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terça-feira, dezembro 6, 2022

A AULA COMO CONHECIMENTO

Acredita-se que o professor constrói sua identidade profissional basicamente pela sua relação com o conhecimento. E é justamente a partir dessa relação que temos os diversos perfis profissionais existentes. Na sua formação, o professor adquire um conhecimento capaz de transformá-lo. Assim, durante esse processo histórico há um amadurecimento da sua identidade como profissional. A questão é se essa formação é capaz de tornar o ser realmente um professor.

O autor explicita três ângulos a serem observados dentro da escola. O aluno, o professor, e os conhecimentos. Indica-se a obra de Comênio, valorizada por suas metáforas que explicitam a identidade do professor iniciada no começo do século XVII e que vem se mantendo pelo nosso longo período histórico.

Podemos derivar características da identidade do professor de suas metáforas. Ser hábil para ensinar mesmo não sendo muito dotado; comunicar uma erudição já preparada, e não retirada da própria mente; como e o quê ensinar com o material que ele tiver. Essas são as características identidárias que devemos encontrar no professor, segundo Geraldi.

O professor é parte integrante da sociedade. É um ser social. Portanto, o professor é encarado como um sujeito social que tem um saber e por este saber merece respeito.

A escola e os professores podem organizar todo o conjunto de conhecimentos considerados essenciais para formarmos o sujeito social. Os conhecimentos ficam a espera de uma nova divisão de trabalho. O professor passa a ser a pessoa que usa de técnicas para ter o controle da sala de aula.

A ponte entre o aluno e o conhecimento já não é mais papel fundamental do professor, mas sim por um material didático. A ação do professor fica restrita ao controle do tempo em sala, à ordem pelos alunos e se houve uma possível “fixação”, que tem o risco de ser utópica. Claramente, temos uma nova identidade sendo criada.

Assim, não há mais a necessidade do professor adquirir conhecimento através da pesquisa. Como o material didático já vem pronto, quem deve ter esse saber construído pela pesquisa é o autor dos livros didáticos.
Infelizmente, uma conseqüência é a deturpação dos conhecimentos. O conhecimento científico dá lugar aos conteúdos de ensino, que são dados como verdades. O que a ciência construiu como hipótese, na escola vira verdade.

É interessante lembrar que precipitadamente o sucesso é dado àquele que consegue trabalhar com o material recebido. Caso não haja o sucesso, a culpa fica com o aluno. Considerando assim, um problema individual, uma incompetência para construir o seu próprio “cuidado de si”.

O modelo de professor citado anteriormente, entra numa crise no final do século XX. Um modelo que explicitamente é exclusivo, uma inversão de valores, até o modo de habitar o planeta, ou seja, tudo converge para uma crise. Seguem ainda discursos ideológicos para mascarar os problemas estruturais.

Reformas curriculares, cursos rápidos de treinamento profissional, são conseqüências de toda essa problemática. Hoje vemos pessoas de bons cargos também desempregados. O desemprego não é somente nos níveis mais baixos.

A escola tem sido culpada pelo seu não sucesso frente ao que o mercado de trabalho exige. Somente novas propostas de sistemas de avaliação que causam hierarquização das instituições de ensino não adiantam de nada.

Conclui-se que estamos numa encruzilhada no nosso modo de viver enxergar o mundo. Ainda percebe-se, felizmente a passagem do professor como controlador do processo de aprendizagem do aluno. Temos como um processo a formação de sua identidade.

A herança cultural deve ser entendida não apenas como um conjunto de disciplinas científicas, mas um conjunto de conhecimentos e saberes. Devemos ir em busca desses saberes se foram em algum momento perdidos.

Nessa transição toda, temos uma evolução notada quando se diz: o ensino tem dado respostas a alunos que não conhecem as perguntas, e temos aprendido respostas sem sabermos as perguntas que a elas conduziram.

Cabe ao professor instigar continuamente seus alunos a buscarem perguntas e respostas, seja em colegas, em profissionais, em fontes ou em sua herança cultural para o seu esclarecimento.

Professor e aluno devem refletir o seu vivido para relacioná-lo com o que já foi produzido. Deve-se construir no mínimo as perguntas, mesmo que as respostas custem gerações para serem encontradas.

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