ALIMENTOS DIETÉTICOS

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Muitas pessoas sadias (querem engordar, querem emagrecer, são vegetarianos, etc) e também pessoas doentes (diabéticos, hipertensos, cardiopatas, com problemas de metabolismo, obesos, etc) requerem dietas próprias, feitas com alimentos e produtos elaborados especialmente para estes fins. A legislação brasileira que regulamenta a industrialização destes produtos e alimentos é muito confusa, os textos legais são dúbios e obscuros, muitas vezes incoerentes entre si e, a maioria das leis que tratam sobre este assunto já é muito antiga e ultrapassada (Decreto Lei nº 986 de 21/10/1969 – Decreto nº 79.094 de 05/01/1977 – Lei nº 6360 de 23/09/1976).

O que são produtos e alimentos dietéticos e a quem se destinam? Segundo a legislação, Alimento Dietético é todo alimento elaborado para regimes alimentares especiais, destinado a ser ingerido por pessoas sãs e Produto Dietético é aquele tecnicamente elaborado para atender às necessidades dietéticas de pessoas em condições fisiológicas especiais.

Com esta legislação inadequada tudo fica possível para os produtores e dificulta para o consumidor. Nesta enorme variedade de produtos e alimentos dietéticos, nesta grande confusão de termos em inglês e em outras línguas, fica difícil para o consumidor proteger-se de enganos e engodos, cada vez mais ele está confuso e inseguro. Existem bons produtos que realmente cumprem o que prometem nas bulas e nos rótulos porém, uma grande quantidade não são éticos, visando tão somente o lucro, pouco se importando com a saúde do consumidor final.

A quem recorrer para uma orientação adequada e como saber se as informações contidas nas propagandas e nas bulas são verdadeiras? Antes de usar qualquer produto ou alimento dietético devemos nos informar com médicos, nutricionistas, farmacêuticos ou outro profissional habilitado a reconhecer os ingredientes/componentes da formulação, nunca devemos fazer qualquer tipo de dietoterapia sem um acompanhamento individualizado, cada pessoa tem características próprias, o que serve para seu vizinho pode ser lesivo para a sua saúde.

Diet, Sugar Free, Light, Shakes, Slim…..O brasileiro tem uma predileção toda especial para o que está escrito em inglês, parece que isto dá ao produto uma confiabilidade toda especial. Porém, sabemos que mesmo escritas em inglês existem grandes porcarias por aí; continuamos a insistir com o consumidor para que não use qualquer produto só porque parece bom e que a propaganda/bula fala maravilhas dele. Mesmo produtos veiculados na televisão podem ser enganosos, vários produtos dietéticos prometendo o impossível são hoje propagados nas redes de televisão, uma grande maioria enganando o consumidor, comprometendo inclusive sua saúde. Sugerimos que consumam produtos de indústrias éticas, que também se preocupam com seus consumidores, e que tenham cuidado com as fábricas de fundo de quintal.

CRIANÇAS E AS ALTERAÇÕES NA FALA

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Durante a gestação inicia-se o desenvolvimento da fala através dos movimentos respiratórios e de sucção, que só estarão aptos após o nascimento, isto é, no período de amamentação.

Logo após o nascimento o bebê realiza atividades motoras concentradas na região oral como a sucção, respiração, mastigação e deglutição, que prepararão toda musculatura adequadamente dando condições necessárias para a criança esboçar corretamente os sons das palavras e desenvolver sua aprendizagem.

Tanto os “gritinhos” e choros, como a alta sensibilidade tátil existente na boca do recém-nascido lhe permitem conhecer o mundo e se relacionar com ele. Nesses período a criança vive situações prazerosas, reconhece texturas, objetos, ativa sua memória gustativa e assim organiza seu esquema corporal bucal que será fundamental na fase de aprendizagem da fala. Também ao mamar, a criança realiza movimentos de sensibilização do palato (céu da boca), contração e relaxamento nos órgãos móveis da face como a língua, lábios, mandíbula e bochechas. Ela vai conjugando equilibradamente as forças musculares da face e da mandíbula. Esta última vai deslocando-se para frente, pois ao nascer apresenta-se retraída permitindo a passagem do bebê pelo canal vaginal durante o parto.

Os diversos sons emitidos durante a metade do segundo mês até o terceiro caracterizam a época do balbucio. Nessa fase a criança vai ganhando mais precisão nestes movimentos e articula sons variando ritmo e intensidade, que ganham significação na comunicação, sendo interpretados como desejo de comunicação, e devem ser incentivados pelos adultos. Por esses e outros motivos já bastante conhecidos é muito importante que a criança exercite-se mamando no seio, pois as estruturas da região oral estão em formação e necessitam de estimulação para desenvolvê-las harmoniosamente.

Aproximadamente aos seis meses o bebê inicia a imitação voluntária, isto é, a emissão de sons que se aproximam dos produzidos em nossa língua e que serão aperfeiçoados mais tarde. Ainda nessa época é introduzida à alimentação da criança uma dieta variada com alimentos mais consistentes, pois a musculatura já está apta a desenvolver novos padrões de fala e mastigação. Em geral, é nesta fase que ocorre o desmame do bebê, que é a introdução de qualquer outro alimento além de leite materno, e a conseqüente ampliação das relações da criança com o mundo. No período de seis a sete meses apresentam um balbucio altamente diferenciado. A ausência desta última característica em geral aponta para dificuldade severa de audição ou ainda um atraso no desenvolvimento geral da criança.

Estimular o aleitamento exclusivo no seio até os seis meses é fundamental no aprimoramento das funções da respiração, sucção, mastigação e deglutição porém, é preciso considerar que após este período algumas mães mantém a forma de alimentação baseada apenas na sucção. Esta atitude deve ser melhor avaliada, pois a criança no seu desenvolvimento natural deverá alcançar funções motoras mais elaboradas como a mastigação, que favorecerá o fortalecimento das estruturas envolvidas na fala. Assim como espera-se que a criança vença as etapas do sentar, engatinhar, ficar de pé até caminhar e cada uma delas é importante para a fase posterior, retardar a passagem de novos padrões de alimentação prejudica o desenvolvimento das funções orais, pois fixa o padrão de sucção, mantendo posturas inadequados de língua, lábios para a mastigação, respiração e fala. As funções mais prejudicadas são a fala e mastigação, porque necessitam de estímulo e aprendizagem.

Alguns cuidados devem ser observados pelos responsáveis para prevenir alterações neste campo como verificar a postura da criança ao dormir evitando o descanso das mãos sob a face, a obstrução nasal crônica, lábios entreabertos, para que não haja deformações faciais que alterem a oclusão dentária ou padrão respiratório nasal. Evitar patologias auditivas que prejudicam a discriminação dos sons da fala, verificar se o furo da mamadeira apresenta tamanho adequado além de posicionar a mamadeira não muito verticalizada, para exigir do bebê o exercício da sucção e não apenas a deglutição.

O hábito vicioso de chupar o dedo, chupeta, assim como de outros objetos, deve ser evitado em todo período de desenvolvimento infantil. Nos primeiros anos a região oral apresenta maior plasticidade, podendo ser erradamente modelada pela introdução dos objetos ou posturas, provocando deformações como flacidez labial, encurtamento do lábio superior, impedindo a vedação do mesmo, flacidez lingual que empurram os dentes gerando mau posicionamento deles na arcada durante o seu aparecimento, aprofundamento do palato com conseqüente estreitamento da região nasal, aumento da produção da saliva e baba durante a noite, respiração bucal oferecendo pouca oxigenação cerebral com prejuízos na concentração da criança e conseqüentemente na aprendizagem. Há também uma maior suscetibilidade às doenças respiratórias de repetição que culminam na fixação de um padrão respiratório inadequado de fala, mastigação e deglutição, além, é claro, de ser anti-higiênico. Portanto o falar está diretamente relacionado à saúde revelando as condições orgânicas existentes.

Somente a condição anatômica dos órgãos da fala não garantem sua boa dicção, é preciso considerar também o estímulo que a criança recebe para utilização destas estruturas. Alguns adultos reforçam as palavras ditas erradamente com um “estilo” infantil, o que significa dizer que “ensinam o errado ” não dando chance à criança de perceber o correto. Muitas crianças apresentam boas condições orgânicas, porém, não têm necessidade de nomeação dos objetos, ações e pessoas, pois são compreendidas por todos ao apontá-los. Deve-se propiciar à criança experiências variadas como a nomeação de seus atos, objetos e partes do corpo sem auxiliá-las, apenas reforçando.

Algumas crianças apresentam um atraso no aparecimento da fala, ultrapassando a idade de dezoito meses, sem pronunciar uma só palavra. Esse comportamento pode expressar a falta de estímulo verbal oferecida a criança ou até mesmo ser um primeiro sinal de sua dificuldade de contato com o mundo. Pode revelar a presença de muitas patologias como surdez congênita, Síndromes, comprometimento de aspectos psico-emocionais que caracterizam o autismo, entre outras.

As alterações na fala tornam-se diferenças no “mundo dos falantes” e para muitas crianças essas alterações causam dificuldades no convívio em grupo, principalmente na fase escolar. A criança pode ser alvo de constrangimentos, pois ela é percebida apenas pela sua dificuldade. Nesse período é comum receber “apelidos”, que por vezes permanecem ao longo do seu desenvolvimento, resultando em prejuízos emocionais custosos ao convívio social.

Estimular a aquisição e superação de cada fase no processo da comunicação oral é fundamental para a saúde da criança.

É preciso que pais, profissionais de educação e saúde procurem desenvolver medidas preventivas buscando o acompanhamento fonoaudiológico regular da criança desde o seu nascimento. A identificação precoce de alterações neste campo pode evitar o aparecimento de dificuldades de aprendizagem e patologias fonoaudiológicas.

BIBLIOGRAFIA:
BOONE, Daniel R. Comunicação humana e seus distúrbios.
Porto Alegre: Artes
Médicas, 1994.
CANONGIA, Marly Bezerra e outros. Prevenindo os distúrbios
oromiofuncionais. RJ:
Rio MediLivros Ltda., 1990.
LAUNAY, C. & BOREL-MAISONNY, S. Distúrbios da
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infância. SP: Livraria Roca Ltda., 1989.
MARCHESAN, Irene Queiroz. Motricidade Oral: visão clínica
do trabalho
fonoaudiológico integrado com outras especialidades. SP: Pancast, 1993.
ZORZI, Jaime Luiz. Aquisição da linguagem infantil:
desenvolvimento, alterações e
terapia. SP: Pancast, 1993.

QUAIS OS BENEFÍCIOS DA HEMOTERAPIA?

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A compensação para quem faz essa terapia é um estímulo imunológico. “É um método facílimo, com custo baixíssimo. Basta apenas uma seringa. O sangue é retirado no momento, não se faz nenhuma técnica com o sangue. E ter uma pessoa que saiba aplicar na veia, para fazer a retirada”, explica Dr. Luiz Moura, no DVD.

O segredo da auto-hemoterapia está nas células chamadas macrófagos, que fazem parte do Sistema Imunológico. São células de defesa, que fazem a limpeza ou comem de tudo: as células cancerosas, os vírus, as bactérias, e até as fibrinas, que é o sangue coagulado. O Dr. Luiz Moura explica que a aplicação do próprio sangue funciona como um ativador de macrófagos.

Quando o sangue é aplicado no músculo, o Sistema Retículo-Endotelial (SRE) o reconhece como um corpo estranho e é rejeitado, assim há o aumento de produção de macrófagos pela medula óssea. “A taxa de macrófagos no sangue é de 5%, com a auto-hemoterapia, eleva-se para 22%”, diz o médico. Isso significa, em linhas gerais, que o organismo fica super protegido.

Essa taxa fica nesse valor por cinco dias e depois começa a declinar. No sétimo dia já se normalizou. Por isso, o procedimento deve ser repetido de sete em sete dias. O processo é muito lógico e fácil de entender, com a quadruplicação dos macrófagos, o organismo aumenta quatro vezes também o poder de destruir corpos estranhos como: vírus, células cancerígenas, bactérias, doenças auto–imunes (que é uma reação do organismo quando uma proteína normal é reconhecida como estranha, por exemplo, artrite reumatóide, lúpus, diabete tipo I, vitiligo, esclerodermia, psoríase), inclusive para Aids, pois com o sistema imunológico ativado aumenta as chances de bloquear os efeitos da doença. Quer dizer, para quase todas as doenças, mas principalmente também, como prevenção.

A auto-hemoterapia não foi uma criativa invenção da mente do Dr. Luiz Moura. As bases dele foram dois trabalhos científicos e também seu empirismo clínico. Em março de 1940, o professor Dr. Jessé Teixeira publicou na Revista Brasil – Cirúrgico o trabalho “Autohemotransfusão: Complicações Pulmonares Pós-Operatório”. Naquela época a grande dificuldade era as infecções pulmonares pós-operatórias, frutos do éter usado para anestesiar, que irritava os pulmões; daí a grande importância desse trabalho, tanto que foi premiado pala Academia de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro.

Com esse trabalho o Dr. Jessé Teixeira descobriu uma maneira de combater essa infecção pulmonar, retirando o sangue de uma veia da prega do cotovelo do paciente e injetando na nádega. Na pesquisa, ele utilizou o método em 150 pessoas, em diferentes cirurgias, não apresentado nenhuma infecção. E comparou com outras 150, que não usaram a técnica, nas mesmas cirurgias, obtendo 20% de infecções.

Como aquela não era a primeira experiência de autohemotransfusão (o trabalho do Dr. Jessé foi baseado no artigo do Dr. Michael W. Mettenlette, “Autohemotranfusion in Preventing Postoperative Lung Complications”, publicado em maio de 1936, no The American Journal of Surgery, em que foram relatados os excelentes resultados do processo, como método preventivo das pneumonias pós-operatórias declaradas), tinha-se uma “explicação razoavelmente clara e perfeitamente aceitável”, nas palavras de Dr. Jessé, em seu trabalho, de como funciona. “Quando o sangue empregado fora de sua situação normal, no aparelho circulatório, ele se torna uma substância completamente diferente para o organismo”. Assim, o sangue extraído de uma veia e colocado em contato com um corpo estranho (seringa), tem-se sua físico-química alterada. E ao ser injetado no organismo atua como uma proteína estranha.

E não ficou apenas nisso, a maior contribuição do Dr. Jessé Teixeira para a auto-hemoterapia foi a constatação científica do porquê de a injeção do próprio sangue no paciente prevenia e combatia as infecções, estimulando o Sistema Retículo-Endotelial, e conseqüentemente aumentando a produção de macrófagos, as células responsáveis pela defesa. Provocando a formação de uma bolha na coxa de pacientes, passando cantárida, um inseto que transformado em pó é usado na medicina e é irritante na pele. Analisando o conteúdo da bolha, ele verificou que a quantidade de macrófagos era de 5%. Fez o mesmo experimento outras vezes e a taxa continuava a mesma. Depois fez a experiência com a auto-hemoterapia. Após oito horas a taxa estava em 22%, para depois ir decaindo gradualmente, e no fim do sétimo dia voltou para os 5% iniciais.

Após 36 anos desse trabalho, em março de 1976, o Dr. Ricardo Veronesi, publicou na Revista Medicina de Hoje o artigo “Imunoterapia: O impacto médico do século”, que nas palavras do Dr. Luiz Moura sobre os dois trabalhos, “parece que um foi feito para o outro”. O artigo do Dr. Veronesi não falava especificamente de auto-hemoterapia, mas explicava bem as funções do SRE, ampliando o leque de ações, que na época do Dr. Jessé Teixeira se restringia às infecções causadas por bactérias.

Os estudos em imunologia já haviam avançado muito é se tinha descoberto novas funções para o SRE: limpeza de partículas estranhas provenientes do sangue ou dos tecidos (inclusive células neoplásicas, cancerígenas), toxinas e outras substancias tóxicas; limpeza de esteróides e sua biotransformação (eliminação de hormônios); remoção de micro agregados de fibrina e prevenção de coagulação intra vascular (previne tromboses e infatos); ingestão do antígeno, seu processamento e ulterior integra aos linfócitos B e T (antígeno que produz a reação alérgica); biotransformação e excreção do colesterol; metabolismo férrico e formação de bilibirrubina; metabolismo de proteínas e remoção de proteínas desnaturadas (anormais); e desintoxicação e metabolismo de drogas. “Respondendo por tantas e tão importantes funções, fácil é de se entender o papel desempenhado pelo sistema RH no determinismo favorável ou desfavorável de processos mórbidos tão variados como sejam os infecciosos, neoplásicos, degenerativos e auto-imunes”, conclui Dr. Ricardo Veronesi sobre a função do SRE. Esse trabalho de imunoterapia se restringia na importância de se estimular o Sistema Imunológico do organismo, mas através de vacinas, já que o Dr. Veronesi era, na época, um dos maiores especialistas nessa área.

Ele descreve o SRE como o principal componente do Sistema Imunológico, tanto que tem maior destaque em seu trabalho. E sua ativação na imunoterapia é fundamental. Essa estimulação produz mais macrófagos, que são as células que fazem a limpeza e destruição de partículas estranhas. É a mesma lógica da auto-hemoterapia. A única diferença é a utilização do próprio sangue.

Só esses trabalhos ainda não são suficientes para ter uma “fundamentação científica”. Mas ainda há outros. Em 1911, F. Ravaute já empregava a auto-hemoterapia em diversas enfermidades infecciosas, dermatoses, em casos de asma, urticária e estados anafiláticos.

O Conselho do Rio de Janeiro (Cremerj), num parecer sobre a prática da auto-hemoterapia, em que condena o uso, não aceita esses trabalhos por serem antigos. “Não há na literatura médica recente, ou mesmo antiga (até 20 anos), nenhuma referência que recomende a utilização da hetero ou auto-hemoterapia. Utilizar este tipo de prática para reforçar o sistema imunológico, tratar cânceres ou qualquer outra doença, de qualquer etiologia, não tem absolutamente nenhum respaldo em trabalhos científicos”, diz o parecer.

O próprio Dr. Luiz Moura, no DVD, ressalta a importância e necessidade de se fazer estudos sobre auto-hemoterapia. Em relação a quantidade, o peso corporal, a técnica em crianças e adultos. Porém, esses trabalhos e a prática também geram outras dúvidas: não ficou bem explicado no trabalho do Dr. Jessé Teixeira o motivo do sangue ao ser injetado no músculo estimula o SRE. Em quais doenças que realmente funcionam? Pela função dos macrófagos são várias, mas teria que estudar uma por uma. Pode-se haver casos de pessoas não recomendadas para a terapia? Produz-se algum efeito com o uso contínuo?

Nesse último caso, o Dr. Luiz Moura é o exemplo que não faz mal, pois usa a técnica há 28 anos e tem uma ótima saúde. Ele confirma que os estudos dele vieram todos da prática. “Tenho certeza que é uma técnica absolutamente inocente que nenhum mal faz para as pessoas”. Apenas em casos graves ele recomenda que se faça a aplicação toda semana. Em outros, diz para o paciente dar um tempo entre uma e outra. Não por fazer mal, mas para descansar os músculos e veias.

Além da esculhambação da classe médica, os argumentos usados pelo CFM e os Conselhos Regionais são, no mínimo, cômicos. Fala-se que esse método (injetar o próprio sangue) pode oferecer riscos para a saúde, mas não falam quais. Outro ponto engraçado é em relação ao perigo do uso de agulhas e seringas. Esse, então, seria o mesmo risco que qualquer pessoa corre ao se submeter a um exame de sangue ou tomar uma vacina.

Mas o mais importante é sobre os efeitos ou benefícios terapêuticos, que segundo os Conselhos de Medicina e classe médica em geral, não existem. Não há ainda uma pesquisa especifica de auto-hemoterapia, com tudo comprovado. Porém, não se pode ignorar o fato de que várias pessoas estão utilizando a aplicação e estão melhorando, em relação a várias enfermidades.

“Medicina é a arte de curar. Eu só tenho um compromisso com os meus pacientes: aliviar o sofrimento e se possível curar. E por isso, não respeito os chamados padrões científicos. ‘Isso não posso fazer porque não é comprovado pela ciência’. Para mim, o que comprova qualquer coisa é o efeito do tratamento. Se produz benefícios para o paciente, é um tratamento cientifico. Mesmo que não saibamos quais os mecanismos de ação. Eu uso recursos sejam quais forem para beneficiar os pacientes. Depois, então, tenho uma mente com forte tendência para investigação, não me satisfaço e procuro saber o porque se curou”, conta o seu modo de trabalho Dr. Luiz Moura.

Por que não há interesse?

O professor Ed Garcia afirma com convicção que auto-hemoterapia é medicina social. Praticamente tendo apenas o custo da seringa. E quando se fala em dinheiro, o social e o humanismo desaparecem, ficando apenas o econômico. Ao perguntar para qualquer paciente que faça aplicações ou para os profissionais que aplicam e prescrevem, por que a classe médica não aprova nem se interessa pelo assunto? Por que não existem pesquisas? Surge um vilão para a auto-hemoterapia: a indústria farmacêutica.

Remédios e medicamentos são boas fontes de lucros. Os laboratórios investem pesado nos estudos e pesquisas de novas formas de tratamentos. E, evidentemente, querem retorno. Essa é a lógica do mercado. O Dr. Luiz Moura, que dá a cara para bater sem medo, e não é muito querido pela indústria farmacêutica (tanto que quando foi presidente do INPS, hoje corresponde ao INSS, no governo do presidente Emílio Garrastazu Médici, chocou-se de frente com a mesma, o resultado, além de ameaças de atentados, ficou apenas sete meses à frente da instituição), canta a pedra sobre o interesse dos laboratórios: “Nem pode haver. Estão certíssimos, só vai dar prejuízos”, fala o médico. “Vai vender o sangue dos próprios pacientes?”.

Mesmo não dando para contar com os financiamentos da indústria farmacêutica, ainda há os médicos e as universidades que podem ter interesses. “A maioria está comprometida”, continua Dr. Luiz Moura. O marketing feito pelos laboratórios é muito grande. É normal o paciente receber dos médicos, nas consultas, amostras grátis, que são pequenos brindes da indústria aos profissionais.

Mas o lobby não fica apenas nisso. Isso seria muito pequeno. Além dos recursos para pesquisas, já são famosas as acusações do financiamento dos laboratórios para médicos e professores universitários irem a congressos e viajar. Isso com tudo incluso, inclusive podendo levar a família. “É um investimento estritamente inteligente”, ironiza Dr. Luiz Moura. “Eu faria o mesmo”.

Uma matéria publicada no jornal New York Times, no dia 12/02/2007, de autoria de Stephanie Saul, “Médicos e laboratórios farmacêuticos: uma medida para acabar com os conflitos de interesses”, mostra que nos Estados Unidos há grupo de médicos insatisfeitos com essa “promíscua” relação, condenando até mesmo os almoços gratuitos entregues nos consultórios médicos e as canetas com logotipo de laboratórios.

Junto com a Community Catalyst, um grupo de defesa de pacientes, e o Instituto Medicina como Profissão, lançaram o Projeto Prescrição, que será uma campanha nos centros acadêmicos, entidades de médicos, para disseminar essas restrições e basear as prescrições de medicamentos em evidências médicas, não em marketing.

Pacientes desobedecem médicos

Enquanto a comunidade médica fica discutindo, ou melhor, ironizando a auto-hemoterapia, chamando de charlatanismo, xamanismo, curandeirismo, e outros ismos, e ninguém quer fazer pesquisas nem torná-la aceita pelo CFM; os pacientes, que não encontraram cura nos medicamentos prescritos, continuam procurando as aplicações. E os resultados são fabulosos.

Em Goiânia, o professor Ed tem o seu terapeuta, que também atende outras pessoas. O terapeuta, adepto das terapias complementares, aprendeu sobre a auto-hemoterapia em seu curso de Medicina Biomolecular, e sabe muito bem que não há nenhum risco. Ele diz que qualquer alimento industrializado, consumido diariamente pela população, tem mais chances de fazer mal, por ser um corpo estranho e com muitas substancias nocivas ao organismo.

Mas o terapeuta não é o único. Um farmacêutico que aplica, sem cobrar nada, apenas para ajudar, conta que já são mais de cem pessoas fazendo em sua farmácia. Ele decidiu fazer depois de aplicar em si mesmo, por ter um problema de acne, e ter uma cura que não havia tido com medicamentos.

Já que os médicos estão se escondendo, as pessoas buscam formas de fazerem as aplicações. Além de terapeutas, farmacêuticos e enfermeiras, o mais impressionante é o número de pessoas que faz em si mesmas. Aprende-se a manusear uma seringa e começa a aplicar na família e amigos. Até existe um grupo que toda semana se reúne para a aplicação. A técnica é simples, mas a displicência da comunidade médica faz com que os pacientes corram riscos, por não estarem aptos a retirar o sangue e injetar no músculo.

Essa proibição faz crescer o medo e apreensão. “Se ficarem sabendo que eu faço e tem resultados vêm aqui e me mata”, brinca o terapeuta. Porém, essa brincadeira tem um fundo de verdade. Quem faz não quer se identificar. Até mesmo os pacientes não gostam de se identificarem. O farmacêutico se mostrou relutante em conversar. Fica parecendo que estão fazendo algo errado, que faz mal para a população.

Em todo país surgem manifestações, e os Conselhos Regionais tentam perseguir.Em Rondônia, foi vinculado pela imprensa do Estado, que o Conselho de Medicina entrou com uma ação no Ministério Público contra os profissionais de enfermagem que fazem. Em Recife, um médico, Dr. Marcos Paiva, é um dos poucos do Brasil que tem coragem de assumir a auto-hemoterapia. Sem contar, que o Secretário de Saúde de Olinda, Dr. João Veiga, estuda a possibilidade de colocar o método na rede pública de saúde da cidade.

Mas o caso mais famoso é do Dr. Luiz Moura. Desde o final da década de 1970 ele estava aplicando a auto-hemoterapia e ajudando muitas pessoas no Estado do Rio de Janeiro. Ao sair o DVD, também passou a ser perseguido. Uma médica “ignorante”, nas palavras do próprio médico, o denunciou ao Conselho do Estado no ano passado. Dr. Luiz Moura teve que se defender para uma banca de 38 médicos, mas acabou sendo fácil, pois os argumentos que a médica usou foram ridículos e preconceituosos. Ele afirmou que o médico estava esclerosado, por causa de sua idade, em palavras populares, “estava gaga”. Para isso, ela usou o número de seu registro, 41.690, ou seja, já bem antigo, da década de 1940. No fim, Dr. Luiz Moura venceu a disputa por unanimidade, 38 a 0, e hoje está devidamente autorizado a praticar a auto-hemoterapia no Rio de Janeiro.

CIRURGIA DA TIRÓIDE

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Existem várias opções para a cirurgia da tiróide, dependendo a escolha do tipo de operação da doença da tiróide subjacente, embora a anatomia da glândula também tenha influência.

Lobectomia parcial

Lobectomia (direita ou esquerda) – É a cirurgia mínima actualmente praticada, embora raramente. Utilizada em casos de nódulo solitário dominante benigno

Hemitiroidectomia (direita ou esquerda) – Significa remoção de um dos lobos da tiróide bem como do istmo. É uma cirurgia mais alargada do que a anterior e é a opção mais frequente nas situações benignas, em que os nódulos se localizam apenas num lobo e/ou istmo tiroideu. Pode ser utilizada em casos de tumores muito pequenos, pouco agressivos em doentes jovens. Na prática clínica utilizam-se frequentemente os termos lobectomia e hemitiroidectomia com o mesmo significado, isto é, ao realizar-se uma lobectomia inclui-se a remoção do istmo.

Tiroidectomia subtotal – Esta opção remove o lobo mais afectado pelo problema do doente, o istmo e grande parte do lobo oposto. É uma opção para os cancros pouco agressivos, nos bócios que causam compressão das estruturas do pescoço e/ou se estendem para o tórax (bócios mergulhantes). Hoje em dia, a tendência vai no sentido de abandonar a tiroidectomia subtotal, substituindo-a pela tiroidectomia total.

Tiroidectomia total – Remoção de toda a glândula tiróide. É a cirurgia indicada nos bócios muito volumosos e no carcinoma da tiróide, principalmente se papilar ou folicular grande, agressivo e em indivíduos com mais de 40 anos, no carcinoma medular da tiróide e no carcinoma anaplásico. Neste caso nem sempre é possível retirar toda a glândula, já que muitas vezes o tumor invade órgãos vitais do pescoço como a traqueia e as artérias carótidas.

A incisão utilizada na cirurgia da tiróide mede entre 7,5 e 12,5 cm e geralmente cicatriza muito bem.

Complicações

As complicações da cirurgia da tiróide são de um modo geral raras e de evolução favorável. Problemas como hemorragia, infecção da ferida operatória, dificuldade respiratória, pneumonia e tromboflebite quase nunca acontecem. Nos casos de cancros avançados que invadem as vias respiratórias, pode existir dificuldade respiratória com necessidade de traqueostomia (abertura na traqueia que permite respirar através de um tubo).

As duas complicações mais preocupantes, embora pouco frequentes, são a lesão do nervo recorrente e o hipoparatiroidismo.

Os nervos recorrentes situam-se muito perto da região posterior da tiróide, e são responsáveis pelo movimento das cordas vocais. Se pelo menos um dos nervos é lesado durante a cirurgia, pode causar rouquidão temporária ou permanente. Por isso, o cirurgião deve ter muito cuidado para evitar esta complicação rara (1-2%), mas grave.

A paratormona (PTH) é uma hormona segregada nas glândulas paratiróides que regula os níveis de cálcio e fósforo no sangue. As paratiróides são geralmente em número de quatro e situam-se, cada uma junto de cada polo da tiróide, muito perto desta glândula. São muito pequenas e passam facilmente despercebidas se não forem identificadas no início da cirurgia. A sua irrigação é a mesma da tiróide, pelo que inadvertidamente, pode haver lesão dos vasos sanguíneos que lhes levam o sangue, quando se laqueiam os vasos da tiróide. Se isso acontece, o doente pode ficar com deficiência de PTH temporária ou permanente, o que leva a um quadro clínico de hipoparatiroidismo. O hipoparatiroidismo é um estado em que existe uma diminuição da secreção ou da actividade da PTH. Como consequência, os níveis de cálcio diminuem (hipocalcemia) e os valores do fósforo aumentam (hiperfosfatemia). Os sintomas podem ser ligeiros: formigueiros nas mãos, dedos e à volta da boca, ou graves: cãibras musculares que podem levar a tetania (cãibras generalizadas de vários músculos) ou mesmo convulsões (muito raro).

O tratamento baseia-se na administração de suplementos de cálcio e de vitamina D, que ajuda à absorção de cálcio pelo intestino. Por vezes existe também deficiência de magnésio, o que obriga a prescrever magnésio. Durante o internamento, quando os níveis de cálcio atingem valores muito baixos, pode ser necessário administrar cálcio por via injectável.

Cuidados pós-operatórios

O doente é mantido sob vigilância dos sinais vitais (tensão arterial, pulso, frequência respiratória, temperatura, débito urinário) nas primeiras horas a seguir à cirurgia.

A evolução da ferida operatória é verificada. De início, o doente sente um ligeiro “inchaço da garganta”, pode referir dor e enjoo, mas é-lhe prescrita medicação para alívio desses sintomas.

São pesquisados os sintomas e sinais clínicos de baixa de cálcio: “formigueiros” e “picadelas” das mãos e face. Em caso de dúvida o enfermeiro ou o médico pode pesquisar o sinal de Trousseau, que consiste em insuflar o aparelho de medir a tensão arterial até níveis acima da tensão máxima. É positivo se provocar uma contratura dos dedos.

Pode ser necessário colher sangue para determinação dos níveis de cálcio.

Na noite a seguir à cirurgia, o doente já deve poder ingerir dieta líquida ou ligeira e levantar-se da cama.

Após a alta

O doente pode andar, comer e beber.
A incisão operatória deve ser mantida limpa (pode tomar banho com uso do chuveiro no local).
É possível conduzir passados 2-3 dias e regressar ao emprego dentro de 5-7 dias, se não existirem complicações.
O cirurgião marca consulta pós-operatória para breve.
São pedidas análises de função tiroideia a curto prazo.
Nos casos de cirurgias mais alargadas é necessário tomar hormona da tiróide em comprimidos para substituir aquela que é fabricada pela tiróide que foi removida, excepto nos casos de malignidade em que pode ser preciso esperar pela realização de cintigrama e/ou tratamento com iodo 131 para iniciar a medicação.

TRATAMENTO COM IODO RADIOATIVO

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Em doentes com cancro da tiróide

Na sequência do tratamento do cancro da tiróide pode estar indicado, após a cirurgia, um tratamento com iodo radioativo.

O tratamento com hormona tiroideia (“Letter” ou “Thyrax”) deverá ser interrompido com um mês de antecedência para maximizar a captação do ¹³¹I. Isto provocará um quadro de hipotiroidismo sendo frequentes alguns sintomas relacionados com essa situação.

É essencial evitar nos dias anteriores a ingestão ou aplicação externa de substâncias que possam conter iodo na sua composição, porque se verificaria uma redução na captação do produto com diminuição da eficácia do tratamento.

Após o tratamento o doente fica internado e não pode ter visitas, na tentativa de reduzir a contaminação das pessoas que lhe são mais próximas. Na maior parte dos casos o internamento tem a duração de 48 horas.

Durante o internamento deverá cumprir as normas do centro em relação ao isolamento, refeições, tratamento de resíduos, etc. que frequentemente são dadas por escrito.

Aconselha-se levar a menor quantidade de roupa possível, material para se entreter, assim como luvas e chinelos de plástico descartáveis para evitar o contacto com os objectos pessoais. O doente tomará banho de chuveiro pelo menos uma vez por dia esfregando bem a pele e beberá abundantes líquidos pois aceleram a eliminação do iodo.

As complicações da terapêutica com ¹³¹I são geralmente de pouco significado. A inflamação da tiróide (tiroidite) cursa com dor no pescoço respondendo normalmente bem aos analgésicos. A inflamação das glândulas salivares é habitualmente transitória e responde bem à estimulação salivar com rebuçados de limão ou hidratação abundante de sumos limão. A cistite (inflamação da bexiga) pode surgir, prevenindo-se com hidratação abundante.

No momento da alta devem ser dadas algumas recomendações para observar nos dias seguintes como por exemplo:

Evitar o contacto com grávidas e crianças pequenas.
Se cozinhar calçar luvas enquanto manipula os alimentos.
Não dormir acompanhado.
Lavar em separado, na máquina, com um programa forte a sua roupa pessoal e de cama.
Descarregar sempre duas vezes o autoclismo.
Tomar banho de chuveiro, esfregando bem a pele.
Em doentes com hipertiroidismo

Para o tratamento do hipertiroidismo poderá estar indicado o iodo radioactivo. Embora existam outras possibilidades terapêuticas, o seu médico pode considerar esta, como a mais apropriada.

O objectivo do tratamento com ¹³¹I será destruir a quantidade suficiente de tiróide que leve à cura do hipertiroidismo. Este objectivo nem sempre é obtido com um único tratamento.

A sua administração é simples e a eficácia no tratamento do hipertiroidismo é elevada. Caso esteja a tomar medicamentos antitiroideus (“Propycil” e “Metibasol”) estes deverão ser suspensos alguns dias antes da administração do iodo e poderão ser reiniciados alguns dias após o tratamento, enquanto esperamos o efeito do iodo que pode demorar de 3 a 12 dias.

Por outro lado com alguma frequência (com aumentos posteriores de 2 a 4% por ano) este tratamento leva a uma destruição excessiva da tiróide o que provoca um quadro de hipotiroidismo que necessitará de tratamento substitutivo com hormona tiroideia para toda a vida. Esta possibilidade é o que justifica que os doentes que tenham feito este tratamento deverão ter pelo menos uma reavaliação anual da função tiroideia.

O tratamento pode provocar efeitos secundários que são raros e duram pouco tempo:

Raramente pode haver agravamento transitório dos sintomas de hipertiroidismo por inflamação da glândula (tiroidite) que provoca dor local.
Muito raramente pode apresentar secura das glândulas salivares durante 1 a 3 dias.
Em indivíduos com exoftalmia por doença de Graves pode ocorrer algum agravamento após o tratamento, que pode ser prevenido com a administração de medicamentos (corticosteróides).
Este tratamento está contra-indicado em grávidas.

Durante alguns dias após o tratamento devem ser observados alguns cuidados que serão transmitidos pelo médico que administrar o tratamento e que podem incluir limitações no contacto com grávidas e crianças.

Quando o tratamento for efectuado em mulheres em idade fértil aconselha-se evitar engravidar durante 6 meses após o tratamento.

ALTERAÇÕES SUBCLÍNICAS DA TIREOIDE

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A disfunção subclínica da tireoide caracteriza um conjunto, quase sempre sem sintomas, de alterações da tireoide diagnosticadas pelo exame imagiológico (mais frequentemente a ecografia) ou pelo estudo laboratorial da função tireoideia.

Podemos incluir na disfunção subclínica da tiróide:

nódulos não palpáveis (incidentalomas da tiróide)
hipertiroidismo subclínico
hipotiroidismo subclínico.
Incidentalomas da tiróide

São nódulos não palpáveis da tiróide, identificados de forma ocasional e fortuita, através de exames imagiológicos do pescoço (ecografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética) realizados, quase sempre, com outras indicações clínicas que não a doença da tiróide. Os nódulos não palpáveis da tiróide são comuns, mais frequentes com a idade e podem ser identificados pela ecografia em 30% a 50% da população em geral. Podem ter dimensões variáveis sendo habitualmente de pequenas dimensões ou seja com diâmetro inferior a 10 mm.

O estudo citológico dos nódulos não palpáveis só está recomendado se tiverem um diâmetro superior a 10 mm, se houve irradiação prévia da cabeça ou pescoço, há familiares com carcinoma medular da tiróide ou existem gânglios cervicais clínica ou ecográficamente suspeitos. Normalmente, a presença de nódulos da tiróide com diâmetro inferior a 10 mm, na ausência dos factores de risco mencionados, não tem grande importância clínica, podendo ser recomendada apenas uma vigilância clínica periódica.

Hipertiroidismo subclínico

O diagnóstico do hipertiroidismo subclínico caracteriza-se pela presença de TSH suprimida (abaixo do limite inferior do normal) com T3 livre e T4 livre dentro do normal. Frequentemente a T3 livre e a T4 livre situam-se na metade superior do normal.

A causa mais frequente de hipertiroidismo subclínico é a toma de uma dose diária excessiva de levotiroxina. Outras causas frequentes são: adenoma hiperfuncionante da tiróide, doença de Graves em início ou com evolução clínica ligeira, tiroidite do pós-parto, tiroidite subaguda e ingestão de produtos com iodo.

Habitualmente, a maioria dos indivíduos com hipertiroidismo subclínico não refere sintomas. Em alguns há a presença de sintomas subtis de hipertiroidismo, principalmente quando a T3 livre e T4 livre se encontram próximo do limite superior da normalidade.

Dois grupos populacionais merecem referência particular: a mulher após a menopausa e as pessoas com idade superior a 65 anos. O hipertiroidismo subclínico pode constituir um factor de risco para a osteoporose na mulher pós-menopáusica que não faz tratamento hormonal de substituição, apesar de não estar documentado um aumento do número de fracturas. Nos indivíduos com idade superior a 65 anos e hipertiroidismo subclínico a principal preocupação é o aumento do risco cardiovascular e nomeadamente de arritmias.

No tratamento do hipertiroidismo subclínico não tem sido fácil estabelecer um consenso. Quando tem origem na toma de uma dose excessiva de levotiroxina é unânime a recomendação de proceder a um ajuste mais perfeito da dose a administrar. Nas outras situações será sempre conveniente fazer, antes de uma eventual decisão terapêutica, um período de seguimento com repetição dos doseamentos, uma vez que, em 50% dos doentes com níveis suprimidos da TSH, há normalização espontânea da TSH sem intervenção terapêutica. Igualmente importante é determinar a causa do hipertiroidismo pois algumas situações são transitórias e apenas requerem tratamento sintomático. A intervenção terapêutica reúne consenso quando ocorre em indivíduos de idade avançada, com sintomas frequentemente de natureza cardiovascular e na dependência de disfunções tiroideias que normalmente não têm evolução espontânea favorável (nódulo hiperfuncionante, bócio multinodular tóxico).

Hipotiroidismo subclínico

O que caracteriza o hipotiroidismo subclínico é a associação do aumento da TSH com a presença de níveis normais da T4.

O hipotiroidismo subclínico é normalmente assintomático (sem sintomas) e o diagnóstico é feito em doseamentos hormonais de rotina com ou sem associação a vagos sintomas clínicos. No exame clínico a tiróide pode não ser palpável ou ter ligeiro aumento do volume. As causas mais frequentes do hipotiroidismo subclínico são a doença auto-imune da tiróide e o tratamento insuficiente do hipotiroidismo. As outras causas, menos frequentes, são: tratamento do hipertiroidismo (durante e após), tiroidite do pós-parto, tratamento com amiodarona, citoquinas, iodo e lítio.

A frequência da tiroidite auto-imune é elevada. A idade, o sexo feminino e a presença de anticorpos antitiroideus estão associados com a maior prevalência do hipotiroidismo subclínico e com a sua evolução para hipotiroidismo. A progressão anual para hipotiroidismo clínico é de cerca de 5% na mulher com anticorpos antitiroideus positivos e TSH elevada.

A necessidade de fazer o rastreio do hipotiroidismo subclínico tem sido tema de debate e controvérsia. É hoje consensual fazer o rastreio em todas as mulheres após os 50 anos de idade. Também se deverá fazer na mulher grávida que apresenta bócio, títulos elevados de anticorpos antitiroideus, outras doenças auto-imunes e história familiar de doença da tiróide ou de outras doenças auto-imunes.

As recomendações terapêuticas têm sido avaliadas em função dos seus reais benefícios. Quando a TSH é superior a 10 mUI/L aconselha-se o tratamento com levotiroxina. Nestes casos está comprovada a melhoria de sintomas cognitivos e outros de natureza cardiovascular e do metabolismo lipídico. Quando a TSH está entre 5 e 10 mUI/L o tratamento é controverso. Nestes casos a opção terapêutica deverá será tomada individualmente. Poderão ser tratados os indivíduos jovens com bócio e anticorpos antitiroideus positivos e indivíduos com sintomas potencialmente atribuíveis ao hipotiroidismo. As crianças e adolescentes, a mulher grávida e a mulher que pretende engravidar deverão fazer tratamento. O tratamento de doentes com doença coronária deverá ser cuidadosamente avaliado caso a caso.

O tratamento do hipotiroidismo subclínico deverá ser feito com a administração de levotiroxina.

DOENÇAS DA TIREOIDE NO IDOSO

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Os problemas da tireoide são frequentes em pessoas com idade superior a 60 anos. Neste grupo etário podem ter uma apresentação e evolução particulares. Por esse motivo são, por vezes, de difícil diagnóstico.

Hipertiroidismo

É comum nos doentes idosos. Na maior parte dos casos os sintomas são típicos: nervosismo, palpitações, hipersudorese, tremor e perda de peso. Noutras situações os sintomas de hipertiroidismo podem ser escassos. Pode estar ausente o nervosismo, intolerância ao calor, aumento do apetite e o bócio (aumento do volume da tireoide). O metabolismo aumentado associado à perda do apetite condiciona uma perda de peso marcada, sendo frequente a suspeita clínica de depressão ou neoplasia antes do diagnóstico correcto. Nos doentes idosos a apatia e a falta de forças são sintomas frequentes.

As análises ao sangue revelam um aumentam da concentração das hormonas tiroideias e níveis baixos de TSH.

Nos doentes idosos a coexistência de outros problemas médicos pode levar a determinada particularidade no tratamento. Devido à segurança e simplicidade de administração o tratamento de eleição é quase sempre o iodo radioactivo. Em doentes idosos particularmente com doença cardíaca subjacente – angina de peito ou arritmias cardíacas – está frequentemente indicada a administração de antitiroideus de síntese antes do tratamento com iodo radioactivo. Do mesmo modo o uso de um medicamento b-bloqueador impede algumas da acções das hormonas tiroideias no organismo diminuindo a gravidade dos sintomas.

Em algumas situações, pode ser preferível o tratamento inicial com antitiroideus de síntese – propiltiouracilo e metimazol.

Geralmente o tratamento apenas é eficaz enquanto é administrado, sendo a recaída frequente após a suspensão. Devido a este facto, e também pela possibilidade de certos efeitos secundários graves (diminuição dos glóbulos brancos), estes medicamentos são menos utilizados.

Raramente a cirurgia é indicada no tratamento do hipertiroidismo. Pode ser necessária no caso de um aumento marcado da tiróide com sintomas compressivos – dificuldade na deglutição ou na respiração.

Hipotiroidismo

O sinal mais precoce é um aumento da TSH. O hipotiroidismo é frequente nos indivíduos idosos. Grandes estudos populacionais demonstram que uma em cada dez mulheres com mais de 65 anos tem um valor de TSH elevado. A grande maioria não tem qualquer sintoma, no entanto pode ser o início de uma falência da tiróide. É fundamental o seguimento regular destas situações.

Os sintomas de hipotiroidismo podem ser semelhantes ao processo de envelhecimento, daí, por vezes, a dificuldade de diagnóstico. É uma situação que se instala muito lentamente, passando despercebida. É frequente o doente consultar vários médicos antes do diagnóstico correcto. Os sintomas mais frequentes são: falta de forças, lentificação, voz rouca, pele seca, aumento de peso, intolerância ao frio, surdez, cãibras, formigueiros, desequilíbrio na marcha, anemia, obstipação…

O diagnóstico de hipotiroidismo pode ser difícil com base apenas no exame físico. Determinadas características nos doentes ou seus familiares directos podem sugerir o diagnóstico. A presença de diabetes juvenil, artrite reumatóide, anemia perniciosa, manchas brancas na pele (vitíligo) e peladas no cabelo aumenta a probabilidade de uma deficiência da tiróide.

As análises ao sangue revelam um aumento da concentração de TSH, com as hormonas tiroideias – T3 e T4 baixas. Pode haver apenas um aumento da TSH com T3 e T4 normais.

Frequentemente são detectados anticorpos dirigidos contra componentes da tiróide.

A presença de T3 e/ou T4 diminuídas com TSH elevada requer tratamento.

Desconhece-se se um aumento isolado da TSH necessita de terapêutica.

O tratamento deve ser iniciado com doses baixas com um aumento gradual até à normalização da TSH. Num doente com doença cardíaca, pode ser necessário começar o tratamento com doses muito pequenas e aumentar muito lentamente. O hipotiroidismo quando é diagnosticado frequentemente já tem muitos meses ou anos de evolução, de modo que o organismo já está adaptado, sendo todo o seu funcionamento lentificado. Se a substituição se efectua com doses demasiado elevadas, pode levar a uma sobrecarga excessiva para o organismo e sobretudo para o coração.

É fundamental o seguimento regular do doente.

TIREOIDE E GRAVIDEZ

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De um modo geral, o hipertiroidismo, o hipotiroidismo e o aparecimento de nódulos da tireoide, são mais frequentes nas mulheres do que nos homens. A razão não está ainda bem definida, mas parece estar dependente da ação das hormonas femininas.

Paralelamente, as mulheres têm um risco maior de padecerem de doenças auto-imunes. Duas das doenças da tireoide mais frequentes são auto-imunes: a tiroidite de Hashimoto e a doença de Graves. Este tipo de doenças é provocado por alterações no sistema imunitário. Habitualmente, o sistema imunitário defende-nos contra germes (bactérias) e vírus, fabricando anticorpos. Nas doenças auto-imunes o organismo fabrica anticorpos contra os seus próprios órgãos. As doenças do sistema imunitário tendem a aparecer em vários elementos da mesma família.

Doenças da tireoide durante a gravidez

A tireoide aumenta de volume (bócio) durante a gravidez, quase sempre entre 10 a 30%, mas este bócio não se traduz em qualquer problema desde que as hormonas estejam normais. Se for notado que tem um nódulo, pode fazer uma citologia (picada-biópsia) para ver a respectiva natureza.

A gravidez está associada a alterações, quase sempre normais e reversíveis, quer do doseamento de hormonas tiroideias, quer das dimensões da glândula.

Como vimos, a tiróide aumenta de tamanho durante a gravidez, ou seja, aparece bócio, o que não significa que haja alteração da produção hormonal. No entanto, podem realmente surgir aumento ou diminuição da função tiroideia. As mulheres que engravidam podem não notar os sintomas clássicos da doença, porque muitos deles aparecem também na gravidez normal. Por exemplo, uma grávida pode sentir calor, cansaço, nervosismo ou mesmo apresentar tremor das mãos. Uma observação do seu médico e o doseamento hormonal nessa altura, permitem informar do que se está a passar.

Uma mulher grávida com doença da tireoide é tratada de uma maneira diferente do homem, ou da mulher não grávida. Por exemplo, materiais radioativos que são vulgarmente utilizados nos exames de estudo ou no tratamento destes doentes, nunca devem ser utilizados numa mulher grávida. Também a altura de uma citologia, cirurgia, ou mesmo os medicamentos para tratar o hipertiroidismo, são especiais durante a gravidez.

Deve discutir todas as suas dúvidas com o médico endocrinologista que a deverá seguir durante este período.

Diagnóstico

Só o seu médico lhe pode diagnosticar com certeza a existência de uma doença da tireoide. De qualquer modo, poderá estar atenta a alguns dos sintomas que já foram referidos.

O seu médico irá fazer a sua história clínica e observação física, bem como o doseamento das hormonas da tiróide no sangue.

Tratamento

A gravidez não permite todo o tipo de tratamentos, porque o seu médico terá de ter em conta a segurança do seu filho. Tal como na gravidez, o iodo radioativo não pode ser usado se está a amamentar. Poderá fazer citologias e poderá ser medicada com segurança com:

-Antitireoideus – medicamentos usados no hipertiroidismo para parar a produção de hormonas.

-Comprimidos de hormona tiroideia – medicamentos que vão fornecer ao seu organismo a quantidade certa que a sua tiróide não é capaz de fabricar.

Tiroidite pós-parto

A tiroidite pós-parto é uma forma temporária de tiroidite. Surge em 5 a 9% das mulheres depois de darem à luz uma criança. Os sintomas são habitualmente pouco acentuados. No entanto, pode aparecer noutra gravidez posterior.

Os sintomas duram normalmente 6 a 9 meses. Com esta inflamação, a tiróide liberta primeiro todas as hormonas que tem armazenadas. Quando estas hormonas entram na circulação do sangue provocam hipertiroidismo. Pode notar que o seu pescoço está alargado (bócio), que sente o coração a bater mais rápido e que está muitas vezes ansiosa e com calor.

Alguns meses depois, tudo volta ao normal. Também pode acontecer que a tiróide não volte a trabalhar, ou seja, que fique hipotiroideia. Se isto acontecer, poderá sentir-se mais cansada que habitualmente, fraca e com frio persistente.

O tratamento da tiroidite pós-parto vai depender da decisão do especialista que a segue e será mantida em vigilância por um período prolongado, mesmo que tudo regresse à normalidade.

As doenças da tireoide no filho

Se você ou alguém da sua família tem tiroidite de Hashimoto ou doença de Graves, há uma probabilidade maior de o seu filho vir a ter uma destas doenças. Para além destas duas doenças da tiróide, há outras que também poderão estar associadas. Poderá falar sobre isso com o seu médico.

Mesmo que a sua tireoide seja normal, provavelmente sabe que 1 em cada 4.000 crianças pode nascer com uma tireoide que não trabalha (hipotiroidismo congénito). Se o problema não é tratado, a criança pode ficar com atraso físico e mental. É portanto fundamental assegurar-se de que o seu filho fez o “teste do pezinho”. Neste teste, pelo doseamento de uma das hormonas que controla a tireoide (TSH), é possível diagnosticar todas estas crianças e começar o tratamento nos primeiros dias de vida, o que garante que elas venham a crescer normalmente.

CANCRO DA TIRÓIDE

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O diagnóstico de cancro da tiróide é assustador para a maior parte das pessoas , pela sua associação com dor e morte. Na verdade o prognóstico desta doença é geralmente excelente, porque:

A cirurgia é curativa na maioria dos casos.
Praticamente não causa dor ou incapacidade.
O tratamento é geralmente eficaz.
Geralmente apresenta-se sob a forma de um nódulo da tiróide. Ocasionalmente o cancro da tiróide pode apresentar-se sob a forma de um gânglio linfático cervical aumentado, rouquidão por compressão do nervo da voz (nervo laríngeo recorrente), ou dificuldade na deglutição ou respiração devido à obstrução do esófago ou laringe.

Noventa por cento dos cancros da tiróide são formas diferenciadas, e têm um bom prognóstico. Há 2 tipos de cancro diferenciado: papilar e folicular.

O exame anatomopatológico de tiróides consideradas normais pode revelar áreas mínimas de cancro papilar .Estes cancros microscópicos parecem não ter tendência para crescer e por esse motivo não têm importância clínica.

São clinicamente importantes quando aparecem sob a forma de nódulo da tiróide, porque podem continuar a crescer e espalhar-se pelo organismo. O cancro papilar da tiróide compreende 70 a 80% dos cancros da tiróide.

O que fundamentalmente determina o prognóstico dos doentes é a extensão da doença original, as dimensões do tumor e a idade do doente.

Cerca de 85% dos doentes cujo tumor primário é intratiroideu (confinado à tiróide) têm um excelente prognóstico, a taxa de mortalidade aos 25 anos é de 1%. Isto significa que passado 25 anos apenas 1 em cada 100 doentes faleceu de cancro da tiróide. A grande maioria dos doentes estão permanentemente curados. O prognóstico pode não ser tão favorável em doentes com idade superior a 50 anos ou um tumor de dimensão superior a 4 cm. O prognóstico é mais reservado quando o cancro se estende para fora da tiróide, invade a cápsula da glândula e atinge os outros tecidos do pescoço.

Num pequeno numero de casos, o cancro pode disseminar-se pelo sangue para locais à distância nomeadamente pulmão e osso. Estes tumores à distância (metástases) podem ser tratados com iodo radioactivo.

O cancro folicular da tiróide compreende 10-15% dos cancros da tiróide e parece ocorrer em idades mais avançadas que o cancro papilar.

O cancro folicular parece ter um comportamento mais agressivo que o cancro papilar da tiróide. Num terço dos doentes o tumor é minimamente invasivo com um excelente prognóstico. Em 2/3 dos doentes o cancro folicular é mais invasivo. Pode-se espalhar pelo sangue e atingir locais à distância nomeadamente pulmão e osso. Geralmente o prognóstico é melhor em idades jovens que em indivíduos com mais de 50 anos.

Tratamento

O tratamento primário para os cancros da tiróide é a cirurgia. Para as formas agressivas do cancro folicular e papilar a abordagem inicial é a remoção de toda a glândula tiróide (tiroidectomia total). Tratando-se de cancro papilar intratiroideu de menores dimensões e cancro folicular minimamente invasivo poderá não ser necessária uma cirurgia tão extensa. Visto que o prognóstico destas formas de cancro diferenciado é excelente independentemente da abordagem cirúrgica, não há regras absolutas no tratamento cirúrgico.

O iodo radioactivo é usado para o tratamento do cancro diferenciado da tiróide agressivo que apresenta invasão dos tecidos que rodeiam a tiróide ou locais à distância (pulmão e osso). Pode também ser usado para complemento da tiroidectomia nas formas menos agressivas.

É baseado no facto que as células malignas da tiróide captam o iodo 131 e são por ele destruídas.

Em condições normais as células do cancro da tiróide captam apenas diminutas quantidades de iodo (ou 131I). No entanto quando a TSH está muito aumentada, as células malignas da tiróide são capazes de captar quantidades significativas de 131I. Esta dose elevada de 131I, destroi as células malignas da tiróide sem lesar os tecidos que as rodeiam. Portanto para efectuar tratamento com 131I é necessário que previamente a tiróide tenha sido toda ou praticamente toda retirada.

Se após a tiroidectomia total ou quase total, um cintigrama com 131I, revela tumor residual no pescoço ou metástases à distância, o doente necessita de terapêutica com iodo radioactivo para destruir as células malignas.

Porque este tratamento é seguro e eficaz é também usado nos casos de cancro diferenciado menos agressivo. Nestas situações é usado para destruir pequenos restos tiroideus que se mantêm após a cirurgia. Esta abordagem pode melhorar o prognóstico e tornar mais fácil a detecção de recorrência tumoral pelo doseamento de tiroglobulina.

Em alguns casos mais agressivos pode ser necessária radioterapia externa.

A quimioterapia geralmente não é eficaz.

Obviamente se a tiróide foi total ou quase totalmente removida, tem que ser administrada hormona tiroideia para que o organismo se mantenha normal.

Vários estudos demonstraram que os carcinomas da tiróide recidivam mais frequentemente nos doentes que não tomam esta medicação.

As doses de hormona devem ser ajustadas pelo médico de acordo com as características particulares do doente. Em doentes com formas mais agressivas de carcinoma diferenciado pode ser necessário uma maior dose de modo ao doseamento de TSH ser indetectável.

Seguimento do carcinoma diferenciado da tiróide

É fundamental o seguimento periódico, porque as recorrências tumorais podem aparecer muitos anos após uma cirurgia bem sucedida.

Nas consultas de seguimento é importante a clínica e o exame físico com particular atenção para a palpação da região cervical. Podem ser necessários outros exames nomeadamente o RX do tórax, ecografia da tiróide e cintigrama da tiróide com 131I. É também fundamental a monitorização regular da tiroglobulina. Esta substância é produzida e libertada pela célula tiroideia normal e também pelo célula maligna do cancro da tiróide. Após tiroidectomia total, o seu nível é muito baixo. Um nível elevado ou a subir da tiroglobulina implica persistência ou crescimento tumoral, mas não está obrigatoriamente associada a um mau prognóstico. Um nível de tiroglobulina elevado alerta o médico para a necessidade de efectuar outros exames para a detecção de recidiva tumoral.

CARCINOMA MEDULAR DA TIREOIDE

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Nas últimas décadas os cientistas têm vindo a investigar alterações genéticas que podem provocar doenças, entre as quais o cancro. Descobriu-se que um subgrupo de cancros é devido à hereditariedade. Este tipo de cancros é causado por alterações genéticas (mutações) que se transmitem de pais para filhos.

Existem exames laboratoriais capazes de detectar essas mutações, através da análise dos genes que permitem identificar os indivíduos com predisposição genética para desenvolver essa doença.

A MEN 2 (“Multiple Endocrine Neoplasia”) é uma doença hereditária caracterizada pelo aparecimento de tumores em várias glândulas endócrinas (tireoide, supra-renais e paratireoides) levando ao desenvolvimento de carcinoma medular da tireoide (CMT), feocromocitoma e hiperparatireoidismo. A MEN 2 é dividida em 3 subgrupos de acordo com as glândulas afetadas:

MEN 2A – Famílias com indivíduos afetados com CMT, feocromocitoma e hiperparatireoidismo

MEN 2B – Famílias com indivíduos afetados com CMT, feocromocitoma e lesões nas mucosas da boca denominados neuromas mucosos

CMTF (carcinoma medular da tireoide familiar) – Quando existem 3 ou mais indivíduos do mesmo lado da família em que a única manifestação da doença é o CMT.

A manifestação clínica mais precoce e mais comum dos MEN 2 é o CMT.

Em 1993 uma equipa de cientistas descobriu que a MEN 2 e o CMTF são causadas por alterações específicas num gene chamado RET. Essas alterações genéticas são chamadas mutações e provocam o funcionamento anormal do gene RET.

Cada ser humano tem duas cópias de cada gene, uma herdada da mãe e a outra herdada do pai. A cópia que é herdada pelos filhos é transmitida ao acaso Por este motivo quando um dos pais é portador de uma mutação no gene RET, as probabilidades dos descendentes herdarem uma cópia do gene RET com a mutação, de entre as duas cópias do progenitor portador, são de 50%. Tal significa que os familiares em 1º grau de um portador da mutação têm 50% de hipóteses de ter herdado a mutação.

Se o teste é positivo, a tiroidectomia profiláctica está indicada para a maioria das pessoas afetadas. A cirurgia profiláctica previne o cancro da tiróide pois o órgão é removido antes do seu desenvolvimento.

Como a expressividade da MEN 2 é variável, mesmo dentro da mesma família, só alguns desenvolvem feocromocitoma e hiperparatireoidismo.

Periodicamente deve ser realizada a medição da excreção urinária de catecolaminas (hormonas produzidas em quantidade aumentada pelo feocromocitoma). Em indivíduos com níveis anormais de catecolaminas ou sintomas sugestivos de feocromocitoma devem ser realizados estudos radiológicos na tentativa de encontrar um tumor na supra-renal.

A medição dos níveis de cálcio e paratormona (hormona produzida pelas paratireoides e que regula o metabolismo do cálcio), permite uma vigilância adequada para o hiperparatireoidismo.