irã e as hostilidades da Coréia do Norte.

A ligação de Fidel Castro com Hugo Chavez preocupa o “Departamento de Estado” dos Estados Unidos, a ponto da chefa deste departamento, tipo ministra das relações exteriores, Consolessa Rice tem conclamado países aliados :Brasil, Espanha e Áustria com o líder da União Européia a prestarem atenção nas ações de Hugo Chavez e observar o que se passa na Venezuela.

CONCLUSÕES:

Os norte-americanos deveriam rever as suas posições políticas e estratégicas frente ao mundo e tomar atitudes que os tornassem mais simpáticos para outros povos. Deveriam entender também que nem tudo pode ser resolvido com o uso de armas por mais sofisticadas que sejam e por tropas militares de ocupação.

Os vários episódios de invasão e ocupação militar com o uso da força tem demonstrado que as reações antiamericanas e terroristas tem custado centenas de vítimas fatais tanto civis como militares e um custo econômico muito elevado sobretudo nos países do mundo islâmico.

Os especialistas de várias áreas do conhecimento humano deveriam ser chamados para contornar e evitar confrontos entre vários países e entre potências econômicas e militares e países periféricos. Talvez os especialistas em psicologia social poderiam dar a sua valiosa contribuição para resolver problemas de competição e rivalidade entre os países.

Com relação às tendências de declínio econômico dos EUA, os americanos deveriam , para contornar este problema, enveredar por uma trilha de maior produção e maior atividade industrial . Hoje os americanos consomem sem produzir e devem reverter esta tendência e passar a produzir mais e consumir menos.

Oxalá o quadro geopolítico mundial torne-se mais estável e favorável a uma estabilidade maior e maior paz mundial e que os diversos Estados encontrem os caminhos de uma prosperidade maior e maior felicidade mundial.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ALI.T. Bush na Babilônia,Ed.Record.,SP. 2003

CHOMSSKY, N. O Império Americano-Hegemonia ou Sobrevivência,Ed.Campos/Elsevier – R.J. – 1999

DALDER,H.IVO et al. America Unbound-The bus Revolution in Foreing Policy,The Brookings Institution – N.Y. 2004

TODD,E.A Decomposição do Sistema Americano,Ed.Record..S.P. 2001

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Marcelo é um profissional de Informática interessado em Internet, Programação PHP, Banco de Dados SQL Server e MySQL, Bootstrap, Wordpress. Nos tempos livres escreve nos sites trabalhosescolares.net sobre biografias, trabalhos escolares, provas para concursos e trabalhos escolares em geral.

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