ALGUMAS TÉCNICAS REDACIONAIS IMPRESCINDÍVEIS

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DICAS PARA ANALISAR, COMPREENDER, E INTERPRETAR TEXTOS

CARTA DE APRESENTAÇÃO

Caro aluno,

Muitas vezes se tira nota baixa em REDAÇÃO simplesmente porque se comete uma série de erros gramaticais bobos, tolos, inadmissíveis.

A principal finalidade deste MANUAL será contribuir de forma decisiva para que claudicações dessa natureza não mais sejam repetidas.

É uma obra que se destina a estudantes que estejam fazendo o último ano do curso pré-escolar, cursando os ensinos fundamental e médio, até aqueles que estão se preparando para concurso ou vestibular.

Servirá, portanto, para qualquer membro da família, inclusive para quem já concluiu o curso universitário e queira aprimorar-se na arte de escrever.

Meus Sinceros Agradecimentos,

Profº. Geimes Raulino

MELHORE SUA REDAÇÃO

Oferecemos algumas dicas para que o vestibulando faça um bom texto na prova de redação. Pode-se dizer ser os “os dez mandamentos da redação”.

1) Pense no que você quer dizer e diga da forma mais simples. Procure ser direto na construção das sentenças. Escreva com simplicidade.

2) Corte palavras sempre que possível. Use a voz ativa, evite a passiva. Evite termos estrangeiros e jargões.

3) Seja cauteloso ao utilizar as conjunções “como”, “entretanto”, “no entanto” e “porém”. Quase sempre são dispensáveis. Evite o uso excessivo de advérbios. Tome cuidado com a gramática.

4) Tente fazer com que os diálogos escritos (em caso de narração) pareçam uma conversa. Uso do gerúndio empobrece o texto. Exemplo: Entendendo dessa maneira, o problema vai-se pondo numa perspectiva melhor, ficando mais claro…

5) Evite o uso excessivo do “que”. Essa armadilha produz períodos longos. Prefira frases curtas. Exemplo: O fato de que o homem que seja inteligente tenha que entender os erros dos outros e perdoá-los não parece que seja certo. Adjetivos que não informam são dispensáveis. Por exemplo: luxuosa mansão. Toda mansão é luxuosa. Tenha coerência textual.

6) Evite clichês (lugares comuns) e frases feitas. Exemplos: “subir os degraus da glória”, “fazer das tripas coração”, “encerrar com chave de ouro”, “silêncio mortal”, “calorosos aplausos”, “mais alta estima”.

7) Verbo “fazer”, no sentido de tempo, não é usado no plural. É errado escrever: “Fazem alguns anos que não leio um livro”. O certo é “Faz alguns anos que não leio um livro”.

Cuidado com redundâncias. É errado escrever, por exemplo: “Há cinco anos atrás”. Corte o “há” ou dispense o “atrás”. O certo é “Há cinco anos…”.

9) Só com a leitura intensiva se aprende a usar vírgulas corretamente. Leia os bons autores e faça como eles: trate a vírgula com bons modos. As regras sobre o assunto são insuficientes. Leia muito, leia sempre, leia o que lhe pareça agradável.

10) Nas citações, use aspas, coloque a vírgula e um verbo seguido do nome de quem disse ou escreveu aquilo. Exemplo: “O que é escrito sem esforço é geralmente lido sem prazer.”, disse Samuel Johnson.

NOCÕES DE DISSERTAÇÃO

Existem dois tipos de dissertação: a dissertação expositiva e a dissertação argumentativa. A primeira tem como objetivo expor, explicar ou interpretar idéias; a segunda procura persuadir o leitor ou ouvinte de que determinada tese deve ser acatada. Na dissertação argumentativa, além disso, tentamos, explicitamente, formar a opinião do leitor ou ouvinte, procurando persuadi-lo de que a razão está conosco.

Observar a estrutura dos textos dissertativos é um bom momento de aprendizagem. Recomenda-se tal exercício aos vestibulandos: ler editoriais e artigos de jornais.
Na dissertação expositiva, podemos explanar sem combater idéias de que discordamos. Por exemplo, um professor de História pode fazer uma explicação sobre os modos de produção, aparentando impessoalidade, sem tentar convencer seus alunos das vantagens e desvantagens deles. Mas, se ao contrário, ele fizer uma explanação com o propósito claro de formar opinião dos seus alunos, mostrando as inconveniências de determinado sistema e valorizando um outro, esse professor estará argumentando explicitamente.
Para a argumentação ser eficaz, os argumentos devem possuir consistência de raciocínio e de provas. O raciocínio consistente é aquele que se apóia nos princípios da lógica, que não se perde em especulações vãs, no “bate-boca” estéril. As provas, por sua vez, servem para reforçar os argumentos. Os tipos mais comuns de provas são: os fatos-exemplos, os dados estatísticos e o testemunho.
Em geral, para se obter maior clareza na exposição de um ponto de vista, costuma-se distribuir a matéria em três partes:

Introdução – em que se apresenta a idéia ou o ponto de vista que será defendido;
Desenvolvimento ou argumentação – em que se desenvolve o ponto de vista para tentar convencer o leitor; para isso, deve-se usar uma sólida argumentação, citar exemplos, recorrer à opinião de especialistas, fornecer dados, etc.
Conclusão – em que se dá um fecho ao texto, coerente com o desenvolvimento, com os argumentos apresentados.

MODELO DE DISSERTAÇÃO

Veja o seguinte tema: “A nova ordem mundial enfraqueceu ou não o poder político?”. Uma “dissertação-modelo” foi por nós elaborada com o propósito de demonstrar uma das múltiplas formas possíveis de abordagem do tema em questão e para exemplificar um modo pelo qual um eventual vestibulando pudesse abordar o tema.
Atenção: o texto que se segue, em hipótese alguma, é uma forma única de se escrever sobre o assunto; ele é simplesmente um modelo, uma sugestão.

TÍTULO: OS NOVOS DONOS DO PODER

Ao longo dos Tempos Modernos, período compreendido entre os séculos XVI e início do XIX, o poder do Estado sobre a nação era exclusivo e incontestável. As estruturas econômicas, sociais e culturais ainda não tinham transcendido* as fronteiras dos estados nacionais. Desconhecia-se qualquer organização supranacional, com exceção da Igreja Católica, que afrontasse o poder do Rei, então absolutamente soberano sobre as atividades e comportamentos de seus súditos. O poder político e jurídico do Estado tinha condições de impor regras e determinações a empresas, instituições da sociedade civil e também aos cidadãos. Desobedecer a vontade do “Príncipe*” significava prisão, represálias e, muitas vezes, até a eliminação física pelo emprego da pena capital. Na época, portanto, era absolutamente válida a conhecida frase de Luís XVI, o “Estado sou eu”.
Com o desenvolvimento do capitalismo, ampliando, em escala mundial, o comércio e as aplicações financeiras, o estado nacional se depara com um novo cenário: sua política econômica, suas decisões jurídicas e institucionais devem, a partir daí, levar em consideração os interesses e projetos de outras nações. Na fase mercantilista, a filosofia econômica das nações absolutistas, os governos impunham barreiras protecionistas para evitar a entrada de artigos estrangeiros em seu território. A crescente mundialização da economia, já evidente no século XIX, impedia restrições alfandegárias, pois o país que evitasse comprar gêneros importados, também não venderia os seus para os mercados externos. Começava imperar uma lógica econômica supranacional que sobrepujava* a vontade dos poderes políticos nacionais. Agora, empresários e investidores, se prejudicados pelo “Príncipe”, operariam em terras estrangeiras, solapando* a economia e as finanças de seu próprio país. Nascia uma “nova pátria”, não mais a definida por um solo, por uma origem étnica ou por hábitos culturais comuns, mas a “a pátria do lucro”. Para o homem contemporâneo, o “lar nacional” não mais seria determinado por laços afetivos – patriotismo e nacionalismo -, mas, isto sim, pelo lugar que permitisse o crescimento econômico e a ascensão social. O Rei tornou-se cauteloso: perseguir o capital implicava perdê-lo.
Também a proliferação de idéias e estados liberal-democráticos, criou um fenômeno até então inédito: a “opinião pública”.
Os cidadãos e segmentos sociais, agora menos tutelados* pelo Estado, passaram a exigir seus direitos e a limitar a prepotência* do Poder. Os governos, agora, só podiam agir dentro das normas instituídas pelo Direito. O Soberano já não mais podia ser Déspota*.Nos anos recentes, a globalização financeira, econômica e a difusão de hábitos culturais em escala planetária restringiram ainda mais a ação dos estados nacionais. Hoje, já se fala de uma sociedade civil* internacional.
Antes, crimes e outras atitudes ilícitas levadas a efeito pelos governantes eram desconhecidos pelos povos; hoje, as redes internacionais de comunicação informam todos os cidadãos sobre as ações dos poderosos.
A condenação moral tornou-se mundial, inibindo os mandatários* políticos. A produção é global, escapando progressivamente ao controle do Estado; a circulação de bens é planetária, dificultando decisões estatais que prejudiquem o livre comércio; a cada dia se formam organizações não-governamentais que atuam em escala mundial. Esboça-se*, até mesmo, um Direito Penal internacional, visando punir crimes contra a humanidade. Não, definitivamente não, se pode dizer “aqui mando eu”. O Estado, sem dúvida, ainda é um aparelho de mando*, mando este, contudo, compartilhado com outros “donos do poder”.

DESCRIÇÃO

É raro a descrição ocorrer isolada da narração e vice-versa. Tanto que os conceitos de descrição e narração são mais pressupostos metodológicos do que resultado da observação experimental dos discursos.
Descrição é um tipo de discurso que dá ao receptor a situação vigente do universo narrativo considerado que, não raro, é o universo de objetividades. É o discurso sobre o que é imutável ao longo da ocorrência dos fenômenos. É discurso sobre o que é.
Narrar é informar, através do discurso, sobre a mutação das coisas. A narração trata dos fatos, da ação. Narrar é dizer o que acontece.
Tipos de descrição
Tradicionalmente, as descrições são classificadas pelo assunto que abordam. Nessa classificação, dois tipos se destacam: a descrição geográfica e o retrato. A descrição geográfica trata da aparência das coisas não humanas tal qual se dão à percepção. O retrato trata das aparências do ser humano, enquanto indivíduo ou tipo, tanto físicas como de caráter e ideologia.
Uma outra forma de classificar as descrições é pelo critério da ordem, com a qual apresentam as partes do discurso. Há descrições topográficas, de background progressivo, de complexidade crescente, em ordem atenuante ou agravante, conforme o caso.
Os tipos de ordenação são muitos e incluem também o caso da ausência de ordem.
Um outro critério de classificação é o das características do que se descreve sobre o objeto. Há descrições:
Classificatórias. Organizam as partes segundo uma taxonomia.
Fisiológicas. Explicam a função e o funcionamento das partes.
Organizacionais. Explicam as relações entre as partes.
Semelhanças da descrição com a narração
Descrição e narração são categorias de uma mesma classe. Enquanto uma explana, informa uma situação, a outra explana as mutações da situação. Ambas são referência a um universo que pode ser o universo objetivo.

DESCRIÇÃO SUBJETIVA X DESCRIÇÃO OBJETIVA:
objetiva – quando o objeto, ser, etc são narradas/apresentadas como realmente são físicamente/na realidade.
subjetiva – quando há a interferância da emoção, ou seja, quando o objeto/ser/etc, são tranfigurados pela emoção do autor.
No terreno objetivo temos as informações (dados do conhecimento do autor do texto: livro comprado em Lisboa), as caracterizações (dados que estão no objeto de descrição: livro vermelho). Já no subjetivo, estão as qualificações (impressões subjetivas sobre o ser ou objeto: livro interessante). O ideal é que uma descrição possa fundir a objetividade, necessária para a “pintura” ser a mais verídica possível, e a subjetividade que torna o texto bem mais interessante e agradável. Sendo assim, a descrição deve ir além do simples “retrato”, deve apresentar também uma interpretação do autor a respeito daquilo que descreve.

ELEMENTOS DA NARRATIVA

Ficção: é o discurso narrativo ou representação ou fábula que nos remete a uma construção subjetiva em que figuram entidades, ações e situações que formam um todo organizado não veraz.
Universo ficcional: é uma criação subjetiva intuída a partir de uma ficção, formado por entidades, ações e situações formando um todo organizado e hipotético. O discurso narrativo ou representação ou fábula é o ponto de partida para a construção do universo ficcional, que não é dado em si, mas por aspectos. Podemos até imaginar o universo ficcional se estendendo para além de onde é possível ver pela janela do discurso. Mera divagação! O que extrapolamos para além dos dados do discurso é por nossa conta e risco, o que não deixa de ser saudável em certos casos. Se o discurso nos remete a um universo ficcional, em certos aspectos análogo ao universo objetivo, diremos que ele possui uma dimensão realista, o que para a Mimética é um atributo contingente.
Situação: é a ordem dos elementos do universo ficcional em dada coordenada de tempo ficcional.
Ação: são as mudanças que ocorrem no universo ficcional. A ação pode ter vários aspectos:
Consumada: efetivamente ocorrida no universo ficcional.
Hipotética: supõe-se consumada, mas no decorrer da narrativa pode se mostrar como não consumada no universo ficcional.
Imaginária: fruto de uma ficção dentro da ficção estabelecida por algum dos agentes da ficção.
Representada: os agentes da ficção representam dentro da ficção.
Onírica: resulta do sonho de um dos agentes da ficção.
Ação cardeal: compromete a inteligibilidade da fábula, quando suprimida.
Proposição: é a tripla situação anterior, ação, situação posterior.
Episódio: é qualquer fragmento de narração formado por pelo menos uma proposição. Alguns tipos notáveis de episódio:

Inversão de tendência: podemos exemplificá-la citando o herói que consegue inverter as expectativas que apontavam para o seu fracasso em expectativa para sua vitória. É um tipo de episódio útil para a obtenção de clímax. Esse exemplo chama-se peripécia.
Revelação: ocorre quando um dos agentes da narração – que pode ser o narratário, o personagem ou leitor – toma conhecimento de um fato que redireciona os caminhos da ação. Um caso de revelação é o reconhecimento, onde um dos agentes da narração toma conhecimento da identidade de outro.
Catástrofe: é o fato de dimensões trágicas no universo ficcional. Na tragédia grega, por exemplo, ocorre catástrofe no clímax.
Confronto: é o encaminhamento irreconciliável para a disputa entre dois agentes da narrativa.
Dano: é o fato que cria um desequilíbrio no universo ficcional que por vezes condiciona toda a ação.

Núcleo narrativo: é uma parte da narrativa em que se prioriza a abordagem de determinado objeto. O tipo mais comum e notável de núcleo é o que se desenvolve em função de personagens. No romance Cem Anos de Solidão, de Garcia Marquez, por exemplo, há vários núcleos narrativos, cada um ligado a um dos personagens do romance. Nesse romance, o narrador acompanha a história de um personagem de cada vez. Podemos dizer que isso caracteriza um núcleo. A peça teatral ‘Peer Gynt’, de Ibsen, em três atos, passa-se em três épocas, respectivamente: infância, idade adulta e velhice do protagonista. Cada ato se constitui num núcleo. Pode-se dizer que uma parte da narrativa é um núcleo, desde que nela seja preservada a característica da parte. Para não se enxergar núcleos e mais núcleos numa narrativa é preciso considerar apenas as priorizações de abordagem mais gerais. Não há uma baliza precisa para determinar que nível de generalização deve ser empregado para caracterizar um núcleo, por isso a determinação dele é uma questão subjetiva.
Narração em tempo real: é aquela que hipoteticamente ocorre paralela à ação. Há coincidência de época de ação com época de narração.
Narração pretérita: é a que supostamente ocorre após a consumação dos fatos narrados. O narrador a pratica livre das contingências do momento da ação, rememorando os fatos.

GÊNEROS REDACIONAIS

Carta argumentativa –

A estrutura de uma carta argumentativa

Início: identifica o interlocutor. A forma de tratá-lo vai depender do grau de intimidade existente. A língua portuguesa dispõe dos pronomes de tratamento para estabelecer esse tipo de relação entre interlocutores.
O essencial é mostrar respeito pelo interlocutor, seja ele quem for. Na falta de um pronome ou expressão específica para dirigir-se a ele, recorra ao tradicional “senhor” “senhora” ou Vossa Senhoria.

O texto dissertativo é dirigido a um interlocutor genérico, universal. A proposta de carta argumentativa pressupõe um interlocutor específico para quem a argumentação deverá estar orientada. Essa diferença de interlocutores deve necessariamente levar a uma organização argumentativa diferente, nos dois casos.
Até porque, na carta argumentativa, a intenção é freqüentemente a de persuadir um interlocutor específico (convencê-lo do ponto de vista defendido por quem escreve a carta ou demovê-lo do ponto de vista por ele defendido e que o autor da carta considera equivocado).
Mas que fique bem claro: no cumprimento da proposta em que é exigida uma carta argumentativa, não basta dar ao texto a organização de uma carta, mesmo que a interlocução seja natural e coerentemente mantida; é necessário argumentar.

EXEMPLO DE CARTA ARGUMENTATIVA

Fortaleza, 28 de junho 2007.

Prezado Sr. E.B.M.

Em seu artigo publicado pelo jornal a VOz do Povo a 1.º de junho, deparei com sua opinião expressa no Painel do Leitor. Respeitosamente, li-a e percebendo equívocos em suas opiniões quanto à veracidade dos motivos que colocaram milhares de jovens na rua, de maneira organizada e cívica, tento elucidar-lhe os fatos.
Nosso país, o senhor bem sabe, viveu muitos anos sob o regime militar ditatorial. Toda e qualquer manifestação que discordasse dos parâmetros ideológicos do governo era simplesmente proibida. Hoje, ao contrário daquela época, as pessoas conquistaram a liberdade de expressão e o país vive o auge da democracia. Assim, perante essa liberdade o Brasil evoluiu. Atravessamos um período de crises econômicas, mas as pessoas passaram a se interessar de maneira mais acentuada pelo seu cotidiano diante da própria liberdade existente. Dessa forma, deparamos com uma população ideologicamente mais madura.
Em sua carta enviada à Folha de São Paulo, o senhor assegura que a juventude é absolutamente imatura e incapaz de perceber a profundidade dos acontecimentos que a envolvem. Asseguro que tal opinião não é a mais justa. Nós já fomos jovens e sabemos perfeitamente que é uma época de transição.
Mudamos nossos conceitos, nossos desejos e nossa visão de mundo. Mesmo assim, determinados valores que assumimos como corretos persistem em nossas vidas de forma direta ou não. Não sei se o senhor tem filhos, mas eu invejo a concepção que os meus assumem perante inúmeros acontecimentos. São adolescentes, que se interessam pelos fatos políticos e se preocupam com o destino da nação, pois estão cientes de que num futuro próximo serão as lideranças do país.
Outro aspecto relevante em sua carta é o de dizer que a juventude, generalizadamente é indisciplinada. Tal opinião não condiz com a verdade. Nas manifestações pró “impeachment que invadiram o país visando à queda do Presidente Collor, não se viram agressões, intervenções policiais ou outras formas de violência. Fica, portanto, claro, que a manifestação dos chamados caras-pintadas não é vazia”.
Conscientes de que uma postura pouco organizada não lhes daria credibilidade, os jovens manifestaram-se honrosamente. Com isso, frente ao vergonhoso papel do próprio Presidente da República, Fernando Collor de Mello, a juventude demonstrou um grau de maturidade e percepção maior que o do próprio chefe de estado.
Vemos, com isso, que os jovens visam ao bem do país e o seu processo de conscientização não se deu de uma hora para outra. Assim, dizer que a juventude é motivada pelo espírito da época, visando ao hedonismo é errôneo. Nossos jovens, senhor E.B.M., são reflexos da liberdade existente no país e a sua evolução político-ideológica.

Sem mais, despeço-me.

F.J.R de O.

A estrutura de um editorial –

É um texto dissertativo, escrito por um redator, normalmente o redator-chefe. Aparece nos jornais escritos diariamente, nas revistas semanais ou mensais, em programas de televisão (nem sempre). Faz parte decisiva do jornalismo opinativo. Caracterizado por ser atual, curto ou não, conforme o meio e geralmente expressa a opinião, a linha filosófica ou política da empresa.

SINTESE DE ALGUMAS TIPOLOGIAS TEXTUAIS

Romance: Pluralidade e simultaneidade de fatos e ações. Total liberdade de tempo e espaço. Maior número de personagens. Possibilidade de narrativas superpostas. Várias células dramáticas.
Subgêneros principais:
– histórico: conta uma história situada em uma época anterior a do autor;
-policial: centra-se sobre a resolução de um enigma;
– de aventura: faz com que as personagens evoluam em novos espaços, entre povos exóticos ou diferentes ou em outras épocas. Concentra-se nas ações;
– picaresco: tem como personagens malandros, marginalizados e desclassificados. Propõe uma visão particular da sociedade, através de cenas que revelam o ardil, a vigarice, a esperteza, a comicidade etc.
– psicológico: centra-se na alma da personagem, com um enfoque que procura retratar sua evolução interna, sua psicologia. Entretanto, este gênero não se separa das outras formas romanescas: há intriga e presença do mundo exterior no romance psicológico e, em muitos casos, atribui-se importância aos determinantes do mundo exterior, como é o caso dos romances do Naturalismo, por exemplo.
– Novo romance: denominação de escola francesa dos anos 50. Livre dos processos tradicionais da narrativa, como. Por exemplo, o respeito à ordem cronológica, procura apreender a realidade (um objeto, um momento), através de múltiplas aproximações e enfoques como pagamento da personagem.
– Autobiográfico: romance no qual se mistura ficção e realidade entre autor, narrador e personagem, já que relatam eventos e descrevem espaços indissociáveis do testemunho e vivências pessoais dos autores.
Conto: Uma só unidade de tempo e espaço. Unidade de fatos e ações. Número reduzido de personagens. Narrativas breves. Uma só célula dramática.
Subgêneros principais:
– de fadas: elementos do maravilhoso, em lugar e época indeterminados, com personagens que têm uma função precisa na narrativa. Final feliz.
– Fantástico: explora domínios inacessíveis, atingidos apenas pela literatura. Situações absurdas e inverossímeis.
– Filosófico: utiliza os processos narrativos ( intriga, personagens…) para expor um problema filosófico, moral.
Crônica: Texto de caráter ficcional, lírico ou filosófico, de extensão curta, geralmente vinculado a um fato ou evento que serve de ponto de partida para reflexão e análise.

Subgêneros principais:
– mundana: trata de fatos ou acontecimentos que caracterizam uma sociedade.
– Lírica: exprime o estado emotivo do cronista
– Filosófica: faz uma reflexão a partir de um fato ou evento.
– Humorística: apresenta uma visão irônica ou cômica dos fatos.
– Jornalística: trata periodicamente de aspectos particulares de notícias ou de fatos. Pode, portanto, ser esportiva, policial, política etc.
Lenda: são narrativas imaginárias, acompanhadas de mistérios, assombrações e medo. Elas acompanham fatos e acontecimentos comuns, ilustrada por cenários exóticos e de curta duração.

Fábula: narrativa inverossímil, com fundo didático, que tem como objetivo transmitir uma lição moral. Normalmente, a fábula trabalha com animais como personagens. Quando os personagens são seres inanimados, objetos, a fábula recebe a denominação de apólogo.

Estrutura de uma crônica

Crônica é o único gênero literário produzido essencialmente para ser veiculado na imprensa, seja nas páginas de uma revista, seja nas de um jornal. Quer dizer, ela é feita com uma finalidade utilitária e pré-determinada: agradar aos leitores dentro de um espaço sempre igual e com a mesma localização, criando-se assim, no transcurso dos dias ou das semanas, uma familiaridade entre o escritor e aqueles que o lêem.

Características
A crônica é, primordialmente, um texto escrito para ser publicado no jornal. Assim o facto de ser publicada no jornal já lhe determina vida curta, pois à crônica de hoje seguem-se muitas outras nas próximas edições. Há semelhanças entre a crônica e o texto exclusivamente informativo. Assim como o repórter, o cronista se inspira nos acontecimentos diários, que constituem a base da crônica. Entretanto, há elementos que distinguem um texto do outro.
Após cercar-se desses acontecimentos diários, o cronista dá-lhes um toque próprio, incluindo em seu texto elementos como ficção, fantasia e criticismo, elementos que o texto essencialmente informativo não contém. Com base nisso, pode-se dizer que a crônica situa-se entre o Jornalismo e a Literatura, e o cronista pode ser considerado o poeta dos acontecimentos do dia-a-dia. A crônica, na maioria dos casos, é um texto curto e narrado em primeira pessoa, ou seja, o próprio escritor está “dialogando” com o leitor. Isso faz com que a crônica apresente uma visão totalmente pessoal de um determinado assunto: a visão do cronista.
Ao desenvolver seu estilo e ao selecionar as palavras que utiliza em seu texto, o cronista está transmitindo ao leitor a sua visão de mundo. Ele está, na verdade, expondo a sua forma pessoal de compreender os acontecimentos que o cercam. Geralmente, as crônicas apresentam linguagem simples, espontânea, situada entre a linguagem oral e a literária. Isso contribui também para que o leitor se identifique com o cronista, que acaba se tornando o porta-voz daquele que lê. Em resumo podemos determinar quatro pontos:

•Narração histórica pela ordem do tempo em que se deram os fatos.
•Seção ou artigo especial sobre literatura, assuntos científicos, esporte etc., em jornal ou outro periódico.
•Pequeno conto baseado em algo do cotidiano.
•Normalmente possuiu uma critica indireta.
•Muitas vezes a crônica vem escrita em tom humorístico. Exemplos deste tipo de crônica são Fernando Sabino, Millôr Fernandes, Leon Elichar.

Tipos de Crônica

Crônica Descritiva
Ocorre quando uma crônica explora a caracterização de seres animados e inanimados num espaço, viva como uma pintura, precisa como uma fotografia ou dinâmica como um filme publicado.
Crônica Narrativa
Pode ser narrado tanto na 1ª quanto na 3ª pessoa do singular. Texto lírico (poético, mesmo em prosa). Comprometido com fatos cotidianos (“banais”, comuns).
Crônica Dissertativa
Opinião explícita, com argumentos mais “sentimentalistas” do que “racionais” (em vez de “segundo o IBGE a mortalidade infantil aumenta no Brasil”, seria “vejo mais uma vez esses pequenos seres não alimentarem sequer o corpo”). Exposto tanto na 1ª pessoa do singular quanto na do plural.
Crônica Narrativo-Descritiva
É quando uma crônica explora a caracterização de seres, descrevendo-os. E, ao mesmo tempo mostra fatos cotidianos (”banais”, comuns) no qual pode ser narrado em 1ª ou na 3ª pessoa do singular.
Crônica Lírica
Linguagem poética e metafórica.
Crônica Poética
Escrever no meio de uma crônica verso poetico
Crônica Reflexiva
Reflexões filosóficas sobre vários assuntos

EXEMPLO DE CRÔNICA

“ A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão.
Passo a observá-lo. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga – no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma fatia triangular.
A negrinha, contida da sua expectativa, olha a garrafa de coca-cola a sua frente. Porque não começa a comer? Os três, pai, mãe e filha, obedecem a um discreto ritual. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo.
O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu queria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso”.

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