OS 7 PECADOS DO CAPITAL

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Explorar significa fazer uso de algo para um fim determinado, como quando se explora um recurso natural para benefício próprio. Por exemplo, quando se queima madeira para fazer fogo, se está explorando as florestas para cozinhar ou para se proteger do frio.

Valendo-nos da ação de outra pessoa para benefício próprio, estamos explorando essa pessoa. Ela sendo fraca e sem formas de resistência e de se submeter à nossa ação sobre ela, estamos fazendo algo moralmente condenável. Através da exploração, estamos oprimindo outro ser humano.
A exploração se deu em geral através da utilização do trabalho alheio para obtenção de benefícios e acumulação de riquezas.

– Exploração e trabalho humano

Os homens diferenciam-se dos outros animais pela sua capacidade de trabalho. São os únicos seres que produzem os seus meios de subsistência, transformando o meio em que vivem. Assim, cada geração encontra um mundo diferente – não necessariamente melhor, mas sempre diferente – do que o de seus pais. Diferente do mundo animal que praticamente nada muda, a não ser que tenha sido introduzido pelo homem.

Com a capacidade de mudar racionalmente o mundo que o cerca, o homem formula projetos, e os traduz em realidade concreta. O homem reflete sobre as condições que vai enfrentar, formula um projeto, materializa esse projeto numa realidade concreta mudando o meio em que vive.

Assim, é o único ser que tem história, sendo suas condições de existência transformadas por sua própria ação.
Para grande maioria da humanidade o trabalho tem sido um instrumento de luta pela sobrevivência, um meio e não um fim. Serve como forma de exploração de grande maioria da humanidade por aqueles que, ao possuírem capital, não necessitam trabalhar e podem viver do trabalho alheio.

Antes do capitalismo o trabalho já era fonte de exploração e de acumulação de uns à custa de outros. Dentro de famílias se estabeleciam diferenças de funções, em que o homem em geral se dedicava à busca de meios de sobrevivência, enquanto a mulher cuidava dos filhos, cozinha e o arranjo da habitação.

Quando o progresso material tornou possível que nem todos precisassem trabalhar, começaram a surgir algumas figuras novas na sociedade humana como técnicos, sacerdotes, guerreiros, governantes, artistas e outros.

Introduzia-se a divisão entre trabalho material e intelectual. Essa divisão social de trabalho foi consolidando-se cada vez mais. As riquezas sempre foram produzidas pelo trabalho humano, sendo apropriado pelas minorias privilegiadas. Assim, a história tem sido de exploração do trabalho da grande parte por uma minoria.

– Exploração e alienação

Alienação tem o sentido de entregar a outro o que é nosso. Sendo assim, aliena-se um bem quando se vende a outro que é nosso. No trabalho temos vários sentidos de alienação.

A alienação econômica está ligada diretamente à exploração do trabalho alheio, vinculada à transferência de riqueza daqueles que a criam para os que exploram esse trabalho.

Existe a “mais-valia” que Karl Marx explica sendo o valor a mais na acumulação de riqueza, que é gerado além do que se necessita para remunerar o trabalhador. O valor de mais-valia é a alavanca do processo de reprodução do capital. Permite que o funcionamento da economia redunde em concentração de riqueza no pólo capitalista e de pobreza no pólo do trabalhador, na acumulação de capital em detrimento do produtor direto das riquezas. Aí se encontra o trabalho alienado.

Antes do capitalismo, essa exploração era explícita. Escravos ou servos era considerados inferiores, e haviam nascido para cumprir tarefas materiais. No capitalismo, oficialmente, as pessoas são todas iguais perante a lei, sendo impossível formas abertas de escravidão ou de servidão. Infelizmente o salário esconde os mecanismos de exploração da força de trabalho. Um aumento de salário diminui as proporções de exploração, pois diminui a mais-valia. Ao aumentar os preços de mercadorias, os capitalistas recuperam tal valor.

Outro sentido para alienação no trabalho é quando o trabalhador não decide o que vai produzir, submetendo-se às decisões dos que compram sua capacidade de trabalho. Faz-se valer então as decisões do proprietário dos meios de produção. Os trabalhadores submetem-se a tal situação, pois precisam vender sua força de trabalho.

Aliena suas forças de trabalho por não possuir capital para produzir por conta própria. O trabalhador não tem consciência que produz as riquezas da sociedade capitalista, muitas vezes até sem saber o tipo de mercadoria que está produzindo. Assim, seu trabalho se torna alienado, desvinculado do que ele produz, como uma outra forma de alienação no trabalho.

– Exploração e capitalismo

Na forma de produção das mercadorias está contido o mecanismo de exploração. Toda mercadoria assume duas funções: uma de uso e outra de troca. Quando satisfaz alguma necessidade humana, seja material ou espiritual, é chamado de valor de uso e sempre existiu.

Diferente do valor de troca, que passou a ser usado a partir do momento em que existiu produção superior ao consumo. Assim, com os objetos de seu trabalho sendo produzidos para o consumo alheio, além da parte de suas necessidades próprias.

No capitalismo tudo passou a ser mercadoria. O valor de uso de uma mercadoria pe a utilidade que ela tem, e no valor de troca é dado pelas horas de trabalho necessárias para sua produção.

A utilidade de um objeto não é o que define seu valor. Se algum objeto tem valor alto, é devido ao seu custo de extração, tempo de trabalho necessário e sua produção. Duas mercadorias distintas podem ter um ponto em comum. É o fato de que foram produzidas pelo trabalho humano.

A força de trabalho também é uma mercadoria. Ela é a única mercadoria que produz mais valor. Além de conter seu próprio valor, gera um valor a mais. Assim, uma força de trabalho qualificada vale mais, pois requereu mais anos de estudo. Seu salário mais alto reflete o maior tempo necessário para a sua produção como força de trabalho especializada.

No caso do Brasil, existe o salário mínimo, q está abaixo do valor necessário para a sobrevivência do trabalhador. Além do valor da mais-valia, há outro valor, que o trabalhador é explorado, dando origem a uma super-exploração do trabalho.

– Conclusão

Por tudo que foi exposto, nos fica mais claro qual é o papel desempenhado e como funcionam as relações entre o trabalho e o homem. Através de vários exemplos, percebemos como há uma série de interesses por trás de todas as relações trabalhistas. Desde a origem e seu desenvolvimento, o trabalho tem feito parte da vida de praticamente todo ser humano. Por conseqüência dele conseguimos produzir o que é de nossa necessidade, além de poder produzir para os outros também.

Infelizmente, existe inúmera injustiça acontecendo, independente do setor trabalhista. São funcionários sendo explorados e muitos outros casos de falta de humanidade.

Com a alta taxa de desempregados, também cresce a desumanidade. Ou seja, sem uma renda razoável, não se vive dignamente. E mesmo assim, ainda quando trabalham, estão sujeitos a enfrentar situações complicadas, como a falta de moradia ou de alimentação necessária.

Concluindo, com a visão de Sader, percebemos quais rumos tomaram os homens, frente ao trabalho, e o que o trabalho tem como função e papel em suas vidas.

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