CONHECIMENTO FILOSOFICO

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O conhecimento filosófico

1 – A tarefa da filosofia

A tarefa da filosofia é um modo de pensar, transformando-a em postura diante do mundo e da realidade, procurando a reflexão a partir de teorias, indo além dos aspectos fenomenais, buscando sempre as suas raízes e seus contextos que abrange os valores coletivos, morais, históricos, econômicos e políticos.

Trata-se de um jogo insolente, partindo do que é real, colocando tudo indefinível, abrindo possibilidades de outros mundos e outros modos de percepção da vida.

A filosofia importuna porque questiona a maneira de ser das pessoas, ela está envolvida em tudo, agora entendemos porque Sócrates condenava a leitura de Karl Marx no Brasil, ambos eram revolucionários ao pesquisar a respeito da verdade, referindo-se a sua época.

2 – O nascimento da filosofia

Foi na Grécia, que surgiu a reflexão filosófica, a passagem da consciência mítica e religiosa para a racional e filosófica não aconteceu repentinamente. Ambas conviveram na sociedade grega.

3 – O pensamento filosófico

O surgimento da filosofia reunia tanto a pesquisa filosófica quanto o conhecimento científico. O filósofo tentava responder perguntas como: “porque”.

O método cientifico foi aperfeiçoado após o século XVII, com Galileu, começaram a se estudar tipos diferentes de ciências. É considerada realidade na filosofia, o que parte de uma visão de conjunto, ou seja, quando falamos de um determinado assunto, temos que considerar toda e qualquer questão relacionada a ele.

Fica sob responsabilidade do filósofo refletir sobre o que é ciência, método cientifico, cabe a ele refletir a respeito da condição humana atual, a respeito da educação imposta. A filosofia procura o mais forte significado dos fenômenos, ou seja, ela vai além daquilo que é, para apresentar o que poderia ser.

4 – Características do pensamento filosófico

Refletir é o mesmo que pensar minuciosamente o que já foi pensado. Segundo “Demerval Saviani”, o pensamento deve ter origem, coerência e um conjunto de fatos, devendo permanecer sempre assim.

5 – Ceticismo e Dogmatismo filosóficos

O cético é aquele que desconfia de tudo, para ele não existe verdade absoluta, ele desconfia de todas as possibilidades de se chegar a um pensamento verdadeiro.

Já o dogmático é aquele que acredita ser o dono da verdade, recusando-se ao diálogo, não aceita que questionem o que ele diz. Historicamente, o dogmatismo é a postura dos primeiros filósofos.

6 – Conclusão

A filosofia é o ato de pensar com crítica, a reflexão filosofia ao contrário da científica, deve ser radical, rigorosa e de conjunto, ou seja,

deve se observar a origem, a coerência e a visão de conjunto, não devendo partir de atitudes descrentes. Ela possui um árduo problema, que causa desordem, pois ela busca a verdade total que o mundo não aceita.

Aquele que se dedica a filosofia, escuta o que o homem diz, olha o que ele faz e se interessa por sua palavra e ação.

7 – Bibliografia

ARANHA, Maria L. de Arruda

MARTINS, Maria H. Pires, Temas de filosofia

PROCESSOS QUÍMICOS E MECÂNICOS DO SISTEMA DIGESTIVO

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PROCESSOS QUÍMICOS E MECÂNICOS DO SISTEMA DIGESTIVO

INTRODUÇÃO

Este trabalho foi pesquisado junto aos livros Corpo Humano ( Gerard J. Tortora) Anatomia Básica ( Spencer) Anatomia Básica (J.G. Dangelo C.A. Fattini).

O trabalho objetiva estudar os processos químicos e mecânicos do sistema digestivo do Corpo Humano (também conhecido como Sistema Digestório), desde da chegada do alimento à boca até o processo de digestão no estomago, intestino delgado, intestino grosso até ser expelido para o meio externo.

PROCESSOS QUÍMICOS E MECÂNICOS DO SISTEMA DIGESTIVO

PROCESSOS MECÂNICOS DO SISTEMA DIGESTÓRIO

O processo mecânico do sistema digestório consiste nos movimentos executados pelos estrutura que compõe o sistema, como a própria mastigação onde é realizado o primeiro processo mecânico, onde o alimento é triturado pelos dentes após o bolo alimentar passar pela faringe e esôfago chega então ao estomago , onde é misturado com as enzimas que o digerem , então as contrações musculares do estomago denominados de movimentos peristálticos que movem o bolo alimentar ao longo do trato gastrintestinal, que acorrem ainda duas formas de movimentos, propulsão e mistura, já no intestino delgado ocorrem a contração e o relaxamento que irão permitir a mistura do conteúdo com os sucos digestivos, estes movimentos continuam até a proximidade do anus.

1 – MASTIGAÇÃO

É o primeiro processo mecânico que ocorre no sistema digestório, é relacionado com a abertura e fechamento da mandíbula, trituração do alimento entre a língua e os dentes e músculos das bochechas.

Assim o alimento é tritura e misturado com a saliva formando o bolo alimentar.

2 – DEGLUTIÇÃO

O bolo alimentar inicia sua movimentação ao longo do trato digestivo pelo deglutição.

“Antes de entrar no esôfago o alimento poderia subir para a nasofaringe ou descer pela traqueia, mas é prevenindo pela elevação palato mole e a úvula contra a parede posterior da faringe. E a entrada na traqueia é protegida pelo fechamento da glote”. (SPENCER)

Se o alimento por um acaso entrar pela cavidade do nariz ou na laringe a resposta usual é a tosse violenta que expele o alimento de volta para a bucofaringe.

Também encontramos a presença de gás no estomago, podendo escapar e então produzimos “arroto”.

Já o conteúdo gástrico acidificado pode irritar o estomago causando a “azia”.

3 – ESTÔMAGO

No estomago onde ocorre os movimento peristálticos a aproximadamente a cada 20 segundo. (TORTORA)

O alimento é misturado com as secreções das glândulas gástrica e se transformam em um liquido fino chamado quimo.

Então o movimento para frente e para traz são responsáveis por quase toda a mistura do estomago.

As atividades mecânicas do estomago incluem:

1 – Armazenar alimentos ;

2- Misturar o alimento (secreções gástricas)

3 – Movimentar o alimento para o duodeno em velocidade compatível para digestão e absorção eficientes.

4 – INTESTINO DELGADO

A absorção dos alimentos ocorre nos intestinos, os eficientes movimentos semelhantes aos movimento do estomago de maneira regular.

No intestino delgado ocorrem dois tipos de movimento:

Seguimentação e peristalse.

O movimento de seguimentação é semelhante a comprimir um tubo de creme dental alternadamente nas extremidades opostas. “Dependendo principalmente de impulsos parassimpáticos para se moverem”.

Os impulsos simpáticos diminuem a motilidade intestinal”. (TORTORA).

A peristalse arremessa o quimo através do trato intestinal, tanto a peristalse quanto a seguimentação são controladas pelo sistema nervoso autônomo.

5 – INTESTINO GROSSO

A passagem do alimento no intestino grosso é regulada pelo esfíncter ileocecal e pelo esfíncter anal, os mesmos movimentos que ocorrem no intestino delgado também acontecem do grosso, porem mais lentos. ” O alimento demora de 18 a 24 horas para chegar ao reto”. (SPENCER)

“Cerca de três a quatro vezes por dia, ondas peristálticas longas e lentas, que configuram o peristaltismo em massa, movimento o conteúdo do colo em direção ao reto”. (SPENCER)

Estes movimentos que movimentam o material fecal que iniciam o reflexo da defecação. Este reflexo são voluntários, começando por uma inspiração profunda seguida por fechamento da glote e contração da parede abdominal. Estas reações aumentam a pressão no abdômen que ajudam a defecação.

PROCESSOS QUÍMICOS DO SISTEMA DIGESTÓRIO

Assim como os processos mecânicos os processos químicos iniciam na cavidade oral, e ocorrem nas várias regiões do trato gastrintestinal.

A digestão química é uma série de reações que degradam as moléculas grandes e complexas de carboidratos , lipídios e proteínas que ingerimos, transformando-as em moléculas simples, pequenas o suficiente para passar através das paredes dos órgãos digestórios e eventualmente para as células do corpo (TORTORA).

1 – DIGESTÃO DA BOCA

Na boca começam a digestão dos carboidratos pela enzima digestiva produzida pelas glândulas salivares chamadas de amilase salivar, que também ocorre no esôfago, na boca os carboidratos são convertidos em amido.

2 – DIGESTÃO NO ESTÔMAGO

A principal atividade química do estomago é iniciar a digestão das proteínas pela enzima chamada de pepsina. Esta enzima é mais efetiva no ambiente intensamente acido do estomago.

“Primeiro a pepsina é secretada em forma inativa, de modo que ela não pode digerir as proteínas nas células principais que a produzem (TORTORA).

Assim as proteínas são convertidas em peptídeos.

3 – DIGESTÃO DO INTESTINO DELGADO

É no intestino delgado que ocorre a maior parte da digestão enzimática e quase toda a absorção.

O conteúdo do intestino delgado que recebe o nome de quimo, estes sofre uma série de transformação ao longo do intestino delgado que alem de produzirem enzimas digestivas presentes em seus vilos também recebem enzimas digestivas do pâncreas e bile do fígado.

No intestino delgado ocorrem a digestão de carboidratos, proteínas e lipídios.

4 – INTESTINO GROSSO

É no intestino grosso que ocorre o último estágio da digestão, que ocorre por meio de ação bacteriana e não enzimática, até 40% da massa fecal é composta por bactérias. (Tortora)

As bactérias fermentam quaisquer carboidratos e libera hidrogênio e dióxido de carbono e gás metano, que contribuem para os gases do colo.

Também é convertida as proteínas restantes em aminoácidos e ainda degradam os aminoácidos em substâncias mais simples, (Indol, Escatol, Sulfeto de hidrogênio e ácidos graxos), alguns destes são conduzidos às fezes, contribuindo para seu odor. O restante é absorvido pelas diferentes áreas de nosso corpo.

CONCLUSÃO

Concluímos com este trabalho que para que a vida seja possível, o organismo deve ser convenientemente nutrido.

Nosso sistema digestório tem esta função, modificar os alimentos para serem aproveitados como energia, bem como para transformar os alimentos digeridos em elementos importantes para o metabolismo.

Os alimentos, na sua maior parte, devem ser previamente “digeridos” (processo químico e mecânico) são transformados em substâncias mais simples que são melhores absorvidas pelo sangue, que depois os transportará a todas as células do corpo.

DESOBEDIENCIA CIVIL

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Resistir pacificamente às leis injustas com o objetivo de acabar com elas

Por uma simples questão de lógica, o cidadão de qualquer país deve obedecer as leis daquele país. Este dever é chamado de obrigação política e, apenas para exemplificá-lo, podemos citar, no caso brasileiro, o voto, que é obrigatório para todos os nossos concidadãos dos 18 aos 70 anos (para quem tem 16, 17 ou mais de 70 é facultativo), de acordo com o artigo 14, parágrafo primeiro da Constituição federal.

Pois bem, considerada a obrigatoriedade de obedecer a lei, torna-se fácil entender o conceito de desobediência civil: trata-se de não obedecer uma lei, uma regra do ordenamento jurídico do país (todos os códigos legais, a começar da Constituição) com o objetivo de mostrar publicamente que ela é injusta e levar os legisladores a modificá-la.

Por isso, o ato desobediente deve ser acompanhado de justificativas que comprovem que ele é legítimo e justo sob o ponto de vista ético. Por exemplo, nos anos 1960, jovens americanos queimavam as convocações para ir lutar no Vietnã, explicando, em atos públicos, porque eram contrários a guerra dos Estados Unidos contra aquele país.

Um ato construtivo
Note que a desobediência comum – ultrapassar o sinal vermelho, por exemplo – é uma ação de caráter anárquico e que outras desobediências ou transgressões podem ter caráter criminoso, pois não têm uma finalidade social. Ao contrário, a desobediência civil é um ato inovador, de caráter eminentemente construtivo e não destruidor.

Justamente por isso chama-se de “civil”: porque quem comete essa desobediência acredita estar cumprindo o seu dever de cidadão, numa situação ou circunstância em que a lei merece mais ser desobedecida do que obedecida.

Quem comete uma transgressão comum procura fazê-lo escondido. Ao contrário, a desobediência civil precisa ganhar o máximo de publicidade para convencer os outros cidadãos, conquistar maioria ou unanimidade e, assim, atingir suas metas.

O direito de ser governado por leis justas
O argumento filosófico que fundamenta a desobediência civil é o seguinte: o cidadão só tem o dever moral de obedecer as leis, se os legisladores produzirem leis justas.

Afinal, entre o cidadão e o legislador existe uma relação de reciprocidade: se o legislador tem de ser obedecido, o cidadão, por sua vez, tem o direito de ser governado com ética e sabedoria.

A concepção mais moderna de desobediência civil foi formulada no ensaio “Civil Disobedience”, do escritor norte-americano Henry David Thoureau, publicado em 1849. Ele o escreveu ao se recusar a pagar taxas ao governo de seu país, que as empregava numa guerra movida injustamente contra o México.

Diante das conseqüências de seu próprio ato, que poderia levá-lo à prisão, Thoureau declarou: “Quando um governo prende injustamente qualquer pessoa, o lugar de um homem justo é a prisão”.

Isso significa que a desobediência civil – questionando um ponto específico do ordenamento jurídico de um país – pressupõe que o desobediente aceite a conseqüente punição de seu ato, pois reconhece que o Estado tem o direito e a obrigação de punir quem descumpre a lei.

Atualmente, chama-se a isso de desobediência civil passiva e se reconhece a existência de uma desobediência civil ativa, em que os desobedientes se vêem no direito de subtrair-se às penalidades legais.

Ação exemplar
Resumidamente, a desobediência civil visa substituir o discurso de protesto pela ação exemplar. Por isso mesmo, é importante dar exemplos de atos de desobediência civil.

Entre eles, podem-se citar as diversas campanhas do líder indiano Mohandas Gandhi, contra o regime do apartheid na África do Sul ou na campanha pela independência de seu país.

Gandhi incorporou à noção de desobediência civil o caráter de não-violência. A desobediência civil é feita de atos pacíficos e seus praticantes não reagem à repressão quando a ela são submetidos.

Outro exemplo histórico digno de nota é o da luta pacífica empreendida pelos negros norte-americanos, agrupados em torno do pastor luterano Martin Luther King, para conquistar seus direitos políticos e sociais, nos Estados Unidos dos anos 1950/1960.

Lá, nessa época, os negros eram considerados cidadãos de segunda categoria e estavam sujeitos não só à discriminação como a toda sorte de perseguições e humilhações.

Rosa Parks
Entre outras, deviam ceder os lugares nos ônibus para os brancos, para estes viajarem com maior conforto. Os negros que ficassem de pé. Pois bem, no Alabama, em 1 de dezembro de 1955, uma mulher negra de 42 anos chamada Rosa Parks recusou-se a ceder seu assento a um branco. Foi presa e obrigada a pagar uma fiança de U$ 14,00 (valor significativo à época).

Seu gesto de desobediência, porém, deu início à campanha que, liderada por King, daria aos negros americanos os mesmos direitos dos cidadãos brancos. De lá para cá, as coisas mudaram muito.

O racismo ainda existe, mas uma das principais assessoras do presidente norte-americano George W. Bush, cotada até para sucedê-lo na próxima eleição, é uma mulher negra: Condoleeza Rice.

Fonte: Uol

ARISTÓTELES – O PENSAMENTO FILOSÓFICO E CIENTÍFICO

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A expansão do pensamento filosófico e científico

Em 1996, descobriu-se em Atenas, Grécia, o sítio arqueológico onde funcionou o Liceu – a escola fundada por Aristóteles (384-322 a.C.), para concorrer com a Academia, a escola anterior, fundada por seu antigo professor, Platão (427-347 a.C.). A fundação do Liceu não reflete nenhuma ingratidão do discípulo com seu mestre, que por sinal já havia morrido há cerca de dez anos quando a escola aristotélica surgiu (336 a.C.).

Aluno de Platão, a quem reconhecia o gênio, Aristóteles passou a discordar de uma idéia fundamental de sua filosofia e, então, o pensamento dos dois se distanciou. Talvez seja esse o ponto de partida para se falar da obra filosófica aristotélica.

Platão concebia a existência de dois mundos: aquele que é apreendido por nossos sentidos – por assim dizer, o mundo concreto -, que está em constante mutação; e um outro mundo – abstrato -, o mundo das idéias, imutável, independente do tempo e do espaço, que nos é acessível somente pelo intelecto.

O mundo da experiência
Para Aristóteles, existe um único mundo: este em que vivemos. Só nele encontramos bases sólidas para empreender investigações filosóficas. Aliás, é o nosso deslumbramento com este mundo que nos leva a filosofar, para conhecê-lo e entendê-lo.

Aristóteles sustenta que o que está além de nossa experiência não pode ser nada para nós. Nesse sentido, ele não acreditada e não via razões para acreditar no mundo das idéias ou das formas ideais platônicas.

Porém, conhecer o mundo da experiência, “concreto”, foi um desejo ao qual Aristóteles se entregou apaixonadamente. Assim, ele descreveu os campos básicos da investigação da realidade e deu-lhes os nomes com que são conhecidos até os nossos dias: lógica, física, política, economia, psicologia, metafísica, meteorologia, retórica e ética.

Aliás, ele inventou também os termos técnicos dessas disciplinas e eles também se mantêm em uso desde então. Exemplos? Energia, dinâmica, indução, demonstração, substância, essência, propriedade, categoria, proposição, tópico, etc.

O que é ser?
Filósofo que sistematizou a lógica, Aristóteles definiu as formas de inferência que são válidas e as que não são, além de nomeá-las. Durante dois milênios, estudar lógica significou estudar a lógica aristotélica.

Aristóteles aplicou a lógica, antes de mais nada, para responder a uma questão que lhe parecia a mais importante de todas: o que é ser?, ou, em outras palavras, o que significa existir? Primeiramente, o filósofo constatou que as coisas não são a matéria de que se constituem.

Por exemplo, uma pilha de telhas, outra de tijolos, vigas e colunas de madeira não são uma casa. Para se tornarem casa, é necessário que estejam reunidas de um modo determinado, numa estrutura muito específica e detalhada. Essa estrutura é a casa e os materiais, embora necessários, podem variar.

Com o tempo, nosso corpo está em constante mutação – transforma-se da infância para adolescência, desta para a idade adulta e, finalmente, para a velhice. Nem por isso deixamos de ser nós mesmos. Da mesma maneira, um cão é um cão em virtude de uma organização e estrutura que ele compartilha com outros cães e que o diferencia de outros animais que também são feitos de carne, pelos, ossos, sangue…

As quatro causas
Para Aristóteles uma coisa é o que é devido a sua forma. Como, porém, o filósofo entende essa expressão? Ele compreende a forma como a explicação da coisa, a causa de algo ser aquilo que é. Na verdade, Aristóteles distingue a existência de quatro causas diferentes e complementares:

Causa material: de que a coisa é feita? No exemplo da casa, de tijolos.

Causa eficiente: o que fez a coisa? A construção.

Causa formal: o que lhe dá a forma? A própria casa.

Causa final: o que lhe deu a forma? O construtor.

Embora Aristóteles não seja materialista (vimos que a forma não é a matéria), sua explicação do mundo é mundana, está no próprio mundo. Finalmente, para o filósofo, a essência de qualquer objeto é a sua função. Diz ele que, se o olho tivesse uma alma, esta seria o olhar; se um machado tivesse uma alma, esta seria o cortar. Entendendo isso, entendemos as coisas.

Mas o pensamento aristotélico não se limitou a essa área da filosofia que podemos chamar de teoria do conhecimento ou epistemologia. Deixando de lado os domínios que deram origem a outras ciências e nos limitando à filosofia propriamente dita, Aristóteles ainda refletiu sobre a ética, a política e a poética (que, no caso, compreende não apenas a poesia, mas a obra literária e teatral).

Ética e política
No campo da ética, segundo Aristóteles, todos nós queremos ser felizes no sentido mais pleno dessa palavra. Para obter a felicidade, devemos desenvolver e exercer nossas capacidades, no interior do convívio social.

Aristóteles acredita que a auto-indulgência e a autoconfiança exagerados criam conflitos com os outros e prejudicam nosso caráter. Contudo, inibir esses sentimentos também seria prejudicial. Vem daí sua célebre doutrina do justo meio, pela qual a virtude é um ponto intermediário entre dois extremos, os quais, por sua vez, constituem vícios ou defeitos de caráter.

Por exemplo, a generosidade é uma virtude que se situa entre o esbanjamento e a mesquinharia. A coragem fica entre a imprudência e a covardia; o amor-próprio, entre a vaidade e a falta de auto-estima, o desprezo por si mesmo. Nesse sentido, a ética aristotélica é uma ética do comedimento, da moderação, do afastamento de todo e qualquer excesso.

Para Aristóteles, é a ética que conduz à política. Segundo o filósofo, governar é permitir aos cidadão viver a vida plena e feliz eticamente alcançada. O Estado, portanto, deve tornar possível o desenvolvimento e a felicidade do indivíduo. Por fim, o indivíduo só pode ser feliz em sociedade, pois o homem é, mais do que um ser social, um animal político – ou seja que precisa estabelecer relações com outros homens.

O papel da arte
A poética tem, para o filósofo, um papel importantíssimo nisso, na medida em que é a arte – em especial a tragédia – que nos proporciona as grandes noções sobre a vida, por meio de uma experiência emocional. Idenfificamo-nos com os personagens da tragédia e isso nos proporciona a catarse, uma descarga de desordens emocionais que nos purifica, seja pela piedade ou pelo terror que o conflito vivido pelas personagens desperta em nós.

Tudo isso é, evidentemente, um resumo ultra-sintético do pensamento aristotélico. Sua obra é gigantesca, apesar de a maior parte dela ter se perdido ao longo dos tempos. O que chegou até nós corresponde a 1/5 de sua produção. São notas suas e de seus discípulos que passaram nas mãos de estudiosos da Antigüidade, da Idade Média (parte dos quais em países islâmicos), e que foram reorganizadas pela posteridade.

Principalmente em função disso, a leitura de Aristóteles é difícil e seus textos não possuem a qualidade artística que encontramos nas obras de Platão.

Fonte: uol
Autor: Antonio Carlos Olivieri

BIODIVERSIDADE – AMAZONIA BRASILEIRA

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Fonte: uol
Autor: Luiz Carlos Parejo

A floresta Amazônica possui aproximadamente 5,5 milhões de km², sendo que 60% no Brasil, e o restante (40%) na Colômbia, Equador, Bolívia, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. No Brasil, a floresta é chamada de Amazônia Legal e abrange os Estados do Amazonas, Amapá, Mato Grosso, oeste do Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima, Acre e Tocantins.
A floresta Amazônica é densa e fechada, o que dificulta a sua penetração e ocupação, higrófita (adaptada a grande umidade), perenifólia (apresenta folhas verdes nas copas durante o ano todo), e latifoliada (folhas grandes e largas). Possui grande biodiversidade (variedade de espécies animais e vegetais).

Há milhões de anos, a área onde está localizada era um mar e, por isso, ela apresenta solos geologicamente pouco férteis e arenosos. A floresta derruba seus galhos, frutos, folhas, animais morrem, etc. formando uma camada superficial de matéria orgânica que se decompõe e transforma-se em húmus que, por sua vez, alimenta a vegetação.

Ciclo de carbono
Ela se auto sustenta, pois se mantém produzindo o seu próprio alimento e criando um ciclo de carbono relativamente fechado. Por isso quando é queimada ou desmatada e se desenvolve a agricultura durante alguns anos, em grandes áreas, a dinâmica da floresta é interrompida e os nutrientes depositados são consumidos. É necessário muito tempo para ela se recuperar ou, pior, a floresta pode entrar em um processo de degradação com processos erosivos intensos.

O ciclo de oxigênio também é algo polêmico por que alguns autores chamam a Amazônia de pulmão do mundo, querendo dizer que ela produz muito oxigênio para o planeta todo, o que não é verdade: apesar de produzir muito oxigênio, pelo processo da fotossíntese, este é consumido à noite e pela decomposição da matéria orgânica.

A Amazônia é muito importante para o ambiente do planeta pois ela fixa o carbono da atmosfera, através do crescimento das plantas e da fotossíntese, reduzindo, assim, o efeito estufa. Ela reduz a variação da temperatura junto ao Equador, atuando como um aparelho de ar condicionado, caso a floresta não existisse a grande variação diária de temperatura poderia provocar deslocamentos intensos de vento o que mudaria o clima terrestre.

Diversidade e complexidade
Também não podemos esquecer que ela abriga um grande número de povos indígenas, sem falar em sua riqueza de matéria prima variada (remédio, minerais, alimentos, etc). Em uma análise por satélite da Amazônia, foram identificados 104 sistemas de paisagens, o que revela uma alta diversidade e complexidade de ecossistemas.

A árvores da Amazônia variam entre 40 e 300 espécies diferentes por hectare. Das 250.000 espécies de plantas superiores da terra, 170.000 (68%) vivem exclusivamente nos trópicos, sendo 90.000 na América do Sul.

Podemos dividir a floresta Amazônica em três grandes grupos:

1) Florestas de Igapó: ocorrem em solos que permanecem alagados durante cerca de seis meses, em áreas próximas aos rios. As árvores podem atingir até 40 metros de altura e raramente perdem as folhas – geralmente largas para captar a maior quantidade possível de luz solar. Nas águas aparecem as folhas da vitória-régia – que chegam a ter 4 metros de diâmetro. Ocorrem associadas aos rios de água branca.

2) Florestas de Várzea: as árvores são de grande porte (até 40 metros de altura) e apresentam características semelhantes ao igapó – embora a várzea apresente maior número de espécies. Ocorrem associadas aos rios de água preta.

3) Florestas de Terra Firme: apresentam grande porte, variando entre 30 e 60 metros; o dossel é contínuo e bastante fechado, tornando o interior da mata bastante úmido e escuro. Esta formação está presente nas terras altas da Amazônia e mescla-se com outros tipos de associações locais, como os campos e os cerrados amazônicos.

ANO BISSEXTO – Por que a cada 4 anos fevereiro tem 29 dias?

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Você já deve ter notado que, de quatro em quatro anos, o mês de fevereiro ganha um dia a mais -passa de 28 para 29 dias-, e é claro que há uma boa razão para isso. O sistema que usamos para contar o tempo é o calendário gregoriano, que surgiu com base em outros calendários inspirados no movimento de rotação da Terra. Uma volta do planeta em torno do seu eixo equivale a um dia, e uma volta da Terra em torno do Sol equivale a um ano.

Para girar em torno de si mesmo, nosso planeta demora 24 horas. Já para dar uma volta completa em torno do Sol, a Terra demora exatamente 365 dias, 6 horas, 41 minutos e 59 segundos. Por isso nosso ano tem 365 dias, divididos em 12 meses. Mas a adoção deste sistema de contagem de tempo trouxe um problema: o que fazer com as 6 horas, 41 minutos e 59 segundos que sobravam?

Foram os egípcios de Alexandria que, há mais de 2.200 anos, tiveram a idéia de, a cada quatro anos, adicionar um dia a mais ao calendário, para compensar as seis horas restantes (deixaram para lá os 41 minutos e 59 segundos).

Faça as contas:
6 horas do 1º ano + 6 horas do 2º
+ 6 horas do 3º + 6 horas do 4º ano = 24 horas

Dá um dia certinho, que a cada quatro anos aparece na folhinha como o dia 29 do mês de fevereiro.

Por que o nome bissexto?
O imperador romano Júlio César trouxe a idéia do ano bissexto para o ocidente. Ele até importou um astrônomo para elaborar o novo calendário: o grego Sosígenes. Sosígenes só não sabia em que parte do ano colocar o dia que estava sobrando. Júlio César ordenou que ele fosse “o dia sexto antes das calendas de março”. Em latim, isso seria dito assim: “bis sextum ante diem calendas martii”.

Há outras formas de contar o tempo

Existem outras maneiras de contar o tempo. Os chineses, por exemplo, baseiam seu calendário nos movimentos da Lua e dividem o tempo em ciclos de 60 anos. Mas o calendário gregoriano é o que foi escolhido para ser universal, reconhecido por todos os países.

ESCASSEZ DE ÁGUA – Quais as áreas mais atingidas?

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Fonte: Uol
Autor: Ronaldo Decicino

Os mananciais do planeta estão secando rapidamente, o que vai se somar ao crescimento populacional, à poluição e ao aquecimento global, resultando na diminuição da quantidade de água disponível para cada pessoa no mundo. A quantidade per capita no mundo vem caindo desde 1970.

Segundo alerta relatório das Nações Unidas, a escassez da água vai afetar diretamente a qualidade de vida. Atualmente já são 2 bilhões de pessoas enfrentando a falta de água, a previsão é que em 2025 este número dobre. Em cem anos o consumo de água cresceu 6 vezes, taxa duas vezes maior que o crescimento demográfico. O uso intensivo na agricultura foi a principal causa do aumento.

A metade dos 12.500 km3 de água doce disponíveis no planeta já está sendo utilizada e, nos próximos 20 anos, é esperado que a média mundial de água disponível por habitante diminua um terço, fazendo com que duas em cada três pessoas tenham que viver numa situação crítica de escassez de água. Infelizmente, quase todos os 3 milhões de habitantes que devem ser adicionados à população mundial até 2050 nascerão em países que já sofrem com a escassez de água. Ou seja, não terão acesso a água de qualidade.

As áreas mais atingidas serão a África, a Ásia Central e o Oriente Médio, local onde especialistas acreditam que eventuais conflitos vierem a ocorrer no neste século serão causados cada vez mais por causa da água e cada vez menos por causa do petróleo.

ÁGUA POTÁVEL – APENAS 3% SÃO DOCE

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Fonte: Uol
Autor: Ronaldo Decicino

A água potável é um recurso finito, que se espalha em partes desiguais pela superfície terrestre. Se, por um lado, seu ciclo natural se responsabiliza pela sua manutenção tornando-a um recurso renovável, por outro, suas reservas são limitadas.

A quantidade de água doce produzida pelo seu ciclo natural é hoje basicamente a mesma que em 1950 e que deverá permanecer inalterada até 2050. Essencial para a vida, a água doce tornou-se um problema em todos os continentes, levando a ONU (Organização das Nações Unidas) a criar em 2004 o Dia Mundial da Água – 22 de março.

Preocupar-se com a escassez de água em um planeta que tem 75% de sua superfície coberta por água parece absurdo. No entanto, a maior parte desse volume encontra-se nos mares e oceanos – água salgada, imprópria para o consumo humano e para a produção de alimentos.

Apesar de 75% da superfície do planeta ser recoberta por massas líquidas, a água doce não representa mais do que 3% desse total. Apenas um terço da água doce – presente nos rios, lagos, lençóis freáticos superficiais e atmosfera – é acessível. O restante está concentrado em geleiras, calotas polares e lençóis freáticos profundos, conforme mostra a tabela abaixo:

Local Volume (km3) Percentual do total (%)

Oceanos 1.370.000 97,61
Calotas polares e geleiras 29.000 2,08
Água subterrânea 4.000 0,29
Água doce de lagos 125 0,009
Água salgada de lagos 104 0,008
Água misturada no solo 67 0,005
Rios 1,2 0,00009
Vapor d’água na atmosfera 14 0,0009

Consumo de água
Embora seja uma substância abundante em nosso planeta, especialistas alertam para um possível colapso das reservas de água doce, que vêm se tornando uma raridade em vários países. A quantidade de água no mundo permanece constante, ao passo que a procura aumenta a cada dia e, somada a essa, procura tem-se atitudes e comportamentos que vão do desperdício à poluição, resultando numa relação desigual entre natureza e seres humanos – enquanto as reservas de água estão diminuindo, a demanda cresce de forma dramática e em um ritmo insustentável.

Referências Bibliográficas
“A questão da água no Brasil e no mundo” – Nelson Bacic Olic – Revista Pangea Mundo;
“A possível futura escassez de água doce que existe na Terra” – Rosana Camargo
Encarte Folha Ciência – Folha de São Paulo 14/08/2002.

AQÜIFERO GUARANI

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Águas subterrâneas também estão em risco

A contaminação da água doce que circula pelo planeta é cada vez maior, seja causada por agrotóxicos e fertilizantes químicos usados na agricultura, por resíduos de processos industriais, por esgotos domésticos e por lixões, sem esquecer dos dejetos químicos de produtos empregados na mineração.

Com a poluição das águas de superfície, a humanidade passou a se abastecer em grande parte das águas subterrâneas. Um bilhão e meio de habitantes de centros urbanos do mundo dependem totalmente delas para sobreviver. No Brasil, 80% das cidades do Centro-Sul já são abastecidas pelas águas tiradas das profundezas subterrâneas.

Mas essas as reservas estão diminuindo em todo o planeta de forma impressionante, em especial no Oriente Médio e na África. Elas não se renovam com a velocidade da extração feita pelo ser humano. Na Europa, 50% das cidades convivem com a ameaça, num futuro próximo, de falta de água. Elas precisam dos depósitos sob a terra e os exploram acima da capacidade de reposição natural que eles têm.

O que são os aqüíferos
Por esse cenário, crescem em importância os aqüíferos. Eles são grandes depósitos subterrâneos de água alimentados pelas chuvas que se infiltram no subsolo. Por sua vez, alimentam mananciais de água na superfície e formam lagoas, rios ou pântanos. Não custa recapitular: só cerca de 3% de toda a água do planeta é doce. Mais ou menos a terça parte disso (30,1%) existe em reservatórios no subsolo.

Muitas pessoas pensam que os aqüíferos são grandes bolsões subterrâneos encapados em rocha e cheios de água. Não é assim na maioria das vezes. A água costuma preencher os espaços entre os sedimentos arenosos, como se fosse em uma tigela com com areia e água misturados, ou se infiltra pelas fraturas, ou rachaduras, das rochas – pense em uma imensa esponja que absorve a água e você vai ter a idéia mais próxima do que é um aqüífero. Apenas em alguns casos a água fica armazenada em bolsões, quando ela dissolve as rochas.

O Guarani
O aqüífero Guarani é o principal manancial de água doce da América do Sul, formado entre 200 milhões e 132 milhões de anos atrás, nos períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo Inferior . Imagine só: oito estados brasileiros, mais o Norte da Argentina e do Uruguai, e parte do Paraguai se assentam sobre esse oceano de água doce, numa área de 1,2 milhão de quilômetros quadrados – o que faz dele o maior reservatório de água subterrânea transnacional do mundo.

E a maior parte dele fica em território brasileiro – são dois terços da área total, nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Só em um desses estados, São Paulo, o Guarani é explorado em mais de mil poços – e a maioria deles fica numa área de recarga do aqüífero, isto é, na região de 17 mil quilômetros quadrados em que ele se recarrega com a infiltração das águas das chuvas.

Prevenção e cuidados
Especialistas alertam que essa área é a mais vulnerável e precisa ter sua exploração supervisionada por programas ambientais que previnam a poluição da água subterrânea e também seu esgotamento.

Outro cuidado necessário por parte de uma política governamental é evitar que fertilizantes químicos e pesticidas utilizados na agricultura dessa região contaminem os lençóis freáticos. Só para recordar: lençol freático é a parte superior de um depósito subterrâneo de água.

De acordo com estudos da Universidade da Água, a poluição dos aqüíferos superiores que ocorre, no Brasil, Paraguai, Uruguai ou Argentina, poderá contaminar a água que é extraída dos poços profundos, “até mesmo quando estão localizados nos seus setores confinados”.

Mas nem só de subsolo vive um aqüífero: embora tenha camadas com profundidades que variam entre 50 metros e 1.800 metros, ele também surge na superfície, em afloramentos – e nesses locais o risco de contaminação com agrotóxicos é muito maior.

Uma das propostas apresentadas no Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Aqüífero Guarani – organizado pelas nações em que ele está presente – proíbe a agricultura que usa fertilizantes e pesticidas, como a da cana-de-açúcar, nos locais de afloramentos, como na região de Botucatu, em São Paulo. Podem ainda ser criadas áreas de restrição para novas perfurações.

Homenagem à nação indígena
Batizado primeiramente de aqüífero Botucatu (hoje o nome de um reservatório menor, em São Paulo), o Guarani foi totalmente mapeado nos anos 1970, quando companhias petrolíferas fizeram prospeção dos terrenos em que ele se encontra e definiram sua extensão.

O nome definitivo, Guarani, foi dado pelo geólogo uruguaio Danilo Anton em homenagem à nação indígena que habitava a região desde antes da chegada dos europeus ao continente sul americano.

Diamantes não são vitais
O canadense Marq Villiers, autor de “Água: Como o Uso do Precioso Recurso Natural Poderá Acarretar a Mais Séria Crise do Século 21 (Ediouro, 2002), calcula que – se todos os recursos hídricos disponíveis para consumo fossem espalhados sobre o globo – formariam uma piscina em que uma pessoa com 1,82 m de altura poderia caminhar sem se afogar.

“O esgotamento dos lençóis freáticos é uma das grandes crises invisíveis mas ameaçadoras que o planeta enfrenta, com todas as suas implicações de queda na oferta de alimentos, miséria humana, fome, conflitos e guerra”, alerta.

Adam Smith, economista escocês autor de “Riqueza das Nações” (1776) e considerado pai do liberalismo econômico, criticava o fato de diamantes valerem tanto e a água – tão essencial para a vida no planeta como o ar que respiramos – não valer coisa alguma. Quase três séculos depois, algo está mudando: os diamantes ainda custam fortunas, mas a água de qualidade – ou o acesso a ela – já está em vias de valer muito mais.

Exploração irresponsável
Entre outros exemplos da irresponsabilidade humana em relação aos cada vez mais escassos recursos hídricos, podem ser citados os que seguem:

O aqüífero de Ogallala, no Arizona, nos Estados Unidos, pode desaparecer: já perdeu o equivalente a 18 vezes o volume do rio Colorado por causa da irrigação de áreas extensas na agricultura da região das Grandes Planícies;

Na Líbia, a exploração dos lençóis subterrâneos para irrigar as plantações já secou muitos dos poços de onde se extrai a água;

Na Tailândia, a retirada da água subterrânea faz algumas áreas da capital, Bangcoc, afundarem cerca de 14 centímetros por ano. É que as rochas do subsolo que servem de sustentação diminuem de tamanho quando ficam secas, e o solo cede. Para piorar, como a região é de litoral, o espaço deixado pela água doce retirada é preenchido por água salgada, inutilizando os lençóis subterrâneos para o consumo;

Na Indonésia, a exploração desenfreada dos aqüíferos fez o mar avançar cerca de 15 quilômetros para o interior.

PROTOCOLO DE KYOTO – REDUÇÃO DO AQUECIMENTO GLOBAL

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Depois de mais de seis anos de negociações, entrou em vigor, no dia 16 de fevereiro de 2005, o Protocolo de Kyoto, único instrumento internacional já concebido para lidar com o maior desafio ambiental da história: a redução do aquecimento global.

O protocolo exige que países industrializados reduzam em 5,2% -em relação aos níveis de 1990- suas emissões de gases de carbono. Segundo cientistas, esses gases estão provocando o efeito estufa (aquecimento global) e outras alterações no clima do planeta. As metas de redução dos gases devem ser cumpridas até 2012.

Para pesquisadores, ambientalistas e diplomatas, o acordo de Kyoto representa mais um sucesso diplomático do que ambiental. O documento, que pretende cortar a emissão de gases causadores do efeito estufa, é um triunfo do multilateralismo representado pela ONU. Mas deixa de fora o maior poluidor do planeta, os EUA.

O documento foi apresentado pela primeira vez para a assinatura dos países no dia 16 de março de 1998. Em 2001, o presidente George W. Bush declarou que os EUA, responsáveis em 1990 por 36,1% das emissões dos países industrializados, abandonariam o protocolo, por ser danoso à sua economia.

Ironicamente, o feito de diplomacia, envolvendo 141 países signatários, pode, em parte, ser creditado a Bush. Caso o presidente dos EUA não tivesse desistido do protocolo, seria difícil apostar no cumprimento do acordo.

É o que afirma o economista Henry Jacoby, do Programa Mudanças Globais do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos EUA. “Alguns países terão dificuldades, mas, no geral, o acordo deverá ser cumprido, porque a Rússia, por conta de seu colapso econômico, reduziu suas emissões e terá muitos créditos para vender às nações que não conseguirem atingir suas metas”, diz. “Agora, se os EUA estivessem no protocolo, haveria essa enorme demanda por créditos e não seria possível atender a todos.”

Medidas
As reduções das emissões dos gases devem acontecer em várias atividades econômicas, especialmente nas de energia e transportes. Os países devem cooperar entre si por meio das seguintes ações básicas:

reforma dos setores de energia e transportes

promoção do uso de fontes energéticas renováveis

eliminação de mecanismos financeiros e de mercado inadequados aos fins da Convenção de Kyoto

redução das emissões de metano no gerenciamento de resíduos e dos sistemas energéticos

proteção de florestas e outros sumidouros de carbono

Um ponto em aberto é a punição aos países que não cumprirem suas metas até 2012. Segundo o acordo, caso um país não cumpra a meta no primeiro período de compromisso, ele teria de pagar a dívida no segundo, já que o protocolo prevê uma nova etapa com a estipulação de cortes além de 2012.

Mesmo falando só do primeiro período de compromisso, sabe-se que as metas de redução estão muito aquém do que o planeta precisa para permanecer saudável. Para José Goldemberg, secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, o grande impulso para ir além deve vir da própria mudança climática.

“Em mais alguns anos, as evidências de que o aquecimento é real vão ser tão fortes, veremos tantas catástrofes, que os países vão entrar em pânico”, diz.

Uma coisa é virtualmente consenso: o planeta está mais quente, e por culpa do homem. “Nós sabemos, pelos testemunhos de gelo [cilindros retirados da Groenlândia e da Antártida, que guardam registros da atmosfera do passado] que nunca nos últimos 700 mil anos foi tão alto o nível de gases-estufa. Isso é indubitavelmente artificial”, afirma o glaciologista Jefferson Cardia Simões, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

O problema é saber que tipo de alteração o clima da Terra pode sofrer diante dessas mudanças. A incerteza ainda campeia. “É muito provável que tenhamos um aumento médio de 1º C até 2100, e talvez muito mais”, diz o climatologista Peter Stone, do MIT. O resultado mais previsível dessa alteração é o derretimento de geleiras e o aumento resultante do nível dos mares.

Brasil
Embora o tratado não exija compromissos de redução de emissões de gases de países em desenvolvimento, o Brasil assinou a carta de ratificação do acordo em 23 de julho de 2002. O país é responsável pela produção anual de 250 milhões de toneladas de carbono (10 vezes menos que os EUA).

Entre os programas promovidos pelo governo brasileiro para a implementação da convenção do clima, destacam-se o Programa Nacional da Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural, o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) e o Programa de Redução de Emissões Veiculares.