O MERCADO DE SEGUROS DE TRANSPORTE INTERNACIONAL

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DICAS PARA ANALISAR, COMPREENDER, E INTERPRETAR TEXTOS

O mercado de seguros de transporte internacional e sua atuação no Ceará

1 OBJETO DE ESTUDO
Ao longo dos tempos, o homem se viu ameaçado por incêndios, roubos, responsabilidade civil e acidentes de toda espécie. Pressupõe-se que a atenção do mesmo sempre esteve voltada à garantia sua vida, segurança de sua família bem como a manutenção de seu patrimônio. A origem do seguro se confunde, então com a história do próprio homem e sua necessidade de organizar-se em grupo para enfrentar as situações mais difíceis.

O primeiro contrato de seguro propriamente dito, surgiu no ano de 1347, em Gênova, o primeiro contrato de seguro, enquanto que a primeira apólice teve origem na Cidade de Pisa, em 1385. Ambos eram seguros criados para navegadores que faziam intenso e sempre perigoso comércio marítimo.

Quando em 1666, um incêndio em Londres destruiu aproximadamente 13.200 casas, 89 igrejas e a Catedral de Saint Paul, os ingleses fundaram o Fire Office para socorro dos atingidos. Só então atentaram para a necessidade de uma previdência para amenizar financeiramente os prejuízos. Surgia o mais antigo seguro terrestre, o seguro contra incêndio.

No Brasil, a atividade de seguros – inicialmente o marítimo – teve início em 1808 com a abertura dos portos brasileiros ao comércio internacional por D. João VI, através da primeira sociedade Seguradora, a Cia. de Seguros Boa Fé.

O “Código Comercial Brasileiro”, promulgado em 1850, foi de fundamental importância para o desenvolvimento do seguro no Brasil, incentivando o surgimento de inúmeras seguradoras, que passaram a operar não só com o seguro marítimo, expressamente previsto na legislação, mas, também, com o seguro terrestre. Com a expansão do setor, as empresas de seguros estrangeiras começaram a se interessar pelo mercado brasileiro, surgindo, por volta de 1862, as primeiras sucursais de seguradoras sediadas no exterior.

Outras formas de garantia foram surgindo, sempre na intenção de ressarcir as perdas. Repor o bem perdido ou destruído por outro, de igual tipo e valor, constitui o princípio de reposição.

Em 1939 foi criado o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), que tinha o objetivo de regular os resseguros e desenvolver as operações de seguros em geral. Em Novembro de 1966, foi criado o Sistema Nacional de Seguros Privados.

Em relação a estrutura de mercado, pode-se dizer que a indústria de seguros faz parte do oligopólio diferenciado, pois os seguros são substitutos muito próximos entre si e necessitam de algum diferencial para tornarem-se competitivos. Os grandes fatores para a diferenciação das empresas está na ousadia e na criatividade, no atendimento aos clientes e na melhoria dos produtos oferecidos.

A evolução pode ser semelhante à verificada nos anos seguintes à implantação do Plano Real. De 1994 para 1997, o mercado passou de R$ 12,1 bilhões para R$ 18,3 bilhões. Em 1999, chegou a R$ 20,3 bilhões, registrando um crescimento de 4,7% em relação a 1998. Para o ano de 2000, a previsão é de um crescimento ainda maior. Já a participação do setor no PIB deverá passar dos atuais 2,5 para 5%, a médio prazo. A evolução dos mercados de seguros indica a expectativa de estabilidade. Como os contratos de seguros, previdência e capitalização se referem, caracteristicamente, à obtenção de valores no futuro, em momento programado ou incerto, mas sempre no futuro, o seu crescimento revela não só o efeito de um processo de estabilização, mas, especialmente, a expectativa de que a política monetária do país privilegiará permanentemente a estabilidade da moeda.

A atividade seguradora comprova que possui uma grande importância na economia de qualquer país, levando à constatação de que o mercado de seguros brasileiro esta em franca ascensão, esta conseguindo, desde 1990, um grande crescimento e desempenho em relação a economia do país. Um dos fatores que contribui para esse crescimento, sem dúvida nenhuma, foi a estabilização da moeda, a partir do Plano Real, e os intensos e freqüentes investimentos das empresas seguradoras neste setor.

A palavra chave na indústria de seguros é a diversificação, portanto, existem vários produtos no ramo de seguros, cada qual tentando proporcionar ao cliente/segurado a possibilidade de cobrir e satisfazer as suas necessidades com relação à proteção do seu patrimônio ou até mesmo da sua vida.

A necessidade da população brasileira em proteger seus patrimônios, a cada dia, passa a ser mais expressiva, isto, devido a várias razões sociais e econômicas características da atual conjuntura.

Em um mundo globalizado em que se vive hoje, tamanha a importância é o consumidor adquirir confiança e praticidade na aquisição de um determinado produto. No setor de seguros não é diferente. No momento da contratação de um seguro é válido analisar o que está sendo proposto e assim sendo comercializado de acordo a necessidade do contratante.

As seguradoras nos dias atuais disponibilizam vários produtos para cada risco analisado. Dessa necessidade de diversificação e do intenso comércio internacional surgiu então o seguro de transporte internacional. Este tipo de seguro atende às necessidades das empresas transportadoras ou pessoas físicas ou jurídicas que possuam bens a ser transportados na condição de carga.

Os primeiros passos da comercialização de seguros de transporte internacional no estado do Ceará, caminhou junto com o mercado portuário com o produto seguro marítimo. Assim como todo território nacional, o Ceará evoluiu no cenário econômico ao decorrer dos anos chegando a 2007 com duas empresas especializadas em seguro de transporte internacional.

Este trabalho monográfico tem por objetivo descrever a evolução do mercado segurador no comércio exterior brasileiro, analisando a atuação do setor no Ceará nos últimos 10 anos.

2 OBJETIVOS
2.1 Objetivo Geral

Analisar o mercado de seguros de transporte internacional, sua importância para o comércio exterior brasileiro e sua atuação no Ceará.

2.2 Objetivos Específicos

Mostrar os aspectos teóricos da Logística;

Descrever as origens do mercado de seguros no Brasil, bem como sua forma de atuação; e,

Analisar a atuação do mercado de seguros de transporte internacional no mercado cearense.

3 JUSTIFICATIVA
Neste ano de 2007 o mercado de seguros de transporte internacional teve uma reviravolta no Estado do Ceará com a chegada de duas empresas especializadas. Até então, apenas os bancos operavam neste mercado – que se mostra muito lucrativo – com taxas relativamente altas para o segurado.

Em março deste ano o autor deste projeto recebeu um convite de um graduado em Comércio Exterior pela Universidade de Fortaleza – Unifor, à participar da implantação da Maxium Corretora de Seguros, que tem sua matriz em São Paulo, parceira das mais importantes empresas seguradoras do Brasil.

A chegada da Maxium Seguros no Ceará, uma empresa que surgiu no mercado com suas atividades completamente voltadas para área de Seguros de Transportes Internacionais vem facilitar e baratear a contratação do devido seguro por parte dos importadores e exportadores cearenses contribuindo portanto para uma maior competitividade das empresas locais.

Diante do exposto, a escolha pelo tema deve-se ao interesse em analisar o mercado de seguros de transporte internacional, sua importância para o comércio exterior brasileiro, sua atuação no Ceará e que tipos de benefícios a chegada destas empresas especializadas trouxe para o mercado cearense.

A pesquisa do referido tema possibilitará a análise da importância do mercado segurador de transporte internacional no Brasil, fruto da estabilidade econômica e retomada do crescimento.

4 REFERENCIAL TEÓRICO
O referencial teórico inicialmente contextualizará a teoria da logística. Em seguida será abordado o setor serviços, considerando-se que o objeto de estudo insere-se neste setor. Por fim, serão expostas considerações acerca do mercado de seguros, para, então, discorrer sobre o comércio internacional.

4.1 Teoria da Logística

Considerando que a qualidade seja um preceito básico para as empresas nesse atual momento, a logística seria então imprescindível para se manter e expandir qualquer negócio, uma vez que os clientes encontram-se cada vez mais exigentes diante de suas escolhas.

Novaes (2004), comenta que logística consiste no processo de planejar, implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos, bem como os serviços e informações associados, cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor.

Na sua origem, o conceito de logística estava essencialmente ligado às operações militares. Ao decidir avançar suas tropas seguindo uma determinada estratégia militar, os generais precisavam ter, sob suas ordens, uma equipe que providenciasse o deslocamento, na hora certa, de munição, víveres, equipamentos e socorro médico para o campo de batalha. Por se tratar de um serviço de apoio, sem o glamour da estratégia bélica e sem o prestígio das batalhas ganhas, os grupos logísticos militares trabalhavam quase sempre em silêncio. (NOVAES, 2004, p.31-32)

O termo Logística, de acordo com o dicionário Aurélio, vem do francês logistique e tem como uma de suas definições a “parte da guerra que trata do planejamento e da realização de: projeto e desenvolvimento, obtenção, armazenamento, transporte, distribuição, reparação, manutenção e evacuação de material (para fins operativos ou administrativos).”

Bussinger (2004), por sua vez, acrescenta que a logística existe desde os tempos mais antigos. Segundo a autora, na preparação das guerras, líderes militares desde os tempos bíblicos, já se utilizavam da logística. As guerras eram longas e nem sempre ocorriam próximo de onde estavam as pessoas. Por isso, eram necessários grandes deslocamentos de um lugar para outro, além de exigir que as tropas carregassem tudo o que iriam necessitar.

Para fazer chegar carros de guerra, grandes grupos de soldados e transportar armamentos pesados aos locais de combate, era necessária uma organização logística das mais fantásticas. Envolvia a preparação dos soldados, o transporte, a armazenagem e a distribuição de alimentos, munição e armas, entre outras atividades. (BUSSINGER, 2004)

Durante muitos séculos, a logística esteve associada apenas à atividade militar. Por ocasião da Segunda Guerra Mundial, contando com uma tecnologia mais avançada, a logística acabou por abranger outros ramos da administração militar. Assim, a ela foram incorporados os civis, transferindo a eles os conhecimentos e a experiência militar.

Conforme comentários de Ballou (1993), o conceito de sistema logístico tornou-se amplamente aceito e a administração, tanto privada como governamental, começa a reconhecer a necessidade de projetar e administrar o sistema logístico como um todo, ao invés de uma série de funções discretas e independentes. Progressos na tecnologia do processamento de informações e nas comunicações contribuem para permitir a administração do sistema como um todo e a aplicação de conceitos e regras de decisão cada vez mais sofisticados aos processos de planejamento e administração.

Atualmente, a existência de um número maior de possibilidades do sistema logístico provoca uma reavaliação das escolhas de elementos do sistema feitas no passado. Há poucas décadas, as opções quanto ao transporte se restringiam grandemente à ferrovia ou à navegação. Hoje, apesar de serem estas ainda muito importantes, abriram-se algumas outras oportunidades com os sistemas de carga aérea e rodoviária. As técnicas modernas de comunicação e processamento de informações também tornam possíveis maior velocidade e complexidade de manipulação das mesmas e, portanto, novas técnicas de operação do sistema, projetadas para se conseguir um controle mais rígido e sofisticado. (BALLOU, 1993)

A logística tem contribuído para o processo inovador de organização empresarial, com a sofisticação de programas e estudos, tendo o objetivo de proporcionar, aos executivos e profissionais, oportunidades para um melhor desempenho na área comercial, na era da tecnologia logística, em que o desafio é a satisfação dos clientes e de todos os componentes que trabalham unidos para que se faça chegar a esses clientes a mercadoria desejada.

Leão (2002) comenta que a logística empresarial é responsável pelo fluxo dos produtos e serviços e informações. Quando esses elementos estão interligados resultam:

Nas melhores alternativas de investimento para a produção;

Minimização de custos, tanto no transporte, na estocagem, como na compra;

Otimização da malha de distribuição;

Ápice do padrão de qualidade;

Melhores parcerias com fornecedores;

Ligação com o mercado;

Negociações por meios eletrônicos;

Integração com clientes

Desenvolvimento nas práticas de marketing; e,

Diminuição dos custos agregados.

A logística empresarial é uma estratégia corporativa, em que se adquirem conhecimentos e habilidades para se trabalhar ativamente dentro da atualidade econômica.

A logística empresarial trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto de consumo final, assim como dos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de providenciar níveis de serviços adequados aos clientes, a um custo razoável. (BALLOU, 1993, p.24)

Leão (2002) acrescenta que a logística empresarial é o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo e armazenagem de bens e serviços, com eficiência e economia, e das informações a eles associados, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, satisfazendo as exigências dos clientes.

4.2 Breves Considerações acerca do Setor Serviços

Em definição, os serviços constituem “uma transação realizada por uma empresa ou por um indivíduo, cujo objetivo não está associado à transferência de um bem” (LAS CASAS, 2000, p.15). Para Kotler (2000, p.413), “serviço é um ato ou desempenho essencialmente intangível que uma parte pode oferecer à outra e que não resulte na posse de nenhum bem. Sua execução pode ou não estar ligada a um produto físico”.

Lovelock & Wright (2001, p.5) definem serviços como sendo “atividades econômicas que criam valor e fornecem benefícios para os clientes em tempos e lugares específicos, como decorrência da realização de uma mudança desejada no – ou em nome do – destinatário do serviço”.

Há diferentes tipos de serviços a serem comercializados. Ao considerar o setor de prestação de serviços como um todo, percebe-se que o objeto de comercialização é uma combinação de tangíveis e intangíveis que variam proporcionalmente. Com relação à intangibilidade, parece ser esta a mais evidente característica do serviço uma vez que não permite o contato físico. Acredita-se que a intangibilidade dificulte a venda de serviços, pois, normalmente, não se pode prová-los antes de obtê-los. O aspecto da intangibilidade exige, em primeiro lugar, comprovação. (LOVELOCK E WRIGHT, 2001)

Os elementos tangíveis, por sua vez, ainda em conformidade com os autores supracitados (2001), funcionam como evidências do serviço, ou seja, são pistas ou sugestões de como ele deve ser. Na verdade, os elementos tangíveis do serviço, cumprem o papel de reduzir o nível de dúvida sobre a qualidade do serviço, uma vez que todo serviço é a compra de uma promessa. Os tangíveis são, portanto, sinalizadores de que se pode confiar ou não na promessa do serviço.

Kotler (2000) comenta que uma das tarefas a ser enfrentadas por empresas prestadoras de serviços se refere à busca pela diferenciação que pode surgir de três premissas: desenvolvimento de uma oferta, entrega ou imagem diferenciada.

No caso de uma oferta, esta pode incluir características inovadoras. No entanto, o maior desafio consiste no fato de as inovações mais importantes no setor de serviços serem facilmente copiadas. Porém, a empresa que introduzir inovações regularmente, alcançará uma sucessão de vantagens temporárias sobre suas concorrentes. Ao se tornar conhecida por suas inovações, a mesma pode atrair clientes que queiram o melhor serviço.

Com referência à entrega, uma empresa prestadora de serviços pode contratar e treinar pessoas mais qualificadas para executar seus serviços. Ela pode desenvolver um ambiente físico mais atraente para executar os serviços ou ainda optar por desenvolver um processo de entrega superior. No caso da imagem, as empresas prestadoras de serviços podem diferenciar sua imagem por meio de símbolos e logotipos.

Frente às considerações expostas, percebe-se que o referido setor exerce grande importância no contexto econômico e empresarial. Contudo, há de se ressaltar que as necessidades dos clientes antecedem qualquer processo de serviço, ou seja, é a partir de suas necessidades e desejos que serviços precisam ser concebidos.

Um dos modos mais importantes de uma empresa se diferenciar das outras é executando, consistentemente um serviço de qualidade superior à de seus concorrentes. Dessa forma, as empresas prestadoras de serviços devem garantir que, a cada execução, os clientes recebam consistentemente serviços de alta qualidade. Contudo, diferentemente dos fabricantes de produtos que podem fazer ajustes em suas máquinas e matérias-primas até que tudo fique perfeito, a qualidade dos serviços será sempre variável, dependendo das interações entre empregados e clientes. (KOTLER & ARMSTRONG, 2003)

4.3 O Mercado de Seguros: histórico e internacionalização

Conforme o site ‘http://www.bradescosaude.com.br’ (cf Bibliografia), a história dos seguros é bem antiga. As primeiras modalidades de seguros tiveram seu surgimento a vinte e três séculos antes de Cristo, na Babilônia, quando as caravanas atravessavam o deserto para comercializar camelos em cidades vizinhas. Nesta ocasião, era comum a morte de alguns animais no decorrer do percurso e, frente a tal risco, todos os cameleiros, firmaram um acordo no qual pagariam para substituir o camelo de quem o perdesse. Apesar de configurar uma atitude solidária por parte do grupo, este ato configurava, sem dúvida, uma forma primária de seguro.

No âmbito da navegação, os navegadores hebreus e fenícios cujos barcos navegavam através dos mares Egeu e Mediterrâneo também adotaram o princípio de seguro, por meio de acordo firmado o qual garantia a quem perdesse um navio, a construção de outro, pago pelos demais participantes da mesma viagem.

No século XII da era cristã, surge uma nova modalidade de seguro: Contrato de Dinheiro e Risco Marítimo. O mesmo era formalizado mediante um documento assinado por duas pessoas, sendo uma delas a que emprestava ao navegador quantia em dinheiro no valor do barco e das mercadorias transportadas. Se durante a viagem o barco sofresse alguma avaria, o dinheiro emprestado não era devolvido. Caso contrário, esse dinheiro voltava para o financiador acrescido de juros.

Em 1234, o papa Gregório IX proibiu o Contrato de Dinheiro e Risco Marítimo em toda Europa. Os homens ligados ao negócio buscaram então subterfúgios para que pudessem continuar a operar na navegação com aquele seguro. E encontraram: o banqueiro se tornava comprador do barco e das mercadorias transportadas. Caso o navio naufragasse, o dinheiro adiantado era o preço da compra. Se o barco chegasse intacto ao seu destino, a cláusula de compra se tornava nula e o dinheiro era devolvido ao banqueiro, acrescido de outra quantia como rendimento do empréstimo feito.

A preocupação com transporte marítimo tinha como causa interesses econômicos, pois o comércio exterior dos países se dava apenas por mar. A idéia de garantir o funcionamento da economia por meio do seguro prevalece até hoje. A forma de seguro é que mudou, e se aperfeiçoa cada vez mais.

O primeiro contrato de seguro nos moldes atuais foi firmado em 1347, em Gênova, com a emissão da primeira apólice. Era um contrato de seguro de transporte marítimo.

Daí pra frente, o seguro iniciou uma carreira vertiginosa, impulsionado pelas Grandes Navegações do século XVI. A teoria das probabilidades desenvolvida por Pascal, associada à estatística, deu grande impulso ao seguro porque a partir de então os valores pagos pelo seguro, seus prêmios, puderam ser calculados de forma mais justa. Tais critérios são válidos até hoje. No século XVI, uma nova etapa surge na história do seguro com dois acontecimentos marcantes: as Tontinas, na França e o Lloyds, em Londres. As Tontinas, uma das primeiras sociedades de socorro mútuo, foi criada em 1653 por Lorenzo Tonti. Apesar da grande aceitação inicial, essa sociedade não conseguiu sobreviver ao longo do tempo.

A segunda foi fundada em Londres, em 1678, do Lloyds por Edward Lloyds, proprietário de um bar que era ponto de encontro de navegadores e atraía pessoas interessadas nos negócios de seguros. Ali, passaram a concretizá-los por meio de contratos. O Lloyds tornou-se uma verdadeira bolsa de seguros e assim opera até os dias de hoje.

Com o advento da máquina e da era industrial no século XIX, surgiram e desenvolveram-se outras modalidades de seguro, como o de incêndio, o de transportes terrestres, e o de vida. Os tempos haviam mudado e o mundo ingressava na era da produção em série e do consumo em escala. A figura do segurador individual desaparecia, e no seu lugar entram as companhias seguradoras como existem atualmente.

Especificamente no contexto do Brasil e, ainda em conformidade com o referido site, o seguro surgiu em 1808, com a abertura dos portos por D.João VI, e o início da navegação intensiva com todos os países. A primeira empresa de seguro no Brasil, a Companhia de Seguros Boa-Fé, nasceu na Bahia, centro da navegação marítima da época.

Até 1822, ano da Independência só se desenvolveu aqui o seguro marítimo. Menos trinta anos depois foi promulgado o Código Comercial, que regulamentou as operações de seguro marítimo, proibindo o seguro sobre a vida de pessoas livres. Com o progresso decorrente, fundaram-se novas empresas, que então passaram a se dedicar a outros ramos de seguro, como o de incêndio e o de mortalidade de escravos, seguro de destaque da época, dada a importância da mão-de-obra negra para a atividade econômica.

Em 1855, foi fundada a Companhia de Seguros Tranqüilidade no Rio de Janeiro, a primeira a comercializar no Brasil seguro de vida. Poucos anos depois, estabeleceram-se no Brasil diversas empresas estrangeiras, que trouxeram para o país a sua experiência específica.

Com a Proclamação da República, a atividade seguradora, em todas as suas modalidades foi regulamentada. Promulgado em 1916, o Código Civil regulou, como fizera o Código Comercial em relação aos seguros marítimos, todos os demais seguros inclusive o de vida. Em 1935, foi fundada aquela que viria a ser a maior companhia seguradora da América Latina, a Atlântica Companhia Nacional de Seguros, hoje Bradesco Seguros.

Em 1939, foi criado o Instituto de Resseguro do Brasil (IRB), com a atribuição de exercer o monopólio do resseguro no país. Já em 1966, com a edição do Decreto lei nº 73, é instituído o Sistema Nacional de Seguros Privados com a criação da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), órgão oficial fiscalizador das operações de seguro.

De acordo com a FENASEG (2007), no início da década de 90, o Brasil passou a ser visto como “a menina dos olhos de ouro” do mundo segurador. Antes do advento do Plano Real, não havia uma única companhia seguradora internacional presente no país. Porém, após o Plano de Estabilização da Moeda, duas medidas facilitaram o ingresso das grandes companhias mundial de seguros no país.

A primeira delas foi a decisão pela inconstitucionalidade da Resolução CNSP nº 14/86, que impedia que o capital estrangeiro participasse com mais de 50% do capital ou um terço das ações de seguradora brasileira. Na ocasião, mais de 20 empresas estrangeiras entraram no Brasil a partir de junho de 1996, amparadas no Parecer GO-104 (consubstanciadas num parecer da Advocacia Geral da União, em resposta à consulta do Ministro da Fazenda). Todas as grandes companhias seguradoras do mundo, hoje, se fazem presentes na terra dos tupiniquins.

A segunda medida consta da Emenda nº 13 feita à Constituição federal, e recebeu declarado acolhimento pelo Governo e apoio da Fenaseg, que põe fim ao monopólio do resseguro pelo IRB, e ao dar nova redação ao Art. 192, item II do texto constitucional, esclarece quem deve vender apólices de seguros no país. Vale ressaltar que o corretor de seguros foi o grande beneficiado.

É relevante destacar que os efeitos da abertura do mercado segurador ao capital externo foram percebidos já em 1996 e 1997, anos marcados por uma acentuada movimentação institucional e inúmeros processos de fusões de seguradoras brasileiras e estrangeiras. Como conseqüência, a participação dessas empresas no total de prêmios arrecadados no Brasil, que em 1994 representava apenas 4,16%, sobe para 6,33% em 1996, 17,94% em 1997, e 21,12% no primeiro semestre de 1998.

4.4 O Comércio Internacional

Verifica-se através de toda a história conhecida da humanidade que sempre houve trocas comerciais entre os povos de diferentes regiões. No início de sua jornada sobre a face da Terra, o ser humano buscava algo para comer e saciar a sua fome, ou algo para abrigar-se das intempéries e do frio. Não poucas vezes teve de disputar a caça com os demais seres humanos, numa luta de vida ou morte. E, assim, sobreviveu.

Segundo Cavalcanti (1986), primitivamente o ser humano tomava pela força, se preciso fosse, aquilo que desejava; mas, pouco a pouco ele evoluiu e, em outras etapas mais civilizadas, substituiu a força bruta pela comercialização com os demais seres humanos daquilo que lhe interessava.

À medida que essas trocas foram-se ampliando, houve, a necessidade do surgimento de um elemento que lhe servisse de base – este elemento como o conhecemos é a moeda – e assim estes passaram a um estágio muito mais avançado nessas relações comerciais.

Em torno do ano 600a.C., foram abertos os portos do Baixo Nilo aos navegantes gregos, e estes, os portos, aos poucos, transformaram-se nos principais pólos de comércio mundial da época. Na região do Oriente Médio, onde se localizam os rios Tigre e Eufrates, encontravam-se os mais diversos produtos da Índia e da China. Aquela região era habitada pelos Fenícios, que por estarem localizados numa estreita faixa de terra litorânea e tendo por um lado a Síria e por outro lado o mar, tornaram-se um povo essencialmente navegante e em conseqüência comerciante Desenvolveram uma indústria de finos tecidos, com belos e ricos padrões que conquistaram a admiração de seus compradores. Ficaram conhecidos, no Mundo Antigo, como os mais ativos comerciantes da época.

Mais tarde, no decorrer da história da humanidade, outro povo passou à cena em primeiro plano: os romanos. Estes desenvolveram sua economia com muito mais intensidade do que os demais povos da Antigüidade.

A descoberta da rota marítima para as Américas contribuiu para uma verdadeira revolução em toda a vida econômica européia. Mediante concorrência comercial intensificada entre as nações, geralmente coloniais, passou-se à prática da pirataria, tendo havido vários confrontos entre espanhóis, holandeses e ingleses – estes últimos apoiados pela Coroa Britânica.

As barreiras tarifárias também foras estabelecidas na França, estimulando-se, desta forma, a importação de matérias-primas para as indústrias, a quase insenção de impostos para seus produtos exportáveis e a elevação das taxas dos demais produtos de procedência estrangeira.

A exportação de produtos, a preços muito mais baixos e feitos em larga escala, foi o passo natural e conseqüente da Revolução Industrial. Na Europa Continental, mais especificamente na Alemanha, a industrialização ficou bem caracterizada devido aos minérios retirados da região do “Ruhr”, destacando-se o carvão, de alta qualidade, que iria abastecer suas usinas siderúrgicas. A ampliação do comércio internacional se fez também pela tributação incidente sobre as transações efetuadas, sendo essa tributação às vezes parcial ou mesmo nula. (ELLSWORTH, 1978)

Eventualmente, grandes lucros são obtidos no comércio internacional pela elevação das taxas gerais de lucros do país, retirando-se os capitais de outros tipos de empregos e, na tentativa de partilhar o novo e proveitoso comércio exterior, causa-se um aumento geral de preços e, portanto, de lucros.

Estimulando a dedicação ao trabalho, recompensando a engenhosidade e propiciando o uso mais eficaz das potencialidades, distribui-se o trabalho de modo mais eficiente e mais econômico, enquanto que pelo aumento geral do volume de produtos difunde-se o benefício de modo geral e une-se a sociedade universal de todas as nações do mundo civilizado por laços de interesses comuns e de intercâmbio.

Conforme Labatut (1979), subsídios às exportações ou às importações e novos impostos sobre as mercadorias perturbam, algumas vezes, direta ou indiretamente, o comércio natural de trocas e produzem em conseqüência a necessidade de importar e exportar dinheiro para que os preços possam acomodar-se ao desenvolvimento natural do comércio.

Todo país necessita aprimorar seus padrões de produção, introduzir novos métodos mais modernos e atualizados, para que possa aumentar sua produtividade como um todo e levar seu padrão de vida. Um país pobre e subdesenvolvido, naturalmente, terá poupanças pobres e baixas não tendo condições de se desenvolver por sua conta e risco; terá então de apelar para o capital externo.

Ainda sob argumentos de Labatut (1979), sem o comércio internacional, as importações de bens de capital tão essenciais ao crescimento de uma nação, seriam impossíveis. O desenvolvimento econômico por meio da industrialização para o mercado doméstico pressupõe um desenvolvimento e estabilização simultâneos da agricultura. Uma expansão vinculada da agricultura com a indústria e, também, as facilidades de capital social fixo, são indispensáveis.

O avanço da técnica se realiza de tal forma que os fatores de produção primários, terra e mão de obra, tendem a ser substituídos por capital, isso permite aos países mais industrializados modificarem, na forma que lhes convém, sua oferta potencial de recursos produtivos.

Entretanto, é o comércio internacional o principal veículo de transmissão do progresso técnico em benefício dos países de desenvolvimento retardado, pois as relações dos países tendem a ser mais assimétricas quanto maior for a dependência de um em relação ao outro, mas é verdade também que estas podem tornar-se simétricas a longo prazo.

Com a abertura do mercado, os setores industrial, comercial e agrícola sofrem o impacto da concorrência internacional que chega ao país agregando novas tecnologias, novos processos, maquinários de ponta, além de outras vantagens competitivas, exigindo das empresas nacionais uma rápida adaptação a esta nova realidade de mercado.

Este novo cenário de negócios exige ainda por parte das organizações e de seus profissionais uma capacitação adequada para prestarem os mais variados serviços possíveis aos clientes que possuem cada vez mais opções de compra e que em virtude disso e de um acesso maior a informação tornam-se a cada dia mais exigentes e seletivos.

Frente a isso, as organizações estão buscando infinitas respostas para atenderem aos seus clientes da maneira que os mesmos exigem e em qualquer lugar do mundo, e uma das ferramentas para se conseguir sucesso nesta empreitada é o serviço logístico, que surge como um diferencial competitivo para disponibilizar o produto certo, no local certo, no momento certo, na melhor qualidade e ao menor custo.

5 METODOLOGIA
Por se tratar de um ensaio científico, faz-se-á necessário obedecer a critérios metodológicos que darão suporte a esse trabalho, utilizando-se as obras de Andrade (2001), Gil (1996), Cervo (2000), Mattar Neto (1999).

O material utilizado para pesquisa será de cunho bibliográfico, cuja vantagem reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela buscada meramente nos fatos empíricos com base no senso comum.

De acordo com Cervo (2000), a pesquisa bibliográfica procura explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas em documentos. A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Segundo Gil (1996), boa parte dos estudos exploratórios pode ser definida como pesquisa bibliográfica. As pesquisas que se compõem da analise das diversas posições acerca de um problema também costumam ser desenvolvidas quase exclusivamente a partir de fontes bibliográficas.

De acordo com Andrade (2003), existem duas fontes básicas de se obter os dados desejados: fontes primárias e fontes secundárias. Uma fonte primária é aquela que tem uma relação física direta com os fatos analisados, existindo relato ou registro, como na manifestação do senso comum ou conhecimento ordinário. Na compreensão de Mattar Neto (2003, p.148) dados primários “são aqueles que não foram antes coletados, estando ainda em posse do universo a ser pesquisado e que são coletados com o propósito de atender as necessidades especificas de pesquisa”.

A fonte secundária, por sua vez, é aquela que não tem uma relação direta com acontecimento registrado, como ocorre com a pesquisa bibliográfica. Após a elaboração do plano de trabalho, serão identificadas das fontes capazes de fornecer informações adequadas ao desenvolvimento do trabalho proposto, tais como livros, artigos, publicações, periódicos, sites, revistas, constituindo, assim, as fontes secundárias, caracterizados da investigação de natureza bibliográfica.

A monografia que será desenvolvida terá a seguinte estrutura:

Capítulo 1 – A Teoria da Logística;

Capítulo 2 – O setor serviços;

Capítulo 3 – Histórico do mercado segurador no Brasil e a sua importância no comércio exterior para a economia brasileira;

Capítulo 4 – Atuação do mercado de seguros de transporte internacional no Ceará;

Por fim a conclusão sobre o que foi realizado.

6 REFERÊNCIAS
ANDRADE, M. M. de. Introdução à metodologia do trabalho cientifico: elaboração de trabalhos na graduação. São Paulo: Atlas, 2003.

BALLOU, Ronald H.. Logística empresarial: transportes, administração de materiais e distribuição física. Tradução Hugo T. Y. Yoshizaki. São Paulo: Atlas, 1993.

BUSSINGER, Vera. Logística: o que é e como aplicar. Disponível em . Acesso em maio 2007.

CAVALCANTI, Dinarte de S.B. Evolução à base do Comércio Internacional. São Paulo: Aduaneiras, 1986.

CERVO, A. L. Metodologia Científica. São Paulo: Makron Boooks, 2000.

ELLSWORTH, Paul T. Economia Internacional. São Paulo: Atlas, 1978.

FENASEG. Disponível em . Acesso em maio 2007.

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