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ANEMIA FERROPRIVA GESTACIONAL

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ESTUDO DE CASO – Anemia Ferropriva Gestacional
1. INTRODUÇÃO
Nós, enquanto acadêmicas de enfermagem resolvemos estudar este caso, em razão de ser uma patologia que acomete mulheres e principalmente as gestantes e porque nosso interesse abrange a área de Obstetrícia. Já a importância deste trabalho se deve pelo fato de estudar sua evolução, seu tratamento e sua prevenção.
2. HISTÓRIA CLÍNICA
2.1 – ANAMNESE
A.C.G., 32 anos, sexo feminino, gestante de 36 semanas, do lar, natural de Marília – SP, parceiro fixo há 15 anos, 02 filhos, sendo que a primeira com 11 anos apresenta síndrome genética não especificada (não soube relatar e não constava no prontuário), e a segunda com 20 meses de idade.
Paciente refere menarca aos 12 anos, regular, sem dismenorréia, coitarca aos 16 anos, vida sexual diminuída por sentir-se fadigada, nega dispareunia, possui tipo sanguíneo O fator Rh – (negativo) e cônjuge B+ (positivo), é G3 P2 A0, todos foram PVE e todas as gestações sem planejamento familiar. Em sua primeira gestação desenvolveu eclampsia na 30ª semana, permaneceu internada em Unidade de Terapia Intensiva por 07 dias, recebendo tratamento adequado. Durante sua segunda gestação não ocorreram complicações, entretanto, o bebê foi retirado a fórceps. Sua atual gravidez ocorreu durante o uso de anticoncepcional específico para amamentação (Exluton), na 17ª semana procurou a UBS local para iniciar o pré-natal, faz acompanhamento com o Dr. C.A.G. (Ginecologista e Obstetra) dessa mesma unidade, possui carteira de vacinação em dia, refere “dor” intensa em MMII, irradiando para as costas, sente dificuldade para caminhar, levantar e realizar atividades domésticas, logo após sente-se “cansada” e com muita “falta de ar” no último mês, na 28ª semana desenvolveu Anemia Ferropriva, porém, não faz uso de medicação prescrita por apresentar náuseas e vômitos logo após a ingestão da mesma.
Cliente não se lembra de patologias importantes nos pais ou irmãos, sobretudo, o tio e a avó materna faleceram por CA de ouvido e intestino, respectivamente. Refere ter sido hospitalizada para realização de cauterização endometrial em 1996, e que no ano de 2005 apresentou inflamação leve em região genitália acompanhada por Gardinerella, sendo ambas tratadas por especialista da instituição.
Refere realizar 04 refeições diárias sendo que em seu desjejum ingere 01 xícara de café preto ou chá, 01 pão com manteiga ou bolachas, no almoço ingere 03 colheres de arroz e 01 colher de feijão, salada em pouca quantidade e 01 porção de carne vermelha, não costuma realizar lanche da tarde, mas quando sente fome nesse período, ingere 01 fruta (banana) ou bolachas, no jantar ingere os mesmos tipos e quantidades de alimentos que no almoço, antes de dormir ingere 01 copo pequeno de refrigerante.
Refere ingesta hídrica em grande quantidade (mais ou menos 10 copos), como água, chás e sucos.
Refere micção freqüente em grande quantidade durante todo o dia, de coloração “laranja-avermelhada”, odor característico, nega hematúria, apresenta 01 episódio de evacuação a cada 02 dias de coloração marrom, aspecto endurecido e odor característico.
Refere dormir cerca de 10 horas, contudo, apresenta sono intermitente pelo fato de que sua filha menor chora várias vezes à noite ao acordar, faz repouso em período pós-prandial cerca de 02 horas.
Cliente não pratica atividades recreativas, nem participa de grupos comunitários e de orientação por falta de tempo, utilizando-se por meio de comunicação e entretenimento apenas a TV.
A casa onde reside é alugada, mudou-se mais ou menos há 01 mês, é de tijolo, cercada por alambrado, contendo 04 cômodos: sendo 01 cozinha, 01 sala, 01 quarto e 01 banheiro, o interior da casa encontra-se em condições adequadas de habitação, possui saneamento básico, energia elétrica, boa iluminação natural, coleta seletiva de lixo, forrada, sem fiações expostas, arejada, possui janelas em todos os cômodos, higienização adequada, possui um cão como animal doméstico que segundo ela, foi vacinado na última campanha, este não circula dentro de casa, vive solto em quintal de terra, mora em casa específica para animal, refere que o cão alimenta-se de “restos de comida”. Refere que se utiliza de moto como meio de transporte.
2.2 – EXAME FÍSICO
Gestante em visita domiciliária, com Dx de Anemia Ferropriva gestacional, independente para alimentação e deambulação e dos cuidados de enfermagem. Refere sono intermitente pelo fato da filha menor, chorar várias vezes durante a noite. Alimenta-se de forma parcialmente adequada. Refere diurese em grande quantidade, de coloração “laranja-avermelhada”, odor característico e evacuação presente a cada 02 dias em média quantidade, de coloração marrom e consistência endurecida. SSVV: PA 110 x 70 mmHg, FC: 72 bpm, FR: 18 rpm, Tº: 37,2ºC. Ao exame físico apresenta-se consciente e orientada auto e alo psiquicamente, comunicativa, memória preservada, deambulando, mucosas coradas, hidratadas, eupneica, afebril, acuidade visual e auditiva preservada. Refere anemia ferropriva, algia intensa em MMII irradiando para as costas e dispnéia. Visita ocorreu sem intercorrências.
2.3 EXAMES
Realização dos últimos exames: 02/03/2006
Urina tipo I : levemente turva, amarelo citrino, pH 6,0; densidade 1.020
Leucócitos – 8.000/mm3
VDRL (sífilis): não reagente

Pesquisa de anticorpos irregulares: negativo
HT (hematócrito): 28,8%
HB (hemoglobina): 9,7 g/dl
Glicemia: 81mg/dl

Valores de referência:
Urina tipo I:
Cor: Amarela
Aspecto: Límpido
Densidade: 1.010 a 1.028
pH: 5,0 a 8,0
Leucócitos: 5.000 a 10.000/mm3
HT: 38 a 45%
HB: 12,0 a 16,0 g/dl
Glicemia: 70 a 110mg/dl
2.4 MEDICAMENTOS
Combiron: 02 x ao dia, sendo 01 antes do almoço e 01 antes do jantar, adm. VO (não soube referir a dosagem)
Dipirona: 35 gotas, se necessário.
3 REVISÃO DE LITERATURA
3.1 INTRODUÇÃO À ANEMIA
O termo anemia significa redução da taxa de hemoglobina abaixo de um valor entre 13,0 – 15,0 g/dl.
3.2 DEFINIÇÃO DE ANEMIA FERROPRIVA
É uma patologia causada pela deficiência de ferro e geralmente acontece quando ocorre perda sanguínea exagerada, alimentação inadequada durante a gravidez (período que exige maior necessidade de ferro), nos períodos de crescimento rápido e após a menstruação.
A falta de ferro, agora reconhecida como o mais comum estado de deficiência, afeta 10 a 20% da população mundial. A eritropoese deficiente em ferro é responsável por 95% das anemias na gravidez. Os sexos demonstram uma diferença significativa na utilização do ferro, em comparação com a reserva de ferro corporal total de um homem (aproximadamente 1000mg) a de uma mulher geralmente varia de 200 a 400mg, que é a mesma quantidade de um lactente a termo. Esta varia de acordo com as perdas impostas pela restrição alimentar, menstruação, gravidez e lactação.
A cada mês, a mulher absorve de 10 a 20% de ferro nos alimentos, isto remontam a 18 a 60mg, entretanto, as perdas na urina, suor e fezes totalizam 15 a 30mg/mês. Uma história de menstruação ou o uso de DIU exercem efeito direto sobre a absorção de ferro e a gravidez, representa um balanço negativo, já que o ferro é perdido para o feto, placenta e cordão umbilical, e nas últimas 20 semanas de gravidez normal e como resultado da perda sanguínea no parto.
3.3 FISIOLOGIA
Há dois mecanismos responsáveis pela anemia:
destruição acelerada de hemáceas
produção insuficiente pela medula óssea
Ao 1º e 2º grupo, correspondem respectivamente às anemias ditas “Regenerativas” e “Arregenerativas”.
Insuficiência de produção de eritrócitos

Desaparecimento acelerado hemácias
↓ → Hiperatividade medula óssea (regenerativa)
Insuficiência medular reativa

Anemia

Hemorragia e hiper-hemólise (arregenerativa)

3.4 SINAIS E SINTOMAS
Os primeiros sintomas de ferropenia são aqueles encontrados na anemia em geral e estão relacionadas com a falta de oxigenação dos tecidos, especialmente do cérebro e do próprio coração. Para compensar o déficit de oxigênio tecidual, o coração passa a trabalhar em ritmo mais acelerado, sobrevindo à taquicardia.
Além de fadiga fácil, vertigens, anorexia, alterações tróficas da pele e anexos como coloiníquea (as unhas tornam-se achatadas, por vezes escavadas no centro e levantando-se ns bordas), fissuras dos lábios, que podem ocorrer em todo tipo de anemia. Já na ferropenia acentuada podem surgir sintomas mais ou menos específicos que são: glossite atrófica, acompanhada ou não da perversão do apetite que se manifesta por geofagia ( vontade incontrolada de comer terra ou barro, farináceos, gelo, papel, etc.), disfagia intensa, amenorréia na mulher, diminuição da libido nos dois sexos.
3.5 COMPLICAÇÕES
É difícil atribuir complicações específicas à deficiência de ferro na gravidez. Os lactentes das mães com deficiência de ferro mostram poucos, se algum, problema neonatal. Ainda são necessários, contudo, resultados de um estudo de comportamento e neurológico em longo prazo.
3.6 TRATAMENTO
Admistração VO de sulfato ferroso, com ou sem acompanhamento de polivitamínico com suco de laranja.
Administração de sulfato ferroso IM ou EV.
Administração de sulfato ferroso via Parenteral
Complementação dietética (fígado, bife, espinafre, beterraba, feijão, ameixa, maça, uva e alface, uso de panela de ferro).
3.7 LEVANTAMENTO DE PROBLEMAS
Síndrome genética não especificada
Rh negativo
Não planejamento familiar
Eclampsia
Gravidez durante o uso de anticoncepcional
Algia em MMII, irradiando para as costas.
Dificuldade para caminhar
Dificuldade para levantar
Dificuldade para realizar atividades domésticas
Cansaço
Falta de ar
Anemia Ferropriva
Não faz uso de medicação
Náuseas e vômitos
Ingestão de refrigerante
Constipação
Sono intermitente
Sedentarismo
Alimentação
Moto como meio de transporte
Intolerância TGI
3.8 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM
Encaminhar ao médico para detecção do problema.
Orientar gestante quanto à necessidade da administração do medicamento (Matergan), se for constatado que filho for Rh positivo logo após nascimento.
Encaminhar à assistente social para planejamento familiar ou equipe de saúde para solicitação de cirurgia de laqueadura.
Fazer controle da PA, controle de peso, e redução de estresse emocional. Orientar quanto à alimentação: evitar gordura e sal excessivo na dieta. Reduzir peso, programar exercícios diários, orientar quanto à restrição de tabagismo, álcool e outros tipos de drogas. Orientar a realizar maior ingestão de alimentos ricos em potássio e fibras. Orientar a paciente a trazer sempre consigo uma carteira de identidade com o endereço para que caso ocorra sintoma de hipertensão, possa ser socorrida, orientar o paciente e a família quanto à dieta, repouso e controle, uso de diuréticos. A orientação para a família é ESSENCIAL.
Encaminhar ao ginecologista para substituição de medicamento ou para fornecimento de melhores orientações quanto à administração do mesmo.
Orientar a fazer termoterapia para o alívio da dor, encaminhar ao fisioterapeuta, tomar medicações analgésicas quando prescritas.
Encaminhar ao fisioterapeuta, orientar a seguir as instruções recomendadas.
Orientar a apoiar-se em superfícies seguras, ou solicitar o auxílio de alguém.
Orientar a solicitar o auxílio de alguém ou diminuir ritmo, freqüência ou ainda realizar intervalos para repouso entre as atividades.
Orientar a fazer repouso.
Verificar causa, colocar paciente em posição semi-sentada ou totalmente sentada, quando possível usar oxigênio úmido, tranqüilizar a paciente.
Orientar a realizar dieta vegetariana, alimentar-se de fígado, bife, espinafre, beterraba, feijão, e o uso de panela de ferro para o preparo desses alimentos, complementar com ameixa preta, maça, uva, alface e suco de laranja. Orientar a evitar chá e gema de ovo.
Orientar quanto à importância do tratamento medicamentoso adequado
Orientar a apoiar-se ou sentar-se, pois geralmente durante esse quadro o indivíduo tem vertigem, fraqueza e hipotermia, a respiração fica irregular, e a PA pode cair observar sinais de desidratação e perda de peso, observar a higiene bucal, observa funções intestinais e urinárias, orientar a mastigar bem os alimentos e comer devagar em ambiente calmo, evitar visitas estressantes.
Orientar a evitar refrigerante, pois pode causar acúmulo de gazes em estômago e intestinos, acarretando em plenitude e desconforto gástrico e constipação respectivamente.
Orientar a evitar o uso de refrigerantes, frituras, alimentos secos, em contra partida aumentar a ingestão de frutas (mamão, pêra, suco de ameixa seca, suco de limão, comer laranja com bagaço), usar alimentos com caldo, orientar a fazer massagear o abdome em sentido horário.
Orientar a realizar atividades recreativas com a filha menor e/ou fazer caminhada ao entardecer para ajudar no relaxamento muscular durante sono, orientar a evitar ingesta hídrica antes de dormir, afim de não ocorrer nictúria, orientar sobre o ambiente tranqüilo para se dormir e sobre a qualidade do sono, orientar a fazer alguma atividade terapêutica para reduzir nível de estresse e ansiedade proporcionando melhor sono e repouso.
Orientar a procurar seu médico ou fisioterapeuta para a indicação de exercícios específicos da gestação.
Orientar a dar ração canina.
Orientar a evitar esse tipo de meio de transporte, pois é inadequado às gestantes, por haver o risco de DPP pela trepidação.
Orientar a procurar seu médico ou especialista para substituição da medicação, ou prescrição de medicamentos preventivos, orientar a eliminar do cardápio alimentos que possam causar algia ou desconforto.
4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BERNARD, J.; Manual de Hematologia. 3ª ed. – São Paulo: Masson, 1976.
GAMA, D.D.; Moderna Assistência de Enfermagem. 2ª ed. – São Paulo: Everest, 1998.
QUEENAN, J.T.; Gravidez de Alto Risco. 2ª ed. – São Paulo: Manole, 1987.
VIDIGAL, M.C.; Manual de Hematologia. 2ª ed. – Rio de Janeiro: Medsi,1992.

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