A RELAÇÃO DO CUIDAR, BRINCAR E EDUCAR EM CLASSES INFANTIS



A RELAÇÃO DO CUIDAR, BRINCAR E EDUCAR EM CLASSES DE EDUCAÇÃO INFANTIL - UM ESTUDO COM CRIANÇAS DE 0 A 3 ANOS.

Maricleide Ribeiro dos Santos
Niandra Galvão

RESUMO

Visando refletir e repensar a prática pedagógica, observando a relação do cuidar, do brincar e do educar em classes de 0 a 3 anos da Educação Infantil, além de fazer um levantamento de propostas viáveis que facilitem a prática e viabilizem um melhor desenvolvimento das atividades nessas classes, é o que se pretende discutir nesse artigo. Destacando que nas Instituições em geral, ou se prioriza o educar e o cuidar ou o educar e o brincar e nunca os três juntos, o que fere as diretrizes e documentos que regem a Educação Infantil. Discute, também, sobre a prática educativa dos profissionais de Educação Infantil, que por sua vez, não leva essa tríade a sério e em detrimento do educar esquece-se do cuidar e do brincar, desprovendo, assim, as crianças de vivenciarem aspectos relevantes para o seu desenvolvimento. Apresenta, ainda, a necessidade de se desenvolver propostas que facilitem a pratica do educador e um melhor desempenho e aprendizado das crianças pequenas nessas classes.
Palavras-chaves: Educação Infantil. Prática Pedagógica. Educar. Cuidar. Brincar.

INTRODUÇÃO

No processo de construção do conhecimento, as crianças utilizam as mais diferentes linguagens e exercem a capacidade que possuem de terem idéias e hipóteses originais sobre aquilo que buscam desvendar. As instituições de Educação Infantil devem oferecer às crianças condições pedagógicas intencionais ou aprendizagens orientadas, de natureza diversa, de maneira integrada no processo de desenvolvimento infantil, que permeiam educar, cuidar e brincar.
Visto que, o educar significa propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas, de forma integrada, que contribuam para o desenvolvimento das capacidades infantis como as de relação interpessoal, de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, bem como o acesso aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural. Como pode ser que instituições, famílias e educadores priorizem para crianças da Educação Infantil, o brincar ou, muitas vezes, o cuidar, esquecendo-se do educar?
Mesmo sabendo que a educação está vinculada ao brincar e ao cuidar, o que se pode perceber, em inúmeras escolas e/ou creche é o uso do cuidar, do assistencialismo, ou do brincar, como forma lúdica de educar. Porém, os RCNEI preconizam que o cuidado na esfera da Educação Infantil significa compreendê-lo como parte integrante da educação, embora possa exigir conhecimentos, habilidades e instrumentos no qual extrapolam a dimensão pedagógica. E, referente ao brincar, afirma que é no ato de brincar que a criança estabelece os diferentes vínculos entre as características do papel assumido suas competências e as relações que possuem com os outros papéis, tomando consciência disto e generalizando para outras situações.
Ao brincar as crianças recriam e repensam os acontecimentos que lhes deram origem, sabendo que estão brincando, portanto cabe ao professor ajudar a estruturar o campo das brincadeiras na vida das crianças. Então, por que as escolas, muitas vezes, preocupam-se mais com o cuidar e o brincar, e muito menos com os aspectos pedagógicos para o desenvolvimento infantil já que a base da Educação Infantil é, justamente, essa tríade: o educar, o cuidar e o brincar?
É, justamente, numa tentativa de buscar essas respostas que inicio esse estudo para melhor entender o processo pelo qual esses educadores permeiam as suas práticas. Já que sabemos o quão é importante o desenvolvimento da criança de forma plena, prazerosa e eficaz no sentido de fazer com que ela aprenda a conviver com o meio em que a cerca e não só brincar por brincar ou ser carinhosamente cuidada. Este estudo tem sua importância pautada na necessidade da criança, que precisa ser bem cuidada, precisa brincar e, principalmente, ser educada de forma significativa para que, posteriormente, adquira sua independência, assim como na necessidade dos educadores que precisam melhor compreender essa tríade, que é de suma relevância, na vida das crianças, principalmente as menores, por estarem em processo de desenvolvimento em todos os sentidos.
A relação entre o cuidar, o brincar e o educar vêm se tornando um importante gerador de discussões entre educadores do mundo inteiro. Porém, são desmembrados, ou se fala do educar e do cuidar ou do educar e do brincar e, nunca, dos três juntos, daí a importância de se falar numa tríade que permeia a Educação Infantil e não é compreendida por todos os educadores. No Brasil, também, vem sendo discutido por vários autores, principalmente, no que tange o cuidar e o brincar, porém na prática não observamos essa relação acontecer. Devido a isso, faz-se necessário um estudo orientado na tentativa de esclarecer os benefícios que essa prática trará para as crianças, além de outros motivos que fará dessa compreensão uma ferramenta importantíssima para o processo educacional do nosso país. Assim, pode-se dizer que é um estudo significante que visa rever a prática, observando a relação do cuidar, do brincar e do educar em classes de 0 a 3 anos da Educação Infantil, além de fazer um levantamento de propostas viáveis que facilitem a prática e viabilizem um melhor desenvolvimento das atividades nessas classes.

COMPREENDENDO A EDUCAÇÃO INFANTIL.

A criança

De acordo com pesquisadores, é um ser humano na fase infantil, que no início de seu desenvolvimento é chamada de recém-nascida, do nascimento até um mês de idade; bebê, entre o segundo e o décimo oitavo mês, e criança quando têm entre dezoito meses até doze anos de idade. Historicamente, já passou por várias fases de compreensão devido ao contexto em que estava inserida, ainda que de uma mesma cidade, ou país ou época. E como preconiza o RCN, a criança como todo ser humano é um sujeito social e histórico e faz parte de uma organização familiar que está inserida em uma sociedade, com uma determinada cultura, em um determinado momento histórico. A criança, assim, não é uma abstração, mas um ser produtor e produto da história e da cultura (FARIA, 1999). Ou seja, é profundamente marcada pelo meio social em que se desenvolve, mas também o marca, isso mostra que a criança tem em sua família, biológica ou não, um referencial fundamental, apesar da variedade de interações sociais que ela estabelece com outras instituições sociais: escola, igreja, grupos. Elas possuem uma natureza particular, que as caracterizam como seres que sentem e pensam o mundo de um jeito muito próprio.

A infância

Segundo Friedmann (2007), etimologicamente, infantia é a dificuldade ou incapacidade de falar. Concordamos com a autora, pois é o período iniciado, desde o nascimento até, aproximadamente, o décimo quarto ano de vida de uma pessoa, onde ela está, ainda, a balbuciar. Dessa forma, é uma fase de grande desenvolvimento físico, marcado pelo crescimento progressivo da altura e do peso da criança - especialmente nos primeiros três anos de vida e durante a puberdade e mais do que isto, é a etapa na qual a criança cresce fisicamente e matura-se psicologicamente, ou seja, espaço de tempo onde o ser humano desenvolve as suas habilidades cognitivas, emocionais, interpessoais, motoras e sociais, envolvendo graduais mudanças no seu comportamento e na aquisição das bases de sua personalidade. A infância é símbolo de simplicidade natural, de espontaneidade Friedmann (2007).

A Educação Infantil

Foi na França, no século XVIII, que apareceu a Educação Infantil, em resposta à situação de pobreza, abandono e maus-tratos de crianças pequenas, cujos pais trabalhavam em fábricas, fundições e minas, criadas pela Revolução Industria (OLIVEIRA, 1995). Constitui-se num período de vida escolar que faz parte da Educação Básica e atende, pedagogicamente, crianças com idade entre 0 e 6 anos. A LDB em seu art. 29 estabelece:
A Educação Infantil primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físicos, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade (Brasil, 1996).
Durante muito tempo, as instituições que ofereciam esse segmento, inclusive as brasileiras, obedeciam a uma linha assistencialista, ou seja, davam custódia e tratavam da higiene da criança sem considerar as questões de cidadania ligadas aos ideais de liberdade e igualdade. A partir da década de 80, ocorreram muitos movimentos para quebrar esse modelo nas instituições que passaram a ser pensadas e reivindicadas como um lugar de educação e cuidados coletivos das crianças (WAJSKOP, 1995). Com isso pela primeira vez na história do Brasil a Constituição de 1988 (art. 208, inciso IV) definiu, como direito das crianças de zero a seis anos de idade e dever do Estado, o atendimento à infância. A partir daí, vários segmentos como: a LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional em 1996, as Diretrizes Curriculares Nacionais em 1999, o Plano Nacional de Educação (lei 10172 de 9/01/2001) e, ainda, as legislações educacionais em nível estadual e municipal, instituíram melhorias na Educação Infantil. E, até hoje, novas mudanças vêm sendo introduzidas nas áreas administrativa e pedagógica das creches e instituições infantis. Tais como, a promulgação recente de duas leis (Lei 11.114, de 16.05.05 e Lei 11.274, de 06.02.2006) que incluem a criança de 6 anos no ensino fundamental e orientações dadas pelo Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica (Parecer nº 18, de 15.09.05) com relação a essa inclusão, compreendendo, agora, a Educação Infantil como período de vida escolar de crianças com idade entre 0 e 5 anos de idade.

O fazer pedagógico do educador infantil

O profissional de educação infantil tem a função de educar e cuidar, de forma integrada, a criança na faixa de zero a seis anos de idade (Brasil, 1994a, p.19). Ao levar em conta essa afirmação, não se pode perder de vista a especificidade da pedagogia da Educação Infantil, que não é só baseada no cuidar, ou brincar ou educar e sim, na integração desses três fazeres pedagógicos que são de extrema importância para o desenvolvimento das crianças pequenas. A Educação Infantil precisa basear-se nas necessidades dessas crianças e para isso, é preciso conhecer suas necessidades, em cada idade, e como atendê-las. Todos os profissionais envolvidos com a educação infantil precisam conhecer quem são as crianças e suas famílias, suas características e expectativas. Trata-se de buscar conhecer a criança real e concretamente para oferecer-lhe uma educação de qualidade, que é um direito delas e uma educação que seja apropriada às suas características e necessidades.
Segundo a LDB (1996), os profissionais de Educação Infantil devem ser formados em cursos de nível médio ou superior, que contemplem conteúdos específicos relativos a essa etapa da educação. Embora esse desafio apresente uma grande dimensão, todo o país percebeu o quanto é determinante esse trabalho na infância para o desenvolvimento integral do ser humano. Dessa forma, hoje, o país passa por profundas reformulações para melhor formar os educadores infantis, tanto com o curso Normal Superior, que já foi extinto, quanto com o de Pedagogia, que, agora volta com outra roupagem garantindo a formação nas séries iniciais.
Para o fazer deste profissional que é específico, em função das peculiaridades das crianças pequenas, as quais exigem encaminhamentos docentes diferenciados, especialmente, em função do nível de autonomia e dependência próprias dessas crianças, no sentido de assegurar-lhes os direitos básicos e de bem estar, se faz necessário uma profissionalização que favoreça a prática pedagógica sem ele, no entanto, deixar de pertencer aos quadros do magistério da educação básica, fator marcante na vida desse profissional, partilhando com os educadores dos demais níveis o compromisso comum com a educação/humanização e com a cultura. Isso por que o educador deve, segundo Freire (1996), observar e ser observado, se colocar no lugar do outro, estar aberto a críticas e sugestões, compartilhando o que sabe e o que não sabe, respeitando sempre as regras, as suas limitações e as do outro, se colocando na posição de aprendiz. Entendendo assim, que, ver e ouvir demanda implicações de entrega ao outro e que a reflexão, individual ou coletiva, leva a ação. Com isso, compreender, conhecer e reconhecer o jeito particular da criança ser e estar no mundo é o grande desafio da Educação Infantil e de seus profissionais.

O relacionamento do cuidar com o educar

Weiss, enfermeira que trabalha no Núcleo de Educação Infantil da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina vem realizando uma reflexão sobre o Cuidar e Educar baseada em anos como uma profissional voltada para o cuidado do corpo, mas inserida no ambiente educacional de uma instituição de Educação Infantil, responde à entrevista a cerca da Educação e Cuidado que tem como objetivo: apresentar algumas questões polêmicas referentes ao binômio cuidar e educar nas Instituições de Educação Infantil.
Quando solicitada a responder questões sobre o enfoque do cuidar e do educar em uma Instituição de Educação Infantil, ela diz, sabiamente:
Dentro da Educação Infantil, o cuidar e o educar são indissociáveis, não tem como separar essas duas coisas. Porque esses dois temas atendem uma demanda, uma faixa etária de 0 a 6 anos, onde as crianças estão se estruturando enquanto indivíduo, enquanto, cidadãos; estão começando a exercer a sua autonomia. (WEISS, 2001)
Essa discussão é peça chave para que o educador comece a distinguir um fator do outro e compreenda a importância de cada um deles para o desenvolvimento das crianças, percebendo assim, a necessidade da união dos dois para um melhor aproveitamento no processo de ensino e aprendizagem de crianças pequenas. Pois, como ela mesma afirma: O cuidar e o educar estão nas coisas mais simples da rotina pedagógica da Educação Infantil (WEISS, 2001).
Em relação à importância da área da saúde para os educadores da Educação Infantil, Weiss (2001), diz que é importante trabalhar essas questões junto aos profissionais de Educação Infantil, principalmente, formação específica na área de cuidar e educar, devido à necessidade de ser e estar preparados para atuar com crianças na faixa etária de zero a seis anos. Portanto, deve ser oferecido curso que aborde todos os conhecimentos básicos de saúde, que irão subsidiar o cotidiano pedagógico de Instituições de Educação Infantil. Já para a instituição, a importância desse setor é mais sistemática e deve ser coordenado por uma enfermeira, que precisa atender a todas as intercorrências de saúde, fazendo todo o acompanhamento do desenvolvimento das crianças. E, também, devem se apropriar de atividades de educação e saúde em sala com as crianças, levando em conta a linguagem e os recursos, que deverão obedecer à faixa etária, sempre que elas manifestarem interesse em qualquer aspecto da área.
Na última questão, quando convidada a responder sobre como é a relação Família e Instituição, em relação ao cuidar e o educar, Weiss explicou que quando as crianças são inseridas em uma Instituição de Educação Infantil, elas devem passar por um processo de entrevista com os professores, sendo levantadas todas as características e hábitos das crianças. Ou seja, é feito um levantamento de conhecimentos prévios sobre a criança para melhor atendê-la. A partir daí, qualquer intercorrência que a criança sofrer, deve ser comunicada ao setor de saúde, e posteriormente deve ser comunicado ao seu responsável. Quando o problema for maior, deve-se encaminhar a criança para uma instituição hospitalar. O educador deve estar sempre atento às características de cada criança, observando qualquer anormalidade contactar sempre os pais, que devem estar, também, sempre ligados com a escola, principalmente, se a criança estiver doente ou em recuperação. Assim, as decisões do educador são puros reflexos do cuidar e do educar. Pois, como afirma a autora, o cuidar e o educar não conseguem se separar, eles devem ser explorados juntamente.
O convívio da criança na escola deve ser constituído de vários hábitos, costumes e fatores que contribuam para o seu processo de desenvolvimento. Segundo Weiss, quando interagimos com crianças, principalmente as menores, é necessário conversar com elas, trabalhando a linguagem, a afetividade, o contato, e além de tudo, observar o corpo dela, vendo se tem alguma anormalidade, assadura, dizendo para quê e porque é necessário a higienização, dando oportunidades, quando possível, para ela realizar determinadas atividades de seu autocuidado, que contribuam para sua independência.
Nas suas considerações finais a autora cita que:
O cuidado na educação infantil é uma ação cidadã onde educadores, pessoas conscientes dos direitos das crianças, empenham-se em contribuir favoravelmente ao crescimento e desenvolvimento das crianças. O cuidar é visto aqui como uma prática pedagógica e como forma de mediação, que se constitui pela interação, através da dialogicidade e quer possibilitar à criança leituras da realidade e apropriação de conhecimentos. (Weiss 1999, p. 108)
Ainda, mostra que são muito recentes os estudos que compreendem a função de educar e cuidar de forma indissociável, nas instituições de Educação Infantil. Pois, há ainda instituições e educadores que possuem a prática assistencialista ou focada no trabalho educativo. Assim, podemos concluir que cuidar é nada mais, nada menos que demonstrar preocupação com o outro e, quando cuidamos, dentro das coisas mais simples da rotina escolar, estamos também educando, sendo assim um ato recíproco.
Essas idéias mostram a relação do cuidar e do educar de forma clara para todos os envolvidos na educação de crianças pequenas. Expõe também, como a área de saúde é importante neste processo e como os educadores devem estar sempre atentos às mudanças, manifestações e comportamento das crianças, bem como relembra a importância da família no processo de recepção, adaptação e permanência da criança na instituição.

Como se desenvolve o cuidar, o educar e o brincar na Educação Infantil

Entre 1 e 3 anos de idade, as crianças, no que tange o seu desenvolvimento, principalmente nesta fase, são muito ágeis, gostam de mexer em tudo e muitas vezes tornam difícil qualquer conversa entre adultos, quando elas não estão incluídas. A energia e o entusiasmo tomam conta delas fazendo com que aprendam por meio da exploração do ambiente, da sua curiosidade, da imitação, da imaginação, enfim de tudo o que a cerca.
A criança de 1 ano quando estimulada a falar, a movimentar-se e a descobrir, maior será o desenvolvimento do seu cérebro e da coordenação fina dos seus movimentos. Isso faz com que a ela se comporte com mais competência e confiança, podendo assim, engatinhar e andar se deslocando por todo o ambiente. Abaixar-se, sem cair, para pegar objetos no chão, identificar as partes do corpo falando o nome de cada uma delas, se comunicar através de gestos, abanar a cabeça para dizer não, dar adeus, bater palmas, falar frases curtas, dentre outras coisas são características dessa faixa etária. Diante deste contexto podemos perceber que tudo isso faz parte do cuidar e do educar, pois quando estimulamos a criança a fazer todos esses procedimentos, seja com ações ou com diálogos, estamos cuidando e, acima de tudo, educando.
Quando chega o período de retirada das fraldas a família deve estar sempre atenta as súplicas da criança, esse processo deve ser gradual e sem violência, é importante que os pais, e acrescento os educadores, compreendam que o controle do xixi e do cocô não acontece de uma hora para outra. A criança a partir de um ano e meio já passa a sentir o que acontece com o seu corpo e tem maior controle sobre os músculos: o esfíncter e o genital, avisando, vez ou outra que vai fazer suas necessidades fisiológicas. Só aos três anos, aprende a fazer sozinha precisando da ajuda do adulto só para se limpar. Entretanto, quando ela não consegue fazer no lugar adequado, a família não deve bater, repreender ou ridicularizá-la, pois assim causará problemas piores para o desenvolvimento da criança.
Para as crianças de 2 e 3 anos, identifica-se que elas começam a entender melhor o que pode e o que não pode fazer, mesmo precisando da ajuda do adulto, elas sempre tentar fazer as coisas sozinhas. Conseguem organizar o pensamento de forma que pode se comunicar com frases completas, utiliza rabisco e desenhos para mostrar o que viu e o que pensa, junto com outros adultos, a família, aprende noções de tamanho, cor, peso, quantidade e lugar, em vários momentos elas demonstram sentir medos e não sabem explicá-los. Também tentam resolver conflitos com outras crianças na base dos empurrões e tapas (p.04), e, dentre outras coisas, aprendem muito com as histórias infantis contadas pelos adultos. Assim, fica evidenciado vários exemplos do educar em fatos corriqueiros que só com a ajuda da família, da escola e de outros adultos a criança pode aprender de forma significativa, sendo tratada com cuidado e respeito. Ou seja, a família e o educador devem compreender esses processos e ajudá-las, não ridicularizando, nem humilhando, simplesmente mostrando o caminho certo para o seu desenvolvimento.
O papel da família é de singular importância para o desenvolvimento da criança. Tem a ver com o conhecimento e também com as emoções, os sentimentos e o amor. Por isso, devem demonstrar sempre através de elogios, carinho, dedicação, que a ama e se preocupa com ela. A criança deve sempre ser encorajada a terminar tudo o que começa não deixar desistir fácil, recomeçar, tudo para que seu aprendizado seja significativo. A curiosidade é a marca dessa fase e tanto a família quanto o educador deve valorizar a fala da criança saciando a sua sede de saber com respostas simples e de fácil compreensão. É importante que ela seja bem tratada para que desenvolva autoconfiança e sensibilidade no seu crescimento.
Segundo UNICEF, é nessa fase que a criança começa a se interessar por brincadeiras e jogos com regras por trazerem novos desafios. Como o brincar é uma das atividades principais da criança, quando brinca, além de construir curiosidade, confiança e auto-estima ela desenvolve a atenção, imitação, memória, movimentação, equilíbrio e imaginação. O adulto deve criar situações para a criança olhar, pular, correr, subir, descer, saltar, empurrar, seja sozinha ou com outras crianças de maneira que propicie o desenvolvimento de habilidades finas e motoras importantíssimas para o seu processo de desenvolvimento. É com os jogos e brincadeiras que elas aprendem a cooperar, compartilhar e respeitar as outras crianças.
Enfim, cada criança é única. Se ela cresce sendo reconhecida como cidadã capaz e participativa, na sua família e comunidade ela aprende a ouvir, a opinar, a respeitar e ser respeitada. Cabe ao educador, ser respeitoso, ser parceiro, valorizando as práticas cotidianas habituais de cada criança, procurando sempre conhecer sua família, como ela se relaciona com a criança, estimulando que as crianças falem, que sejam ouvidas e, principalmente, respeitadas por seus familiares e circundantes.
Diante disso, vê-se, então, a importância do cuidar, do educar e do brincar para crianças de 1 a 3 anos. Essa tríade não pode se separar quando se trata da educação de crianças pequenas, e isso é o que devemos valorizar para melhorar tanto a prática dos educadores como a aprendizagem das crianças.

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