PARADA GAY DE SÃO PAULO

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DICAS PARA ANALISAR, COMPREENDER, E INTERPRETAR TEXTOS

Autor: Denise Coutinho

A IMPORTÂNCIA DA PARADA GLBT DE SÃO PAULO PARA O TURISMO DE EVENTOS DA REGIÃO

Resumo

Este artigo mostra a origem e a importância social e econômica da Parada do Orgulho Gay, que acontece no estado de São Paulo, trazendo muitas pessoas de todos estados e também do exterior, tornando este evento um atrativo turístico da região. Além da parada, durante o mês são realizados shows, palestras e exposições de arte. Mostra também o lado social do evento assim como as causas a serem alcançadas.

Palavras-chave: Turismo. Parada GLBT. Evento.

Além de ser considerada por muitos apenas uma grande festa, a parada GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e trangêneros) é uma manifestação social onde as pessoas que participam buscam o direito de pelo menos exercerem sua cidadania.

Em 1997 surgiu à primeira manifestação de caráter participativo GLBT, Começou tímida, com dois mil participantes, e foi aumentando com as pessoas que passavam. A Parada, manifestação popular que tem o intuito de comemorar o dia do orgulho gay, com o passar dos anos, adquiriu características políticas, lutando pela conquista de direitos civis e o fim da discriminação. O próprio site da associação que organiza o evento define seus objetivos como:

Seu objetivo primeiro é dar visibilidade às categorias sócio-sexuais e fomentar a criação de políticas públicas para homossexuais. A principal estratégia é ocupar os espaços públicos para proporcionar uma troca efetiva entre todas as categorias sociais, elevar a auto-estima dos homossexuais e sensibilizar a sociedade para o convívio com as diferenças.

Ainda sobre os objetivos do movimento, Facchini (2004 p.47):

A palavra chave é visibilidade, mas não se trata de visibilidade individual, ou focada em personalidades de lideranças, mas sim na visibilidade em massa. Se em sete edições do evento, a parada de São Paulo, passou de 1.200 a 1 milhão de participantes, e passou a ser manchete dos maiores jornais e matéria de TV em ‘horário nobre’ essa visibilidade se reverte em favor da luta pelos direitos sexuais e esse crescimento reflete a expansão e o fortalecimento de um campo social que acredita na diversidade das formas de amar e na legitimidade de todas elas.

Segundo Reinaldo Damião (2004, p.03), presidente da Associação do Orgulho GLBT, a associação é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, formados por voluntários sem remuneração nos cargos que ocupam, onde tem como missão lutar por uma sociedade mais justa e inclusiva que reconheça os direitos humanos e a diversidade. Cada ano um tema é desenvolvido pela Associação do Orgulho GLBT. Aqui se pode observar desde a primeira até a mais recente:

1997 -Somos muitos, estamos em todas as profissões – 2 mil pessoas.
1998 – Os direitos de gays, lésbicas e travestis são direitos humanos – 7 mil pessoas.
1999 – Orgulho gay no Brasil, rumo ao ano 2000 – 35 mil pessoas.
2000 – Celebrando o Orgulho de Viver a Diversidade – 120 mil pessoas.
2001 – Abraçando a Diversidade – 250 mil pessoas.
2002 – Educando para a Diversidade – 500 mil pessoas.
2003 – Construindo Políticas Homossexuais – 1 milhão de pessoas.
2004 – Temos Família e Orgulho – 1 milhão e 800 mil pessoas.
2005 – Parceria civil, já. Direitos iguais! Nem mais nem menos. – aproximadamente 2 milhões de pessoas.
Sobre a tematização da parada e a diversidade do público participante Manso (2004) relata:

O tema da família parece ter incentivado a participação dos simpatizantes das mais diferentes idades e opções sexuais. Era possível ver desde carrinhos de bebês até senhores e senhoras que ficavam nas calçadas apenas para ver o cortejo passar. Nos prédios, os moradores da avenida também participavam e jogavam papel picado. Uma das coisas mais impressionantes era a quantidade de pessoas vestindo apenas sungas ou biquínis, apesar do frio de 10 graus que era registrado nos termômetros da Paulista.

A Parada GLBT pode ser considerada um grande atrativo turístico da cidade de São Paulo. Na sua nona edição, no Brasil, agora em 2005, alcançou quase dois milhões de pessoas na famosa Avenida Paulista. Já é considerada a maior Parada do orgulho Gay de todo o mundo. Segundo Portes (2004): “Os números, tanto da polícia como dos organizadores, superam o da parada de Nova York no ano passado, que contou com cerca de um milhão de participantes, e de Toronto (900 mil)”.

De acordo com site Cidade de São Paulo é grande o número de pessoas que viajam para participar deste evento. De acordo com a CVC, operadora de Turismo de grande porte, que acaba de fazer uma parceria com a Associação da Parada GLBT, até o ano passado foram vendidos mais de quarto mil pacotes turísticos destinados a este público.

A cada ano o número de participantes cresce considerávelmente. Segundo Secretário Executivo de Turismo do Estado de São Paulo, Marco Branco (2004, p.11) ” Por isso o trade turístico deve estar preparado para bem receber os integrantes do segmento GLBT, saber que destinos devem ser determinados, como os receptivos devem atuar, assim com a hotelaria, o setor gastronômico, etc.”

Segundo Fisher (2005) a Parada GLBT é considerada a maior manifestação de rua do país, e mesmo assim, sendo um sucesso de mídia, o evento reclama de falta de visão das empresas e ainda não conseguiu se sustentar financeiramente através de patrocínios de grandes anunciantes.

Além da parada em si, as pessoas que vão participar do evento também podem visitar exposições, feiras, palestras, tudo relacionado ao tema, no mês do orgulho gay. Até 2004 o parque Hopi Hari proporcionava um dia especial, chamado de GAY DAY, voltado para este tipo de público.

Os próprios hotéis e a estrutura turística da cidade prepara na época da parada pacotes especiais para o público gay, sendo desde convênios diretos com companhias aéreas até tickets de descontos em boates, saunas e bares GLS.

Com essa série de eventos voltados para o público em questão, evidencia-se o potencial turístico do tema, as iniciativas para uma melhor satisfação de seus usuários e a implantação de políticas similares em outras regiões do país. Assim como a capacidade de movimentação da economia local em todos os seus ambitos.

REFERÊNCIAS:

BRANCO, Marco. Pelo crescimento do turismo. Revista Oficial da Parada do Orgulho GLBT de SP 2004. São Paulo: Editora Top Secret, nº01, ano I, Fevereiro , 2004.

Damião, Reinaldo. Bem vindo ao mês de orgulho GLBT 2004. Revista Oficial da Parada do Orgulho GLBT de SP 2004. São Paulo: Editora Top Secret, nº01, ano I, Fevereiro , 2004.

FACCHINI, Regina. Paradas: uma política (homos)sexual lúdica, mas não lihgt. Revista Oficial da Parada do Orgulho GLBT. São Paulo: Editora Top Secret, nº01, ano I, Fevereiro , 2004.

FISHER, André. Jesus e o orgulho gay. Revista da Folha. São Paulo: Editora Folha de São Paulo, nº 670, ano XIV, Maio, 2005.

MANSO, Bruno Paes; CARARO. Aryane. São Paulo tem a maior parda gay do mundo. Estadão Online. http://www.estadao.com.br/agestado/noticias/2004/jun/14/1.htm Acesso em 31 maio 2005.

PORTES, Ivone. São Paulo tem a maior parada gay do mundo. Folha online ilustrada Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u44973.shtml. Acesso em 25 maio 2005.

Cidade de são Paulo. São Paulo se prepara para a parada GLBT. Disponível em: http://www.cidadedesaopaulo.com/eventos/acontece.asp?idMat=258. Acesso em 18 maio 2005.

Histórico da Paradas do Orgulho GLBT em São Paulo. Site Oficial da Associação do Orgulho GLBT de São Paulo. Disponível em: http://www.comunidadeglbt.com.br/r_index.php. Acesso em 18 maio 2005.

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