DROGAS QUE ATUAM NO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO



Autor: Nóris Cristina

O Sistema Nervoso Autônomo controla a musculatura lisa (visceral e vascular); as secreções exócrinas (e algumas endócrinas); a freqüência e força cardíaca; determinados processos metabólicos (por exemplo, utilização da glicose).

Os sistemas Simpáticos e Parassimpáticos exercem ações opostas em algumas situações (por exemplo: controle da freqüência cardíaca, músculo liso gastrintestinal), mas não em outras (por exemplo: glândulas salivares, músculo ciliar).

A atividade simpática aumenta no estresse (resposta de luta-ou-fuga), enquanto a atividade parassimpática predomina durante a saciedade e o repouso. Ambos os sistemas exercem um controle fisiológico contínuo de órgãos específicos em condições normais, quando não está em nenhum dos extremos.


Transmissores do Sistema Nervoso Autônomo.

Os dois principais neurotransmissores que operam no sistema autônomo são a acetilcolina e a noradrenalina.
Todas as fibras nervosas motoras que deixam o sistema nervoso central liberam acetilcolina, que atua sobre os receptores nicotínicos.
As fibras parassimpáticas pré-ganglionares liberam acetilcolina, que atua sobre os receptores muscarínicos.
Todas as fibras simpáticas pós-ganglionares liberam noradrenalina, que pode atuar sobre os receptores alfa ou beta adrenérgicos.
A acetilcolina e a noradrenalina são os mais importantes entre os transmissores autônomos, sendo fundamentais para a compreensão da farmacologia autônoma.


DROGAS COLINÉRGICAS

As drogas colinérgicas são divididas em:

AÇÃO DIRETA:

    ACETILCOLINA
    BETANECOL
    CARBACOL
    PILOCARPINA

AÇÃO INDIRETA:

    EDROFÔNIO
    NEOSTIGMINA
    FIROSTIGMINA
    PIRIDOSTIGMINA

PRINCIPAIS EFEITOS DOS AGENTES COLINÉRGICOS

EFEITOS CARDIOVASCULARES

    Redução da freqüência cardíaca;
    Diminuição do débito cardíaco (redução da força de contração do átrio);
    Vasodilatação generalizada (mediada pelo NO);
    Queda da Pressão Arterial.

EFEITOS SOBRE A MUSCULATURA LISA

    Aumento da contração da musculatura lisa do trato gastrintestinal;
    Contração de bexiga e dos brônquios

EFEITOS OCULARES

    Músculo ciliar: ajusta a curvatura do cristalino
    Constritor da pupila: ajusta a pupila em resposta às alterações de luminosidade.

USOS CLÍNICOS DOS AGENTES COLINÉRGICOS

    Tratamento do glaucoma (pilocarpina);
    Esvaziamento da bexiga pós-operatório e estimulador da motilidade gastrintestinal (betanecol).

DROGAS ANTI-COLINÉRGICAS

Parassimpatolíticos:

    Atropina (Atropa belladonna)
    Hioscina (Datura stramonium)
    Ipratrópio
    Pirenzepina

PRINCIPAIS EFEITOS DA ATROPINA

SECREÇÕES

Inibição das secreções (lacrimais, salivares, brônquicas e sudoríparas), com aumento da temperatura corpórea;

EFEITOS CARDIOVASCULARES

    Taquicardia (bloqueio dos receptores do músculo cardíaco);
    Doses baixas: bradicardia paradoxal (efeito central);
    Não há alteração na Pressão Arterial.

EFEITOS OCULARES

    Midríase;
    Paralisia da acomodação do olho (ciclopegia);
    Pode ocorrer aumento da pressão Intra-ocular.

EFEITOS SOBRE O TRATO GASTRINTESTINAL

    Inibição da motilidade;
    Pirenzepina: inibe a secreção de ácido gástrico.

EFEITOS SOBRE A MUSCULATURA LISA

Relaxamento da musculatura lisa das vias brônquicas, urinárias e biliares.

EFEITOS SOBRE O SNC

    Efeitos excitatórios;
    Baixas doses causam inquietação;
    Altas doses causam agitação e desorientação.

USOS CLÍNICOS DOS ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS

RESPIRATÓRIO

    Asma: ipratrópio por inalação;
    Pré-anestésico: recuar secreções - atropina e hioscina injetáveis.

GASTRINTESTINAS

    Antiespasmódico;
    Suprimir a secreção de ácido gástrico;
    Úlcera péptica – pirenzepina

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DROGAS ADRENÉRGICAS

As drogas adrenérgicas afetam receptores estimulados pela norepinefrina ou epinefrina.

Tipos de drogas:

    AGONISTAS: Ativam os receptores adrenérgicos (diretamente ou indiretamente).
    ANTAGONISTAS: Bloqueiam a liberação dos neurotransmissores para os receptores adrenérgicos.
    ADRENALINA
    NORADRENALINA
    ISOPROTERENOL
    DOMPAMINA
    DOBUTAMINA

Essas drogas têm como características:

    Rápido início de ação;
    Breve duração de ação;
    Não são administradas por via oral;
    Não ultrapassam a barreira hematoencefálica.

PRINCIPAIS EFEITOS DOS AGENTES ADRENÉRGICOS


Fibrilação e Desfibrilação

EFEITOS CARDIOVASCULARES

    Estimulante da freqüência cardíaca;
    Elevação do débito cardíaco;
    Elevação do consumo de Oxigênio;
    Podem causar distúrbios do ritmo cardíaco, culminando em fibrilação ventricular;
    Elevação da Pressão Arterial.

EFEITOS SOBRE A MUSCULATURA LISA

    Todos os tipos de músculo liso, à exceção do músculo liso do trato gastrintestinal, sofrem contração em resposta à estimulação dos receptores alfa 1 adrenérgicos;
    Dilatação da musculatura lisa brônquica.

EFEITOS OCULARES

Dilatador da pupila.

USOS CLÍNICOS DOS AGENTES ADRENÉRGICOS

    Tratamento do broncoespasmo – Adrenalina;
    Reações anafiláticas – Adrenalina;
    Choque cardiogênico – Noradrenalina;
    Parada Cardíaca – Isoproterenol;
    Glaucoma – Adrenalina.

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AGENTES ANTI-ADRENÉRGICOS OU SIMPATOLÍTICOS

Os Antagonistas são, em sua maioria, seletivos para os receptores alfa ou beta adrenérgicos.

As drogas que bloqueiam os receptores alfa 1, e alfa 2- adrenérgicos (por exemplo: fenosubenzamina, fentolamina) eram antigamente utilizadas para produzir vasodilatação no tratamento da doença vascular periférica; atualmente, são em grande parte obsoletas.

Os antagonistas alfa-1 seletivos (por exemplo: prazosina, doxazosina, terazosina) são utilizadas no tratamento da hipertensão. A hipotensão postural e a impotência constituem efeitos indesejáveis.

A Ioimbina é um antagonista alfa-2 seletivo. Não é utilizada clinicamente.

Os antagonistas dos receptores beta-adrenérgicos incluem o propranolol, o alpenolol, o oxprenolol (não seletivo entre beta-1 e beta-2) e o atenolol (beta-1 seletivo). Alguns (alprenolol, oxprenolol) possuem atividade agonista parcial. São utilizados principalmente no tratamento da ansiedade. Os riscos importantes incluem broncoconstrição, bradicardia e insuficiência cardíaca. Os efeitos colaterais constituem em extremidades frias, insônia e depressão. Alguns exibem rápido metabolismo de primeira passagem, e, portanto, biodisponibilidade precária.

USOS CLÍNICOS DOS ANTAGONISTAS DOS RECEPTORES ALFA-ADRENÉRGICOS

    Hipertensão – Prazosina – de ação curta;
    Hipertensão – Terazisina – de ação prolongada;
    Hipertrofia prostática benigna – Tansolusina.

USOS CLÍNICOS DOS ANTAGONISTAS DOS RECEPTORES BETA- ADRENÉRGICOS

Sistema Cardiovascular

    Hipertensão
    Angina de peito
    Após infarto do miocárdio
    Disritmias Cardíacas

Outros Usos

    Glaucoma
    Ansiedade
    Profilaxia da Exaqueca
    Tremor benigno

AÇOES FARMACOLÓGICAS DOS ANTAGONISTAS.

No indivíduo em repouso, o propranolol provoca pouca alteração na freqüência cardíaca, no débito cardíaco ou na pressão arterial, porém reduz o efeito do exercício ou da excitação sobre essas variáveis. As drogas com atividades agonista parcial, aumentam a freqüência cardíaca em repouso, porém a reduzem durante o exercício.

PRINCPAIS RISCOS E EFEITOS INDESEJÁVEIS INCLUEM:

    Broncoconstrição – grave risco em pacientes asmáticos;
    Bradicardia (bloqueio cardíaco)
    Hipoglicemia
    Extremidades frias
    Pesadelos.

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