DIETA DA PROTEÍNA

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Hoje, após muitas discussões, muitos livros e reportagens, a dieta da proteína vem sendo seguida por muitas pessoas que visam o emagrecimento, o bem estar e em resumo a saúde. Mas será mesmo que nesta dieta das proteínas o que se está visando é a saúde do indivíduo?

A dieta hiperprotéica e hiperlipídica (muita proteína e muita gordura), surgiu nos anos 70 pelo cardiologista Robert Atkins que prega que o que faz as pessoas engordarem são os carboidratos (arroz, pães, massas, etc) e não as gorduras e proteínas. A dieta do Dr. Atkins visa o emagrecimento por via destes dois macronutrientes, com ingestão de apenas 40g por dia de carboidratos.

O que todo mundo já sabe é que muita gordura, e principalmente a saturada (presente nas carnes, frangos, laticínios, óleo de coco, etc) provoca muitos males à saúde como o aumento do LDL-colesterol, “colesterol ruim”, que conseqüentemente causa a aterosclerose (depósito destas moléculas nas artérias ou veias causando um “entupimento” das mesmas). O que a maioria das pessoas não sabem, é que um aumento exagerado no consumo de proteínas, levam estes nutrientes a se transformarem em gordura, e também causam um aumento de substâncias tóxicas ao organismo (amônia).

O cérebro usa a energia dos carboidratos (glicose) para se alimentar e assim realizar suas funções, mas sem o consumo deles, o corpo promove uma série de reações, onde o pâncreas libera o hormônio glucagon, para que este aja no tecido adiposo (na gordura depositada no organismo) e assim no fígado este tecido é transformado em glicose.

Analisando este quadro você me pergunta: ” Mas então se eu fizer esta dieta eu vou emagrecer, pois vou estar queimando a gordura corporal, não é mesmo?” Sim, é verdade, você irá perder peso. Mas, outro problema desta dieta é que quando isto ocorre (quando apenas a gordura é utilizada e quebrada para alimentar o cérebro), surgem substâncias chamadas de corpos cetônicos no organismo e o indivíduo entra em estado de “cetose”. Isto é, o indivíduo elimina muito destes corpos cetônicos pela urina (cetonúria) e também pelo ar expirado o que causa um imenso mau hálito. Estas substâncias quando encontradas em muita quantidade no organismo podem provocar intoxicação. A falta de glicose no organismo, em casos bem avançados, pode levar a um coma (exemplo: diabéticos).

O que vale a pena ressaltar também, é que a maioria das pessoas que fazem este tipo dieta, depois voltam a comer os carboidratos novamente, o que pode acarretar num ganho de peso se esta ingestão não for controlada juntamente com os outros nutrientes.

Depois de tudo isto que coloquei aqui, ainda vale a pena se submeter a este tipo de dieta? O que vale é um regime alimentar correto, com todos os nutrientes: carboidratos, lipídeos e proteínas. O que vale é uma vida SAUDÁVEL!!!

BULIMIA NERVOSA

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A bulimia nervosa é um transtorno com característica predominante de orgia alimentar, que significa a ingestão incontrolável, muito rápida dos alimentos em um curto período de tempo e em quantidades exacerbadas. Comparada à fome de um boi, a palavra bulimia tem sua etimologia originada do grego; BOUS (boi) e LIMOS (fome).

Essa doença é encontrada com maior incidência em adolescentes mais velhos, onde os pacientes em um período de tempo têm um tipo de compulsão alimentar, forçando um vômito após a ingestão exagerada de energia, ocorrendo desconforto abdominal e sono. Juntamente ocorre o sentimento de culpa, depressão (chamada também de “angústia-pós-comilança”) e auto-aversão[1]. Usam de laxantes e diuréticos. Esse primeiro tipo é chamado de purgativo. Os bulímicos do tipo não purgativo controlam seu peso através de uma dieta rígida, jejum ou exercício físico em excesso.

Muitos dos pacientes estão envolvidos com certas profissões, como é o caso dos jóqueis, atletas, manequins, bailarinas e etc.

A principal característica dos bulímicos é o episódio chamado “binge-eating” ou “comer-compulsivo”. Esse comportamento é descrito com uma ingestão de alimentos muito energéticos (calóricos), de forma compulsiva, num curto espaço de tempo (inferior a duas horas), até o limite da capacidade gástrica, ingerindo até 20.000Kcal durante um episódio (o máximo já registrado). [2]

Os alimentos ingeridos nestes episódios consistem em doces, biscoitos, na maioria carboidratos que geralmente são excluídos de sua dieta.

Aproximadamente 30% dos casos de bulimia nervosa, são de indivíduos que já apresentaram anorexia nervosa, porém essa de pouca duração. Na bulimia raramente há uma perda de 15% do peso do corpo.

Existe um outro subgrupo de bulímicos, os chamados multiimpulsivos, que não têm a capacidade de controlar os impulsos. Esses pacientes abusam de álcool e drogas, podendo também exibir um comportamento de automutilação e furtos. Esses doentes podem ter passado por abuso sexual.

Os pacientes com esse distúrbio alimentar não têm hábitos de comer regularmente e ao final das refeições não se sentem saciados, preferindo sempre se alimentar em suas casas, porém, sozinhos.

Os bulímicos podem ser genética ou fisiologicamente predispostos a terem essa doença, pois uma grande parte dos pacientes vem de famílias com membros alcoólatras e depressivos, que são duas características para desenvolvimento do distúrbio alimentar (isso também explica grande parte dos pacientes deprimidos). Existe uma luta para a separação maternal por parte do próprio doente, podendo ser tanto consciente como inconsciente. Sempre procuram brigar com a mãe e com isso afastar-se dela.

A quantidade de alimentos que esses doentes ingerem é considerada por eles um exagero, por isso auto-induzem o vômito, é um segredo apenas dos próprios pacientes. Muitas vezes não passa de uma ingestão normal de energia.

As complicações orgânicas são bem aparentes nos bulímicos, como: hipertrofia das glândulas parótidas, lesão de pele no dorso da mão e desgaste dentário provocado pelo suco gástrico dos vômitos.[3]

O tratamento para esses pacientes é muito parecido com o dos anoréticos, podendo também necessitar de internação. Precisam de uma dieta balanceada e com quantidades adequadas de alimentos. Necessitam durante e depois de acompanhamento psicológico. O bulímico evita o tratamento por ter vergonha e em função de humilhação, e não por negar o seu comportamento alimentar anormal. No bulímico com compulsão purgativa existe uma melhora de aproximadamente 50%. Algumas recomendações básicas devem ser dadas aos pacientes com bulimia nervosa como podemos observar no TEXTO 2.

Sem um tratamento eficaz, o indivíduo que apresentou bulimia nervosa, pode ter recaídas em períodos de exigências emocionais.

NOVA DROGA COMBATE A BULIMIA

O medicamento foi desenvolvido por uma equipe da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos.

O remédio reduziu os efeitos da bulimia; ele vem sendo utilizado para combater efeitos colaterais da quimioterapia, como a náusea e o vômito.

Como a builimia provoca fome insaciável, levando ao consumo exagerado de alimentos, e depois ao vômito induzido.

Das 26 mulheres que participaram da pesquisa, 14 tomaram o novo remédio e as outras 12 utilizaram tratamentos convencionais. As que usaram o medicamento novo tiveram resultados melhores. A fome diminuiu e houve poucos casos de vômito. Considerada uma doença de causa psicológica, os tratamentos de combate à bulimia se baseiam em psicoterapia, antidepressivos e dieta equilibrada e disciplinada.

O novo remédio, no entanto parte da hipótese de que também exista uma causa fisiológica.


[1] Talbott, John A. et al: Tratado de Psiquiatria. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

[2] http://www.brazilpednews.org.br/marco99/ar999002.htm

[3] Mitchell e cols, 1990. Retirado do livro Psiquiatria Básica organizado por Rodrigues, Mario et al. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995

ANOREXIA NERVOSA

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Antigamente eram muito comuns práticas de jejum religioso, chamado também de anorexia santa, hoje conhecida como anorexia nervosa. É reconhecida desde a Idade Média e foi descrita primeiramente em 1874[1], ressaltando os componentes emocionais de fantasia como traços predominantes na personalidade destes pacientes.

O distúrbio foi caracterizado por ser uma resposta à tensão social e de definição sexual e que se iniciaram na puberdade, onde ocorrem as mudanças do corpo físico e mental.

Esse distúrbio ocorre com mais freqüência em jovens e mulheres que têm uma imagem distorcida de seu corpo, tendo como maior objetivo chegar a pesos cada vez menores. Esse é o principal aspecto do quadro do distúrbio: perturbações da imagem corporal.

É um comportamento alimentar que tem como principal característica limitações dietéticas, apresentando um medo intenso de ganhar peso. Não há uma perda real do apetite, tudo realmente é consciente.

Os anoréticos ingerem pouquíssimos alimentos, pouca energia conseqüentemente e fazem, na maioria dos casos, exercícios físicos em excesso como ciclismo extensivo, caminhadas ou corridas, atividades essas as mais comuns. Esses pacientes nunca percebem o que está acontecendo e, não conseguindo se autocuidar, o distúrbio psicológico ou físico da função hipotalâmica (no hipotálamo) faz com que usem de vômitos, em 40% dos casos, laxantes e diuréticos para alcançarem seu objetivo (esses pacientes podem ser chamados de anoréticos bulímicos). Os neurotrasmissores (serotonina, norepinefrina e dopamina relacionados diretamente com a saciedade, comportamento alimentar e apetite) foram mais bem estudados e daí provém a causa de um distúrbio nas funções do hipotálamo, havendo provavelmente uma desregulação desses três neurotrasmissores. A produção de cortisol aumentada presente na anorexia nervosa foi recentemente registrada na área hipotalâmica.[2]

Outra característica bastante forte é de como os pacientes lidam com os alimentos, pensando constantemente nos mesmos e colecionando receitas para elaborar pratos diversos para amigos e familiares. Têm mania de cortar os alimentos em pequenos pedaços para serem melhor “armazenados” (nos armários, quarto, dentro de roupas, etc.). Os parentes mais próximos do anorético têm um risco dez vezes maior de apresentar e desenvolver a doença.

Ocorre nos pacientes com anorexia a elevação das enzimas séricas, isso ocorre tanto na fase onde o paciente está com a doença bem desenvolvida como no tratamento, que provoca a degeneração da gordura presente no fígado. São encontrados também altos níveis de magnésio, zinco e fosfato, o que desregula o equilíbrio interno do corpo. O colesterol sérico acima do desejado também é encontrado em altas quantidades, principalmente nos jovens, a hipercolesterolemia é comum e os testes de função hepática podem estar alterados.

Os níveis de hormônio tiróideano (tiroxina sérica ou T4) podem estar diminuídos, assim como pode haver aumento da cortisona plasmática (hiperadrenocorticismo) e a resposta anormal a uma variedade de provocações neuroendrócrinas são comuns. Em mulheres, baixos níveis de estrógeno sérico estão presentes, enquanto os homens têm baixos níveis de testosterona. Existe uma regressão do eixo hipotalâmico-pituitário-gonadal em ambos os sexos, no sentido de que o padrão de secreção de hormônio luteinizante (LH) em 24 horas assemelha-se àquele normalmente visto em pacientes pré-púberes ou na puberdade[3]. Alterações no ritmo cardíaco dos anoréticos podem ser analisadas no eletrocardiograma que acusa bradicardia sinusal (diminuição do ritmo cardíaco) e arritmias. A tomografia (imagem cerebral) mostra um aumento na razão ventricular-cerebral. Essas e outras complicações podem ser observadas na TABELA 2.

A mais forte evidência de um componente genético se origina de estudos de pesquisadores ingleses, que encontraram uma concordância para anorexia nervosa em monozigotos entre 35 e 50%; entre os gêmeos dizigóticos esse índice era de 10 a 17%.[4] Os irmãos do anorético tendem a ter a doença, mas isso não pela genética e sim por fatores ambientais.

O estado nutricional desses doentes é muito debilitado, considerado desnutrição grave, pois há uma perda de peso que leva a manutenção do peso corpóreo em 15% abaixo do esperado.

Quando o paciente apresenta hábitos estranhos e se recusa a comer, pode ser um começo de anorexia, que faz com que o doente perca de 25 a 30% de peso corpóreo. O paciente nega sentir fome, restringe sua alimentação sendo essa pouquíssimo calórica e de quantidade insignificante[5]. Os sintomas podem ser mais bem analisados na TABELA 3.

Os anoréticos estão de costas para os alimentos, enquanto que os bulímicos estão de frente para eles. Dois tipos de anoréticos podem ser citados: o anorético restrito que tem como características ser perfeccionista, consciente e adaptável limita suas opções alimentares, consome o mínimo possível de calorias, e com freqüência, tem traços obsessivo-compulsivos com relação a alimentos e outras questões[6]. O anorético bulímico pode ser rebelde, apresentar instabilidade emocional e impulsividade, nesse tipo de anorexia há grande taxa de suicídio.

Na maioria das vezes a menstruação cessa antes da diminuição grave do peso. Ou seja, a desnutrição não é a única causa da amenorréia. Por outro lado, às vezes a menstruação recomeça antes de um ganho de peso importante[7].

A anorexia nervosa se inicia com uma simples dieta, eliminando os alimentos ricos em energia primeiramente, porém, todos os tipos de alimentos vão sendo restritos. Num estágio desenvolvido é possível observar pacientes que sobrevivem com poucos vegetais, uma fruta ou uma fatia de queijo, ocorrendo também o consumo de apenas café durante o dia inteiro.

Os anoréticos precisam de um tratamento muitas vezes hospitalização onde receberá apoio de toda uma equipe, que cuidará de seu estado nutricional, fazendo com que o paciente ingira a cada dia uma maior quantidade de alimentos para o ganho de peso. Esses doentes, para ganhar peso, necessitam de 4000 a 5000Kcal/dia. Necessitam durante e depois de acompanhamento psicológico, participando de sessões de psicoterapia tanto individual como familiar. Os psicanalistas concordam que os pacientes jovens mostram-se incapazes de se separarem psicologicamente de suas mães[8].

Muitos pacientes, durante toda a vida, apresentam alterações psicológicas. Os casos de anorexia bulímica são na maioria das vezes mais fáceis de serem tratados, pois o paciente tem um ganho de peso mais rapidamente.

As alterações tanto metabólicas como fisiológicas no corpo de um indivíduo que apresenta anorexia nervosa, podem leva-lo à morte. Estudos mostram a taxa de mortalidade, dos indivíduos com o distúrbio, entre 5 a 18%.


[1] Mahan, L.Kathleen; Escott-Stump. Krause: Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. São Paulo: Roca, 1998.

[2] Talbott, John A. et al: Tratado de Psiquiatria. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

[3] Psiq web (pegar o site)

[4] Casper,1986. Retirado do livro Psiquiatria Básica organizado por Rodrigues, Mario et al. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

[5] http://www.brazilpednews.org.br/marco99/ar999002.htm

[6] Kaplan, Harol I. et al. Compêndio de Psiquiatria: ciências comportamento e psiquiatria clínica. 9a ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

[7] http://www.mentalhelp.com.br/Anorexia_Bulimia.htm

[8] Kaplan, Harol I. et al. Compêndio de Psiquiatria: ciências comportamento e psiquiatria clínica. 9a ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

DISTÚRBIOS ALIMENTARES

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Os transtornos alimentares são síndromes complexas nas quais as interações entre fatores ambientais, psicológicos e fisiológicos criam e mantêm o comportamento alimentar perturbado.[1]

Esses distúrbios alimentares diretamente relacionados com o lado psicológico têm de um lado os pacientes com anorexia nervosa perdendo peso exageradamente, e de outro lado pacientes com bulimia nervosa que ingerem energia em excesso.

O tratamento para distúrbio alimentar é geralmente seguido por nutricionistas, médicos, psicoterapêutas e psiquiatras, (é necessária uma equipe multidisciplinar). É necessário convencer tanto o paciente como a sua família que a ajuda pode ser um grande passo para a cura. Muitas vezes necessita de hospitalização.

Para o sucesso no tratamento é necessário um cuidado nutricional, que primeiramente deve contribuir para mudar as idéias dos pacientes sobre os alimentos, esses tendo que ser ingeridos gradualmente quando se tem anorexia e ingeridos adequadamente quando o doente apresenta bulimia.

Emagrecer a qualquer custo é característica da sociedade moderna que encontra na contradição o seu maior estigma: nunca se comeu tanto e de maneira tão errada, assim como nunca houve tanta preocupação em se perder peso. [2]Essas doenças muitas vezes ocorrem por influência da sociedade que tem como padrão a magreza dos modelos.


[1] Talbott, John A. et al: Tratado de Psiquiatria. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

[2] http://www.jfservice.com.br/arquivo/viver/psique/1999/11/19-transtornos_alimentares/

POPULISMO

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Fenômeno político baseia-se no carisma de governantes.

Nas ciências sociais, o conceito de populismo se reveste de extrema complexidade devido à multiplicidade de usos do termo. Na sociologia e na ciência política, por exemplo, o populismo freqüentemente é definido como forma de governo, sem, no entanto, dispor de uma formulação teórica precisa e acabada.

Como forma de governo, o populismo adquire conotação bastante negativa. Na abordagem de conjunturas políticas consideradas populistas, os governantes e políticos são considerados grandes demagogos e hábeis manipuladores das classes populares, visando à obtenção do voto do eleitor.

As classes populares são geralmente concebidas como massa social amorfa, que ainda não adquiriu consciência de classe e, por esse motivo, é suscetível à dominação e retórica dos que pretendem conquistar ou manter o poder político.

Características gerais
É mais prático explicar o populismo a partir das características gerais que integram esse fenômeno social e político. Primeiramente, vamos considerar as causas sociais e políticas que predispõem ou influenciam o aparecimento do populismo.

O populismo pode ser observado em várias sociedades em fase de intenso processo de modernização. A modernização é o meio pelo qual sociedades predominantemente agrárias se transformam em sociedades industriais. As massas camponesas, portanto, antes fixadas na vida e no trabalho no campo, são forçadas a migrar para as cidades. No meio urbano, os camponeses se tornam proletários e, gradualmente, dão origem à classe operária.

Recém-integradas na indústria e no sistema político, as massas trabalhadoras ainda não adquiriram consciência de classe e também não dispõem de meios para se organizar politicamente. Essa situação provocará o surgimento de movimentos políticos que tenderão a mobilizá-la, dispensando a intermediação de associações de classe ou de partidos políticos.

Carisma
A segunda característica do populismo se refere a um determinado tipo predominante de vínculo social de dominação, baseado no carisma, que o líder político (ou caudilho) estabelece com as massas populares urbanas para ser eleito e governar.

Os regimes populistas tendem a neutralizar e às vezes anular por completo as distinções e o conflito de classe, concebendo as camadas populares como elemento homogêneo e unitário, a partir de referências míticas ao “povo”. A contrapartida do apoio político-eleitoral das massas urbanas aos líderes políticos e governantes populistas são, de modo geral, as concessões em forma de benefícios sociais de caráter assistencialista.

A terceira característica do populismo se refere ao caráter abrangente do fenômeno, que permeia tanto ideologias políticas de esquerda como de direita. O populismo também pode funcionar em uma moldura institucional democrática ou autoritária, civil ou militar.

Entre os governantes populistas latino-americanos mais conhecidos e influentes da primeira metade do século 20 estão: Getúlio Vargas (que governou o Brasil de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954), Juan Perón (que governou a Argentina entre 1946 e 1955 e de 1973 a 1974) e Lázaro Cárdenas (que governou o México entre 1933 e 1940).

Fonte: Uol
Autor: Renato Cancian

Pesquisa sociológica

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Qual é o papel do investigador no trabalho de campo.

Quando se sai a campo para uma pesquisa sociológica, o objeto de estudo não pode ser isolado e observado num laboratório. São as relações sociais que interessam.

É comum a realização de trabalhos de campo com alunos do ensino médio. Trata-se, na maioria dos casos, de pesquisas locais (no bairro ou no entorno da escola). É uma iniciativa que pretende fazer o estudante refletir sobre seu lugar, sobre as relações sociais das quais faz parte.

História de vida
Em seu trabalho “A história de vida na investigação sociológica: a seleção dos sujeitos e suas implicações”, publicado em ‘Ensaios de Sociologia Geral e Aplicada’, Florestan Fernandes preocupa-se em revelar a riqueza do método da história de vida como documento sociológico.

O sociólogo examina a relação entre o investigador e as pessoas que colaboram com a pesquisa. Analisa também as dificuldades encontradas pelo pesquisador quando seu objeto de estudo é também um sujeito.

Florestan Fernandes aborda a combinação da técnica da observação participante e do método da história da vida e aborda a forma como o investigador procurará obter uma posição no grupo que vai observar. E alerta: as condições exteriores da investigação não garantem a capacidade de comunicação e de compreensão do pesquisador.

Tornar-se parte do grupo
Alguns pesquisadores passam a ser operários, por exemplo, porque assim imaginam obter um “conhecimento concreto” das condições de trabalho e da mentalidade dos próprios operários.

Mas tornar-se parte do grupo observado não é garantia de conseguir mais convivência e estabelecer laços de simpatia com os membros da comunidade pesquisada. E esses são elementos necessários para o bom andamento do estudo.

Fazer parte da rotina
Quem opta por se inserir no grupo investigado não deve escolher posições que “restrinjam sua área de ação pessoal ou inibam afetiva ou moralmente os ajustamentos sociais viáveis”, diz o Fernandes. A relação entre pesquisador e pesquisado é, antes de tudo, uma relação entre sujeitos. Portanto, deve ocorrer como qualquer outra interação social.

O sociólogo pode explorar estrategicamente a observação participante, operando em ambientes onde sua presença faz parte da rotina. A participação resultaria da condição do pesquisador como membro do grupo. Ao observar um grupo do qual faz parte, o pesquisador se sente menos constrangido e ainda reduz as inconveniências para os outros.

Mais: a existência de uma longa convivência ou a estima mútua entre o pesquisador e os sujeitos da pesquisa podem contribuir como elementos estimulantes para os dois agentes envolvidos na situação de investigação.

Não há garantia de comunicação
A inserção do pesquisador no grupo, de forma deliberada ou espontânea, não garante a comunicação entre o pesquisador e os sujeitos da pesquisa, nem a compreensão das relações sociais num determinado grupo.

Para Florestan Fernandes, o que contribui para um trabalho proveitoso “é a qualidade humana do investigador, aproveitada em suas atividades de pesquisa”, “o que o investigador puder dar de si, como e enquanto ser humano, nas situações de convivência social criadas pela investigação”.

O que dá rigor à pesquisa
Cabe também ao pesquisador, de acordo com o objeto e diante das condições de investigação, examinar a viabilidade da combinação de técnicas de pesquisa, selecionar os casos para a elaboração das histórias de vida, encontrar o que há de mais significativo nas biografias e aproveitar da melhor forma os resultados da análise.

O rigor da pesquisa sociológica não reside no afastamento do investigador dos grupos aos quais pertence, – como muitos atestam -, nem na inserção no grupo a ser observado, mas em como o pesquisador desenvolverá suas atividades.

Qualquer que seja a posição que o investigador escolha ocupar diante do grupo que observa, será uma posição em que história pessoal e formação profissional se revelam e se confrontam.

Será uma relação mediada pelos diferentes interesses envolvidos, pelas impressões que os interlocutores têm um do outro, pelos dilemas vividos por cada um, enfim por uma história comum e por histórias particulares. Tanto o pesquisador como os colaboradores são sujeitos da investigação, porque estão disponíveis para aprender um com o outro.

Fonte: Uol
Autor: Celina Fernandes Gonçalves Bruniera

PENSAMENTO SOCIOLOGICO

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A sociologia pode ser considerada uma ciência?

Nos últimos anos, inúmeras têm sido as críticas à elaboração do conhecimento próprio das ciências humanas dentro da própria universidade. Também a imprensa – que veicula informações transmitidas pelas pesquisas de avaliação da produção acadêmica -, aponta o tempo demasiadamente longo que se leva para produzir resultados nos trabalhos realizados no campo das humanidades.

Todas essas críticas, que tomam como base os critérios de produção do conhecimento das ciências naturais, têm contribuído para que permaneça a questão sobre se as ciências sociais pertencem de fato ao ramo científico.

Parâmetros diferentes
O saber produzido pelas ciências humanas não corresponde a um saber científico, pois não atende aos requisitos delineados por uma específica visão de ciência, difundida a partir do século 19, feita sobre as características do conhecimento produzido pelas ciências naturais.

Todo o conhecimento que não atenda ao rigor do cálculo, à previsibilidade, à demonstração, aos métodos e técnicas de pesquisa baseados em processos quantitativos e de observação não são considerados científicos.

A definição de Comte
Subjaz a essa concepção, a idéia de ciência social que Augusto Comte defendia no século 19, de que a ciência da sociedade “apresente resultados indubitáveis e exprima verdades tão incontestáveis como as da matemática e da astronomia. É preciso também que a natureza dessas verdades seja de um certo tipo, (….) que partindo de leis mais gerais, das leis fundamentais da evolução humana, descubra um determinismo global.”

Para Comte, “só há sociedade à medida que seus membros têm as mesmas crenças”. Em Comte há, portanto, um determinismo global que deve ser buscado pela Sociologia, um determinismo que tem raízes na leis da evolução humana.

Vale ressaltar que a elaboração do conhecimento nas ciências humanas tem sua forma própria de constituir esse saber científico, baseada nas características dos seus objetos de estudo. É, portanto, um método muito diferente daquele praticado pelas ciências naturais.

Utilidade imediata
A discussão mais recente no mundo universitário diz respeito a uma produção acadêmica que atenda às demandas do mercado. A idéia é que a produção científica tenha utilidade imediata e que seja determinada externamente.

Com isso, questiona-se para que servem as ciências humanas, em especial as sociais, nesse contexto. Quando indagamos sobre a utilizade de um campo do conhecimento, já se incorporou a noção de que todo saber deve ter uma utilidade prática e de aplicação imediata.

Democratização das competências
Além da difusão de uma determinada concepção de ciência mediada pela lógica do mercado, conta o fato de que vivemos um tempo da banalização do conhecimento científico na área das humanidades, principalmente das ciências sociais. Todos sabem opinar sobre os objetos de estudo das diferentes áreas que compõem as ciências sociais.

Essa vulgarização foi alimentada pela “democratização das competências”. Trata-se de uma discussão de que todos têm competência para discutir sobre política e sobre problemas sociais, pois esses temas fazem parte da realidade em que todos vivem.

Tais opiniões acerca dos problemas sociais e políticos trazem à tona um conhecimento superficial dessa realidade, em geral veiculado pela imprensa sem qualquer cuidado e reproduzido pelo imaginário social.

O que faz o cientista social
Todos podem falar dos problemas sociais que vivenciam. E devem fazê-lo, porque o aprofundamento dessas questões cresce com a discussão. Isso é necessário, mas não suficiente.

É preciso ter conhecimento teórico para formular análises das relações sociais, para analisar os discursos acerca da realidade social, compreendê-los e interpretá-los à luz de todo conhecimento já produzido a esse respeito. É exatamente isso que faz o cientista social.

Fonte: Uol
Autor: Celina Fernandes Gonçalves Bruniera

PARTICIPAÇÃO POLITICA

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Atuação é fundamental para conquistar direitos de cidadania.

Conforme o contexto histórico, social e político, a expressão “participação política” se presta a inúmeras interpretações. Se considerarmos apenas as sociedades ocidentais que consolidaram regimes democráticos, por si só, o conceito pode ser extremamente abrangente.

A participação política designa uma grande variedade de atividades, como votar, se candidatar a algum cargo eletivo, apoiar um candidato ou agremiação política, contribuir financeiramente para um partido político, participar de reuniões, manifestações ou comícios públicos, proceder à discussão de assuntos políticos etc.

Níveis de participação política
O conceito de participação política tem seu significado fortemente vinculado à conquista dos direitos de cidadania. Em particular, à extensão dos direitos políticos aos cidadãos adultos. Sob essa perspectiva, podemos delimitar três níveis de participação política.

O primeiro nível de participação pode ser denominado de presença. Trata-se da forma menos intensa de participação, pois engloba comportamentos tipicamente passivos, como, por exemplo, a participação em reuniões, ou meramente receptivos, como a exposição a mensagens e propagandas políticas.

O segundo nível de participação pode ser designado de ativação. Está relacionada com atividades voluntárias que os indivíduos desenvolvem dentro ou fora de uma organização política, podendo abranger participação em campanhas eleitorais, propaganda e militância partidária, além de participação em manifestações públicas.

O terceiro nível de participação política será representado pelo termo decisão. Trata-se da situação em que o indivíduo contribui direta ou indiretamente para uma decisão política, elegendo um representante político (delegação de poderes) ou se candidatando a um cargo governamental (legislativo ou executivo).

Ideal democrático
Tomando por base sociedades contemporâneas que consolidaram regimes democráticos representativos (países da Europa Ocidental, América do Norte e Japão), o ideal democrático que emergiu nessas sociedades supõe cidadãos tendentes a uma participação política cada vez maior. Contudo, numerosas pesquisas sociológicas na área apontam que não há correlação entre os três níveis de participação política considerados acima. Ademais, a participação política envolve apenas uma parcela mínima dos cidadãos.

A forma mais comum e abrangente de participação política está relacionada à participação eleitoral. É um engano, no entanto, supor que haja, com o passar dos anos, um crescimento ou elevação dos índices desse tipo de participação.

Mesmo em países de longa tradição democrática, o ato de abstenção (isto é, quando o cidadão deixa de votar) às vezes atinge índices elevados (os Estados Unidos são um bom exemplo). Em outros casos, porém, quando a participação nos processos eleitorais chega a alcançar altos índices de participação, isso não se traduz em aumento de outras formas de participação política (o caso da Itália é um bom exemplo).

Estruturas políticas
A participação política tal como foi conceituada é estritamente dependente da existência de estruturas políticas que sirvam para fornecer oportunidades e incentivos aos cidadãos. Em sistemas democráticos, as estruturas de participação política consideradas mais importantes estão relacionadas com o sufrágio universal (direito de voto) e os processos eleitorais competitivos em que forças políticas organizadas, sobretudo partidos políticos, disputam cargos eletivos.

Também é preciso salientar a importância das associações voluntárias, provenientes de uma sociedade civil de tipo pluralista. Essas entidades atuam como agentes de socialização política, servindo, portanto, de elo de conexão e recrutamento entre os cidadãos e as forças políticas organizadas.

Regimes autoritários e participação política
A inexistência de um regime democrático e, portanto, de estruturas de participação política não significa a completa anulação das formas de participação. O caso do Brasil do período da ditadura militar é, neste sentido, bastante paradoxal.

A ditadura militar brasileira recorreu à violência repressiva, impôs severo controle sobre a sociedade civil e aboliu todas as formas de oposição política livre. A ausência de democracia fez, porém, com que surgissem novos canais de participação política. Neste aspecto, o movimento estudantil pode ser considerado o exemplo mais notável. A juventude universitária brasileira transformou o movimento estudantil no principal canal de participação política.

Dessa forma, grupos, partidos e organizações políticas clandestinas (na sua maioria adeptos das ideologias de esquerda) atuaram no âmbito do movimento estudantil universitário de modo a exercer um importante papel na resistência à ditadura militar e defesa das liberdades democráticas.

Fonte: Uol
Autor: Renato Cancian

PACIFISMO – PAZ ENTRE AS NAÇÕES

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A atual política externa americana, baseada no uso da força militar contra nações consideradas sedes ou financiadoras de organizações terroristas, fez ressurgir pelo mundo vários movimentos pacifistas, em oposição às guerras do Afeganistão e do Iraque.

O pacifismo está fundamentado em dois princípios básicos: a condenação da guerra como meio para solucionar os conflitos entre Estados soberanos e a defesa da paz permanente ou perpétua entre as nações inseridas no contexto das relações internacionais.

O pacifismo se opõe às doutrinas belicistas, que consagram a guerra como meio de se alcançar o progresso tecnológico. É também contra a idéia da consecução da paz por meio do uso da força, ou seja, por intermédio da conquista de povos e países por nações militarmente mais poderosas.

Origens
O pacifismo surgiu no século 18 com as idéias do abade Charles Frené Castel de Saint Pierre (1658-1743), que escreveu, em 1713, o “Projeto para Tornar a Paz Perpétua na Europa”. O projeto, de caráter filosófico-jurídico, previa um acordo entre os Estados soberanos europeus, o qual estabeleceria uma assembléia permanente formada por representantes dos Estados membros. Tal assembléia se encarregaria de solucionar pacificamente os conflitos de qualquer natureza que por ventura viessem a surgir entre eles.

As idéias do abade Frené Castel influenciaram o pensamento do filósofo prussiano Immanuel Kant (1724-1804). Kant acreditava que a filosofia poderia fornecer uma contribuição à política. Em 1795, ele publicou o tratado “Para a Paz Perpétua”, que resultou na consolidação de uma nova corrente pacifista, talvez a mais influente.

O tratado kantiano, de raiz iluminista, se baseia numa concepção determinista da história. Segundo ela, a consciência cívica dos indivíduos evolui no sentido de tornar possível a coexistência pacífica entre os povos, a partir da consecução de acordos mútuos.

Propostas pacifistas
Da mesma forma que nas sociedades modernas os indivíduos foram capazes de criar sistemas jurídicos para preservar a liberdade individual e solucionar os conflitos coletivos, Kant acreditava que os povos inevitavelmente tenderiam à criação de uma ordem jurídica mais ampla, que assumiria a forma de um governo supranacional ou uma federação de Estados. Dessa forma, os povos poderiam solucionar pacificamente seus conflitos e contendas.

No transcurso do século 19, inúmeros pensadores e filósofos europeus se inspiraram nas idéias de Kant e apresentaram propostas similares em defesa da paz. Entre eles, podemos citar o ideólogo Saint-Simon e o historiador Thierry, que juntos publicaram, em 1814, o texto-manifesto “Da Reorganização da Sociedade Européia”.

Nele, defenderam entusiasticamente a idéia da criação de um parlamento geral europeu investido de poderes para julgar litígios envolvendo os Estados nacionais. Desde então, iniciativas para assegurar a paz de modo permanente têm proliferado.

Fonte: Uol
Autor: Renato Cancian

REVOLUÇÃO

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Ruptura para construção de nova ordem política e social.

O termo “revolução” apareceu durante o período do Renascimento (entre os séculos 14 e 16). A palavra teve origem nas ciências naturais e foi empregada como uma referência ao movimento lento, regular e cíclico dos astros e estrelas.

Foi somente no século 17 que o vocábulo assumiu um significado político, servindo para caracterizar acontecimentos que provocam mudanças na ordem social de um determinado país ou nação. Em sua origem, o uso político do termo revolução tinha o mesmo significado original, ou seja, serviu para indicar o “retorno a um estado antecedente de coisas, a uma ordem pré-estabelecida que havia sofrido abalos”.

Revolução, portanto, caracterizava um período marcado por perturbações na ordem social. Após um determinado período de tempo, porém, essa mesma ordem social tenderia inevitavelmente a se restabelecer. A Revolução Inglesa de 1688, por exemplo, recebeu essa denominação porque representou o fim de um período marcado pela eclosão de uma guerra civil e posterior restauração da monarquia.

A Revolução Americana de 1776 e a Revolução Francesa de 1789 também foram concebidas como movimentos tipicamente revolucionários, mas, nestes dois casos, o termo já tinha perdido o significado original. Revolução deixou de ser referência a um movimento de restauração e passou a representar a possibilidade de construção de uma nova ordem social.

Independência americana
Dentro do pensamento político moderno, o termo revolução ganhou novos significados a partir da ênfase ou valorização dada a determinado fator (político, social ou econômico). Vejamos o exemplo da Revolução Americana de 1776, cuja conseqüência mais importante foi uma mudança política que assinalou a independência dos Estados Unidos.

A par da ruptura com as instituições políticas do governo colonial britânico, as relações e a estrutura sócio-econômica da nação americana não sofreram abalos nem modificação alguma. Por conta disso, alguns autores preferem chamar o caso americano mais propriamente como “guerra de independência” ou “guerra de libertação nacional”.

Revolução Francesa
A Revolução Francesa de 1789, por outro lado, é considerado o movimento revolucionário mais significativo da história moderna. Ao contrário do caso americano, na França revolucionária a ruptura política com as instituições do antigo regime (que representavam o poder da monarquia absolutista) foi um acontecimento tão intenso que contribuiu para modificar o significado do termo revolução.

A filósofa Hannah Arendt, por exemplo, assinala que: “só se pode falar de Revolução, quando a mudança se verifica com vistas a um novo início, quando se faz uso da violência para constituir uma forma de governo absolutamente nova e para tornar real a formação de um novo ordenamento político, e quando a libertação da opressão visa pelo menos à instauração da liberdade”.

O filósofo alemão Karl Marx também considera a conquista da “liberdade” um elemento constitutivo e essencial da revolução, mas, além disso, acrescenta ao conceito alguns elementos relacionados com a justiça social. Para Marx, portanto, só se pode falar de revolução quando ocorre uma ruptura com a velha ordem política, social e econômica; e em seu lugar são estabelecidos novos padrões de relações sociais que têm por princípio assegurar a liberdade e a igualdade social entre os homens.

Uso da violência
O termo revolução recebeu significados bastante variados porque os critérios para caracterizar um movimento como propriamente revolucionário, ou não, depende da perspectiva teórica ou filosófica dos autores que são estudados. Conseqüentemente, a área de pesquisa sociológica tornou-se suscetível a apresentar variações de interpretações para distinguir os movimentos revolucionários de outros fenômenos, como, por exemplo, um “golpe de Estado”.

A socióloga contemporânea Theda Sckopol, por exemplo, contribuiu decisivamente para a conceituação de um movimento revolucionário. Sckopol considera a ocorrência de uma revolução somente quando há o emprego da violência para derrubar as autoridades políticas do poder, substituindo-as por outras, que se encarregarão, numa etapa imediatamente posterior, de efetuar mudanças no sistema político como um todo, nas relações sociais e na estrutura econômica.

A existência de uma forte motivação ideológica está presente neste conceito de revolução. Com base nesses pressupostos teóricos, Sckopol considera a Revolução Francesa (1789), a Revolução Russa (1917) e a Revolução Chinesa (1949) como os casos mais emblemáticos de movimentos revolucionários bem-sucedidos, ou seja, que atingiram todas as etapas de ruptura e construção de uma nova ordem social.

Fonte: Uol
Autor: Renato Cancian