Histórico da Gravidez na Adolescência

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Introdução

“Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.”
Pitágoras

O atual Trabalho de Conclusão de Curso, teve como cerne principal, a realização de pesquisa sobre a gravidez na adolescência, tendo como estudo de campo o Instituto de Educação Roberto Silveira, na cidade de Duque de Caxias.

Este trabalho tem como propósito descobrir a extensão da problemática pesquisada para o profissional de Serviço Social, visto que esta aliada ao comportamento habitual, serve para a repressão do instrumentalismo, e para a construção de um projeto visando o fortalecimento da sociedade de forma mais forte, direta e precisa.

Em seu primeiro capítulo, a pertinente obra, a partir de um breve histórico, descreveu as transformações e mudanças ocorridas na estrutura da família brasileira.

Será discorrido em síntese, este primeiro capítulo, de forma que seja percebida sua abordagem e feita a sua análise elaborada, buscando definir seus tópicos fundamentais.

1. Adolescência e Gravidez

1.1 Marco Conceitual

A adolescência é um período do desenvolvimento humano que se estende, aproximadamente dos 10 aos 19 anos de idade, sendo este, um período de grande crescimento e transformações, onde tudo é vivido intensamente.

Durante esta transição do estado infantil para o estado adulto, o jovem geralmente apresenta comportamentos instáveis, variando suas ações e opiniões, num “experimentar” que o levará a definição de sua identidade.

A adolescência, ou a fase jovem, é um período de vida que merece atenção, pois esta transição entre a infância e a idade adulta pode resultar ou não em problemas futuros para o desenvolvimento de um determinado indivíduo.

No entanto, para entender como a adolescência pode favorecer o aparecimento de problemas como a gravidez precoce, entre outros, é necessário uma breve revisão sobre este período.

A palavra adolescência vem do latim “adolescere” que significa “fazer–se homem/mulher” ou “crescer na maturidade”.

No início do século XIX, o termo só abrangia a rapazes, ocorrendo distinção nesta fase da vida entre os sexos. Muitas vezes, era usado para considerar a inexperiência sexual do jovem. Somente a partir do final do século XIX, esta etapa foi vista como sendo uma etapa distinta do desenvolvimento.

Atualmente, a fase jovem se caracteriza como tendo sua ocorrência entre a infância e a idade adulta, na qual há muitas transformações tanto físicas, como psicológicas, possibilitando o surgimento de comportamentos irreverentes e desafiantes com os outros, o questionamento dos modelos e padrões infantis que são necessários ao próprio crescimento.

1.2. Aspectos históricos e Culturais acerca da Gravidez na Adolescência

Acontece que a gravidez na adolescência não é um fato novo na história da humanidade. Alguns orientadores chamam a atenção para a ocorrência deste fato desde a antiguidade, informando inclusive, alguns casos famosos de maternidade que aconteceram nesta fase da vida. Neste contexto, podemos citar até o fato do nascimento de Jesus Cristo, quando da adolescência de Maria.

Chegamos enfim, a conclusão de que por não ser fato novo na realidade de nossa história, o que tem modificado com sua presença nos dias atuais é a maneira interpretativa deste fenômeno social.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, no início do século XX, começa a ficar de forma mais evidente este fenômeno social, devido a aparição em jornais da época. Com a revolução sexual e a descoberta da pílula anticoncepcional, nos anos 60 e 70 do mesmo século, o amor tornou-se desobrigado e institucionalizado. A jovem enfim se tornou mulher, sem necessariamente ser mãe.

Nesta época, no Brasil vigorava a ditadura militar, e acontecia a eclosão da luta política, que era marcada pela inclusão da juventude estudantil nesta batalha, de modo que os adolescentes acabaram sendo inseridos a sociedade de forma ativa. Agora, eles participam da realidade enfrentada pelos adultos, incluindo os “prazeres” que eram apenas pertinentes a estes.

A gravidez na adolescência no Brasil tem a sua própria vitalidade e particularidade.

Alguns dados estatísticos elucidam a eficácia das políticas executadas no Brasil. Um deles é a diminuição da taxa de fecundidade entre mulheres em idade reprodutiva, em relação ao crescente aumento de gestação na adolescência, representando assim, uma contraditória transformação. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), estampados no trabalho piloto comprovam tal fato.

Outro dado, e esse sim, de suma importância pela preocupação que gera, é o aumento da fecundidade entre jovens situadas na faixa etária que vai dos 10 aos 14 anos, transformando o Brasil entre os países que mais sofrem o impacto na saúde pública do fenômeno da gravidez na adolescência.

Diante do fato da ocorrência da modificação dos costumes, há em nosso meio social a aceitação do estudo da gravidez alcançada precocemente, agora, moralmente aceita no contexto sócio- histórico de nossa cultura. A desagregação da maternidade com o instituto do casamento, é fruto da associação da adolescência e da liberdade sexual, produto dos dias atuais. Acontece tal fenômeno, pela importância dada a adolescência no século XX.

Atualmente, a educação dada aos filhos incentiva a preparação profissional, fazendo com que o discurso sobre o papel da mulher na sociedade, torne o tema “gravidez na adolescência” inadequado e digno de alarde. Mesmo assim, este fenômeno vem crescendo, tendo suas especificidades entre as várias camadas e classes sociais.

Segundo Nóbrega (1995) a gravidez na adolescência é mais freqüente em camadas desfavorecidas economicamente, fruto da carência da mulher desta classe em ser reconhecida e valorizada por seu grupo social. Geralmente, estas jovens não desejam se casar, ou seja, não desejam reconhecer suas uniões perante a sociedade em que vivem. Normalmente, possuem elas, pouca disponibilidade de tempo e baixa escolaridade, o que as tornam mais vulneráveis para alcançarem sucesso em busca de trabalhos formais não domésticos.

Diferentemente desta camada social, as adolescentes de classe média vivem outra realidade. Apesar de receberem maiores informações sobre contraceptivos, e possuírem um acesso mais abrangente a estes próprios métodos, além de serem incentivadas de forma mais efetiva quanto ao investimento de uma carreira profissional, elas continuam a engravidar, levando esta gravidez a termo.

Prova que a gravidez na adolescência não possui apenas uma camada ou classe social especifica, devendo ser tratada como um fenômeno social abrangente a toda a sociedade.

A gravidez na adolescência, antes um problema exclusivamente familiar, hoje ameaça o futuro do instituto matrimonial, se atentarmos para as condições sócio-econômicas e as conexões determinadas entre os jovens contemporâneos. A grande modificação consiste em como é reconhecida a gravidez pela sociedade, e em que condições ela acontece hoje.

Encontrar-se inesperadamente com uma gravidez na adolescência é ter que assumir uma posição de enfrentamento com toda a sociedade. É para a adolescente, ter que assumir que possui vida sexual ativa, fugindo das condutas delineadas pela sociedade. A passagem das fases naturais de uma mulher é acelerada de forma brutal e violenta, fazendo com que ela viva uma situação conflitiva. Se para a mulher adulta ser mãe é árduo, com certeza, terá mais dificuldades uma adolescente para avocar seu novo papel.

Logo, a gravidez na adolescência deve ser apreciada de forma abrangente, permitindo que possa ser prestada a assistência básica necessária para a família: mãe e pai adolescente, e ao filho.

Quanto aos profissionais qualificados e habilitados, estes devem colocar a disposição todos os seus estratagemas em jogo. Visar controlar de forma responsável o avanço desenfreado da gravidez na adolescência, a fim de alcançar um maior equilíbrio social. Para isso, deve ser feita ações preventivas que tornem este fenômeno social controlável e responsável.

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