CANDIDÍASE VULVO VAGINAL RECORRENTE (CVVR)

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Dr. Cristiana Fonseca Beaumord

Conceito: Quatro ou mais recorrências por ano de vulvo vaginite por cândida

Fatores de risco para recorrência:

1 – Diabetes mellitus: pacientes com diabetes mal controlado , principalmente aquelas com nível de glicose entre 200 – 400 mg/dl , têm uma maior incidência de candidíase muco cutânea , mas poucas têm CVVR e entre as diagnosticadas como portadoras de CVVR , poucas são diabéticas .

2 – Imunodeficiência: pacientes HIV + têm maior predisposição à candidíase oral e esofageana , mas não têm uma frequência aumentada de candidíase vulvo vaginal sintomática , apesar de serem mais colonizadas .

3 – Fatores hormonais: os episódios de candidíase sintomática são mais frequentes em mulheres em idade reprodutiva , e a maior parte das recorrências ocorre em período pré menstrual ; a gravidez predispõe à candidíase sintomática ; o aumento de episódios de vaginite por cândida em usuárias de anticoncepcional hormonal está limitado àqueles de dose alta .

4 – Imunidade local mediada por células cândida – específica: a imunidade sistêmica mediada por células candida-específica , que é um fator protetor importante na candidíase mucocutânea de outras localizações que não a vagina , não parece ter uma ação protetora importante na CVVR . A imunidade mediada por células localmente na mucosa vaginal , quando alterada , pode promover uma reação de hipersensibilidade local , levando a sintomas alérgicos .

5 – Antibióticos de largo espectro: apesar de ser reconhecido que o uso de ATB de largo espectro , principalmente por períodos prolongados , pode aumentar o risco de um episódio de candidíase vaginal , a maior parte dos episódios de recorrência em pacientes com CVVR se dá na ausência do uso de qualquer antibiótico .

6 – Hábitos de vida , vestuário , vida sexual: os trabalhos publicados não mostraram uma associação consistente entre estes fatores e a CVVR .

7 – Resistência aos antifúngicos: a candida albicans quase sempre responde aos antifúngicos azólicos ; as candidas não albicans são menos sensíveis aos antifúngicos azólicos .

De onde vem o fungo na CVVR ?

Acreditava-se que a vagina se tornaria re-infectada por reservatórios que poderiam ser o reto , o trato genital superior , ou o sêmen , a pele ou cavidade oral do parceiro ; estudos recentes caracterizando a similaridade da sequência de DNA da candida encontrada na vagina e nestes outros reservatórios mostra que não é o mesmo tipo encontrado na vagina ; por outro lado , o mais comum é a manutenção do mesmo tipo de candida nos episódios de recorrência , indicando que a espécie infectante nunca foi totalmente eliminada e sofreu um processo de recrudescimento .

Diagnóstico:

É feito por : Anamnese
Exame físico – Inspeção de vulva e vagina
_ Coleta de amostra na parede vaginal lateral para cultura
_ Avaliação do pH vaginal
_ Teste de aminas
_ Exame microscópico a fresco com solução salina e com KOH

Diagnóstico Diferencial:

Deve ser feito com:
– Dermatite irritativa
– Vestibulite vulvar
– Vaginose bacteriana
– Secreção fisiológica

Tratamento:

– Afastar fatores predisponentes
– Tratamento medicamento

Tratamento inicial por 14 dias para induzir remissão clínica e uma cultura para fungos negativa , seguido por um regime de manutenção por 6 meses .

Tratamento inicial:

FLUCONAZOL – 150 mg/dia , em dias alternados , por 14 dias
CLOTRIMAZOL – 500 mg via vaginal em dias alternados por 14 dias
ÁCIDO BÓRICO – óvulos vaginais de 600mg/dia , por 14 dias
FLUCITOSINA TÓPICA – via vaginal por 14 dias
ITRACONAZOL – 200 mg/dia , por 14 dias

Tratamento de manutenção:

CETOCONAZOL – 100 mg/dia , por 6 meses
ITRACONAZOL – 100 mg/dia , por 6 meses
200 mg/dia , no 1° dia do ciclo , por 6 meses
FLUCONAZOL – 100 a 200 mg/semana , por 6 meses 150 mg ,no 1° dia do ciclo , por 6 meses
CLOTRIMAZOL CREME OU ÓVULO VAGINAL – 500 mg/semana ou
Óvulo de 500 mg na segunda fase do ciclo , por 6 meses
IMUNOTERAPIA com extrato aquoso de candidina (tratamento a ser feito por alergista)

Seguimento:

Causas de recorrência durante o tratamento de manutenção :
– eliminação de organismos sensíveis aos derivados azólicos e sua substituição por espécies não albicans
– ocorrência de dermatite com sintomas irritativos

Cada episódio de recorrência durante o tratamento de manutenção deve ser tratado como um episódio isolado.

TOXOPLASMOSE NA GESTAÇÃO

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Alessandra Mendelski Pereira – Editora de Ginecologia e Obstetrícia do MedCenter

1. Introdução

A possibilidade de diagnóstico pré-natal das infecções congênitas trouxe uma melhora fundamental ao prognóstico da toxoplasmose com seu devido tratamento, assim como possibilitou uma melhor orientação e aconselhamento pré-natal às gestantes.

A toxoplasmose integra a rotina sorológica do pré-natal fazendo parte da clássica sigla TORCH (toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes) e é uma das poucas infecções que possibilita diagnóstico, prevenção e tratamento antenatal.

2. Agente etiológico

É uma doença parasitária causada pelo Toxoplasma gondii, que se apresenta em três formas: oocisto, taquizoíto e bradizoíto. O homem adquire o toxoplasma na forma de oocisto. Os taquizoítas estão presentes na forma aguda da doença e se distribuem por todos os tecidos do corpo, inclusive a placenta, formando cistos que contêm os bradizoítos e que são os responsáveis pela infecção crônica ou latente.

3. Modo de transmissão

A transmissão transplacentária foi a primeira a ser conhecida, porém a forma mais comum se dá através da ingestão dos oocistos presentes nas fezes de gatos, que contaminam verduras, legumes e a própria terra e a ingestão de cistos presentes em carnes cruas ou malcozidas, principalmente de porco e de carneiro.

Admite-se que em pacientes imunocompetentes a transmissão vertical só ocorre durante a fase aguda da doença materna e varia conforme a idade gestacional no momento da transmissão. Quanto mais cedo ocorrer a infecção materna, menor a chance de transmissão vertical, porém se ela ocorrer, será mais grave o acometimento fetal. O risco de transmissão aumenta conforme a idade gestacional, enquanto que a severidade do acometimento vai diminuindo.

4. Incidência

A incidência difere entre as várias regiões. Nos EUA ela varia de 1:1.000 a 1:8.000 nascidos vivos, sendo que na França atinge níveis de 5:1.000, devido ao elevado número de gatos no local. No nosso meio foi encontrada uma incidência de 2:1.000 nascidos vivos.

5. Diagnóstico clínico

A anamnese é pouco fidedigna porque os sintomas, quando referidos são semelhantes a um quadro gripal. A linfadenomegalia e a febre são as queixas mais freqüentes. Podem estar acompanhadas de cefaléia, coriza, mialgia e astenia. Cerca de 90% dos casos são assintomáticos, o que torna o diagnóstico basicamente sorológico.

6. Diagnóstico laboratorial

Vários testes podem ser utilizados para diagnóstico sorológico: Sabin-Feldman, fixação do complemento, aglutinação direta, hemaglutinação passiva, imunofluorescência indireta, ELISA, ISAGA, immunoblot, antibody capture agglutination assay e polimerase chain reaction (PCR).

Através da combinação dos resultados da imunofluorescência indireta e da hemaglutinação pode-se traçar o perfil sorológico, diferenciando fase aguda de crônica:

IgG (+)
IgM (-)
= infecção crônica / imunidade

IgG (+)
IgM (+)
= infecção recente ou aguda

IgG (-)
IgM (+)
= infecção aguda

IgG (-)
IgM (-)
= susceptível

A maior dificuldade no diagnóstico sorológico ocorre nos casos onde a IgM está positiva na primeira consulta pré-natal. Como isto nem sempre indica infecção aguda recente, temos que associar outros métodos para tentar estabelecer, retrospectivamente o momento da soroconversão. Para isto, deve-se repetir a sorologia em 2 a 3 semanas; se houver ascensão significativa dos títulos, define infecção aguda ou testar a avidez das IgG. No início da infecção (aproximadamente 4 meses) são produzidas IgG de baixa afinidade, e esta vai aumentando ao longo do tempo. Portanto, se encontramos IgG de baixa avidez isto provavelmente indica uma infecção aguda (menor que 4 meses).

Uma anamnese retrospectiva detalhada, buscando um quadro clínico sugestivo, às vezes, permite datar a infecção nos casos de IgM positiva. A presença de IgG positiva em pré-natal anterior também ajuda nesses casos, sugerindo infecção anterior à gestação.

Pacientes que iniciam o pré-natal IgG positivas e IgM negativas são consideradas imunes e sem riscos de toxoplasmose congênita. A exceção é feita para pacientes HIV-positivas ou imunocomprometidas que podem apresentar reativação da doença crônica e toxoplasmose congênita.

O diagnóstico da infecção fetal é baseado nos achados ultra-sonográficos, na análise do sangue fetal por cordocentese e no estudo do líquido amniótico por amniocentese, ambos colhidos após 20 semanas de gestação.

Os sinais na ultra-sonografia que podem aparecer em até 28% dos casos de fetos considerados infectados são: hidrocefalia, microcefalia, calcificações intracranianas, hepatoesplenomegalia, ascite fetal e placentomegalia.

Para o diagnóstico de certeza, pesquisa-se no sangue fetal IgM específica para toxoplasmose ou identificação do DNA do parasita por PCR. No líquido amniótico, o sinal mais sensível e específico também é feito por PCR. O PCR além de diminuir o falso-negativo, ainda reduz o tempo necessário para o diagnóstico final de 2 a 3 semanas para menos de 1 semana. Além do que, os riscos de uma amniocentese são bem menores do que os da cordocentese.

7. Tratamento

Após o diagnóstico da infecção aguda materna, independentemente da idade gestacional, deve-se iniciar espiramicina (Rovamicina®) 3g/dia, divididos em 3 tomadas diárias, que devem ser mantidas até a pesquisa da infecção fetal. A espiramicina é um macrolídeo cuja função é bloquear o parasita na placenta, impedindo ou retardando a infecção congênita. Porém, se o feto já estiver contaminado, sua ação parece não ser tão adequada.

Se após propedêutica for confirmada a infecção fetal deve-se iniciar o tratamento tríplice com a pirimetamina 25mg de 12/12 horas, a sulfadiazina 1g de 8/8 horas e o ácido folínico 10mg/dia, por 3 semanas alternando com 3 semanas do esquema de espiramicina isoladamente e assim sucessivamente até o termo.

A associação da pirimetamina com a sulfadiazina é tóxica para o feto e para a mãe, apresentando um efeito quelante de folatos importante, podendo levar à aplasia de medula e teratogenicidade se utilizada no primeiro trimestre da gestação, por isso é alternada a cada 3 semanas com a espiramicina e sempre devem ser associadas ao ácido folínico.

O hemograma materno deve ser feito a cada 2 semanas, para monitorizar a anemia. A ultra-sonografia deve ser realizada de 2 em 2 semanas. Não foram descritos efeitos adversos da espiramicina no feto; na mãe podem surgir alterações gastrointestinais, rubores, vertigem e calafrios.

Caso seja afastada a infecção fetal, após propedêutica invasiva, deve-se manter o uso da espiramicina até o termo e controle ultra-sonográfico mensal.

8. Profilaxia

A prevenção é feita orientando as pacientes suscetíveis (IgG e IgM negativas) quanto às formas de contágio. Deve-se evitar ingestão de carnes cruas, alimentos mal lavados e contato com felinos. O rastreamento pré-natal de soroconversão durante o pré-natal pode ser feito através da repetição da sorologia trimestral. A espiramicina é uma prevenção secundária após infecção e não pode deixar de ser feita.

Bibliografia

1) Medicina Fetal – Marcelo Zugaib – 2ª edição

RETARDO DO CRESCIMENTO INTRA-UTERINO (RCIU)

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1.0 Definição

Considera-se que um feto apresenta RCIU quando seu peso é inferior ao que corresponderia para sua idade gestacional, geralmente abaixo do percentil 10 segundo a curva de crescimento intra-uterino publicada em 1967 por Battaglia e Lubchenco.

A distinção entre RCIU e pequeno para idade gestacional (PIG) é importante, visto que alguns recém-nascidos considerados como PIG não sofreram RCIU. Nestes casos, existem razões genéticas para o baixo peso ao nascer ( constitucional) e alguns recém-nascidos com RCIU não são PIG como nos casos dos fetos cujo potencial de crescimento, por exemplo, era atingir 4 kg ao termo, mas como resultado de um ambiente intra-uterino desfavorável atinge somente 3kg, sendo considerado como “adequado para idade gestacional”. O ideal seria conseguir determinar o padrão de crescimento do feto em estudo e a partir daí determinarmos se a sua curva é normal ou não.

2.0 Etiologia

As causas de RCIU podem ser divididas conceitualmente em três categorias principais: maternas, fetais e útero-placentárias.

Maternas:

Fatores constitucionais – peso materno pré-gravídico < 50 kg, idade materna, nível sócio-econômico, ganho ponderal materno insuficiente, atividade física de alto impacto.
Hábitos tóxicos – Álcool, fumo, drogas
Doenças maternas – Síndromes hipertensivas, doença renal crônica, doenças cardiopulmonares, diabetes mellitus com vasculopatia, doenças auto-imunes, anemias, infecção.
Fetais:

Anomalias cromossômicas – Trissomias 13, 18, 21
Displasias esqueléticas
Infecções – rubéola, toxoplasmose, citomegalovirose, herpes, sífilis
Gemelaridade
Utero-placentárias:

Anomalias uterinas: descolamento de placenta
Má adaptação da circulação materna
Mosaicismo placentar

3.0 Tipos

RCIU tipo I: É também conhecido como intrínseco, harmonioso, proporcional, simétrico ou precoce . Nestes casos, o fator adverso exerce influência na época da concepção ou no período embriônico (período hiperplásico), levando a diminuição do potencial intrínseco de crescimento. Devido ao início precoce, os três parâmetros que usualmente são avaliados para determinar RCIU são uniformemente afetados: peso fetal, comprimento fetal e circunferência cefálica, com isso as relações de proporcionalidade das partes fetais são mantidas. A incidência de malformações congênitas é alta. Representa aproximadamente 20-30% dos casos de RCIU.

RCIU tipo II: É conhecido como extrínseco, desarmonioso, desproporcional, assimétrico ou tardio e a insuficiência utero-placentária é o mecanismo etiopatogênico. São particularmente comuns durante o último trimestre da gestação (período de hipertrofia). O Peso fetal e as relações de proporcionalidade estão afetados. Óbito intra-utero e sofrimento fetal intraparto são mais comuns neste grupo, que representa 70 a 80% dos casos de RCIU

RCIU tipo III: É o misto em comparação aos outros. Apesar dos fatores serem extrínsecos e aparecerem precocemente na gestação as conseqüências são mais parecidas com as associadas com o RCIU tipo I, quando o peso e o comprimento fetal, em particular, são comprometidos.

4.0 Tratamento

Durante a gestação

Baseia-se no tratamento da patologia específica, manter repouso e realizar ajuste de dieta. É fundamental fazer controle de ecografia a cada 2 semanas até a 28ª semana.

Se houve uma parada de crescimento, deve-se estimular a maturação pulmonar, para que a gestação possa ser interrompida. Deverá ser indicada a interrupção da gestação toda vez que a situação intra-uterina seja mais perigosa que a extra-uterina. A indução da maturação pulmonar deve ser pensada se as provas em líquido amniótico sugerem imaturidade. Freqüentemente, a má circulação placentária faz com que o feto não suporte o trabalho de parto, sendo necessária a cesárea. Caso contrário, deve-se fazer controle de USG a cada semana até a 34ª semana.

Durante o parto

A equipe perinatal deve estar preparada para prevenir, detectar precocemente e atender adequadamente: asfixia perinatal, aspiração de mecônio, hipoxemia e perda de calor.

A mãe

A mãe deve ser encaminhada para atendimento especializado para seguimento clínico e das demais gestações que serão consideradas de risco.

O recém-nascido

O crescimento parece estar diminuindo durante o primeiro ano de vida. Os pequenos para a idade assimétricos costumam perder pouco peso nos primeiros dias e rapidamente crescem até se assemelharem aos adequados da mesma idade gestacional em torno de 3 meses. Os simétricos, no entanto, não adquirem padrão de crescimento ou crescem nos percentis inferiores até 4 a 6 anos.

No desenvolvimento parece haver problemas no quociente de inteligência nos pequenos para idade simétricos. Problemas estão ligados, principalmente, às áreas de percepção, linguagem audição, motricidade, atenção e comportamento.

5.0 Assistência de Enfermagem

Os cuidados de enfermagem iniciam no pré-natal, acompanhando o bem-estar fetal. Cabe à enfermeira analisar os fatores de risco, controlar a altura uterina e o ganho ponderal da gestante.

Lembrando que o pré-natal visa prestar uma assistência adequada e eficaz com acesso facilitado, possibilitando a detecção precoce e acompanhamento de qualquer agravo que comprometa o binômio mãe-filho, para garantir uma gestação e um parto bem sucedidos.

6.0 Bibliografia

MIURA, E., Neonatologia – princípios e prática. Editora Artes Médicas Sul Ltda, Porto Alegre: 1991.

ZIEGEL, E.E., CRANLEY, M.S., Enfermagem Obstétrica, Editora Guanabara Koogan, 8ª edição, Rio de Janeiro: 1985.

Secretaria de Estado da Saúde, Protocolo de Gestação de Alto risco. 3ª edição, Curitiba: 2004.

www.portaldeginecologia.com.br/modules. … cle&sid=89

www.meac.ufc.br/public/M_Obstet/cap18.htm

CAXUMBA

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Terezinha Marta PP Castiñeiras, Luciana GF Pedro & Fernando SV Martins

A caxumba (parodidite*) é uma doença infecciosa imunoprevenível de transmissão respiratória. A infecção é causada pelo vírus da caxumba e, freqüentemente, resulta em manifestações discretas ou é assintomática. A doença geralmente tem evolução benigna e é mais comum em crianças, mas pode ocorrer com maior gravidade em adultos susceptíveis (não imunes). Durante a gravidez a infecção pelo vírus da caxumba pode resultar em aborto espontâneo, porém não existem evidências de que possa causar mal-formações congênitas. Como regra geral, a imunidade é permanente, ou seja, a caxumba comumente ocorre apenas uma vez na vida.

Transmissão
O vírus tem distribuição universal e a doença ocorre mais freqüentemente em regiões com baixa cobertura vacinal. O ser humano é o único hospedeiro natural do vírus da caxumba e a doença geralmente ocorre apenas uma vez na vida. A transmissão para uma pessoa susceptível ocorre através do contato com as secreções respiratórias (gotículas de saliva, espirro, tosse) de um indivíduo infectado, mesmo quando assintomático. O período de transmissibilidade da caxumba começa uma semana antes e vai até nove dias após o aparecimento de inflamação nas glândulas salivares (mais comumente das parótidas).

Após a transmissão, o vírus da caxumba se replica na mucosa da nasofaringe e nos gânglios linfáticos regionais. Entre 12 e 25 dias após a infecção, ocorre disseminação do vírus através da corrente sangüínea (viremia). Durante o período de viremia, que dura de 3 a 5 dias, existe a possibilidade de disseminação para as glândulas salivares, meninges, pâncreas, testículos e ovários. A infecção pelo vírus da caxumba, produzindo ou não manifestações clínicas, geralmente resulta em imunidade permanente. A reinfecção, embora possivel, é muito rara e, em geral, é inteiramente assintomática ou produz manifestações clínicas discretas.

Riscos

A caxumba tem distribuição universal e variação sazonal, com predomínio de casos no inverno e na primavera. Ainda é uma doença comum na maioria dos países em desenvolvimento. Na maior parte do mundo a incidência anual da caxumba varia entre 100 a 1000 casos para cada 100 mil habitantes, com surtos ou epidemias a cada 2 a 5 anos. Entre 2004 e 2007 ocorreram diversos surtos e epidemias de caxumba em países do Continente Americano (Estados Unidos, Brasil, Canadá), Europa Ocidental (Espanha, Reino Unido, Irlanda) e Europa Oriental (Ucrânia). No Brasil (2007) está ocorrendo um surto em Campinas (SP), principalmente entre estudantes universitários. A caxumba não faz parte da lista de doenças de notificação compulsória.

Medidas de proteção individual

A medida se proteção mais importante contra a caxumba é a vacinação, que confere imunidade contra a infecção em mais de 95% das pessoas. A vacina é produzida com vírus atenuados e pode conter exclusivamente o vírus da caxumba ou também incluir o vírus do sarampo e o da rubéola (“tríplice viral”, SRC ou MMR). A vacinação contra caxumba, necessariamente, deve incluir pessoas do sexo masculino, inclusive adultos, para evitar que sirvam de fontes de infecção para outros indivíduos. A realização de testes sorológicos antes da aplicação da vacina contra a caxumba é, geralmente, desnecessária.

A vacina contra a caxumba, como qualquer outra, pode ter contra-indicações e produzir efeitos colaterais, em geral pouco freqüentes e desprovidos de gravidade. Como todas as vacinas produzidas com vírus atenuados, está contra-indicada durante a gestação. Como regra geral, pelo mesmo motivo, também não deve ser utilizada em imunodeficientes, exceto em situações especiais e com avaliação médica. No Brasil, a partir de 1992 com a implementação do Plano de Nacional de Eliminação do Sarampo, a vacinas combinada (MMR) passou a ser utilizadas na Rede Pública, resultando uma redução significativa do número dos casos de caxumba , rubéola e de sarampo.

No Calendário de Vacinação atual está prevista a aplicação da MMR para crianças em duas doses, a primeira aos doze meses e a segunda entre 4 e 6 anos. A vacina também está disponível nos Centros Municipais de Saúde, em dose única, para adolescentes e adultos (mulheres até 49 anos e homens até 39 anos). Embora o risco de teratogênese (mal-formações congênitas) com o vírus vacinal pareça ser pequeno, a gravidez deve ser evitada durante, pelo menos, os 30 dias seguintes à aplicação da vacina. Para reduzir as chances de infecção de pessoas que tenham contra-indicações (como gestantes e imunodeficientes), os contactantes podem e devem ser vacinados, uma vez que os vírus contidos na MMR não são transmissíveis.

Todos os casos com suspeita diagnóstica de caxumba devem ser notificados ao Centro Municipal de Saúde mais próximo, para que possam ser adotadas, em tempo hábil, medidas que diminuam o risco de disseminação da infecção para a população. A MMR pode ser utilizada para bloqueio de surtos ou epidemias de caxumba (ou de sarampo, ou de rubéola), com o objetivo de proteger os indivíduos não imunes, ou seja, os que nunca tiveram caxumba e os que ainda não tenham sido vacinados de forma adequada. A vacinação precoce (feita até 72 horas depois do contato) não é capaz de evitar a caxumba e nem a rubéola, porém pode impedir o desenvolvimento do sarampo. Entretanto, também os contactantes não imunes de pessoas com caxumba ou com rubéola sempre devem ser vacinados o mais precocemente possível, uma vez que a transmissão poderá ainda não ter ocorrido e é prudente evitar a possibilidade de infecções futuras.
A evidência de imunidade contra caxumba é dada pela comprovação sorológica da infecção, pela imunização (MMR) documentada com o Cartão de Vacinação ou quando o diagnóstico é feito por um médico. A história de “caxumba”, quando ocorre parotidite, permite presumir apenas em bases clínicas com um grau de certeza razoável, mesmo sem comprovação sorológica, a existência de imunidade contra a doença. O Cives recomenda que o viajante não vacinado, que não tenha comprovação sorológica de imunidade ou diagnóstico médico, observando-se as contra-indicações, receba a vacina ou, eventualmente, realize exames laboratoriais para verificar a imunidade contra caxumba.

Manifestações

O período de incubação da caxumba é de 12 a 25 dias. A infecção, na maioria das vezes, resulta em manifestações discretas ou é inteiramente assintomática. Quando ocorrem, as manifestações clínicas mais comuns são febre baixa, dor no corpo, perda do apetite, fadiga e dor de cabeça. Cerca de 30 a 40% dos indivíduos infectados apresentam, até o segundo dia de doença, dor e aumento uni ou bilateral das glândulas salivares (mais comumente, das parótidas). A parotidite dura em torno de 7 a 10 dias e tem resolução espontânea.

Em alguns casos a caxumba pode evoluir com comprometimento do sistema nervoso central (meningite e encefalite), surdez, inflamação dos testículos (orquite), dos ovários (ooforite), coração (miocardite) e, mais raramente do pâncreas (pancreatite). Algum grau de inflamação das meninges (meningite), em geral assintomática, pode ocorrer em até de 60% das pessoas com caxumba. A meningite com manifestações clínicas (dor de cabeça intensa, rigidez de nuca) é mais comum em adultos do sexo masculino e pode ser observada em aproximadamente 15% dos casos, em geral com evolução favorável e sem deixar sequelas. A encefalite (inflamação cerebral), que é potencialmente fatal, pode acontecer na proporção de um para cada 50.000 casos. A caxumba pode levar à surdez transitória ou permanente em 1 para 20.000 casos, comumente de início súbito e unilateral em cerca de 80% das vezes. A ooforite, que ocorre em até 5% das mulheres que adquirem caxumba após a fase puberal, não está relacionada à infertilidade. A ooforite, assim como a pancreatite, pode produzir manifestações (dor abdominal) confundíveis com apendicite. A orquite, também após a fase puberal, pode se desenvolver em 20 a 50% dos indivíduos e, ainda que possa resulta em algum grau de atrofia testicular, raramente está associada com infertilidade permanente. A miocardite pode acontecer em até 15% dos casos e, ainda que potencialmente grave, em geral não produz repercussões clínicas e é detectável apenas por alterações eletrocardiográficas.

A caxumba, à semelhança de outras doenças virais (dengue, sarampo, rubéola, varicela etc), pode cursar com alguma redução do número de plaquetas (plaquetopenia), elementos que exercem papel importante na coagulação sanguínea. No entanto, a ocorrência de manifestações hemorrágicas na caxumba é muito rara. Pode ainda ocasionar, o que é extremamente raro, manifestações como dor (artralgia) e inflamação (artrite) nas articulações e processo inflamatório nos glomérulos renais (glomerulonefrite). Durante a gravidez, notadamente no primeiro trimestre, a infecção pelo vírus da caxumba pode resultar em aborto espontâneo, porém não existem evidências claras de que possa causar mal-formações congênitas.

Tratamento
As pessoas com suspeita de caxumba devem procurar um médico para a confirmação do diagnóstico. Não existe tratamento específico. Os antitérmicos e analgésicos, caso necessário, podem ser utilizados para controlar a febre e a dor. Os medicamentos que contenham em sua formulação o ácido acetil-salicílico (AAS®, Aspirina®, Doril®, Melhoral® etc) não devem ser usados, pelo risco de ocorrerem sangramentos (o número de plaquetas pode ficar diminuido em pessoas com caxumba) e, em crianças, também pela possibilidade de Síndrome de Reye. As pessoas com caxumba devem permanecer em repouso até que a febre desapareça e evitar contato (pode levar à disseminação da doença) com outros indivíduos. Compressas frias podem ser úteis para diminuir a dor nas parótidas. Devem ainda procurar ingerir alimentos líquidos e evitar os sólidos (a mastigação pode ser dolorosa) ou os que possam estimular a produção de saliva (frutas e sucos cítricos). A utilização de suporte para os testiculos pode ser útil em casos de orquite. O auxílio médico também deve ser sempre procurado quando a febre for muito elevada, quando ocorrer dor nos testículos (orquite), dor abdominal (ooforite, pancreatite), dor de cabeça intensa (menigite) e surdez.

POLÍTICA: SOCIAL DEMOCRACIA, NEOLIBERALISMO E LIBERALISMO

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DEFINIÇÕES:

Liberalismo

Doutrina política e econômica surgida na Europa, na Idade Moderna. Na política coloca o direito do indivíduo de seguir a própria determinação, dentro dos limites impostos pelas normas definidas, como fundamento das relações sociais. Por conseguinte, defende as liberdades individuais frente ao poder do Estado e prevê oportunidades iguais para todos.

Na economia defende a não-intervenção do Estado por acreditar que a dinâmica de produção, distribuição e consumo de bens é regida por leis que já fazem parte do processo – como a lei da oferta e da procura – que estabelecem o equilíbrio.

O liberalismo econômico nem sempre se identifica com o liberalismo político. Na política, ganha diferentes conotações em cada país, sendo identificado como de esquerda, de centro ou de direita, conforme as combinações de ideologias locais.

Seu desenvolvimento nos séculos XVIII e XIX está asssociado ao crescimento da classe média. Desafiando o Estado monarquista, aristocrático e religioso, os liberais lutam para implantar governos separado do clero e da monarquia, parlamentares e constitucionais. Mais tarde, liberais de alguns países, como do Reino Unido, aceitaram a intervenção estatal para superar injustiças sociais ou mesmo formas de protecionismo econômico, enfrentando a oposição de não-liberais.

A combinação de liberalismo e dirigismo estatal na economia torna-se responsável, entre 1950 e 1980, pelo surgimento das sociedades de consumo e bem-estar social (Welfare States). Nos anos 80, a crise econômica e os novos parâmetros estabelecidos pela revolução tecnológica colocam em jogo as políticas de benefício social dos países desenvolvidos. A resposta a essa nova realidade surgiu nos Estados Unidos e na Inglaterra na forma de neoliberalismo.

Neoliberalismo

Doutrina político-econômica elaborada em 1938 para adaptar o modelo liberal às novas condições do capitalismo do século XX. As bases da doutrina são lançadas durante o Colóquio Walter Lippmann, encontro de intelectuais liberais realizado na França naquele mesmo ano.

Uma das inovações do modelo em relação ao liberalismo é a intervenção indireta do Estado na economia, não para asfixiá-la, mas para garantir a sua sobrevivência, já que não confiam na autodisciplina espontânea do sistema. Os neoliberais acreditam que o controle de preços é a peça-chave da economia de um país. A função do Estado é manter o equilíbrio dos preços por intermédio da estabilização financeira e monetária, obtidas basicamente com políticas antiinflacionárias e cambiais.

A liberdade econômica das empresas e as leis de mercado continuam como dogmas no neoliberalismo. A nova doutrina atribui ao Estado a função de combater os excessos da livre concorrência e o controle de mercados pelos grandes monopólios. Um dos instrumentos para disciplinar a economia é a criação de mercados concorrenciais através dos blocos econômicos, como no caso da União Européia

Para os neoliberais, o Estado não deve desempenhar funções assistencialistas, o que resultaria numa sociedade completamente administrada e, portanto, antiliberal. É a afirmação da sociedade civil que deve buscar novas formas de resolver seus problemas. Ao Estado cabe apenas a tarefa de garantir a lei comum bem como a função de equilibrar e incentivar as iniciativas da sociedade civil. Os dois maiores expoentes do neoliberalismo na política são o ex-presidente norte-americano Ronald Reagan e a ex-primeira ministra inglesa Margaret Thatcher

SOCIAL DEMOCRACIA:

Doutrina e sistema político que trata de amalgamar os princípios da democracia e do socialismo e advoga reformas sociais num regime representativo.

A social democracia, começou com os alemães. Baseando-se no incipiente movimento sindicalista em Berlim e na Saxônia, Ferdinand Lassalle fundou um partido social-democrático, que sobreviveu à morte prematura do líder. Esse movimento lassalliano era politicamente radical, mas não tinha nada de revolucionário. Chegou a apoiar Bismark contra os liberais. Só um pouco mais tarde August Bebel e Wilhelm Liebknecht conseguiram reunir os lassallianos e os adeptos alemães de Marx, imprimindo caráter moderadamente marxista ao Programa de Gotha (1875). Em 1878 o partido social-democrático alemão foi, sob pretextos, proibido; mas aüentou cerca de 12 anos uma dura repressão. Depois de readmitido para as eleições de 1890, estava muito mais forte que antes, tornando-se sério fator político na Alemanha imperial.

O modelo alemão foi imitado em muitos países europeus. Formaram-se partidos social-democráticos em toda parte, primeiro na Bélgica e na Áustria. Enfim, em 1889, representantes desses partidos, reunidos em Paris, fundatam a II Internacional, que iniciou suas atividades com manifestações ruidosas em todas as capitais, proclamando o dia 1o. de maio como festa internacional dos trabalhadores e reivindicando o dia de trabalho de oito horas.

SOCIAL DEMOCRACIA E O NELOLIBERALISMO

A social democracia foi proposta como uma alternativa brasileira para se chegar em uma sociedade mais justa, desenvolvida e produtiva.

Social democracia(welfare state) é uma forma de governo que se preocupa em investir na área social, isto é, dar hospitais, escolas, serviços gratuitos e de boa qualidade, garantindo um alto nível de vida aos cidadãos. É também um estado preocupado com a economia, intervindo se necessário para evitar estagnação econômica e acelerar o desenvolvimento industrial. A nova social democracia adota o princípio de que o estado é responsável apenas pela regulamentação, não pela posse dos negócios e indústrias do país.

A social democracia tem por princípio a defesa da democracia como opção de vida e mais que isso, tem como base também o incentivo do livre pensamento, expressão, movimento, culto e crítica.Tem como dever também, promover uma melhor distribuição de renda de modo legítimo(dentro da leí). A social democracia no brasil anda desmoralizada.A razão de tal é completamente compreendida pois o atual presidente(FHC) pertence ao partido da social democracia do Brasil(PSDB) e sua administração não anda trazendo bons resultados.O país não está progredindo e a cada dia, surgem mais e mais problemas.

A política de FHC não segue as idéias da social democracia. Sua política tende ao neoliberalismo que destrói nossas indústrias e fali o estado, assim trazendo mais desempregos, dependência, atraso e diminuição de investimento na área social (pois o estado está falido).

Muita gente desacredita na social democracia porque temos o péssimo exemplo do Fernando Henrique como um social democrata. Sociólogo formado pela USP, escreveu bons livros na década de 70 e 80, fica exilado no período da ditadura e volta como professor de sociologia. Neste período, publica bons livros e tem intensa produção intelectual baseada na social democracia. Em 1993 passa a ser ministro da fazenda e lança o plano real. Em 1994 vence as eleições pela coligação (união de partidos) do PSDB (seu partido) e PFL (partido da frente liberal). A partir de seu mandato FHC começa a “esquecer” a idéia da social democracia e tende ao neoliberalismo visto que forma uma coligação com o partido da frente liberal, que é neoliberal. FHC para manter a moeda forte e conter a inflação, abre o mercado indiscriminadamente, pois a concorrência iria conter os preços, começa um plano de privatizações, só que privilegia capital externo para a compra de nossa economia. Passa também, segundo a ideologia neoliberal, a investir menos na área social (hospitais, escolas, aposentadorias), para minimizar a atuação do estado na economia, abaixando o nível de vida da população. FHC, não consegue conter os gastos públicos e devido ao déficit público do estado, em 98/99, o Brasil enfrenta uma grande crise, com desemprego e pouco crescimento econômico. FHC não cria medidas que venham melhorar nossa economia à longo ou curto prazo. FHC não estimula o fortalecimento do nosso parque industrial, por não regulamentar a economia e dar crédito aos empresários nacionais, trazendo mais desemprego, atrasos e dependência de capital externo.

Uma das características fundamentais da social democracia é o investimento social. Ao inverso do que prega o neoliberalismo, o estado deve dar assistência para aquelas pessoas que não tem renda para pagar uma boa educação e atendimento hospitalar, além de dar suporte financeiro aos inválidos, aposentados e fornecer um seguro desemprego descente. Também é função fornecer uma renda complementar a quem não tem renda nem para a subsistência. O estado prescisa primeiro equilibrar os gastos para fornecer esses serviços. Há no brasil, uma grande vergonha na previdência dos servidores públicos, onde 3 milhões de pessoas (juízes,militares,congressitas e funcionários públicos) recebem pensão igual ao último sálario e não à média dos salários como a dos trabalhadores de iniciativa privada, onde os 3 milhões de servidores públicos recebem em média R$1.051 e os 17 milhões de aposentados privados que recebem em média R$243 por mês. Só para base de prejuízo social que isto traz, 81,5% dos gastos com a previdência são com funcionários públicos beneficiados. Esse privilégio estatal prescisa ser reformado.

PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA

PSDB – O Partido da Social Democracia Brasileira surge em 1988 de uma dissidência do PMDB durante a elaboração da Constituição de 1988 O partido ganha fama de ter excesso de cérebros, escassez de votos e ser indeciso. Tem perfil de centro-esquerda, reformista, e seu programa defende o parlamentarismo como sistema de governo. Assume posição destacada, junto com o PT, nas investigações que levam ao processo de impeachment. Itamar Franco atrai os tucanos – como são chamados seus militantes, em função do símbolo do partido – e um dos fundadores da legenda, o senador Fernando Henrique Cardoso é nomeado ministro das Relações Exteriores e, meses depois, da Fazenda. Concebe o Plano Real e torna-se o candidato de Itamar à Presidência da República. À frente da Aliança Liberal (AL), formada pelo PSDB e pelo PFL, vence as eleições. O PSDB conquista também o governo dos três Estados mais ricos da Federação (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro).

Manifesto do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB)

“Convencidos de que, a despeito dos avanços institucionais a partir do trabalho da Assembléia Nacioanal Constituinte, o povo brasileiro permanece:

frustrado, porque até hoje não foi cumprida a promessa de mudança social e econômica;
angustiado com a falta de solução para a crise econômica, que empobrece a Nação;
chocado com o espetáculo do fisiologismo político e da corrupção impune;
desiludido com o Governo que deixou de ser constituir no primeiro da Nova República, preferindo fazer-se o último da velha República;
descrente de partidos políticos que não correspondem ao voto de confiança recebido do eleitorado.
Anunciamos a fundação do Partido Democracia Brasileira (PSDB) e convocamos o povo brasileiro para prosseguir a luta pelas mudanças com energia redobrada, através da via democrática e não do populismo personalista e do autoritarismo concentrador do poder e da riqueza.

O novo partido nasce longe das benesses oficiais mas perto do pulsar das ruas, tendo como princípios e objetivos:

defender a democracia contra tentativa de retrocesso a situações autoritárias;
adotar o parlamentarismo como sistema de governo;
aprimorar o funcionamento das instituições, através dos canais de participação popular nas decisões políticas e do aperfeiçoamento constante da democracia representativa;
redefinir o País como República Federativa, objetivando a desconcentração dos poderes, descentralização administrativa e do orçamento até o nível de municipalização das ações do Governo;
implementar políticas de melhoria dos serviços públicos básicos e distribuição de renda, que conduzam à erradicação da miséria no Brasil;
apoiar as justas reivindicações dos trabalhadores, assegurada a livre negociação com sindicatos autônomos e os meios próprios de luta dos assalariados, inclusive a greve, sem interferência do Estado;
combater as desigualdades regionais, assegurando-se recursos necessários a planos que beneficiem diretamente o povo e não as oligarquias;
promover o desenvolvimento do mercado interno e a integração soberana do Brasil no sistema econômica internacional;
defender a política, tecnológica e de produção, que permita ao País modernizar a economia e a sociedade e apropriar-se dos frutos do progresso em benefício de todo o povo;
enfrentar o problema da dívida externa:
a) através da investigação de suas origens e consequências mediante auditoria;

b) através de uma estratégia compatível com a manutenção da soberania nacional;

reorientar os instrumentos de gestão da economia visando a reduzir drasticamente a inflação e suas graves consequências sociais;
reformar a administração pública para livrá-la das práticas clientelistas e assegurar eficiência às empresas e órgãos estatais;
definir, de modo democrático, as prioridades do gasto público e aprimorar os mecanismos de controle de sua aplicação pela sociedade;
efetivar a reforma agrária no contexto de um plano agrícola plurianual, que combine adequadamente os instrumentos da tributação progressiva e da desapropriação, e compatibilize critérios de equidade social e defesa do meio ambiente com o estímulo à produção de alimentos;
reformar o sistema financeiro nacional a fim de adequá-lo às necessidades de desenvolvimento da economia, mediante a reorganização das finanças públicas e a melhora da eficiência operacional das instituições financeiras públicas e privadas;
defender os recursos naturais e do meio ambiente, incluindo o espaço urbano como condição do bem-estar social, além do compromisso indeclinável com as gerações futuras;
propugnar pela implantação de uma seguridade social no seu sentido mais amplo e invador, assegurando a habitação, a saúde, a previdência social básica e complementar, com ênfase para as aposentadorias e pensões, o seguro-desemprego, a proteção à infância e aos idosos;
defender uma política permamente de proteção ao menor, compatível com o compromisso de redistribuição de renda;
lutar pelo aperfeiçoamento constante do processo eleitoral, combatendo suas deformações como- entre outras- a fraude e o abuso do poder econômico e do Estado;
lutar pela efetiva igualdade dos direitos e deveres do homem e da mulher nos campos econômico, político e social e contra todas as formas de discriminação;
promover o desenvolvimento artístico e cultural como fator direto das transformações pessoais e sociais exigidas pelo povo brasileiro e garantir a plena liberdade de expressão e a democratização do acesso aos meios culturais;
defender, exaustivamente, que, na cidadania, estão incluídas, como marcas inalienáveis, a liberdade de pensar e de falar, o direito à segurança pessoal e à defesa;
lutar pela erradicação do analfabetismo e pela universalização do atendimento escolar, inclusive aos adultos, através da defesa da escola pública gratuita, democrática e de boa qualidade e da valorização do professor, com implantação de carreira e piso salarial justo em todos os níveis; garantir a autonomia da universidade e a liberdade da pesquisa científica”
(Publicado no Diário Oficial da União — Seção I de 6 de julho de 1988, págs.12507/12508.)

AUDITORIA INTERNA 2/2

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O mesmo autor quando expõe sobre este objetivo de controle, enumera alguns meios que possibilitam sua realização:

Documentação confiável: corresponde à utilização de documentos hábil para o registros das transações;
Conciliação: indica a precisão ou diferenças existentes entre diversas fontes de informações;
Análise: É a identificação da composição analítica dos itens em exame;
Plano de contas: estabelece a classificação da empresa perante uma estrutura formal de contas.
Tempo hábil: determina o registro das transações dentro do período da competência e no menos espaço de tempo possível;
Equipamento mecânico: a utilização de equipamento mecânico visa facilitar e agilizar o registro das transações, implementando a divisão de trabalho.
A organização precisa munir-se de relatórios e sistemas que sejam confiáveis e eficientes, garantindo-lhes assim, um espelho da real situação econômica e financeira da organização.

4.1.3 – Estímulo à eficiência operacional

Neste objetivo, cabe salientar que o intuito é o de promover a eficiência operacional, provendo-se de todos os meios necessários à condução de tarefas, de forma a obter entendimento, aplicação e ação tempestiva e uniforme.

Attie (2000) reforça que os principais meios que promovem a obtenção de pessoal qualificado são:

Seleção: possibilita a obtenção de pessoal qualificado para exercer com eficiência as funções específicas;
Treinamento: possibilita a capacitação profissional para exercer a atividade proposta;
Plano de carreira: estabelece as políticas adotadas pela empresa quanto às possibilidades de remuneração e promoção, incentivando o entusiasmo e a satisfação do pessoal;
Relatório de desempenho: corresponde à identificação individual do funcionário. Apontam virtudes e deficiências, sugerindo alternativas necessárias ao aperfeiçoamento pessoal e profissional;
Relatório de horas trabalhadas: possibilita a administração mais eficiente do tempo despendido pelo pessoal e indica mudanças necessárias ou correção das metas de trabalho;
Tempos e Métodos: acompanhamento mais eficiente de execução das atividades;
Custo-padrão: permite acompanhar permanentemente o custo de produção dos bens e serviços produzidos;
Manuais Internos: possibilita práticas uniformes, normatização e eficiência dos atos que previnem a ocorrência de erros e desperdícios;
Instruções Formais: apontam formalmente as instruções a serem seguidas pelo pessoal e dessa forma evita interpretações dúbias e mal entendidos.
De nada adianta a administração munir-se de sistemas, relatórios sofisticados, se o seu material humano não estiver corretamente selecionado e treinado para trabalhar de acordo com as políticas determinadas pela empresa.

4.1.4 – Aderência às políticas existentes

Este objetivo de controle tem por finalidade assegurar que as políticas e procedimentos definidos pela administração sejam adequadamente seguidos e respeitados pelo pessoal.

Embasado nestas políticas, Attie (2000) define alguns meios mais importantes:

Supervisão: A supervisão permanente possibilita melhor rendimento do pessoal, reparando-se imediatamente possíveis desvios e duvidas em relação às tarefas executadas.
Sistema de revisão e aprovação: através de métodos de revisão e aprovação verifica-se se as políticas e procedimentos adotados estão sendo seguidos;
Auditoria Interna: permite a identificação de transações realizadas pela empresa que estejam em consonância com as políticas determinadas pela administração.
A alta administração deve trabalhar continuamente para que as políticas e procedimentos adotados sejam verdadeiramente seguidos e respeitados por todo o conjunto da administração.

4.2 – Ambiente de controle interno

Toda a responsabilidade do exercício de controle é da administração. Se a administração confia na importância do controle, as demais pessoas envolvidas serão sensíveis a essa atitude, respeitando e acatando as políticas e procedimentos estabelecidos. È a direção da empresa que estabelece o espírito e a intensidade do controle, no sentido de querer contar com uma informação útil, confiável e oportuna para a tomada de decisões.

Além da atitude da administração em relação ao exercício do controle, pode-se constatar que este ambiente consiste nas ações de acatamento das políticas definidas, na aplicação de procedimentos estabelecidos e no uso dos sistemas de informação e outros instrumentos instituídos.

Vale ainda mencionar que a amplitude e a intensidade são, na sua maioria, determinadas pelo porte da empresa. Uma empresa de pequeno porte não necessita de muitos recursos para instalar um eficiente sistema de controle interno. Muitas vezes, basta um bom contador, um sistema contábil simples, mas eficiente, e um certo controle sobre determinadas operações e ativos. Em médias e grandes empresas o enfoque se altera, necessitando a instalação de recursos mais sofisticados, que abranjam todas as operações da empresa.

Como já mencionado anteriormente, o fator fundamental para garantir a eficácia do controle interno é formado pelo enfoque dado ao controle pela administração e da organização e estrutura da empresa.

Em relação a esses dois fatores, é válido mencionar alguns elementos que os compõem , segundo Franco (1995):

1- Enfoque dado ao controle pela administração:

a. Filosofia de administração e estilo operacional – a ética e a honestidade são estimulantes, quando a administração age dessa forma, instigando seus colaboradores a esse comportamento. A administração demonstra apreço ou desprezo pelo controle na medida em que assume riscos elevados ou tem aversão a estes;

b. Formas de delegação de autoridade – a delegação de autoridade deve ser formalmente estabelecida consideradando as relações de hierarquia, a especialização e a cultura existente na empresa. Para evitar conflitos internos, é fundamental que esta delegação esteja formalmente apresentada em manuais ou documentos específicos para este fim. Nas empresas menores, a proximidade do proprietário com as transações contribui para dirimir conflitos dessa natureza;

c. Formas de controle de gestão – é a forma pela qual a administração avalia se as ações e procedimentos ocorreram de acordo com o estabelecido. Essas formas reforçam a eficácia do controle interno de duas maneiras: reafirmando a importância do controle e observando o apontamento de erros que porventura ocorram;

d. Utilização de auditoria interna e/ou externa – a instalação de auditoria para a investigação do ciclo de execução das transações, seus registros, avaliação dos métodos, processos, sistemas e emissão de um parecer sobre suas demonstrações financeiras, acabam por fortalecer as operações da empresa, monitorando a eficiência das políticas e dos procedimentos estabelecidos. A auditoria interna é de grande valia para as organizações, pois se for bem treinada, ela contribui para a redução dos custos com auditoria externa, ao executar alguns dos trabalhos que esta executa;

2- Organização e estrutura da empresa

a. Estrutura organizacional – aqui se define a autoridade a ser delegada às pessoas responsáveis pela gestão da empresa, que deve ser adequada ao planejamento, à execução e ao controle das transações. A delegação de autoridade deve ser clara e conhecida pelos envolvidos;

b. Metodologia de desenvolvimento/aquisição de sistemas – há duas possibilidades de se operacionalizar políticas e procedimentos por meio de sistemas operacionais e de informação. As organizações podem optar por adquirir pacotes no mercado ou desenvolver seus próprios instrumentos. Qualquer que seja a opção selecionada, a empresa deve considerar suas reais necessidades, a adequação ao seu porte, volume de operações, perspectiva de crescimento de suas atividades e avaliar a relação custo/benefício, além dos aspectos de segurança inerentes ao uso de recursos de informática;

c. Políticas e práticas de relações de pessoal – as políticas e práticas de recursos humanos adotadas pela empresa, influenciam a eficácia do sistema de controle interno. A formalização de um sistema deve ser estabelecida independentemente da qualificação da força de trabalho. Colaboradores competentes, treinados e de reconhecida experiência profissional tendem a desenvolver seu trabalho em alto nível, mesmo em ambientes com poucos instrumentos de controle formalmente estabelecidos. Todavia, pessoas pouco competentes, destreinadas e com limitada experiência profissional, propendem a realizar um trabalho de baixa qualidade, mesmo estando inseridos em ambientes com diversidade de instrumentos de controle.

4.3 – O Sistema de controle interno

O sistema de controle interno de uma empresa é a combinação de políticas, procedimentos, sistemas operacionais, de informação e outros instrumentos mantidos pela administração.

No momento em que se desenvolve um sistema de controle interno, as empresas devem objetivar que este apresente as características a seguir relacionadas, de acordo com os autores consultados:

a. Confiabilidade – propiciar a obtenção de informações corretas para executar suas operações. As informações estão diretamente ligadas às decisões que a administração deseja tomar;

b. Tempestividade – as informações devem ser atuais e exatas, pois são imprescindíveis no momento da tomada de decisões;

c. Salvaguarda de Ativos – os ativos de uma organização representam a aplicação de seus recursos Dessa forma, compreende-se que devem ser protegidos de qualquer ato que venha prejudicá-los. Compreende-se ativos, como físicos (estoques, imobilizado), e não físicos (contas e receber, direitos);

d. Otimização no Uso de Recursos – tanto quanto possível, a duplicação de esforços na execução das atividades e o desencorajamento do uso ineficiente dos recursos da empresa;

e. Prevenção e Detecção de Roubos e Fraudes – não é aceitável na atividade empresarial, tampouco em outras atividades, a ocorrência de roubos, fraudes e outras ações da natureza escusa.

Cada empresa é única e portanto possui características próprias e particulares, de forma que não há um modelo “pré-fabricado” adaptável às suas peculiaridades e necessidades. Entretanto, pode ser definida uma estrutura básica para implementação de um sistema de controle interno, observando os seguintes aspectos fundamentais:

a. um organograma que estabeleça as relações organizacionais e entre às áreas componentes de uma organização. O organograma contribui para definir linhas de segregação funcional e segregação das atividades;

b. a elaboração de manuais de normas e procedimentos, com um sistema de autorizações e linhas de autoridade claramente definidos, contendo também o estabelecimento de práticas operacionais e rotinas;

c. uma estrutura contábil adequada, incluindo técnicas orçamentárias, de contabilidade de custos, de acompanhamento e execução fiscal, um plano de contas comentado e os fluxos contábeis; e

d. qualificação dos colaboradores compatível com as rotinas e práticas operacionais, cargos e atribuições a estes vinculados, e adequadamente treinados.

4.4 – Responsabilidade da administração

A administração da empresa é responsável pela implementação do sistema de controle interno, além de verificar a sua eficiência e eficácia através dos funcionários, adaptando-o às novas circunstancias.

Crepaldi (2000, p. 212) salienta a importância da administração na manutenção dos controles internos informando que :

Não adianta a empresa implantar um excelente sistema de controle interno sem que alguém verifique periodicamente se os funcionários estão cumprindo o que foi determinado no sistema, ou se o sistema não deveria ser adaptado às novas circunstancias.

O autor deixa claro sobre a importância da administração referente à manutenção dos controles internos, sendo a mesma responsável pelo planejamento, instalação e supervisão de todo o sistema adotado na empresa.

Para a entidade implementar um bom sistema de controle interno, a mesma não pode limitar-se à elaboração de manuais e procedimentos. Na realidade, a alma de um bom sistema é a qualidade e a segurança nas informações geradas. Dessa forma, pode-se identificar os principais motivos para sua adoção:

São eles:

1 – proteger os bens e direitos da entidade;

2 – estimular a obediência às normas internas da organização;

3 – motivar os empregados à eficiência operacional;

4 – otimizar a qualidade do fluxo de informações;

4.5 – Controle interno satisfatório

Um sistema de controle interno, bem concebido e aplicado com eficiência oferece razoável segurança para que erros serão evitados, ou prontamente descobertos no curso normal das operações rotineiras, de forma a serem corrigidos imediatamente. Sendo assim, quando o auditor entende que o sistema de controle interno está realmente funcionando, ele possui a comprovação de que as informações fornecidas por esse sistema merecem confiança.

Sabe-se, porém, que muitas empresas projetam esmerados sistemas de controle, contemplando-os em manuais de procedimentos contábeis, embora realmente nunca tenham sido postos em prática. Dessa forma, colaboradores acabam por achar mais conveniente tomar atalhos ou, por outros meios, contornar a “burocracia” representada pelos controles estabelecidos pela administração. Cabe ao auditor ter a sensibilidade de perceber e avaliar se estes controles estão realmente sendo postos em uso ou se estão apenas descritos em manuais.

Ainda em relação a um satisfatório sistema de controle, é de grande valia o pensamento de Attie (1992, p. 231):

[…] As peças soltas por si sós nada representam, porém o conjunto afinado entre si fornece a força necessária para que o carro ande, e basta que uma das peças se quebre ou deteriore para que todo o conjunto se torne inerte e inoperante. O controle interno funciona da mesma forma, pois o conjunto das operações, autorizações, registros etc. é que permite que a operação ou sistema caminhe, e basta que um dos itens não funcione adequadamente para que todo o sistema emperre.

Assim é possível entender que o controle interno é um enumerado de práticas e procedimentos que em conjunto formam o grande sistema de controle interno. Sendo que, se não operarem em harmonia , o sistema falhará e não atingirá seus objetivos.

CAPÍTULO 5 – CONTROLE INTERNO X FRAUDE

Um bom sistema de controle interno não constitui garantia absoluta contra a ocorrência de fraudes e irregularidade. Eles apenas inibem as suas possibilidades. A auditoria tem uma importância fundamental para o sucesso dessas medidas e pode contribuir significativamente para a implantação de um bom sistema de controle interno, não evidenciando fraudes e identificando os atos já consumados, mas, principalmente, evitando condições ambientais favoráveis para a pratica desses delitos. Uma auditoria regular ou permanente é um inibidor da ação de fraudadores.

Um conhecido ditado popular diz: “a ocasião faz o ladrão”. Este ditado enguadra-se de maneira eficiente a este estudo, já que na inexistência de controles internos, a ocorrência de fraudes e erros torna-se inevitável.

Porém tem-se que, por mais eficiente e eficaz que seja o controle interno, certamente ele será impotente para identificar e inibir a ocorrência de desvios fraudulentos, ou seja, os desvios planejados , entendendo-se que a mentalidade do “homem” é muito complexa e criativa ao ponto de produzir sistemas inibidores aos prováveis desvios intencionais de conduta, ou seja, burlando os já existentes.

Crepaldi (2000, p. 217) salienta que:

As causas que originam a ocorrência de fraudes e dão margem à desconfiança quanto a validade dos dados contábeis podem ser relacionadas com a ausência de qualquer controle, normas de controles falhas e ineficientes, e normas de controles boas e eficientes, porém mal executadas na prática.

O autor evidencia que os controles internos uma vez implementados, a administração deve mantê-los sempre atualizados, a fim de identificar imediatamente a ocorrência de fraudes.

Attie (2000, p. 127) faz menção a este fato, quando deixa registrado:

Em geral, o sistema de controle interno deve permitir detectar todas as irregularidades. Um bom sistema de controle interno oferece maiores possibilidades de pronta identificação de fraudes em qualquer que seja a sua modalidade à identificação. Entretanto, o acordo entre dois ou mais integrantes da organização pode fazer deteriorar e cair por terra o melhor sistema de controle interno.

Novamente, salienta-se a importância da revisão periódica dos sistemas de controle interno, para que os mesmos estejam sempre atualizados e adequados às necessidades da organização.

A prevenção deve ser uma preocupação constante, devendo começar a partir da contratação do quadro de funcionários adequados. Os cuidados devem abranger as mais diversas áreas da organização, seja através da segurança física do ambiente computacional, mantendo sempre um bom sistema de backups de arquivos, restringindo o acesso a determinados dados através de senhas pessoais, definições de níveis de acesso para possíveis fraudadores internos ou externos.

Segundo Sá (1996, p. 221) a fraude é: “Uma ação premeditada que visa ao proveito de alguma forma para si ou terceiros”.

A fraude refere-se a ato intencional de omissão ou manipulação de transações e adulterações de documentos. O termo erro refere-se a ato não intencional na elaboração de registros e relatórios contábeis.

Existem muitas pressões internas e externas que aumentam a probabilidade de ocorrência de fraudes. Desentendimento de acionistas e administração; O capital de giro insuficiente devido à má distribuição de lucros ou expansão muito rápida; Dependência da entidade de poucos produtos, cliente ou fornecedores, são fatores que propiciam a ocorrência de fraudes.

Ainda citando ele define: “As fraudes são praticadas quase sempre por pessoas que possuem autoridade, sobretudo quando acumula funções”.

Quando implica volumes, transações maiores, a fraude geralmente ocorre mediante formação de conluio, sendo dessa forma mais difícil a sua detecção. Dessa forma, a fraude assume múltiplas modalidades. Podem ser não encobertas, geralmente quando o controle interno é muito fraco e o autor não considera necessário mascarar; As encobertas temporariamente, que são feitas sem alterar os registros contábeis; As encobertas permanentemente, nesse caso existe um bom sistema de controle interno e o autor preocupa-se em alterar as informações contidas nos registros e nos arquivos para ocultar as irregularidades

As Normas Brasileiras de Contabilidade definem o conceito de fraude e erro, conforme transcrito:

O termo fraude refere-se a ato intencional de omissão ou manipulação de transações, adulterações de documentos, registros e demonstrações contábeis. A fraude pode ser caracterizada por:

a. manipulação, falsificação ou alteração de registros ou documentos, de modo a modificar os registros de ativos, passivos e resultados;

b. apropriação indébita de ativos;

c. supressão ou omissão de transações nos registros contábeis;

d. registro de transações sem comprovação; e

e. aplicação de práticas contábeis indevidas.

O termo erro refere-se a ato não-intencional na elaboração de registros e demonstrações contábeis, que resulte em incorreções deles, consistente em:

a. erros aritméticos na escrituração contábil ou nas demonstrações contábeis;

b. aplicação incorreta das normas contábeis; e

c. interpretação errada das variações patrimoniais.

De forma mais simplória, pode-se definir erro como irregularidades involuntárias nos procedimentos ou nas demonstrações contábeis. Tais ocorrências são, normalmente, oriundas de despreparo do executor e desconhecimento dos Princípios Fundamentais de Contabilidade. Em relação ao termo fraude, pode-se defini-lo como irregularidades voluntárias ou desvios intencionais praticados por pessoas, com o intuito de favorecimento próprio ou de outrem, contra os interesses da organização que lesam.

Em geral, um bom sistema de controle interno deve permitir detectar todas as irregularidades. Entretanto, o conluio de dois ou mais integrantes da organização pode fazer deteriorar e cair o mais eficiente do sistema de controle interno.

CONCLUSÂO

Por controles internos, entende-se que são todos os instrumentos da organização destinados à vigilância, fiscalização e verificação administrativa, que permitem prever, observar e governar os acontecimentos que se verificam dentro da empresa e que refletem em seu patrimônio.

Diante dos estudos realizados em diversas obras referentes à importância dos controles internos nas organizações, conclui-se que a atividade de auditoria tem fundamental importância para a obtenção de controles internos funcionais, colaborando diretamente com a administração para o bom desempenho dos controles e oferecendo maior segurança para a entidade.

Os auditores, para exercerem suas atividades, estão ancorados por normas e princípios que regulamentam sua profissão. No desenvolvimento habitual de suas atividades, o auditor deve ter o conhecimento abrangente sobre diversos assuntos, mantendo-se sempre atualizado e com a conduta ética inquestionável.

Geralmente, confunde-se controle interno como sinônimo de auditoria, porém é uma idéia equivocada. A auditoria eqüivale a um trabalho organizado de revisão e apuração dos controles internos, normalmente executados por departamentos específicos, enquanto que o controle interno, refere-se a procedimento adotados pela organização de maneira permanente.

A administração tem a responsabilidade de organizar, dirigir, controlar e implementar os controles internos da empresa. Uma vez adotado, tem que mantê-lo sob permanente vigilância e avaliação, pois as falhas do seu funcionamento trazem reflexos inevitáveis nos resultados da entidade.

Se a administração confia na importância dos controles adotados, a sua equipe estará apoiando os procedimentos estabelecidos, e tendo menos resistência a sua adoção.

Os objetivos descritos nesta pesquisa foram alcançados e demonstrados principalmente no capítulo onde foi abordado, a Precisão e Confiabilidade dos Controles Internos, demonstrando através dos estudos realizados que controles internos eficientes propicia o desenvolvimento da organização de forma confiável, salvaguardando o patrimônio da entidade, atuando como inibidor de fraudes e erros que implica segurança econômica-financeira da organização, gerando informações tempestivas e auxiliando os gestores na sua administração.

Dessa forma, essa pesquisa foi de grande valia para as entidades, pois fica evidente que os sistemas de Controles Internos é imprescindível nas organizações, pois é através desses sistemas que a entidade irá garantir que suas informações são verídicas, obtendo respaldo em todos os suas informações geradas.

A empresa que possui controle interno deficiente, coloca em risco o patrimônio da entidade, além de gerar relatórios inconsistentes, podendo levar os gestores a tomarem decisões errôneas.

Esta disposição para o confronto parece-nos essencial para contribuir na construção de um saber cientifico apurado, que busque aprimorar cada vez mais a solidificação de um trabalho.

Sugere-se que as empresas valorizem cada vez mais os controles internos adotados, pois a sua adoção contribui para o crescimento ordenado da organização, evidenciando irregularidades na entidade, favorecendo uma gestão com bases sólidas através da segurança oferecida por sua adoção.

Apesar de aparentemente simples, o tema controle interno envolve um conteúdo teórico bastante extenso, por vezes complexo, exigindo longos e dedicados estudos para sua apreensão.

Por este motivo, esta pesquisa não teve a pretensão de abordar exaustivamente todo conteúdo teórico, mas, sim, resgatar alguns aspectos relevantes para auxiliar os interessados na compreensão desse objeto.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Auditoria. Um curso moderno e completo. 4 ed. São Paulo: Atlas, 1996.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: apresentação de citações em documentos. Rio de Janeiro. 2002.

______. NBR 14724: informação e documentação – trabalhos acadêmicos – apresentação. Rio de Janeiro. 2002.

______. NBR 6023: informação e documentação – referência – elaboração. Rio de Janeiro. 2002.

______. NBR 6024: numeração progressiva das seções de um documento – procedimento. Rio de Janeiro. 1989.

______. NBR 6027: Sumário – procedimento. Rio de Janeiro. 1989.

______. NBR 6028: Resumo – Procedimento. Rio de Janeiro. 1990.

ATTIE, Willian. Auditoria: Conceitos e Aplicações. 3 ed. São Paulo: Atlas, 1998.

______. Conceitos e Aplicações. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2000

______. Auditoria Interna. São Paulo: Atlas, 1986.

COLELLA, Vitor. Auditoria: Controle Interno e Estoques. São Paulo: Saraiva, 1984.

CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO. Curso Básico de Auditoria 1: normas e procedimentos. 2 ed. São Paulo: Atlas, 1992.

CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil: Teoria e Prática. 6 ed. São Paulo:Atlas, 2002.

FRANCO, Hilário; MARRA, Ernesto. Auditoria Contábil. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2001.

MOTTA, João Mauricio. Auditoria: Princípios e Técnicas. 2 ed. São Paulo: Atlas, 1992.

REGINALDO, de Souza Gonçalves. Contabilidade Controlada Auditoria: A Fraude e o desperdício. Rio de Janeiro: Forense, ( ano).

SANTOS, Luiz Carlos dos. Apontamentos de sala de aula sobre projeto de pesquisa. Salvador: FVC/FACIC, 2004.

AUDITORIA INTERNA 1/2

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Auditoria Interna

INTRODUÇÃO

No Brasil somente agora, começa a se dar a devida importância à Auditoria Interna, visto que nas organizações, os auditores desempenham funções mais amplas de força atuante, obtendo controles internos funcionais, desenvolvendo uma atividade bastante dinâmica, que está em permanente mutação, no sentido de padronizar e estabelecer os procedimentos, fortalecendo o sistema de auditoria, colaborando com a administração para o melhor desempenho geral e, como conseqüência, oferecer maior segurança para os investidores em todos os setores da entidade.

Para que o auditor execute suas funções de maneira clara e eficiente, existem as Normas e Procedimentos de Auditoria, que são estabelecidas pelos órgãos reguladores da profissão contábil. Estes estabelecem conceitos básicos sobre as exigências em relação à pessoa do auditor, à execução de seu trabalho e ao parecer que deverá ser por ele emitido.

O Auditor é o profissional responsável para averiguar a funcionalidade dos controles internos da organização. Atualmente, é praticamente desconhecida uma acepção clara de controle interno. Um Controle Interno adequado é aquele estruturado pela administração e que possa propiciar uma razoável margem de garantia que os objetivos e metas serão atingidos de maneira eficaz, eficiente e com a necessária economicidade, evitando que haja desperdícios, fraudes, erros involuntários que resultam na perda do patrimônio.

A partir das colocações até aqui esboçadas, apresenta-se a problemática desta pesquisa com o seguinte enunciado: Como é possível tomar decisões adequadas utilizando-se de informações que correm o risco de não serem confiáveis?

O Controle Interno é de fundamental importância, o que fica patente através do momento em que se torna possível conceber uma empresa que não disponha de controles que possam garantir a continuidade do fluxo de operação e informações propostos.

A Confiabilidade dos resultados gerados por esse fluxo que transforma simples dados em informações a partir das quais os empresários, utilizando-se de sua experiência administrativa, tornam-se decisões com vistas no objetivo comum da empresa, assumindo vital importância.

Para elucidação do problema, apresenta-se, a seguir, a hipótese dessa pesquisa: para que as decisões gerenciais possam ser tomadas de forma a favorecer o crescimento da empresa, é necessário que as informações geradas, através de dois controles internos, sejam precisas, permitindo uma razoável margem de confiabilidade, para a correta tomada de decisão por parte dos gestores.

Têm-se como justificativa pessoal desta investigação, os estudos realizados na disciplina Auditoria Governamental em que se teve noção da importância da pratica de controle interno e da deficiência destes na organização.

Quanto à justificativa social do estudo, considera-se de capital importância porque visa demonstrar as fragilidades existentes no controle interno, com intuito de provocar reflexões objetivando seu aprimoramento.

Um Sistema de Controle Interno inadequado resulta, obviamente, na possibilidade de diversas irregularidades que permitem a ocorrência de anomalias, fraudes e atos de dolo contra a empresa.

Para que o Controle Interno funcione corretamente, não depende apenas do planejamento efetivo da empresa e da eficiência dos procedimentos e práticas instituídas, mas também da competência de todo o pessoal envolvido para levar adiante, de forma eficiente e econômica, os procedimentos prescritos.

Em geral, o sistema de controle interno deve propiciar e detectar todas as irregularidades. Um bom sistema de controle interno oferece maiores possibilidades de pronta identificação de fraudes em qualquer que seja sua modalidade, além de fornecer relatórios contábeis, financeiros e operacionais eficientes para tomada de decisões pelos administradores.

O objetivo geral deste trabalho é demonstrar a importância do controle interno nas organizações. Enquanto objetivo especifico, o estudo pretende:

Verificar a funcionalidade da empresa apontando as possíveis falhas;
Identificar a confiabilidade do Controle Interno nas empresas, a partir das quais os empresários tomarão suas decisões;
Diagnosticar o controle interno existente na organização.
Para desenvolvimentos do trabalho, adotou-se o estudo descritivo, utilizando-se o método dedutivo, que parte das generalidades para se chegar às premissas menores. Quanto à abordagem, optou-se por uma analise teórica, ancorada nos seguintes procedimentos: – Pesquisa Bibliográfica a partir da revisão de literatura sob a temática abrangendo enciclopédias, coleções, livros, artigos, revistas, jornais e meios eletrônicos, enquanto a pesquisa documental valeu-se de informações colhidas de artigos públicos e privados.

A organização capitular do estudo do trabalho apresenta a seguinte síntese:

O primeiro capitulo faz uma abordagem teórica sobre a Auditoria Interna, desde sua evolução até a sua importância nas organizações.
As Normas Usuais de Auditoria são objeto de estudo do segundo capitulo.
O terceiro capitulo aborda controle interno no âmbito geral.
A Responsabilidade e confiabilidade dos Controles Internos constituem-se aspectos do quarto capítulo.
O quinto capitulo trata das ocorrências de anomalias, fraudes e atos de dolo contra a empresa.
Finalmente, encerra-se o trabalho resgatando-se aspectos relevantes do texto monográfico, explicitando o alcance dos objetivos traçados na inicial e expondo o posicionamento reflexivo das autoras sobre a temática ao tempo em que se apresentam recomendações.

CAPÍTULO 1 – AUDITORIA INTERNA

1.1 – Evolução da auditoria no Brasil

Uma das causas do surgimento da auditoria, foi a forma de confirmação dos registros contábeis, pois, com o aparecimento de grandes empresas, começou a ter uma grande importância do imposto de renda, que era baseado nos balanços. Com isso seu aperfeiçoamento foi surgindo com o crescimento da economia e com grandes empresas que utilizavam o capital de várias pessoas, e para isso necessitava da confirmação dos registros contábeis para poder ter um auto controle de todo o patrimônio auditado.

A auditoria surgiu na Inglaterra, que era a grande possuidora das grandes companhias, grandes empresas, e foi lá também que foi implantada a taxação de imposto de renda, baseada nos lucros da empresa.

Esta atividade já era praticada na Inglaterra desde 1314 conforme a enciclopédia britânica, mas ela só foi realmente reconhecida no século XIX, quando começou a surgir as primeiras associações de contadores públicos, profissionais que começaram a exercer a função de auditor. Então surgiu no país a 1a associação de contadores públicos, como também apareceram nos Estados Unidos e Holanda. Foram esses contadores que começaram a fazer auditoria e que, com o crescimento rápido em todo o mundo, começaram a abrir filiais nos países importadores de capital não só para poderem ter um controle do que acontecia em suas organizações, como também para poder fiscalizar todos os acontecimentos e fatos que ocorriam no empreendimento.

1.2 – Importância da auditoria

Pode-se conceituar auditoria interna como um controle gerencial que funciona por meio de medição e avaliação da eficiência e eficácia de outros controles. Também deve ser entendida como uma atividade de assessoramento à administração quanto ao desempenho das atribuições definidas para cada área da empresa, mediante as diretrizes políticas e objetivos por ela determinados.

De acordo com os auditores consultados, a auditoria interna cumpre um papel fundamental na empresa: subsidia o administrador com dados e informações tecnicamente elaborados, relativos às atividades para cujo acompanhamento e supervisão este não tem condições de realizar, e ela o faz mediante o exame da:

adequação e eficácia dos controles;
integridade e confiabilidade das informações e registros;
integridade e confiabilidade dos sistemas estabelecidos para assegurar a observância das políticas, metas, planos, procedimentos, leis, normas e regulamentos e da sua efetiva aplicação pela empresa;
eficiência, eficácia e economicidade do desempenho e da utilização dos recursos; dos procedimentos e métodos para salvaguarda dos ativos e a comprovação de sua existência, assim como a exatidão dos ativos e passivos; e
compatibilidade das operações e programas com os objetivos, planos e meios de execução estabelecidos.
Como a Auditoria leva em consideração o controle interno das companhias auditadas, e assume cada vez mais um papel de assessoria, uma definição mais abrangente seria segundo Crepaldi (2000, p. 27) a seguinte:

A Auditoria compreende o exame de documentos, livros e registros, inspeções e obtenção de informações e confirmações, internas e externas, relacionados com o controle do patrimônio, objetivando mensurar a exatidão desses registros e das demonstrações contábeis deles decorrentes.

A Auditoria Interna fornece análises, apreciações, recomendações, sugestões e informações, relativas às atividades examinadas, incluindo a promoção do controle eficaz a custo razoável. O auditor interno deve revelar as fraquezas, determinar as causas, avaliar as conseqüências e encontrar uma solução de modo a convencer os responsáveis a agir.

Os auditores internos podem estar numa situação única para ajudar as suas empresas a eliminar desperdícios, simplificar tarefas e reduzir custos. Além dos tradicionais objetivos empresariais de otimização de lucros e de resposta às necessidades dos mercados em que se inserem, num mundo em constante mutação, as empresas deparam-se com novas situações, que conduzem a uma forte motivação, relativamente a preocupações com a eficácia e eficiência dos recursos. Atualmente, a Auditoria Interna constitui uma função de apoio à gestão. A Auditoria Interna, além de importante, tornou-se imprescindível no mundo empresarial atual.

1.3 – Objetivos da auditoria

O Objetivo do exame das demonstrações financeiras é expressar uma opinião sobre a propriedade das mesmas e assegurar que elas representem adequadamente a posição patrimonial e financeira, o resultado de suas operações e as origens e aplicações de recursos correspondentes aos períodos em exame, de acordo com os princípios fundamentais de contabilidade, aplicados com uniformidade durante os períodos.

1.4 – Relação da auditoria com os controles internos

O sistema de controles internos constitui a base sobre a qual a auditoria fundamenta seu trabalho. Dessa forma, dificilmente o auditor obterá evidências suficientes para emissão de um parecer, sobre as demonstrações contábeis dissociadas da utilização do sistema de controles internos da empresa auditada.

Tal é a influência do controle interno sobre o trabalho da auditoria, ao ponto em que as “Normas de Auditoria” determinam que o estudo e avaliação do sistema de controles da companhia sob exame é tarefa obrigatória do auditor. Logo, essa avaliação é contemplada como parte da execução do seu trabalho.

Sabe-se que o sistema de controles internos da empresa auditada tem íntima relação com o parecer de auditoria. Isso é facilmente percebido, bastando lembrar que o auditor só reunirá condições de determinar a oportunidade, extensão e profundidade dos procedimentos de auditoria, que deverão ser aplicados com vistas à colher evidências necessárias à emissão do seu parecer, após cuidadoso estudo e avaliação da sistemática e funcionamento dos controles da companhia auditada.

Enorme é a importância do estudo e avaliação do controle interno por parte do auditor, porque do grau de confiança nele depositado dependerá todo enfoque dos trabalhos a serem desenvolvidos, especialmente quanto à amplitude e natureza dos testes.

Conforme o exposto, baseado no resultado do estudo dos controles internos da empresa sob exame, o auditor determinará a amplitude dos testes. Assim sendo, se os controles internos forem considerados satisfatórios, aplicar-se-ão procedimentos de auditoria em menor extensão e em data não muito próxima do encerramento do exercício.

Por outro lado, se os controles internos forem considerados deficientes, o auditor deve aprofundar os procedimentos de auditoria julgados necessários, a fim de obter evidências suficientes para fundamentar seu trabalho.

CAPÍTULO 2 – NORMAS DE AUDITORIA

2.1 – Considerações iniciais

No Brasil, as primeiras normas de auditoria foram compiladas em 1972, com base na experiência de outros países mais adiantados. Esse trabalho foi elaborado pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil, hoje IBRACON (Instituto Brasileiro de Contadores) e as normas foram oficializadas pelo Conselho Federal de Contabilidade, por meio da resolução 321/72, e confirmadas pela resolução 220 de 15/05/1972, do Banco Central do Brasil

Convencionou-se chamar o conjunto de princípios e preceitos mínimos que norteiam os serviços de “Normas de Auditoria”.

Segundo Attie, (1998, p. 55):

As normas de auditoria diferem dos procedimentos de auditoria, uma vez que eles se relacionam com ações a serem praticadas, conquanto as normas tratam das medidas de qualidade na execução destas ações e dos objetivos a serem alcançados através dos procedimentos. As normas dizem respeito não apenas às qualidades profissionais do auditor, mas também a sua avaliação pessoal pelo exame efetuado e do relatório emitido.

O autor deixa claro, diante desse conceito, que as normas servem para controlar a qualidade do exame e do relatório emitido pelos auditores, enquanto os procedimentos de auditoria descrevem as tarefas realmente cumpridas pelo auditor na realização do seu trabalho.

Segue abaixo algumas das finalidades da Auditoria segundo o Instituto dos Auditores Internos do Brasil (1998):

orientar para os auditores internos no exercício de suas funções e responsabilidades;
padronizar e esclarecer a nomenclatura utilizada na auditoria, nas suas diversas áreas de atuação, modalidades e enfoques técnicos;
servir de ferramenta de ensino, aperfeiçoamento e treinamento do auditor;
levar ao conhecimento da administração o papel, a responsabilidade, forma de atuação. Âmbito, atribuições e capacidade do auditor interno.
Por normas de auditoria, entendemos que são regras estabelecidas pelos órgãos reguladores da profissão contábil, em todos os países, com objetivo de regulação e diretrizes as serem seguidas por esses profissionais no exercício de suas funções.

2.2 – Da pessoa do auditor

De acordo com as normas de auditoria, são consideradas como os principais pontos referente à pessoa do auditor: Independência, Soberania e Objetividade.

2.2.1 – Independência

O auditor, no exercício da atividade de auditoria, deve manter uma atitude de independência que assegure a imparcialidade de seu julgamento, nas fases de planejamento, execução e emissão de seu certificado, bem assim nos demais aspectos relacionados com a atividade profissional.

De acordo com Crepaldi (2000), constituem motivos de impedimentos para execução de trabalhos de auditoria nas empresas ou pessoas, situações em que o auditor tenha, ou tenha tido, durante o período a que se refere o exame:

parentesco consangüíneo diretamente, sem limite de grau, colateral até o terceiro grau, ou parentesco por afinidade até o segundo grau, com as pessoas, ou em se tratando de empresa, com seus diretores, sócios principais ou proprietários, administradores, empregados que tenham relacionamento direta em sua administração, negócios ou com os responsáveis pela contabilidade
relação de trabalho com empregado, administrador ou colaborador assalariado, mesmo que esta relação seja indireta, por meio de empresas coligadas, afiliadas ou subsidiárias;
interesse financeiro direto na entidade, imediato ou mediato, ou substancial interesse financeiro direto;
incompatibilidade de função ou cargo com o profissional de auditoria.
2.2.2 – Soberania

Na execução do seu trabalho, o auditor deverá possuir o domínio do julgamento profissional, pautando-se exclusiva e livremente a seu critério, no planejamento dos seus exames, na seleção e aplicação de procedimentos técnicos e testes de auditoria, na definição de suas conclusões e na elaboração de seus relatórios e certificados.

2.2.3 – Objetividade

Na exercício de suas atividades, o auditor apoiar-se-á em fatos e evidências que permitam o convencimento razoável da realidade ou veracidade dos fatos, documentos ou situações examinadas, permitindo a emissão de opinião em bases consistentes.

A objetividade profissional do auditor é sua capacidade de percepção, análise e síntese dos fatos da vida organizacional por ele examinados, de maneira isenta de pressões e comprometimentos de caráter hierárquico ou funcional.

Isso requer a manutenção de uma posição neutra e imparcial, sob todos os aspectos, em relação a pessoas e fatos e, por conseqüência, a manutenção da sua capacidade de extrair conclusões baseadas em dados factuais e numéricos por ele examinados .

Essas conclusões serão sempre expressas de maneira profissional nos seus relatórios periódicos à administração.

2.3 – Da competência profissional do auditor

De acordo com o Instituto dos Auditores Internos do Brasil (1992, p.25):

É responsabilidade do órgão de Auditoria e do auditor, individualmente, demonstrar competência profissional. O órgão deve designar para executar o trabalho auditores que possuam, em conjunto, a experiência e os conhecimentos técnicos necessários para desincumbir-se das tarefas com eficiência.

Conforme a citação, é de responsabilidade do órgão regulamentador dos profissionais de auditoria, selecionar auditores qualificados alinhando experiência e conhecimentos técnicos para desenvolver determinada atividade. Com essas qualidades, o auditor irá desempenhar suas atividades de maneira eficaz e eficiente.

A atividade de auditoria requer conhecimentos específicos voltados às técnicas, aos procedimentos de auditoria e à metodologia de trabalho para aplicação de testes amostrais e discernimento quantitativo e qualitativo que comprovem julgamento do trabalho realizado.

2.3.1 – Conhecimento técnico

Face à complexidade e magnitude dos objetivos da administração, o auditor necessita possuir conhecimentos técnicos das diversas áreas relacionadas com as atividades auditadas, de tal forma que o permita comprovar a legalidade e legitimidade dos atos de gestão e avaliar a economicidade, eficiência e eficácia alcançadas no desempenho dos objetivos da entidade sob exame.

2.3.2 – Capacidade profissional

A capacidade profissional é adquirida pala aplicação prática dos conhecimentos técnicos. O somatório de experiências obtidas entre diversas situações contribuem para o amadurecimento do julgamento profissional, possibilitando o discernimento entre situações gerais e particulares.

2.3.3 – Atualização dos conhecimentos técnicos

O auditor deve manter sua competência técnica, atualizando-se quanto ao avanço de normas, procedimentos e técnica aplicáveis à auditoria.

2.3.4 – Conhecimento de processamento eletrônico de dados

O uso de Processamento Eletrônico de Dados- PED modifica a forma de processamento e armazenamento de informações, afetando a organização e os procedimentos adotados pela entidade na consecução de adequados controles internos. Pela evolução que tem ocorrido, passaram a ser peça fundamental, para o auditor, seus conhecimentos e a aplicação dos processamentos de dados.

Conforme Attie, (1998, p. 63):

O conhecimento e o aprendizado tecnico do auditor devem-se realizar no ambiente proprio que considere a adequação dos sistemas computadorizados quanto: aos controles de acesso e aletração de sistemas; ao processamento e à guarda de todas as informações; e à consistência das informações geradas por esses sistemas computadorizados que se refltem nas demonstrações financeiras, determinando que são confiáveis, obtidas com criterios e representativos das operações e transações imputados.

O uso de técnicas de auditoria que demandem o emprego de recursos de PED requer que o auditor as domine completamente, de forma a implementar os próprios procedimentos, avaliar, ou, se for o caso, supervisionar e revisar os trabalhos de especialistas.

2.3.5 – Supervisão dos trabalhos de auditoria

Todo trabalho de auditoria, desde seu planejamento até a emissão do certificado e o conseqüente acompanhamento dos resultados, deve ser supervisionado. A supervisão é um processo continuo, iniciado na fase de planejamento e findo com a conclusão dos exames de auditoria.

2.3.6 – Responsabilidade de quem dirige a função

O titular do órgão de auditoria do sistema de controle interno não pode supervisionar, pessoalmente, todas as atividades que envolvem a execução das auditorias. Logo, é indispensável que delegue parte dessas tarefas a supervisores, devendo para isso, estabelecer mecanismos e procedimentos adequados para avaliar a atuação destes supervisores, assegurando-se de que estes possuam conhecimentos técnicos e capacidade profissional suficientes ao adequado cumprimento das atribuições que lhes são conferidas.

2.3.7 – Normas de Conduta – Código de Ética

O exercício da auditoria interna está sujeito a princípios de ética profissional que o auditor tem o dever de observar, cumprir e fazer cumprir fielmente, nas suas relações com a organização, com o publico em geral, com os órgãos e autoridades governamentais, entidades de classe e seus colegas de profissão.

Conforme O Instituto dos Auditores Internos do Brasil (1992), são postulados básicos da ética profissional:

Independência profissional, de atitudes e decisões;
Intransferibilidade de funções;
Eficiência ética;
Integridade pessoal;
Imparcialidade;
Sigilo e discrição;
Lealdade a classe.
2.4 – Da execução do trabalho do auditor

O auditor, no exercício de suas funções, terá livre acesso a todas as dependências da entidade auditada, assim como a documentos, valores e livros considerados indispensáveis ao cumprimento de suas atribuições, não lhe podendo ser sonegado, sob qualquer pretexto, nenhum processo, documento ou informação.

Quando houver limitação da ação do auditor, o fato deverá ser comunicado, de imediato, por escrito, ao dirigente da entidade auditada, solicitando as providências necessárias.

2.4.1 – Planejamento da auditoria

O auditor deve planejar seu trabalho de acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade, seguindo os prazos e compromissos contratualmente assumidos com a entidade.

Segundo Attie (1998), o planejamento deve considerar todos os fatores relevantes na execução dos trabalhos, especialmente os seguintes:

conhecimento amplo do sistema contábil e de controles internos da entidade e seu grau de precisão e confiabilidade;
riscos de auditoria em geral;
natureza, oportunidade e extensão dos procedimentos de auditoria a serem adotados e aplicados;
existência de organizações associadas, filiais e partes relacionadas; e
apropriação de outros trabalhos de auditores independentes, especialistas e auditores internos.
O planejamento pressupõe adequado nível de conhecimento sobre as atividades, os fatores econômicos, legislação aplicável, as práticas operacionais da entidade e o nível geral de competência de sua administração.

2.4.2 – Exame preliminar

Com o objetivo de obter os elementos necessários ao planejamento dos trabalhos de auditoria, o auditor deve realizar exames preliminares a respeito da natureza e características das áreas, operações, programas e dos recursos a serem auditados. Para tanto, deve considerar a legislação aplicável, normas e instruções vigentes, bem como os resultados das últimas auditorias realizadas e diligências pendentes ou não de atendimento.

2.4.3 – Elaboração do programa de trabalho

O resultado dos exames preliminares dará suporte ao programa formal de trabalho. A elaboração de um adequado programa de trabalho de auditoria exige: a determinação precisa dos objetivos do exame, ou seja, a identificação completa sobre o que se deseja obter com a auditoria; a identificação do universo a ser examinado; a definição e o alcance dos procedimentos a serem utilizados; o estabelecimento das técnicas apropriadas; a quantificação homem/hora necessária à execução dos trabalhos; e referência quanto ao uso de material e/ou documentos de exames prévios ou outras instruções específicas.

2.4.4 – Avaliação do sistema contábil e de controles internos

O sistema contábil e de controles internos compreende o plano de organização e o conjunto integrado de métodos e procedimentos adotados pela entidade na proteção do seu patrimônio, promoção da confiabilidade e tempestividade dos seus registros e demonstrações contábeis, e da sua eficácia operacional.

Conforme Almeida, (1996, p. 33):

O auditor deve estudar e avaliar o sistema contábil e controle interno da empresa, com base em determinar a confiança que neles podem depositar, bem como fixar a natureza, a extensão e a profundidade dos procedimentos de auditoria a serem aplicados.

Controles internos eficientes permitem cumprir as atividades da organização de maneira eficaz e com a mínima utilização de recursos. Dessa forma, erros e procedimentos ilegais e fraudulentos serão evitados, e na sua ocorrência, serão detectados e corrigidos em tempo hábil.

Essa norma é de fundamental importância porque os controles internos tornaram-se mais sofisticados. Devido a tecnologia, os especialistas aprenderam a elaborar sistemas que são altamente confiáveis, e os auditores conscientizaram-se na condução eficiente e eficaz das auditorias.

O sistema contábil e de controle internos é de responsabilidade da administração da organização, porém o auditor deve efetuar sugestões objetivas para seu aprimoramento, decorrentes de constatações feitas no decorrer de seu trabalho.

O auditor deve entender o relacionamento entre os controles internos e os procedimentos de auditoria, ou seja, quanto mais confiáveis forem os controles internos, menor deverá ser a ênfase nos procedimentos de auditoria a serem aplicados sobre o saldo de demonstrações financeiras.

2.4.5 – Relevância

Ao projetar o plano de auditoria, o auditor estabelece um nível acessível de relevância, de forma a detectar distorções quantitativamente relevantes. Tanto o montante (quantidade) quanto a natureza (qualidade) das distorções precisam ser considerados.

Existe uma relação inversa entre a relevância e o nível de risco de auditoria, isto é, quanto mais alto o nível de relevância, menor o risco de auditoria e vice-versa. O auditor leva em conta a relação inversa entre relevância e risco de auditoria quando determina a época, natureza e extensão dos procedimentos de auditoria.

Se depois de planejar procedimentos de auditoria específicos, o auditor determinar que o nível de relevância aceitável é menor, o risco de auditoria é aumentado, ou reduzindo o nível de risco do controle avaliado quando isto for possível, e amparando a redução de nível com ampliação ou adição de testes de controle; ou reduzindo o risco de detecção pela modificação da natureza, época de aplicação e extensão dos procedimentos de comprovação planejados.

Segundo Hilário Franco (2001), a relevância deve ser considerada pelo auditor quando:

demarcar a natureza, oportunidade e extensão dos processos e procedimentos de auditoria;
analisar o efeito das distorções sobre os saldos, denominações e classificação das contas; e
determinar a veracidade, a adequação da apresentação, e a divulgação da informação contábil.
2.4.6 – Prevenção de impropriedade e irregularidade

Os sistemas de controle instituídos em uma organização devem conter procedimentos, mecanismos e diretrizes que prevejam ou minimizem o percentual de impropriedade ou irregularidade.

Ao realizarem seus exames, os auditores devem estar conscientes da possibilidade de existirem impropriedades ou irregularidades nos registros que examinam. Devem, portanto, examinar com acurado zelo profissional os meios usados para proteger o patrimônio contra os diversos tipos de danos decorrentes de roubo, fraude, atividades ilegais ou atentatórias a esse patrimônio, assim como sua segurança contra mau uso, intempéries, incêndios e situações similares.

Um bom sistema de controle reduz a probabilidade de ocorrerem tais impropriedades ou irregularidades, ainda que não possa evitá-las totalmente.

2.4.7 – Princípios de controles internos para avaliação da auditoria

Constituem-se no conjunto de regras, diretrizes e sistemas que visam ao atingimento de objetivos específicos, tais como:

a) Relação custo/benefício

A relação custo/benefício consiste na minimização da probabilidade de falhas/desvios quanto ao atingimento dos objetivos e metas. Este conceito reconhece que o custo de um controle não deve exceder aos benefícios que ele possa proporcionar. Há necessidade, também, de definição precisa de critérios, mensuração, padrões de comparação e de outros elementos que permitam a identificação e a análise de desvios, em relação aos resultados ou procedimentos previstos;

b) Qualificação adequada, treinamento e rodízio de funcionários

A eficácia dos controles internos está diretamente relacionada à competência e integridade do pessoal. Assim sendo, é imprescindível que haja uma política de pessoal que contemple:

I) seleção e treinamento de forma criteriosa e sistematizada, buscando melhor rendimento e menores custos;

II) rodízio de funções, com vistas a reduzir/eliminar possibilidades de fraudes;

III) obrigatoriedade de funcionários gozarem férias regularmente, como forma, inclusive, de evitar a dissimulação de irregularidades;

c) Delegação de poderes e determinação de responsabilidades

A delegação de competência, conforme previsto em lei, será utilizada como um instrumento de descentralização administrativa, com vistas a assegurar maior rapidez e objetividade às decisões. O ato de delegação deverá indicar, com precisão, a autoridade delegante, delegada e o objeto da delegação. Assim sendo, em qualquer órgão/entidade, devem ser observados:

I) existência de regimento/estatuto e organograma adequados, onde a definição de autoridade e conseqüentes responsabilidades sejam claras e satisfaçam plenamente as necessidades da organização; e

II) manuais de procedimentos claramente determinados, que considerem as funções de todos os setores da entidade;

d) Delegação de poderes e determinação de responsabilidades

A estrutura de um controle interno deve prever a separação entre funções de autorização, de operações, execução, controle e contabilização das mesmas, de tal forma que nenhuma pessoa detenha competências e atribuições em desacordo com este princípio;

e) Instruções devidamente formalizadas

Para atingir um grau de segurança adequado é indispensável que as ações, procedimentos e instruções sejam disciplinados e formalizados através de instrumentos eficazes, ou seja, claros e objetivos e emitidos por autoridade competente;

f) Controles sobre as transações

É imprescindível estabelecer o acompanhamento dos fatos contábeis e operacionais, objetivando que sejam efetuados mediante atos legítimos, relacionados com a finalidade da entidade, autorizados por quem de direito;

g) Aderência às diretrizes e normas legais.

É necessária a existência, na entidade, de sistemas estabelecidos para determinar e assegurar a observância das diretrizes, planos, normas, leis, regulamentos e procedimentos administrativos internos.

2.5 – Normas relativas ao parecer

O parecer dos “Auditores independentes”, ou “Parecer do Auditor independente”, é o instrumento pelo qual o auditor expressa sua opinião, em obediência às normas de auditoria, de forma clara e objetiva sobre as demonstrações contábeis nele indicadas.

Segundo Crepaldi (2000) o parecer deve seguir aos seguintes requisitos:

apresentação da pessoa ou entidade à qual é dirigido o parecer;
informação das demonstrações contábeis examinadas, respectivas datas e/ou período a que correspondem;
declaração de que o exame foi conduzido de acordo com as normas de auditoria adotadas e com aplicação de todos os procedimentos de auditoria considerados necessários nas atuais circunstancias;
informação de que, na opinião do auditor, as demonstrações contábeis examinadas representam (ou não) adequadamente a posição especifica indicada:
– Em se tratando de balanço patrimonial, a declaração de que ira representar adequadamente uma posição patrimonial e financeira da empresa, na data de seu levantamento;

– Em se tratando de demonstrações do resultado econômico (lucros ou prejuízos acumulados), se a declaração de que representa está adequada ao resultado das operações realizadas no período findo a que corresponde.

Declaração de que, o auditor nas suas atividades, conduziu as demonstrações contábeis examinadas, se foram elaboradas de acordo com os princípios fundamentais de contabilidade aplicados com a uniformidade em relação ao exercício anterior;
Data do parecer, correspondente ao dia da conclusão do trabalho na empresa;
Assinatura do auditor, registro no CRC e CPF. Quando o auditor assinar como responsável por empresa de auditoria, os números de registro desta deverão ser mencionados.

CAPÍTULO 3 – CONTROLE INTERNO

3.1 – Considerações iniciais

Atualmente, grande atenção tem sido direcionada para os controles internos nas organizações. No Brasil, somente agora se começa a dar a devida importância aos métodos científicos adotados pela administração para salvaguardar seu patrimônio e evitar procedimentos ilegais ou fraudulentos.

Muitas vezes imagina-se controle interno como sinônimo de auditoria interna. È uma idéia equivocada, pois a auditoria interna eqüivale a um trabalho organizado de revisão e apreciação dos controles internos, normalmente executado por um departamento específico, enquanto que o controle interno refere-se a procedimentos adotados pela organização de maneira permanente.

Controle, segundo dicionário Aurélio (2002) diz: “é o ato de dirigir qualquer serviço, fiscalizando-o e orientando-o do modo mais conveniente”.

Aurélio (2002) explica que: “Interno é o que provém de dentro”.

Dessa forma, pode-se definir controle interno como o ato que dirige um serviço que provém de dentro, fiscalizando-o e orientando-o do modo mais conveniente.

Entretanto, a auditoria é uma atividade de exame e avaliação de procedimentos, processos, sistemas, registros e documentos, com o objetivo de aferir o cumprimento dos planos, metas, objetivos e política da organização.

Sem o mínimo de controle interno, o exame da auditoria é quase que impraticável, por qualquer que seja o patrimônio da empresa auditada. O exame dos controles internos é uma das fases mais importante no trabalho da auditoria. Por isso, o auditor deve estar devidamente qualificado para conduzir o exame da melhor maneira possível.

Inquestionavelmente, os controles internos adotados na organização são de interesse tanto de auditores independentes quanto de auditores internos. Individualmente, cada um realiza as suas tarefas específicas, mas tomam por base os controles internos existentes na organização para dar início as suas atividades.

Um bom sistema de controle interno inibe a ocorrência de atos como erros involuntários, desperdícios e até fraudes, auxiliando um bom andamento da gestão.

Uma vez organizado o controle interno, há que mantê-lo sob permanente vigilância e avaliação, pois sabe-se que as falhas de seu funcionamento trazem reflexos inevitáveis nos resultados da administração, podendo comprometê-la gravemente. Em geral, todas as organizações possuem controles internos, a diferença básica é que esses podem ser confiáveis ou não.

Controles internos eficientes permitem cumprir de uma maneira eficaz e com uma mínima utilização de recursos. Dessa forma, erros e procedimentos ilegais ou fraudulentos serão evitados e na sua ocorrência, serão detectados e corrigidos em tempo hábil pelos funcionários, como parte de suas funções habituais.

Após essas análises, observa-se que o controle interno é de fundamental importância, pois fica patente através do momento em que se torna possível conceber uma empresa que não dispunha de controles que possam garantir a continuidade do fluxo de informações precisas.

Portanto, um bom sistema de controle interno deve propiciar detectar todas as irregularidades, oferecendo maiores possibilidades de pronta identificação de fraudes em todas as modalidades, alem de fornecer relatórios contábeis, financeiros e operacionais eficientes para tomada de decisão por parte dos administradores.

3.2 – Conceito de controle interno

São diversos os conceitos atribuídos para o termo controle interno, dentre os quais se pode observar:

O AICPA, American Instiutute of Certified Public Accountants, apud Attie (2000, p. 110) por meio do Relatório Especial da Comissão de procedimentos de Auditoria, definiu:

O Controle Interno compreende o plano de organização e o conjunto coordenado dos métodos e medidas, adotados pela empresa, para proteger seu patrimônio, verificar a exatidão e a fidedignidade de seus dados contábeis, promover a eficiência operacional e encorajar a adesão à política traçada pela administração.

O Instituto de Auditores Internos do Brasil, AUDIBRA (1992, p. 48) registra:

[…] controles internos devem ser entendidos como qualquer ação tomada pela administração (assim compreendida tanto a Alta Administração como os níveis gerenciais apropriados) para aumentar a probabilidade de que os objetivos e metas estabelecidos sejam atingidos. A Alta Administração e a gerência planejam, organizam, dirigem e controlam o desempenho de maneira a possibilitar uma razoável certeza de realização.

Por esses conceitos, pode-se observar que a alta administração e a gerência da organização têm responsabilidade de planejar, organizar, dirigir e controlar todos

os desempenhos da organização, de forma que seja possível uma razoável segurança para a realização dos negócios.

Attie (200, p. 111) afirma que:

[…] O controle interno compreende todos os meios planejados numa empresa para dirigir, restringir, governar suas várias atividades com o propósito de fazer cumprir os seus objetivos.

Diante desses conceitos, pode-se afirmar de forma bastante genérica que o controle interno envolve todos os processos e rotinas de natureza contábil e administrativa, com o intuito de organizar a empresa de tal forma que seus maiores colaboradores compreendam, respeitem e façam cumprir as políticas traçadas pela administração; os ativos tenham sua integridade protegida; e por fim, todas as operações da empresa sejam adequadamente registradas nos relatórios contábeis e fidedignamente retratados pelas demonstrações financeiras.

Ainda em relação à definição de controle interno, deve-se observar que seu significado toma imensa amplitude que desencadeia uma série de procedimentos e métodos bem definidos que, coordenados de forma adequada, asseguram a correta organização necessária para a obtenção dos objetivos delimitados pela administração.

No geral, o conceito de controle interno é muito abrangente. O que se verifica de imediato, é que o controle interno refere-se não apenas aos aspectos diretamente relacionados às funções de contabilidade e finanças, mas sim a todos os aspectos das operações de uma organização.

3.3 – Interpretação do conceito de controle interno

Com a finalidade de compreender o que significa controle interno quanto ao seu real significado, observam-se, por partes, os vários fatores que compõem esse conceito de acordo com os autores consultados.

Políticas – Compreende o conjunto de declarações de caráter administrativo a respeito das intenções da organização em relação a um determinado tema. São decisões aplicadas a situações repetitivas, tendo em vista alinhar os processos para um mesmo objetivo. As políticas podem ser:

Políticas Globais – São políticas estratégicas;
Políticas Operacionais – São as regras de trabalho
Objetivos – Os objetivos são entendidos como planos e declarações estratégicas, através de metas e seleção, desenho, implementação e manutenção dos sistemas que têm a finalidade de assegurar os objetivos estabelecidos.

Metas – São os alvos específicos, quantificados, dentro de sistemas específicos. Devem ser identificadas em cada sistema, claramente definidas, mensuráveis, com adequado grau de realismo e consistentes com os objetivos estratégicos estabelecidos.

Plano de Organização – É o modo pela qual se organiza um sistema. A divisão de trabalho adequada, a forma de hierarquia, as responsabilidades e autoridades dos diversos níveis. Representa, em outras palavras, a definição de quem faz o serviço, de quem tem autoridade sobre quem na empresa.

Métodos e Medidas – São os que estabelecem os caminhos e os meios para se chegar a um determinado fim, mesmo que não tenham sido preestabelecidos formalmente (as normas, sistemas, manuais de serviço, etc.). A estruturação de um sistema, além de ser eficiente, prático, econômico e útil, deve levar em consideração a definição de procedimentos específicos destinados a promover o controle sobre as operações e as atividades formalizadas através de manuais.

Proteção do Patrimônio – São as formas pela qual são salvaguardados e defendidos os bens e direitos da entidade.

Exatidão e fidedignidade dos dados contábeis – Corresponde à adequada precisão e observância aos elementos dispostos na contabilidade. A definição de procedimentos que possibilitem a analise, conciliação e solução tempestiva de qualquer divergência, são elementos de relevância para a fiel escrituração contábil (plano de contas, regras de contabilização, manuais internos, conciliação contábil, etc.).

Eficiência Operacional – Refere-se a ação ou força a ser posta em prática na organização. A eficiência operacional é obtida através do alinhamento entre um adequado plano de organização e a implementação de normas salutares.

Interdependência – De acordo com os fatores de controles internos expostos anteriormente, é fácil compreender que todos os itens interinfluenciam de forma acentuada. Esses elementos são essenciais para um bom desempenho dos controles internos, que a grave deficiência de qualquer deles compromete o funcionamento eficiente de todo o sistema.

Pode-se observar que todos esses planos de políticas, sistemas e organização são “ferramentas” utilizadas por pessoas. Dentro de uma visão sistêmica da empresa, é fácil compreender que, mesmo com sistemas, políticas, etc. planejados, a eficiência organizacional será comprometida, se a empresa não dispuser de um quadro de pessoal adequadamente dimensionado e qualificado.

3.4 – Características do controle interno

Um controle interno adequado é aquele estruturado pela administração e que possa permitir uma margem de segurança de que os objetivos e metas serão atingidos de uma maneira rápida e eficiente.

Essa margem de segurança pode ser compreendida como medidas de efetividade e a custos razoáveis, estabelecidas para evitar desvios ou restringi-los a um nível tolerável.

Isso significa que erros e procedimentos ilegais ou fraudulentos serão evitados e, na sua ocorrência, serão detectados e corrigidos dentro de um curto prazo, pelos funcionários responsáveis.

Medidas de efetividade e de custos razoáveis são a decorrência do conceito de comparar o valor do risco ou da perda potencial contra o custo do controle respectivo.

Controles eficientes permitem cumprir os objetivos de maneira correta e tempestiva com a mínima utilização de recursos.

Estudando-se as características de um sistema de controle interno, é possível identificar na sua amplitude, que esses controles podem ser peculiares tanto à contabilidade quanto a administração, conforme segue:

Controles Contábeis: Compreendem o plano de organização e todos os métodos e procedimentos diretamente relacionados, principalmente com a salvaguarda do patrimônio e a fidedignidade dos registros contábeis;
Controles Administrativos: Correspondem a um plano de organização e todos os métodos e procedimentos que dizem respeito à eficiência operacional e à decisão política traçada pela administração.
Sá (1998) contempla que um eficiente sistema de controle interno deve obedecer aos princípios básicos peculiares, sendo eles:

1. Plano de organização com adequada distribuição de responsabilidade;

2. Regime de autorização e procedimentos de escrituração contábil

3. Zelo humano no exercício de suas funções;

4. Qualidade e responsabilidade do pessoal adequado

Na seqüência do desenvolvimento, será possível apreciar o que cada subgrupo contempla e sugere para um eficiente sistema de controle interno.

3.4.1 – Plano de organização com adequada distribuição de responsabilidade

Em relação a esse princípio, é viável que ele proporcione apropriada segregação de funções entre a execução operacional e custódia dos bens patrimoniais e sua contabilização.

A independência estrutural requer uma separação de funções, de tal forma que os registros existentes, sirvam como controles das atividades, independentemente do departamento.

3.4.2 – Regime de autorização e procedimentos de escrituração contábil

De acordo com Attie (2000), um eficiente e satisfatório sistema deve contemplar meios de controle:

das operações e transações através dos métodos de aprovações, com as responsabilidades e riscos envolvidos em cada parte das operações e transações;
dos registros das operações e transações através de documentos originais e segundo o fluxo normal delas; e
a classificação dos documentos dentro de uma estrutura formal de contas (plano de contas)
Para uma concretização de uma operação eficaz, é importante que haja aprovação de cada uma das etapas previstas para o cumprimento do programa da administração, em conformidade com as responsabilidades estabelecidas.

Com relação ao aspecto contábil, é importante implementar planos de contas e manuais de procedimentos que esclareçam eventuais dúvidas com relação ao registro dos dados e que facilitem a elaboração de demonstrações e demais informações financeiras.

3.4.3 – Zelo humano no exercício de suas funções

O esmero nas práticas observadas na execução das tarefas e nas funções atribuídas a cada um dos departamentos da empresa, determinará, em grande parte, a eficiência do controle interno e, por conseqüência, de suas operações empresariais.

Ainda em relação a esta característica, tem-se que o objetivo é, geralmente, atingido através da divisão de funções e responsabilidades, de forma que nenhuma pessoa possa manejar completamente uma operação do início ao fim.

Por meio dessa divisão, enseja-se uma verificação adicional da exatidão do trabalho e aumenta-se a probabilidade de descobrir erros ou fraudes. Esta divisão de responsabilidades deve ser aplicada a todos os setores da empresa, estendendo-se em todos os níveis de autoridade.

3.4.4 – Qualidade e responsabilidade do pessoal adequado

O AICPA estabelece que o adequado funcionamento de um sistema de controle interno depende tanto do planejamento como de procedimentos e diretrizes apropriadas, como também da escolha de colaboradores aptos e experientes e de pessoal capaz de cumprir os procedimentos estabelecidos, de forma eficiente e econômica.

Assim todas as pessoas que compõem a empresa precisam receber informações adequadas para a realização de suas tarefas e treinamentos apropriados no âmbito técnico, gerencial e operacional.

CAPÍTULO 4 – PRECISÃO E CONFIABILIDADE DOS CONTROLES INTERNOS

4.1 – Objetivos do controle interno

Os problemas de controle interno encontram-se, na empresa moderna, em todos os seus segmentos: vendas, fabricação, desenvolvimento, compras, tesouraria, etc. O exercício de um adequado controle sobre cada uma dessas áreas, assume fundamental importância, para que se atinjam os resultados mais favoráveis com menores desperdícios.

È impossível conceber uma empresa que não dispondo de controles internos eficientes, possa garantir a continuidade do fluxo de suas operações e informações propostas. Por analogia, toda empresa possui controles internos. A diferença básica é que estes podem ser adequados ou não.

A função de contabilidade, como instrumento de controle administrativo, é hoje unanimemente reconhecida. Um sistema de contabilidade que não esteja apoiado em um controle interno eficiente é, até certo ponto, inútil, uma vez que não é possível confiar nas informações contábeis contidas em seus relatórios. Informações contábeis distorcidas podem levar a conclusões erradas e danosas para a empresa.

É possível estabelecer que vários são os procedimentos e práticas que, em conjunto, formam os objetivos do controle.

Attie (2000, P. 117) diz:

O conceito, a interpretação e a importância do controle interno envolvem imensa gama de procedimentos e práticas que, em conjunto, possibilitam a consecução de determinado fim, ou seja, controlar.

De forma bastante sucinta, pode-se definir os objetivos do controle interno em quatros tópicos básicos:

a salvaguarda dos interesses da empresa;
a precisão e a confiabilidade dos informes e relatórios contábeis, financeiros e operacionais;
O estímulo à eficiência operacional;
A aderência às políticas existentes.
4.1.1 – Salvaguarda dos interesses da empresa.

O objetivo do controle interno relativo á salvaguarda dos interesses remete-se a proteção do patrimônio contra quaisquer perdas e riscos devidos a erros ou irregularidades. (ATTIE, 2000, p.117).

As principais práticas que podem dar suporte à salvaguarda dos interesses são as seguintes, conforme os autores citados:

Segregação de Funções: Estabelece a independência para as funções de execução operacional, custódia física e contabilização;
Sistemas de autorização e aprovação: Compreende o controle das operações através de métodos de aprovações, de acordo com as responsabilidades e os riscos envolvidos;
Determinações de Funções e responsabilidades: a existência de organogramas claros determinam linhas de responsabilidade e autoridades definidas por toda a linha hierárquica;
Rotação de funcionários: corresponde ao rodízio de funcionários designados para cada trabalho. Dessa forma, é possível reduzir a ocorrência de fraudes e contribuir para o surgimento de novas idéias:
Legislação: corresponde a atualização permanente sobre a legislação vigente, visando diminuir riscos não expondo a empresa a contingências fiscais e legais pela não-obediência aos preceitos atuais vigentes;
Contagens físicas independentes: corresponde à realização de contagens físicas de bens e valores, de forma periódica, por intermédio de pessoas independente ao custodiante, visando maximizar o controle físico e resguardar os interesses da empresa.
Fica visível a preocupação que tem o controle interno com relação a proteção de seu patrimônio, munindo-se de várias práticas que contribuem para o sucesso deste objetivo.

4.1.2 – Precisão e confiabilidade dos informes e relatórios contábeis, financeiros e operacionais.

Com relação a este objetivo, tem-se que esta precisão e confiabilidade dos informes e relatórios contábeis, financeiros e operacionais compreendem a geração de informações adequadas e oportunas, fundamentais no campo gerencial e administrativo, para compreensão dos fatos e eventos realizados na organização.

Attie (2000, p. 119) enfatiza muito bem esta confiabilidade e precisão quando explica que:

Uma empresa necessita constituir, para si, sistemas que lhe garantam conhecer os atos e eventos ocorridos em cada um dos seus segmentos. Os efeitos ocorridos através da realização de cada ato devem ser escriturados e levados, em tempo hábil, ao conhecimento dos administradores.

(CONTINUA)

O Preconceito Lingüístico no Brasil

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No livro “Preconceito Lingüístico” o autor Marcos Bagno, defende com vigor a língua viva e verdadeiramente falada no Brasil.

O livro contém 183 páginas e é publicado pelas Edições Loyola (11ª edição, 2002). Está dividido em quatro partes e um anexo: I – A mitologia do preconceito lingüístico; II – O círculo vicioso do preconceito lingüístico; III – A desconstrução do preconceito lingüístico; e IV – O preconceito contra a lingüística e os lingüistas. O anexo refere-se à carta enviada pelo autor à revista Veja.

Para o autor “tratar da língua é tratar de um tema político”, já que também é tratar de seres humanos.

“O preconceito lingüístico está ligado, em boa medida, à confusão que foi criada, no curso da história, entre a língua e gramática normativa”

Marcos Bagno diz que a língua é como um rio que se renova, enquanto a gramática normativa é como a água do igapó, que envelhece, não gera vida nova a não ser que venham as inundações.

O preconceito lingüístico, vem sendo alimentado diariamente pelos meios de comunicação, que pretendem ensinar o que é “certo” e o que é “errado”, sem falar, é claro nos instrumentos tradicionais de ensino da língua, ou seja a gramática normativa e os livros didáticos.

Para superar os preconceitos lingüísticos, o autor começa por lembrar, catalogar e dissecar alguns mitos consagrados:

“A língua portuguesa apresenta uma unidade surpreendente” – o maior e mais sério dentre os outros mitos, por ser prejudicial à educação e não reconhecer que o português falado no Brasil é bem diversificado, mesmo a escola tentando impor a norma lingüística como se ela fosse de fato comum a todos os brasileiros. As diferenças de status social em nosso país, explicam a existência do verdadeiro abismo lingüístico entre os falantes das variedades não-padrão do português brasileiro que compõe a maior parte da população e os falantes da suposta variedade culta, em geral não muito bem definida, que é a língua ensinada na escola.

“Brasileiro não sabe português/Só em Portugal se fala bem português”- de acordo com o autor, essas duas opiniões refletem o complexo de inferioridade de sermos até hoje uma colônia dependente de uma país mais antigo e mais “civilizado”. O brasileiro sabe português sim. O que acontece é que o nosso português é diferente do português falado em Portugal. A língua falada no Brasil , do ponto de vista lingüístico já tem regras de funcionamento, que cada vez mais se diferencia da gramática da língua falada em Portugal. Na língua falada, as diferenças entre o português de Portugal e o português falado Brasil são tão grandes que muitas vezes surgem dificuldades de compreensão. O único nível que ainda é possível uma compreensão quase total entre brasileiros e portugueses é o da língua escrita formal, porque a ortografia é praticamente a mesma, com poucas diferenças. Concluí-se que nenhum dos dois é mais certo ou mais errado, mais bonito ou mais feio: são apenas diferentes um do outro e atendem às necessidades lingüísticas das comunidades que os usam, necessidades lingüísticas que também são diferentes.

“Português é muito difícil” – para o autor essa afirmação consiste na obrigação de termos de decorar conceitos e fixar regras que não significam nada para nós. No dia em que nossa língua se concentrar no uso real, vivo e verdadeiro da língua portuguesa do Brasil, é bem provável que ninguém continue a repetir essa bobagens. Todo falante nativo de um língua sabe essa língua, pois saber a língua, no sentido científico do verbo saber, significa conhecer intuitivamente e empregar com naturalidade as regras básicas de funcionamento dela. A regência verbal é caso típico de como o ensino tradicional da língua no Brasil não leva em conta o uso brasileiro do português. Por mais que o aluno escreva o verbo assistir de forma transitiva indireta, na hora de se expressar passará para a forma transitiva direta: “ainda não assisti o filme do Zorro!”

Tudo isso por causa da cobrança indevida, por parte do ensino tradicional, de uma norma gramatical que não corresponde à realidade da língua falada no Brasil.

“As pessoas sem instrução falam tudo errado” – Isso se deve simplesmente a um questão que não é linguística, mas social e política – as pessoas que dizem Cráudia, Praca, Pranta pertencem a uma classe social desprestigiada, marginalizada, que não tem acesso à educação forma e aos bens culturais da elite, e por isso a lingua que elas falam sobre o mesmo preconceito que pesa sobre elas mesmas, ou seja, sua língua é considerada “feia”, “pobre”, “carente”, quando na verdade é apenas diferente da língua ensinada na escola. Assim, o problema não está naquilo que se fala, mas em quem fala o quê. Neste caso, o preconceito lingüístico é decorrência de um preconceito social.

“O lugar onde melhor se fala português no Brasil é o Maranhão” – O que acontece com o português do Maranhão em relação ao português do resto do país é o mesmo que acontece com o português de Portugal em relação ao português do Brasil: não existe nenhuma variedade nacional, regional ou local que seja intrinsecamente “melhor”, “mais pura”, “mais bonita”, “mais correta” que outra. Toda variedade lingüística atende às necessidades da comunidade de seres humanos que a empregam. Quando deixar de atender, a ela inevitavelmente sofrerá transformações para se adequar à novas necessidades.

“O certo é falar assim porque se escreve assim” – o que acontece é que em toda língua mundo existe um fenômeno chamado variação, isto é, nenhuma língua é falada do mesmo jeito em todos os lugares, assim como nem todas as pessoas falam a própria língua de modo idêntico. A ortografia oficial é necessária, mas não se pode ensiná-la tentando criar uma língua falada “artificial” e reprovando como “erradas” as pronúncias que são resultado natual das forças internas que governam o idiomas.

“É preciso saber gramática para falar e escrever bem” – Segundo Mário Perini em Sofrendo a gramática (p.50), “não existe um grão de evidência em favor disso; toda a evidência disponível é em contrário”. Afinal, se fosse assim, todos os gramáticos seriam grandes escritores, e os bons escritores seriam especialistas em gramática.

A gramática normativa é decorrência da língua, é subordinada a ela, dependente dela. Como a gramática, porém, passou a ser um instrumento de poder e de controle. A língua passou a ser subordinada e dependente da gramática.

“O domínio da norma culta é um instrumento de ascensão social” – esse mito como o primeiro são aparentados porque ambos tocam em sérias questões sociais. A transformação da sociedade como um todo está em jogo, pois enquanto vivermos numa estrutura social cuja existência mesma exige desigualdades sociais profundas, toda tentativa de promover a “ascensão” social dos marginalizados é, senão hipócrita e cínica pelo menos de uma boa intenção paternalista e ingênua.

O autor do livro descreve a existência de um círculo vicioso de preconceito lingüístico composto de três elementos: o ensino tradicional, a gramática tradicional e os livros didáticos. Na visão de Bagno, isso não funciona assim, “a gramática tradicional inspira a prática de ensino, que por sua vez provoca o surgimento da indústria do livro didático, cujos autores, fechando o círculo, recorrem à gramática tradicional como de fonte de concepções e teorias sobre a língua”. A maneira como o ensino é administrado tem sido estudada pelo Ministério da Educação e nos Parâmetros curriculares nacionais” reconhece que há “muito preconceito decorrente do valor atribuído às variedades padrão e ao estigma associado às variedades não-padrão, consideradas inferiores ou erradas pela gramática. Essas diferenças não são imediatamente reconhecidas e, quando são, são objeto de avaliação negativa. Bagno cita o quarto elemento como sendo os comandos paragramaticais, ou seja todo esse arsenal de livros, manuais de redação de empresas jornalísticas, programadas de rádio e de televisão, colunas de jornal e de revista, CD-ROMS, “consultórios gramaticais” por telefone e por a afora, que é a “saudável epidemia” citada por Arnaldo Niskier.

De acordo com Bagno, o formidável poder de influência dos meios de comunicação e dos recursos da informática poderia ser de grande utilidade se fosse usado precisamente na direção oposta: na destruição dos velhos mitos, na elevação da auto-estima lingüística dos brasileiros, na divulgação do que há de realmente fascinante no estudo da língua.

Bagno cita o professor Napoleão Mendes de Almeida

Falecido em 1998, como o mais respeitado e renomado propagador do preconceito lingüístico por meio de comandos paragramaticais no Brasil durante muito tempo. Ele nunca escondeu sua intolerância e seu autoritarismo em suas colunas de jornal, como também o seu profundo preconceito social registrado no seu Dicionário de questões vernáculas. Para Napoleão, a literatura brasileira morreu com Machado de Assis, tudo que veio com o Modernismo e a modernidade é desprezível. Carlos Drummond de Andrade, nem pensar. Napoleão o condenou aos infernos só porque trocou o verbo haver pelo ter no verso ” No meio do caminho tinha uma pedra”.

Além de Napoleão, Marcos Bagno cita também Luiz Antônio Sacconi que escreveu o livro Não erre mais! Um festival de besteiras que é consumido com todo o tipo de expressões preconceituosas.

Mas segundo Bagno, o problema se estende à imprensa. Ele destacou uma coluna da Professora Dad Squarisi, que escreve no Correio Brasiliense as Dicas de Português, e analisou. É preciso reconhecer a capacidade da Professora Dad e a utilidade dela no resultado.

Bagno faz uma avaliação rigorosa a uma coluna publicada no Correio Brasiliense em 26.06.1996 e republicada no Diário de Pernambuco no dia 15.11.1998, com o título Português ou Caipirês?, a que se referia à viagem do presidente Fernando Henrique Cardoso à Portugal, quando acusou os brasileiros de serem todos caipiras.

O texto de Bagno aponta todos os preconceitos praticados pela autora da coluna contra o povo brasileiro, sem esquecer da questão gramatical.

Dad afirma que o brasileiro, caipira, jeca-tatu, capial, matuto, “sem nenhum compromisso com a gramática portuguesa, não faz concordância em frases como vende-se carros”. Segundo Bagno “a questão da partícula se em enunciados do tipo acima vem sendo investigada há muito tempo nos estudos gramaticais e lingüísticos brasileiros. O que todos os estudiosos concluem é que, na língua falada no Brasil, no português brasileiro, ocorreu uma reanálise sintática nesse tipo de enunciado, isto é, o falante brasileiro não considera mais esses enunciados como orações passivas sintéticas. O que a gramática normativa insiste em classificar como sujeito a gramática intuitiva do brasileiro interpreta como objeto direto.

Mas Bagno informa ainda que os lingüistas Manoel Said Ali, Antenor Nascentes e Joaquim Mattoso Câmara Jr., reconhecem o fenômeno e que em todas as classes sociais o brasileiro escreve o verbo no singular e põe o substantivo no plural. Ele mostra também que em Portugal expõe este mesmo “defeito” gramatical. Bagno quer dizer com esse exemplo que as normas cultas são várias e mudam de acordo com o uso da língua. A Rigidez na defesa de certos dogmas pode não apenas reforçar preconceitos como expor os especialista a uma situação indesejável.

Não podemos deixar de reconhecer a existência de uma crise no ensino da Língua Portuguesa, nascida na recusa dos defensores da gramática tradicional em acompanhar os avanços da ciência da linguagem. Para se mudar esse quadro é necessário uma mudança de atitude, perder essa idéia de “certo” e “errado” e refletir a respeito dessas dez cisões propostas por Bagno para um ensino mais consciente e menos preconceituoso:

1) Conscientizar-se de que todo falante nativo de uma língua é um usuário competente dessa língua, por isso ele SABE essa língua. Com mais ou menos quatro anos de idade, uma criança já domina integralmente a gramática de sua língua. Sendo assim,

2) Não existe erro de português. Existem diferentes gramáticas para as diferentes variedades de português, gramáticas que dão conta dos usos que diferem da alternativa única proposta pela Gramática Normativa.

3) Não confundir erro de português (que, afinal, não existe) com simples erro de ortografia. A ortografia é artificial, ao contrário da língua, que é natural. A ortografia é uma decisão política, por isso ela pode mudar de uma época para outra. Línguas que não têm sistema escrito nem por isso deixam de ter sua gramática.

4) Tudo o que os gramáticos conservadores chamam de erro é na verdade um fenômeno que tem uma explicação científica perfeitamente demonstrável. Nada é por acaso.

5) Toda língua muda e varia. O que hoje é visto como certo já foi erro no passado. O que hoje é visto como erro pode vir a ser perfeitamente aceito como certo no futuro da língua.

6) A língua portuguesa não vai nem bem, nem mal. Ela simplesmente VAI, isto é, segue seu caminho, transformando-se segundo suas próprias tendências internas.

7) Respeitar a variedade lingüística de uma pessoa é respeitar a integridade física e espiritual dessa pessoa como ser humano digno de todo respeito, porque

8) A língua permeia tudo, ela nos constitui enquanto seres humanos. Nós somos a língua que falamos. Enxergamos o mundo através da língua. Assim,

9) O professor de português é professor de TUDO. Por isso talvez devesse ter um salário igual à soma dos salários de todos os demais professores.

10) Ensinar bem é ensinar para o bem. É valorizar o saber intuitivo do aluno e não querer suprimir autoritariamente sua língua materna, acusando-a de ser “feia” e “corrompida”. O ensino da norma culta tem de ser feito como um acréscimo à bagagem lingüística da pessoa e não como uma substituição de uma língua “errada” por uma “certa”.

Na quarta parte do livro o autor trata do preconceito contra a lingüística e os lingüistas. De acordo com Bagno, os termos e conceitos da Gramática Tradicional estabelecidos há mais de 2.300 anos, continuam a ser repassados praticamente intactos de uma geração de alunos para outra, como se desde aquela época remota não tivesse acontecido nada na ciência da Linguagem.

Com referência a lingüística ele diz que como toda a ciência, é o lugar das surpresas, das descobertas, do novo, da substituição de paradigmas, da reformulação crítica das teorias. Mesmo com todas essas inovações , a gramatical tradicional ainda encontra apoio e defesa quase que irracional.

A atividade dos lingüistas brasileiros, segundo Marcos Bagno, vem sofrendo ataques contra qualquer tentativa de democratização do saber e da sociedade. Os atuais detratores da ciência lingüística acusam os estudiosos da linguagem de defenderem o não-ensino das formas padronizadas do português, numa tentativa detalhada e sofisticada em duas ou três afirmações toscas e propositadamente deturpadas.

Bagno cita em seu livro um caso de preconceito contra os lingüistas, por absolutas desconsideração e omissão. Refere-se ao projeto de lei (de 1999) do deputado Aldo Rebelo (PcdoB/SP) sobre “a promoção, a proteção, a defesa e o uso da língua portuguesa, que embora tratando de assuntos que dizem respeito ao campo de investigação da lingüística teórica e aplicada, em nenhum momento faz referência aos cientistas da linguagem, às pessoas que se dedicam profissionalmente ao estudo da língua.

Além de Aldo Rebelo, Bagno cita nomes como Napoleão que lançava seu ataques contra o lingüista e as concepções obscurantistas sobre a ciência da linguagem de Pasquale Cipro Neto.

Por fim o Professor Marcos Bagno em uma carta enviada à Revista Veja, diz que nossos meios de comunicação de massa se encontram na contramão da História quando o assunto é língua. Pois a mídia continua a dar as costas à investigação científica da linguagem, preferindo consagrar-se a divulgação dos “mitos” em nossa língua, deixando espaço para alguns oportunistas com atitudes anticientíficas dogmáticas e até obscurantistas a respeito da língua e seu ensino. E solicita então que seja concedido um espaço aos verdadeiros especialistas, às pessoas que dedicam toda a sua energia, vida e inteligência ao estudo dos fenômenos da linguagem humana e à proposição de novos métodos de ensino, capazes de dar voz aos que, por força de tantas estruturas sociais injustas, sempre foram mantidos em silêncio.

EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO FILOSÓFICO

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INTRODUÇÃO

Como todas as criações e instituições humanas, a Filosofia está na História e tem uma história.

Na história do pensamento ocidental, a Filosofia nasce na Grécia por volta do século VI ou VII antes de Cristo. A Filosofia grega teve quatro grandes períodos, são eles o período pré-socrático, período socrático, período sistemático e o período greco-romano.

Pelo fato de estar na História e ter uma história, a Filosofia costuma ser apresentada em grandes períodos que acompanham a sua evolução. Os principais períodos da história da Filosofia são: Filosofia antiga, Filosofia Patrística, Filosofia medieval, Filosofia da Renascença, Filosofia moderna, Filosofia do Iluminismo e Filosofia contemporânea.

Neste trabalho, farei um breve retrospecto da evolução do pensamento filosófico antigo à modernidade, ou seja, da Filosofia antiga à Filosofia moderna.

Os períodos da Filosofia grega

A Filosofia terá no decorrer dos séculos, um conjunto de preocupações, indagações e interesses que lhe vieram de seu nascimento na Grécia. O apogeu da Filosofia acontece durante o apogeu da cultura e da sociedade gregas; durante a Grécia clássica.

Os quatro grandes períodos da Filosofia grega, nos quais seu conteúdo muda e se enriquece são:

Período pré-socrático ou cosmológico, do final do século VII ao final do século V a.C., quando a Filosofia se ocupa fundamentalmente com a origem do mundo e as causas das transformações da Natureza.
Período socrático ou antropológico, do final do século V e todo século IV a.C., quando a Filosofia investiga as questões humanas, isto é, a ética, a política e as técnicas.
Período sistemático, do final do século IV ao final do século III a.C., quando a Filosofia busca reunir e sistematizar tudo quanto foi pensado sobre a cosmologia e a antropologia, interessando-se sobretudo em mostrar que tudo pode ser objeto do conhecimento filosófico, desde que as leis do pensamento e de suas demonstrações estejam firmemente estabelecidas para oferecer os critérios da verdade e da ciência.
Período helenístico ou greco-romano, do final do século III a.C. até o século VI depois de Cristo. Nesse longo período, que já alcança Roma e o pensamento dos primeiros Padres da Igreja, a Filosofia se ocupa, sobretudo com as questões da ética, do conhecimento humano e das relações entre o homem e a Natureza e de ambos com Deus.

FILOSOFIA GREGA

Período pré-socrático ou cosmológico

Os principais filósofos pré-socráticos foram:

filósofos da Escola Itálica: Pitágoras de Samos, Filolau de Crotona e Árquitas de Tarento;
filósofos da Escola Eleata: Parmênedes de Eléia e Zenão de Eléia;
filósofos da Escola da Pluralidade: Empédocles de Agrigento, Anaxágoras de Clazômena, Leucipo de Abdera e Demócrito de Abdera.
As principais características da cosmologia são:

É uma explicação racional e sistemática sobre a origem, ordem e transformação da Natureza, da qual os seres humanos fazem parte, de modo que ao explicar a Natureza, a Filosofia também explica as mudanças dos seres humanos.
Afirma que não existe criação do mundo, isto é, nega que o mundo tenha surgido do nada. Por isso diz: “Nada vem do nada e nada volta ao nada”.
O fundo eterno, perene, imortal e imperecível de onde tudo brota e para onde tudo retorna é o elemento primordial da Natureza.
Afirma que todos os seres, além de serem mortais, são seres em contínua transformação, mudando de qualidade e mudando de quantidade. Portanto, o mundo está numa mudança contínua, sem pó isso perder sua forma, sua ordem e sua estabilidade.
Os diferentes filósofos encontraram diferentes motivos e razões para dizer qual era o princípio eterno e imutável que está na origem da Natureza e de suas transformações. Assim, Tales dizia que o princípio era a água; Anaximandro considerava que era o ilimitado sem qualidades definidas; Anaxímenes, que era o ar; Heráclito afirmou que era o fogo; Leucipo e Demócrito disseram que eram os átomos. E assim por diante.

Período Socrático ou antropológico

Os sofistas são os primeiros filósofos do período socrático, que surgiram para ensinar aos jovens a falarem em público e persuadirem os outros na política. Os sofistas mais importantes foram: Protágoras de Abdera, Górgias de Leontini e Isócrates de Atenas.

Os sofistas ensinavam técnicas de persuasão para os jovens, que aprendiam a defender uma posição ou opinião, de modo que, numa assembléia, soubessem ter fortes argumentos a favor ou contra uma opinião e ganhassem a discussão.

O filósofo Sócrates, considerado o patrono da Filosofia, rebelou-se contra os sofistas, dizendo que não eram filósofos, pois não tinham amor pela sabedoria nem respeito pela verdade, defendendo qualquer idéia, se isso fosse vantajoso. Corrompiam o espírito dos jovens, pois faziam o erro e a mentira valerem tanto quanto a verdade.

Sócrates propunha que, antes de querer conhecer a Natureza e antes de querer persuadir os outro, cada um deveria primeiro e antes de tudo, conhecer-se a si mesmo. A expressão “conhece-te a ti mesmo”, tornou-se a divisa de Sócrates.

O retrato que a história da Filosofia possui de Sócrates, foi traçado por seu mais importante aluno e discípulo, o filósofo ateniense, Platão.

Sócrates fazia perguntas sobre as idéias, sobre os valores nos quais os gregos acreditavam e que julgavam conhecer. Suas perguntas deixavam os interlocutores embaraçados, irritados, curiosos, pois, quando tentavam responder ao célebre “o que é”, descobriam surpresos, que não sabiam responder e que nunca tinham pensado em suas crenças, seus valores e suas idéias.

As pessoas esperavam que Sócrates respondesse por elas ou para elas, que soubesse as respostas ás perguntas, mas Sócrates dizia: “Eu também não sei, por isso estou perguntando”. De onde a famosa expressão atribuída a ele: “Sei que nada sei”.

Para os poderosos de Atenas, Sócrates tornara-se um perigo, pois fazia a juventude pensar. Por isso, eles o acusaram de desrespeitar os deuses, corromper os jovens e violar as leis. Levado perante a assembléia, Sócrates não se defendeu e foi condenado a tomar um veneno e obrigado a suicidar-se.

Sócrates nunca escreveu. O que sabemos de seu pensamento encontra-se nas obras de seus vários discípulos, e Platão foi o mais importante deles.

As características principais do período socrático são:

A Filosofia se volta para as questões humanas no plano da ação, dos comportamentos, das idéias, das crenças, dos valores e, portanto se preocupa com as questões morais e políticas.
O ponto de partida da Filosofia é a confiança no pensamento ou no homem como um ser racional, capaz de conhecer-se a si mesmo e, portanto, capaz de reflexão.
A Filosofia está voltada para a definição das virtudes morais e das virtudes políticas.
A opinião, as percepções e imagens sensoriais são consideradas falsas, mentirosas, mutáveis, inconsistentes, contraditórias, devendo ser abandonadas para que o pensamento siga seu caminho próprio no conhecimento verdadeiro.
Período sistemático

Este período tem como principal nome o filósofo Aristóteles de Estagira, discípulo de Platão.

Passados quase quatro séculos de Filosofia, Aristóteles apresenta, nesse período, uma verdadeira enciclopédia de todo o saber que foi produzido e acumulado pelos gregos em todos os ramos do pensamento e da prática considerando essa totalidade de saberes como sendo a Filosofia.

A Filosofia é o conhecimento da totalidade dos conhecimentos e práticas humanas, ela estabelece uma diferença entre esses conhecimentos, distribuindo-os numa escala que vai dos mais simples e inferiores aos mais complexos e superiores.

Cada saber, no campo que lhe é próprio, possui seu objeto específico, procedimentos específicos para a sua aquisição e exposição, formas próprias de demonstração e prova. Cada campo do conhecimento é uma ciência (ciência em grego é episteme).

O estudo das formas gerais do pensamento, sem preocupação com seu conteúdo, chama-se lógica, e Aristóteles foi o criador da lógica como instrumento do conhecimento em qualquer campo do saber.

Período helenístico

Trata-se do último período da Filosofia antiga. Os filósofos dizem, agora, que o mundo é sua cidade e que são cidadãos do mundo. Esse período é chamado o da Filosofia cosmopolita.

Essa época da Filosofia é constituída por grandes sistemas ou doutrinas, isto é, explicações totalizantes sobre a Natureza, o homem, as relações entre ambos e deles com a divindade. Predominam preocupações com a ética, a física, a teologia e a religião.

Datam desse período quatro grandes sistemas cuja influência será sentida pelo pensamento cristão, que começa a formar-se nessa época: estoicismo, epicurismo, ceticismo e neoplatonismo.

A EVOLUÇÃO DA FILOSOFIA ANTIGA À FILOSOFIA MODERNA

Filosofia Antiga (do século VI a.C. ao século VI d.C.)

Compreende os quatro grandes períodos da Filosofia greco-romana, indo dos pré-socráticos aos grandes sistemas do período helenístico, mencionados anteriormente.

Filosofia patrística (do século I ao século VII)

Inicia-se com as Epístolas e São Paulo e o Evangelho de São João e termina no século VIII, quando teve início a Filosofia medieval.

A patrística procurava uma conciliação entre a nova religião – o Cristianismo – com o pensamento filosófico dos gregos e romanos. A Filosofia patrística liga-se, portanto, à tarefa religiosa da evangelização e à defesa da religião cristã contra os ataques teóricos e morais que recebia dos antigos. Seu nome mais importante foi o de Santo Agostinho.

A patrística foi obrigada a introduzir idéias desconhecidas para os filósofos greco-romanos: a idéia de criação do mundo, de pecado original, de Deus como trindade uma, etc.

Para impor as idéias cristãs, os Padres da Igreja as transformaram em verdades reveladas por Deus que, por serem decretos divinos, seriam dogmas, isto é, irrefutáveis e inquestionáveis. O grande tema de toda Filosofia patrística é o da possibilidade ou da impossibilidade de conciliar razão e fé.

Filosofia medieval (do século VIII ao século XIV)

Abrange pensadores europeus, árabes e judeus. A partir do século XII, por ter sido ensinada nas escolas, a Filosofia medieval também é conhecida como Escolástica.

A Filosofia medieval teve como influências principais Platão e Aristóteles, embora o Platão que os medievais conhecessem fosse o neoplatonismo e o Aristóteles que conhecessem fosse aquele conservado e traduzido pelos árabes. Também sofreu grande influência das idéias de Santo Agostinho. Durante esse período surge propriamente a Filosofia cristã, que é na verdade, a teologia. Um de seus temas mais constantes são as provas da existência de Deus e da alma.

A diferença e a separação entre infinito (Deus) e finito (homem, mundo), a diferença entre razão e fé, a diferença e separação entre corpo e alma, o Universo como uma hierarquia de seres, a subordinação do poder temporal dos reis e barões ao poder espiritual de papa e bispos, estes são os temas da Filosofia medieval.

Inserida no movimento escolástico, a filosofia de Tomás de Aquino (o tomismo) já nasceu com objetivos claros: não contrariar a fé. De fato, a finalidade de sua filosofia era organizar um conjunto de argumentos para demonstrar e defender as revelações do cristianismo.

Filosofia da Renascença (século XV e século XVI)

São três as grandes linhas de pensamento que predominavam na Renascença:

1) Aquela proveniente de Platão, do neoplatonismo e da descoberta dos livros do Hermetismo; nela se destacava a idéia da Natureza como um microcosmo (como espelho do Universo inteiro) e pode agir sobre ela através da magia natural, da alquimia e da astrologia, pois o mundo é constituído por vínculos e ligações secretas entre as coisas; o homem pode também, conhecer esses vínculos e criar outros, como um deus.

2) Aquela originária dos pensadores florentinos, que valorizava a vida ativa, isto é, a política, e defendia os ideais republicanos das cidades italianas contra o Império Romano-Germânico, isto é, contra o poderio dos papas e dos imperadores. Na defesa do ideal republicano, os escritores resgataram autores políticos da Antigüidade, historiadores e juristas, e propuseram a “imitação dos antigos” ou o renascimento da liberdade política, anterior ao surgimento do império eclesiástico.

3) Aquela que propunha o ideal do homem como artífice de seu próprio destino, tanto através do conhecimento (astrologia, magia, alquimia), quanto através da política (o ideal republicano), das técnicas (medicina, arquitetura, engenharia, navegação) e das artes (pintura, escultura, literatura, teatro).

Os nomes mais importantes desse período são: Marcílio Ficino, Giordano Bruno, Maquiavel, Kepler e Nicolau de Cusa.

Giordano Bruno apresentou a teoria heliocêntrica de Nicolau Copérnico, que propunha que a Terra girava em torno do sol, e que este era o centro do nosso sistema planetário. Defendeu que o universo é um todo infinito, cujo centro não está em parte alguma. Giordano Bruno foi condenado à morte na fogueira por contestar o pensamento católico, que tinha como um dos pontos básicos a crença que a Terra era o centro imóvel do universo.

Filosofia moderna (do século XVII a meados do século XVIII)

Predomina nesse período a idéia de conquista científica e técnica de toda realidade, a partir da explicação mecânica e matemática do universo e da invenção das máquinas, graças às experiências físicas e químicas. Os principais pensadores desse período foram: Francis Bacon, Descartes, Galileu, Pascal.

Uma das mais extraordinárias contribuições de Galileu foi ter assumido uma postura de investigação científica, cuja metodologia se baseava:

na observação paciente e minuciosa dos fenômenos naturais;
na realização de experimentações para a comprovação de uma tese;
na valorização da matemática como instrumento capaz de enunciar as regularidades observadas nos fenômenos.
Francis Bacon é considerado um dos fundadores do método indutivo de investigações científicas. Atribui-se a ele, também, a criação do lema “saber é poder”. Segundo Bacon, a ciência deveria valorizar a pesquisa experimental, tendo em vista proporcionar resultados objetivos para o homem. Mas, para isso, era necessário que o cientista se libertasse daquilo que Bacon denominava “ídolos”, isto é, as falsas noções, os preconceitos, os maus hábitos mentais.

René Descartes afirmava que, para conhecermos a verdade, é preciso, de início, colocar todos os nossos conhecimentos em dúvida, questionando tudo para criteriosamente analisarmos se existe algo na realidade de que possamos ter plena certeza. Dele decorre a célebre conclusão: “Penso, logo existo”.

CONCLUSÃO

No decorrer do trabalho, percebemos que na Filosofia, durante uma história tão longa (aproximadamente 25 séculos) e de tantos períodos diferentes, surgiram vários temas, disciplinas e campos de investigação filosóficos. A Filosofia investigou inúmeros temas, tais como: razão, saber, sujeito, objeto, História, espaço, tempo, liberdade, Natureza, homem, etc.

A Filosofia teve seu campo de atividade aumentado quando, no século XVIII, surge a filosofia da arte ou estética; no século XIX, a filosofia da história; no século XX, a filosofia das ciências ou epistemologia, e a filosofia da linguagem. Por outro lado, o campo da Filosofia diminuiu quando as ciências particulares que dela faziam parte foram se desligando para constituir suas próprias esferas de investigação. É o que acontece, por exemplo, no século XVIII, quando se desligam da Filosofia a biologia, a física e a química; e no século XX, as chamadas ciências humanas (psicologia, antropologia, história).

A Filosofia manifesta e exprime os problemas e as questões que, em cada época de uma sociedade, os homens colocam para si mesmos, diante do que é novo e ainda não foi compreendido. A Filosofia procura enfrentar essa novidade, oferecendo caminhos, respostas e, sobretudo, propondo novas perguntas, num diálogo permanente com a sociedade e a cultura de seu tempo, do qual ela faz parte.

Enfim, o pensamento filosófico evoluiu e continua evoluindo a cada dia, juntamente com a sociedade.

BIBLIOGRAFIA

Livro: Fundamentos da Filosofia – Gilberto Cotrim

Livro: Convite à Filosofia – Marilena Chauí

CONHECIMENTO FILOSÓFICO

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Conhecimento Filosófico

É o conhecimento que baseia-se no filosofar, na interrogação como instrumento para decifrar elementos imperceptíveis aos sentidos, é uma busca partindo do material para o universal, exige um método racional, diferente do método experimental(científico) , levando em conta os diferentes objetos de estudo.

O objeto de análise da filosofia são idéias, relações conceptuais, exigências lógicas que não são redutíveis a realidades materiais e, por essa razão, não são passíveis de observação sensorial direta ou indireta( por instrumentos), como a que é exigida pelo conhecimento científico.

Hoje, os filósofos, além das questões metafísicas tradicionais, formulam novas questões como: A maquina substituirá quase totalmente o homem? A clonagem humana será uma prática aceita universalmente? O conhecimento tecnológico é um benefício para o homem? Quando chegará a vez do combate à fome e à miséria? Etc.

A filosofia é o ato de pensar com crítica, a reflexão filosofia ao contrário da científica, deve ser radical, rigorosa e de conjunto, ou seja, deve se observar a origem, a coerência e a visão de conjunto, não devendo partir de atitudes descrentes.

Desde muito tempo as relações humanas vem trazendo novos conhecimentos para as futuras gerações e para si próprias.

Se olharmos o século XX, veremos quantas novidades em todos os campos do conhecimento tivemos. Mas ao mesmo tempo temos uma forte contradição: se tanta coisa “mudou”, então porque a miséria ,a fome, a guerra, a exploração estão piores do que nunca?

Alguns poderiam dizer que o conhecimento, a filosofia, a ciência, o saber são os culpados. Mas não é bem assim. Poderíamos culpar Santos Dumont por aviões serem usados como instrumento de guerra? Ou Newton e Galileu pelos mísseis destrutivos das potências militares? É óbvio que não.

O conhecimento nos dá poder sobre o mundo, pois conhecendo-o, podemos transformá-lo; tanto para o bem da humanidade e natureza quanto para a destruição dos mesmos.

Mas o conhecimento (especialmente o filosófico) serviu para questionar o poder e para servir a humanidade também.

Assim conclui-se que compreende-se como conhecimento filosófico, o resultado da reflexão sobre a realidade; seja no nível da práxis (relacionada com eventos históricos, sociais, políticos econômicos); seja no nível de teoria (representação rigorosa através das ciências dessa mesma práxis). O conhecimento filosófico deve consistir na articulação com teorias sobre o homem, a sociedade e a técnica.