ANÁLISES CLÍNICAS

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INTRODUÇÃO

As instalações nas quais se fazem os exames químicos e microscópios do sangue, outros líquidos do organismo e tecidos são chamados de laboratórios clínicos. Estes laboratórios encontram-se inseridos em varias organizações, sejam governamentais sejam privados. O laboratório clinico pode ser grande, oferecendo serviços sofisticados e empregando muitos profissionais habilitados, ou pode ser pequeno,com apenas um empregado.

O laboratório clinico é um local de trabalho dinâmico. Muitas mudanças estão ocorrendo na medida em que os papeis do pessoal do laboratório clinico estão se redefinindo e a tecnologia avança. A necessidade de contenção de custos para prover os serviços de saúde e a promessa de maiores mudanças nos nossos sistemas de fornecimento de serviços de saúde significa que os laboratórios deverão ser flexíveis no ajuste de suas tendências do futuro.

A informação obtida das analises é usada no diagnostico e tratamento das doenças, bem como a manutenção da saúde.

I. TIPOS DE LABORATÓRIO CLÍNICO

Os laboratórios médicos ou clínicos podem ser colocados em dois grandes grupos: laboratórios de hospitais e laboratórios não hospitalares. Ainda que muitas pessoas relacionem o laboratório ao hospital, existem laboratórios em clinicas medicas, centros médicos, consultórios médicos, consultórios veterinários, repartições do governo e em instalações militares.

I a .Laboratórios Hospitalares

Existem laboratórios clínicos em hospitais privados e públicos, alem de hospitais das forças armadas.

O tamanho do laboratório desses hospitais depende basicamente do tamanho do hospital. Um laboratório de um hospital de 100 leitos (pequeno) talvez execute apenas técnicas mais rotineiras. Exames mais complexos ou menos solicitados são enviados a laboratórios e /ou hospitais maiores.

Em um laboratório de tamanho médio (cerca de 300 leitos), exames de rotina alem de alguns testes mais complexos são executados. Somente os testes mais recentes ou com alto grau de complexidade são enviados a laboratórios de referencia!

Muitos laboratórios em grandes hospitais (acima de 300 leitos) manuseiam grande volume de trabalho e executam testes complexos.

I b .Laboratórios não-hospitalares

Laboratórios fora de hospitais podem ser operados pelo governo ou pela iniciativa privada. Eles fornecem muitos serviços e emprego para trabalhadores habilitados. Em 1992, mais de 50% de todos os serviços de laboratório foram obtidos de laboratórios não-hospitalares.

Laboratórios de consultórios médicos : Muitos pequenos laboratórios localizam-se nos consultórios dos médicos que são especialistas, tais como hematologistas e urologistas. Médicos generalistas também podem ter laboratórios nos quais técnicas de rotina, como hematocrito ou urinalise são executados. Laboratórios maiores podem ser associados a clínicas medicas ou a centros médicos. Em anos recentes o uso de equipamentos portáteis, usualmetne localizados em shopping centers, tem-se generalizado. Técnicas comuns de laboratório tais como contagens de sangue, culturas de garganta e testes de urina são feitos nessas instalações. ( nos EUA)

Laboratórios de Referencia : Os laboratorios de referencia geralmente são privados e de escala regional, perfazendo grandes volumes de exames e oferecendo uma ampla variedade de exames. Grandes hospitais normalmente utilizam estes laboratórios primeiramente para fazer testes mais sofisticados e com pouca freqüência de solicitação. Hospitais menores e consultórios médicos usam-no para fazer uma maior gama de exames. Os laboratórios de referencia oferecem serviços de coletas de amostras nos laboratórios conveniados.

Laboratórios do governo(Federal)
Laboratórios do governo ( Estadual)

II .REGULAMENTAÇÃO PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS

Os laboratórios clínicos são regulamentados por leis federais e estaduais. Todos os laboratórios que fazem analises de amostras de material humano, exceto laboratórios de pesquisa, devem ter aprovação do Departamento de Saúde para operarem.

III. DEPARTAMENTOS DO LABORATÓRIO CLÍNICO

O numero de departamentos do laboratório clinico varia. Bioquímica, hematologia, microbiologia, banco de sangue e coleta e processamento de amostras usualmente operam como departamentos, setores ou seções, cada qual tendo seu próprio chefe ou supervisor geral. As subdivisões variam de laboratório para laboratório. Grandes laboratórios podem ter departamentos separados para coagulação, urinalise, sorologia ou parasitologia.

Coleta e processamento de amostras : Muitos laboratórios de hospital tem um departamento separado responsável pela coleta e processamento das amostras para exame. Esse pode ser chamado departamento de flebotomia. Flebotomistas são as pessoas que colhem o sangue. Em muitos laboratórios, parte ou toda responsabilidade por esse serviço é dividida entre os técnicos de laboratório e a enfermagem. Em pequenos laboratórios, as amostras são colhidas diretamente pelo setor responsável pelo exame a ser feito. Em laboratórios maiores são colhidas em uma central de processamento onde as mesmas são processadas, registradas no computador e rotuladas antes de serem encaminhadas para cada setor de exame.

Hematologia : No departamento de hematologia, muitos testes incluem o estudo dos componentes celulares do sangue. Sangue total é usado na maioria dos exames. As técnicas hematológicas podem ser qualitativas ou quantitativas. Os procedimentos quantitativos incluem contagens dos vários componentes do sangue. Por exemplo, o numero de leucócitos, eritrócitos e plaquetas em uma amostra de sangue podem ser determinados. Estas contagens podem ser feitas manualmente ou em aparelhos automatizados. As técnicas qualitativas são aquelas nas quais os vários componentes do sangue são observados por suas qualidades, quais sejam tamanho, forma e maturidade. Usando um microscópio, um funcionário do laboratório pode ver um esfregaço de sangue para determinar os tipos de leucócitos presentes, estimar o tamanho, forma e conteúdo de hemoglobina, ou estimar o numero de plaquetas. A presença de alguma anormalidade será vista durante o exame microscópico do esfregaço sanguineo. Isso pode iniciar a identificação de leucócitos ou hemácias imaturas. O hematrocito, os índices hematimetricos e o conteúdo da hemoglobina são testes comumente realizados para o diagnostico de anemias. Varias empresas fabricam sofisticados aparelhos que são capazes de executar vários procedimentos hematológicos simultaneamente.

Coagulação : Os testes de coagulação podem ser feitos no departamento de hematologia, ou, em grandes laboratórios , a coagulação é um departamento à parte. Os testes de coagulação são feitos para diagnosticar e monitorar pacientes que tenham falhas no mecanismo de coagulação ou que estejam sendo tratados com drogas anticoagulantes.

Urinalise : Assim como a coagulação, a urinalise pode ser um departamento separado em um grande laboratório, ou pode ser uma subdivisão de algum outro departamento, usualmente hematologia ou bioquímica. No departamento de urinalise são feitos exames físicos, químicos e microscópicos das amostras de urina.

Bioquímica : No departamento de bioquímica, os procedimentos são geralmente feitos no soro, que é parte liquida do sangue após ter-se formado coagulo. Os testes também podem ser feitos em plasma, urina e outros fluidos do corpo, como liquor e liquido sinovial! Procedimentos freqüentes realizados na bioquímica incluem dosagens de glicose, colesterol, enzimas hepáticas ou cardíacas e medidas dos eletrólitos ( sódio, potássio, cloretos e bicarbonatos) no sangue. O departamento de bioquímica é o maior em todos os laboratórios e pode ter varias subdivisões. Subdivisões freqüentes podem ser química especial ou toxicologia. Aqui o sangue ou urina do paciente podem ser analisados para descobrir qual droga está envolvida em uma overdose, ou níveis de drogas medicamentosas podem ser monitoradas, ou o nível de hormônios pode ser medido.

Microbiologia : O departamento de microbiologia é responsável pelo crescimento e identificação de microorganismos, usualmente bactérias, isoladas de amostras de pacientes, como sangue, urina, escarro, secreções e outros fluidos do corpo. Após o organismo ter sido cultivado de uma amostra, testes de susceptibilidade consiste na exposição de um organismo vivo a vários antibióticos e observando os efeitos no crescimento do organismo. Isso ajuda a determinar qual antibiótico poderá ser mais efetivo no tratamento de uma infecção. Virologia, o estudo dos vírus, e micologia, o estudo dos fungos, são geralmente uma parte do laboratório de microbiologia.

Banco de sangue : O departamento de banco de sangue também pode ser chamado de serviço de transfusão ou imuno-hematologia. Se uma transfusão é necessária, o grupo ABO e o fator Rh do paciente são determinados pelos técnicos do banco de sangue. Esses testam ainda as unidades de sangue que estão estocadas para determinar quais são compatíveis para transfusão do paciente. O departamento de banco de sangue também é capaz de processar o sangue doado em componentes específicos, tais como concentrado de hemácias e plasma .

Sorologia/Imunologia : Sorologia ou imunologia pode ser uma subdivisão do departamento de banco de sangue ou da microbiologia, caso não seja possível um departamento separado. Soro é a amostra geralmente usada para testes sorológicos, algumas vezes a urina pode ser testada. Na sorologia, as amostras são testadas usando métodos antígeno-anticorpo. Entre os tetes feitos nessa divisão, estão os testes de gravidez, artrite, mononucleose infecciosa, infecção por HIV, hepatite e doenças sexualmente transmissíveis.

IV. COMUNICAÇÕES

É importante ter bons canais de comunicação dentro do laboratório e entre o laboratório e os médicos, outros departamentos dentro do hospital e outros serviços de saúde. Boa comunicação e cooperação entre esses grupos ajuda a assegurar que os pacientes tenham o melhor cuidado possível.

Muita da comunicação entre os laboratórios e serviços de saúde é agora facilitada pelos computadores. É possível hoje requisitar exames, analisar os dados e reportar ao paciente os seus resultados por computador. No entanto, embora a informação do paciente esteja disponível no computador, esta informação é confidencial.

V .O PROFISSIONAL DO LABORATÓRIO CLÍNICO

O que fazem esses profissionais? Eles trabalham como detetives médicos. Eles usam microscópios para observar mudanças nas células. Eles testam o sangue para achar doadores de sangue compatíveis para transfusões. Eles medem substancias como a glicose e o colesterol do sangue. Eles descobrem e identificam organismos causadores de infecções. Eles operam equipamentos complexos. Eles usam padrões e controles para assegurar resultados confiáveis. Eles trabalham sob pressão, com rapidez, precisão e exatidão.

VI .HISTÓRIA DAS ANÁLISES CLÍNICAS

As analises clinicas podem ser rastreadas através de vários séculos. Escritos em papiros de 1000AC já faziam descrição de parasitas intestinais, um precoce exemplo de parasitologia. Nos tempos medievais, médicos hindus faziam urinalises empíricas quando observavam que algumas urinas tinham um sabor adocicado e atraiam formigas. Com a invenção do microscópio e a melhoria no século 17, o estudo de espécimes vivos progrediu da simples observação visual para a observação microscópica.

O primeiro laboratório clinico dos Estados Unidos apareceu recentemente no século 19 e era muito primitivo. Consistia apenas de uma mesa e um microscópio. Eles eram ocupados geralmente por médicos que tinham um interesse especial pela “medicina de laboratório”. No censo dos Estados Unidos de 1900 foram listados apenas cem técnicos de laboratório, todos masculinos.

Após a 1ª Guerra Mundial, os laboratórios cresceram em numero e tamanho. Logo ficou claro que existia a necessidade de educar trabalhadores de laboratório, definir as exigências educacionais e identificar os profissionais treinados. Nos anos de 1930, as exigências educacionais básicas foram estabelecidas e escolas de tecnologia medica treinavam trabalhadores para o laboratório clinico. Exames de certificação foram criados para medir o conhecimento e a habilidade dos trabalhadores.

Desde a 2ªGM, a tecnologia para exames de laboratório tem-se tornado cada vez mais complexa. Os exames de laboratório têm agora um papel essencial na medicina. Trabalhadores especialmente treinados agora formam a maioria da força de trabalho nos laboratórios clínicos. A tecnologia de hoje nos permite um nível de cuidados à saúde apenas imaginados há poucos anos atrás. O campo esta constantemente mudando e se ampliando como resposta às novas tecnologias, novas leis federais e mudanças nas necessidades dos serviços de saúde.

VII. O PROFISSIONAL DE LABORATÓRIO HOJE

Existem hoje milhares de laboratórios clínicos, grandes e pequenos. Alguns laboratórios são altamente sofisticados e oferecem muitos exames complexos. O pessoal desses laboratórios é formado por profissionais altamente qualificados, que executam testes complicados. Eles também podem servir de diretores de laboratório, consultores, professores, supervisores e administradores. Para se tornar um profissional qualificado exigem-se certas características pessoais, a conclusão de um curso especializado e aprovação de um exame nacional.

Varias agências e organizações estão envolvidas na fixação e manutenção de padrões na profissão.

Uma lista de agencias de acreditação de programas educacionais, certificação de pessoal, e organizações profissionais e sociedades que contribuem para o continuado desenvolvimento do profissional de laboratório.

VIII. QUALIDADES PESSOAIS DESEJÁVEIS NOS PROFISSIONAIS DE LABORATÓRIO

Dedicação, cooperação, asseio e uma atitude de atenção são algumas das qualidades essenciais no profissional de serviços de saúde. Alem dessas, existem algumas características especiais das pessoas que trabalham em laboratórios clínicos.

Para progredir na profissão, a pessoa deve ter vigor físico, boa visão, visão normal de cores, destreza manual, inteligência e uma aptidão para ciências biológicas. É necessário formação na área de Farmácia , Bioquímica, Biomedicina ou Medico Patologista. Ou, curso técnico.

Hoje em dia, está em discussão a possibilidade de biólogos também atuarem em laboratórios de analises , porem , ainda esta em aberto. O CRF não esta admitindo essa possibilidade, pois na graduação, os biólogos não têm uma grade de matérias que sustente a idéia.

Os trabalhadores nessa área, devem ser observadores, motivados, habilitados a fazer cálculos e medições exatas e precisas e devem ter censo de organização.

IX .REQUISITOS EDUCACIONAIS…

Os dois níveis de profissionais mais comumente encontrados no laboratório são:

Tecnologista medico ou cientista de laboratório clinico : Possui o grau de bacharelado e completou um treinamento de um programa de tecnologia medica acreditado. No Brasil, os profissionais pedidos são : Farmacêuticos Bioquímicos, Médicos Patologistas Clínicos e Biomédicos.

Técnico de Laboratório: Normalmente possui um certificado de um programa de treinamento de técnicos de laboratório. No Brasil, técnico de laboratório, normalmente de curso técnicos de escolas técnicas.

Áreas de Especialização : Há a opção de especialização em uma área de trabalho do laboratório como microbiologia, hematologia ou banco de sangue.

X . SEGURANÇA

Segurança é um tópico que deve estar em primeiro lugar nos pensamentos e ações de todos os fornecedores de serviços de saúde, tanto empregados como empregadores. O objetivo dos trabalhadores de saúde deve ser qualidade no fornecimento de cuidados ao paciente em um ambiente que seja seguro para ambos, trabalhador e paciente. Segurança não só se tornou uma função humanitária, mas uma necessidade legal. Um incremento na ênfase da segurança nos serviços de saúde foi provocado pela síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS).

XI. PERIGOS FÍSICOS

Perigos ou riscos físicos estão presentes em todo e qualquer aparelho que se possa pensar ou no seu entorno. Equipamento elétrico,chama aberta, instrumentos de laboratório e vidraria, todos podem ser perigosos se usados inadequadamente.

FOGO: Perigo potencial no local de trabalho. Infelizmente, incêndio não é incomum, todavia, a maioria dos incêndios são pequenos.Muitos incêndios ocorrem na seção de bioquímica ou onde chamas abertas, como em Bico de Bussen, estão sendo usadas. Produtos inflamáveis devem ser guardados em armários a prova de fogo, longe de fontes de calor e em uma área bem ventilada. Quando chamas abertas estão sendo usadas, cuidados devem ser tomados para evitar que roupas esvoaçantes ou cabelos longos não fiquem ao alcance do fogo. Extintores de incêndio do tipo adequado devem estar facilmente disponíveis.Um cobertor de incêndio deve estar acessível no caso de roupas pegarem fogo.

Treinamentos simulados de incêndio devem ser realizados freqüentemente. Os trabalhadores do laboratório devem conhecer o caminho de saída e os procedimentos a tomar caso esta saída esteja bloqueada. Todos os trabalhadores devem saber a localização dos extintores e como usa-los .Os extintores devem ser inspecionados regulamente a data de inspeção deve ser anotada.

XI a .Equipamento de Laboratório

O equipamento de laboratório só deve ser usado conforme o manual de instruções de uso do fabricante. Qualquer instrumento de partes móveis, como uma centrifuga, deve ser manuseado com cuidado. A tampa da centrifuga deve ser trancada antes de ligar a centrifuga. Quando a centrifuga for desligada, a tampa só deve ser aberta quando o rotor estiver completamente parado.

Autoclaves que usam vapor sob pressão para estilizar instrumentos cirúrgicos ,vidraria e outros materiais podem apresentar riscos especiais. As instruções do fabricante devem ser seguidas cuidadosamente para evitar explosões e queimaduras. Luvas de amianto devem ser usadas para remover as peças quentes do autoclave.

XI b.Vidraria

A vidraria é um item de rotina na maioria dos laboratórios,mas pode causar ferimentos. Somente vidraria isenta de estilhaçamento e de liberação de lascas deve ser usada.

Vidraria quebrada está fragilizada e pode quebrar, resultando em ferimentos para o usuário.Os vidros quebrados devem ser recolhidos do chão com uma escova e um pano de limpeza, nunca com as mãos nuas. A vidraria não deve ser descartada no lixo comum, mas em caixas de papelão rígido ou recipientes plásticos especialmente feitos para isso. Sempre que possível, os frascos de vidro devem ser substituídos por materiais plásticos.

XII.PERIGOS QUÍMICOS

Substancias químicas podem apresentar uma variedade de riscos. Os produtos químicos podem ser inflamáveis, tóxicos, cáusticos, carcinogênicos ou mutagêncios. Ocasionalmente, o laboratório usa metodologias de radioisótopos, que apresentam o risco de exposição potencial de radioatividade. As substancias químicas devem ser rotuladas com informações dos riscos possíveis. A lei agora exige dos fabricantes que sejam colocados rótulos de riscos químicos nos frascos e sejam fornecidos MSDS ( fichas de dados de segurança dos materiais) para cada produto químico potencialmente perigoso. Esta informação descreve o perigo do produto, relata qual o equipamento de proteção, tal como luva ou óculos, é exigido para sua manipulação e que órgãos do corpo podem ser afetados negativamente após exposição a produtos químicos. Informação adicional pode ser incluída para primeiros socorros e posterior tratamento medico. O MSDS deve ser guardado nos arquivos do laboratório onde qualquer empregado tenha acesso.

XIII. PERIGOS BIOLÓGICOS

Em 6 de dezembro de 1991, a OSHA publicou a versão final do Padrão de Patogenos transmitidos pelo Sangue, que entrou em vigor em 6 de março de 1992.

O Padrão de PTS destaca os requisitos de proteção aos trabalhadores que têm exposição potencial a sangue humano ou outros materiais potencialmente infecciosos. O padrão cobre todos os trabalhadores em instituições de saúde entre outros.

È necessário que os trabalhadores tomem cautelas como na hora de manipular materiais contaminados.

XV .HABILITAÇÃO FARMACÊUTICO BIOQUÍMICO ANALISTA CLÍNICO

Esta habilitação dota o discente de capacidade para orientar, supervisionar, executar e responsabilizar-se pelas análises clínicas de materiais biológicos, controlando a qualidade destas análises auxiliando no diagnóstico clínico, prevenção e recuperação da saúde, e na avaliação da eficácia do tratamento, além de desenvolver pesquisas nas áreas de conhecimento, aperfeiçoamento e/ou criando novas técnicas de análises. Para tais finalidades deverá:

– Executar técnicas específicas e controlar a qualidade dos seguintes exames :

Parasitológicos
Bioquímicos
Hematológicos
Microbiológicos
Imunológicos
Citológicos
Toxicológicos
Radioclínicos
– Interpretar o fundamento das técnicas e resultados dos exames realizados;

– Desenvolver pesquisas para montagem e/ou obtenção de novos métodos de análises e investigações de problemas relacionados com a saúde.

Para a obtenção do grau de Farmacêutico Bioquímico Analista Clínico, o aluno deverá perfazer um total de 285 (duzentos e oitenta e cinco) créditos equivalentes a 4.995 (quatro mil, novecentos e noventa e cinco) horas de carga horária efetiva, integralizada no mínimo em 5,5 (cinco e meio) anos e no máximo em 6 (seis) anos.

ENTREVISTA COM UMA FARMACÊUTICA BIOQUÍMICA

1)Que características considera que deve reunir um Analista Clinico?

Tem de ser rigoroso. Exige-se que seja rigoroso nas marcações, no trabalho, na calibração dos aparelhos. Não podem existir produtos sem rótulo, tudo tem de estar identificado. Em relação às colheitas de sangue, cada doente é identificado .É importante que seja muito cauteloso na manipulação do material, pois é perigoso o risco de contaminação.

2) Qual formação é exigida para essa área?

É necessário que tenha graduação em Farmácia Bioquímica ou Biomedicina, em alguns laboratórios , eles admitem biólogos, porém, isso se encontra em discussão , por causa das matérias tidas na faculdade e uma pós-graduação na área de Análises Clínicas!

3)A atualização constante, é necessária nessa área?

Como em todas as outras , sim. Já que, se você não se atualizar , ficara fora do mercado de trabalho, pois a cada dia há inovação, novos equipamentos e doenças.

4)Como você descreve a função geral de um analista?

Responsável pela colheita do material para exame, como por exemplo, o sangue e analisa-o, checa se as propriedades estão regulares , faz as medições de componentes, entre outros.

5) Como é seu dia de trabalho?

De manhã faço colheitas e a tarde, faço as análises das amostras.

6) Existe flexibilidade de horário nesta área?

Depende. Nós, por exemplo, temos sempre muito trabalho de manhã, porque 90% das pessoas que atendemos são pessoas que trabalham. Portanto, há que ser pontual porque elas dependem de nós e estão à espera para depois irem trabalhar. Na parte da tarde, há maior flexibilidade, o importante é que o trabalho seja concluído, portanto, assim que terminamos as análises, fica mais sossegado.

7) É uma área rotineira?

Sim, de uma forma geral existe rotina. Há uma distribuição por seção, de hematologia, que é a que eu trabalho, tem a de bacteriologia, bioquímica e microbiologia. A mais dinâmica, é a minha área, já que trabalhamos diretamente com as pessoas, na colheita.

8) O trabalho em equipe, é importante para o pleno exercício?

É sim, pois há uma divisão do trabalho.

9) Como caracteriza o mercado de trabalho?

Um pouco difícil, já que, a maioria dos analistas possuem mais de um emprego, eu por exemplo, trabalho das 7:00 às 15:00 aqui no laboratório e às 17:00, inicio num hospital privado . Isso, querendo ou não, acaba atrapalhando quem está começando agora, porém, a remuneração não é das melhores e para se manter , isso é necessário .

10) Qual o principal conselho que gostaria de dar a um estudante que pensa em seguir esta área?

Tem que ter muita força de vontade, como em qualquer área, é necessário paciência . Ao decorrer do curso, as pessoas passam a ter afinidades com determinadas matérias e isso as levam para a área de trabalho que realmente se darão bem!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Walters, Norma J. and all.Laboratório Clinico Técnicas Básicas. 3ª edição. Porto Alegre: Artmed, 1998.

www.farmacia.ccs.ufrn.br/grade1.htm

ANÁLISE DE FEZES

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1. INTRODUÇÃO

A análise de fezes é utilizada para pesquisa de elementos anormais. A análise de fezes corresponde à avaliação de uma amostra do conteúdo fecal para pesquisa de elementos anormais, nomeadamente agentes infecciosos (que podem provocar doenças intestinais como diarréias) ou sangue oculto (não identificável à vista desarmada).

A análise de fezes serve para identificar elementos que habitualmente não fazem parte do conteúdo fecal, como as Enterobactérias ou Entéricos; dessa família, Enterobacteriaceae, também fazem parte um grupo de bactérias que habitam o trato intestinal do homem e do animal. As enterobactérias são bacilos Gram – negativo (-), com muitas propriedades em comum.

Algumas espécies são residentes, outras são encontradas em somente uma fração da população, já outras ainda estão presentes somente como agentes de doenças. As enterobactérias podem ser distinguidas entre si por um antígeno presente nas suas superfícies, ou seja, por sorologia.

Eles incluem espécies móveis e imóveis, onde as espécies móveis possuem flagelo peritríquio. Muitas espécies entéricas possuem fímbrias que auxiliam na aderência às superfícies de membranas mucosas.

As enterobacterias produzem proteínas denominadas bacteriocinas, que causam a lise de espécies intimamente relacionadas. As bacteriocinas provavelmente devem auxiliar na manutenção do balanço ecológico de vários entéricos no intestino.

Entre os gêneros importantes incluídos como enterobacterias estão: Escherichia coli, Salmonella, Shigella, Klebsiella, Serratia, Proteus, Yersinia, Erwinia e Enterobacter.

Escherichia: sendo uma bactéria facultativa é um dos habitantes mais comuns do trato intestinal. Sua presença na água e nos alimentos é um indicador de contaminação fecal. Não é normalmente considerada uma patologia. E. coli é a principal causadora de diarréia do viajante.

Salmonella: os membros seus gêneros são potencialmente patogênicos. São habitantes do trato intestinal de vários animais, principalmente galinha e bovinos e em condições sanitárias precárias podem contaminar alimentos. A Salmonella typhi cauda a febre tifóide. Esse gênero causa também a salmonelose que é uma doença mais causada por infecções de origem alimentar.

Shigella: são responsáveis pela disenteria bacilar ou shigelose, elas são encontradas somente em humanos. Ela também causa a diarréia do viajante e ainda algumas linhagens podem causar diarréias mortais.

Klebsiella: as linhagens resistentes a antibióticos são uma causa cada vez maior de infecção hospitalar, também causa uma forma de pneumonia em pessoas debilitadas.

Serratia: diferencia-se pela produção de um pigmento vermelho. Ela causa infecção do trato urinário e respiratório.

Proteus: são organismos ativamente móveis e estão relacionados a infecções do trato urinário, feridas e diarréias infantis.

Yersinia: Ratos e esquilos transportam esta bactéria que causa a peste, Morte Negra da Europa Medieval.

Erwinia: são principalmente patogênos de plantas e algumas causam a doença do cancro.

Enterobacter: elas estão amplamente distribuídas em humanos e animais, e duas de suas espécies podem causar infecções do trato urinário e infecções hospitalares.

A única preparação especial necessária está na forma como é colhida a amostra de fezes para evitar a sua contaminação.

Assim a análise de fezes é um exame simples de realizar e que pode por vezes ser a chave para certos diagnósticos.

2. OBJETIVOS

Determinar o número de colônias diferentes na placa;
Determinar o total de bactérias por grama de fezes.

3. MATERIAIS E REAGENTES

Palito
Becker
0,5g de fezes
Água
Pipetadeira automática
Espátula
Tubos de ensaio
Estante para tubos
Agitador de tubos
Micropipeta
Placas contendo meio Maconkey
Alça de Drigoski
Incubadora

4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

Com o auxílio de um palito colocar 0,5g de fezes em um Becker;
Adicionar 9,5mL de água com o auxílio de uma pipetadeira automática;
Dissolver;
Misturar o conteúdo com o auxílio de uma espátula até ficar bem homogêneo, para evitar posterior erro na contagem das bactérias;
Transferir o conteúdo para um tubo de ensaio;
Agitar com o auxílio de um agitador de tubos;
Transferir 1mL do conteúdo imediatamente para outro tubo de ensaio (tubo 1), para evitar decantação, com o auxílio de uma micropipeta (diluições seriadas);
Adicionar 9mL de água (diluição 10-1);
Homogeneizar com o auxílio de agitador de tubos;
Transferir 1mL do tubo 1 para outro tubo de ensaio (tubo 2);
Adicionar 9mL de água (diluição 10-2);
Após cada diluição homogeneizar com o auxílio de agitador de tubos;
Transferir 1mL do tubo 2 para outro tubo de ensaio (tubo 3);
Adicionar 9mL de água (diluição 10-3);
Homogeneizar;
Transferir 1mL do tubo 3 para outro tubo de ensaio (tubo 4);
Adicionar 9mL de água (diluição 10-4);
Homogeneizar;
Transferir 1mL do conteúdo dos tubos (4), cada um para uma placa contendo o meio Maconkey, com o auxílio de uma pipetadeira automática;
Plaquear com o auxílio da alça de Drigoski;
Encubar a 37ºC por 24-48 horas;
Observar os resultados.

5. RESULTADOS

Após o período de 48 horas, realizou-se a contagem das colônias, de três placas de diluição 10-4.
Para realizar a contagem, a placa é dividida em 4 partes, sendo que apenas ¼ da placa é contado, e o resultado obtido multiplicado por 4.
Os valores obtidos pela contagem foram 544, 580 e 672 colônias de bactérias (média = 598,66).
O número de bactérias determinado por grama de fezes é de 119.732.000 bactérias.
0,05g — 598,66 x 104

1g — x
x = 119.732.000 bactérias

6. CONCLUSÃO

A análise de fezes corresponde à avaliação de uma amostra do conteúdo fecal para pesquisa de elementos anormais, nomeadamente agentes infecciosos (que podem provocar doenças intestinais como diarréias) ou sangue oculto (não identificável à vista desarmada). No experimento realizado, fez-se a contagem de três placas de diluição 10-4 Os valores obtidos na contagem de colônias foram: 544, 580 e 672; e o número de bactérias determinadas por grama de fezes foi 119.732.000.

Assim a análise de fezes é um exame simples de realizar e que pode por vezes ser a chave para certos diagnósticos.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

TORTORA, Gerald J.; FUNKE, Berdell R.; CASE, Christine L. 6.ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

ANÁLISE DA ÁGUA

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1. INTRODUÇÃO

Historicamente, a maioria das nossas preocupações sobre a pureza das águas tem sido relacionada com a transmissão de doenças. Portanto, foram desenvolvidos testes para determinar a segurança das águas, muitos destes testes também são aplicáveis em alimentos.

Entretanto, não é prático procurar somente patógenos nos abastecimentos de água. Por outro lado, se encontramos o patógeno causador do tifo ou da cólera, por exemplo, no sistema de águas, a descoberta já será tarde para prevenir um surto da doença. Além disso, estes patógenos só estão presentes em pequenas quantidades e provavelmente não estariam incluídos nas amostras testadas.

Os testes para pureza de água utilizados atualmente, visam detectar organismos indicadores em particular. Existem vários critérios para um organismo indicador, o mais importante é que o organismo esteja consistentemente presente em números substanciais nas fezes humanas, de forma que sua detecção seja uma boa indicação que resíduos humanos estão sendo introduzidos na água. O organismo indicador também deve viver na água pelo menos tão bem quanto os patógenos. Os organismos indicadores devem ser detectáveis através de testes simples que podem ser executados por pessoas com pouco treino em Microbiologia.

Nos Estados Unidos, os organismos indicadores usuais são as bactérias coliformes. Coliformes são definidos como bastonetes gram – negativos aeróbios ou anaeróbicos facultativos, não formadores de endósporos, que fermentam lactose com produção de gás em 48 horas de incubação caldo lactosado a 35ºC. Como alguns coliformes não são enterobactérias, mas sim bactérias comumente encontradas em amostras de plantas e solo, muitos padrões para alimentos e água especificam a identificação de coliformes fecais. O coliforme fecal predominante é a E. coli, que constitui uma grande proporção da população bacteriana intestinal humana. Existem três testes especializados para distinguir entre coliformes fecais e não fecais. Em condições normais os coliformes não são por si só patogênicos, embora algumas linhagens possam causar diarréia e infecções urinárias oportunistas.

Os métodos mais comuns para determinar a presença de coliformes na água são baseados na habilidade das bactérias coliformes em fermentares lactose. O método dos tubos múltiplos pode ser realizado para estimar o número de coliformes pelo método do número mais provável (MNP). O método de filtração em membrana é um método mais direto na determinação da presença e número de coliformes.

Um método mais conveniente na detecção de coliformes, especialmente da E. coli, utiliza um meio de cultura que contém dois substratos o–nitrofenil-B–D–galactopiranosídeo (ONPG) e 4-metilumbeliferil-B-D-glucuronide (MUG). Os coliformes produzem a enzima B-galactosidade que atua sobre o ONPG e forma uma coloração amarela, indicando sua presença na amostra. E. coli é a única entre os coliformes que sempre produz a enzima B-glicoronidase, que atua sobre o MUG para formar um composto fluorescente que possui um brilho azul quando iluminado com luz ultravioleta de comprimento de onda longo. Estes testes simples, ou variações, podem detectar a presença ou ausência de coliformes ou de E. coli, e serem combinados com o método dos tubos múltiplos para enumerá – los. Também podem ser aplicados meios sólidos, como no método de filtração em membrana. As colônias fluorescem sob luz ultravioleta.

Os coliformes têm sido organismos indicadores muito úteis na sanitização de águas, porém apresentam algumas limitações. Um dos problemas é o crescimento da bactéria coliforme embebida em camadas de lodo biológico nas superfícies internas dos canos de água. Estes coliformes não apresentam contaminação fecal externa da água e não são considerados um perigo para a saúde pública. Padrões responsáveis pela presença de coliformes em água de consumo pedem que qualquer água positiva seja informada e ocasionalmente, estes coliformes nativos têm sido detectados. Isto levou a fervura de água desnecessária por parte da comunidade.

Um problema mais sério é que alguns patógenos são mais resistentes a desinfetantes do que coliformes, em ordem crescente de resistência à cloração, estão os vírus e os cistos de protozoários. Utilizando – se métodos mais sofisticados para a determinação de vírus, encontrou – se que amostras de água quimicamente desinfetadas, livres de coliformes, muitas vezes estão contaminadas com vírus entéricos. Os cistos de Giárdia lamblia e Cryptosporidium são tão resistentes a cloração, que sua eliminação por estes métodos é praticamente impossível, neste caso são necessários métodos mecânicos como a filtração.

2. MATERIAIS E REAGENTES

Meio de cultura LST
Meio de cultura Caldo Verde Brilhante
Amostras de água
Micropipeta com ponteira estéril
Tubos de ensaio com tampa
Estante para tubos
Bico de Bunsen
Incubadora

3. OBJETIVO GERAL

Detectar a presença de coliformes fecais e/ou totais, através de análise realizada em amostras de água (poços, torneira e bebedouro).

4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

Separar três tubos de ensaio contendo o meio de cultura LST (meio seletivo que detecta a presença de coliformes fecais e totais pela formação de gases e turvação da amostra – a formação de gases é detectada por um pequeno “tubo” contido dentro do meio de cultura) e três tubos de ensaio contendo o meio de cultura Caldo Verde Brilhante (meio mais seletivo que detecta exclusivamente a presença de coliformes fecais pela turvação da amostra de água). A análise tem de ser triplicada para obter-se um resultado confiável.
Adicionar 1mL da amostra de água a ser analisada em cada tubo de ensaio (seis no total), contendo os meios de cultura, com o auxílio de uma micropipeta com ponteira estéril. A abertura dos tubos contendo os meios de cultura e a inserção da amostra de água nos mesmos devem ser feitos próximos de uma chama para evitar a contaminação com o ar externo.
Incubar por um período de 24 a 48h.
Observar os resultados.

5. RESULTADOS

6. CONCLUSÃO
Conclui-se a partir do presente trabalho que as bactérias do grupo coliformes são consideradas os principais indicadores de contaminação fecal; coliformes fecais são bactérias patogênicas e sua presença na água não representa por si só, um perigo à saúde, mas indica a possível presença de outros organismos causadores de problemas à saúde. No estudo realizado, ocorreu presença de coliformes fecais e totais nos poços comum e artesiano, sendo, de certo modo, inviáveis para uso.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

TORTORA, Gerald J.; FUNKE, Berdell R.; CASE, Christine L. 6.ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

A PRODUÇÃO DE ANTIBIÓTICOS

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1.1 – Introdução

Alexander Fleming, bacteriologista, publicou em 1929, em Londres,um trabalho relatando as propriedades estudadas em meios de culturas de -Staphylococcus aureus-, contaminadas por um fungo existente no ar, pertencente ao gênero -Penicillium notatun- inibindo o crescimento. A substância produzida pelo fungo, depois de isolado, foi denominado de penicilina reconhecida por Fleming, como de possível utilização nos tratamentos das infecções, descoberta esta, que não foi de imediato valorizada na sua extensão terapêutica, permanecendo como uma curiosidade. Em 1939 foi descoberta a tirotricina por Dubos, obtida a partir de -Bacillus brevis-, isolados do solo, entretanto esta substância mostrou-se ser extremamente tóxica em uso sistêmico.

Os novos métodos, naturais e artificiais, para obtenção de medicamentos como atividade antimicrobiana, somados ao aperfeiçoamento dos processos antigos, tornam necessária a revisão do conceito primitivo de antibiótico,algumas destas substâncias puderam ser sintetizadas; verificou-se que outras possuíam ação antiblástica, passou-se também a utilizá-las com finalidades industriais, em conservação de alimentos e em desinfecção, em indústrias de fermentação, seu emprego nos meios de cultura, impedindo a contaminação bacteriana, permitindo progressos a virologia.

Os antibióticos eram inicialmente obtidos somente a partir de determinados microrganismos e em seguida de vegetais superiores. Posteriormente, com o conhecimento da sua estrutura química, alguns passaram a ser sintetizados em laboratórios, enquanto, outros foram obtidos derivados semi-sintéticos que podem apresentar propriedades diferentes da substância inicial.

Durante a Segunda Guerra Mundial a demanda de quimioterápicos para tratar as infecções de feridas levou ao desenvolvimento de um processo de produção de penicilina e ao início da era dos antibióticos. Esta continua sendo na atualidade a área mais importante na investigação da microbiologia industrial.

Em 1961 eram conhecidos 513 antibióticos, 4076 em 1972, 7650 em 1985 e atualmente ao redor de 8.000. Além disso, tem sido detectadas em liquens, algas, animais superiores e plantas, em torno de 3.000 substâncias com atividade antibiótica.

Do grande número de antibióticos conhecidos de origem microbiana, somente 123 são produzidos atualmente por fermentação. Além disso, mais de 50 antibióticos são produzidos como compostos semi-sintéticos e três antibióticos: o cloranfenicol, a fosfomicina e a pirrolnitrina produzem-se de forma completamente sintética.

A produção de antibióticos poderia ter significado ecológico para a vida do microrganismo na natureza, mas existem poucas pesquisas sólidas que sustentam esta hipótese.

1.2 – Grupos microbianos que produzem antibióticos

Os antibióticos são produzidos por bactérias, actinomicetos e fungos.

Entre os fungos, somente os antibióticos produzidos por Aspergillaceae e Moniliales são de importância prática. Os compostos isolados a partir de basidiomicetos não têm uso prático.

Entre as bactérias, existem muitos grupos taxonômicos que produzem antibióticos. Maior variedade em estrutura e número de antibióticos é encontrada nos actinomicetos, especialmente no gênero Streptomyces. Outro importante grupo de substâncias são os antibióticos peptídicos, produzidos por bactérias do gênero Bacillus.

1.3 – Classificação dos antibióticos

Os antibióticos podem ser classificados de acordo com seu espectro antimicrobiano, mecanismos de ação, cepa produtora, forma de biossíntese ou estrutura química.

1.4 – Aplicações dos antibióticos

Os antibióticos são usados principalmente como agentes terapêuticos nas infecções causadas por microrganismos sensíveis a eles. A maior parte dos antibióticos são fabricados como agentes antimicrobianos para quimioterapia.

Antibióticos antitumorais: estes antibióticos são utilizados clinicamente como agentes citostáticos. Geralmente são tóxicos, mas com um cuidadoso controle das doses alguns destes antibióticos são eficazes no tratamento de certos tipos de tumores.

Atualmente são desenvolvidos antibióticos de uso exclusivo em plantas.

Os antibióticos são usados também em alimentos. Utilizam-se os seguintes compostos: pimaricina, um fungicida aplicado à superfície dos alimentos; tilosina (eficaz contra os esporos de Bacillus) e nisina (eficaz contra clostrídios), ambos utilizados na indústria de conservas.

Antibióticos são utilizados também como estimuladores do crescimento animal e na medicina veterinária: as rações animais são processadas mais eficientemente no sistema digestivo do animal, se utilizado como aditivo um antibiótico em concentrações subterapêuticas (1-10mg/kg peso). Inicialmente adicionavam-se às rações grandes quantidades de antibióticos úteis terapeuticamente (como penicilinas, tetraciclinas, eritromicinas, bacitracina ou estreptomicina). Devido ao uso extensivo dos antibióticos comuns, aumenta o risco do desenvolvimento rápido de resistência aos antibióticos.

Antibióticos como ferramentas na bioquímica e na biologia molecular: o uso dos antibióticos como inibidores seletivos tem dado uma contribuição vital ao entendimento de certas funções celulares, como a replicação do DNA, a transcrição, a tradução e a síntese da parede celular.

1.5 – Importância econômica dos antibióticos

A produção mundial de antibióticos está por volta das 100.000 toneladas por ano e as vendas brutas estimadas para 1980 foram de US 4,2 bilhões. As vendas brutas anuais, só nos EUA, são de US$ 1 bilhão, com a cefalosporina em primeiro lugar; seguida da ampicilina e as tetraciclinas.

1.6 – Objetivos das investigações sobre antibióticos

Antes de 1960 aproximadamente 5% dos antibióticos isolados eram úteis terapeuticamente. Nos anos seguintes foram descobertos novos antibióticos a uma velocidade aproximadamente constante, porém o percentual dos novos antibióticos que realmente chegam ao mercado diminuiu de 2,6% em 1961-1965 para 1% em 1966-1971. Isso se deve primeiramente a um grande aumento nos custos do desenvolvimento e das provas clínicas.

Em muitos casos as propriedades dos antibióticos naturais não são ótimas para a aplicação terapêutica. São necessárias as seguintes melhorias: maior atividade com igual ou menor toxidade, menores efeitos colaterais, faixa antimicrobiana mais ampla, maior seletividade contra certos patógenos, melhores propriedades farmacológicas.

Não existem antibióticos adequados disponíveis em muitos campos da medicina humana e em áreas não médicas.

Desde o ínicio da quimioterapia, o número de cepas resistentes tem aumentado. O uso indiscriminado dos antibióticos tem sido responsável em grande parte pelo aumento da resistência. Atualmente a única alternativa para superar o problema de resistência é a descoberta de novos antibióticos.

1.2 – ANTIBIÓTICOS – LACTÂMICOS

Os antibióticos -lactâmicos podem se dividir em cinco classes diferentes. As penicilinas e cefalosporinas pertencem aos mais eficazes de todos os agentes terapêuticos para o controle das enfermidades infecciosas. Nos últimos anos têm sido desenvolvidos sistemas de anéis -lactâmicos completamente novos, utilizando métodos modernos e específicos de procura.

1.2.1 – Produção de penicilina

A primeira aplicação clínica da penicilina se realizou em 1941. As penicilinas são produzidas por muitos fungos, particularmente espécies de Penicillium e Apergillus. As penicilinas naturais são eficazes contra numerosas bactérias gram-positivas.

Os antibióticos -lactâmicos são inibidores específicos da síntese da parede celular bacteriana (peptidoglicano). Um ponto adicional de ataque dos antibióticos -lactâmicos parece envolver a síntese de fosfolipídios.

1.2.1.1 – Estrutura química

A estrutura básica das penicilinas é o ácido 6-aminopenicilânico (6-APA), que consiste em um anel tiazolidínico com um anel -lactâmico condensado.

Se a fermentação da penicilina é conduzida sem a adição de precursores da cadeia lateral, produzem-se as penicilinas naturais. A partir dessa mistura somente a benzil-penicilina é útil terapeuticamente. A fermentação pode ser melhor controlada, adicionando um precursor da cadeia lateral, de forma que produza somente uma penicilina desejada. Nos processos comerciais, somente a penicilina G e a penicilina V têm sido produzidas.

Para se produzir penicilinas semi-sintéticas a penicilina G é hidrolisada química ou enzimaticamente para formar 6-APA, que é reciclado quimicamente para produzir outro derivado da penicilina.

Aproximadamente 38% das penicilinas produzidas comercialmente são utilizadas em medicina humana, 12% em medicina veterinária e 43% como matéria-prima para a produção de penicilinas semi-sintéticas. No ínicio dos anos 80 a produção mundial de penicilinas era 12.000 toneladas, uma quantidade grande se considerarmos a grande atividade destes agentes.

1.2.1.2 – Biossíntese e regulação

Conhecem-se vários mecanismos regulatórios da biossíntese da penicilina. A lisina é sintetizada a partir da via que origina o ácido L–aminoadípico, de forma que a penicilina e a lisina compartilham uma via biossintética ramificada comum. A lisina inibe a síntese de penicilina, porque é um retroinibidor da homocitrato-sintase, uma enzima envolvida na síntese de -AAA. Se o L-AAA é deficiente, não pode sintetizar penicilina. Portanto, a retrorregulação por lisina não parece ser uma etapa limitante na biossíntese de penicilina. Por conseguinte, as fermentações originais de penicilina foram conduzidas somente com lactose, que é metabolizada lentamente.

1.2.1.3 – Desenvolvimento de cepas

A produção de penicilina pela cepa isolada por Fleming era de aproximadamente 2 unidades internacionais / ml; os processos atuais produzem um título de penicilina de aproximadamente 85.000 unidades / ml. É um aumento de 0,0012 g/L até aproximadamente 50 g/L, e ilustra bem o valor e o poder de um programa de seleção de cepas.

Os aumentos de rendimento têm sido o objetivo principal do desenvolvimento das cepas, porém outros fatores que têm um efeito sobre a fermentação e a eficiência de recuperação do produto também foram otimizados. No início da década de 70 a melhoria de cepas pelo mero uso da mutação havia alcançado seu limite.

A maior porcentagem de cepas com produção elevada de penicilina o produziram a partir dos haplóides segregados dos cruzamentos entre mutantes de diferentes linhagens.

O uso da tecnologia do DNA recombinante para aumentar a formação de enzimas que sejam passos limitantes, mediante a amplificação gênica ou melhora da transcrição, não tem sido todavia possível em P.chrysogenum, devido à ausência de dados biossintéticos precisos e à ausência de bons sistemas vetor-hóspede. Portanto, tem-se construído um banco de genes para P.chrysogenum e desenvolvido um sistema de transformação.

1.2.1.4 – Métodos de produção

A penicilina G e a penicilina V são produzidas utilizando processos submersos em fermentadores de 40.000-200.000 litros. Devido às dificuldades de aeração não podem ser empregados tanques maiores. Alguns fabricantes utilizam fermentadores Waldhof ou fermentadores aeroelevados, porém isto é somente possível em mutantes que geram baixa viscosidade. A faixa de temperatura ótima é de 25-27ºC.

Depois de várias etapas de crescimento está preparado o cultivo de produção.

Na fermentação típica de penicilina há uma fase de crescimento de aproximadamente 40 horas, com um tempo de duplicação de 6 horas, durante o qual se forma a maior parte da massa celular.

Alimentando o meio com diferentes componentes, a fase de produção pode estender-se até 120-160 h.

Os processos com alimentação de glicose ou melaço também têm tido sucesso. Aproximadamente 65% da fonte de carbono metabolizada é utilizada para os gastos energéticos, 25% para crescimento e somente 10% para a produção de penicilina. Quando se considera que 50% dos custos de produção derivam dos componentes do meio, é obvio que o controle do metabolismo do carbono oferece um importante ponto de partida para a otimização adicional do processo de produção. Têm sido descritos aumentos de rendimento de 25% adicionando glicose e ácido acético.

A tentativa da produção de penicilina por fermentação contínua, porém, tem sido difícil devido à instabilidade das cepas de produção. Como alternativa foi sugerido um sistema de <>. Nesse processo, 20-40% do conteúdo da fermentação é retirado e alimentado novamente com solução fresca de nutrientes; este processo pode ser repetido até dez vezes sem a redução do rendimento.

O uso de técnica de células imobilizadas tem sido proposto para a produção de penicilina, embora esta técnica ainda não está sendo utilizada em escala industrial.

A penicilina é excretada no meio de cultivo e menos de 1% permanece unida ao micélio.

1.2.2 – Produção de cefalosporinas

As cefalosporinas são antibióticos -lactâmicos, que contêm um anel dihidrotiazínico com ácido D- aminoadípico como metade acila .A cefalosporina C foi descoberta em filtrados de cultivos de Cephalosporium acremonium em 1953. Antibióticos cefalosporânicos são também produzidos por outros fungos, como Emericellopsis e Paecilomyces.

As cefalosporinas são avaliadas não só devido à sua baixa toxidade, mas também devido ao fato de que são antibióticos de amplo espectro, comparáveis em ação à ampicilina.

As cefalosporinas, com uma participação de 29% no mercado dos antibióticos, são o grupo concreto mais importante de antibióticos. Treze cefalosporinas semi-sintéticas terapeuticamente importantes são produzidas comercialmente. As cefalosporinas são economicamente tão importantes como as penicilinas.

1.2.2.1 – Biossíntese e regulação

Como no caso da benzil-penicilina, as primeiras etapas da biossíntese de cefalosporina (Fig. 5.8) provêm de -(-aminoadipil)-L cisteinil-D-valina a isopenicilina-N. Na etapa seguinte forma penicilina N por transformação da cadeia lateral de L–AAA na forma D, pela ação de uma racemase muito lábil. Depois da expansão do anel a deacetoxicefalosporina, pela reação da <> ocorre a hidroxilação controlada por uma dioxigenase a deacetilcefalosporina C. A acetilação da cefalosporina C por uma transferase dependente de acetil-CoA é o ponto final da via biossintética em fungos.

Em contraste com a penicilina, a metade D–AAA não pode ser trocada com alimentação de precursores.

A produção de cefalosporina é afetada pela regulação pelo fosfato, assim como por nitrogênio e regulação catabólica por carboidratos. As fontes de carbono rapidamente metabolizáveis, como glicose, maltose ou glicerol reduz a formação de cefalosporinas.

Deve-se observar que, na biossíntese de cefamicinas por estreptomicetos, o -AAA não é um precursor da L-lisina, porque os estreptomicetos sintetizam a lisina pela via do ácido diaminopimélico.

1.2.2.2 – Desenvolvimento de cepas

O desenvolvimento de cepas tem sido realizado com a cepa original de Brotzu, C.acremonium CM149137, utilizando mutação, seleção e técnicas parassexuais. Tem-se isolado mutantes com metabolismo defeituoso do enxofre. As técnicas de fusão de protoplastos têm sido combinadas com reprodução parassexual para desenvolver um mapa completo dos genes de biossíntese de cefalosporina C. O gene para a isopenicilina N sintetase de C.acremonium tem sido clonado em E.coli, e tem desenvolvido um sistema efetivo de transformação de C.acremonium que possibilita que as etapas chave na produção de cefalosporina, sejam objeto de análise e modificação. Os títulos de cefalosporina C das cepas atuais de alta produção, onde a proporção de penicilina N é reduzida, são aproximadamente 20 g/L.

1.2.2.3 – Processos de produção

A fermentação das cefalospirinas é similar à da pelicilina. Utilizam-se meios complexos como líquido de maceração de milho, extrato de carne, sacarose, glicose e acetato de amônio. Nos últimos anos tem sido desenvolvida a síntese química de cefalosporina, por expansão do anel da penicilina. Esse processo tem interesse especial, devido ao baixo preço da matéria-prima, a penicilina. Um exemplo de como esse enfoque tem sido comercializado, é uso de penicilina V para produzir oraspor, uma cefalospororina ativa oralmente.

1.2.3 – Novos sistemas de anéis -lactâmicos

Desde os anos 70 têm sido descobertos novos sistemas de anéis utilizando métodos de seleção, como o uso de cepas supersensíveis a -lactamas usados como microrganismos testes ou a utilização de provas enzimáticas para detectar inibidores na Figura 5.10 têm-se alguns exemplos específicos.

A ácido clavulânico, um sistema de anéis -lactâmico-oxazolidínico, é produzido junto com as cefalosporinas por Streptomyces clavuligerus. O ácido clavulânico é só ligeiramente eficaz como anti-bacteriano, porém inibe uma ampla faixa de -lactamases em concentrações menores de 0,1 g/ml. O ácido clavulânico tem sido comercializado em combinação com amoxicilina.

A tienamicina e os ácidos olivânicos têm em comum um sistema de anel -lactama-pirrolin. A tienamicina, a primeira de uma série de cabapernemas com estruturas muito similares, foi isolada em 1976 de um cultivo de streptomyces cattleya. A tienamicina atua como inibidora de -lactamases e como antibiótico de amplo espectro contra bactérias gram-positivas e gram-negativas, incluindo a Pseudomonas aeruginosa, porém é extremamente instável.

Os ácidos olivânicos e as estreitamente relacionadas epitienamicinas mostraram uma atividade mais baixa frente a Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus.

As nocardicinas são -lactamas monocíclicas.

As monobactamas, que são também -lactamas monocíclicas, têm sido isoladas de cultivos bacterianos. Contudo são só debilmente antibacterianas. Os compostos com um grupo metóxilo em posição 3a são resistentes às -lactamases, ao passo que o resto das monobactamas mostram graus variáveis de sensibilidade às -lactamases. O aztreonam, uma monobactama semi-sintética produzida a partir de treonina, tem baixa toxicidade e uma excelente atividade frente aos microrganismos gram negativos e encontra-se em fase de provas clínicas.

Referências Bibliográficas

– Biotecnologia – Suzana D. B. Maluhy; Mauricio Covre Coimbra; Paulo Cilas Rubio – Editora: Do Brasil

– Biotecnologia industrial, volume 3 – Urgel de Almeida Lima; Eugenio Aquarone; Walter Borzani; Willibaldo Schmidell – editora Edgard Blucher – 1ª edição – 2001 – São Paulo

DOMÍNIO COGNITIVO BASEADO EM PIAGET

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A teoria cognitiva foi construída por Piaget partindo do princípio que existe certa continuidade entre os processos biológicos de morfogênese e adaptação ao meio e a inteligência. “Com efeito, a vida é uma criação continua de formas cada vez mais complexas e um equilíbrio progressivo entre essas formas e o meio. Dizer que a inteligência é um caso particular de adaptação biológica é, pois supor que ela é essencialmente uma organização e que sua função é estruturar o universo como o organismo estrutura o meio imediato” (Piaget, 1991:10). Esta citação tem significado a partir da estrutura anatômica e morfológica que passa pelos sistemas de reflexos levando aos hábitos e associações adquiridos que dão origem a inteligência prática ou sensório motora e a inteligência refletida.

Piaget destaca dois sentidos diferentes para a relação entre o hereditário e o intelectual: o estrutural está presente no sistema nervoso e órgãos sensoriais e o funcional, diz respeito ao funcionamento da inteligência. A adaptação é um processo de transformação desencadeado pelo organismo visando a sua conservação no meio em que vive.

Os processos de organização, assimilação e acomodação são operacionalmente eficientes ao longo da vida, fornecendo a continuidade essencial através dos estágios de desenvolvimento. É constante ocorrer interações entre assimilação e acomodação, e a adaptação não poderia ocorrer se as interações não tivessem que ser reguladas.

Com relação aos efeitos de maturação, experiência e ambiente social, Piaget destaca que a maturação influencia no ritmo de desenvolvimento, incluindo a inteligência, porém não é o único determinante. Os efeitos de maturação consistiam em abrir novas possibilidades para o desenvolvimento e dar acesso às estruturas que não poderiam surgir antes que as estruturas fossem oferecidas. “Mas entre possibilidade e atualização, deve intervir uma série de outros fatores tais como exercício, experiência e interação social” (Piaget, 1970:720). Exercícios com ou sobre objetos, obtendo informação dos objetos pelo processo de abstração e experiência lógico-matemática estão incluídas na experiência do ambiente físico. O ambiente social inclui o ambiente educacional e o ambiente cultural mais geral, vivenciado pelo indivíduo. Em conseqüência do ambiente social os estágios de desenvolvimento são acelerados ou retardados, porém a ordem invariável da passagem de um estágio para outro não pode ser atribuída a efeitos ambientais, pois todas as crianças percorrem os estágios na mesma ordem seqüencial.

Os estágios do desenvolvimento cognitivo

Segundo Piaget, todas as crianças percorrem os estágios na mesma ordem seqüencial fixa, mas a idade cronológica em que as crianças completam cada estágio sucessivo varia um pouco.

Estágio I: Sensório Motor (Do nascimento aos 2 anos):

O pensamento ocorre principalmente através de ações.
Melhora a coordenação de “input” sensorial.
Melhora a coordenação de respostas físicas.
Objetos e pessoas, incluindo a si mesmo, são diferenciados um do outro e reconhecidos como permanentes.
Estágio II: Pré-operacional (2 a 7 anos):

Aumenta o uso da linguagem e do pensamento simbólico.
Predomina o egocentrismo.
A centralização (prestar atenção a uma característica ou parte marcante), em vez de descentralização (análise de todo e partes) caracteriza a percepção e o pensamento.
Produz imagens mentais de situações e coisas estáticas, em vez de processos e transformações.
Irreversibilidade no pensamento (sabe pensar de um modo, mas não de modo reverso; p.ex., contar, dizer letras do alfabeto).
Objetos perceptivelmente similares são classificados como semelhantes.
Palavras (nomes) são associadas com algumas coisas e com algumas classes de coisas.
Estágio III: Operações concretas (7 a 11 anos):

Ocorre o pensamento lógico, usando objetos concretos.
Ocorre a conversa menos egocêntrica e mais socializada.
Ocorre a conversa de modo aumentado.
Ocorre a descentralização e a reversibilidade.
Compreende mudanças, processos, eventos e relações estáticas mais complexas.
As relações entre coisas reais e classes de coisas são compreendidas; também estão estabelecidas relações entre as palavras que representam coisas e as classes de coisas que forem vivenciadas e compreendidas.

Estágio IV: Operações formais (11 anos em diante):

São conduzidas operações mentais sob forma simbólica e são realizadas operações sobre idéias como coisas. Comparações, contrastes, deduções e inferências a partir de conteúdo ideacional, em vez de coisas e eventos concretos.
São compreendidas relações entre e inter símbolos que representam conceitos que não forem vivenciados diretamente.

Atividades

Exercício de Memória:

1) Todos os jogadores estão sentados, em forma circular.

2) O animador indica um primeiro jogador, que sai de seu lugar e toca qualquer objeto da sala e, ao mesmo tempo, diz-lhe o nome.

3) Retorna para o seu lugar e toca no seu vizinho, e este por sua vez irá tocar no objeto que seu colega tocou, diz-lhe o nome e toca um segundo objeto, também dizendo o nome.

4) Volta para seu lugar e toca no seu colega seguinte, que se dirige para o objeto do primeiro colega, ao tocá-lo diz o nome, toca no objeto do segundo colega, diz o nome e toca um terceiro objeto, dizendo igualmente o nome, retorna para o seu lugar, continuando assim o jogo.

5) O jogador que se lembrar e tocar o maior número de objetos será o vencedor.

A frase curiosa:

1) Todos os participantes estão sentados em forma circular, com uma folha e lápis na mão.

2) Por ordem do animador, cada qual escreverá um nome, quer o seu próprio, quer um outro nome qualquer.

3) Uma vez escrito, todos devem dobrar a folha, para esconder o nome escrito, passando a folha para o vizinho da direita.

4) A seguir, todos devem escrever agora um adjetivo, dobrando novamente a parte, para esconder o adjetivo, passando novamente a folha para o seguinte.

5) Em continuação, escreverão um verbo, um advérbio, um nome, um adjetivo, dobrando e passando a folha como a primeira vez.

6) No final todos lerão a sua folha, formando uma frase com as palavras estabelecendo a seqüência necessária.

Ajuntar as metades:

1) O animador organiza antes do jogo um conjunto de avisos, comerciais, fotografias, anúncios de jornais ou revistas.

2) Todo este material preparado é cortado pelo meio e colocado em duas caixas separadas.

3) A brincadeira se inicia com a orientação do animador, que organiza duas equipes de participantes.

4) Uma das equipes tirará as metades dos conjuntos de uma caixa e a outra, da outra caixa.

5) Em continuação, cada participante procurará encontrar a pessoa que é possuidora da outra metade.

A propósito:

1) Todos os participantes estão sentados em forma circular.

2) O primeiro jogador começa uma frase que contém dois nomes concretos ou abstratos. Por exemplo: Durante as minhas férias, irei para a praia.

3) O jogador seguinte continua imediatamente: A propósito de praia, lembro-me de um passeio de barco.

4) O seguinte dirá: A propósito de barco, lembro-me, etc.

5) Quem não souber continuar imediatamente, pagará no final uma prenda.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FRITZEN, Silvino José. Dinâmicas de Recreação e Jogos. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1985.

KLAUSMEIER, Hebert J. Manual de Psicologia Educacional. São Paulo: Editora Harbra, 1977.

A Trabalho de Jean Piaget. Disponível em:

http://www.eps.ufsc.br/teses96/edla/cap4/cap4.htm Acesso em: 4 abr. 2005.

Desenvolvimento de habilidades de classificação

Primeiramente as crianças são capazes de agrupar duas ou mais coisas que parecem semelhantes de algum modo. Na medida em que a criança cresce, ela aprende a ampliar seu agrupamento para mais do que dois. Ela aprende também as categorias aceitáveis para agrupamento.

Experiências em construir uma classe por vez preparam a criança para formar classificações sucessivas e simultâneas, para depois compreender a inclusão de classe. A criança começa a reconhecer lentamente que certos objetos não pertencem exclusivamente a diferentes categorias e tenta diferentes maneiras de agrupar os objetos, escolhendo primeiro um e depois outro atributo singular como foco para agrupamento.

Seu método de escolha dos critérios para agrupar objetos torna-se mais complexos a medida em que a capacidade lógica se desenvolve. O uso de estrutura combinatória capacita-a a formar classes que permanecem em uma relação de inclusão uma com a outra.

4) O seguinte dirá: A propósito de barco,lembro-me, etc.

5) Quem não souber continuar imediatamente,pagará no final uma prenda.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FRITZEN, Silvino José. Dinâmicasde Recreação e Jogos. Rio de Janeiro:Editora Vozes, 1985.

KLAUSMEIER, Hebert J. Manual de PsicologiaEducacional. São Paulo: Editora Harbra, 1977.

A Trabalho de Jean Piaget.Disponível em:

http://www.eps.ufsc.br/teses96/edla/cap4/cap4.htmAcesso em: 4 abr. 2005.

Desenvolvimento de habilidades declassificação

Primeiramente as crianças são capazes deagrupar duas ou mais coisas que parecem semelhantes de algum modo.Na medida em que a criança cresce, ela aprende a ampliar seuagrupamento para mais do que dois. Ela aprende também ascategorias aceitáveis para agrupamento.

Experiências em construir uma classe por vezpreparam a criança para formar classificaçõessucessivas e simultâneas, para depois compreender ainclusão de classe. A criança começa areconhecer lentamente que certos objetos não pertencemexclusivamente a diferentes categorias e tenta diferentes maneirasde agrupar os objetos, escolhendo primeiro um e depois outroatributo singular como foco para agrupamento.

Seu método de escolha dos critérios paraagrupar objetos torna-se mais complexos a medida em que acapacidade lógica se desenvolve. O uso de estruturacombinatória capacita-a a formar classes que permanecem emuma relação de inclusão uma com a outra.

DISCURSOS CONTEMPORÂNEOS DA SAÚDE MENTAL

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INTRODUÇÃO

O trabalho seguinte tem como objetivo abordar os modelos assumidos pela Terapia Ocupacional a partir do novo direcionamento dado à Saúde pela atual Constituição Brasileira.

Será relatado antes de forma breve o surgimento da psiquiatria.

O desenvolvimento do trabalho explicará de forma precisa os três principais discursos contemporâneos da Saúde Mental.

HISTÓRICO DA PSIQUIATRIA

O surgimento da psiquiatria no Brasil se deu com a criação, em 1852, do Hospício de Pedro II, tendo em vista observar os fatores implicados na fundação do Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil (Ipub). O Ipub vem expressar no campo psiquiátrico uma nova correlação de forças entre a prestação de uma assistência pública e a produção de uma ciência psiquiátrica brasileira.

A Psiquiatria, como especialidade médica, tomando Philippe Pinel (1745-1826) como seu marco inicial, estaria completando duzentos anos. A psiquiatria nasceu dentro dos asilos e da necessidade de abrigar, proteger, cuidar, investigar, diagnosticar e tratar os indivíduos que da loucura fossem acometidos. Fica bastante claro que os loucos existiam antes do que os psiquiatras, e que a loucura representa um tremendo desafio para todos interessados em estudá-la. A loucura é um desafio que muitas outras áreas do conhecimento se associam neste processo de investigação dos seus segredos: filósofos, sociólogos, antropólogos, neuroscientistas, psicofarmacologistas.

Alguns nomes se destacaram na história da psiquiatria:

Nise da Silveira em 1946 fundou a Seção de Terapêutica Ocupacional no antigo Centro Psiquiátrico Nacional, fundou o Museu de Imagens do Inconsciente e fundou a Casa das Palmeiras com a ajuda de amigos em 1956 entre outras instituições que tiveram grande importância na história da psiquiatria. Em 1961 Nise foi chamada pelo Presidente Jânio Quadros para a apresentação de um plano de desenvolvimento da terapêutica ocupacional nos hospitais psiquiátricos federais, mas este plano não chegou a ser executado. Ela foi aposentada pela Divisão Nacional da Saúde Mental com a carreira de Médica Psiquiátrica.

Herman Simon nascido na Alemanha fez uso das ocupações dando maior ênfase a praticada nos hospitais psiquiátricos, traçava seu tratamento objetivando recursos curativos. Em 1905 Simon desenvolveu um esquema de Terapia Ocupacional e a aplicou em todo o hospital, devido a este fato ficou conhecido nos hospitais de toda Europa.

E Ulisses Pernambuco em 1931 com a criação da Assistência a Psicopatas ele introduziu a ocupação terapêutica no Nordeste do Brasil. Sua proposta era de uma ação intra e extra hospitalar visando aspecto de prevenção, cura e reabilitação, ele tinha como base teórica uma das obras de Simon.

CONTEXTO ATUAL DA SAÚDE MENTAL E A TERAPIA OCUPACIONAL

Atualmente falar de saúde mental não se baseia apenas nos manicômios e sim nos Movimentos Sociais que os denunciaram proporcionando frutíferas experiências.

A Reforma Sanitária atual define saúde como um efeito real de um conjunto de condições coletivas de existência, como direitos de cidadania, direito ao trabalho, salário justo e política. Essa nova proposição implica num novo paradigma que encaminha-se na perspectiva de uma atenção a pessoa, considerada sujeito de sua própria cura.

A medicina hoje não encontra respostas para assistência ao doente mental que fragmenta o indivíduo. A Terapia Ocupacional pode indicar uma tecnologia diferenciada e mais coerente com as questões levantadas de modo mais integralizado.

Com relação às políticas de saúde do Brasil, observamos que ela tem sido marcada pela dicotomia entre saúde pública e previdenciária, pela política do privilegiamento dos serviços privados e pela prática regida pelo mercado.

A consolidação dos modelos que respondam mais eficazmente as necessidades de saúde da população tem enfrentado problemas desencadeados pelas intercorrentes mudanças políticas e nos programas existentes.

ATUAÇÃO SOCIAL DA TERAPIA OCUPACIONAL

No serviço público, as atuações da Terapia Ocupacional não pode ser entendida como ação isolada e sim ligada pela história do atendimento público à saúde, como em serviços educacionais, sociais e de saúde, oficial ou particular, na área mental ou especialidades médicas, ambulatórios ou hospitais, escolas, asilos…

A atuação tem sido bastante diversificada quanto as técnicas e teorias adotadas, em função das finalidades dos programas e serviços que a requisitam.

O instrumental da Terapia Ocupacional se mostra condizente com as proposições de transformação assistencial atuais, uma vez que o doente mental é encarado como cidadão que se realiza e restabelece sua saúde através de sua inserção social, feita na relação com as atividades que lhe proporcionem uma melhor qualidade de vida.

A Terapia Ocupacional procura respaldar suas técnicas e métodos em fundamentos em cima de um problema já instalado no sujeito naquela doença, à semelhança dos procedimentos específicos das especialidades clinicas e psicoterápicas do momento, em ações extensivas a grandes grupos populacionais, consolidando a perspectiva da medicalização do social. O que difere das demais profissões da saúde é o fato de ter como seu objeto e instrumento de trabalho as atividades humanas.

A percepção de que as atividades podem ser reduzidas a “recurso terapêutico”, leva-nos a questionar outras tantas reduções e dicotomias em relação aos conceitos assumidos e vivenciados na clínica, tais como: doença/saúde, mente/corpo, louco/são, normal/patológico, deficiente/produtivo, individuo/sujeito, ações individuais/ações coletivas, etc.

O TERAPEUTA OCUPACIONAL: PROFISSIONAL SUJEITO OU SUJEITADO?

O profissional assume modelos teórico-práticos resultantes de uma escolha por determinados pressupostos conceituais, filosóficos e científicos acerca de seu objetivo de intervenção, o que lhe indicarão as maneiras de aplicação das atividades como recurso terapêutico.

Existe um trabalho voltado prioritariamente à adaptação social do indivíduo à sua doença, à instituição, à sua condição de vida, conformando-o e submetendo-o as possibilidades e regras externas a ele. De outro modo, vivenciamos também experiências onde se tentavam estabelecer outros tipos de relações, trabalhando-se na perspectiva de desenvolver as possibilidades do indivíduo enquanto sujeitos da sua própria história, capaz de mudar o rumo das coisas e de interferir na qualidade de sua vida através do seu fazer.

Ressaltando os pressupostos ideológicos e conceituais que fundamentam os modelos assistenciais predominantes em cada contexto histórico e social, verificamos que os principais modelos encontrados na terapia têm se orientado para:

Privilegiar a racionalidade humana e a ordem social.
Privilegiar o corpo anátomo-fisiológico e a dicotomia corpo/mente.
Privilegiar o inconsciente e o simbólico.
Privilegiar o crescimento e evolução biológicos.
Privilegiar a função e a produção sociais.
Privilegiar o sujeito histórico.
Cada um dos modelos implica uma dada função na produção e reprodução de valores, ideologias e relações sociais.

DISCURSOS CONTEMPORÂNEOS DA SAÚDE MENTAL

Os discursos da Saúde Mental tiveram em sua modernidade uma tríplice estratégia discursiva e prática que tem muito pouco a ver com as necessidades das pessoas que nós atendemos e muito a ver com interesses de grupos; com interesses corporativos dos diversos tipos de profissionais que trabalham na área.

Na perspectiva de entendermos a relação que a terapia ocupacional estabelece hoje com a área da Saúde Mental e fazermos um paralelo entre elas, valemo-nos da categorização feita por Costa (1987), dos discursos contemporâneos desta área como um dos parâmetros para entendermos tais relações.

DISCURSO ORGANICISTA

O organicismo, primeiro dos discursos modernos, ganhou louros que poderia dividir muito bem com inúmeras outras doutrinas psiquiátricas. aparentemente, surge como o mais conservador, o mais reacionário, o mais massacrante.

Se estrutura no modelo médico buscando as explicações para as doenças mentais na perspectiva do corpo-cadáver ou fisiopatológico.

Fazendo um paralelo à Terapia Ocupacional, neste tipo de discurso poderíamos encaixar os modelos desta área que também correspondem a esta mesma lógica, ou seja, a lógica positivista e mecânica de concepção e de intervenção no real.

O discurso organicista tem como local de sua produção o asilo, procura seguir a regra ou pelo menos a tradição científica do pensamento médico, e tem como objetivo o corpo sem vida, o cadáver. Fazem-se dissecações, abrem-se cérebros para ver exatamente o que se passa lá dentro.

Os modelos deste conhecimento, todos sabem, é o velho sonho da medicina mental de encontrar na clínica, elementos fisiopatológicos como da afasia. Esse discurso continua hoje no abuso e na impunidade com que se despejam toneladas de antipsicóticos que ajudam a manter a ordem do espaço de segregação asilar.

A Terapia Ocupacional usa atividades dirigidas contra o sintoma. Estas são classificadas como estruturadas (com regras bem definidas) e livres. As sessões são planejadas, cuidando dos aspectos físicos para que não haja interferência externa. Os materiais deverão estar em ordem de uso e o paciente necessita de instrução e esta deve ser dita de modo claro e objetivo pelo Terapeuta.

As atividades também são classificadas e agrupadas conforme a característica física dos materiais empregados, a maneira predominante de realizá-la e a função psicológica preponderantemente requisitada naquela ação.

Os atendimentos geralmente são individuais ou em pequenos grupos, e os registros e as avaliações seguem roteiro criterioso e previamente elaborado, utilizados como instrumentos para a análise quantitativa posterior da qual se estabelecerá a direção das próximas sessões.

DISCURSO PREVENTIVISTA

Neste discurso as explicações das doenças mentais se localizam na massa social. Em última instância é dirigido ao aparelho do Estado a fim de obter seu reconhecimento sobre a importância social da psiquiatria.

O preventivista focalizava pessoas que acometidas pelo estresse e cansaço do dia a dia passavam a apresentar comportamentos não habituais se tornando muitas vezes impacientes e agressivas e por esse motivo eram tratadas como loucas, então se usava o método de prevenção de uma possível doença mental com o uso de tratamento medicamentoso e até o isolamento do individuo, pois se considerava que essas pessoas constituíam um perigo a sociedade.

A terapia ocupacional utilizava as atividades como forma de desviar pensamentos mórbidos ou perniciosos da mente dos desocupados. A teoria e a prática que davam conta deste problema era a prevenção. A palavra prevenção assume a dimensão de “prevenir-se contra, de quem se evitar”.

As atividades eram voltadas para o social do indivíduo, para que ele desviasse seus pensamentos negativos fazendo com que o a Terapia Ocupacional fosse empregada somente para “ocupar” o indivíduo sempre que considerados como uma ameaça a sociedade.

A atenção individualizada neste caso, não é privilegiada, uma vez que as ações terapêuticas se dirigem para o social.

DISCURSO PSICOTERÁPICO

Este discurso está associado aos discursos da fase de industrialização do Ocidente, quando a valorização do sujeito individual se sobrepõe aos demais valores sociais de épocas precedentes. O local privilegiado de sai produção são os consultórios particulares.

O psicoterápico visa atingir a família, a classe média e a definição de seu perfil social, reproduzindo assim uma normalização e uma moralização das camadas urbanas em seus setores mais abastados. Aos pobres, a prevenção; aos ricos ou remediados, a psicoterapia. Nos manuais psicoterápicos da época, o que se vê é um misto de vagos princípios cristãos postos a serviço do individualismo burguês mais descarado.

São vários os modelos da terapia ocupacional que se encaixam nesta perspectiva. Encontramos modelos que se fundamentam na perspectiva funcionalista e sistêmica, na psicanálise, na psicodinâmica, no psicodrama, na terapia centrada na pessoa, no gestalt, no comportamentalismo, numa mistura disso tudo, em abordagens ora mais holísticas, ora mais mecanicista.

O modelo de abordagem holística é baseado na inter-relação dos fenômenos, onde tudo tem a ver com tudo, não só no ser humano, mas em todo universo, num entrelaçamento que une tudo a tudo. O foco deste modelos é a pessoa, a finalidade é a prevenção, recuperação e amenização de patologias agudas ou crônicas, havendo possibilidade de internações breves para alcance de uma melhor qualidade de vida pessoal, familiar e social.

Há também a abordagem mecanicista, composta de várias partes menores que se unem e se entrelaçam. Para entender o funcionamento da máquina, é preciso desmontá-la ou dividi-la em suas partes. Isto é, fragmentar para conhecer. A influência deste paradigma foi e tem sido constante em praticamente todas as ciências do mundo moderno e, em medicina, favoreceu o conhecimento do corpo humano pelo estudo sistemático de seus componentes e de sua fisiologia, o que possibilitou um avanço significativo no desvendamento da fisiopatologia e, conseqüentemente, na prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças.

Neste discurso o uso de atividades como medida psicoterápica requer o conhecimento dos fenômenos do inconsciente, da natureza e do significado dos símbolos e da psicodinâmica individual e a capacidade de integrar tal conhecimento na experiência terapêutica para um paciente.

CONCLUSÃO

É certo que os discursos contemporâneos da saúde mental tiveram grande importância para a psiquiatria, embora cada um deles tivesse uma abordagem diferente todos foram de grande utilidade na época. Ficou claro que os discursos nem sempre foram aplicados de forma correta visando a saúde e bem estar do indíviduo, motivo pelo qual a psiquiatria enfrentou e até hoje enfrenta sérios problemas e ainda carrega as marcas dos erros passados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MEDEIROS, Maria Heloisa da Rocha. Saúde Mental e a Terapia Ocupacional: Contexto Atual. Cad. Ter. Ocup. UFSCar, v.5,n.1, Campinas, 1994.

Histórico da Psiquiatria. Disponível em: www.psiquiatriageral.com.br

Discursos contemporâneos da Saúde Mental. Disponível em: www.discursoscontemporaneos.com.br

O discurso organicista tem como local de suaprodução o asilo, procura seguir a regra ou pelomenos a tradição científica do pensamentomédico, e tem como objetivo o corpo sem vida, ocadáver. Fazem-se dissecações, abrem-secérebros para ver exatamente o que se passa ládentro.

Os modelos deste conhecimento, todos sabem, é ovelho sonho da medicina mental de encontrar na clínica,elementos fisiopatológicos como da afasia. Esse discursocontinua hoje no abuso e na impunidade com que se despejamtoneladas de antipsicóticos que ajudam a manter a ordem doespaço de segregação asilar.

A Terapia Ocupacional usa atividades dirigidas contra osintoma. Estas são classificadas como estruturadas (comregras bem definidas) e livres. As sessões sãoplanejadas, cuidando dos aspectos físicos para quenão haja interferência externa. Os materiaisdeverão estar em ordem de uso e o paciente necessita deinstrução e esta deve ser dita de modo claro eobjetivo pelo Terapeuta.

As atividades também são classificadas eagrupadas conforme a característica física dosmateriais empregados, a maneira predominante de realizá-la ea função psicológica preponderantementerequisitada naquela ação.

Os atendimentos geralmente são individuais ou empequenos grupos, e os registros e as avaliaçõesseguem roteiro criterioso e previamente elaborado, utilizados comoinstrumentos para a análise quantitativa posterior da qualse estabelecerá a direção das próximassessões.

DISCURSO PREVENTIVISTA

Neste discurso as explicações das doençasmentais se localizam na massa social. Em últimainstância é dirigido ao aparelho do Estado a fim deobter seu reconhecimento sobre a importância social dapsiquiatria.

O preventivista focalizava pessoas que acometidas peloestresse e cansaço do dia a dia passavam a apresentarcomportamentos não habituais se tornando muitas vezesimpacientes e agressivas e por esse motivo eram tratadas comoloucas, então se usava o método deprevenção de uma possível doença mentalcom o uso de tratamento medicamentoso e até o isolamento doindividuo, pois se considerava que essas pessoas constituíamum perigo a sociedade.

A terapia ocupacional utilizava as atividades comoforma de desviar pensamentos mórbidos ou perniciosos damente dos desocupados. A teoria e a prática que davam contadeste problema era a prevenção. A palavraprevenção assume a dimensão de “prevenir-secontra, de quem se evitar”.

As atividades eram voltadas para o social doindivíduo, para que ele desviasse seus pensamentos negativosfazendo com que o a Terapia Ocupacional fosse empregada somentepara “ocupar” o indivíduo sempre que considerados como umaameaça a sociedade.

A atenção individualizada neste caso,não é privilegiada, uma vez que asações terapêuticas se dirigem para osocial.

DISCURSO PSICOTERÁPICO

Este discurso está associado aos discursos dafase de industrialização do Ocidente, quando avalorização do sujeito individual se sobrepõeaos demais valores sociais de épocas precedentes. O localprivilegiado de sai produção são osconsultórios particulares.

O psicoterápico visa atingir a família, aclasse média e a definição de seu perfilsocial, reproduzindo assim uma normalização e umamoralização das camadas urbanas em seus setores maisabastados. Aos pobres, a prevenção; aos ricos ouremediados, a psicoterapia. Nos manuais psicoterápicos daépoca, o que se vê é um misto de vagosprincípios cristãos postos a serviço doindividualismo burguês mais descarado.

São vários os modelos da terapiaocupacional que se encaixam nesta perspectiva. Encontramos modelosque se fundamentam na perspectiva funcionalista e sistêmica,na psicanálise, na psicodinâmica, no psicodrama, naterapia centrada na pessoa, no gestalt, no comportamentalismo, numamistura disso tudo, em abordagens ora mais holísticas, oramais mecanicista.

O modelo de abordagem holística é baseadona inter-relação dos fenômenos, onde tudo tem aver com tudo, não só no ser humano, mas em todouniverso, num entrelaçamento que une tudo a tudo. O focodeste modelos é a pessoa, a finalidade é aprevenção, recuperação eamenização de patologias agudas ou crônicas,havendo possibilidade de internações breves paraalcance de uma melhor qualidade de vida pessoal, familiar esocial.

Há também a abordagem mecanicista,composta de várias partes menores que se unem e seentrelaçam. Para entender o funcionamento da máquina,é preciso desmontá-la ou dividi-la em suas partes.Isto é, fragmentar para conhecer. A influência desteparadigma foi e tem sido constante em praticamente todas asciências do mundo moderno e, em medicina, favoreceu oconhecimento do corpo humano pelo estudo sistemático de seuscomponentes e de sua fisiologia, o que possibilitou umavanço significativo no desvendamento da fisiopatologia e,conseqüentemente, na prevenção,diagnóstico e tratamento das doenças.

Neste discurso o uso de atividades como medidapsicoterápica requer o conhecimento dos fenômenos doinconsciente, da natureza e do significado dos símbolos e dapsicodinâmica individual e a capacidade de integrar talconhecimento na experiência terapêutica para umpaciente.

CONCLUSÃO

É certo que os discursos contemporâneos dasaúde mental tiveram grande importância para apsiquiatria, embora cada um deles tivesse uma abordagem diferentetodos foram de grande utilidade na época. Ficou claro que osdiscursos nem sempre foram aplicados de forma correta visando asaúde e bem estar do indíviduo, motivo pelo qual apsiquiatria enfrentou e até hoje enfrenta sériosproblemas e ainda carrega as marcas dos erros passados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MEDEIROS, Maria Heloisa da Rocha. SaúdeMental e a Terapia Ocupacional: Contexto Atual. Cad. Ter.Ocup. UFSCar, v.5,n.1, Campinas, 1994.

Histórico da Psiquiatria.Disponível em: www.psiquiatriageral.com.br

Discursos contemporâneos da SaúdeMental. Disponível em:www.discursoscontemporaneos.com.br

DERMATOSES OCUPACIONAIS 2/2

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3. DERMATITES RELACIONADAS COM OTRABALHO

As Dermatites de contato, também denominadas por”eczema”, são inflamações agudas oucrônicas da pele, caracterizadas clinicamente por eritema,edema, vesiculação, na fase aguda, acompanhadas,freqüentemente por prurido intenso, e nas formascrônicas, por espessamento da epiderme(liquenificação), com descamação efissuras, produzidas por substâncias químicas que, emcontato com a pele, causam irritação oureações alérgicas. Quando causam alergiasão denominadas Dermatites alérgicas de contato.

3.1 Epidemiologia

As dermatites de contato são as dermatosesocupacionais mais freqüentes. Estimam-se que juntas, asdermatites alérgicas de contato e as dermatites de contatopor irritantes, respondam por cerca de 90% dos casos de dermatosesocupacionais. A grande maioria dos agentes de origem ocupacionaltem pouco poder de sensibilização, comexceção de algumas madeiras que podem provocarsensibilização em altas porcentagens (70% a 80%) dostrabalhadores expostos.

As dermatites alérgicas de contato relacionadascom o trabalho podem ser enquadradas nos Grupos I ou III daClassificação de Schilling. O trabalho podeser causa necessária, em trabalhadores nãoalérgicos ou atópicos (Grupo I), ou desencadeador ouagravante, em trabalhadores atópicos, alérgicos,hipersensíveis ou previamente sensibilizados pelos mesmosalergenos e/ou por outros semelhantes (Grupo III).

3.2. Quadro Clínico eDiagnóstico

A dermatite alérgica de contato resulta de umareação cutânea eczematosa, imunologicamentemediada por células-T, com respostaantígeno-específico, tardia, a um antígenohapteno em contato com a pele. Ao se afastar do contato com oalergeno pode haver remissão total do quadro, mas ahipersensibilidade latente permanece e re-exposiçõesvoltam a desencadeá-lo.

O período de incubação,após a exposição inicial, pode variar de 5 a21 dias. No trabalhador sensibilizado, re-exposto ao contato com umagente sensibilizante é previsível o aparecimento deuma dermatite eczematosa no período de 1 a 3 dias, e seudesaparecimento em 2 a 3 semanas, cessada aexposição. Sob exposição intensa ouexposição a agentes sensibilizantes potentes, aslesões podem aparecer mais rapidamente (dentro de 6 a 12horas), e melhoram mais lentamente.

A aparência genérica das dermatites decontato alérgicas não é muito diferente dasdermatites irritativas e, clinicamente, é difícildistingui-las. Tipicamente, o quadro se inicia com o aparecimentode eritema, seguido de pápulas e vesículasúmidas. Nas superfícies palmares e plantares e nasbordas dos dedos da mão e do pé, o primeiro sinalpode ser a presença de numerosas vesículas agrupadas,acompanhadas de intenso prurido. Novas áreas de dermatiteaparecem na vizinhança das lesões originais, comcoalescência posterior e extenso comprometimento. Podemaparecer lesões em locais distantes, não relacionadosà exposição ocupacional, porémexpostas, inadvertidamente, ao alergeno através dasmãos.

Após exposições maciças aantígenos com alto poder de sensibilização,trabalhadores podem mostrar reações imediatas, taiscomo urticária e eritema multiforme. Posteriormente, toda apele pode estar comprometida por um quadro dermatológico delesões úmidas, crostosas e exfoliativas. Os quadroscrônicos são caracterizados por pele espessada, comfissuras, e podem agudizar nas re-exposições aoantígeno ou contato com substâncias irritantes.

O diagnóstico e a caracterizaçãocomo doença relacionada ao trabalho são feitosbaseados na história clínica-ocupacional e no exameclínico. A identificação das substânciasalergenas (para fins de diagnóstico e paraprevenção de novos contatos e dare-exposição) pode ser auxiliada pelos testesepicutâneos ou patch tests.

O diagnóstico diferencial deve ser feito comquadros de dermatites de contato irritativa, psoríase,herpes simples e herpes zoster, reaçõesidiopáticas vesiculares pela presença doTrichophyton nos pés (micides), eczema numular,reações cutâneas a drogas, entre outrasdoenças.

3.3. Tratamento e Outras Condutas

As formas de tratamentos das dermatites de contato secaracterizam em cuidados higiênicos locais para prevenir ainfecção secundária e uso deanti-histamínicos sistêmicos e cremes decorticóides. Em casos mais extensos deve-se empregar acorticoidoterapia sistêmica. O afastamento daexposição é essencial.

Nas formas agudas, sem infecçãosecundária pode-se utilizar compressas comsolução de Burrow 1:20 ou 1:40; curativos fechadoscom cremes corticóides associando-se corticóide viaoral. Quando associada à infecçãosecundária, tratar com compressas ou banhos dePermanganato de potássio (KMnO4) 1:20 mil ou1:40 mil; curativos fechados com cremescorticosteróides e instituir antibioticoterapia.

Nas formas crônicas, utilizar cremes ou pomadasde corticóide na área afetada, cuidando para quenão haja absorção demasiada do medicamento emdecorrência da aplicação em grandesextensões de tegumento. Em áreas liquenificadas,fazer curativo com pomadas ou cremes de corticóide,ocluídos por plástico, durante a noite. Se houverprurido, associar anti-histamínico por via oral. Orientar opaciente para evitar coçaduras. Se houverinfecção secundária, associarantibioticoterapia.

Apesar do manejo difícil, os eczemascronificados de origem ocupacional respondem bem àterapêutica apropriada. Se tal não ocorrer, deve-severificar a ocorrência de uma das seguintespossibilidades:

Trabalhador continua em contato com substânciasirritantes e sensibilizantes;
Áreas de tegumento se mantêm eczematizadas emdecorrência de escoriações produzidas pelo atode coçar; e
Poderá estar ocorrendo autolesionamento (dermatiteartefacta) ou a contribuição importante de fatoresemocionais na manutenção da dermatose.
3.4. Prevenção

A prevenção baseia-se na Vigilânciada Saúde dos trabalhadores. Entre as facilidades parahigiene pessoal a serem providas aos trabalhadoresestão:

Existência e acesso fácil à águacorrente, quente e fria, em abundância, com chuveiros,torneiras, toalhas, e agentes de limpeza apropriados. Chuveiros deemergência devem estar disponíveis em ambientes ondesão utilizadas substâncias químicas corrosivas.Podem ser necessários banhos por mais de uma vez por turno etroca do vestuário em caso de respingos e contato direto comessas substâncias;
Utilização de sabões ou sabonetes neutrosou mais leves possíveis;
Disponibilidade de limpadores/toalhas de mão paralimpeza sem água para óleos, graxas e sujeirasaderentes. Não utilizar solventes, como querosene, gasolina,thinner, para limpeza da pele;
Uso de creme hidratante nas mãos, especialmente seé necessário lavá-las comfreqüência;
Uso de roupas protetoras para bloquear o contato dasubstância com a pele. Os uniformes e aventais devem estarlimpos e serem lavados e trocados diariamente. A roupa deve serescolhida de acordo com o local da pele que necessita deproteção e com o tipo de substânciaquímica envolvida e incluem: luvas de diferentescomprimentos, sapatos e botas, aventais e macacões, demateriais diversos: plástico, borracha natural ousintética, fibra de vidro, metal e combinaçãode materiais. Capacetes, bonés, gorros, óculos desegurança e proteção respiratóriatambém podem ser necessários; e
O vestuário contaminado deve ser lavado naprópria empresa, com os cuidados apropriados. Em caso decontratação de empresa especializada para estalavagem, devem ser tomadas as medidas de proteçãoadequadas ao tipo de substância também para essestrabalhadores.
As medidas de controle ambiental para aeliminação ou redução daexposição aos fatores de risco de naturezaocupacional nos limites considerados “seguros” incluem:

Enclausuramento de processos e isolamento de setores detrabalho;
Uso de sistemas hermeticamente fechados, na indústriaou, dotar as máquinas e equipamentos de anteparos paraevitar que respingos de óleos de corte atinjam a pele dostrabalhadores;
Adoção de normas de higiene e segurançarigorosas com sistemas de ventilação exaustoraadequados e eficientes;
Monitoramento ambiental sistemático;
Mudanças na organização do trabalho quepermitam diminuir o número de trabalhadores expostos e otempo de exposição;
Fornecimento, pelo empregador, de equipamentos deproteção individual adequados, em bom estado deconservação, nos casos indicados, de modocomplementar com as medidas de proteçãocoletiva.
Recomenda-se a verificação documprimento, pelos empregadores, de medidas de controle dos fatoresde riscos ocupacionais e acompanhamento da saúde dostrabalhadores prescritas na legislação trabalhista enos regulamentos sanitários e ambientais existentes nosestados e municípios. Os Limites de Tolerância paraexposição a algumas substâncias no ar ambiente,para jornadas de até 48 horas semanais, podem serconsultados na Norma Regulamentadora Nº. 15 (Portaria MTbNº. 12/83). Para o ácido crômico (névoa)é de 0,04 mg/m3 e para o Mercúrioinorgânico e seus compostos tóxicos é de 0,04mg/m³ de ar. Esses limites devem ser comparados com aquelesadotados por outros países e revisados periodicamenteà luz do conhecimento e evidências atualizadas. Temsido observado que mesmo quando estritamenteobedecidos, não impedem o surgimento dedanos para a saúde.

O exame médico periódico visa àidentificação de sinais e sintomas para adetecção precoce da doença. Consta deavaliação clínica, com examedermatológico cuidadoso e exames complementares de acordocom a exposição ocupacional eorientação do trabalhador. Para algumas dassubstâncias químicas envolvidas na gênese dasdermatoses de base, deve ser feito o monitoramentobiológico.

Determinado o diagnóstico e confirmado arelação da doença com o trabalho deve serrealizado:

Informação aos trabalhadores;
Exame dos expostos visando identificar outros casos;
Notificação do caso ao sistema deinformação em saúde;
Caso o trabalhador seja segurado pelo SAT da PrevidênciaSocial, providenciar emissão da CAT;
Orientação ao empregador para que adote osrecursos técnicos e gerenciais adequados paraeliminação ou controle dos fatores de risco.
3.5. Dermatites de Contato geradas porIrritantes

Dermatites de contato, tambémconhecidas por “eczema”, são a inflamaçõesagudas ou crônicas da pele, caracterizadas clinicamente poreritema, edema, vesiculação, na fase aguda,acompanhadas, freqüentemente por prurido intenso, e nas formascrônicas, por espessamento da epiderme(liquenificação), com descamação efissuras, produzidas por substâncias químicas que, emcontato com a pele, causam irritação oureações alérgicas. Se o contato com a pele -único ou repetido – produzir efeitos tóxicosimediatos ou tardios de irritação local, elasserão rotuladas Dermatites de contato por irritantes.

Ao contrário das dermatites de contatoalérgicas, não é necessária asensibilização prévia. A fisiopatologia dasdermatites de contato por irritantes não requer aintervenção de mecanismos imunológicos. Assim,pode aparecer em todos os trabalhadores expostos ao contato comsubstâncias irritantes, dependendo da suaconcentração e do tempo deexposição.

As dermatites de contato são as dermatosesocupacionais mais freqüentes. Estima-se que juntas, asdermatites alérgicas de contato e as dermatites de contatopor irritantes, respondam por cerca de 90% dos casos de dermatosesocupacionais. As dermatites de contato por irritantes sãomais freqüentes que as dermatites alérgicas. Estudosepidemiológicos realizados em distintos paísesmostram taxas de incidência entre 2 a 6 casos em cada dez miltrabalhadores/ano, o que significa que as dermatites de contatoirritativas são, provavelmente, as doençasprofissionais mais freqüentes.

Entre os agentes causais destacam-se os ácidos eálcalis fortes que, dependendo da concentraçãoe do tempo de exposição, também produzemqueimaduras químicas e sabões e detergentes.

As dermatites de contato por irritantes, relacionadascom o trabalho, devem ser enquadradas no Grupo Ida Classificação de Schilling, sendo otrabalho considerado causa necessária.

3.5.1. Diagnostico e QuadroClinico

O quadro clínico varia de acordo com oirritante, podendo aparecer sob a forma de dermatitesindistinguíveis das dermatites de contato alérgicasagudas, até ulcerações vermelhas profundas,nas queimaduras químicas.

A dermatite irritativa cumulativa é maisfreqüente que a “aguda” ou “acidental”. Agressõesrepetidas, por irritantes de baixo grau ocorrem ao longo do tempo.Nestes casos, a secura da pele e o aparecimento de fissurassão freqüentemente os primeiros sinais, que evoluempara eritema, descamação, pápulas,vesículas e espessamento gradual da pele.

As dermatites de contato irritativas podem serfacilmente diagnosticadas pela históriaclínica-ocupacional, e com freqüência ocorremcomo “acidentes”.

Os testes epicutâneos ou patch testnão estão indicados para o diagnóstico dedermatites irritativas. Eventualmente, as mesmas substânciasirritativas, mas em concentrações muito mais baixas,poderão ser testadas para fins de esclarecimentoetiológico da dermatite de contato alérgica.

O diagnóstico diferencial deve ser feito com osquadros de dermatites de contato alérgicas, psoríase,herpes simples e herpes zoster, reaçõesidiopáticas vesiculares pela presença doTrichophyton nos pés (micides), eczema numular, ereações cutâneas a drogas, entre outrasdoenças.

3.5.2.Tratamento

O tratamento é feito com cuidadoshigiênicos locais para prevenir a infecçãosecundária e uso sintomático deanti-histamínicos. Cremes de corticóidestambém podem ser usados .

4. CONCLUSÕES

Através deste trabalho, pode-se concluirque:

Os diversos produtos químicos, podem trazervários problemas para a saúde dos trabalhadores,sendo que os mais comuns são as dermatoses ocupacionais, asquais podem aparecer na barriga, braços, mãos, e emoutros membros do corpo humano que estejam em contatocontínuo com este óleo de corte;

Embora as dermatites apareçamfreqüentemente nos trabalhadores, estas podem ser evitadas seas condições ideais de higiene forem seguidas pelaspessoas que manuseiam estes tipos de produto (fluidos de corte,óleos minerais, etc.).

É importante salientar que a dermatite decontato não tem cura definitiva sendo fundamental afastar-sedo agente causador (contactante).

5. REFERÊNCIAS

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________Dermatoses Ocupacionais. In:MENDES, R. (Ed.) Patologia do Trabalho. Rio de Janeiro, Atheneu,1995.

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MUNGUBA, M.C. Videogame: estratégias deaprendizagem, visão do terapeuta ocupacional para oséculo XXI – aporte para terapeutas ocupacionais,educadores e pais. Fortaleza (CE): Universidade de Fortaleza;2002.

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REVISTA MEIO AMBIENTE INDUSTRIAL.Proteção da Pele. Revista MeioAmbiente Industrial, ano III, edição 14, nº. 13,Editora Tocalino, julho/agosto, p. 90-91. 1998.

SÂO PAULO. Universidade de São Paulo(USP). Terapia Ocupacional. São Paulo: AUniversidade; 1997.

VON MUTIUS E. The Environmental Predictors ofAllergies Disease. J. Allergy Clin. Immunol. 2000.

Anexo I

Lista de Doenças da Pele e TecidoCutâneo Relacionadas com o Trabalho segundo a Portaria MS/Nº. 1.339/GM de 18 de novembro de 1999

Dermatoses Pápulo-Pustulosas e suasComplicações Infecciosas Relacionadas com o Trabalho(L08.9)
Dermatites Alérgicas de Contato Relacionadas com oTrabalho (L23.-)
Dermatites de Contato por Irritantes Relacionadas com oTrabalho (L24.-)
Urticária Relacionada com o Trabalho (L50.-)
Queimadura Solar Relacionada com o Trabalho (L55.-)
Outras Alterações Agudas da Pele devidas àRadiação Ultravioleta Relacionadas com o Trabalho(L56.-): Dermatite por Fotocontato (L56.2); Urticária Solar(L56.3); Outras Alterações Especificadas (L56.8);Outras Alterações Não Especificadas(L56.9)
Alterações da Pele devidas àExposição Crônica àRadiação Não-Ionizante, Relacionadas com oTrabalho (L57.-): Ceratose Actínica (L57.0); DermatiteSolar, “Pele do Agricultor”, “Pele do Marinheiro” (L57.8)
Radiodermatite: Aguda, Crônica e Não EspecificadaRelacionada com o Trabalho (L58.-)
Outras Formas de Acne Relacionadas com o Trabalho: “Cloracne”(L70.8)
Outras Formas de Cistos Foliculares da Pele e do TecidoSubcutâneo, Relacionadas com o Trabalho:”ElaioconioseFolicular” ou “Dermatite Folicular” (L72.8)
Outras Formas de Hiperpigmentação pela Melanina:”Melanodermia” Relacionada com o Trabalho (L81.4)
Leucodermia, Não Classificada em Outra Parte,Relacionada com o Trabalho (inclui “Vitiligo Ocupacional”)(L81.5)
Porfiria Cutânea Tardia Relacionada com o Trabalho(E.80.1/L81.8))
Ceratose Adquirida (Ceratodermia) Palmar e Plantar Relacionadascom o Trabalho (L85.1)
Úlcera Crônica da Pele Relacionada com o Trabalho(L98.4)
Geladuras (Frostbite) Relacionadas com o Trabalho(T33-T35)

DERMATOSES OCUPACIONAIS 1/2

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RESUMO

O Problema das dermatoses ocupacionais é amplo e muito complexo, sendo uma das maiores causas de falta ao trabalho em todo o mundo. Mesmo para o médico do trabalho mais experiente é, muitas vezes, difícil para se lidar com esses pacientes, em especial no que se refere à sua relação com a indústria onde trabalha, pois é freqüente a necessidade de orientação segura no sentido de maior proteção no ambiente profissional, bem como até mudança de ramo de atividade, do que nem sempre é fácil convencer o paciente ou a empresa. A saúde dos trabalhadores e a convivência saudável entre este e seu ambiente de trabalho, é de vital importância para o bem estar da empresa, pois trabalhador em suas plenas condições de trabalho e saudável, a sua produção é alta. Portanto, são necessários que alguns cuidados sejam tomados quanto à saúde dos trabalhadores, quando os mesmos trabalham direta ou indiretamente com produtos perigosos quimicamente, principalmente os derivados do óleo mineral, petróleo, detergentes, solventes, plásticos, resinas, borracha natural, tintas, vernizes, corantes, petróleo e seus derivados, ácidos, álcalis e seus derivados. Os quais provocam freqüentemente dermatites ou dermatoses nos indivíduos, quando os mesmos ficam em contato com estes tipos de produto sem a mínima higiene exigida. Neste trabalho serão apresentadas as várias formas de dermatoses ocupacionais que podem aparecer na pele do indivíduo devido ao seu nocivo ambiente de trabalho, no qual o mesmo entra em contato diversos produtos de riscos. Também serão apresentadas algumas medidas preventivas contra as dermatoses e os principais métodos de diagnósticos das mesmas.

PALAVRAS-CHAVE: Indústrias, Trabalhador, Dermatoses, Dermatite ocupacional, Saúde do trabalhador, Exposição a produtos químicos

ABSTRACT

The Problem of the occupational dermatoses is wide and very complex, being one of the largest lack causes to the work all over the world. Even for the doctor of the most experienced work it is, a lot of times, difficult to work with those patient ones, especially in what he/she refers to ther relationship with the industry where works, therefore it is frequent the need of safe orientation in the sense of larger protection in the professional atmosphere, as well as even change of activity branch, that not always it is easy to convince the patient or the company. The workers health and the healthy coexistence between this and his/her work atmosphere, is of vital importance for the good to be of the company, because worker in their full work conditions and healthy, is production is high. Therefore, they are necessary that some carefuls are been as for the workers’ health, when the same ones work direct or indirectly with dangerous products chemically, mainly derived them of the mineral oil, petroleum, detergents, solvents, plastics, resins, natural eraser, paints, vernizes, coloring, petroleum and yours derived, acids, alkalis and yours derived. Which frequently provoke dermatitises or dermatoses in the individuals, when the same ones are in contact with these product types without the low demanded hygiene. In this work they will be presented the several forms of occupational dermatoses that can appear in the individual’s skin due to his/her noxious work atmosphere, in which the same enters in contact several products of risks. Also some will be introduced measured preventive against the dermatoses and the main methods of diagnoses of the same ones.

KEY WORDS: Industries, Worker, Dermatoses. Dermatitis, occupational, Worker’s health, Chemical compound exposures.

CAPITULO I

INTRODUÇÃO

As atividades industriais, ao longo dos tempos, promoveram mudanças irreversíveis no ambiente onde vivemos. Em decorrência de conotações determinantes na vida do ser humano resultam em mobilizações nas mais diversas frentes socioeconômicas e culturais, onde se busca resgatar a conscientização das organizações econômicas no sentido de atender aos requisitos de desenvolvimento sustentável na utilização dos recursos naturais. Porém, os resultados alcançados não têm se demonstrado satisfatórios, uma vez que o processo de degradação do meio ambiente se externa a cada dia em suas diversas configurações sob a responsabilidade do homem, que atenda aos seus objetivos somente nos rendimentos econômicos de suas atividades em detrimento dos recursos naturais.

Os casos mais freqüentes de dermatoses ocupacionais são as chamadas dermatites de contato. Elas são desencadeadas por três formas de contato: por irritantes absolutos (no caso, a dermatite já é sentida no primeiro contato com produtos cáusticos, por exemplo), irritantes relativos (a dermatite surge após sucessivas exposições ao agente com grau maior ou menor de intensidade, de acordo com a concentração do agente desencadeante da reação) e sensibilizantes (surge após um período variável de exposição ao agente; neste caso pode demorar semanas, meses ou mesmo anos para aparecer).

Dentro das dermatoses ocupacionais, além das dermatites eczematosas de contato, podemos encontrar lesões diferentes dependendo do tipo de agente causador da dermatite. Podem ocorrer erupções acneiformes causadas por óleos e roupas sujas por derivados de (petróleo), discromias (alterações na cor da pele, geralmente encontradas em trabalhadores da indústria de borracha), queratoses (provocadas por traumas repetidos em determinadas áreas do corpo), ulcerações (provocadas normalmente pelo uso do cromo) e dermatoses agravadas pela luz solar. As dermatites de contato podem ser desencadeadas por vários tipos de substâncias: metais (principalmente níquel, cromo e cobalto), detergentes, solventes, plásticos, resinas, borracha natural, tintas, vernizes, corantes, petróleo e seus derivados, ácidos, álcalis e seus derivados.

Quanto à estimativa das dermatoses ocupacionais, tem-se que elas ocupam lugar de relevância entre as doenças relacionadas ao trabalho. Observa-se, na bibliografia, índices variando entre 20% a 70%, Em torno de 1/3 das alergias desse tipo se tornam crônicas, pela exposição continuada e pelo diagnóstico tardio. Malten et al. (1963) atribuíram essas variações à extensão e ao tipo de industrialização onde o estudo é realizado, assim como à experiência e interesse de dermatologistas na dermatite de contato. Nos países desenvolvidos, essa incidência tem caído (ATSDR, 1993; Birmingham, 1998). A razão precisa deste declínio, explica Mathias (1994), não é conhecida. Ainda segundo Mathias (1994), a aplicação de processos de automação e o emprego de novas tecnologias dentro da indústria tenham sido fatores que contribuíram para a redução do número total de indivíduos expostos diretamente a produtos potencialmente irritantes e alérgenos.

Segundo Birmingham (1998) a ampliação da automação e do enclausuramento de processos industriais e a melhor preparação de gerentes, supervisores e trabalhadores na prevenção de doenças ocupacionais em geral têm sido apontados como causas deste declínio. Contudo, ainda segundo Birmingham (1998), na maioria dos países não existe ainda uma avaliação precisa do número de casos, de fatores causais, de tempo de perda de serviço ou do custo real de doença cutânea ocupacional.

1. PROBLEMÁTICA

As Dermatoses Ocupacionais, embora benignas em sua maioria, constituem problema de avaliação difícil e complexa. Referem-se a toda alteração da pele, mucosa e anexos, direta ou indiretamente causada, condicionada, mantida ou agravada pela atividade de trabalho.

Geralmente as dermatoses são ocasionadas por agentes biológicos, físicos e, principalmente, por agentes químicos. Aproximadamente 80% das Dermatoses Ocupacionais são provocadas por substâncias químicas presentes nos locais de trabalho, ocasionando quadros do tipo irritativo (a maioria) ou do tipo sensibilizante. O diagnóstico é realizado a partir da anamnese clínico-ocupacional e do exame físico. O teste de contato deve ser realizado quando se suspeita de quadro do tipo sensibilizante, visando identificar o(s) agente(s) alergênico(s).

Em se referindo aos riscos tecnológicos ambientais, Porto & Freitas (1997) salienta a problemática da expansão, em nível mundial, da capacidade de produção, armazenamento, circulação e consumo de substâncias químicas. Explicam que a lógica de desenvolvimento industrial e inovações tecnológicas ao ramo químico vêm possibilitando um crescimento dos riscos numa velocidade bem maior do que a capacidade científica e institucional de analisá-los e gerenciá-los. Observa-se ainda que nos países de economia semiperiférica como o Brasil, somam-se aos riscos decorrentes da própria industrialização as fragilidades sociais, institucionais e técnicas, que acentuam a vulnerabilidade dessas sociedades frente aos riscos tecnológicos.

1.1 OBJETIVOS

1.1.2 Objetivos Gerais

Caracterizar as dermatoses ocupacionais, suas principais definições e as suas correlações com o ambiente de trabalho.

1.1.3 Objetivos Fundamentais

Levantar os riscos ocupacionais nos diversos ambientes de trabalho;
Determinar um método para avaliação dos indicadores de riscos no ambiente de trabalho e as oportunidades num processo de melhoria contínua;
Identificar os riscos ocupacionais associados às atividades e produtos nas empresas;
Analisar a segurança e saúde do trabalho em relação às dermatoses.
1.2. JUSTIFICATIVA

A segurança, como princípio da própria sobrevivência, é inerente à vida do homem deste o momento de seu nascimento, e está presente em todas as suas atividades, das mais simples às mais complexas. Os perigos, no seu dia a dia, são iminentes. Isso exige do homem, a necessidade premente de reconhecer os perigos que o cerca, e atuar sobre os mesmos, no sentido de criar condições para o seu controle. Sem dúvida alguma, que estes aspectos quando colocados frente a uma situação de trabalho, são ampliados, podendo gerar conseqüências desagradáveis ao homem, à organização e, até à nação.

Cada risco específico possui metodologias particulares de avaliação, tanto quantitativa como qualitativamente, sendo muitas delas extremamente complexas, o que pode implicar na assessoria ou incorporação estratégica de especialistas em sua análise. Esta inclusão é um dos elementos fundamentais para o sucesso das ações preventivas.

As dermatoses ocupacionais são lesões causadas por agentes físicos, químicos e biológicos decorrentes da exposição ocupacional, causando danos à pele do trabalhador sem a devida proteção. Essas condições são inerentes à organização do trabalho que busca atingir os objetivos de alta produtividade e qualidade do produto, com o dimensionamento de trabalhadores e recursos materiais estipulado pelas empresas, sem que o critério de qualidade de vida no trabalho seja de fato levado em conta. A organização do trabalho, sem considerar o fator humano e seus limites, se estrutura nos diferentes níveis hierárquicos, tendo como características a inflexibilidade e alta intensidade do ritmo de trabalho, pressão para produtividade, impossibilidade de controle por parte dos trabalhadores. As alterações na pele, mucosas e anexos do trabalhador são freqüentes em muitas dessas atividades e representam parcela importante das doenças profissionais. Elas não chegam às estatísticas e sequer ao conhecimento dos especialistas. Muitas são autotratadas, outras são atendidas no próprio ambulatório da empresa.

O presente trabalho tem como meta aprimorar os conhecimentos, que visem mobilizar recursos para interagir, com os fatores geradores de doenças nos trabalhadores; para minimizá-los e na medida do possível neutralizá-los totalmente.

1.3. METODOLOGIA

Os objetivos deste trabalho é uma revisão da literatura principalmente sob a ótica da Teoria Institucional, como está ocorrendo, sobre as dermatoses ocupacionais em ambiente de trabalho e da segurança do trabalho, nas empresas e organizações do Brasil. A pesquisa visa descrever uma determinada realidade, logo pode ser considerada como descritiva, do tipo teórico e empírico.

Considera-se o paradigma interpretativo o mais adequado ao objeto em estudo. O padrão interpretativo, assim como o funcionalista, preocupa-se com a regulação social, porém de um ponto de vista subjetivista (LAKATOS & MARCONI, 2001). Assim, para melhor considerar a subjetividade, opta-se por uma pesquisa qualitativa. Como método de abordagem, a pesquisa foi conduzida de forma indutiva, realizada em três etapas: a observação dos fenômenos, a descoberta da relação entre eles e a generalização da relação (LAKATOS & MARCONI, 2001). Utilizou-se também como método de procedimentos, o estudo de caso, definido como uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo, dentro de seu contexto da vida real (YIN, 2001).

A natureza da pesquisa pode ser definida como básica, pois objetiva produzir novos conhecimentos. Define-se entendesse por pesquisa básica “o tipo de estudo que tem por objetivo gerar conhecimentos novos, úteis para o avanço da ciência sem aplicação prática prevista”. Do ponto de vista da abordagem do problema, a pesquisa classifica-se como qualitativa. Silva e Menezes (2001) citam que a pesquisa qualitativa “considera que tudo pode ser quantificável, o que significa traduzir em números opiniões e informações para classificá-los e analisá-los”.

Com relação aos objetivos a pesquisa pode ser classificada como exploratória. Gil (2002) define a pesquisa exploratória como sendo a pesquisa que “têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo mais explicito ou a construir hipóteses”. Para Selltiz et al (apud GIL, 2002) na maioria dos casos, a pesquisa exploratória envolve:

Levantamento bibliográfico;
Entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; e
Análise “de exemplos que estimulem a compreensão”.
Serão utilizados neste trabalho dois tipos de pesquisas, a saber: a pesquisa bibliográfica, constituída principalmente de artigos científicos e livros, visto que permite a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla; e a pesquisa documental. Embora esta última se assemelhe à pesquisa bibliográfica, permite que se tenha acesso a documentos tipo: reportagens de jornal, relatórios de pesquisa, documentos oficiais.

A pesquisa bibliográfica deste trabalho foi elaborada de acordo com o esquema de leitura cujos princípios são análise textual, temática, interpretativa, e problematização e síntese pessoal Severino (1996).

CAPITULO II

2. Dermatoses

A incidência das doenças alérgicas tem aumentado, especialmente nos países industrializados do mundo. As razões para o aumento da incidência das doenças alérgicas são ainda desconhecidas, mas fatores hereditários e ambientais são reconhecidamente importantes, e o nível de exposição aos alérgenos é um dos fatores de risco para o desenvolvimento da sensibilização, entre outros (LILJA & WICKMAN, 1998; Von MUTIUS, 2000).

No ambiente interno de trabalho, o aumento da morbidade das doenças alérgicas pode estar relacionado ao aumento da exposição alergênica (CARRER et aI. 2001). O desenvolvimento e a introdução de novos processos ou produtos nos locais de trabalho têm exercido influência na relação entre riscos e desenvolvimento de saúde ou doença. Além disso, esta relação executada sob determinadas condições tem levado ao aumento da exposição ocupacional, resultando em acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais. No ambiente hospitalar, as doenças ocupacionais como a asma, rinite e dermatoses são consideradas decorrentes da exposição a estas fontes de alérgenos (BERNSTEIN, 1997).

O termo “dermatose” é definido como qualquer doença da pele, significando esta expressão um estado anormal da pele em decorrência do contato de agentes internos ou externos que possam vir a agredi-la com manifestações inflamatórias cutâneas, sensibilizando o ser portador, não só no aspecto estético (físico), mas principalmente no emocional (sentimentos) e no psicológico (mental).

O desenvolvimento e a introdução de novos processos ou produtos nos locais de trabalho têm exercido influência na relação entre riscos e desenvolvimento de saúde ou doença. Além disso, esta relação executada sob determinadas condições tem levado ao aumento da exposição ocupacional, resultando em acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais. No ambiente hospitalar, as doenças ocupacionais como a asma, rinite e dermatoses são consideradas decorrentes da exposição a estas fontes de alérgenos (BERNSTEIN, 1997).

2.1. A Pele

Segundo a literatura, a pele pesa cerca de 10% do peso do corpo de um indivíduo, possuindo um pH ideal entre 5,5 e 7,0, e tendo uma espessura de cerca de 4mm nas palmas das mãos e solas dos pés.

2.1.1. Funções da pele

As principais funções da pele são:

Realizar a proteção do corpo contra a entrada de agentes químicos, físicos e biológicos;
Efetuar o controle da temperatura do corpo humano (a transpiração, os vasos sanguíneos e a camada de gordura são os responsáveis pelo controle da temperatura). Ressaltando-se que são através dos vasos sanguíneos que os contaminantes são absorvidos;
A pele é ainda um órgão sensitivo, sendo que as células nervosas receptoras são responsáveis por repassar as sensações de calor, dor, frio, tato ao cérebro;
Servir como um órgão excretor, o que é possibilitado pela transpiração (evaporação de substâncias indesejáveis ao organismo);
Trabalhar como um órgão metabólico, o qual deve produzir vitamina D na presença da luz solar;
Responsável pela cor do corpo, que é dada em função da quantidade de pigmento existente. Observa-se, porém que algumas doenças como Sarampo, Sífilis podem mudar a cor da pele;
2.2. Definições de dermatose ocupacional

As dermatoses ocupacionais correspondem como a moléstia mais comum para a saúde dos trabalhadores, sendo que as dermatoses são caracterizadas por alterações da pele, mucosos e anexos diretamente relacionados por agentes inerentes à atividade profissional do trabalhador (PEREZ, 1998).

Para Ali (1998), o termo dermatose é amplo demais, pois envolve tudo o que possa ocorrer na pele da pessoa. A dermatite é considerada uma dermatose ocupacional proveniente do ambiente de trabalho da pessoa, seja de forma direta ou indireta, sendo que esta doença não atinge somente a pele, mas também pode atingir cabelos, mucosas e unhas.

Segundo Ali (1998), a dermatite de contato, que é uma das formas de dermatite, ocorre na área de contato da pele do trabalhador com a substância nociva. A substância química que entrou em contato com a pele do operador pode ser irritativa ou alérgica, o que causará dermatites irritativas e alérgicas respectivamente na pele agredida.

No Brasil, as dermatoses ocupacionais ocorrem em maior número na construção civil e em segundo lugar nas indústrias metalúrgicas, sendo que estas têm maiores incidências em empresas de pequeno porte, onde não são utilizados corretamente os EPI’s adequados para cada ambiente de trabalho, ou ainda os mesmos são utilizados sem conhecimento de forma errônea (ALI, 1998).

Ali (1998) afirma que na indústria metalúrgica, a maioria dos casos são dermatites irritativas causadas principalmente pelos óleos de cortes (óleos minerais). Dentro destas indústrias, ocorre um quadro clínico bem comum denominado de Elaioconiose, que acontece no osteofolicular, que nada mais é que o orifício por onde sai o pelo, sendo que o óleo ou a graxa acaba por penetrar nesta região, obstruindo, irritando e infectando a pele levando a formação de pequenas lesões que se aparentam com uma acne, por isso, também são conhecidas como erupções acneiformes. Ressalta-se que estas erupções acneiformes podem ocorrer em várias partes do corpo, como na mão, no braço, na perna, barriga, coxa, etc.

Normalmente, as alergias mais comuns, que se manifestam na pele, representam à dermatite de contato e a dermatite atópica. Os possíveis agentes causadores são os medicamentos, alimentos e aditivos alimentares, infecções e infestações parasitárias, picadas de insetos, estresse emocional e físico, entre outros (FONSECA, 1985).

Dermatose ocupacional é toda alteração das mucosas, pele e seus anexos que seja:

Direta constituída pelos agentes biológicos, físicos, químicos ou mecânicos presentes no trabalho que atuariam diretamente sobre o tegumento produzindo ou agravando uma dermatose pré-existente. ou
Indiretamente causada, condicionada, mantida ou agravada por agentes presentes na atividade ocupacional ou no ambiente de trabalho (Ali 1997). Ou as causas indiretas podem ter como fatores Predisponentes a idade, sexo, raça, antecedentes mórbidos e doenças concomitantes, fatores ambientais como o clima (temperatura, umidade), hábitos, facilidades de higiene, físicos, químicos, existentes no meio ambiente e que atuariam diretamente sobre o tegumento, quer causando, quer agravando dermatose preexistente (Birmingham 1998).
As principais dermatoses ocupacionais podem ser assim classificadas:

a) Dermatites de contato irritativas;

b) Dermatites de contato alérgicas;

c) Dermatites de contato com fotosensibilidade;

d) Ulcerações;

e) Erupções acneiformes;

f) Discromias;

g) Distrofias ungueais,

h) Câncer cutâneo;

i) Outras dermatoses.

As Dermatoses Ocupacionais compreendem as alterações da pele, mucosos e anexos direta ou indiretamente causados, mantidos ou agravados pelo trabalho. São determinadas pela interação de dois grupos de fatores:

Aproximadamente 80% das dermatoses ocupacionais são originadas por agentes químicos, substâncias orgânicas e inorgânicas, irritantes e sensibilizantes. A maioria é de tipo irritativo e um menor número é de tipo sensibilizante (ALI, 1998). As dermatites de contato são as dermatoses ocupacionais mais freqüentes. Estima-se que juntas, as dermatites alérgicas de contato e as dermatites de contato por irritantes, representam cerca de 90% dos casos das dermatoses ocupacionais. Apesar de, na maioria dos casos, não produzirem quadros considerados graves são, com freqüência, responsáveis por desconforto, prurido, ferimentos, traumas, alterações estéticas e funcionais que interferem na vida social e no trabalho.

A dermatite de contato está relacionada ao exercício da profissão pelo trato direto com substâncias irritantes fortes e afetam de 3% a 4% da população adulta, sendo que a incidência vária de pais para pais, de acordo com o grau de industrialização (BRASIL, 1992). A dermatite atópica ocorre principalmente na infância, sendo que 60% a 80% dos casos iniciam-se no primeiro ano de vida e 95% até os cinco anos de idade. Vários fatores podem atuar no desenvolvimento da dermatite atópica, como pêlos de animais, poeira, ácaros, fungos e alguns tipos de alimentos, especialmente os corantes; também são fatores de ocorrência as substâncias químicas e estresse físico e emocional.

A ocorrência das dermatoses se reflete na influência cutânea do organismo doente, por modificar completamente o estado relativo da pele, em virtude da intensidade em dose e tempo da ação dos produtos do trabalho em contato com o tegumento. As emoções, ansiedades e os estados depressivos, originados dos problemas vivenciados por essa clientela, têm significados positivos no desenvolvimento e retorno das crises da doença (FONSECA, 1985).

Validamente, os problemas apresentados por essas pessoas são evidenciados pela complexidade e pluralidade das limitações educacionais, sociais e econômicas, as quais, muitas vezes, impedem que recebam um tratamento adequado pelos profissionais de saúde.

Deste modo, cumpre-se enfatizar que a participação da Terapia Ocupacional nessa área de atuação simboliza o “cuidado”, centrado numa abordagem humanizadora que perceba a pessoa doente na sua totalidade, considerando os aspectos psicológicos, emocionais, culturais, econômicos e outros. É preciso enxergar a pessoa doente como um sujeito que carrega não somente problemas físicos, um órgão doente, mas angústias sentidas, dúvidas, ansiedades, problemas familiares, sofrimentos de sua história de vida, bem como é necessário considerar suas crenças e emoções próprias.

A Terapia Ocupacional é definida como “campo de conhecimento e de intervenção em saúde, educação e na esfera social, reunindo tecnologias orientadas para a emancipação e autonomia das pessoas que, por razões ligadas a problemáticas específicas (físicas, sensoriais, psicológicas, mentais e/ou sociais), apresentem, temporária ou definitivamente, dificuldades na inserção e participação na vida social. As intervenções em Terapia Ocupacional dimensionam-se pelo uso de atividades, elemento centralizador e orientador na construção complexa e contextualizada do processo terapêutico” (SÃO PAULO, 1997).

No âmbito da Medicina do Trabalho, como foco de intervenção, construir o elo inicial de uma cadeia evolutiva para a comunidade. Sua prática se constitui vinculada ao uso de atividades, sejam elas de autocuidado, de lazer ou laborativas, adotando prática que estimule as pessoas a reconhecerem seu estado de saúde e as mudanças necessárias no cotidiano, a fim de que elas conquistem sua autonomia.

Segundo De Carlos (2001):

As atividades são recursos que proporcionam um conhecimento de uma experiência que auxiliam na transformação de rotinas e ordem estabelecidas e oferecem às pessoas instrumentos que sejam para o seu próprio uso, ampliando a comunicação, permitindo crescimento pessoal, autonomia, interação social e inclusão cultural.

Neste aspecto, as atividades são consideradas como meios pelos quais uma pessoa é capaz de experimentar e mudar o ambiente, podendo ser utilizadas pelo terapeuta com esse fim.

Conseqüentemente, devem ser realizadas durante o procedimento de intervenção que tem lugar no setting terapêutico, constituído em uma realidade virtual, porque ele se configura em qualquer espaço que favoreça condições para a realização das atividades e o processo dinâmico relacional entre a pessoa do paciente e a do terapeuta (MUNGUBA, 2002).

2.3. Meios de Diagnostico das Dermatoses Ocupacionais

Para o diagnóstico e o estabelecimento das condutas adequadas às dermatoses ocupacionais, confirmadas ou suspeitas, é importante considerar os seguintes aspectos:

Quadro clínico;
História de exposição ocupacional observando-se concordância entre o início do quadro e o início da exposição, bem como a localização das lesões em áreas de contato com os agentes suspeitos;
Melhora com o afastamento e piora com o retorno ao trabalho; e
Teste epicutâneo positivo, nos casos de dermatites de contato por sensibilização.
Os testes epicutâneos constituem uma ferramenta auxiliar para a investigação de processos alérgicos, porém, seus limites e regras para execução devem ser estritamente observados. Não devem ser utilizados como critério exclusivo para o diagnóstico e podem apresentar algumas complicações como iatrogenia e, ou agravamento do quadro. Consistem na re-exposição, de forma controlada, da pele do paciente ao contato com substâncias químicas, em concentrações não irritantes. Estas são colocadas, de modo ordenado e identificadas, sobre uma tira de Micropore e fixadas na pele do dorso do paciente. Depois de 48 horas retira-se a fita e decorridos 30 a 60min faz-se a primeira leitura. Novas leituras deverão ser feitas em 24 a 48 horas após a primeira. Os resultados devem ser classificados segundo os critérios estabelecidos pelo International Contact Dermatitis Group.

Outros recursos, como exames laboratoriais e histopatológicos podem contribuir para o diagnóstico das dermatoses ocupacionais. Porém, nenhum desses recursos substitui uma história bem colhida, o exame físico cuidadoso e o conhecimento por parte do profissional que atende o trabalhador, dos principais produtos e alergênicos, potencialmente presentes no trabalho, capazes de provocar dermatoses.

2.4. Tratamento das Dermatoses

O tratamento das dermatoses ocupacionais varia de acordo com a gravidade das lesões, e com as causas que as determinam e deve ser orientado pelo especialista. Muitas vezes, medicamentos tópicos, como pomadas e cremes contendo corticóides, picrato de butesin, antimicóticos, prometazina, entre outros, se mal utilizados, podem determinar iatrogenia, causando sensibilização ou agravando o quadro pré-existente. O mesmo se aplica à medicação sistêmica, como por exemplo, anti-histamínicos, antibióticos e corticóides por via oral e parenteral.

A prevenção das Doenças da Pele e do Tecido Subcutâneo Relacionadas com o Trabalho baseia-se na Vigilância da Saúde dos trabalhadores, vigilância epidemiológica de agravos e vigilância sanitária de ambientes e condições de trabalho. Apoia-se em conhecimentos médico-clínicos, epidemiológicos, de higiene ocupacional, toxicologia, ergonomia, psicologia, entre outras disciplinas, valoriza a percepção dos trabalhadores sobre o trabalho e a saúde e considera as normas técnicas e regulamentos vigentes. Estes procedimentos podem ser resumidos em:

Reconhecimento das atividades e locais de trabalho onde existam substâncias químicas, agentes físicos e biológicos e ou fatores de risco decorrentes da organização do trabalho, potencialmente causadores de doença;
Identificação dos problemas ou danos potenciais para a saúde, decorrentes da exposição aos fatores de risco identificados;
Proposição das medidas a serem adotadas para a eliminação ou redução da exposição aos fatores de risco e de promoção e proteção da saúde dos trabalhadores;
Orientação e informação dos trabalhadores e empregadores.
A partir da confirmação do diagnóstico da doença e de sua relação com o trabalho, seguindo os procedimentos previstos, os serviços de saúde responsáveis pela atenção a trabalhadores devem implementar as seguintes ações:

Avaliação da necessidade de afastamento (temporário ou permanente) do trabalhador da exposição, do setor de trabalho ou do trabalho como um todo. Este procedimento poderá ser necessário mesmo antes da confirmação do diagnóstico, diante de uma forte suspeita;
Caso o trabalhador seja segurado pelo SAT/Previdência Social, solicitar à empresa a emissão da CAT preencher o LEM e encaminhar ao INSS. Em caso de recusa de emissão de CAT pela empresa, o médico assistente deve fazê-lo;
Acompanhamento e registro da evolução do caso, particularmente se houver agravamento da situação clínica com o retorno ao trabalho;
Notificação do agravo no sistema de informação de morbidade do SUS e à Delegacia Regional do Trabalho. Dependendo das circunstâncias, o sindicato da categoria a qual pertence o trabalhador também deverá ser informado;
Ações de vigilância epidemiológica visando à identificação de outros casos, através de busca ativa na mesma empresa ou ambiente de trabalho, ou em outras empresas do mesmo ramo de atividade na área geográfica;
Se necessário, completar a identificação do agente agressor (físico, químico, ou biológico) e das condições de trabalho determinantes do agravo e de outros fatores de risco contribuintes;
Inspeção da empresa ou ambiente de trabalho, de origem do paciente e de outras empresas do mesmo ramo de atividade na área geográfica, procurando identificar os fatores de risco para a saúde e as medidas de proteção coletiva e equipamentos de proteção individual utilizados. Pode ser importante a verificação da existência e adequação do PPRA (NR-9) e PCMSO (NR-7) da Portaria 3.214/78 do Ministério do Trabalho; e
Recomendação sobre as medidas de proteção a serem adotadas pelo empregador, informando-as aos trabalhadores.
A proteção da saúde e prevenção da exposição aos fatores de risco envolve medidas de engenharia e higiene industrial, mudanças na organização e gestão do trabalho e de controle médico dos trabalhadores expostos, entre elas:

Substituição do agente, substância, ferramenta ou tecnologia de trabalho por outro mais seguro, menos tóxico ou lesivo;
Isolamento da máquina, agente, ou substância potencialmente lesiva, através de enclausuramento do processo, suprimindo ou reduzindo a exposição;
Medidas de higiene e segurança ocupacional, como a implantação e manutenção de sistemas de ventilação local exaustora adequados e eficientes, capelas de exaustão, controle de vazamentos e incidentes através de manutenção preventiva e corretiva de máquinas e equipamentos, monitoramento sistemático dos agentes agressores;
Adoção de sistemas de trabalho e operacionais seguros, através da classificação e rotulagem das substâncias químicas segundo propriedades toxicológicas e toxicidade;
Diminuição do tempo de exposição e do número de trabalhadores expostos;
Informação e comunicação dos riscos aos trabalhadores;
Utilização de equipamentos de proteção individual, especialmente óculos e máscaras adequadas a cada tipo de exposição, de modo complementar às medidas de proteção coletiva; e
Medidas de controle médico e monitoramento biológico dos trabalhadores expostos.
As ações de observação e controle médico têm como finalidade identificar a doença em seu estado latente, ou inicial, quando algum tipo de intervenção pode reverter ou diminuir a velocidade de instalação e progressão dos processos patológicos. Devem ser realizados exames admissional e periódico dos trabalhadores expostos, com utilização de questionários padronizados e exames físicos e complementares direcionados para a avaliação da pele e tecido subcutâneo.

E fundamental a garantida aos trabalhadores condições para limpeza e higiene pessoal nos locais de trabalho, entre elas:

Existência e acesso fácil à água corrente, quente e fria, em abundância, com chuveiros, torneiras, toalhas, e agentes de limpeza apropriados. Chuveiros de emergência devem estar disponíveis em ambientes onde são utilizadas substâncias químicas corrosivas. Podem ser necessários banhos por mais de uma vez por turno e troca do vestuário em caso de respingos e contato direto com essas substâncias;
Utilização de sabões ou sabonetes neutros ou mais leves possíveis;
Disponibilidade de limpadores/toalhas de mão para limpeza sem água para óleos, graxas e sujeiras aderentes. Nunca devem ser usados solventes, como querosene, gasolina, thinner, para limpeza da pele; eles dissolvem a barreira cutânea (camada protetora de gordura da pele), induzem a dermatite irritativa e predispõem a dermatite de contato;
Creme hidratante para ser usado nas mãos, especialmente se é necessário lavá-las com freqüência;
Roupas protetoras com a finalidade de bloquear o contato da substância com a pele. Os uniformes e aventais devem estar limpos e serem lavados e trocados diariamente. A roupa deve ser escolhida de acordo com o local da pele que necessita de proteção e com o tipo de substância química envolvida e incluem: luvas de diferentes comprimentos, sapatos e botas, aventais e macacões, de materiais diversos: plástico, borracha natural ou sintética, fibra de vidro, metal e combinação de materiais. Capacetes, bonés, gorros, óculos de segurança e proteção respiratória também podem ser necessários; e
O vestuário contaminado deve ser lavado na própria empresa, com os cuidados apropriados. Em caso de contratação de empresa especializada para esta lavagem, devem ser tomadas medidas de proteção adequadas ao tipo de substância também para esses trabalhadores.
Sobre o uso de luvas, é importante lembrar que as de borracha natural são impermeáveis à maioria dos compostos aquosos, porém, deterioram-se após exposição a ácidos e bases fortes. Os sais de níquel penetram na borracha, porém não em luvas de PVC (policloreto de vinila). As borrachas sintéticas são mais resistentes a álcalis e solventes; algumas são alteradas por solventes hidrocarbonetos clorados. É recomendável utilizar luvas de algodão por dentro das luvas sintéticas, para maior proteção à pele das mãos.

Ainda sobre a indicação e utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e os cremes protetores ou de barreira, deve-se consultar as Normas Regulamentadoras e as Portarias MTb N° . 06/83 e N° 26/94.

Os cremes protetores ou cremes de barreira, em geral, oferecem menos proteção do que as roupas, incluindo uniformes, luvas, botas, mas podem ser úteis nos casos em que, por motivos de segurança ou acuidade das tarefas, não é possível o uso de luvas. Esses cremes devem ser aplicados na pele limpa, removidos sempre que a pele ficar excessivamente suja, ou no final do turno, e então reaplicada. O uso apropriado desses cremes não só protege a pele como obriga o trabalhador a lavar-se, pelo menos, duas vezes durante o turno de trabalho. É necessário lembrar que alguns constituintes desses cremes, como lanolina, propileno glicol e protetores solares. Podem induzir dermatites de contato. No mercado estão disponíveis quatro tipos de cremes protetores:

Vanishing creams: contêm detergentes, que permanecem na pele e facilitam a remoção da sujeira quando lavados;
Repelentes de água: deixam uma camada de substância que repele água, tal como lanolina, petrolatum ou silicone, que impede o contato direto da pele com substâncias hidrossolúveis irritantes, tais como ácidos e álcalis;
Repelentes de solventes: repelem o contato direto de solventes com a superfície da pele, através de uma fina camada de creme oleoso ou seco; e
Cremes especiais: incluem os bloqueadores solares ou absorventes de radiações UVA e UVB, ou ambos os espectros de raios ultravioletas, e os cremes repelentes de insetos.

CAPITULO III

3. DERMATITES RELACIONADAS COM O TRABALHO

As Dermatites de contato, também denominadas por “eczema”, são inflamações agudas ou crônicas da pele, caracterizadas clinicamente por eritema, edema, vesiculação, na fase aguda, acompanhadas, freqüentemente por prurido intenso, e nas formas crônicas, por espessamento da epiderme (liquenificação), com descamação e fissuras, produzidas por substâncias químicas que, em contato com a pele, causam irritação ou reações alérgicas. Quando causam alergia são denominadas Dermatites alérgicas de contato.

3.1 Epidemiologia

As dermatites de contato são as dermatoses ocupacionais mais freqüentes. Estimam-se que juntas, as dermatites alérgicas de contato e as dermatites de contato por irritantes, respondam por cerca de 90% dos casos de dermatoses ocupacionais. A grande maioria dos agentes de origem ocupacional tem pouco poder de sensibilização, com exceção de algumas madeiras que podem provocar sensibilização em altas porcentagens (70% a 80%) dos trabalhadores expostos.

As dermatites alérgicas de contato relacionadas com o trabalho podem ser enquadradas nos Grupos I ou III da Classificação de Schilling. O trabalho pode ser causa necessária, em trabalhadores não alérgicos ou atópicos (Grupo I), ou desencadeador ou agravante, em trabalhadores atópicos, alérgicos, hipersensíveis ou previamente sensibilizados pelos mesmos alergenos e/ou por outros semelhantes (Grupo III).

3.2. Quadro Clínico e Diagnóstico

A dermatite alérgica de contato resulta de uma reação cutânea eczematosa, imunologicamente mediada por células-T, com resposta antígeno-específico, tardia, a um antígeno hapteno em contato com a pele. Ao se afastar do contato com o alergeno pode haver remissão total do quadro, mas a hipersensibilidade latente permanece e re-exposições voltam a desencadeá-lo.

O período de incubação, após a exposição inicial, pode variar de 5 a 21 dias. No trabalhador sensibilizado, re-exposto ao contato com um agente sensibilizante é previsível o aparecimento de uma dermatite eczematosa no período de 1 a 3 dias, e seu desaparecimento em 2 a 3 semanas, cessada a exposição. Sob exposição intensa ou exposição a agentes sensibilizantes potentes, as lesões podem aparecer mais rapidamente (dentro de 6 a 12 horas), e melhoram mais lentamente.

A aparência genérica das dermatites de contato alérgicas não é muito diferente das dermatites irritativas e, clinicamente, é difícil distingui-las. Tipicamente, o quadro se inicia com o aparecimento de eritema, seguido de pápulas e vesículas úmidas. Nas superfícies palmares e plantares e nas bordas dos dedos da mão e do pé, o primeiro sinal pode ser a presença de numerosas vesículas agrupadas, acompanhadas de intenso prurido. Novas áreas de dermatite aparecem na vizinhança das lesões originais, com coalescência posterior e extenso comprometimento. Podem aparecer lesões em locais distantes, não relacionados à exposição ocupacional, porém expostas, inadvertidamente, ao alergeno através das mãos.

Após exposições maciças a antígenos com alto poder de sensibilização, trabalhadores podem mostrar reações imediatas, tais como urticária e eritema multiforme. Posteriormente, toda a pele pode estar comprometida por um quadro dermatológico de lesões úmidas, crostosas e exfoliativas. Os quadros crônicos são caracterizados por pele espessada, com fissuras, e podem agudizar nas re-exposições ao antígeno ou contato com substâncias irritantes.

O diagnóstico e a caracterização como doença relacionada ao trabalho são feitos baseados na história clínica-ocupacional e no exame clínico. A identificação das substâncias alergenas (para fins de diagnóstico e para prevenção de novos contatos e da re-exposição) pode ser auxiliada pelos testes epicutâneos ou patch tests.

O diagnóstico diferencial deve ser feito com quadros de dermatites de contato irritativa, psoríase, herpes simples e herpes zoster, reações idiopáticas vesiculares pela presença do Trichophyton nos pés (micides), eczema numular, reações cutâneas a drogas, entre outras doenças.

3.3. Tratamento e Outras Condutas

As formas de tratamentos das dermatites de contato se caracterizam em cuidados higiênicos locais para prevenir a infecção secundária e uso de anti-histamínicos sistêmicos e cremes de corticóides. Em casos mais extensos deve-se empregar a corticoidoterapia sistêmica. O afastamento da exposição é essencial.

Nas formas agudas, sem infecção secundária pode-se utilizar compressas com solução de Burrow 1:20 ou 1:40; curativos fechados com cremes corticóides associando-se corticóide via oral. Quando associada à infecção secundária, tratar com compressas ou banhos de Permanganato de potássio (KMnO4) 1:20 mil ou 1:40 mil; curativos fechados com cremes corticosteróides e instituir antibioticoterapia.

Nas formas crônicas, utilizar cremes ou pomadas de corticóide na área afetada, cuidando para que não haja absorção demasiada do medicamento em decorrência da aplicação em grandes extensões de tegumento. Em áreas liquenificadas, fazer curativo com pomadas ou cremes de corticóide, ocluídos por plástico, durante a noite. Se houver prurido, associar anti-histamínico por via oral. Orientar o paciente para evitar coçaduras. Se houver infecção secundária, associar antibioticoterapia.

Apesar do manejo difícil, os eczemas cronificados de origem ocupacional respondem bem à terapêutica apropriada. Se tal não ocorrer, deve-se verificar a ocorrência de uma das seguintes possibilidades:

Trabalhador continua em contato com substâncias irritantes e sensibilizantes;
Áreas de tegumento se mantêm eczematizadas em decorrência de escoriações produzidas pelo ato de coçar; e
Poderá estar ocorrendo autolesionamento (dermatite artefacta) ou a contribuição importante de fatores emocionais na manutenção da dermatose.
3.4. Prevenção

A prevenção baseia-se na Vigilância da Saúde dos trabalhadores. Entre as facilidades para higiene pessoal a serem providas aos trabalhadores estão:

Existência e acesso fácil à água corrente, quente e fria, em abundância, com chuveiros, torneiras, toalhas, e agentes de limpeza apropriados. Chuveiros de emergência devem estar disponíveis em ambientes onde são utilizadas substâncias químicas corrosivas. Podem ser necessários banhos por mais de uma vez por turno e troca do vestuário em caso de respingos e contato direto com essas substâncias;
Utilização de sabões ou sabonetes neutros ou mais leves possíveis;
Disponibilidade de limpadores/toalhas de mão para limpeza sem água para óleos, graxas e sujeiras aderentes. Não utilizar solventes, como querosene, gasolina, thinner, para limpeza da pele;
Uso de creme hidratante nas mãos, especialmente se é necessário lavá-las com freqüência;
Uso de roupas protetoras para bloquear o contato da substância com a pele. Os uniformes e aventais devem estar limpos e serem lavados e trocados diariamente. A roupa deve ser escolhida de acordo com o local da pele que necessita de proteção e com o tipo de substância química envolvida e incluem: luvas de diferentes comprimentos, sapatos e botas, aventais e macacões, de materiais diversos: plástico, borracha natural ou sintética, fibra de vidro, metal e combinação de materiais. Capacetes, bonés, gorros, óculos de segurança e proteção respiratória também podem ser necessários; e
O vestuário contaminado deve ser lavado na própria empresa, com os cuidados apropriados. Em caso de contratação de empresa especializada para esta lavagem, devem ser tomadas as medidas de proteção adequadas ao tipo de substância também para esses trabalhadores.
As medidas de controle ambiental para a eliminação ou redução da exposição aos fatores de risco de natureza ocupacional nos limites considerados “seguros” incluem:

Enclausuramento de processos e isolamento de setores de trabalho;
Uso de sistemas hermeticamente fechados, na indústria ou, dotar as máquinas e equipamentos de anteparos para evitar que respingos de óleos de corte atinjam a pele dos trabalhadores;
Adoção de normas de higiene e segurança rigorosas com sistemas de ventilação exaustora adequados e eficientes;
Monitoramento ambiental sistemático;
Mudanças na organização do trabalho que permitam diminuir o número de trabalhadores expostos e o tempo de exposição;
Fornecimento, pelo empregador, de equipamentos de proteção individual adequados, em bom estado de conservação, nos casos indicados, de modo complementar com as medidas de proteção coletiva.
Recomenda-se a verificação do cumprimento, pelos empregadores, de medidas de controle dos fatores de riscos ocupacionais e acompanhamento da saúde dos trabalhadores prescritas na legislação trabalhista e nos regulamentos sanitários e ambientais existentes nos estados e municípios. Os Limites de Tolerância para exposição a algumas substâncias no ar ambiente, para jornadas de até 48 horas semanais, podem ser consultados na Norma Regulamentadora Nº. 15 (Portaria MTb Nº. 12/83). Para o ácido crômico (névoa) é de 0,04 mg/m3 e para o Mercúrio inorgânico e seus compostos tóxicos é de 0,04 mg/m³ de ar. Esses limites devem ser comparados com aqueles adotados por outros países e revisados periodicamente à luz do conhecimento e evidências atualizadas. Tem sido observado que mesmo quando estritamente obedecidos, não impedem o surgimento de danos para a saúde.

O exame médico periódico visa à identificação de sinais e sintomas para a detecção precoce da doença. Consta de avaliação clínica, com exame dermatológico cuidadoso e exames complementares de acordo com a exposição ocupacional e orientação do trabalhador. Para algumas das substâncias químicas envolvidas na gênese das dermatoses de base, deve ser feito o monitoramento biológico.

Determinado o diagnóstico e confirmado a relação da doença com o trabalho deve ser realizado:

Informação aos trabalhadores;
Exame dos expostos visando identificar outros casos;
Notificação do caso ao sistema de informação em saúde;
Caso o trabalhador seja segurado pelo SAT da Previdência Social, providenciar emissão da CAT;
Orientação ao empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação ou controle dos fatores de risco.
3.5. Dermatites de Contato geradas por Irritantes

Dermatites de contato, também conhecidas por “eczema”, são a inflamações agudas ou crônicas da pele, caracterizadas clinicamente por eritema, edema, vesiculação, na fase aguda, acompanhadas, freqüentemente por prurido intenso, e nas formas crônicas, por espessamento da epiderme (liquenificação), com descamação e fissuras, produzidas por substâncias químicas que, em contato com a pele, causam irritação ou reações alérgicas. Se o contato com a pele – único ou repetido – produzir efeitos tóxicos imediatos ou tardios de irritação local, elas serão rotuladas Dermatites de contato por irritantes.

Ao contrário das dermatites de contato alérgicas, não é necessária a sensibilização prévia. A fisiopatologia das dermatites de contato por irritantes não requer a intervenção de mecanismos imunológicos. Assim, pode aparecer em todos os trabalhadores expostos ao contato com substâncias irritantes, dependendo da sua concentração e do tempo de exposição.

As dermatites de contato são as dermatoses ocupacionais mais freqüentes. Estima-se que juntas, as dermatites alérgicas de contato e as dermatites de contato por irritantes, respondam por cerca de 90% dos casos de dermatoses ocupacionais. As dermatites de contato por irritantes são mais freqüentes que as dermatites alérgicas. Estudos epidemiológicos realizados em distintos países mostram taxas de incidência entre 2 a 6 casos em cada dez mil trabalhadores/ano, o que significa que as dermatites de contato irritativas são, provavelmente, as doenças profissionais mais freqüentes.

Entre os agentes causais destacam-se os ácidos e álcalis fortes que, dependendo da concentração e do tempo de exposição, também produzem queimaduras químicas e sabões e detergentes.

As dermatites de contato por irritantes, relacionadas com o trabalho, devem ser enquadradas no Grupo I da Classificação de Schilling, sendo o trabalho considerado causa necessária.
Fonte: ALI, S.A. Dermatoses ocupacionais. In: MENDES, R. (Ed.) – Patologia do Trabalho. Rio de Janeiro, Atheneu, 1995.

3.5.1. Diagnostico e Quadro Clinico

O quadro clínico varia de acordo com o irritante, podendo aparecer sob a forma de dermatites indistinguíveis das dermatites de contato alérgicas agudas, até ulcerações vermelhas profundas, nas queimaduras químicas.

A dermatite irritativa cumulativa é mais freqüente que a “aguda” ou “acidental”. Agressões repetidas, por irritantes de baixo grau ocorrem ao longo do tempo. Nestes casos, a secura da pele e o aparecimento de fissuras são freqüentemente os primeiros sinais, que evoluem para eritema, descamação, pápulas, vesículas e espessamento gradual da pele.

As dermatites de contato irritativas podem ser facilmente diagnosticadas pela história clínica-ocupacional, e com freqüência ocorrem como “acidentes”.

Os testes epicutâneos ou patch test não estão indicados para o diagnóstico de dermatites irritativas. Eventualmente, as mesmas substâncias irritativas, mas em concentrações muito mais baixas, poderão ser testadas para fins de esclarecimento etiológico da dermatite de contato alérgica.

O diagnóstico diferencial deve ser feito com os quadros de dermatites de contato alérgicas, psoríase, herpes simples e herpes zoster, reações idiopáticas vesiculares pela presença do Trichophyton nos pés (micides), eczema numular, e reações cutâneas a drogas, entre outras doenças.

3.5.2.Tratamento

O tratamento é feito com cuidados higiênicos locais para prevenir a infecção secundária e uso sintomático de anti-histamínicos. Cremes de corticóides também podem ser usados .

4. CONCLUSÕES

Através deste trabalho, pode-se concluir que:

Os diversos produtos químicos, podem trazer vários problemas para a saúde dos trabalhadores, sendo que os mais comuns são as dermatoses ocupacionais, as quais podem aparecer na barriga, braços, mãos, e em outros membros do corpo humano que estejam em contato contínuo com este óleo de corte;

Embora as dermatites apareçam freqüentemente nos trabalhadores, estas podem ser evitadas se as condições ideais de higiene forem seguidas pelas pessoas que manuseiam estes tipos de produto (fluidos de corte, óleos minerais, etc.).

É importante salientar que a dermatite de contato não tem cura definitiva sendo fundamental afastar-se do agente causador (contactante).

5. REFERÊNCIAS

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________Dermatoses Ocupacionais. In: MENDES, R. (Ed.) Patologia do Trabalho. Rio de Janeiro, Atheneu, 1995.

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MUNGUBA, M.C. Videogame: estratégias de aprendizagem, visão do terapeuta ocupacional para o século XXI – aporte para terapeutas ocupacionais, educadores e pais. Fortaleza (CE): Universidade de Fortaleza; 2002.

PEREZ, J. C. F. Cremes Protetores para a Pele. Revista Meio Ambiente Industrial, ano III, edição 14, nº. 13, Editora Tocalino, julho/agosto, p. 63-65. 1998.

REVISTA MEIO AMBIENTE INDUSTRIAL. Proteção da Pele. Revista Meio Ambiente Industrial, ano III, edição 14, nº. 13, Editora Tocalino, julho/agosto, p. 90-91. 1998.

SÂO PAULO. Universidade de São Paulo (USP). Terapia Ocupacional. São Paulo: A Universidade; 1997.

VON MUTIUS E. The Environmental Predictors of Allergies Disease. J. Allergy Clin. Immunol. 2000.

Anexo I

Lista de Doenças da Pele e Tecido Cutâneo Relacionadas com o Trabalho segundo a Portaria MS/ Nº. 1.339/GM de 18 de novembro de 1999

Dermatoses Pápulo-Pustulosas e suas Complicações Infecciosas Relacionadas com o Trabalho (L08.9)
Dermatites Alérgicas de Contato Relacionadas com o Trabalho (L23.-)
Dermatites de Contato por Irritantes Relacionadas com o Trabalho (L24.-)
Urticária Relacionada com o Trabalho (L50.-)
Queimadura Solar Relacionada com o Trabalho (L55.-)
Outras Alterações Agudas da Pele devidas à Radiação Ultravioleta Relacionadas com o Trabalho (L56.-): Dermatite por Fotocontato (L56.2); Urticária Solar (L56.3); Outras Alterações Especificadas (L56.8); Outras Alterações Não Especificadas (L56.9)
Alterações da Pele devidas à Exposição Crônica à Radiação Não-Ionizante, Relacionadas com o Trabalho (L57.-): Ceratose Actínica (L57.0); Dermatite Solar, “Pele do Agricultor”, “Pele do Marinheiro” (L57.8)
Radiodermatite: Aguda, Crônica e Não Especificada Relacionada com o Trabalho (L58.-)
Outras Formas de Acne Relacionadas com o Trabalho: “Cloracne” (L70.8)
Outras Formas de Cistos Foliculares da Pele e do Tecido Subcutâneo, Relacionadas com o Trabalho:”Elaioconiose Folicular” ou “Dermatite Folicular” (L72.8)
Outras Formas de Hiperpigmentação pela Melanina: “Melanodermia” Relacionada com o Trabalho (L81.4)
Leucodermia, Não Classificada em Outra Parte, Relacionada com o Trabalho (inclui “Vitiligo Ocupacional”) (L81.5)
Porfiria Cutânea Tardia Relacionada com o Trabalho (E.80.1/L81.8))
Ceratose Adquirida (Ceratodermia) Palmar e Plantar Relacionadas com o Trabalho (L85.1)
Úlcera Crônica da Pele Relacionada com o Trabalho (L98.4)
Geladuras (Frostbite) Relacionadas com o Trabalho (T33-T35)

Avaliação da Destreza e Agilidade Manual em Indivíduos

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RESUMO

Este artigo tem como finalidade avaliar a destreza manual entre 5 indivíduos, sendo 2 sinistros e 3 destros, ambos do sexo feminino, onde 3 deles são trabalhadores e 2 não trabalhadores. Utilizou-se para a avaliação testes materiais como bolas de gude, pinos de ludo e pinos de madeira, utilizando sempre o tempo de movimento (tempo em segundos) para a avaliação. Em 80,71% dos testes notou-se agilidade maior nos indivíduos destros, independente de serem trabalhadores ou não. Ou seja, os sinistros levaram um tempo maior para realizar o teste, porem o desempenho foi menor.

ABSTRACT

This article has as purpose to evaluate the manual dexterity between 5 individuals, being been 2 accidents and 3 dexterous, both of the feminine sex, where 3 of them are diligent and 2 not diligent ones. One used for the evaluation material tests as balls of marble game, bolts of wooden ludo and bolts, using always the time of movement (time in seconds) for the evaluation. In 80,71% of the tests bigger agility in the dexterous individuals was noticed, independent to be diligent or not. Or either, the accidents had taken a bigger time to carry through the test, to put the performance were lesser.

PALAVRAS CHAVE: destreza, agilidade, sinistro, destro.

INTRODUÇÃO

Segundo Pardini “A mão é identificada como um importante componente da anatomia humana. Sua função e estrutura são únicas, incapazes de serem reproduzidos. A mão pertence exclusivamente ao homem, sensibilidade e movimentos transformaram-no do mais fraco ser da defesa natural ao comandante da natureza. As atividades comuns da vida diária tais como vestir, lavar e comer são dependentes da habilidade manual”.

A destreza manual é definida como a habilidade para usar as mãos com facilidade e precisão em seus movimentos.

Uma boa habilidade torna possível adaptar a mão à forma do objetivo agarrar. A habilidade da mão também envolve a destreza digital que é a habilidade para mover os dedos e manipular objetos pequenos de precisão.

Desta forma utilizou-se para realização do teste objetos pequenos de fácil acomodação na mão, avaliando a agilidade e destreza de cada indivíduo.

MATERIAL E MÉTODOS:

Para avaliação da destreza manual foram utilizados abjetos de tamanhos pequenos, como bola de gude, pinos de ludo e pinos de madeira.

Para realizar a avaliação foram selecionados cinco indivíduos formando duplas (sinistros e destros) nos quais foram aplicados testes distintos.

Para maior compreensão, abaixo descreveremos com detalhe cada teste, material e métodos utilizados.

Teste 1: Pinos de Ludo

(Dois voluntários: 1 destro e 1 sinistro, ambos não trabalhadores).

Colocou-se vários pinos de ludo dentro de um recipiente plástico e cada individuo deveria acomodar o numero máximo de pinos nas mãos. Este teste teve 3 momentos:

A) Com dedos presos:

Colocou-se uma fita envolvendo os dedos mínimo e anular.

O individuo sinistro acomodou 20 peças na mão em 43 segundos, levando em medeia 2,15 segundos para pegar cada pino.

O individuo destro acomodou 24 peças na mão em 50 segundos, levando em media 2,08 segundos para pegar cada pino.

B) Olhos vendados e dedos presos:

Colocou-se uma fita envolvendo os dedos mínimo e anular. Vendou-se os olhos no mesmo momento.

O individuo sinistro acomodou 16 peças na mão em 43 segundos, levando em media 2,68 segundos para pegar cada pino.

O individuo destro acomodou 14 peças em 25 segundos, levando em media 1,78 segundos para pegar cada pino.

C) Sem dedos presos e sem vendas nos olhos.

O individuo sinistro acomodou 20 peças nas mãos em 44 segundos, levando em media 2,2 segundos para pegar cada pino.

O individuo destro acomodou 26 peças em 47 segundos, levando em media 1,8 segundos para pegar cada pino.

Teste 2: Pinos de madeira – Resta Um

(Dois voluntários: 1 destro e 1 sinistro, sendo a destra trabalhadora e a sinistra não trabalhadora).

Colocou-se a tabuleiro de resta um com todos os pinos de madeira. Cada individuo deveria retirar pino por pino e acomodar na mão. Este teste teve dois momentos.

A) Sem vendas nos olhos:

Ambos (destro e sinistro) levaram 14 segundos para realizar o teste.

B) Olhos vendados e virar os pinos.

Colocou-se vendas nos olhos e o individuo deveria retirar cada pino, virar e colocar de volta no tabuleiro.

O individuo sinistro levou 28 segundos para realizar o teste.

O individuo destro levou 21 segundos para realizar o teste.

A diferença entre os dois indivíduos foi de 7 segundos, ou seja, o destro se sobressaiu.

Teste 3: Bolas de Gude

(Dois voluntários: 1destro e 1 sinistro, sendo a destra trabalhadora e a sinistra não trabalhadora).

Colocou-se varias bolinhas de gude dentro de um recipiente plástico, onde cada individuo deveria acomodar o máximo possível de bolinhas na mão. Este teste teve 2 momentos.

A) Dedos presos:

Colocou-se uma fita envolvendo os dedos anular e mínimo.

O individuo sinistro acomodou 9 bolinhas na mão em 23 segundos, levando em media 2,55 segundos para pegar cada bolinha.

O individuo destro acomodou 12 bolinhas na mão em 16 segundos, levando em media 1,33 segundos para pegar cada bolinha.

B) Olhos vendados e dedos presos:

Colocou-se uma fita envolvendo os dedos anular e mínimo. Vendou-se os olhos no mesmo momento.

O individuo sinistro acomodou 10 bolinhas em 37 segundos, levando em média 3,7 segundos para pegar cada bolinha.

O individuo destro acomodou 14 bolinhas em 34 segundos, levando em media 2,42 segundos para pegar cada bolinha.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

No teste que envolveu 2 voluntários que não trabalhavam, notou-se maior agilidade e destreza no indivíduo destro em todas a etapas do teste.

No primeiro teste realizado com um individuo destro trabalhador e o outro sinistro não trabalhador, observou-se que ambos tem a mesma agilidade e destreza no item que referia a retirada dos pinos e acomodação dos mesmos na mão, sem vendas nos olhos. Porém com os olhos vendados o individuo destro se destacou em 7 segundos de vantagem. No que se refere à coordenação olho-mão ambos apresentaram a mesma agilidade, em contrapartida o sinistro com os olhos fechados levou um tempo maior para realizar o teste.

No segundo teste realizado com outra dupla sendo da mesma forma um individuo destro trabalhador e outro sinistro não trabalhador, a mostra apresentou o mesmo resultado (apesar de números e tempos diferentes), ou seja, o individuo destro trabalhador se sobressaiu novamente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com Fleishman e Ellison (1962) “a destreza manual é capaz de realizar com precisão e controle a manipulação de objetos geralmente com o auxilio da visão (coordenação olho – mão)”.

Nos testes realizados houve etapas em que a coordenação olho-mão foi utilizada e de certa forma influenciou no resultado dos testes. Sendo que num dos testes o resultado foi igual entre destro e sinistro.

Pode-se observar que os indivíduos destros se sobressaíram mesmo com os olhos vendados e/ou dedos presos.

Observou-se também que independente de trabalhadores ou não trabalhadores nesta pesquisa os indivíduos destros demonstraram maior agilidade e destreza manual nos testes realizados.

Como o número de indivíduos avaliados foi pequeno, não se pode afirmar que em geral os destros possuem maior agilidade e destreza manual que os sinistros, e tão pouco o fato de trabalhar (usar as mãos, adquirir agilidade) tenha influenciado nos resultados e/ou faz o destro ser mais ágil. Para isso se faz necessário uma pesquisa ampla com um número maior de indivíduos. Desta forma, pode-se apenas alegar que nos três testes realizados (sete etapas), o individuo destro demonstrou maior destreza e agilidade, ou seja, em 80,71% dos testes.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

PARDINI, Arlindo Junior. Traumatismo de mão. 3.ed. Rio de janeiro: MEDSI, 2000.

PARDINI, Arlindo Junior. Cirurgia da mão – Lesões não traumáticas. 3. ed. São Paulo: MEDSI, 1990.

LIANZA, Sergio. Medicina de reabilitação. Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação. Academia Brasileira de medicina e Reabilitação. 3. ed. Rio de Janeiro: GUANABARA , 2001.

ARAUJO Póla Maria Poli, FALLOPA Flavio, MASEIRO Danilo, ARAUJO Marco Poli. Avaliação da destreza manual pelo método funcional Minnesota – Estudo de 100 indivíduos. Revista Reabilitar. Pancast, Ano2, n.5., 4° Trimestre

Nos testes realizados houve etapas em que acoordenação olho-mão foi utilizada e de certaforma influenciou no resultado dos testes. Sendo que num dos testeso resultado foi igual entre destro e sinistro.

Pode-se observar que os indivíduos destros sesobressaíram mesmo com os olhos vendados e/ou dedospresos.

Observou-se também que independente detrabalhadores ou não trabalhadores nesta pesquisa osindivíduos destros demonstraram maior agilidade e destrezamanual nos testes realizados.

Como o número de indivíduos avaliados foipequeno, não se pode afirmar que em geral os destros possuemmaior agilidade e destreza manual que os sinistros, e tãopouco o fato de trabalhar (usar as mãos, adquirir agilidade)tenha influenciado nos resultados e/ou faz o destro ser maiságil. Para isso se faz necessário uma pesquisa amplacom um número maior de indivíduos. Desta forma,pode-se apenas alegar que nos três testes realizados (seteetapas), o individuo destro demonstrou maior destreza e agilidade,ou seja, em 80,71% dos testes.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

PARDINI, Arlindo Junior. Traumatismo demão. 3.ed. Rio de janeiro: MEDSI, 2000.

PARDINI, Arlindo Junior. Cirurgia da mão– Lesões não traumáticas. 3. ed.São Paulo: MEDSI, 1990.

LIANZA, Sergio. Medicina dereabilitação. Sociedade Brasileira de MedicinaFísica e Reabilitação. Academia Brasileira demedicina e Reabilitação. 3.ed. Rio de Janeiro: GUANABARA , 2001.

ARAUJO Póla Maria Poli, FALLOPA Flavio, MASEIRODanilo, ARAUJO Marco Poli. Avaliação da destrezamanual pelo método funcional Minnesota – Estudo de 100indivíduos. Revista Reabilitar. Pancast,Ano2, n.5., 4° Trimestre

ADAPTAÇÕES DOMICILIARES PARA A TERCEIRA IDADE

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1. INTRODUÇÃO

O principal indicador do risco de quedas são as dificuldades com o equilíbrio e com a mobilidade e esses problemas são mais freqüentes nas pessoas debilitadas da terceira idade que apresentam mobilidade ao lado de instabilidade, além da fraqueza e falta de condicionamento muscular. As quedas podem causar desde lesões leves, como contusões e torsões, até muito graves, como danos cerebrais e fraturas, além de efeitos psicológicos negativos, tais como medo de cair de novo e falta de confiança, que repercutem sobre a autonomia e independência funcional e, em conseqüência disso tudo, diminuição na qualidade de vida. Por isso se faz necessário o uso de adaptação no lar.

2. IDOSO

O idoso caracteriza-se pelo processo de envelhecimento por modificações na estrutura fisiológicas, sendo heterogêneo no seu âmbito geral (meio social, estilo de vida, situação sócio-econômica,…).

3. ADAPTAR

O objetivo de adaptar é proporcionar segurança e melhor qualidade de vida.

Frente ao envelhecimento da população à atenção domiciliar surge como uma nova alternativa, que beneficia especialmente os idosos e ou incapacitados crônicos. A manutenção da capacidade funcional do paciente, não é um a tarefa singular, exige uma pluridade de profissionais, integrados visando à elaboração de um plano com metas que considere tanto suas capacidades e limites funcionais, quanto próprios objetivos.

4. ADAPTAÇÕES DOMICILIARES

a. Domicílio

Este ambiente conhecido impregnado de histórias pode, no entanto, ter problemas em sua manutenção e ou oferecer barreiras arquitetônicas, que limitem ou impossibilitem a mobilidade do idoso, além de expô-lo a situação de risco, agravando ou desencadeando processos patológicos.

O contexto ambiental e suas variáveis devem ser um dos pilares de sustentação dos programas de atenção à saúde do idoso. Todavia cuidados devem ser tomados para que esta atenção não favoreça uma situação de confinamento ou “asilamento domiciliário”.

O ambiente domiciliar é construído do longo de toda a vida levando-se em conta as expectativas pessoais, normas sociais e culturais, padrões estéticos, funcionalidade e condições econômicas.

Algumas situações ambientais adversas podem levar um idoso à queda, acidentes, dependência, depressão e desuso e inatividade, devido às alterações ocorridas no processo de envelhecimento, pois há uma diminuição na sua capacidade visual, auditiva, perceptiva, motoras entre outras.

b. Habitação Compatível

Com a observação das barreiras e riscos que o ambiente domiciliar apresenta procura-se obter através de adaptações uma casa funcional capaz de proporcionar segurança e melhor qualidade de vida.

Com a alta incidência de quedas entre os idosos nos seus domicílios sugere adequações em casa:

Nas superfícies molhadas e escorregadias opta-se por uma colocação de piso antiderrapante em toda a casa e tapetes de boa aderência ao piso; Corrimãos junto a escadas, rampas, portas de vias de acesso; localização de interruptores com sinais luminosos durante a noite e censores de movimentos em vias de acesso para diferentes áreas da casa para ajudar nos deslocamentos. A intensidade da iluminação tanto natural quanto artificial deve ser aumentada nas áreas de trabalho e transição devido à gradativa perda de visão que ocorre com o passar dos anos; Um aparador junto à porta da sala para guardar as chaves para facilitar sua localização em casos de emergência e evita a sua perda, pois se sabe que a diminuição do número de neurônios leva a uma possível diminuição da memória;

c. No banheiro

Devem-se colocar bancos de transferências, chuveiros manuais, barras de apoio lateral e paralelo ao vaso, no box são sugeridos barras de segurança, assento fixo para lavar os pés, portas toalhas e suporte para xampu fixo e de fácil acesso, bucha com cabo alongamento para auxiliar lavar as costas.

d. No quarto

A altura da cama é verificada quando o idoso está sentado na beira da cama e consegue colocar facilmente os dois pés no chão variando 45 a 50 cm. Guarda roupa portas leves, cabideiro baixo, puxadores do tipo alça, com altura favorável.

e. Cozinha

Pia e bancada altura média de 85 a 90 cm com torneira de fácil manuseio (alavanca, meia-volta), gaveta de fácil abertura, com trava de segurança e divisões para talheres; engrossamento de cabos de talheres e facas para ajudar na preensão. Tanque e tábua de passar para serem utilizados com a pessoa na posição sentada, à altura adequada são de 75 cm. Já o ferro deve ter um fio espirado com suporte fixo e controle automático de temperatura. É importante um carro móvel para levar utensílios da cozinha ou da área de serviço para outros ambientes. A tábua de preparar alimento: é colocada uma preensão cilíndrica na borda da mesma, pois facilita a ficção do alimento sem estressar tanto à articulação da mão; prolongamentos dos cabos das panelas com o objetivo de favorecer a preensão.

f. Sala

Estantes com prateleiras fixadas ao piso ou na parede, poltronas e sofás confortáveis e com braços altura e assento em torno de 50 cm e fáceis de sentar e levantar; tem que proporcionar uma sala bem ampla para a locomoção para os idosos; Usar relógio de visor grande, calendários de tamanho satisfatório; As janelas devem ser sempre para dentro ou de correr.

As adaptações feito no lar devem ser feitas com a participação de uma equipe especializada no assunto como arquitetos, terapeutas ocupacionais, engenheiros visando a autonomia do idoso e verificando se as adaptações foram favoráveis à ele.

5. PAPEL DO TERAPEUTA OCUPACIONAL

O processo de avaliação das necessidades de modificação ambiental é composto por: classificação funcional do cliente e avaliação ambiental. O terapeuta ocupacional tem que avaliar o idoso em seu ambiente e também o seu desempenho nas atividades da vida diária e em cuidados pessoais básicos, solicitando que o paciente descreva os problemas encontrados nas tarefas e que ele, visualize fazendo as atividades, para obter resultados favoráveis, ou seja, buscar melhor forma de adaptação e auto-estima e eficácia. Levando em consideração a escolaridade, a cultura, a religião, e a situação sócio-econômica do paciente. Observando também se o paciente possui algumas deficiências cognitivas ou perceptivas, má visão e englobando a falta de apoio familiar. Deve garantir que o paciente possa usar cada adaptação e que usará com segurança. As atividades são treinadas na postura mais adequada possível de acordo com o quadro físico-funcional do paciente.

Caso haja rejeição pelo paciente o terapeuta tem que trocar ou aperfeiçoar a adaptação buscando melhores materiais, cores adequadas, peso compatível, pois são importantes para um resultado positivo.

6. CONCLUSÃO

O ambiente onde vive o idoso deve ser adaptado para que ele mantenha a máxima autonomia e a mínima dependência. Sinalizações (riscos no chão e marcas nas paredes), iluminação, desobstrução de passagens, remoção de degraus, relógios e calendários de tamanho satisfatório, etc., tudo deve ser planejado para maior autonomia do idoso. Além do ambiente, também objetos como as roupas, calçados, objetos de higiene pessoal e toucador devem ser idealizados no sentido do mais fácil manuseio.

7. REFERÊNCIA

YEDA, Aparecida de Oliveira Duarte; DIOGO, Maria José D’Ellow Atendimento Domiciliar: Um Enfoque Gerontológico. 1ª ed. Rio de Janeiro: Atheneu.

NETTO, Matheus Papaleo. Gerontologia: A Velhice e o Envelhecimento em Visão Globalizada. 1ª ed. Atheneu.

TROMBLY, Catherine A.; RADOMSKI, Mary Vining. Terapia Ocupacional para Disfunções Físicas. 5ª ed. São Paulo: Santos Livraria editora, 2005.

Acesso: www.sbggrj.org.br;

www.insegurança.no.sapo.pt