Estudo comparativo do VO2 máximo de Trabalhadores da zona rural e urbana de Muriaé/MG

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Com o objetivo de estudar o estilo de vida, comparando assim o consumo máximo de oxigênio (VO2 máx) entre indivíduos da zona rural e urbana estudou-se 75 indivíduos do sexo masculino, residentes na cidade de Muriaé/MG, com a idade variando entre 40 a 50 anos. Estudamos 25 indivíduos residentes na zona urbana, praticantes de atividade física, 25 indivíduos também residentes na zona urbana, porém considerados sedentários por não praticarem atividade física sistemática e 25 indivíduos residentes na zona rural que não praticam atividade física formal. A coleta de dados foi aplicada numa única fase. Todos foram comparados nas seguintes variáveis: idade, peso, altura, PAS pré, PAD pré, PAS máxima, PAD máxima, MET, FCM, DP e consumo máximo de oxigênio (VO2 máximo), sendo este, o foco do estudo. Todos estes pacientes foram submetidos a uma anamnese e a um exame físico, seguidos de eletrocardiograma de repouso (ECG) e teste ergométrico (TE). Todos os indivíduos tiveram o resultado do ECG de repouso considerado normal. 
Não foram observados eventos anormais no TE de nenhum paciente. Comparando-se os indivíduos da zona rural com os indivíduos da zona urbana constatamos que não houve diferença significativa entre os indivíduos da zona rural e urbana ativo, porém quando ambos os grupos são comparados com o grupo controle, são detectadas diferenças bastante significativas. Estes resultados encontrados em nossa pesquisa caracterizam a importância da atividade física regular para a vida das pessoas.

INTRODUÇÃO

O exercício físico regular proporciona modificação da composição do corpo, aumento da proporção de tecido muscular em relação ao tecido adiposo, contribui para ossos, articulações e músculos sadios, reduz o índice de quedas em idosos, ajuda a aliviar a dor da artrite, diminui os sintomas de ansiedade e depressão, e estão associadas à menor número de hospitalizações, visitas médicas e medicação (ASSIS, 2002).

A atividade física regular melhora a saúde e reduz os riscos de morte prematura diminuindo o risco de desenvolver doença cardíaca coronária. Reduz o risco de ter um segundo ataque cardíaco em pessoas que já tiveram um ataque. Diminui tanto o colesterol total quanto o triacil glicerol e, elevando o bom colesterol HDL. Diminui o risco de desenvolver hipertensão, ajudando a reduzir a pressão arterial em pessoas que já tem pressão alta. Diminui o risco de desenvolver diabetes tipo dois (não dependente de insulina). Ajuda pessoas mais velhas a ficarem mais fortes e serem mais capazes de moverem-se sem cair ou ficarem excessivamente cansadas (GODOY, 1997). Neste estudo estudam-se experiências do dia-a-dia das populações rurais, nas quais o “cultivo do solo” e o “manejo do gado” são atividades essenciais para a manutenção da vida e reprodução familiar (Carneiro, 1998).

O VO2 máx é uma medida reproduzível da capacidade do sistema cardiovascular de liberar sangue a uma grande massa muscular envolvida, num trabalho dinâmico (POWERS & HOWLEY, 2000). O consumo de oxigênio (VO2) é marcador da capacidade funcional dos indivíduos. Sua avaliação é feita através de um procedimento não-invasivo, utilizado para analisar o desempenho físico ou a capacidade funcional do paciente, e que na prática profissional é de fundamental importância, pois traz significativa contribuição na verificação de índices de aptidão cardiorrespiratória, como é o caso do consumo máximo de oxigênio (VO2 máx.), além de ser diagnóstico para liberação da prática de atividade física para indivíduos com patologias cardiovasculares. Quando realizado com profissionais e equipamentos adequados, o teste ergométrico constitui-se no exame de maior valor preditivo de problemas cardíacos e da circulação (Barros Neto, 2007).

OBJETIVO

O presente estudo tem como objetivo avaliar qual o estilo de vida desenvolve maior aptidão cardiorrespiratória, realizando uma comparação do VO2 máx entre trabalhadores da zona rural que não participam de programas de atividade física formal, trabalhadores da zona urbana que realizam atividade física sistemática, e moradores da zona urbana considerados sedentários, em um teste progressivo máximo.

MÉTODO

Sujeitos

Participaram do presente estudo 75 indivíduos, do sexo masculino, sendo vinte e cinco indivíduos trabalhadores rurais com IDADE de 43,48 ± 3,30, PESO de 77,9 ± 10,1, ALTURA de 1,74 ± 0,07, IMC 25,5 ± 2,7, PAS PRÉ de 118,8 ± 11,6, PAD PRÉ 78,8 ± 6,6, VO2 de 46,5 ± 8,7, MET de 13,3 ± 2,4, FC MAX de 174,0 ± 18,1, DP de 26934,8 ± 4025,6. Vinte e cinco indivíduos urbanos considerados ativos, com idade de 45,6 ± 2,8, PESO de 82,1 ± 9,8, ALTURA de 1,76 ± 0,06, IMC de 26,2 ± 3,0, PAS PRÉ de 120,0 ± 10,4, PAD PRÉ de 82,4 ± 6,6, VO₂ MAX de 44,4 ± 7,3, MET de 12,6 ± 2,0, FCM de 175,0 ± 7,7, DP de 26028,4 ± 2454,2. Vinte e cinco indivíduos residentes na zona urbana, considerados sedentários com idade de 45,1 ± 3,1, PESO de 80,5 ± 10,0, ALTURA de 1,73 ± 0,06, IMC de 26,7 ± 2,3, PAS PRÉ de 134,8 ± 11,2, PAD PRÉ de 88,0 ± 7,6, VO₂ de 29,9 ± 6,0, MET de 8,5 ± 1,7, FCM de 172,0 ± 6,6, DP de 30628,8 ± 2869,1.

Foi realizada uma anamnese para classificar os indivíduos como sedentários urbanos ou ativos urbanos, de acordo com o número de sessões de treinamento realizado na semana. O indivíduo que se exercitasse por pelo menos três vezes por semana, durante trinta minutos, foi considerado como sendo do grupo urbano ativo, enquanto o grupo controle, não realizava atividade física ou realizava sessões de treinamento inferiores a três vezes semanais. Nenhum paciente estava em uso de fármacos durante o período em que foram realizados os exames, segundo relato do paciente.

Procedimento Experimental

Os experimentos foram realizados no setor de ergometria do Hospital PRONTOCOR entre às 12:00 e 17:00h, com temperatura ambiente mantida entre 22 e 24º C. No dia que precedia a realização do teste, foi solicitado aos participantes que permanecessem pelo menos 24h sem praticar qualquer tipo de exercício extenuante.

Inicialmente, com o individuo de pé na esteira (Inbramed Millennium, modelo ATL, Porto Alegre, RS), foi aferida a pressão arterial (PA), utilizando-se método auscultatório, e a freqüência cardíaca (FC), através de eletrodos.

Todos estes pacientes foram submetidos a uma anamnese e a um exame físico, seguidos de eletrocardiograma de repouso (ECG) e teste ergométrico (TE). Todos os indivíduos tiveram o resultado do ECG de repouso considerado normal. Não foram observados eventos anormais no TE de nenhum paciente. Os pacientes foram submetidos ao protocolo de avaliação cardiológica progressiva pelo método ergométrico, utilizando-se o protocolo de Bruce.

Tratamento estatístico

Para verificar se houve correlação entre os resultados de VO₂ máx dos indivíduos da zona rural, urbano ativo e o grupo controle, foi utilizado o teste de ANOVA para amostras não pareadas. Os resultados estão apresentados como média ± desvio padrão (MD ± DP). O valor de p < 0,05 foi considerado como nível de significância estatística.

DISCUSSÃO

A condição física dos indivíduos considerados ativos é um dos fatores que interferem nos resultados alcançados. Devido ao fato dos trabalhadores da zona rural estarem ativos e trabalharem durante 8 horas diárias, esperava-se um melhor desempenho no teste de capacidade aeróbia máxima.

Segundo Weineck (2005), as possíveis explicações para um desempenho abaixo do esperado por parte dos trabalhadores rurais seriam que:

• Nem sempre é possível atingir a exaustão ao se testar indivíduos destreinados, pois estes não estão acostumados com o exercício extenuante e, com isso, na maior parte das vezes, interrompem o teste prematuramente; 
• Os trabalhadores não foram capazes de atender as solicitações coordenativas inerentes a uma técnica perfeita de movimento específico do respectivo teste ergométrico. Mesmo com os trabalhadores avaliados treinando os movimentos executados, minutos antes do teste de VO2 máx, não seriam suficientes para uma melhora dos engramas motores, da coordenação intramuscular e intermuscular.

O nosso objeto de estudo foi comparar o VO₂ Máx desses pacientes. Sabemos que indivíduos com valores de VO₂ acima de 35,0 ml/kg/min. estão classificados nos grupos de pessoas com maior expectativa de vida. De acordo com os nossos resultados, os valores da média de VO₂ Máx para os indivíduos da zona rural e urbanos ativos tiveram estes valores próximos de 45 ml/kg/min., o que os classificam com um excelente prognóstico em detrimento do grupo controle, que obteve uma média de VO₂ Máx de 29,9 ± 6,0, o que o classifica com uma baixa expectativa de vida e risco de desenvolver Doença Arterial Coronariana (DAC).

Baseando-se nos dados obtidos representados graficamente, percebe-se que não ocorrem discrepâncias significativas em relação às variáveis coletadas durante a pesquisa.

CONCLUSÃO

Os resultados apresentados permitiram concluir que, comparando-se os estilos de vida dos indivíduos da zona rural com os indivíduos da zona urbana, no que se refere a consumo máximo de oxigênio (VO2 máx), constatamos que não houve diferença significativa entre os indivíduos da zona rural e urbana ativo, porém quando ambos os grupos são comparados com o grupo controle, são detectadas diferenças bem mais evidentes.

REFERÊNCIAS

ASSIS, Mônica de. Promoção da saúde e envelhecimento: orientações para o desenvolvimento de ações educativas com idosos. Rio de Janeiro CRDE. UnATI UERJ, 2002 Série Livros Eletrônicos. Programas de Atenção a Idosos

BARROS NETO, T.L., et al. Aplicações práticas da ergoespirometria no atleta.

Revista da Sociedade Cardiológica do Estado de São Paulo. 2001; 11:695-705.

BARROS NETO, T.L. – Fisiologia do exercício aplicada ao sistema cardiovascular. Revista. Sociedade Cardiologia. Estado São Paulo., 6(1): 6-10, 1996.

CANEIRO, J. M. Ruralidade: Novas identidades em construção. Estudos: Sociedade e Agricultura, UFRRJ, n. 11, out. 1998.

GODOY, M. I Consenso Nacional de Reabilitação Cardiovascular (fase crônica).Arq. Brás. Cardiol, vol.69 nº4, out 1997.

MATOS, G.C.G., FERREIRA, M.B.R. Práticas Corporais num Ambiente rural amazônico. Revista Brasileira Ciência Esporte, Campinas, v. 28, n. 3, p. 1-88, maio 2007

POWERS, Scott K.; HOWLEY, Edward T. Fisiologia do Exercício: teoria e aplicação ao condicionamento e ao desempenho. São Paulo, Editora Manole, 2000.

SERRA, S. Considerações sobre ergoespirometria. Arquivo Brasileiro de Cardiologia. 1997;68:301-4.

SILVA, P.R.S., et al. Ergoespirometria computadorizada ou calorimetria indireta:Um método não invasivo de crescente valorização na avaliação cardiorrespiratória ao exercício. Revista Brasileira Medicina do Esporte. 1998; 4:147-58.

WEINECK, Jürgen. Biologia do Esporte. 7ª Ed. Barueri: Manole, 2005

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