Nos sapatos de couro, o calcanhar e os dedos são as áreas que realmente aguentam o desgaste que deixa riscos na parte externa. Da próxima vez que comprar um novo par de sapatos (Principalmente para uma criança ou um adulto ativo), dê a essas áreas a proteção extra de que precisam. Pinte com esmalte incolor a parte externa da costura no calcanhar e na região dos dedos. Esfregue um pouco o esmalte para disfarçar o seu brilho. Quando ele secar, você terá a certeza de que seus sapatos permanecerão bonitos por muito mais tempo.
A OBESIDADE 3/3
As anfetaminas provocam dependência, podendo acarretar tolerância, que é quando há necessidade de aumentar-se a dose para se obter o mesmo efeito. Sua interrupção brusca pode causar a síndrome de abstinência, com grande mal-estar, tontura, irritabilidade,ansiedade aguda e outros sintomas do Sistema Nervoso Autônomo. Portanto, é imperioso o acompanhamento médico para os tratamentos que envolvem as anfetaminas.
No mercado farmacêutico os nomes comerciais das anfetaminas são:
Nome da anfetamina
Nome comercial
dietilpropiona ou anfepramona
Dualid, Inibex, Hipofagin, Moderine
femproporex
Lipomax, Desobesi
mazindol
Dasten, Absten, Moderamin, Fagolipo, Inobesin, Lipese,Diazinil
metanfetamina
Pervitin (só uso ilícito)
Os fabricantes desses produtos costumam acrescentar nas bulas que se trata de medicação adjuvante das dietas hipocalóricas, durante o tratamento de obesidade. Alguns até alertam para que a utilização desta classe de drogas deverá ser por tempo limitado a 4 semanas, somente para auxiliar a adesão à dieta hipocalórica e que o benefício que substâncias desta classe podem oferecer deve ser considerado à luz da relação custo-benefício.
Não obstante, em doses adequadas e tomando-se o cuidado de uma supervisão médica continuada,além do uso concomitante de outros psicotrópicos compensadores dos efeitos colaterais, o tempo de tratamento pode ser bastante mais elástico. Para obesidade mórbida,entretanto, seu uso está sendo cada vez mais abandonado.
A Dietilpropiona (Anfepramona)é o derivado anfetamínico mais utilizado no Brasil.Apesar da Anfepramona ser um anorexígeno potente, apresentapoucos efeitos colaterais.
A Anfepramona age como neurotransmissor da noradrenalina, sendo o mais potente anorético. Seu local de ação predominante é nos núcleos hipotalâmicos laterais inibindo a fome. Porém, a Anfepramona tem um importante potencial de dependência,quando usado inadvertidamente e em doses altas. As doses variam entre 40 a 120 mg ao dia, geralmente divididas em 2 tomadas e os efeitos colaterais mais comuns são: boca seca,constipação intestinal, irritabilidade, insônia e mais raramente taquicardia e hipertensão arterial.
Outra anfetamina é o Femproporex, o qual também parece ser bem tolerado. É um anorexígeno de ação semelhante a Dietilpropiona, agindo como inibidor do centro da fome hipotalâmico, tendo a noradrenalina como neurotransmissor.Seus efeitos colaterais, são os mesmos mas, em geral, meno sintensos que os da Anfepramona. A dose diária varia de 20 a60 mg ao dia, também dividida em 2 tomadas.
No Brasil usa-se também o Mazindol, um derivado da imidazolina que se assemelha farmacologicamente aos antidepressivos pelo fato debloquear a recaptação da noradrenalina e da dopamina.O Mazindol tem uma ação totalmente diferente da Anfepramona e do Femproporex, inibindo a recaptaçãoda Noradrenalina nas terminações nervosas.
É bastante possível que o Mazindol tenhasua ação no sistema límbico e não nohipotálamo, como os demais anorexígenos. Alémdos efeitos colaterais comuns aos outros anorexígenos, oMazindol pode precipitar quadros depressivos,agitação psicomotora e sintomas semelhantes ao quadrode pânico. A dose varia de 0,75 mg a 3 mg por dia,também divida em 2 tomadas.
É importante, do ponto de vistapsiquiátrico, saber que a perda de peso com dieta costuma causar depressão, ansiedade, irritabilidade, fraqueza e preocupação com alimentos. Por isso, juntamente comanorexígenos, os antidepressivos e ansiolíticos devem ser recomendados.
MEDICAMENTOSSEROTONINÉRGICOS
A serotonina é uma substância formada apartir da hidroxilação edescarboxilação do aminoácido triptofano quese distribui amplamente nos reinos vegetal e animal. Existem nohipotálamo ventro-medial receptores para serotoninarelacionados com a indução dadiminuição da ingestão alimentar.
A Dexfenfluoramina é um bom agenteserotoninérgico, ou seja, ele diminui arecaptação pré-sináptica de serotoninae, com menor efeito, aumenta sua liberação. Seuefeito anorexígeno é maior em relaçãoao consumo de carboidratos. Utilizam-se 15mg de Dexfenfluramina,por via oral, 2x/dia. Tem como efeitos colaterais asonolência, diarréia e náuseas. Por longo prazopode ocorrer significante dano neuronal, comdiminuição dos níveis circulantes deserotonina e depressão.
Os medicamentos a base de Dexfenfluramina foramretirados do mercado pela possibilidade de provocarem lesõesde válvulas cardíacas.
Fluoxetina
A Fluoxetina é um antidepressivo compropriedades anoréticas. Inibe a recaptação deserotonina nas terminações sinápticas. Podeser utilizada em dosagens que vão de 40 a 80mg/dia divididasem duas tomadas. Pode causar ansiedade, distúrbios do sono,sudorese e náuseas. Sua utilização éindicada em obesos com síndrome depressiva associada.
Atualmente, muitos casos de obesidade podem serabordados como um fenômeno psicossomático. A obesidadeconsiderada “reativa” é aquela com etiologia emocional e,normalmente, se caracteriza como fenômeno “io-io” ou”sanfona”, tendo em vista seu aspecto cíclico deemagrecimento-gordura. Por traz desse tipo de obesidade, reativa ecíclica, têm sido encontrado casos de depressãoe ansiedade.
Utilizando-se da escalas de Hamilton paradepressão e para ansiedade, Resch et al estudaram 29 obesos.A prevalência de transtornos por gula ou compulsãopara comer foi de 57% e de bulimia nervosa foi de apenas 3%. Otratamento de todos foi com fluoxetina, um antidepressivo inibidorseletivo da recaptação de serotonina, associadoà terapia cognitiva-comportamental. Os resultados forambons.
Sibutramina
A Sibutramina tem tanto uma açãoserotoninérgica, inibindo a recaptação daserotonina, como também um efeito catecolaminérgio.Aumentando a serotonina a Sibutramina aumenta asensação da saciedade, agindo também sobre acompulsão alimentar, enquanto que, aumentando outrascatecolaminas, promove um efeito inibidor na sensaçãode fome.
Segundo a literatura atual, não há riscode dependência química à Sibutramina e sua dosevaria de 10 a 20 mg por dia, em dose única pelamanhã. No Brasil a Sibutramina tem os nome comerciais deReductil e Plenty.
Termogênicos
São substâncias que atuam aumentando ogasto energético diário. Deste grupo fazem parte aefedrina, a aminofilina, o AAS e a nicotina. Nenhuma dessas,entretanto, tem utilização preconizada para aobesidade.
TRATAMENTO PARA A OBESIDADE MÓRBIDA
Quando se trata de obesidade mórbida, essasmedidas, na maioria das vezes, são fugazes e ineficientes.Isto porquê, devido ao fato de a imensa maioria dos pacientesseveramente obesos não conseguirem promover umamudança definitiva nos seus hábitos alimentares e naprática de atividade física, aliado àsalterações nos mecanismos que controlam adistribuição da gordura e o gasto energético,fazendo com que haja uma grande tendência do indivíduorecuperar o peso perdido, superando inclusive o peso inicial e setornando ainda mais obeso. Isto leva a um fenômenopopularmente conhecido como “efeito sanfona”.
Os pacientes com obesidade mórbida devemportanto ser encarados como portadores de uma doençaséria, que ameaça a vida, reduz a qualidade de vida ea auto-estima, e que requerem abordagens eficientes para promoveruma redução do peso de forma definitiva; portanto,para indivíduos com obesidade severa, o tratamentocirúrgico é o único métodocientificamente comprovado que promove uma acentuada e duradouraperda de peso, reduzindo as taxas de mortalidade e resolvendo, oupelo menos minimizando, uma série de doençasassociadas à obesidade.
A cirurgia bariátrica (nome utilizado para sedefinir a cirurgia para obesidade mórbida) é umprocedimento medico necessário por ser o único meiocientificamente comprovado para obtenção do controledo peso a longo prazo por restringir a ingesta e/ou aabsorção dos alimentos ingeridos definitivamente.
O tratamento cirúrgico é clinicamentenecessário porque é o único métodocomprovado de obter controle do peso a longo prazo para osgravemente obesos. O tratamento cirúrgico nãoé um procedimento cosmético. O tratamentocirúrgico da obesidade grave não envolve aremoção de tecido adiposo (gordura) poraspiração ou exérese.
A cirurgia bariátrica envolve reduzir o tamanhodo reservatório gástrico com ou sem um grau demá absorção associada. O comportamentoalimentar melhora dramaticamente. Isso reduz a ingestacalórica e assegura que o paciente pratiquemodificação de comportamento pela ingestão depequenas quantidades lentamente e mastigando muito bem cadabocado.
O sucesso do tratamento cirúrgico devecomeçar com objetivos realistas e avançar pelo melhoruso possível de cirurgias bem desenhadas e testadas. Estastêm sido trabalhadas nos últimos 30 anos e agoraestão padronizadas, com procedimentos claramente definidos eresultados bem reconhecidos e documentados.
A prevenção de complicaçõessecundárias da obesidade grave é importante objetivode conduta. Portanto, a opção do tratamentocirúrgico é uma lógica sustentada peloprincípio consagrado pelo tempo de que as doenças queprejudicam pedem uma intervenção terapêuticamenos prejudicial que a doença em tratamento.
TRATAMENTO PARA A OBESIDADE INFANTIL
Para o tratamento da obesidade infantil, algumasorientações são de utilidade práticaspara os pais:
1. Não proibir alimentos,apenas determinar a porção a ser servida;
2. Estabelecer horários;
3. Ensinar a comer devagar e mastigaros alimentos;
4. Não fazerrefeições assistindo televisão;
5. Diminuir gradativamente aquantidade de alimentos;
6. Não proibirsanduíches, desde que elaborados com alimentos pobres emgorduras;
7. Mude o hábito alimentarfamiliar se preciso;
8. Estimule atividade físicaregular;
9. Consulte um especialista naárea ao menor sinal de perda de controle alimentar.
Outras recomendações devem sertambém anotadas como:
1. Cortar calorias nasrefeições: os pais não devem superalimentarseus filhos à mesa. Se o cardápio é sempremuito calórico, talvez seja hora de repensar oshábitos alimentares da família em benefício dacriança. Estudos comprovaram que os hábitosalimentares dos pais contribuem para o desenvolvimento da obesidadeem crianças em idade escolar.
2. Limitar os lanchinhos: os paisnão devem forçar seus filhos a comerem frutas evegetais, ao invés disso, eles devem limitar a oferta de”guloseimas” em seus armários. A criança dificilmenteaceitará frutas ao ter biscoitos e outras massas ao seualcance.
3. Limitar Fast-foods: os pais devemreduzir gradativamente as saídas para lanchonetes e outrosfast-foods.
4. Introduzir atividadesfísicas: a atividade física éindispensável para a criança queimar caloriasreduzindo seu excesso de gordura.
5. Redução do tempo deTV: Estudos têm mostrado a relação direta entreassistir TV e a obesidade infantil.
Um dos grandes problemas de quem faz regime éque as dietas são extremamente restritas e enjoativas.Depois de algum tempo de tratamento, é comum a pessoasentir-se desmotivada, enjoada das dietas e, por fim, acabamcedendo às pressões psicológicas e sociaispara que voltem a comer como antes.
COMO SE PREVINE A OBESIDADE
Uma dieta saudável deve ser sempre incentivadajá na infância, evitando-se que criançasapresentem peso acima do normal. A dieta deve estar incluídaem princípios gerais de vida saudável, na qual seincluem a atividade física, o lazer, os relacionamentosafetivos adequados e uma estrutura familiar organizada. No pacienteque apresentava obesidade e obteve sucesso na perda de peso, otratamento de manutenção deve incluir apermanência da atividade física e de umaalimentação saudável a longo prazo. Essesaspectos somente serão alcançados se estiveremacompanhados de uma mudança geral no estilo de vida dopaciente.
Segure a compulsão
Faça um diário alimentar e anote tudo o quevocê come.
Obedeça rigorosamente ao horário dasrefeições, comendo com intervalos de 4 a 5horas.
Jamais pule refeições.
Quando, fora dos horários, surgir a vontade de comer,busque uma alternativa (caminhada, exercícios físicosetc.) que reduza a ansiedade.
Antes de cada refeição, planeje o que vocêvai comer e prepare cuidadosamente a mesa e o prato.
Preste a máxima atenção ao ato de comer.Não coma enquanto lê ou assiste televisão.
Mastigue bem e descanse o garfo entre cada bocada. Isso ajuda acontrolar a ansiedade. Mas é eficiente também porqueexistem dois mecanismos que promovem a saciedade. Um, de naturezamecânica, atua rapidamente, com o preenchimento doestômago. O outro, mais lento, depende da troca deneurotransmissores no cérebro. Comendo devagar, a pessoadá tempo para que esse segundo mecanismo funcione.
Jamais faça compras em supermercados de estômagovazio, para não encher o carrinho com guloseimas.
Não estoque comidas tentadoras (doces, sorvetes,salgadinhos) em casa. Tenha sempre à mãoopções saudáveis.
Não vá a festas de estômago vazio. Se,chegando lá, você não resistir àtentação de comer alguma coisa, escolha aquilo de quemais gosta e dispense o resto.
CONCLUSÃO
Quando a pessoa consome mais calorias do que gasta, aenergia fica acumulada no organismo e ela engorda. Caso gaste amesma quantidade que consome, o peso fica mantido, e se gastar maiscalorias do que ingere, emagrece. Mas a quantidade de calorias queuma pessoa necessita varia de acordo com a idade, o sexo e aatividade física. Vale a pena lembrar que o que maisengorda, ao contrário do que se pensa, não é oaçúcar, mas as gorduras, é bom lembrar que 1grama de gordura tem 9 calorias, enquanto 1 grama deaçúcar tem 4 calorias. A maioria dos alimentos queengordam e são irresistíveis ao paladar contem osdois componentes, como o chocolate, as massas, sorvetes, etc.
O sedentarismo é a causa mais importante doexcesso de peso e da obesidade. Por esse simples motivo, aatividade física tem que ser o primeiro item de qualquerprograma realista de tratamento da doença. A pessoasedentária deve começar reeducando-se em suasatividades cotidianas. Mesmo isso, porém, deve ser feitogradativamente. A partir daí, abre-se espaço para umaatividade física sistemática. Mas é precisoque seja uma atividade aeróbica (caminhada, esteira,corrida, bicicleta, hidroginástica, natação,remo, dança, ginástica aeróbica de baixoimpacto etc.), com elevação da freqüênciacardíaca a até 75% de sua capacidademáxima.
Nessas condições, a primeira coisa que oorganismo faz é lançar mão da glicose,armazenada nos músculos sob a forma de glicogênio.Depois de aproximadamente 30 minutos, quando o glicogênio seesgota, o organismo começa a queimar gordura como fontede energia.
As dietas restritivas devem ser evitadas. Atéporque, exatamente pelo fato de serem desbalanceadas, o organismose defende espontaneamente delas, fazendo com que, após umperíodo de restrição, a pessoa coma muitomais. O que o indivíduo precisa, isto sim, é buscaruma mudança no estilo de vida, pois os fatorescomportamentais desempenham, de longe, o papel mais importante noemagrecimento.
REFERÊNCIAS
Básica:
BROWN, Theodore L., LEMAY, H. Eugene Jr, BURSTEN, BruceE., BURDGE, Julia R., Química a Ciência Central,9ª edição, ao Paulo, Pearson Prentice Hall,2005.
CISTERNAS, José Raul; VARGAS José; MONTEOsmar, Fundamentos de bioquímica experimental, 2ªedição, Editora Atheneu, São Paulo, 2005.
KATZUNG, Beitram G., Farmacologia Básica eClínica., 2ª edição, 1986.
LEHNINGER, A. L.; NELSON, David L.; COX, Michael M.,Princípios de Bioquímica, Editora Sarvier,1995.
Complementar:
Título: OBESIDADE – Data dePublicação : 01/11/2001 – Revisão: 03/04/2006 – Acesso : 08/10/2006 | Palavras-Chave: OBESIDADE – Aumento de Gordura , Gordura , Excesso dePeso , Peso Aumentado
Disponível em:
http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?303
Obesidade e obesidade infantil. Disponível em:http://www.psiqweb.med.br/infantil/obesid.html
Acessado em: 08/10/2006.
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Ballone GJ – Tratamento farmacológico daObesidade, in. PsiqWeb, Internet. Revisto em 2003.Disponível em:
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Obesidade. Disponível em:
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A leptina. Disponível em:http://www.qmc.ufsc.br/qmcweb/artigos/colaboracoes/leptina.html
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O que é obesidade mórbida.Disponível em:
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Obesidade uma doença freqüente e antiga. Disponível em:
http://www.saudevidaonline.com.br/obesd.htm
Acessado em: 08/10/2006.
Veja on-line/saúde/obesidade. Disponível em:
http://veja.abril.com.br/saude/obesidade.html
A OBESIDADE 2/3
SISTEMA NERVOSO CENTRAL E OBESIDADE
A neurociência tem se preocupado em detectar uma área cerebral mais diretamente relacionada com a obesidade.Atualmente parece ser o hipotálamo o órgão mais diretamente relacionado ao desejo de comer, sendo o assim chamado centro da saciedade localizado no hipotálamo ventro-medial
A destruição experimental desse centro da saciedade causa hiperfagia e obesidade, com excesso da secreção de insulina (hiperinsulinemia),alterações no controle da temperatura corporal e no sistema nervoso autônomo.
Na parte lateral do hipotálamo estaria o centro da fome. Sua destruição experimental leva a um estado de diminuição da ingestão alimentar e ao emagrecimento acentuado. A participação de alguns neurotransmissores e de diversos tipos de receptores é fundamental para o início e o término de uma alimentação.
NEUROTRANSMISSORES E OBESIDADE
Uma das hipóteses cerebrais para obesidade é que as pessoas obesas podem comer em excesso porque possuem menor número de receptores para dopamina, uma substância química cerebral associada ao prazer.
A dopamina é um dos neurotransmissores, ou seja,mensageiros químicos utilizados pelos neurônios para transmitir sinais entre si e para todo o sistema nervoso. A dopamina tem um papel importante nas sensações de recompensa, prazer e saciedade, sensações essas associadas ao comer, sexo, amor, reprodução, etc.Substâncias como álcool, cocaína e nicotina também ativam o circuito.
Atualmente os estudos que avaliam a função de determinados sistemas cerebrais são chamados estudos funcionais do cérebro e, normalmente,são realizados com Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET ou SPECT).
Através do PET, tem-se observado que a performance dopamínica nos obesos tem sido menor, ou seja,poucos receptores de dopamina mostram-se funcionais. A falta de dopamina talvez cause o excesso de apetite para compensar a atividade diminuída nesse sistema de recompensa e saciedade.
Essa mesma linha de pesquisa também tem encontrado poucos receptores de dopamina nos cérebros das pessoas viciadas em álcool, cocaína e opiáceos, o que sugere um menor número de receptores em pessoas com vícios, seja ele qual for. Talvez por isso o Comer Compulsivo esteja classificado junto com os Transtornos Aditivos.
Existem sérias dúvidas do tipo “o ovo ou a galinha”, ou seja, é preciso determinar se é a falta de receptores a causa da obesidade ou se a obesidade é que causa a diminuição de receptores. Uma outra teoria seria sobre o excesso de comida estimular cronicamente o cérebro a produzir excesso de dopamina mas, com o tempo e como adaptação, os neurônios reduziriam o número dos receptores. Enfim,as pesquisas estão caminhando nesse sentido.
De fato, os medicamentos com ação sobre o apetite atuam sempre sobre neurotransmissores como dopamina ou serotonina, como é o caso dos anorexígenos ou, mais modernamente, dos estimulantes da saciedade (sibutramina).
OBESIDADE INFANTIL
A incidência de obesidade na infância está aumentando em todo o mundo. No Brasil também está ocorrendo um aumento marcante da obesidade infantil e,além das possíveis complicações clínicas da obesidade, com o crescente apelo estético de um padrão de beleza sempre magro, a implicação da obesidade na auto-estima infantil também tem sido um fator muito importante.
A obesidade infantil prepondera no primeiro ano e após o oitavo ano de vida, é maior nas famílias de renda maior (11,3 %) do que naquelas de menor renda (5,3 %). Mas, em qualquer faixa sócio-econômica,a vida moderna tem criado condições para o desenvolvimento de obesidade em crianças, na medida em que são impedidas de saírem de casa (por causa da violência) e, desta forma, deixam de correr nas praças, andar de bicicleta e participar de outras brincadeiras de boa atividade física.
Atualmente as crianças ficam muito em casa,dentro de seus quartos, sentadas ou deitadas na cama, jogam video-game, navegam pela internet, assistem vídeos ou estão ligadas na TV. Pesquisas têm revelado que 26%das crianças americanas, entre 8 e 16 anos, passam 4 ou mais horas em frente à televisão diariamente. Esses estudos procuram relacionar o hábito de ver TV com a obesidade infantil.
O ganho de peso acima do normal é, geral mente estimulado já nos primeiros anos de vida, pois a família, principalmente mães e avós têm,a idéia de que nenê gordinho é sinal de saúde. A obesidade deve ser prevenida tão logo acriança nasça, pois, o ganho de peso acima do esperado, aumenta o número de células gordurosas e favorece o aparecimento de obesidade no futuro. Como se viu acima,da Obesidade Hipercelular.
É preciso alertar para o fato de ser em torno dos dois anos e meio que se definem o número de células gordurosas de uma pessoa adulta e, normalmente, uma criança com excesso de peso possa a ter maior número de células gordurosas que uma criança com peso normal. Na fase adulta, tendo maior número de célulasgordurosas, essa pessoa terá maior dificuldade em se mantermagro. O contrário é verdadeiro, ou seja, as pessoasque possuem menor número de células gordurosas, mesmovenham a ganhar algum peso, não serão obesas,já que possuem poucas células que armazenamgordura.
É freqüente pais desejarem que o filho sejacheio de dobrinhas e bem gordinho. É freqüentetambém que essas crianças gordinhas percam o excessode peso ao começarem a engatinhar e a andar. O problemacomeça a ficar sério quando a criança continuaa ganhar peso excessivamente depois de 1 ano de idade. Aos dois outrês anos de idade, o excesso de peso antes elogiado pelosavós, ao invés de agradar, passa a incomodar pais,familiares e a própria criança. Nessa fase, as mesmaspessoas que achavam linda a criança gordinha, passam a dizerque um regimezinho agora até que seria bom.
A melhor maneira de evitar a obesidade infantilé tomar alguns cuidados antes mesmo do nascimento. Paisobesos e com padrões alimentares ricos em gorduras,calorias, sal e açúcar, são fortes candidatosa ter filhos obesos.
Neste caso, o bebê deve ter umaalimentação inicial baseada exclusivamente no leitematerno durante os seis primeiros meses de vida, tendo em mente quequanto mais tempo durar a amamentação, melhor. Apartir do primeiro ano de vida, fase em que a criançacomeça a ingerir alimentos sólidos, as frutas,legumes e carnes magras devem entrar no seu cardápiodiário. A primeira lição que a criançadeve aprender é que o açúcar deve serconsumido em pequenas quantidades e após asrefeições.
Dessa forma, o aleitamento materno no primeiro ano devida é uma das mais eficientes e principais medidas deprevenção da obesidade infantil. O aleitamentomaterno é tão fisiológico, no que diz respeitoà compleição da criança, que obebê que recebe leite materno e se encontra acima na curvaponderal normal, nem é considerado obeso, mas como tendo umacompleição corporal diferente e, normalmente, esteexcesso de peso não permanecerá.
Se a criança é alimentada comfórmulas infantis e apresenta alterações paramais na curva de peso, é preciso avaliar, a quantidade deleite, a concentração de farinhas ouaçúcares, a diluição, oshorários e etc… Os hábitos alimentares sãoprecocemente condicionados nas crianças por seus pais e,como atualmente há uma tendência para alimentos maisgordurosos ou calóricos, essas crianças podemdesenvolver obesidade desde cedo.
Como vimos acima, crianças obesas podem fazerparte dos grupos de riscos com maiores probabilidades de virem asofrer, na idade adulta, de distúrbios tais como ahipertensão, diabetes, doenças respiratórias,transtornos coronarianos e problemas ortopédicos.
Com modernos aparelhos e métodos maissofisticados, o médico pode diagnosticar o grau de obesidadee a quantidade de tecido gorduroso da criança. Detectado oproblema, deve ser recomendado um tratamento completo para aobesidade, incluindo a dieta alimentar, cardápioespecífico, horário fixos para asrefeições, atividades físicas e,principalmente, avaliação e eventual tratamento deproblemas emocionais.
Crianças em idade pré-escolar (de 1 a 6anos) que apresentam apetite exagerado ou umapreocupação acentuada com alimentos merecematenção especial pois, nesta idade, normalmente ascrianças não dão muita importânciaà comida. O apetite começa a melhorar entre osescolares (7 anos) e, aos 8, já é possívelencontrarmos a obesidade.
Na adolescência, um dos motivos para que o peso sejanegligenciado é a falsa crença de que o crescimentodo adolescente, por si, já resolve o problema da obesidade.De fato, o crescimento pode ser um aliado mas, algumas vezes,apesar de estar crescendo, pode haver ganho excessivo de peso.
É muito importante os pais terem em mente quemais de 99 % das crianças gordinhas não apresentamnenhum distúrbio hormonal. Essa importânciaestá no fato de todos os pais serem ávidos por umexame endocrinológico. Apesar do fator genético sersumamente importante, em geral a maior causa da obesidade infantilainda é o erro alimentar.
FUNÇÃO SEXUAL EM HOMENS OBESOS
Resultados de estudo, recentemente publicado no Jornalda Associação Americana de Medicina, demonstraram queem homens obesos que apresentavam disfunçãoerétil, a redução do peso e a mudançado estilo de vida melhoraram a função sexual.
Existe uma associação entre obesidade efunção sexual em homens, que é independentedas doenças relacionadas à obesidade, como diabete,hipertensão ou hiperlipidemia (aumento de gordura nosangue). Ou seja, a obesidade, em si ,pode interferir sobre odesempenho sexual.
Para testar se a redução do peso e amudança do estilo de vida poderiam promover algumbenefício sobre a função sexual, previamentecomprometida, pesquisadores da Universidade de Nápolis, naItália, acompanharam, durante três anos, homens obesoscom disfunção erétil, sem diabete,hipertensão ou hiperlipidemia, e com índice de massacorporal (IMC) acima de 30. Estes pacientes foram divididos em doisgrupos: o primeiro, chamado de intervenção, recebeuinstruções detalhadas de como reduzir 10% ou mais dopeso total, através da diminuição daingestão alimentar e do aumento da atividade física.O segundo grupo, chamado de controle, recebeu somenteinformações generalizadas sobre os benefíciospara a saúde, produzidos pelo exercício e pelaescolha de uma alimentação equilibrada,informações essas sem nenhum detalhamento.
Após dois anos, o grupointervenção apresentou uma redução dopeso (avaliado pelo IMC) e um aumento de atividade física(medida por minutos de atividade física por semana). Nogrupo controle não houve modificação no peso ena atividade física.
A função sexual, avaliada atravésde um índice internacional de funçãoerétil, melhorou significativamente no grupo que reduziu opeso e aumentou a atividade física. No grupo controle (osque não haviam reduzido o peso e nem aumentado a atividadefísica), este índice ficou inalterado (ou seja,continuou baixo).
COMPLICAÇÕES CLÍNICAS DAOBESIDADE
Desde a antiguidade Hipócrates percebera maiortendência dos obesos para a morte súbita e, de fato, aquestão da obesidade está muito além daspreocupações estéticas. A obesidadepredispõe, então, a uma série de outrasdoenças. São também sintomas comuns aos obesoso cansaço, a sudorese excessiva, principalmente empés, mãos e axilas, as dores nas pernas ecolunas.
O excesso de peso tem íntimarelação, por exemplo, com a mortalidade por causascardiovasculares. Normalmente a obesidade predispõe àhipertensão arterial, ao aumento dos níveis detriglicérides e colesterol, bem como àdiminuição do colesterol benigno(HDL-colesterol).
Quando se observa um obeso ofegante, normalmenteé porque o aumento da gordura no tórax e abdome podecausar alterações no padrãorespiratório. Nesses casos hádiminuição do volume e da complacênciapulmonares e aumento do trabalho do diafragma. Em grandes obesostambém pode ocorrer uma má oxigenaçãodos tecidos devido aos distúrbios da relaçãoentre a ventilação e a área corporal a sernutrida pelo oxigênio (perfusão).
A obesidade é também um importante fatorpara o desenvolvimento da diabetes mellitus, do tipo nãodependente de insulina. Mesmo diante do tratamento com insulinaesses diabéticos obesos apresentam uma fraca respostametabólica terapêutica.
Havendo aumento do peso há, sem dúvida,aumento das necessidades de insulina. Dessa forma, ou seja, comhiper secreção de insulina, é que os obesosmantém sua glicemia plasmática mas, apersistência desta condição dehipersecreção em longo prazo, poderá produzira falência da capacidade de secreção deinsulina pela célula ß do pâncreas. Aísim, teríamos, de fato, a diabetes.
Também a atividade fibrinolítica,indispensável para a fluidez do sangue encontra-sediminuída, predispondo à formação decoágulos. Neste caso os níveis de Antitrombina III,importante anticoagulante endógeno, estásignificativamente reduzidos em obesos mórbidos. Na parteosteo-muscular a obesidade está associada à maiorincidência de osteoartrose de joelhos.
Alguns estudos da American Cancer Society mostram que aincidência de câncer intestinal (colo-retal) e depróstata, foi de 1,33 vezes maior em homens obesos e ocâncer de endométrio, vesícula, colo deútero e mama, 1,55 vêzes maior em mulheres obesas.
Em mulheres obesas observa-se maiorfreqüência de ovários policísticos, bemcomo maior produção de hormônios masculinos(androgênios) pelos ovários. Isso pode ocasionar osurgimento de pelos e barba (hirsutismo), irregularidade menstrual,infertilidade e aumento dos ovários.
Atualmente, possivelmente pelasupervalorização cultural da estética econseqüente rejeição social sofrida pelo obeso,com freqüência essas pessoas entram em estado dedepressão emocional.
A obesidade é fator de risco para umasérie de doenças ou distúrbios que podemser:
Doenças
Distúrbios
Hipertensão arterial
Distúrbios lipídicos
Doenças cardiovasculares
Hipercolesterolemia
Doenças cérebro-vasculares
Diminuição de HDL (“colesterol bom”)
Diabetes Mellitus tipo II
Aumento da insulina
Câncer
Intolerância à glicose
Osteoartrite
Distúrbios menstruais/Infertilidade
Coledocolitíase
Apnéia do sono
COMO SE TRATA A OBESIDADE
O tratamento da obesidade envolve necessariamente areeducação alimentar, o aumento da atividadefísica e, eventualmente, o uso de algumasmedicações auxiliares. Dependendo dasituação de cada paciente, pode estar indicado otratamento comportamental envolvendo o psiquiatra. Nos casos deobesidade secundária a outras doenças, o tratamentodeve inicialmente ser dirigido para a causa dodistúrbio.
REEDUCAÇÃO ALIMENTAR
Independente do tratamento proposto, areeducação alimentar é fundamental, uma vezque, através dela, reduziremos a ingesta calóricatotal e o ganho calórico decorrente. Esse procedimento podenecessitar de suporte emocional ou social, através detratamentos específicos (psicoterapia individual, em grupoou familiar). Nessa situação, são amplamenteconhecidos grupos de reforço emocional que auxiliam aspessoas na perda de peso.
Independente desse suporte, porém, aorientação dietética é fundamental.
Dentre as diversas formas de orientaçãodietética, a mais aceita cientificamente é a dietahipocalórica balanceada, na qual o paciente receberáuma dieta calculada com quantidades calóricas dependentes desua atividade física, sendo os alimentos distribuídosem 5 a 6 refeições por dia, com aproximadamente 50 a60% de carboidratos, 25 a 30% de gorduras e 15 a 20% deproteínas.
Não são recomendadas dietas muitorestritas (com menos de 800 calorias, por exemplo), uma vez queessas apresentam riscos metabólicos graves, comoalterações metabólicas, acidose e arritmiascardíacas.
Dietas somente com alguns alimentos (dieta do abacaxi,por exemplo) ou somente com líquidos (dieta da água)também não são recomendadas, por apresentaremvários problemas. Dietas com excesso de gordura eproteína também são bastantediscutíveis, uma vez que pioram as alteraçõesde gordura do paciente além de aumentarem adeposição de gordura no fígado e outrosórgãos.
EXERCÍCIO
É importante considerar que atividadefísica é qualquer movimento corporal produzido pormúsculos esqueléticos que resulta em gastoenergético e que exercício é uma atividadefísica planejada e estruturada com o propósito demelhorar ou manter o condicionamento físico.
O exercício apresenta uma série debenefícios para o paciente obeso, melhorando o rendimento dotratamento com dieta. Entre os diversos efeitos seincluem:
a diminuição do apetite,
o aumento da ação da insulina,
a melhora do perfil de gorduras,
a melhora da sensação de bem-estar eauto-estima.
O paciente deve ser orientado a realizarexercícios regulares, pelo menos de 30 a 40 minutos, aomenos 4 vezes por semana, inicialmente leves e a seguir moderados.Esta atividade, em algumas situações, pode requererprofissional e ambiente especializado, sendo que, na maioria dasvezes, a simples recomendação de caminhadasrotineiras já provoca grandes benefícios, estandoincluída no que se denomina “mudança do estilo devida” do paciente.
DROGAS
No que se refere ao tratamento medicamentoso daobesidade, é importante salientar que o uso de umasérie de substâncias não apresenta respaldocientífico. Entre elas se incluem os diuréticos, oslaxantes, os estimulantes, os sedativos e uma série deoutros produtos freqüentemente recomendados como”fórmulas para emagrecimento”. Essa estratégia,além de perigosa, não traz benefícios a longoprazo, fazendo com que o paciente retorne ao peso anterior ouaté ganhe mais peso do que o seu inicial.
A utilização de medicamentos comoauxiliares no tratamento do paciente obeso deve ser realizada comcuidado, não sendo em geral o aspecto mais importante dasmedidas empregadas. Devem ser preferidos também medicamentosde marca comercial conhecida. Cada medicamento específico,dependendo de sua composição farmacológica,apresenta diversos efeitos colaterais, alguns deles bastante gravescomo arritmias cardíacas, surtos psicóticos edependência química. Por essa razão devem serutilizados apenas em situações especiais de acordocom o julgamento criterioso do médico assistente.
Os medicamentos atualmente disponíveis paratratamento da obesidade podem ser classificados de acordo com seumodo de ação conforme apresentado a seguir.
MEDICAMENTOS ANOREXÍGENOS
Modo de ação
Nome da Substância Ativa
Catecolaminérgicos Fentermina, fenproporex, anfepramona(dietilpropiona), mazindol, fenilpropanolamina
Serotoninérgicos Fluoxetina, Sertralina
Serotoninérgicos
Catecolaminérgicos
Termogênicos Efedrina, cafeína, aminofilina
Inibidores de absorção degorduras Orlistat
O fármaco ideal para tratamento da obesidadeé ainda hipotético; trata-se de um medicamento capazde emagrecer, sem privar os prazeres da mesa e nem alterar oshábitos alimentares. Esta droga ideal seria inócua eisenta de efeitos colaterais mesmo em longo prazo.. Infelizmente,até hoje isso não existe.
Muitos trabalhos científicos publicadosdocumentam que os métodos não-cirúrgicos,isoladamente, não têm sido efetivos em obter uma perdade peso a longo prazo em adultos gravementeobesos. Entretanto, o uso de medicamentos que inibem oapetite, chamados de anorexígenos, foi preconizadorecentemente como tratamento a longo prazo dessa doençacrônica.
Em um estudo de quase quatro anos utilizando um esquemacom duas drogas anorexígenas, a fentermina e a fenfluramina,mais a modificação de comportamento, dieta eexercícios mostrou resultados pouco otimistas emrelação à obesidade grave e mais otimista emobesidades menos graves.
Entre os efeitos colaterais dessacombinação de drogas parece ter sido umaassociação alta com alterações emválvulas cardíacas, o que já nãorecomenda esse tipo de tratamento. Sobre outras drogasanorexígenas, como é o caso da dietilpropiona, aassociação com transtornos cardíacosnão é documentada.
Um dos agravantes para o insucesso dos tratamentosnão-cirúrgicos da obesidade grave tem sido a altataxa de desistência. Um terço dos pacientes desistemprecocemente e a perda de peso final costuma ficar, acanhadamente,na média de apenas 1,5 kg. Resultados muito mais promissorescom o tratamento não-cirúrgico é emrelação aos casos de sobrepeso e de obesidade leve amoderada.
Os anorexígenos atuam através daação no Sistema Nervoso Central (SNC), acarretandodiminuição da fome ou aumento dasensação de saciedade. O protótipo deste grupoé a anfetamina. Esses medicamentos promovem síntese eliberação de noradrenalina, comestimulação do SNC, podendo ter como efeito colaterala agitação psicomotora, constipaçãointestinal, dor de cabeça, taquicardia ediminuição da libido.
As anfetaminas representam o principal grupo dassubstâncias que inibem a fome, portanto, das drogasanorexígenas. Sintetizadas pela primeira vez em 1887, asanfetaminas são drogas consideradas estimulantes, ou seja,estimulam ou aceleram o funcionamento do cérebro e dosistema nervoso central.
As anfetaminas foram, inicialmente, lançadas nomercado farmacêutico na forma de um inalador indicado comodescongestionante nasal, em 1932. Em 1937, iniciou-se ocomércio de uma anfetamina chamada benzedrina, com opropósito de revigorar e elevar o estado de humor. Abenzedrina foi usada na Segunda Guerra Mundial pelas tropasalemãs para combater a fadiga provocada pelo combate. OsEstados Unidos também permitiram seu uso na Guerra daCoréia.
Portanto, de acordo com suas características farmacológicas, além de inibidoras de apetite, emdoses altas as anfetaminas podem provocar um estado de grandeexcitação e sensação de poder. Seuuso ilícito se dá sob os nomes populares de bolinha,bola, rebite, etc. O controle da comercialização dasanfetaminas começa na década de 1970, quando elaspassam a ser consideradas drogas psicotrópicas, sendoportanto ilegal seu uso sem acompanhamento médico adequado.
A OBESIDADE 1/3
INTRODUÇÃO
A obesidade é uma epidemia, sendo já considerada pela OMS como a doença do século XXI.Alguns especialistas atribuem este fato à ocidentalização. “O mundo moderno traz obesidade, ou seja, quanto mais as cidades se urbanizam e os aparelhos ficam cada vez mais confortáveis, nomeadamente telemóveis,comandos à distância ou automóveis, mais aumenta a prevalência da obesidade”, alerta o presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade(ABESO), Márcio Mancini, sublinhando, por outro lado, que os hábitos alimentares e a diminuição de gastos de energia contribuem também para o aumento da gordura.
A obesidade é uma síndrome com várias causas, caracterizada por um excesso de tecido gorduroso e pode ser classificada em várias modalidades.Há várias maneiras de saber se a pessoa é ou não gorda, ou seja, de se classificar a obesidade. A maneira mais simples e comum de classificar a obesidade é pelo peso.Na realidade nem sempre o pesado é gordo, já que a musculatura pesa mais que o tecido gorduroso, e uma pessoa musculosa não costuma ser gorda. Desde 1958, depois da famosa frase do economista John Kenneth Gailbraith, afirmando que”nos Estados Unidos da América morrem mais pessoas por excesso que por falta de comida”, o tratamento da obesidade deixou de ser uma questão simplesmente estética e passou a ser uma questão de saúde pública e pessoal. De acordo com o especialista, 13% das mulheres e 8% dos homens brasileiros sofrem de obesidade, ao mesmo tempo que, cerca de 40%da população sofre de excesso de peso. Em Portugal,os números são semelhantes: mais de metade dos indivíduos sofre de excesso de peso ou obesidade.”
A meta de se atingir um bom peso passou a exigir mudanças no habito alimentar, na prática do condicionamento físico e na atenção à saúde psíquica. Um peso mais proporcional passou ater forte relação com o desenvolvimento,amadurecimento e envelhecimento mais saudáveis.
O QUE É A OBESIDADE
A obesidade é o maior problema de saúde da atualidade e atinge indivíduos de todas as classes sociais, tem etiologia hereditária e constitui um estado de má nutrição em decorrência de um distúrbio no balanceamento dos nutrientes, induzindo entre outros fatores pelo excesso alimentar. O peso excessivo causa problemas psicológicos, frustrações,infelicidade, além de uma gama enorme de doenças lesivas. O aumento da obesidade tem relação com: o sedentarismo, a disponibilidade atual de alimentos, erros alimentares e pelo próprio ritmo desenfreado da vida atual.
A obesidade relaciona-se com dois fatores preponderantes: a genética e a nutrição irregular. A genética evidencia que existe uma tendência familiar muito forte para a obesidade, pois filhos de pais obesos tem 80 a 90% de probabilidade de serem obesos.
A nutrição tem importância no aspecto de que uma criança superalimentada será provavelmente um adulto obeso. O excesso de alimentação nos primeiros anos de vida, aumenta o número de células adiposas, um processo irreversível, que é a causa principal de obesidade para toda a vida. Hoje, consumimos quase 20% a mais de gorduras saturadas e açúcares industrializados.
Os dados atuais são preocupantes: onúmero de obesos no Brasil e no mundo tem aumentado commuita rapidez. Um estudo comparativo do Setor de Epidemiologia daFaculdade de Saúde Pública da USP mostrou que, emapenas duas décadas (entre 1974 e 1997), o número depessoas obesas no Brasil quase triplicou. Outra pesquisa, feitapela Organização Mundial de Saúde (OMS),indicou que o aumento da obesidade é um problema que atingedezenas de países. Mas se quem é obeso sofre com oexcesso de peso e sabe que a obesidade é fator de risco paradoenças cardiovasculares, diabetes, hipertensãoarterial e alguns tipos de câncer, por que esse númerocresce cada vez mais? A obesidade é uma doença quedepende de vários fatores para se desenvolver: agenética da pessoa, fatores culturais e étnicos, suapredisposição biológica, estilo de vida ehábitos alimentares. As pessoas, no entanto, engordam poruma simples questão: consomem mais calorias do que gastam.Em outras palavras, não se alimentam de forma equilibrada emuitas levam uma vida sedentária. Se o corpo não usaa energia que ingeriu, por meio de atividades físicas, essaenergia se transforma em gordura e se acumula no corpo, causando oaumento de peso. Como a perda de peso é algo que requermuita força de vontade e disciplina, melhor do que combater,é prevenir a obesidade. E o cuidado começa jána infância.
POR QUE ESTAMOS TÃO GORDOS
Num tempo em que as formas esguias e os músculosesculpidos constituem um avassalador padrão de beleza, oexcesso de peso e a obesidade transformaram-se na grande epidemiado planeta. Nos Estados Unidos, nada menos de 97 milhões depessoas (35% da população) estão acima do pesonormal. E, destas, 39 milhões (14% dapopulação) pertencem à categoria dos obesos. Oproblema de forma alguma se restringe aos países ricos.
Com todas as suas carências, o Brasil vai pelomesmo caminho: 40% da população (mais de 65milhões de pessoas) está com excesso de peso e 10%dos adultos (cerca de 10 milhões) são obesos. Atendência é mais acentuada entre as mulheres (12% a13%) do que entre os homens (7% a 8%). E, por incrível quepareça, cresce mais rapidamente nos segmentos de menorpoder econômico. Além dos números altos, oque assusta é a rapidez com que eles cresceram. Estudoscomparativos do Setor de Epidemiologia da Faculdade Públicada USP indicam que, na década de 1970, os homens obesos noBrasil somavam 2,8% da população masculina. Em apenas23 anos, esse número quase triplicou, passando para osatuais 8%. No mesmo período, o índice feminino passoude 4,9% para 13%.
Nos Estados Unidos a situação éainda mais preocupante: 61% da população estácom o peso acima do normal, e em 2001 foram contabilizadas 300 milmortes decorrentes da obesidade.
O inimigo, consiste num modelo de comportamento quepode ser resumido em três palavras: sedentarismo,comilança e stress. Estamos vivendo a era daglobalização de um modo de vida baseado nainatividade corporal frente às telas da TV e do computador,no consumo de alimentos industrializados, cada vez mais gordurosose açucarados, e num altíssimo grau de tensãopsicológica.
A “MC DONALDIZAÇÃO”
Em ritmo acelerado e escala planetária, asculinárias tradicionais vão sendo atropeladas pelofast-food. E bilhões de seres humanos estão migrandodos carboidratos para as gorduras.
As conseqüências dessaalimentação engordurada podem não serinocentes. Artérias entupidas e diabetes são apenasalgumas das possíveis conseqüências do excesso depeso. Mas, independentemente das conseqüências, existehoje uma unanimidade entre os médicos para se considerar aprópria obesidade como uma doença. E o que épior: uma doença crônica e incurável. Como agordura precisa ser estocada no organismo, todo obeso tem umaumento do número de células adiposas (obesidadehiperplástica) ou um aumento do peso das célulasadiposas (obesidade hipertrófica) ou umacombinação das duas coisas.
Esse é um dos fatores que faz com que, uma vezadquirida, a obesidade se torne crônica. O indivíduopode até emagrecer, mas vai ter que se cuidar pelo resto davida para não engordar de novo. É por issotambém que, a longo prazo, os regimes restritivos nãoresolvem. Com eles, a pessoa emagrece rapidamente. Mas nãoconsegue suportar, por muito tempo, as restriçõesimpostas pelo regime. E volta a engordar. É o chamado”efeito sanfona”, o massacrante vai-e-vem do ponteiro dabalança.
DEFINIÇÃO DE OBESIDADE E ÍNDICE DE MASSACORPÓREA
Para que essa definição tenhaaplicação prática, é necessáriobaseá-la em critérios matematicamente definidos. Paraisso existe o Índice de MassaCorpórea (IMC), hoje aceito como padrão demedida internacional para obesidade.
Se queremos nos reportar apenas ao tecido gorduroso(adiposo) os meios de classificação sãovariados. Podemos usar a relação do peso/altura(tabela do Metropolitan Life Insurance Company), ou as medidas deespessura de prega cutânea ou, ainda, o Índice deMassa Corpórea (IMC). O IMC é obtido peladivisão do peso em Quilos pela altura ao quadrado (expressaem metros). Podemos classificar o peso em categorias, de acordo como IMC. Desta forma, quanto ao grau (quantidade) de obesidade, oparâmetro de medida é o IMC e podemos tê-la em 4tipos.
A forma de cálculo para IMC é adivisão do peso (em kg) da pessoa por sua altura, elevada aoquadrado (em m²).
IMC ( kg/m2)
Grau de Risco
Tipo de obesidade
18 a 24,9
Peso saudável
Ausente
25 a 29,9
Moderado
Sobrepeso ( Pré-Obesidade )
30 a 34,9
Alto
Obesidade Grau I
35 a 39,9
Muito Alto
Obesidade Grau II
40 ou mais
Extremo
Obesidade Grau III (“Mórbida”)
Para um indivíduo com 1,70 m de altura, porexemplo, se o peso for de 86,7 kg, ele terá IMC = 30. Compeso de 101,15 kg, ele atinge IMC de 35; com peso de 115,6 kg, oIMC é de 40, e ele é considerado um obesomórbido.
Em termos gerais, aceita-se que o peso ideal ou demenor risco para saúde corresponde a um IMC de 20 a 25, eaté 27 para pessoas idosas. Este índice deve serusado para adultos. Para crianças e adolescentes devem serutilizadas curvas específicas, uma vez que, ainda,estão em fase de crescimento.
Entretanto, mesmo considerando a frieza e pretensaexatidão do IMC, existem muitas variáveis, como porexemplo distribuição corporal da gordura,biótipo, etc. Nesses casos preconizam-se outrosmétodos para “medirmos” gordura, como por exemplo, adensitometria.
Esta classificação tem importânciaestatística no que se refere ao prognóstico deintercorrências clínicas, como por exemplo, ahipertensão arterial, a gota, a osteoartrose, adislipidemia, etc, e conseqüentemente estimar-se o risco demorbidade e mortalidade das pessoas.
“ACIMA DO PESO” VS. “OBESIDADE”
Mas qual é, afinal, a diferença entre”estar acima do peso” e “ser obeso”?
A obesidade é um excesso de gordura nacomposição do corpo, mas só pode ser chamadaassim quando mais de 20% da massa corporal total forconstituída por gordura (30% no caso das mulheres).
Quem se encontra nessas condições,têm a saúde comprometida e corre o risco de contrairdiversas doenças, como as cardiovasculares, váriostipos de câncer, diabetes e hipertensão, entreoutras.
CONCEITOS DE BIOLOGIA EM RELAÇÃO ÀSGORDURAS
O papel das células
O corpo humano é formado por mais de 75trilhões de células, unidades microscópicas,mas que contêm estruturas complexas que desempenhamfunções vitais. Para isso, elas precisam de energia,que provém das calorias absorvidas naalimentação. Dentro desse rol gigantesco decélulas, algumas são especializadas, desenvolvendoatividades específicas, como as células deabsorção e as células gordurosas(adipócitos), imprescindíveis para a digestãoe o armazenamento da gordura, respectivamente.
Células deabsorção
Uma vez terminada a digestão dos alimentos,estes são absorvidos pelo organismo. No caso das gorduras,esse processo é feito no interior do intestino delgado, queapresenta protuberâncias minúsculas, chamadas devilosidades, que participam da absorção dosnutrientes. Há também as microvilosidades, quesão protuberâncias muito diminutas que contribuem parao transporte dos nutrientes, como as gorduras, da luz do intestinopara a corrente sanguínea.
Células gordurosas
São chamadas de células gordurosas ouadipócitos, aquelas que armazenam gorduras dentro do corpo eas liberam quando for necessário. A energia éarmazenada na forma de triglicerídeos, que sãomoléculas de lipídios compostas basicamente porgordura. As células gordurosas armazenam energia na forma detriglicerídeos.
Lipocytes (Células Gordas)
A gordura adicional é armazenada nos”lipocytes”, que expandem no tamanho até que a gordura sejausada para o combustível.
Quando a entrada de energia é igual àsaída da energia, não há nenhumaexpansão das células gordas (lipocytes) para acomodaro excesso. Somente quando são consumidas mais calorias,é que são produzidas a gordura extra que estáarmazenada nos “lipocytes” e a pessoa começa a acumulargordura.
Mecanismo da Fome
O mecanismo da fome é controlado por um sistemacomplexo de comunicação entre diversasproteínas liberadas pelo aparelho digestivo e envolve maisde 250 genes herdados de nossos pais. Visando a manter oequilíbrio energético do organismo, cada um dessesgenes produz uma determinada proteína. Suaregulação é tão precisa que se a pessoaingerir 120kcal a mais do que suas necessidades energéticaspor dia (o que equivale a um copo de refrigerante), no final de 10anos terá engordado 50k.
O estômago é um importante regulador do apetite.Quando está vazio, há a liberação degrelina, um hormônio que age no cérebro e dispara asensação de fome que diminui gradativamente àmedida que comemos.
A passagem dos alimentos para os intestinos provoca aliberação de outro hormônio, representado pelasigla PYY, que também age no cérebro, ativando ocentro de saciedade e provocando a perda de apetite. Obalanço estabelecido entre esses dois hormônios,grelina e PYY, indica quando se deve iniciar ou terminar umarefeição.
Dependendo do tipo de alimentos ingeridos, háuma composição diferente na liberaçãodesses hormônios. Por exemplo, carboidratos simples, como abatata e os doces, são absorvidos antes de os intestinosliberarem o hormônio PYY inibidor da fome. Quebrados pelainsulina produzida pelo pâncreas, esses carboidratosingeridos em excesso transformam-se em células gordurosas.No entanto, a gordura de alimentos, como a da carne vermelha, porexemplo, passa rapidamente para os intestinos e libera PYYinduzindo mais depressa a sensação de saciedade. Essaconstatação derruba antigos mitos que condenavam aingestão de certos alimentos mais gordurosos comoprejudiciais à saúde.
SUBSTÂNCIAS LIBERADAS PELAS CÉLULAS DEGORDURA
Célula Adiposa
Quando uma pessoa engorda, suas células adiposas(de gordura) aumentam em até seis vezes o seu tamanho ecomeçam a se multiplicar, passando de cerca de 40bilhões para cerca de 100 bilhões. Quando issoacontece, as células de gordura liberam na correntesanguínea substâncias inflamatórias ehormônios, que causam diversos prejuízos aoorganismo.
Ácidos Graxos
As células de gordura armazenamtriglicérides e os liberam na corrente sanguínea comoácidos graxos, que têm a funçãoenergética. Mas quando são secretados em grandequantidade, são armazenados diretamente no fígado,coração e músculos, causandodoenças.
IL-6 e TNF-ALFA
Proteínas produzidas pelo tecido adiposo e pelosistema imunológico. Essas substâncias estãoenvolvidas no entupimento de artérias. Elas levam àformação de radicais livres (relacionados aoenvelhecimento celular) e à lesão do endotélio(camada que reveste artérias e veias por dentro),favorecendo o acúmulo de placas de colesterol, que faz comque o indivíduo tenha mais doenças docoração e circulatórias.
Adiponectina
Proteína produzida pelo tecido adiposo. Tem umpapel antiinflamatório e protege as artérias doentupimento pelo acúmulo de gordura. Ela é secretadapelo tecido adiposo em condições normais, mas quandoa pessoa engorda, sua produção diminui. Estámais presente nos magros do que nos obesos.
Angiotensinogênio e PAI-1
O angiotensinogênio é convertido em umasubstância que causa constrição dos vasossanguíneos, causando hipertensão. Adiminuição do PAI-1, um anticoagulante natural,está relacionada à formação de trombose coágulos.
Resistina
Proteína produzida pelo tecido adiposo. Quandosecretada em grandes quantidades está relacionada àresistência à insulina (condição queleva ao desenvolvimento do diabetes tipo 2).
Leptina
Hormônio protéico produzido exclusivamentepelas células de gordura. É ele o responsávelpela sensação de saciedade no cérebro. Quantomais gordura a pessoa tem no corpo, mais leptina éproduzida. O problema é que as pessoas obesas, apesar deproduzir grande quantidade do hormônio, acabam criandoresistência à sua ação. A leptinafunciona como um “adipostato”, referindo-se à TeoriaLipostática, que prediz que a composição e opeso corporais em humanos são determinados porinterações entre fatores genéticos,ambientais, comportamentais e sociais e da resposta a um sinalperiférico produzido em quantidades proporcionais ao tecidoadiposo no organismo.
A existência desse fator circulante, que aumentacom os estoques de energia e age no cérebro para inibir aingestão de alimentos e as reservas no tecido adiposo, foidescoberta após mutações genéticasdenominadas por obese (ob) e diabetes (db).Baseado nesses estudos foi sugerido que a mutação obestava relacionada à produção de um fatorcirculante e a db com a resposta a esse mesmo fator. Assim, o fatorcirculante, produto do gene ob, foi chamado leptina (do gregoleptos que significa magro), porque este mostrou ser capazde diminuir o peso corporal e a massa de tecido adiposo quandoinjetado em camundongos.
A descoberta da leptina tem ajudado a esclarecer opapel dos adipócitos como sistema endócrino e de quemodo ocorre a sinalização para a ingestão ounão de alimentos, bem como, a regulação dometabolismo energético. Assim, a coordenaçãodo balanço energético e do peso corporal envolve umaregulação entre a ingestão de alimentos egasto de energia em resposta a sinais agudos (insulina,catecolaminas como a adrenalina) e rônicos (gravidez,desnutrição, inflamações, caquexia eleptina).
A leptina é sintetizada como um peptídeode 167 aminoácidos (aa), transportada para acirculação sanguínea com apenas 146 aa e umamassa molecular de 14-16 kDa. A cristalografia revela quatrohélices com estruturas semelhantes às das citoquinas,tais como as interleucinas.
Síntese e Regulação daleptina A leptina é produzida principalmente notecido adiposo, embora também possa ser encontrada (empoucas quantidades) no epitélio intestinal, placenta(funcionando com um fator de crescimento para o feto, por sinalizaro estado nutricional da mãe), leite materno, músculoesquelético, gástrico e cérebro.
É codificada por um gene que tem trêsexons e dois íntrons. A região promotora temelementos como TATA box, C/EBP (região deligação à proteínas), GRE (elementoresponsivo a glicocorticóides) e CREB (elemento deligação à proteínas responsivo aoAMPc). A transcrição e a traduçãoocorrem no tecido adiposo, placenta e trato gastrintestinal, onde arazão de produção é diretamenterelacionada à massa de tecido adiposo. Em umindivíduo com peso corporal normal, a leptina estámais correlacionada com a massa de gordura absoluta do que com oíndice de massa corpórea (BMI) ou percentagem degordura corporal.
Os níveis de leptina circulantes parecem estardiretamente relacionados com a quantidade de RNAm para leptina notecido adiposo. Além disso, vários fatoresmetabólicos e endócrinos contribuem para regular atranscrição dos genes da leptina emadipócitos. Por exemplo, ocorre diminuição deleptina em resposta a baixos níveis de insulina, havendo umarelação diretamente proporcional entre asconcentrações desses hormônios.
Glicocorticóides (como o cortisol),infecções agudas e citoquinas inflamatórias;aumentam os níveis de leptina mas, baixas temperaturas,estimulação adrenérgica, hormônio docrescimento (GH), hormônios tireoidianos, melatonina, e fumotêm a propriedade de diminuir os níveis deleptina.
Há também o efeito do sexo, pois com amesma quantidade de gordura corporal mulheres secretam duas vezesmais leptina que homens. A leptina humana tem uma meia-vida deaproximadamente 25 min e é a mesma em indivíduosobesos e com peso corporal normal. Essa meia-vida curta nacirculação é determinada pelo clearencerenal mediado por filtração glomerular.
Ingestão de alimentos x gasto deenergia O papel da leptina como hormônioantiobesidade é essencialmente derivado de suasações como diminuidor do apetite e estimulador dogasto de energia. A propriedade inibidora do apetite deve-se aomecanismo de sinalização desta no hipotálamo,estimulando a síntese de neuropeptídeosanorexigênicos como POMC (Proopiomelanocortina), a-MSH(Hormônio Estimulante de a-Melanócitos), CRH(Hormônio Liberador de Corticotropina) e CART (TranscritoRegulado por Cocaína e Anfetamina) que diminuem aingestão de alimentos pela sensação desaciedade. Os neuropeptídeos anorexigênicos, por suavez, inibem a síntese de neuropeptídeo Y (NPY), queestimula a ingestão de alimentos, inibe a termogênese(liberação de energia na forma de calor semprodução de ATP) e é diminuido por altosníveis séricos de insulina, promovendo aumento dalipogênese, síntese proteica e armazenamento deglicose.
A propriedade de alterar o gasto de energia, deve-se aofato da leptina estimular as ações da norepinefrina(NOR) e a lipólise no tecido adiposo, levando àtermogênese. Por estimulação do sistema nervososimpático, a leptina causa aumento naliberação de NOR que age em adipócitos porsinalização via AMPcíclico e proteínaquinase A (PKA), estimulando a transcrição do genepara proteínas desacopladoras da fosforilaçãooxidativa (UCPs). As UCPs formam canais que permitem a entrada deprótons na matriz mitocondrial sem passar através docomplexo ATP sintase, permitindo a oxidaçãocontínua de ácidos graxos sem síntese de ATP,com dissipação de energia na forma de calor. Istoleva a um aumento no gasto de energia no tecido adiposo, comestímulo da lipólise.
Colesterol
Hiperlipidemia é o aumento dos lípides(gorduras) do sangue. Os lípides incluem colesterol, estesesdo colesterol, fosfolípides e triglicérides. Nosangue estão ligadas às moléculas grandes,chamadas de lipoproteínas. São LDL, HDL etriglicérides. Lípides é um termo amplo paradesignar todas as gorduras do organismo inclusive as do sangue. OColesterol pode ser considerado um tipo de lipídio produzidoem nosso organismo. Ele está presente em alimentos de origemanimal (carne, leite integral, ovos, etc). Em nosso organismo,desempenha funções essenciais comoprodução de hormônio, vitamina D, entre outras.No entanto, o excesso de colesterol no sangue é prejudiciale aumenta o risco de desenvolver doenças cardiovasculares.Em nosso sangue existem 2 tipos de colesterol:
LDL colesterol = Conhecido como”ruim”, ele pode se depositar nas artérias e provocar seuentupimento.
HDL colesterol = Conhecido como “bom”.Retira o excesso de colesterol para fora das artérias,impedindo o seu depósito diminuindo a formaçãoda placa de gordura.
Triglicérides = É um doscomponentes gordurosos das lipoproteínas junto com osfosfolípides.
TIPOS FÍSICOS
ENTENDENDO OS TIPOS FÍSICOS PARAENTENDER OS TIPOS DIFERENTES DE GANHO DE PESO
Os tipos físicos descritos pelos especialistassão: tubo, pêra, ampulheta e maçã.
Tubo (linhas finas, pouca cintura)
O perfil é basicamente reto. Membros longos e esguios.quadris estreitos com largura semelhante à do busto e dosombros. A cintura não é bem definida.
Pêra (quadris à brasileira)
Típica brasileira, com quadris e coxas mais largos que osombros. Cintura bem marcada e bumbum definido e proeminente.
Ampulheta (risco de gorduras localizadas)
Sua figura mostra as curvas femininas clássicas. Cinturafina e curvada. Coxas bem formadas. Ombros e quadris têmlarguras semelhantes.
Maçã (ombros e costas largos)
Ombros, costas e peito proporcionalmente maiores que os quadrise as coxas. Bumbum pequeno. Aparência pesada na partesuperior.
TIPOS DIFERENTES DE GANHO DO PESO
Os indivíduos obesos apresentam-se com maiorquantidade de tecido gorduroso pelo organismo e essadistribuição da gordura é variável depessoa para pessoa. E essa variação da gordura alterao risco de doenças associado ao excesso de peso.
A grosso modo, existem dois tipos básicos dedistribuição de gordura. A gordura pode concentrar-sena região subcutânea (abaixo da pele), particularmenteda cintura para baixo, é chamada de ObesidadeGinóide, que acomete mais a mulher, chamadatambém de obesidade em forma pêra ou, ainda, obesidadesubcutânea. Está associada a um risco maior de artrosee varizes.
A gordura pode ainda concentrar-se no abdome,profundamente entre as vísceras, é chamada deObesidade Andróide, porqueacomete mais os homens, ou obesidade em forma de maçãou, ainda obesidade visceral. Está associada com maiordeposição de gordura visceral e se relacionaintensamente com alto risco de doenças metabólicas ecardiovasculares (Síndrome Plurimetabólica)
Naturalmente há grandes variaçõesentre esses dois tipos de distribuição de gordurapelo corpo e há indivíduos com os dois tipos deobesidade.
Essa classificação, por definir algunsriscos, é muito importante e por esse motivo fez com que secriasse um índice denominado RelaçãoCintura-Quadril, que é obtido pela divisão dacircunferência da cintura abdominal pela circunferênciado quadril do paciente. De uma forma geral se aceita que existemriscos metabólicos quando a RelaçãoCintura-Quadril seja maior do que 0,9 no homem e 0,8 na mulher. Asimples medida da circunferência abdominal tambémjá é considerado um indicador do risco decomplicações da obesidade, sendo definida de acordocom o sexo do paciente:
Risco Aumentado
Risco Muito Aumentado
Homem 94 cm
102 cm
Mulher 80 cm
88 cm
A gordura corporal pode ser estimada também apartir da medida de pregas cutâneas, principalmente aonível do cotovelo, ou a partir de equipamentos como aBioimpedância, a Tomografia Computadorizada, o Ultrassom e aRessonância Magnética. Essas técnicassão úteis apenas em alguns casos, nos quais sepretende determinar com mais detalhe a constituição corporal.
Na criança e no adolescente, os critériosdiagnósticos dependem da comparação do peso dopaciente com curvas padronizadas, em que estão expressos osvalores normais de peso e altura para a idade exata dopaciente.
Muitos especialistas utilizam, conjuntamente, osmétodos IMC e Cintura:Quadril, para avaliar com maissegurança os risco de saúde do paciente. Cabedestacar, que outros autores têm aceite que a simplescircunferência abdominal maior que 95 cm érepresentativa de risco elevado de doenças.
MAÇÔ VS.”PÊRA”
O ganho do peso na área acima da cintura (tipofísico maçã) é mais perigoso do que opeso ganho em torno da área dos quadris e do flanco (tipofísico pêra).
As células gordas na parte superior do corpotêm qualidades diferentes do que aqueles encontrados nosquadris e nas coxas. As pessoas com o perfil em formato demaçã têm mais facilidade de desenvolver outrasdoenças, como problemas cardiovasculares, pois a gorduravisceral, ao contrário da subcutânea, dirige-sediretamente para o fígado antes de circular até osmúsculos, podendo causar resistência àinsulina, levando à hiperinsulinémia, que sãoníveis elevados de insulina, aumentando assim o risco dediabetes mellitus tipo II, hipertensão e doençascardiovasculares.
OBESIDADE MÓRBIDA
O peso corpóreo, considerando o acúmulo ea a distribuição da gordura, é determinado porvários mecanismos, incluindo o perfil metabólico, afunção hormonal, neurológica epsíquica. Quando há alteração em algumdesses mecanismos pode ocorrer um desequilíbrio entre aingestão alimentar e o gasto de energia, favorecendo oarmazenamento anormal da sobra de energia sob a forma de gordura e,conseqüentemente, o aumento do peso corpóreo.
As pessoas com IMC acima de 40 (veja o cálculoacima), são portadoras de Obesidade Mórbida, o queequivale a aproximadamente 45 Kg acima do peso ideal. A ObesidadeMórbida é um problema de saúde que ultrapassaem muito a simples preocupação estética. Elaenvolve a saúde global do organismo e, inclusive, asaúde psíquica, já que a auto-estima podeestar severamente prejudicada.
As doenças relacionadas à obesidadesão as principais responsáveis pelo aumento das taxasde mortalidade em adultos jovens, da diminuição daqualidade e expectativa de vida. Entre elas destacam-se asobrecarga das articulações, apnéia do sono,insuficiência cardíaca, diabetes, hipertensãoarterial, aumento da gordura no sangue e, conseqüentemente, oentupimento de vasos (arteriosclerose), infarto domiocárdio, etc.
Daphne Marussi e Paulo Dalgalarrondo estudaram o perfilpsiquiátrico de 50 pacientes com obesidade mórbida(IMC a partir de 40), 38 mulheres e 12 homens, e encontraram entreeles 20 a 30% de comedores compulsivos passíveis detratamento psiquiátrico, principalmente se considerarmos queo comedor compulsivo tem maior tendência àdepressão e freqüentemente apresenta história deoutros transtornos psíquicos.
A idade média dos pacientes com ObesidadeMórbida neste estudo foi de 39,5 anos e o IMC médiofoi de 50,4. Entre esses pacientes 32,6% encontravam-sedesempregados. As pessoas com peso maior estavam relacionadassignificativamente com um menor gosto pelas coisas que faziamanteriormente e os episódios bulímicos (fome voraz edescontrolada) correlacionava-se com uma dificuldade ficar sentadoe se divertir relaxado e com o fato de se sentir tenso oucontraído, juntamente com a sensação de medocomo se alguma coisa ruim fosse acontecer (elevados índicese depressão).
Esses autores concluiram que existe uma altaincidência de indivíduos com compulsãoalimentar entre os pacientes obesos mórbidos que procuramtratamento e, entre eles, apenas 24,5% estavam dentro dos limitesda normalidade em termos de hábitos alimentares. A altafreqüência de episódios bulímicos correlacionou-se positivamente com os escores altos da escala de ansiedade e de depressão, portanto, tais pacientesapresentam taxas mais elevadas de transtornos do humor, transtornos de ansiedade e, concomitantemente, de bulimia nervosa. Recomendamque se faça uma diferenciação de pacientes compulsivos dos não compulsivos nos programas de perda de peso para que estes recebam tratamento adequado .
CLASSIFICAÇÃO DA OBESIDADE CONFORME ACAUSA
1. obesidade de longa data -indivíduos obesos desde criança; é a forma demais difícil tratamento e entre as causas existe a predisposição genética (herança familiar) e a hiperalimentação precoce;
2. obesidade da puberdade – aparece na puberdade, é predominante em mulheres, tem como causas angustias e ansiedades desta fase da vida e alterações orgânicas;
3. obesidade da gravidez – na gravidez e no pós parto, também por fenômenos psíquicos e/ou orgânicos;
4. obesidade por interrupção de exercícios – comum em esportistas que ingerem grandes quantidades de calorias e param de fazer exercícios,ou seja, deixam de gastá-las;
5. obesidade secundaria a drogas -alguns medicamentos como os corticóides, os antidepressivose os estrógenos podem induzir a um ganho de peso;
6. obesidade após parar defumar – a explicação é que a nicotinaaumenta o gasto calórico por sua açãolipolítica; também é responsável porperda de apetite;
7. obesidade endócrina – apesarda população leiga ter outro ponto de vista, aobesidade Endócrina aparece em somente 4% das obesidades.Aqui se incluem as síndromes hipotalâmicas,síndrome de Cushing, hipotireoidismo, ováriospolicísticos, pseudohipaparatireoidismo, hipogonadismo,déficit de hormônio de crescimento, aumento deinsulina e tumores pancreáticos produtores de insulina.
8. obesidade de causa genética– que pode ser autossômica recessiva, ligada ao cromossoX, cromossômicas (Prader-Willi), síndrome deLawrence-Moon-Biedl.
Por esta classificação já podemosconcluir que a obesidade não é característicade pessoas com “falta de vontade para emagrecer, descuidadas comsua aparência, etc”, mas de pessoas com uma doença quedeve ser tratada como tal. Jane Feldman acha que definir obesidadeé, muitas vezes, uma tarefa difícil. Existemsituações em que qualquer um olha para umindivíduo e afirma que ele é obeso. No entanto,existem casos onde afirmar que alguém é obesoé extremamente duvidosa. Nesses casos, podemos lançarmão da abio-impedanciometria e da densidade corporal paradefinir melhor a porcentagem de tecido adiposo e, assim, delimitarmelhor o diagnóstico da obesidade.
A classificação pode ainda tomarcomo base o consumo e o gasto de energia. Dessa formateremos dois tipos de obesidade:
Obesidade por Hiperfagia, é otipo da doença conseqüente à ingestão demuita comida. São os obesos que comem muito, em quantidadeou em qualidade (alimentos muito calóricos) e neste grupoestão incluídos os populares “beliscadores”, dietasricas em gorduras, dietas de lancherias.
Além dos mecanismos psíquicos envolvidosna obesidade por Hiperfagia, tais como a depressão,ansiedade, angustia, carência afetiva, etc, estãosendo cada vez mais descritas alteraçõesorgânicas condicionantes de hiperfagia(alterações no centro da saciedade,alterações hipotâlamicas ealterações de alguns hormôniosgastrintestinais);
Obesidade por Gasto Ineficiente.Estão incluídas neste grupo pessoas com vidasedentária, incapacidade obrigatória, idadeavançada, portanto, aquelas que comem mais do que gastam eas pessoas que, mesmo comendo proporcionalmente ao gasto comexercício, de repente param de praticá-lo semdiminuir a quantidade de comida ingerida. Tambémestão aqui as pessoas que comem pouco mas, conforme dizemsempre, têm a famosa tendência para engordar.
Este último grupo de pessoas “comtendência para engordar” não costumam teralterações de tiróide, como costumam achar, ououtro distúrbio do metabolismo. Normalmente a causa daobesidade é que elas gastam menos calorias do que consomem.O número de células adiposas do corpo humano crescemais durante o período que vai do fim da infância aoinício da idade adulta.
A obesidade pode ainda ser classificada quantoao número de células de gordura.
Será considerada ObesidadeHipercelular, quando então ocorre aumento donúmero total de células adiposas, que pode se tornaraté cinco vezes superior ao número encontrado emindivíduo adulto normal. Esta é a forma de obesidadeque ocorre na infância ou adolescência, porémpode também ser observada nas pessoas com mais de 75% deexcesso de peso corporal.
Por outro lado, será consideradaObesidade Hipertrófica, quando aoinvés de um aumento no número de célulasgordurosas, ocorre um aumento de tamanho dessas células poracúmulo de lipídeos. Esse tipo de obesidade se iniciana idade adulta, na gestação e se correlaciona melhorcom a distribuição andróide de gordura.
Há ainda uma outra classificaçãoda obesidade, agora no que diz respeito àdistribuição da gordura no corpo. Para essaclassificação é necessário estabelecero índice W/H, representado pela relaçãocintura-quadril. A medida da cintura deve ser apurada de acordo coma circunferência que passa entre o umbigo e as costelas emedida do quadril deve ser medida tomando-se a maiorcircunferência na região glútea. Para oshomens, Obesidade Andróide, esse índice W/H tem quedar maior que 0.9, ou seja, a cintura deve ser igual ou maior que oquadril. Na Obesidade Ginóide o índice W/H deve darmenor que 0.9, ou seja, o quadril tende a ser maior que acintura.
As observações antropométricastêm sugerido que quanto maior o índice W/H, ou sejaquanto maior a cintura em relação ao quadril, maistendência tem a pessoa para doença coronariana,diabetes, hipertensão arterial e dislipidemias, que é o aumento de colesterol e triglicérides.
VOCÊ SABIA QUE BEBER AGUA GELADA QUEIMA CALORIAS?
Para quem quer perder peso esta pergunta é de tirar o sono! Se tudo o que você quer saber é se o seu corpo queima calorias para aquecer a água, a resposta é sim. Mas caso queira saber se beber muita água gelada pode ajudar a perder peso ou a manter peso, esse “sim” precisa ser qualificado com alguns cálculos.
Em primeiro lugar, calorias dependem de letras maiúsculas ou minúsculas. Há calorias e Calorias. Calorias com “c” maiúsculo são aquelas usadas para descrever a quantidade de energia contida nos alimentos. Já uma caloria com “c” minúsculo é definida como a quantidade de energia necessária para elevar a temperatura de 1 grama de água em 1°C. O que a maior parte das pessoas considera uma Caloria é uma quilocaloria, na verdade. É necessária uma Caloria para elevar a temperatura de 1 quilograma de água em 1°C. Por isso, quando você bebe uma lata de refrigerante com 140 Calorias, está ingerindo 140 mil calorias. Não é preciso se alarmar, já que a conversão se aplica em todos os lados: quando queimamos 100 Calorias depois de correr cerca de 1,5 km, queimamos 100 mil calorias.
Considerando que a definição de uma caloria é baseada na elevação da temperatura da água, pode-se dizer que o seu corpo queima calorias quando tem que elevar a temperatura da água gelada a do seu corpo. E a menos que sua urina esteja saindo geladinha, o seu corpo deve estar elevando a temperatura da água. Portanto, calorias estão sendo queimadas.
Vamos imaginar o que é que você está queimando exatamente quando bebe um copo de 0,5 litro de água gelada:
a temperatura da água gelada pode ser estimada em 0°C;
a temperatura corporal em 37ºC;
é necessária uma caloria para elevar 1 grama de água em 1ºC;
há 473,18 gramas em 0,5 litro de água.
No nosso caso de um copo de 0,5 litro de água gelada, o seu corpo deve elevar a temperatura de 473,18 gramas de água de 0ºC para 37ºC. Ao fazer isso, seu corpo queima 17.508 calorias. Mas como essas são calorias com “c” minúsculo, o seu corpo só queima 17,5 Calorias, e no grande espectro de uma dieta com 2 mil Calorias, esses 17,5 não representam muito.
Mas vamos dizer que você vire um adepto da recomendação nutricional de “oito copos de 0,25 litros de água por dia”. Em 2 litros de água, há 1.892,72 gramas. Para aquecer toda essa água durante um dia, o seu corpo queima 70.030 calorias ou 70 Calorias. E, ao longo do tempo, estas 70 Calorias por dia fazem alguma diferença. Portanto, embora o consumo de água gelada não deva substituir os exercícios ou uma alimentação saudável, beber água gelada em vez de água quente ajuda mesmo a queimar calorias extras!
PORQUE O CHESTER É UM FRANGO ENORME?
No início dos anos 80, surgiu no mercado uma nova opção para a ceia de Natal, um frango com muito mais carnes nobres (peito e coxas). Registrado com o nome de Chester, a Perdigão disponibilizou, então, uma alternativa ao peru. Não demorou muito a Sadia lançou um produto com as mesmas características, o Fiesta. O Chester surgiu através de melhoramentos genéticos feitos no Brasil. O Fiesta veio da Escócia. Hoje, ambos fazem parte das festas de fim de ano.
Tanto o Fiesta como o Chester são frangos originados de cruzamentos de linhagens especiais com o objetivo de obter um produto que possui teores maiores de proteína e menores de gordura, além de concentrar 70% de sua carne no peito e coxas, em média o frango comum possui 45% nestas partes. O melhoramento genético possibilita que a partir de matrizes reprodutoras se obtenha um produto com características desejadas, é isso que estas aves são: ricas em carnes nobres e com peso ideal para o perfil dos consumidores brasileiros.
De modo geral os valores nutricionais do frango comum são maiores, possui mais gordura, oferece mais calorias, enquanto o Chester e o Fiesta são menos calóricos e com menos teor de gordura, e, embora os três apresentem teores de proteína muito semelhantes. A diferença entre eles está no fato de que, nos dois frangos especiais, eles não estão dispersos como no comum, mas concentrados no peito e na coxa, bem ao gosto do freguês!
E o freguês é exigente. Sabendo disso a Sadia oferece além do Fiesta inteiro, peito de Fiesta recheado com lingüiça e tender Fiesta, porém a Perdigão criou uma linha de mais de 20 produtos derivado de Chester: embutidos, pizzas, lasanhas, almôndegas, além de variações de partes, como peito defumado ou cozido.
Não é por acaso que as empresas apostam na produção de uma variada gama de produtos a base de frango, principalmente os ditos de conveniência, pois este é um dos motivos que o levam ao segundo lugar do tipo de carne mais consumida no mundo, atrás somente da suína. Outros aspectos que favorecem o bom desempenho são seu preço relativamente baixo. Um quilo de peito de frango custava em dezembro de 2007 cerca de R$ 10. Além disso, o frango tem uma imagem de produto saudável e com boa aceitação pela maioria das culturas e religiões. Já o preço do Chester e do Fiesta se aproxima do Peru, entre R$ 7 e R$ 10 o quilo do animal inteiro em dezembro de 2007.
A produção de frango tem acompanhado esse aumento de consumo, para se ter uma idéia, na década de 30, o tempo médio de abate de um frango era de 105 dias e seu peso médio, 1,50 kg. Nos anos 70, passou a 56 dias e 1,70 kg e, nos anos 90, 45 dias e 2,25kg. O aumento da produção e do consumo de frango se devem as melhorias da sanidade, da nutrição e da evolução das técnicas genéticas, sendo o Chester e o Fiesta exemplos disso.
Com o emprego das recentes biotecnologias, como clonagem e transgenia, o termo melhoramento genético passou a ser visto como uma ferramenta nova. Realmente estas técnicas são bastante atuais e revolucionárias, mas o melhoramento genético clássico é tão antigo quanto a própria pecuária. O homem, desde que começou a criar, seleciona entre os espécimes que possuam características “melhores” em detrimento as que não as apresentam.
Inicialmente de modo empírico, e depois de modo sistemático, com o passar dos anos foram isolando-se animais que são mais resistentes a doenças, têm um tempo de abate menor, que fornecem mais produtos, como leite e ovos, que têm maior produção de carne, em suma os que possuem maior qualidade ou produtividade, ou fenótipos de interesse. Hoje em dia não há qualquer animal de criação que não tenha passado por esse processo de seleção ou de melhoramento genético.
Os fenótipos, conjunto de características fisiológicas, físicas e comportamentais, são determinados pelo ambiente e pelo genótipo, constituição genética de um indivíduo. Assim, tendo o ambiente propício, basta possuir indivíduos com as características almejadas e criá-los. Parece simples, não? Pois aí se encontra a dificuldade: encontrar matrizes para a produção. Isso é chamado de seleção, processo decisório onde se escolhe quais animais serão os pais da próxima geração, tendo com objetivo melhorar ou fixar a característica desejada. O passo seguinte é o cruzamento destas matrizes e a obtenção de filhos com essas características.
Assim, visa-se a mudança da freqüência de alelos de favoráveis, com o objetivo de obter o fenótipo desejado.
COLESTEROL
Colesterol é um tipo de gordura produzido pelo fígado. Ele também está contido em certos alimentos que comemos, tais como ovos, carnes e derivados de leite. Quando você come estes alimentos freqüentemente, a taxa de colesterol em seu sangue aumenta, porque seu fígado transforma as gorduras saturadas em colesterol. A lipoproteína de baixa densidade (LDL) é o principal transportador de colesterol no sangue. Quando o nível é excessivo, pode depositar-se nas paredes das artérias que alimentam o coração e o cérebro, chegando mesmo a entupi-las. A formação de um coágulo pode bloquear o fluxo sangüíneo e provocar um ataque cardíaco ou um derrame cerebral. A fração do colesterol HDL, remove o colesterol da corrente sangüínea.
É o fígado que se encarrega de produzir colesterol. Esta substância é vital para o organismo, mas torna-se prejudicial quando está presente em excesso.
O colesterol desempenha papel de precursor para síntese de alguns hormônios: a supra renal, os ovários e os testículos.
O triglicerides tem papel essencialmente energético para uso imediato ou para armazenamento.
O colesterol a mais pode ser depositado nas suas artérias (grandes vasos sangüíneos), e pode fazer com que estes mesmos vasos se tornem estreitos. A quantidade de colesterol nas paredes de uma artéria pode ser tão grande, que a artéria fica entupida e o sangue não consegue passar. Se uma artéria que leva sangue para o coração ficar entupida, a pessoa pode ter um ataque do coração. Se uma artéria que leva sangue para o cérebro ficar entupida, a pessoa pode ter um derrame.

Ataque Cadíaco: Ocorre quando a obstrução de uma artéria coronária leva à morte parte do músculo do coração, podendo ser fatal.
Derrame (AVC): A aterosclerose pode ocorrer nas artérias do cérebro. O derrame é causado pela obstrução de uma delas, provocando a morte ou a incapacidade física.
O que podemos fazer para reduzir o Nível de Colesterol
Fazer exercícios regularmente: O exercício físico faz com que aumente os índices de bom colesterol e diminui os riscos de ataque cardíaco.
O fumo: Constitui um dos principais fatores de risco de doenças cardíacas. Faz baixar o nível do colesterol bom.
O álcool: O consumo exagerado de álcool pode causar outros perigos como: alcoolismo e hipertensão arterial.
“Stress” – deve ser controlado, pois aumenta a freqüência cardíaca e a necessidade de oxigênio do coração, tendo um efeito prejudicial, podendo ocorrer um infarto do miocárdio.
Comendo comida saudável você pode ajudar a reduzir sua taxa de colesterol LDL, uma alimentação saudável pode reduzir os níveis de colesterol.
Os grãos de café contêm substâncias que aumentam o colesterol sérico. A água quente, utilizada para o preparo do café, remove algumas dessas substâncias gordurosas dos grãos. Portanto, sempre que possível, usar o filtro de papel, pois retêm essas substâncias gordurosas.
O controle alimentar da hipertrigliceridemia está baseado principalmente na redução da ingestão de carboidratos simples (açúcar, mel, bolos, geléias e doces em geral) e de bebidas alcoólicas. Os carboidratos complexos (arroz, macarrão, pães, batata, mandioca, trigo e fubá).
Quando começar a controlar os Níveis de Colesterol
Dependendo em que nível está o colesterol, e se a pessoa tem outros fatores de risco de doença cardíaca, será preciso um controle maior.
O melhor nível do colesterol total é abaixo de 200. Se estiver entre 200 e 239, significa que a pessoa tem algum risco para ter um ataque do coração, ou um derrame. Já os níveis de 240, ou superiores significam o aumento de risco de doença cardíaca. O colesterol LDL menor que 100 é o melhor, um nível de LDL maior, significa que a pessoa tem um risco de doença cardíaca aumentado. O colesterol HDL menor que 35 também tem um risco de doença cardíaca, enquanto um nível de HDL de 40 ou acima, reduz esse risco.
Se comendo corretamente, exercitando e fazendo outras mudanças em sua vida, não reduzir as taxas de colesterol após 06 meses, seu médico poderá recomendar o uso de medicamentos. Se isto ocorrer, o tratamento deverá ser por toda a vida, mas somente quando a mudança nos hábitos alimentares não funcionarem.
O colesterol, assim como a hipertensão e o diabetes, é um problema crônico e exige tratamento adequado e contínuo. Por isso, verifique regularmente a sua taxa de colesterol. Siga à risca a orientação do seu médico e tenha uma vida saudável.

Orientação alimentar para o Controle do Colesterol
Preferir
Carnes brancas, frango sem pele, peito de peru e chester.
Peixes: pescada, sardinha fresca, atum fresco, linguado, badejo, salmão, merluza, arenque.
Clara de ovo.
Carnes vermelhas magras: lagarto, coxão mole e duro, alcatra, patinho, maminha, filet mignon, músculo. Tirar a gordura antes de cozinhar (até 3 vezes por semana).
Dar preferência às preparações assadas, cozidas, ensopadas ou grelhadas.
Legumes e verduras (ideal em todas as refeições).
Arroz branco, arroz integral, batata cozida, macarrão* com molho de tomate sem gordura (* 2 vezes por semana).
Feijão, lentilha, grão de bico, soja, feijão branco, feijão seco, milho verde.
Leite desnatado e iogurte desnatado.
Pães integrais, cereais integrais, aveia.
Queijos brancos magros, ricota, queijo cottage, requeijão light.
Margarinas cremosas e cremes vegetais.
Óleos vegetais: canola, girassol, milho, soja, azeite de oliva. Não reutilizar óleo.
Em bolos e tortas utilize óleo vegetal rico em gordura monoinsaturada (canola), ao invés de banha, gordura vegetal hidrogenada ou manteiga.
Nozes, castanhas, avelã, amendoim (com moderação, pois são muito calóricos).
Chás, café filtrado, água mineral, sucos sem açúcar.
Sobremesas: frutas com casca, frutas em calda, doce de fruta caseiro, gelatina, pudim com leite desnatado.
Evitar
Leite integral, creme de leite e derivados.
Manteiga, queijos amarelos, maionese, molhos prontos para salada.
Bacon, banha de porco.
Fígado, coração, língua, miolo, pé, moela, pele dos animais, gordura aparente das carnes.
Picanha, cupim, contra-filet, carne de porco.
Lingüíça, salsicha, hambúrguer.
Presunto, mortadela, salame, copa, salsichão, patês enlatados.
Frutos do mar (mariscos, ostra, lula, camarão, lagosta).
Salgadinhos de pacote.
Pastel, folhados, pães recheados, biscoitos amanteigados.
Gordura de coco, azeite de dendê, gordura vegetal hidrogenada.
Gema de ovo (2 gramas por semana – cuidado com o ovo em preparações).
Frituras e preparações à dorê, fora de casa.
Sobremesas: sorvetes de massa, quindim, fio de ovos, doces com coco, bolos recheados, chocolates, cremes e chantilly.
Tabela de Limites de Colesterol
Colesterol Total Colesterol Ruim (LDL) Colesterol Bom (HDL)
Alto (Acima de 240) Acima de 160 Quanto maior o nível, melhor
Limítrofe (de 200 a 239) De 100 a 130 Quanto maior o nível, melhor
Desejável (Abaixo de 200) Abaixo de 100 Acima de 40
Orientações Gerais
Evite alimentos de origem animal ricos em colesterol como: gema de ovo (inclusive ovos na preparação e bolos, tortas, etc), leite integral, manteiga, maionese, queijos curados e amarelos (parmesão, provolone, etc), embutidos (presunto, salame, mortadela, salsicha), carnes vermelhas gordas, banha e carne de porco, carne de frango com pele, vísceras (fígado, coração, miolo, língua, rim) e frutos do mar (camarão, lagosta).
Prefira carnes magras de boi e as brancas (peixe e frango sem pele), preparando-as assadas, grelhadas ou cozidas.
Utilize óleos vegetais (soja, milho, girassol, canola) no preparo dos alimentos, evitando as frituras e os óleos de coco e dendê. Use azeite de oliva no tempero da salada. Entre as margarina, opte pelas mais cremosas, tipo halvarina (40% de gordura), controlando a quantidade ingerida.
Os alimentos diet ou light são permitidos desde que verificado o menor conteúdo de gordura total, colesterol e calorias, comparando-o com o similar integral.
Tome chá, suco de limão natural ou água pura à vontade (pelo menos, 2 litros por dia). Café e chá preto com moderação.
Mastigue bem os alimentos e não deixe de fazer nenhuma refeição.
Evite o açúcar e o doces, substitua-os por adoçantes artificiais e frutas.
Use sua criatividade para não deixar a dieta monótona… varie as frutas (evite o coco) e vegetais de acordo com seu gosto e coma-os com casca, semente e bagaço sempre que possível. Dê preferência aos alimentos integrais ricos em fibras (pão e bolachas, arroz, cereais matinais, aveia, frutas secas).
Tabela de Triglicerides
Ideal 150
Limite 150 a 199
Elevado 200 a 499
Muito Elevado Superior a 499
A Associação Médica Americana insiste em que os níveis de colesterol normais se situem abaixo de 200 mg % e que o HDL Colesterol esteja acima de 35 mg %.
FENILCETONÚRIA
A Fenilcetonúria (PKU) é o mais comum dos erros congênitos do metabolismo de aminoácidos e afeta aproximadamente 1 em cada 12.000 recém-nascidos no Brasil. Por enquanto, não é curável por via medicamentosa, mas é possível tratá-la desde que o diagnóstico seja feito precocemente, evitando assim as graves conseqüências sobre o desenvolvimento do Sistema Nervoso Central. A doença resulta da deficiência da enzima fenilalanina hidroxilase hepática, que converte a fenilalanina em tirosina, sendo o acúmulo de fenilalanina no sangue, o responsável pelos danos no cérebro.
Por meio de testes de triagem realizados nos recém-nascidos, o chamado “Teste do Pezinho”, os bebês acometidos são diagnosticados e submetidos imediatamente a uma dieta especial, pobre em fenilalanina. Com o programa de triagem, obrigatório em todo Brasil, desde 1990, (Lei 8069 de 13/07/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente), a PKU pode ser diagnosticada e tratada, possibilitando às crianças ter um desenvolvimento normal, sem as seqüelas neurológicas graves causadas por esta doença.
As crianças fenilcetonúricas não podem ser diferenciadas de outras, nos primeiros meses de vida. No entanto, se não forem tratadas, começam a perder o interesse por tudo que as cerca e se tornam apáticas ao redor do 3° – 6° mês de vida. Até o final do 1° ano de vida, já se verifica o retardo mental. A doença se manifesta, ainda, através de outros sintomas, tais como, irritação, ansiedade, e até, por convulsões, embora o retardo mental seja, sem dúvida a conseqüência mais grave. O aparecimento de descamação da pele e eczemas também são comuns, mas o desenvolvimento físico costuma ser normal.
As crianças fenilcetonúricas não submetidas a uma dieta especial costumam apresentar níveis de fenilalanina plasmáticos iguais ou superiores a 20 mg/100mL de plasma sanguíneo (1200 mmols/L) enquanto a concentração em crianças sadias se situa ao redor de 1 a 3 mg/100 mL de plasma (60 a 80 mmols/L). O início do tratamento, no primeiro mês de vida, ou preferencialmente entre o 7° e 10° dia de vida, se reflete num desenvolvimento neuro-psico-motor normal.
Diversas pesquisas confirmam a necessidade de haver um controle rigoro da dieta até no mínimo a adolescência. Mas, atualmente, recomenda-se a continuidade do tratamento pela vida inteira, conforme documento elaborado por um grupo dos mais renomados especialistas, baseado exclusivamente em evidências científicas, publicado em outubro de 2000 pelo NIH (National Institute of Health)
Neste documento, recomenda-se a manutenção dos níveis de fenilalanina entre 2-6 mg/100 mL até a criança atingir 12 anos de idade. Após essa idade, e baseado nos resultados de inúmeras pesquisas científicas, sugere-se níveis de fenilalanina plasmáticos entre 2-10 mg/100mL durante toda a vida..
Fonte: http://www.fcf.usp.br/fenilcetonuricos/
DIETA DA PIRÂMIDE ALIMENTAR
A Pirâmide Alimentar é um ótimo guia para os profissionais nutricionistas. Foi criada pelos EUA, no entanto foi adaptada aos estilos alimentares brasileiros por PHILLIPI et al, 1998. Neste guia há adequação e distribuição de macro e micronutrientes da dieta.
Esse guia é adequado a população e não à um indivíduo particularmente, porém com a pirâmide pode-se, após a avaliação do paciente ou cliente, equilibrar suas porções invidualmente, desenvolvendo um plano alimentar personalizado.

Nesta pirâmide são mostrados os grupos de alimentos e suas quantidades mínimas e máximas diárias recomendados. Dentro de um mesmo grupo posso variar os alimentos,porém não deve-se substituir alimentos de um grupo para outro. Todos os grupos alimentares são essenciais.
A base da pirâmide, parte mais importante, é representada pelos carboidratos que fornecerão energia para todas as atividades diárias. Na segunda parte estão os alimentos do grupo dos reguladores como frutas e vegetais e legumes, essenciais para o metabolismo e ajudar na prevenção de doenças.
Os alimentos construtores estão localizados na terceira parte da pirâmide, e representam as proteínas, porém divididas e três partes, pois cada grupo corresponde à uma função. A primeira parte está representada pelos laticínios, que além de alimentos protéicos, fornecem cálcio para o organismo. No meio são as leguminosas, grupo dos feijões, que contém ferro, fibras e proteínas de origem vegetal. Na terceira parte são as carnes que são as melhores fontes de proteínas, além de terem ferro e vitaminas essenciais como Vitaminas B12 e B6.
No topo da pirâmide são encontradas as gorduras também importantes para o organismo, pois ajudam na síntese de hormônios sexuais femininos e masculinos. São encontrados os doces que devem ser evitados, pois fornecem calorias demais e não possuem valor nutritivo algum.
CUIDANDO DA SUA SAÚDE
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A dieta é de grande importância no tratamento do Diabetes Mellitus e deve ser seguida pelo portador de diabetes para que se consiga um bom controle da doença.
Recomendações para o plano alimentar:
Ter horários regulares para as refeições;
Fracionar a dieta em várias refeições ao dia;
Não deixar de fazer nenhuma refeição prescrita.
Objetivos de dieta:
Atingir ou manter o peso desejável no adulto e um crescimento e desenvolvimento normal na criança;
Ajudar a manter a glicose no sangue, em níveis normais, evitando a hipoglicemia e a hiperglicemia;
Diminuir o risco de doenças do coração e vasos sangüíneos;
Garantir a ingestão adequada de todos os nutrientes.
A Pirâmide Alimentar:

1. GORDURAS E ÓLEOS: Use-os moderadamente. É difícil retirar algumas gorduras presentes naturalmente nos alimentos, por isso se deve usar o mínimo possível no preparo dos mesmos. Use azeite de oliva, óleo de canola, milho, girassol, soja, margarina light, halvarina e evite banha, manteiga, creme de leite e maionese.
2. PROTEÍNAS (2-3 porções): Peixes, carnes, aves, feijões e ovos fornecem proteínas, vitaminas do grupo B, ferro e zinco. Para reduzir as gorduras, dê preferência às carnes magras, aves sem pele, peixes de água salgada, feijões ou outras leguminosas: lentilha, ervilha seca, grão de bico. 1 Porção: 1 posta média de peixe; 1 coxa e sobrecoxa de frango ou 1 peito pequeno; 1bife médio; meia xícara de feijão (ou outra leguminosa) cozido; 1 ovo (nao consumir mais que três unidades na semana e usar cozidos ou pochê).
3. LATICÍNIOS (2-3 porções): Leite, iogurte e queijo sao boas fontes de proteínas, vitaminas e minerais e sao a melhor fonte de cálcio. 1 Porção: 1 xícara de leite; 2 fatias finas de queijo (de preferência com baixo teor de gordura); 1 pote de iogurte.
4. FRUTAS (2-4 porções): São excelentes fontes de vitamina A e C, ácido fólico e potássio, se consumidos quando possível, com casca e/ou bagaço, também fornecerão alto teor de fibras. Os sucos de frutas naturais não são indicados, por conterem grande quantidade de frutose, que é rapidamente absorvida. Podem ser usados suco natural de maracujá ou limão bem diluídos, com ou sem adoçantes. 1 Porção: 1 unidade ou 1 fatia média (usar pelo menos uma fruta cítrica ao dia).
5. VERDURAS E LEGUMES (3-5 porções): Excelentes fontes de vitaminas, minerais e fibras, as verduras e legumes também tem baixo teor de gordura. Consumir verduras e legumes de cores variadas, crus e cozidos. 1 Porção: 1 xícara de hortaliças folhosas; meia xícara de legumes picados.
6. PÃES, CEREAIS, ARROZ E MASSAS (6-11 porções): Essas fontes abundantes de carboidratos complexos, fibras e minerais fornecem a maior parte de calorias diárias. 1 Porção: 1 fatia de pão, meio pão francês, 2 bolachas d´água, meia xícara de cereal cozido (arroz, massa, farinha de mandioca); 1 panqueca; 1 batata.
LEMBRE-SE!
SAL: deve ser usado moderadamente: 1 colher rasa de cafezinho.
ÁLCOOL: não é indicado, porém, sob orientação médica,poderá ser consumido, se o portador de diabetes não estiver com as taxas de triglicerídeos altas e se nao for obeso.
ADOÇANTES ARTIFICIAIS: preferir os adoçantes à base de aspartame, sacarina, ciclamatos, que são calóricos, dependendo do veículo a que estão ligados. Aspartame perde o poder de adoçar se for ao fogo.
PRODUTOS DIETÉTICOS: possuem calorias, portanto no podem ser consumidos livremente. Não confundir diet (com menos calorias e sem açúcar) com light (com baixas calorias, podendo ou nao ter açúcar na composição). Ler o rótulo dos produtos antes de consumi-los.
DOCES NÃO DIETÉTICOS: como chocolates, sorvetes, geléias, balas, mel e outros nao devem ser utilizados. Só os utilize sob orientação do nutricionista ou médico.
FIBRAS: porção dos alimentos de origem vegetal que não é digerida. Retardam a absorção da glicose dos alimentos. Reduzem o colesterol. Melhoram o funcionamento intestinal.
ÁGUA: no mínimo, 2 litros por dia.
AFTA
O que é uma afta?
A afta ou úlcera aftosa recorrente é uma doença comum, que ocorre em 20% da população, caracterizada pelo aparecimento de úlceras dolorosas na mucosa bucal ,as quais podem ser múltiplas ou solitárias.
Quais as características clínicas da afta?
As aftas costumam ser precedidas por ardência e prurido, bem como pelo surgimento de uma área avermelhada. Nessa área desenvolve-se a úlcera, recoberta por uma membrana branco-amarelada e circundada por um halo vermelho. Essas lesões permanecem cerca de 10 dias e não deixam cicatriz; em geral, o período de maior desconforto perdura por dois ou três dias.
Todas as aftas são iguais?
Não. Atualmente são reconhecidos três tipos de afta, sendo a vulgar ou minor a forma mais prevalente. As outras formas são mais raras: uma delas é conhecida como herpetiforme, porque lembra a manifestação do herpes simplex, apresentando um grande número de pequenas ulcerações superficiais arredondadas e agrupadas, que também perduram por cerca de 10 dias; a outra forma é chamada afta major, que, como o nome indica, produz uma ferida maior ( com mais de 1 cm de diâmetro ), mais profunda, mais dolorida, mais difícil de tratar e que permanece semanas ou, às vezes, meses.
Porque as aftas doem tanto?
As aftas são lesões ulceradas: há exposição do tecido conjuntivo, que é rico em vasos e nervos,o que provoca dor. Além disso, o quadro pode ser agravado por infecções causadas por microorganismos do meio bucal.
O que causa a afta?
Não podemos afirmar que existe um fator etiológico específico. A literatura aponta uma alteração da resposta imunológica como possível causa primária em alguns pacientes e secundária em outros. Os ácidos presentes na alimentação, os pequenos traumas à mucosa, distúbios gastrointestinais, o ciclo menstrual e o estresse emocional agem como fatores desencadeantes.
Qual a relação entre as aftas e a dieta?
Alguns alimentos, quando em contato com a mucosa bucal, podem desencadear uma resposta imunológica alterada em certos pacientes, o que provocaria o aparecimento da ulceração. Muitas vezes os pacientes são alérgicos: têm aftas quando ingerem certos tipos de alimentos.
As aftas são contagiosas?
Não, pois não se trata de doença infecciosa. No entanto, há um traço familiar envolvido. Filhos de pais portadores de aftas apresentam chances bem maiores de também sofrerem com aftas.
Outras doenças podem parecer aftas?
Sim. O câncer de boca, ou carcinoma epidermóide, freqüentemente começa como uma lesão ulcerada. Por isso, frente a uma úlcera bucal que não cicatriza dentro de 15 dias, o paciente deve procurar o cirurgião-dentista para o diagnóstico da lesão. Além disso, algumas doenças infecciosas, como o herpes, e algumas doenças dermatológicas com ocorrência intrabucal, como o lúpus, embora tenham características próprias bem conhecidas, em certas fases de seu desenvolvimento podem parecer-se com aftas, principalmente para o leigo.
Só agora perto dos 50 anos de idade, comecei a sofrer com aftas. Porquê?
Confirmado o diagnóstico (pois nem toda ferida na boca éuma afta), será investigar algum fato relevante na história médica do indivíduo ou se houve alguma modificação importante em seus hábitos de vida. Um fator muitas vezes relacionado com essa história é o abandono do hábito de fumar. O fumo provoca um espessamento da mucosa bucal, que parece tornar-se mais resistente à penetração de agentes desencadeadores da afta. Resta saber se vale a pena correr o risco de adquirir um câncer de boca ou pulmão para se proteger das aftas.
Queimo minhas aftas com formol; há algum problema nessa prática?
A aplicação de substâncias cáusticas, como o formol, sobre as aftas destrói o tecido da região, inclusive as terminações nervosas, o que faz desaparecer a dor. Entretanto, o que se faz é substituir a afta por uma queimadura química, que causa injúria a tecidos normais. Além disso, há o risco de maiores danos pela inadequada manipulação dos produtos por parte dos usuários. Não se recomenda tal prática.
Qual o melhor tratamento para as aftas?
Não existe tratamento que seja eficaz para todos os portadores de aftas. Alguns têm uma lesão aftosa uma vez por ano; outros apresentam lesões múltiplas diuturnamente. As medicações de uso sistêmico, como os imunosupressores, são mais efetivas na redução dos sintomas, mas possuem efeitos colaterais indesejáveis, às vezes graves, sendo, por isso, reservadas para os casos mais severos da doença, exigindo o acompanhamento atento de um especialista. Para os indivíduos com quadro clínicos mais leves, a melhor abordagem é a aplicação tópica de anti-sépticos, antiinflamatórios, anestésicos ou protetores de mucosa, naturais ou sintéticos. O cirurgião-dentista deve ser consultado para um adequado diagnóstico e orientação terapêutica.
Fonte : Revista da A.P.C.D. V.53, N.6, NOV./DEZ. 1999

