Multiplicidades de Olhares sobre a Aprendizagem da Criança

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A educação tem a cada dia assumido um grandioso e importante papel perante a sociedade. Ao falar em educação, fala-se em ambiente escolar e é a escola que tem sido a grande responsável pela formação educacional dos indivíduos. O problema é que tais indivíduos saem da escola sem a formação que a sociedade tem exigido dos mesmos. Os âmbitos escolares, mais precisamente os profissionais da educação, carecem rever suas práticas educativas, procurar acima de tudo perceber como os educandos desenvolvem sua aprendizagem para depois mediar a construção do conhecimento em sala de aula. O que se tentou com esse trabalho foi perceber como os alunos aprendem e o que os educadores tem feito para propor o desenvolvimento da aprendizagem deles em sala de aula. Dessa forma, alguns autores que se propõem a estudar sobre o desenvolvimento dos educandos e suas implicações no contexto social e educacional, estão presentes nesse trabalho para enriquecer as discussões aqui propostas.

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO
2. QUEM É O SER HUMANO QUE APRENDE
3. A EDUCAÇÃO FRENTE A UM MUNDO QUE SE TRANSFORMA
4. UM OLHAR SOBRE ALGUMAS PRÁTICAS EDUCATIVAS
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS

INTRODUÇÃO

O que os educandos têm aprendido na escola? O que os educadores têm feito para proporcionar o desenvolvimento da aprendizagem dos seus educandos? Quais metodologias têm sido usadas? As escolas atualmente têm atendido às expectativas de alguns pais?

A imagem é muito sugestiva, remete o leitor à reflexão dos questionamentos apresentados no parágrafo anterior. Os pais e/ou responsáveis ao levarem as crianças à escola depositam nela a responsabilidade de “educar” seus filhos, bem como torná-lo um cidadão responsável e inteligente. Será que os âmbitos escolares têm dado conta dessa grande responsabilidade? Será que o desenvolvimento integral do ser humano tem sido levado em consideração pelos educadores ao prepararem suas aulas?

Tais inquietações despertaram-me o interesse em buscar como as crianças têm construído conhecimento em sala de aula. É diante disso, que o presente trabalho irá buscar a apresentação dos melhores caminhos para o aluno chegar ao processo de aprendizagem. Esse, porém, é o grande desafio dele. Para isso, é de real importância analisar as práticas de educadores em sala de aula, bem como, perceber como os profissionais da educação tem pensado acerca do que é aprender nos dias atuais.

Pensar sobre a multiplicidade de olhares para aprendizagem da criança é de real importância. O termo aprender tem ido além da epistemologia da palavra. É emergente refletir sobre como os alunos desenvolvem aprendizagem e como refletem positivamente ou negativamente em suas vidas. Entender como se dá o desenvolvimento da aprendizagem da criança auxilia o trabalho dos profissionais educativos, propicia a realização de um trabalho mais eficaz com metodologias adequadas e mais próximas a seus alunos.

Todo e qualquer educador, preocupado com o desenvolvimento da aprendizagem dos educandos, carece buscar compreender o que dificulta a aprendizagem dos seus alunos. Esse trabalho traz a tona a grande necessidade de se refletir como tem ocorrido a transmissão de conteúdos em sala de aula, os mesmos estão muito distanciados do mundo real de cada alunado e tem implicado na ausência de aprendizagem.

No primeiro capítulo, é apresentado uma abordagem acerca do indivíduo que aprende, levando em consideração suas potencialidades, suas fases de desenvolvimento. Nele foi utilizado como referencial teórico, Piaget, Emília Ferreiro, Moraes, Becker, Demo, entre outros. O primeiro deu uma enorme contribuição ao traçar o nível de aprendizagem de uma criança, vale ressaltar que, essas idéias foram escritas em um outro momento da história da educação. No entanto, suas pesquisas trouxeram grandes implicações prática e positivas para a mesma. Emília Ferreiro que foi orientada por Piaget, desenvolveu métodos de alfabetização que também deram certo. Desse modo, todos os outros referenciais apresentam uma grande característica: Acreditam na educação que prioriza o ser que está envolvido nos processos educativos.

O segundo capítulo traz a tona a dinamicidade presente no mundo atual e o desafio dos educadores em propor uma educação que acompanhe essa dinamicidade e a transforme em conhecimento educacional. Um dos referenciais teóricos desse segundo capítulo é Maria Cândida Moraes. Ela contribuiu com grandes reflexões. Em uma delas deixa claro que a educação precisa extrapolar as questões pedagógicas e ajudar o aluno a pensar criticamente acerca do que ocorre no social.

O terceiro capítulo traz alguns relatos elaborados a partir de análises, observações e reflexões. Também é apresentado um relato de Celso Antunes. Nele é expressa a falta de flexibilidade por parte de um educador. Para complementar, há uma citação de Paulo freire que não poderia faltar em um trabalho como esses. A Pedagogia da Autonomia com seus saberes necessários a prática educativa propõe também uma grande reflexão acerca das ações educativas. Por fim, vem o último capítulo com as considerações finais tecidas acerca do tema.

2. QUEM É O SER HUMANO QUE APRENDE

Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões-da-independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinho, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Dessa vez Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. Quando o menino chegou falando que todas as borboletas da terra passaram pela chácara de Siá Epídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça: – Não há nada a fazer, Dona Colo. Este menino é mesmo um caso de poesia. (Carlos Drummond de Andrade. In.: Ensino Fundamental de nove anos, 2006, p. 13)

Educar e desenvolver o aprendizado dos educandos hoje em dia, são ações que estão e/ou deveriam estar intrinsecamente ligadas. Tal desenvolvimento carece apenas do interesse dos educandos. O educador através de sua prática docente é quem mediará todo esse processo, respeitando as diferentes formas que o aluno encontra para desenvolver-se intelectualmente.

A escola, de um modo geral, não tem sabido lidar com a heterogeneidade da aprendizagem em sala de aula. O texto apresentado acima mostra a potencialidade de criação de uma criança. Em sala de aula, tudo isso é ignorado. Ainda se padronizam o que é ser aluno e/ou ser criança.

Os tempos mudaram, as informações chegam com muita velocidade aos ouvidos dos seres humanos, a evolução tem ocorrido em quase todos os âmbitos, exceto na educação. Até o século XX, ainda era admissível que a escola considerasse que os educandos aprendiam apenas ouvindo o professor e repetindo o que ele dizia, agora os tempos mudaram, o mundo mudou, é emergente acompanhar essas mudanças.

Não é difícil perceber que as práticas que têm sido utilizadas em sala de aula, mostram resultados vergonhosos. Faz-se necessário aos educadores situarem no mundo atual, procurar realmente promover a aprendizagem, pesquisar e entender como os alunos aprendem. A educação perpassa o âmbito escolar, a barreira que tem separado tudo isso precisa desde já ser rompida.

Os professores até percebem que o mundo ao redor passa por transformações de forma acelerada, no entanto, os resultados que a educação apresenta é lamentável. Muitos insistem em ensinar utilizando as mesmas práticas que lhes foram ensinadas. Dessa maneira, a aprendizagem não vem ocorrendo, o que aumenta os casos de indisciplina. Os alunos de hoje em dia vão de encontro a essas metodologias que imbecilizam e provocam a desordem em sala de aula.

Se uma pessoa que fosse escolarizada no final do século XIX fosse visitar uma escola atualmente veria uma prática de ensino bem semelhante a do seu tempo: o professor diante dos alunos transmitindo conteúdos que foram decididos mediante o livro didático, os alunos por sua vez deveriam ficar quietos, recebendo todas as informações que não são relevantes. Ao visitante seria constatado um diferencial: os estudantes são mais rebeldes e não respeitam os professores, afinal eles dispõem de mais recursos. Fora da escola eles aprendem mais.

Acreditamos que a educação desempenha papel fundamental na procura de conhecimento novo, de explicações novas, de um “saber-fazer” novo, mais global, holístico, integral. E talvez ela possa contribuir para corrigir distorções visíveis no mundo de hoje, decorrentes de um processo de fragmentação do pensamento permeado por diferenças, distinções e separações e que nos leva a ver o mundo em partes desconectadas, com sérios desdobramentos na evolução da humanidade. (Moraes, 1997, p. 23)

Acredita-se que muitos problemas da humanidade poderiam ser resolvidos com a educação. A formação dos indivíduos é responsabilidade da escola. A escola não tem dado conta disso. Diante disso, tem-se procurado quem são os culpados de tal fracasso que se dissemina. No momento, o pertinente é procurar formas de contribuir com a mudança dessa realidade. A escola de um modo em geral precisa conhecer como se dá o conhecimento no processo de ensino-aprendizagem. Esse pode se o cerne da questão que aqui se discute.

Para compreender o conhecimento no processo de ensino-aprendizagem, a escola, mais precisamente o educador, precisa se desprender de várias coisas que estão enraizadas no dia-a-dia do roteiro de uma aula. Geralmente os planos de aula são bem limitados, o que nesse processo não há tais limitações. É preciso saber lidar com o desconhecido, com o imprevisível. Nesse sentido, a educação carece de profissionais que proponham ao aluno o desenvolvimento de sua aprendizagem, respeitando suas particularidades, seus saberes, sua forma de desenvolver o conhecimento.

O processo de desenvolvimento de conhecimento não é algo muito simples. Muitos são os mecanismos utilizados nessa dinâmica da aprendizagem. Na íntegra, é algo muito dinâmico e carregado de especificidades, no entanto, os educadores precisam estar atentos para poder mediar o desenvolvimento da aprendizagem significativa dos educandos.

Cada aluno tem suas aptidões particulares no desenvolvimento de sua aprendizagem, ou seja, o modo que cada criança aprende é particular e pode ou não ser desenvolvido no contexto escolar, cabe ao educador saber cuidar dessa aprendizagem, ajudar o aluno a desenvolver-se de verdade e não utilizar a pedagogia da punição e premiação.

As crianças, ao chegarem à escola, trazem consigo muitos anseios, sonhos e desejos. No entanto, tudo isso tem sido menosprezado por diversos educadores e de forma intencional, pois o novo que o aluno traz à sala de aula pode causar a desordem. Assim, os educadores acabam podando esse aluno, deixando neles marcas inapagáveis que são carregadas para sempre, e que poderão prejudicar o seu processo de aprendizagem.

Cada criança aprende de modo muito particular, faz-se necessário ao educador estar atento a tal fato para não deixar passar despercebido e castrar esse momento mágico do seu aluno. A sala de aula deve se tornar um laboratório de conhecimentos, é na vivência desse aluno que o conhecimento é construído e/ou reconstruído constantemente. Desse modo, a aprendizagem poderá se tornar eficaz, carregada de significados, consciência e valores para o aprendiz.

Fernando Becker (2001, p.42) é bem claro quando diz:

Tomada de consciência significa apropriar-se dos mecanismos da própria ação, ou seja, o avanço do sujeito na direção do objeto, a possibilidade de o sujeito avançar no sentido de apreender o mundo, de construir o mundo, de transformar o mundo que está aí, se dá na precisa medida que ele apreende a si mesmo com sujeito, que ele apreende a sua prática, a sua ação.

Os educadores necessitam da flexibilidade para mediar com eficácia a construção do conhecimento em sala de aula estando sempre atentos no desenvolvimento particular de cada aluno dentro daquele âmbito educacional. O educador pode construir um ambiente favorável à aprendizagem, o que facilita a construção de uma aprendizagem significativa por parte dos alunos.

É preciso ao educador levar em consideração que nos dias atuais o contexto social é muito conturbado, cheio de novidades, notícias diferenciadas a todo o momento, o mundo está fervendo, a cabeça do aluno está turbilhando, não dá mais para dizer apenas o que é artigo, essa informação não traz um vínculo com o que ele vivencia todos os dias, isso não irá fazer o cérebro do aluno dançar. Dessa maneira, o esforço mental não está ocorrendo, e não haverá aprendizagem, o aluno precisa de alguém que o desestruture, é a partir dessa desestruturação que o aluno pode aprender de fato.

Fica implicitamente evidente que para essas mudanças ocorrerem, é necessário que a metodologia do professor seja mudada. Muitas das práticas pedagógicas, hoje em dia, ainda estão fundamentadas em uma metodologia expositiva, que por sua vez é o retrato de uma educação como transmissão. Nesses casos, o professor até tenta “inovar”, no entanto, sua inovação traz uma nova roupagem, que no fundo reflete a exposição de conteúdos, que por fim continua contribuindo com a formação de seres humanos padronizados, alienados, que não conseguem fazer relação alguma no seu próprio dia-a-dia.

A educação tem se mostrado reflexo da limitação humana, assim como mostra o texto seguinte:

O pombo real

Nasruddim se tornou o Primeiro Ministro do Rei. Certo dia, ao vagar eplo palácio, pela primeira vez em sua vida, viu um falcão real.

Acontece que o nosso Nasruddim não tinha visto nunca um pombo assim… tomando, pois, depressa, uma tesoura, cortou as garras e aparou as asas e o próprio bico adunco do falcão.

E disse: – Agora sim você é um pombo, um pássaro decente, pois seu dono não estava cuidando de você. (Antony de Mello, in.: Construção do Conhecimento, 2005,p.18)

Quão grande é a responsabilidade dos educadores! Quantos Nasruddim a escola tem formado? Nesse caso, seria mais fácil reverter a pergunta: Quantos educandos saem da escola com visão ampla de mundo? Torna-se delicado discutir a construção de conhecimentos, a formação de indivíduos. É delicado, porém emergente.

A escola ainda se preocupa muito em dar conta dos conteúdos trazidos no livro didático, acredita ainda que é importante passar para os alunos, os professores por sua vez correm contra o tempo para trabalhar todo o livro. O resultado dessas ações tem sido o fracasso escolar, evasão e imbecilização dos indivíduos.

Construir conhecimentos vai muito além da mecanização dos indivíduos. Um ambiente que propõe construção de conhecimento é acolhedor, o aluno se alegra ao chegar e se entristece porque já tem que ir. O professor nesse contexto promove mediações entre o aluno e o objeto de conhecimento a ser estudado, nesse momento é necessário fazer relações, questionar, definir, redefinir. Pesquisas comprovam que as metodologias expositivas são inúteis, pois os alunos em um ano letivo captam apenas de 10% a 20% do que foi exposto.

A educação precisa ser revolucionada, o aluno deve ser levado à pesquisa, ao questionamento, ele precisa aprender a pensar. Atualmente, algumas pessoas ainda acham inteligente o aluno que tem facilidade para decorar, no entanto, as exigências sociais vêm mostrando o contrário, é preciso saber dialogar, agir de forma inteligente e cautelosas nas situações do dia-a-dia. Se a inteligência de uma pessoa fosse medida através da capacidade de decorar, os robôs seriam tão inteligentes quanto o ser humano, pois decorar é uma tarefa programada, sem ramificações alguma.

O ato educativo de um ponto de vista é bem complexo, cheio de possibilidades, não há uma fórmula para se aprender. O aluno deve ser levado a perceber essa complexidade, o educador por sua vez precisa mediar essa situação, em que será mostrado um leque de situações que o levará ao aprendizado.

A educação tem falhado bastante, a situação não poderia ser diferente, há professores que não respeitam as limitações dos seus alunos, que ignoram a heterogeneidade presente em sala de aula, que não sabem lidar com os seres humanos com quem convivem diariamente. Nessas circunstâncias, é possível prevê sua prática: fragmenta sempre o conhecimento, resultado disso é a contribuição com a formação de pessoas que em um futuro bem próximo não consegue resolver nem os problemas de sua área de formação.

É muito comum hoje em dia, quando se pergunta a um licenciado em Letras como fazer uma determinada representação de um número cardinal para um numeral romano ele responder: – Essa não é minha área. Essa é uma prova real da fragilidade do ensino das escolas atuais. A fragmentação do conhecimento ocorre constantemente. Os títulos que muitos profissionais recebem na prática não têm validade alguma.

É preciso superar o conhecimento “disciplinarizado”, porque, reduzindo a realidade ao olhar de apenas uma disciplina, só pode ser deturpante; em vez de “construir” a realidade , “inventa-a”. O sociólogo que só sabe sociologia, certamente, o que menos sabe é sociologia, pois sequer manifesta mínima autocrítica de que sociologia não passa de um olhar. É restrição despropositada manter nos departamentos apenas professores da mesma área, porque produzindo teoria monótona e oficial, abandona-se a dialética complexa do argumento. (Demo, 2002, p. 9-10)

Ser professor com o intuito de promover mudanças significativas no contexto educacional, em meio a essa crise que perpassa a educação, não é fácil, mas é possível. O profissional que a escola carece no momento deve perceber a educação como um processo, em que o conhecimento precisa ser construído em sala de aula juntamente com os educandos. É preciso desmistificar as idéias sobre o que é educar e aprender.

Vale ressaltar que tais idéias não são demagógicas, elas são possíveis. É um processo lento, mas que pode resultar em um melhor grupo de pessoas com uma boa formação de fato. A escola, desde já, precisa respeitar o nível de aprendizagem que se encontra cada criança, isso é muito importante ao educador.

Alguns teóricos, entre eles Jean Piaget escreveu sobre a aprendizagem da criança, ele acreditava que o desenvolvimento é uma manifestação da aprendizagem e que ela é responsável pela formação dos conhecimentos. Dessa forma, em 1975, escreveu sobre a teoria do desenvolvimento humano, dividindo-a em quatro fases: Sensório-motor (0 a 2 anos); Pré-Operacional (2 a 7 anos); Operatório-Concreto (7 a 11 anos) e Operatório-Formal (12 anos em diante). Piaget lembra que essa divisão em faixas etárias é uma referência, não deve ser tomada como uma norma rígida.

A primeira fase na qual Piaget relata é a do recém-nascido e do lactante, que vai de 0 a 2 anos, nesse momento a criança através da percepção e dos movimentos procura conquistar todos os que os cercam. A segunda fase, caracteriza como a primeira infância, que vai dos 2 aos 7 anos, nesse momento é o aparecimento e o desenvolvimento da linguagem que provocará os aspectos de emoção, da afetividade e do convívio social da criança.

A terceira fase, segundo Piaget é considerada como a infância propriamente dita, que vai dos 7 aos 11 anos. Nesse momento, o egocentrismo intelectual começa a ser superado, a criança começa a estabelecer algumas relações que a faz ter pontos de vista diferenciados. A quarta fase é a da adolescência, em que o indivíduo já é capaz de fazer reflexões espontâneas, de tirar conclusões de algumas situações.

As teorias piagetianas são de grande valia a este estudo sobre a aprendizagem da criança. Além dele, Vigotski com sua teoria, também contribuiu muito com a educação e com a psicologia, ele escreveu que “a aprendizagem sempre inclui relações entre as pessoas. A relação do indivíduo com o mundo está sempre mediada pelo outro. Vigotski defende a idéia de que não há um desenvolvimento pronto e previsto dentro de nós que vai se atualizando conforme o tempo passa ou recebemos influência externa”.

A Psicopedagoga Emília Ferreiro tem contribuído muito com a educação, ela que foi orientada por Jean Piaget diz que “ o que a criança aprende não corresponde ao que lhe é ensinado, pois existe um espaço aberto de elaboração do sujeito. O educador deve estar atento a esse processos para promover, adequadamente, a aprendizagem”.

Cada teórico citado trouxe e/ou traz contribuições importantíssimas na área educacional. É de real importância aos educadores conhecer as idéias desses teóricos acerca do desenvolvimento da aprendizagem humana, as mesmas podem os ajudar a saberem lidar com as inquietações dos alunos no cotidiano escolar. Para tentar compreender como ocorre a aprendizagem de uma criança, muitas análises das situações vivenciadas em sala de aula precisam ser levadas em consideração, por conseguinte, os conhecimentos que os educadores adquirem acerca de alguns teóricos também serão de grande valia.

Pensar o desenvolvimento da aprendizagem da criança é procurar contribuir com uma melhor formação para os educadores. Ao educador, é preciso muito empenho, força de vontade e acima de tudo ter paixão pela profissão. Os educandos por sua vez implicitamente almejam por uma educação que os façam desenvolve-se intelectualmente. A rebeldia, a indisciplina em uma sala de aula, em alguns casos, advém do desejo de não continuarem sendo imbecilizados, para isso muitos estudos precisam ser realizados pelos alunos, lembrando que o mesmo deve começar na própria sala de aula.

No cotidiano escolar ainda há muita resistência por parte dos professores em procurar entender o processo da aquisição de conhecimento dos seus alunos. É importante aos educadores conhecer como funciona o cérebro humano, tal estudo pode ajudá-los a entender algumas reações dos alunos em sala de aula, afinal cada parte do cérebro é responsável por exercer determinadas funções.

Tomemos como exemplo o ambiente escolar: ele pode estimular e aguçar os sentidos dos alunos e deixá-los propícios ao aprendizado. As atividades propostas em sala de aula devem primar pelo desenvolvimento de todas as partes do cérebro, todos precisam ser estimulados para de fato a aprendizagem ocorrer de forma significativa. Muitos educadores implicitamente contribuem com o fracasso escolar em decorrência de não saber como promover atividades que contemple o desenvolvimento de todas as partes do cérebro dos educandos.

A escola é muito parada, o cérebro do aluno está acostumado com a dinamicidade do mundo fora do âmbito escolar. Atividades pouco atrativas não contribuem com a aprendizagem da criança, é preciso estar sempre propondo o estabelecimento de relações entre a criança e o que está sendo estudado. Dessa forma, as informações processadas pelo aluno pode tornar-se conhecimento.

O conhecimento cientifico e filosófico trabalhado na escola é construído por meio de operações do pensamento, que se fundamentam na linguagem verbal. Ocorre que existe diferentes níveis de operações mentais. Para um conhecimento mais efetivo, o sujeito deve superar os processos mentais inferiores de recordação, reconhecimento e associação, tendo em vista operações superiores (ex: comparação, levantamento de hipóteses, critica, resumo, interpretação imaginação, solução de problemas, decisão, julgamento, avaliação)”. (Vasconcelos, 2005, p. 99 )

A educação na realidade tem andado na contramão, quanto mais conteúdos se ensinam na escola, menos os alunos aprendem. As escolas julgam necessário trabalhar tantos conteúdos por que no futuro a aluno vai precisar para passar em concursos e vestibulares, no entanto, é impossível aos educandos assimilar tantos conteúdos em um único ano. Tal prática é inútil, algumas coisas poderão até ser memorizadas, mas que se apagará com o tempo, pois o principal não tem sido realizado nas escolas. É preciso preparar o aluno para receber tais informações, ou seja, é importante mediar situações de aprendizagem que levem o aluno a um amadurecimento pessoal, no qual poderá deixá-lo apto ao aprendizado.

As escolas atuais precisam propor uma educação que promova o desenvolvimento do pensamento. Para isso, é preciso priorizar a qualidade do que se transmite em sala de aula, deixando de lado a quantidade de conteúdos inúteis para o educando nesse dado momento.

A escola defensora da formação humana, pensa que as quantidades de cultura inútil enfiadas cérebro adentro fazem parte da formação. Nada disso, quando muitos podem fazer da distorção da mente do estudante. Vejam que é muito mais importante saber usar um catálogo telefônico que decorar milhares de números e relaciona-los com pessoas. A nossa escola preconiza muito mais o ato e decorar números e listas do que o fato de aprender a usa-las com a extrapolação que se segue, imediatamente, que é a de saber usar qualquer tipo de lista telefônica.”(Werneck. 2001, p.16)

A realidade é que mesmo alguns educadores tenham tentado mudar o que ocorre no âmbito educacional, a escola continua priorizando conteúdos, outros professores julgam necessário explicar cada tempo verbal ao aluno, o mesmo tenta decorar para acertar na prova e depois esquece, mas se consegue tirar uma boa nota é o que interessa. Nesse caso, a escola perdeu tempo e não contribuiu com o desenvolvimento do conhecimento do aluno.

Ao trabalhar verbos em sala de aula, é preciso levar o aluno a reflexão da dinamicidade presente na linguagem de cada individuo, após o trabalho com verbos deverá está associando à linguagem deles. É preciso envolvê-los no processo de ensino e aprendizagem, fazendo-os perceber que fazem parte do processo e desmistificar a idéia de que estão fora dele.

O trabalho em sala de aula deve ocorrer de forma interdisciplinar. Já não é possível tentar enfiar conhecimentos desmembrados na cabeça dos educandos. Dessa maneira, a escola só continua perdendo tempo e contribuindo com o fracasso da formação do sujeito. Nesse caso, ficará ainda mais evidente que a educação não consegue sair da contramão, há muita resistência por parte de muitos profissionais da educação em aceitar o novo, e não o aceitando, tudo permanecerá como está, resultado disso: fracasso escolar.

Hoje em dia não cabe mais a educação apenas levar o aluno a adquirir e compreender o conhecimento, esse tem que ser transformado em sabedoria, bem como, ajudá-lo a resolver seus problemas pessoais e/ou profissionais. Para que isso ocorra, o trabalho interdisciplinar deve ocorrer em sala de aula, nesse caso deve estar voltado para uma prática reflexiva constante, proporcionando uma construção de conhecimentos cheios de significados para os educandos. Diante disso Luck (1994, p.20) coloca:

O enfoque interdisciplinar, no contexto da educação, manifesta-se, portanto, como uma contribuição para a reflexão e o encaminhamento de solução às dificuldades relacionadas à pesquisa e ao ensino, e que dizem respeito a maneira como o conhecimento é tratado em ambas funções da educação.

O ensino fragmentado não atrai a criança em seu processo de aquisição do conhecimento. A fragmentação de conteúdos que são trabalhados na escola tem sido um dos principais agentes do fracasso escolar. O número de pessoas que tem adentrado a escola vem crescendo muito nos últimos tempos, no entanto, as pessoas acabam saindo escola sem ao menos estarem preparadas para agir e para viver em sociedade, isso ocorre por que os conteúdos trabalhados nos âmbitos educacionais estão totalmente dissociados do contexto social.

É preciso urgentemente propor uma educação em que não priorize apenas o aprendizado do currículo escolar, tal currículo deve contemplar a formação para a contribuição desses educandos com a sociedade, com o meio no qual ele está inserido. A sociedade deposita na escola a responsabilidade de formar seres mais sensatos e capazes de propor a construção de um mundo melhor, os professores, por sua vez, em alguns discursos sobre a missão da educação escolar, também falam sobre esse tipo de formação, no entanto, na prática a situação se reverte, pois as ações em sala de aula não contribuem em nada com a formação de um indivíduo que se enquadre nessa idéia que é propagada pela sociedade.

Educar, nesse contexto apresentado, torna-se uma tarefa difícil, que carece de pessoas que percebam a educação como algo macro cheio de ramificações, possibilidades, acertos e erros. Assim, para dar conta de tudo isso é necessário “educar para um outro mundo é possível” como diz Moacir Gadotti, ele ainda coloca a seguinte afirmação:

Assim procedendo, estamos assumindo a historia como possibilidade e não como fatalidade. Por isso, educar para um outro mundo possível é também educar para a ruptura, para a rebeldia, para a recusa, para dizer “não”, para gritar, para sonhar com outros mundos possíveis. Denunciando e anunciando. O núcleo central da concepção neoliberal da educação é a negação do sonho e da utopia. Por esse motivo, uma educação para o outro mundo possível é, sobretudo, a educação para o sonho para a esperança.(Revista Pátio.2007, p. 10)

Nesse pensamento, Gadotti apresenta um caminho possível para começar a contribuir com a melhoria da educação. Mas vale a pena ressaltar que esse pode ser o começo, o problema agora está na prática em sala de aula, nas metodologias que o profissional de educação irá utilizar para dar o primeiro passo rumo a construção do conhecimento em sala de aula. É preciso muita cautela, pois nesse caminho a ser traçado o aluno é a peça fundamental, por isso, é importante levar em consideração seu histórico de vida. Ao adentrar à escola, o aluno não vem sem nada, em sua cabeça há uma grande bagagem, que deve ser levada em consideração, por isso, nesse processo o educador precisa conhecer cada aluno para saber como e por onde começar.

O conteúdo e/ou o programa da escola tem que se adequar ao aluno e não o aluno se adequar ao programa estabelecido na escola, como tem sido feito na maioria dos âmbitos escolares brasileiros. Esse motivo é o que gera a falta de interesse por parte do aluno. Sem interesse por parte do aluno, a aprendizagem não ocorre, o que acaba ocorrendo é a promoção que mesmo recebe ano após ano, até concluir os estudos, e como muitos dizem até se “formar”. Será que a escola tem formado algum ser humano? Ou será que ela está deformando-os?

A aprendizagem de uma criança poderia ser compreendia como um momento mágico, ilimitável, envolvente, ela não deveria ser posta como uma obrigação. Faz-se necessário ao educador aproveitar a fase inicial de aquisição de conhecimento desse aluno, nesse momento, a criança tende a está na fase dos questionamentos, tudo o que está a sua volta é analisado. Dessa maneira, ao levar tais elementos em consideração, a prática pedagógica irá mudar processualmente e o mais importante poderá esta contribuindo com a formação de sujeitos conscientes, inovadores e mais preparados para conviver no meio social.

3. A EDUCAÇÃO FRENTE A UM MUNDO QUE SE TRANSFORMA

Estudo Errado – Gabriel O Pensador

Eu tô aqui Pra quê?
Será que é pra aprender?
Ou será que é pra aceitar, me acomodar e obedecer?
Tô tentando passar de ano pro meu pai não me bater
Sem recreio de saco cheio porque eu não fiz o dever
A professora já tá de marcação porque sempre me pega
Disfarçando espiando colando toda prova dos colegas
E ela esfrega na minha cara um zero bem redondo
E quando chega o boletim lá em casa eu me escondo
Eu quero jogar botão, vídeo-game, bola de gude
Mas meus pais só querem que eu “vá pra aula!” e “estude!”
Então dessa vez eu vou estudar até decorar cumpádi
Pra me dar bem e minha mãe deixar ficar acordado até mais tarde
Ou quem sabe aumentar minha mesada
Pra eu comprar mais revistinha (do Cascão?)
Não. De mulher pelada
A diversão é limitada e o meu pai não tem tempo pra nada
E a entrada no cinema é censurada (vai pra casa pirralhada!)
A rua é perigosa então eu vejo televisão
(Tá lá mais um corpo estendido no chão)
Na hora do jornal eu desligo porque eu nem sei nem o que é inflação
– Ué não te ensinaram?
– Não. A maioria das matérias que eles dão eu acho inútil
Em vão, pouco interessantes, eu fico pu..
Tô cansado de estudar, de madrugar, que sacrilégio
(Vai pro colégio!!)
Então eu fui relendo tudo até a prova começar
Voltei louco pra contar:
Manhê! Tirei um dez na prova
Me dei bem tirei um cem e eu quero ver quem me reprova
Decorei toda lição
Não errei nenhuma questão
Não aprendi nada de bom
Mas tirei dez (boa filhão!)
Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci
Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi
Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci
Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi
Decoreba: esse é o método de ensino
Eles me tratam como ameba e assim eu num raciocino
Não aprendo as causas e conseqüências só decoro os fatos
Desse jeito até história fica chato
Mas os velhos me disseram que o “porque” é o segredo
Então quando eu num entendo nada, eu levanto o dedo
Porque eu quero usar a mente pra ficar inteligente
Eu sei que ainda num sou gente grande, mas eu já sou gente
E sei que o estudo é uma coisa boa
O problema é que sem motivação a gente enjoa
O sistema bota um monte de abobrinha no programa
Mas pra aprender a ser um ingonorante (…)
Ah, um ignorante, por mim eu nem saía da minha cama (Ah, deixa eudormir)
Eu gosto dos professores e eu preciso de um mestre
Mas eu prefiro que eles me ensinem alguma coisa que preste
– O que é corrupção? Pra que serve um deputado?
Não me diga que o Brasil foi descoberto por acaso!
Ou que a minhoca é hermafrodita
Ou sobre a tênia solitária.
Não me faça decorar as capitanias hereditárias!! (…)
Vamos fugir dessa jaula!
“Hoje eu tô feliz” (matou o presidente?)
Não. A aula
Matei a aula porque num dava
Eu não agüentava mais
E fui escutar o Pensador escondido dos meus pais
Mas se eles fossem da minha idade eles entenderiam
(Esse num é o valor que um aluno merecia!)
Íííh… Sujô (Hein?)
O inspetor!
(Acabou a farra, já pra sala do coordenador!)
Achei que ia ser suspenso mas era só pra conversar
E me disseram que a escola era meu segundo lar
E é verdade, eu aprendo muita coisa realmente
Faço amigos, conheço gente, mas não quero estudar pra sempre!
Então eu vou passar de ano
Não tenho outra saída
Mas o ideal é que a escola me prepare pra vida
Discutindo e ensinando os problemas atuais
E não me dando as mesmas aulas que eles deram pros meus pais
Com matérias das quais eles não lembram mais nada
E quando eu tiro dez é sempre a mesma palhaçada
Refrão
Encarem as crianças com mais seriedade
Pois na escola é onde formamos nossa personalidade
Vocês tratam a educação como um negócio onde a ganância aexploração e a
indiferença são sócios
Quem devia lucrar só é prejudicado
Assim cês vão criar uma geração de revoltados
Tá tudo errado e eu já tou de saco cheio
Agora me dá minha bola e deixa eu ir embora pro recreio…

A música apresentada é o retrato da educação contemporânea. Os educadores, ou melhor, os âmbitos educacionais, consideram que o aluno ao estudar ciências exatas, naturais, matemática, ciências sociais, entre outras “áreas do conhecimento” aprendem diretamente os conteúdos programados e indiretamente aprendem a pensar, refletir com clareza e desenvolver um espírito crítico, mas a realidade nas escolas não condiz com esse discurso. O aluno da atualidade não está sendo preparado adequadamente para pensar, para avaliar de forma crítica as idéias novas que aparecem à sua frente.

A educação brasileira carece de inteira reformulação, a tarefa não é fácil, os responsáveis pela educação precisam se conscientizar de que algo precisa ser feito urgentemente. Está na hora de acabar com a ilusão de que o currículo da escola esteja contribuindo para desenvolver a aprendizagem do aluno, aprendizagem essa que o faça pensar. A formação da criticidade dos educandos tem sido deixada de lado, essa formação tem ficado em um segundo plano da educação.

A capacidade de pensar com clareza, com agilidade e com espírito crítico precisa ser a grande prioridade da educação formal, que deve ser aprendida diretamente, através das ações educativas direcionadas exclusivamente ao pensamento do alunado. Esse tipo de formação do educando precisa ser praticada desde cedo, nos primeiros contatos do aluno com o âmbito escolar e em todo o decorrer de sua vida estudantil.

Transformar a educação é algo que não vai acontecer repentinamente, é preciso então, começar a dar os primeiros passos para que isso ocorra. O autor e doutor em Psicologia Guy Claxton em uma matéria publicada na revista Pátio (fevereiro/abril 2006), escreveu sobre a capacidade de aprender e relatou sobre a evolução dos atuais modos de abordar a aprendizagem do aprender. Segundo o autor essa evolução ocorreu em quatro estágios:

O primeiro e mais antigo refere-se ao “aperfeiçoamento da aprendizagem”, que prima pelo resultado quantitativo, nas aulas os professores se organizam bem, traz uma nova roupagem, no entanto, a qualidade é deixada de lado.

O segundo estágio, ou a segunda geração de abordagens, considerava a aprendizagem um processo, nesse momento apresenta-se uma evolução, no entanto, a aprendizagem seguia em uma linha linear, baseada em técnicos. Contudo, segundo Guy Claxton, ser um bom aprendiz envolve mais do que técnicas. Dessa maneira, a terceira geração priorizou os “estilos de aprendizagens”, aqui o professor ajudava as crianças a aprender melhor descobrindo qual era o seu estilo predominante, utilizando as respostas dos alunos para ajustar seu próprio estilo de ensino.

Tal estágio também apresentou características preocupantes, as tipologias utilizadas eram grosseiras e muitas delas eram cientificamente suspeitas. A quarta geração trazia a abordagem do “aprender a aprender”, essa geração carece de professores que vejam como essa tarefa ajuda as crianças a desenvolver seus próprios “músculos da aprendizagem” e “vigor de aprendizagem”, elas são vistas como parceiras em um processo de descoberta de conhecimento útil sobre aprendizagem.

Segundo o autor, “o interesse desses professores no processo de aprendizagem é palpável na sala de aula. Pode haver uma “parede de questionamento” na qual as crianças reúnem todas as questões pessoais e gradativamente poder ser a pessoa que escolhe uma delas e conduz uma sessão de questionamentos”.

Essa quarta geração, como diz Guy Claxton, traz atividades práticas e eficientes, aqui o aluno além de ser o sujeito do processo de aprendizagem, está a todo momento em contato com situações palpáveis que mexem com o intelecto do aluno e o faz aprender de forma significativa. Cada tipo de estágio desses, podem ser encontradas no cotidiano escolar, os educadores precisam batalhar para colocar em prática o quarto estágio, que pode contribuir de maneira muito significativa com a aprendizagem que deve levar o aluno a se tornar um ser critico e criativo.

As crianças também precisam aprender a pensar de maneira analítica ou crítica. Muitas vezes, esperamos que façam o que lhe dizem para fazer. Com isso, o que eles podem aprender é a aceitar o que lhe dizem, sem pensar criticamente sobre isso. Maus governos e organizações aproveitam-se desse fato. Na verdade, o que maus governos e organizações aproveitam-se desse fato. Na verdade, o que maus governos e outras organizações menos querem é pensamento crítico, pois com isso as pessoas perceberão o quanto elas são ruins e por quê. Portanto, precisamos incentivar as crianças a pensar criticamente sobre o mundo ao seu redor, por exemplo, reconhecendo injustiças quando elas acorrem, e não apenas aceitá-las (Revista Pátio, 2006, p. 19)

É incumbida a escola a responsabilidade pela educação formal, eis nesse momento uma grande missão: a formação integral do ser humano, tal formação que em grande maioria dos casos tem ficado em meros discursos. O pensamento acima de Robert J. Sternberg traz à tona, algo muito pertinente em relação a algumas pessoas que se aproveitam da má formação intelectual dos indivíduos, dessa maneira, muitas pessoas são enganadas cotidianamente, coisa que talvez não ocorresse se os mesmos tivessem recebido uma educação que lhe proporcionasse enxergar as coisas de forma crítica.

Ser professor nos dias atuais é um grande desafio. A educação na qual muitos recebem e/ou receberam nos âmbitos escolares não os fazem e/ou não os fizeram pensar de forma crítica as informações que ouvem e lêem . Na sociedade atual, muitas vezes as crianças supõem que, se algo foi publicado no jornal, ou dito na televisão, ou apareceu na internet, deve ser verdade. Elas necessitam aprender a perceber quando determinadas declarações são falsas ou verdadeiras.

A escola precisa incentivar a criança a questionar suas próprias idéias. O que tem acontecido nas escolas é a preocupação em colocar na cabeça dos educandos os conteúdos e/ou assuntos programados, no entanto, por eles estarem tão distantes da vida real do aluno, acabam não os ajudando a agir de forma criativa na sua vida cotidiana. No dia a dia, os alunos precisam de idéias que lhes sejam úteis e o auxiliem a ir além do que já e conhecido.

É emergente na educação brasileira mostrar às crianças o quanto é importante saber o que elas não sabem. Ninguém sabe tudo. Quando as pessoas começam a achar que sabem tudo, geralmente isso é o inicio do seu fracasso intelectual. Elas não percebem como sua própria ignorância as impedem de alcançar suas metas. Aprender é um processo contínuo, as crianças precisam aprender que a aprendizagem não para quando elas saem da escola, pelo contrário ela continua durante toda sua vida.

As crianças, principalmente no início da sua escolarização, apresentam um grande potencial criativo, que deve ser aproveitado no âmbito escolar. Em uma sala de aula há uma diversidade de potenciais criativos, representado por toda a criança, que deve ser instigada a pensar sobre como reagir, quando surgirem problemas em sua vida, incentivando-as a superar obstáculos. Nesse caso, preparar o educando apenas para os testes, provas, não são de grande valia, pois a transmissão de conhecimentos só contribui com o fracasso na sua formação.

A educação precisa estar em consonância com essa nova visão do mundo com a sociedade almejada no futuro, e para tanto, é necessário criar ambientes educacionais que extrapole as questões pedagógicas, que busquem o entendimento da condição humana, a preparação do cidadão para exercer sua cidadania, para uma participação mais responsável, na comunidade local e planetária, tendo como prioridade o cultivo de valores humanitários, ecológicos e espirituais. Isso requer novos métodos de ensino, novos currículos e novos valores, e novas práticas educacionais absolutamente diferentes das que estamos acostumados a encontrar na nossa escola.(Moraes, 1997, p.112)

A autora, com esse pensamento, instiga e/ou pretende instigar os educandos a buscar a criação de novos ambientes educativos, dos quais permitam e promovam a formação de seres conscientes, críticos, pré dispostos para o novo. Desse modo, acredita-se que com ambientes educacionais dessa forma, implicitamente futuros ambientes sociais, culturais serão construídos, no entanto, apresentarão um grande diferencial, pois será dado um novo salto para a evolução dos seres humanos.

A sociedade atual, tem de uma certa forma, depositado na educação a responsabilidade pela melhoria da sociedade. Assim, é preciso batalhar e implantar uma educação que leve o aluno a desenvolver ações positivas, criativas, voltadas a cooperação, responsabilidade para com os outros seres vivos. A educação deve também primar pelos direito da humanidade, promovendo o diálogo e restaurando a paz entre os homens.

A criança que vai à escola precisa ser vista como um ser humano, capaz de ir além do que o currículo escolar exige dele. A educação precisa ajudar a criança a despertar sua autoconsciência para assim compreender a analisar sua própria natureza e a do outro. Tal educação se faz necessária em decorrência das intensas transformações sociais, que modificam os modos de viver e ver o mundo, mudam as instituições da sociedade, entre elas, a escola, que está encarregada de propor a educação formal.

A escola tem um grave defeito, pois vê o aluno como um ser humano, que tem defeitos e qualidades, mas sim como um aluno que não pode errar, habituando-os a estarem quietos, sentados e respondendo sim ou não. Cotidianamente, os alunos têm aprendido o que não lhe ensinam e as coisas que são passadas na escola não são aprendidas por eles. Há nesse caso um grande impasse que impede o progresso escolar, ela foi concebida e/ou programada para ensinar e de preferência a grupos homogêneos de alunos, no entanto, os públicos escolares são muito heterogêneos, assim tem-se tentado ensinar a públicos inexistentes.

A mudança tem que acontecer, a escola precisa assumir urgentemente um grande desafio: saber lidar a nova concepção de aprendizagem. Essa nova concepção elenca o que vem sendo abordado nesse trabalho, é o compreender, o pensar, o agir e o sentir. Nesse sentido, as inteligências múltiplas podem ajudar na proposição de um ensino mais eficaz. Fica evidente que não dá mais para a escola ignorar a dinamicidade apresentada pelos alunos em um âmbito escolar.

O educador nesse processo de transformação escolar necessita ter uma visão multidimensional acerca do que é a aprendizagem. Em hipótese alguma, ela pode ter uma visão padronizada do que é educação. Em sala de aula, precisa-se de estratégias, pois se defrontará com diversas mentes pensantes, munidas de saberes diferenciados, ou não, nos quais carece atenção e respeito.

Diante da discussão, fica explícito que o educador precisa urgentemente está refletindo sobre sua atuação em sala de aula e conseqüentemente buscar sempre se atualizar. O autor Celso Antunes, em seu livro: Como desenvolver as competências em sala de aula, vem fazer o leitor refletir sobre essa atuação e atualização que a priore devem ser encaradas como ações emergentes.

Não mais basta acumular conhecimentos para depois deles se usufruir. É, antes, essencial estar à altura de aproveitar e explorar pela vida inteira, todas as possibilidades do aprendizado, da atualização, do enriquecimento, para as mudanças que em todos os momentos nos assaltam (2001, p.7)

O mesmo autor aborda quatro tipos de aprendizagens, que são essenciais na educação que hoje se propõe. A primeira é aprender a conhecer, que implica saber ilimitado, que exclui de certa forma saberes padronizados, dando lugar a construção diária de conhecimentos, que exercitam os pensamentos e auxiliam no real desenvolvimento dos indivíduos. O segundo condiz ao aprender a fazer, que retrata o estímulo criatividade, que resultará na ação do indivíduo no meio em que ele está inserido. Por consegüinte, vem o aprender a viver juntos, a viver com os outros, aqui o autor lembra ao leitor e/ou educador que para se aprender a viver com os outros é preciso tornar o ambiente escolar propício a esse pilar tão importante para o ser humano, no entanto, é necessário antes de tudo fazer um trabalho que mude a cara da escola, tornando-a um ambiente favorável a descoberta do outro.

A quarta aprendizagem é o aprender a ser. Essa propõe aos educadores olhar o aluno como um ser humano, que tem espírito e corpo, inteligência e sensibilidade, ética e espiritualidade, preparando-os assim para o desenvolvimento de sua autonomia. Esses quatro tipos de aprendizagens são chamados de “Pilares do conhecimento”, considerados fundamentais para a formação dos seres humanos, os quais condizem com as competências que o mundo contemporâneo vem exigindo dos indivíduos.

Nessa mesma obra, Celso Antunes faz uma adaptação das propostas educacionais do educador suíço Perrenoud à realidade educacional brasileira. Dessa forma, ressalta na obra as inteligências e competências que devem ser acordadas nos indivíduos. Ao falar em inteligência, destaca-se a idéia de que todos já nascem com ela, para ter certeza disso, basta observar as ações de uma criança desde os seus primeiros momentos de vida, já as competências precisam ser construídas à medida que as inteligências dos indivíduos são ampliadas. No âmbito educacional, é necessário haver uma íntegra ligação entre: competências, inteligências e conteúdos. Os conteúdos devem ser trabalhados de forma que, competências sejam traçadas junto a eles, e que inteligências sejam despertadas e/ou ampliadas nesse processo.

Quando se fala em competências, o autor não usa esse termo aleatoriamente, ele traz idéias consistentes e explana sobre as competências que deverão ser afloradas nos alunos, mostra ao educador meios de desenvolvê-las em sala de aula. Não basta ao aluno apenas saber ler e escrever, é importante que o educador leve o aluno a entender os símbolos e saber lidar com eles. Pretende-se, dessa forma, contribuir com a formação de bons leitores ao invés de meros reprodutores de um código escrito.

Quando se fala nas ciências exatas, a escola tem feito com que o aluno deteste a matemática, o aluno deve ser conduzido ao caminho desse conhecimento de forma interessante e prazerosa, é preciso aqui trazer situações diárias do aluno, para ele perceber que faz sentido aprender a Matemática. Em todas as áreas do conhecimento ações que aproximem o já vivenciado no dia-a-dia do aluno com a programação dos conteúdos “obrigatórios” que o professor precisa seguir, poderá motivar o aluno e ajudá-lo a desenvolver diversas competências.

Em diversas salas de aula, deve ser propiciado aos alunos, a valorização do diálogo, da importância do outro. Desde muito cedo, a criança precisa está se relacionando com outras crianças, aprender a lidar com as diferenças dos outros, e quando isso acontece, está automaticamente desenvolvendo competências, pois o aluno nesse momento estará conhecendo outras formas de ser e verá que o meio social é composto assim: diferenças que formam a unidade, ou que, deveriam formar a unidade. O professor então deve estar atento para contribuir com a diminuição do preconceito, preparar seres aptos ao respeito e a cooperação.

É incontestável toda essa responsabilidade que é incumbida ao professor, mas para o professor conseguir mediar o desenvolvimento de múltiplas competências e inteligências no aluno, deve verificar como está ocorrendo o desenvolvimento de sua inteligência e suas competências.

Para buscar através de uma síntese o possível ponto de intercessão entre Inteligência e Competência, seria possível afirmar que as inteligências (lingüísticas, lógico-matemática, sonora, sinestésico, corporal, espacial, naturalista, intrapessoal, interpessoal e existencial) são algo assim como facas que se usam para múltiplos fins e que as competências constituem as pedras de amolar, que as afiam e as tornam mais agudas, mais cortantes. Não há pois qualquer possibilidade de conflito em se estimular as múltiplas inteligências, construindo-se diversas competências e, isto acontecendo, o uso das mesmas se inicia em uma sala de aula, mas manifesta-se em todos os atos e todas ações do viver. (Antunes, 2001, p.19)

Esse pensamento sintetiza o que é, para que é preciso entender, estudar e analisar as competências e inteligências. A tarefa de mediar tais desenvolvimentos carece do professor o domínio de algumas ações educativas, que Celso Antunes denomina de oito competências essenciais.

Essas oito competências ajudarão o educador a entender as demandas da “nova” educação, em que muitos procuram se inserir. Essas competências se interligam muito uma com a outra. A primeira faz o leitor refletir sobre sua prática em sala de aula, é preciso coragem para se incluir e desenvolver-se no quadro dessa competência, o educador media o conhecimento, analisa o nível de aprendizagem em que o aluno se encontra e só depois ele determina que conteúdos trabalhar, é nesse momento que o professor tem certeza quais são os objetivos que pretende traçar para determinada turma, para os determinados alunos.

Então, se o professor já dirige e organiza situações de aprendizagens, ele precisa administrar a progressão das aprendizagens dos educandos. Celso Antunes diz que desenvolver em suas ações outras competências, implica em saber lidar com os conteúdos programáticos, ou seja, saber fazer interligações de determinados conteúdos com diversas disciplinas. Dessa forma, é imprescindível ao professor acompanhar o progresso do seu aluno, de forma que suas competências sejam exploradas diariamente. As informações passadas em sala de aula têm que ter um significado, ser contextualizadas com a vida e com o espaço no qual o aluno vive. O conhecimento escolar deve urgentemente ser aproximado do que já é comum na vivência do aluno.

A terceira competência que é incumbida ao professor trata do entendimento dele em relação a heterogeneidade da sua classe. Nesse momento, o educador deve trabalhar a interatividade, proporcionar momentos em que a aprendizagem interaja com a solidariedade. Por conseguinte, vem a quarta competência exigida: envolver os alunos na aprendizagem e, portanto, na sua reconstrução e compreensão de mundo, que implica em levar o aluno romper as paredes da escola, no sentido de conhecer outras realidades, outros meios para assim compreender o mundo que o cerca. O professor deve instigar o aluno ao desejo de aprender, fazer o educando se sentir importante nesse processo de aprendizagem.

A quinta competência permeia a quarta, retrata a importância do trabalho em grupo, em que o educador automaticamente propõe a igualdade entre os alunos, é mister esse trabalho na sala de aula. Dessa forma, o trabalho de elaboração de projetos pedagógicos verdadeiramente em equipe, proporcionará ao educando o conhecimento integrado com relação a algumas disciplinas. A sexta competência é: dominar e fazer uso de novas tecnologias. O professor, ao possuir essa competência, ajudará o seu aluno a se inserir no mundo tecnológico que tanto exclui pessoas que não se adaptam e nem tentam se adaptar a ele. O professor que possui essa competência saberá se sobressair e ajudar o aluno no esclarecimento de algumas dúvidas a cerca do assunto.

A sétima competência vem fazer o leitor refletir sobre a violência cometida em sala de aula. O termo violência não deve ser restrito a questão da violência física, o preconceito, a discriminação condiz a tipos de violências presentes em sala de aula. O educador precisa implantar em sala de aula métodos que impliquem na propagação do respeito mútuo entre todos os alunos, os mesmos sofrem no seu meio social diversos tipos de violências, a escola na maioria dos casos não tem contribuído com a diminuição de atitudes violentas dentro da própria escola. Celso Antunes diz:

Não mais é possível pensar que apenas alguns professores, dependendo das disciplinas que ministram, são responsáveis pela formação moral plena e irrestrita do aluno, um médico é sempre um médico, mesmo quando a necessidade imperiosa de socorro não é da sua especialidade, da mesma forma, um educador e deve fazer de seu espaço, uma luta contra qualquer espécie de preconceito, qualquer tipo de discriminação independentemente da série ou da disciplina que trabalha. É essencial que estejamos conscientes de que se um aluno completa seu ciclo escolar carregando idéias discriminatórias, pouco valor existe na matemática que aprendeu, na história da qual se lembra, na Língua Portuguesa, através da qual se expressa. Participar da criação de regras de conduta à disciplina e à comunicação em aula”. (Antunes, 2001, p.74)

A última competência é gritante, o educador precisa administrar sua própria formação e o seu enriquecimento contínuo. É necessário a busca constante por inovações. O educador Paulo Freire dizia que era muito importante estar aberto as inovações, senão suas idéias iriam cair no esquecimento. Já houve um tempo em que o professor apenas precisasse dominar os conhecimentos da disciplina que lecionava, mas esse tipo tempo se foi, o educador que não perceber isso, não irá contribuir com a melhoria educacional, apenas ajudará a continuar com o fracasso presente nas escolas.

É preciso muita coragem e ousadia para propor mudanças significativas no âmbito escolar, mesmo por que, para a escola mudar, as pessoas que a fazem necessitam mudar. As informações têm chegado às pessoas de forma muito acelerada, o aluno exige profissionais que os orientem a digeri todas as informações que lhe são passadas. O professor tem a missão de organizar, desenvolver situações diferenciadas de aprendizagem, propiciando de fato ao aluno a oportunidade de gerenciar os “conhecimentos que adquirem, transformando-os em sabedoria, “sabedoria é saber agir” eis o cerne da questão, mediar o aluno de forma que os mesmos saibam utilizar adequadamente o conhecimento adquirido.

4. UM OLHAR SOBRE ALGUMAS PRÁTICAS EDUCATIVAS.

Quem não come aprende na escola
Eu tive fome e não mão deste de comer
Por isso sofro a ignorância
Porque apensar da relutância
Jamais consegui aprender.
Matricu1ei-me aos sete anos como manda a legislação
Numa escola simples em qualquer canto da União,
Nada aprendi, livro não tinha
Não conheço nenhuma lição
Só aquelas que estão escritas
Num velho e amassado papel de pão,
Dormia nas aulas em plena manhã
Sentia fome do estômago doer
Esperava aflito a hora da merenda
Momento alegre que ficava entregue
À melhor lição: encher o prato e comer,
Voltava á sala, nada aprendia
Nem me lembro bem da sinfonia
Que nas manhãs se perdia
Com o cinco vezes quatro,
O sete vezes sete, o nove vezes nove…
Na hora da prova quase sempre errava
O que escrevia a professora riscava.
E, no fim do ano, triste me reprovava,
Repeti três anos e saí da escola
Lavei carros, fui engraxate,
Limpei vidros, fui até mascate,
Juntei-me a “gangs”, conheci bandidos
Fui ventanista e puxador de carro. ,
Cinco vezes , quatro foram as paradas
Junto às casas assaltadas,
Sete vezes as voltas que dei no camburão
Por crimes cometidos com a minha mão
Que sem saber escrever um lição
Matava ,roubava, escapando à punição.
Até que me prenderam, as mãos me algemaram
Um processo muito grande escreveram
Contando os crimes meus e os outros
Que meus amigos cometeram,
Aos vinte e cinco anos vividos
Somando dias e dias sofridos
Fui condenado a viver trancafiado
De toda a sociedade separado
Para ver se aprendia, agora, a lição.
Tarde, muito tarde, nove vezes nove
Serão os anos da soma da condenação
Sem esperança alguma de libertação.
Assinei a sentença no final do julgamento
Pressionando o polegar com a força da minha mão,
Nada aprendi, estava condenado
E nem percebi que tinha sido destinado
À condenação e à prisão do meu Estado
Quando antes da escola, aos quatro anos, fui abandonado.
Nada sei, nada estudei
Não tive condições de aprender
Porque não mc deram nada dc comer.

(In: “Se você finge que ensina, eu finjo que aprendo” de Hamilton Werneck)

O desafio da criança, nesse texto, traz a tona uma grande realidade das escolas brasileiras. Os âmbitos educacionais em muitos casos, não têm sabido acolher o alunado. Os alunos evadem por não encontrarem nas escolas um ambiente que façam perceber que estudar é importante para o desenvolvimento do ser humano. O fingimento tem sido constante, professor finge que ensina e alunos fingem que aprendem. O aluno que se expressa no texto não deve ser tratado como mais um em meio a uma sala de aula, muito pelo contrário, alunos assim devem ser conquistados pouco a pouco, assim será mais fácil ajudá-lo na aquisição , construção e/ ou ampliação de conhecimentos .

Vejamos agora alguns casos, em que as ações educativas nada têm contribuído com a aprendizagem dos educandos:

A professora X participou de programas de capacitação recentemente. No curso aprendeu que não devemos carregar tanto os alunos com conteúdos, que o lúdico é necessário e que faz parte do processo de crescimento das crianças .Pensando em todas as dinâmicas divertidas que vivenciou, ela resolveu inovar.

A aula da professora começou com uma bela dinâmica que fez no curso, na qual todos os alunos deveriam estar segurando uma folha arrumada em forma de funil com uma velinha dentro. A professora disse que os alunos deveriam olhar a vela e pensar “na chama que os nove para estar juntos da sala de aula.” Os meninos não entenderam muito o que a professora queria dizer, mas seguraram a vela dentro do papel e ficaram vendo o que ia acontecendo. A professora colocando a música de relaxar, não percebeu que dois alunos estavam com o papel pegando fogo. Os outros começaram a gritar, a professora pediu que se acalmassem e começou a perguntar:

– O que querem trabalhar hoje? O que gostariam de fazer?

Os meninos acharam muito estranho! A professora nunca tinha feito essas perguntas e decidiram aproveitar.

– Queremos brincar de bola!Queremos um recreio enorme! Queremos merenda agora!

– Vamos fazer a dinâmica “Estoura balões.”

Correu, pegou os balões em sua pasta nova do curso da capacitação e deu um a cada criança, pedindo-lhes que os enchesse, assim, cada um teria que proteger seus balões para o outro não estourar (“Foi maravilhoso fazer isto no curso!” pensou ela.). As crianças odoraram a idéia. Imagine estourar balões em vez de estudar as operações matemáticas. Começaram a estourar os balões dos colegas, uns caiam em cima dos outros, uns empurravam os outros, o barulho foi imenso. As professoras das outras salas foram reclamar e a professora X desesperada, pediu que sentassem, mas a turma não voltava ao “ normal” meio sem paciência e frustrada com o desacerto de suas idéias , indignou-se e gritou:

– Ok! Não querem colaborar? Pois bem, teste relâmpago, e é para nota, podem arrumar as cadeiras em fila.

Parece cômico tal situação, mas tais ações contribuem com a falta de desenvolvimento da aprendizagem. A professora ao tentar acertar, causou um grande tumulto, os alunos estavam adorando, pois a hora de brincar e lanchar são os únicos momentos que os deixam motivados. É preciso inovar, no entanto, o professor precisa fazer uma longa analise antes de aplicar qualquer coisa. Tal professora foi bastante infeliz na realização das dinâmicas, as mesmas não surtiram o efeito que esperava.

Vejamos agora outra situação: A professora Lua caiu de pára-quedas na educação. Não sabe exatamente a que veio e para onde vai. Ela chega à sala de aula às oito horas da manhã, é uma escola pública do Ensino Fundamental. As crianças da 3ª série a esperam para mais um dia de aula confuso. A professora começa a aula perguntando aos alunos o que eles querem fazer, os mesmos ficam sem saber o que dizer. Um dos meninos da classe, diz em tom de graças:

– Ô professora, não é a senhora que tem que dizer o que agente vai fazer?

– Bem, então vamos fazer contas de subtrair. Não, não, não… Vamos fazer uma leitura no livro de ciências.

Pensando bem, se organizem em grupos e cada um fará uma coisa.

Novamente, um dos alunos interrompe:

– Mas, professora!

– Vai ficar questionando o que eu decido fazer na sala de aula. Afinal, a professora aqui sou eu. Portanto, volte para a sua carteira cumprir a sua tarefa

O sinal toca e todos vão embora.

Como uma aula desse tipo pode promover a aprendizagem dos educados? O que o professores que agem dessa maneira entendem de educação? A resposta para todos os questionamentos torna-se inevitável, mas uma vez o resultado será o fracasso escolar, o pior é que seres serão conduzidos ao fracasso e privados de ter uma educação de qualidade. Alguns alunos vão de encontro a aulas assim, provocam a indisciplina que tanto incomodam os professores; esses professores replicam dizendo que o aluno não quer nada e são desinteressados pois para ele o ideal é o aluno ficar quieto, fazer sem questionar as atividades que lhes são pedidas.

Que conceitos de disciplina tem a maioria dos educadores?Geralmente , disciplina é entendida como adequação do comportamento do aluno aquilo que o professor deseja .Só é considerado disciplina o aluno que comporta –se como o professor quer. A questão que poderia ser como colocada é a seguinte: que comportamento deseja o professor? É freqüente o desejo do professor que o aluno fique quieto , ouça as explicações que tem para dar , faça direitinho os exercícios e pronto.se isto acontecer , sentir-se-á realizado.(Vasconcellos,2004p.47).

O caso seguinte condiz com a realidade de muitos professores: Iniciam-se as aulas do ano letivo da escola “Y”, as professoras da 2ª série combinam como fazer os planejamentos. Decidem que cada professora ficará responsável em fazer o planejamento de uma semana e depois repassá-los. Neste grupo, estava a professora X que já lecionava nesta escola e na 2ª série há 15 anos. Ela conhecia os conteúdos da série como a palma das mãos. Assim, pensou:

– Vai ser fácil, cada um faz uma semana em sua casa e não precisa sair de casa, mais uma noite. Aproximava-se o dia em que a professora teria que repassar seu planejamento. Em sua casa, com os livros didáticos em mãos e o caderno de planos dos anos anteriores, ela começou a ler. Em meio a leitura, uma colega questionou:

– Colega, eu estou enganada ou este planejamento já foi aplicado há três anos?

A professora, meio que ofendida, respondeu:

– Você acha que eu ia pegar um planejamento velho e fazer de conta que é novo?

Uma colega intervém:

– Bem, como o combinado foi cada um fazer uma semana, nós só temos que acatar o que a colega elaborou.

E lá se foram elas copiarem em suas salas de aula.

Ações como as que foram descritas também são comum nos ambientes educacionais. O professor que age dessa maneira não tem nenhum tipo de comprometimento pela educação. A aprendizagem dos indivíduos não é visada nesse momento, aliás isso é o que menos importa a professores que costumam agir assim. Ao levar para sala de aula um plano que foi traçado para outros alunos, em outro momento, não iria contribuir com o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos, o professor precisa acordar. O plano de aula deve ser traçado mediante a necessidade apresentada pelos alunos. Diante disso, o professor precisa traçar metas que o permitam de fato mediar a construção eficaz do conhecimento em sala de aula.

A próxima situação que será apresentada se difere das outras. Vejamos o exemplo da professora “L”:

“A professora ‘L” já é professora há mais de 20 anos e está há 7 anos trabalhando com a 2ª série do Ensino Fundamental, que hoje se trata do 3ª ano.

Muito preocupada com a aprendizagem de sua turma está sempre bolando atividades para que essa aprendizagem se efetive. Num certo dia, estava organizando a sua aula de Português e encontrou uma atividade interessante sobre o assunto que ia começar a trabalhar ( pontuação) na pasta da sua filha, que estuda 3º ano em uma outra escola, na qual possui uma proposta pedagógica embasada na concepção construtiva.



Ao realizar atividade observou que as crianças sentiram dificuldades em responder as questões. Então, resolveu direcionar a atividade respondendo as questões do texto coletivamente no quadro. Quando concluiu a atividade, não conseguiu compreender o motivo da dificuldade que o grupo sentiu, pois o objetivo traçado sobre o trabalho com a pontuação estava muito claro. Talvez esse seja o grande problema, o objetivo pode está claro para o professor, no entanto, as atividades realizadas não estão adequadas para aquela turma.

Vejamos agora a situação da professora “M”. Ela chega à escola sempre atrasada, as crianças cheias de energia fazem um grande barulho, pulam, brincam e quando ela chega, dá um belo grito pedindo silêncio e esquece logo do bom dia.

– Arrumem a sala em dupla.

Um aluno questiona a professora.

– Minha pró, o que é dupla?

Ela responde com grosseria.

– Dois componentes, é claro!

Começa então a pedir para fazer o exercício de Ciências sobre o aparelho digestivo. Os alunos demonstram inquietações, pois não tiveram nenhuma explanação. A professora olha o relógio e lembra:

– Epa! Esqueci da dinâmica. (No pensamento lembra: A coordenadora falou tanto! Tenho que fazer!)

– Crianças, fiquem em pé. Vamos realizar uma brincadeira. (Já com o tom de voz diferente.)

Um aluno questionador pergunta:

– Professora, o que vem agora? Antes foi uma atividade que eu nunca tinha visto e agora uma brincadeira?

A professora responde:

– Bem então vamos fazer a nossa oração matinal que eu esqueci logo cedo.

Novamente o aluno questionador contesta.

– Mas professora isso não era antes de começar a aula?

A professora fica sem saber explicar as “idas e vindas” de sua ação pedagógica em sala de aula.

Para sua salvação, vem a hora da merenda.

O aluno ao sair da sala, comenta com os colegas:

– Que confusão!

A falta de preparação dessa professora é explícito, no entanto os alunos percebem que algo não vai bem. Ações como a dessa professora, infelizmente também são corriqueiras nos âmbitos educacionais. Dessa forma, como fica a aprendizagem dos educandos? Como o conhecimento vai se desenvolver em meio a tanta falta de preparação do professor?

Os casos, até agora descritos nesse trabalho, são frutos de algumas observações e diálogos com professores, em uma escola das séries iniciais do município de Antas-BA. Quando se fala de aprendizagem, faz-se necessário não apenas observar o aluno, ma também é pertinente perceber como os professores estão contribuindo em sala de aula com o desenvolvimento dessa aprendizagem dos educandos. O resultado é entristecedor, ainda falta comprometimento dos professores, a escola ainda não é atrativa para os aluno, os âmbitos escolares não têm sabido lidar com a aprendizagem dos educandos.

A situação a seguir escrita por Celso Antunes, sintetiza o que tem sido discutido até aqui:

Marcelo é um excelente professor de Geografia. Na aula sobre o Pantanal até excedeu-se. Falou com entusiasmo, relatou com detalhes, descreveu com precisão. Preencheu a lousa com critério, soube fazer com que os alunos descobrissem na interpretação do texto do livro a magia dessa região quase selvagem. Exibiu um vídeo, congelou cenas e enriqueceu-as com detalhes, com fatos experimentados, acontecimentos do dia-a-dia de cada um.

Em sua prova, é evidente, não deu outra: uma redação sobre o tema e questões operatórias que envolviam o Pantanal, seus rios, suas aves, sua vegetação… a planície imensa. Os alunos acharam fácil. Apanharam suas folhas e começaram a trazer, palavra por palavra, suas imagens para o papel. As canetas corriam soltas e as linhas transformavam-se em parágrafos. Marcelo sabia o quanto teria que corrigir, mas vibrava…Sentia que os alunos aprendiam. Descobria o interesse que sua ciência despertava. Não pôde conter uma emoção diferente quando Heleninha, sua aluna predileta, foi até sua mesa e arfante solicitou:

– Posso pegar mais uma folha em branco?

O único ponto de discórdia, o único sentimento opaco que aborrecia Marcelo, era o Luizinho, aquele da segunda fila. – Puxa vida! – pensava – Luizinho assistira todas as suas aulas, arregalara os olhos com as explicações e agora, na prova, silêncio absoluto, imobilidade total… nem sequer uma linha. Sentiu ímpetos de esganar. Luizinho pagaria seu preço, iria certamente para a recuperação. Se duvidassem poderia, até mesmo, leva-lo à retenção. Seria até possível arrancar um ano inteirinho de sua vida…

Minutos depois, avisou que o tempo estava terminado. Que entregassem suas folhas. Viu então que, rapidamente, Luisinho desenhou, na primeira página das folhas da prova, o Pantanal. Rico, minucioso, preciso. Marcelo emocionou-se, ao ver aquele quadro, de irretocável perfeição, nas mãos de Luizinho que coloria as últimas sobras. Entusiasmado indagou:

– E aí, Luis? Você já esteve no Pantanal?

Não. Luizinho jamais saíra de sua cidade. Construiu sua imagem a partir das aulas ouvidas. Marcelo sentiu-se um gigante e, de repente, descobriu-se o próprio Piaget. Havia com suas palavras construído uma imagem completa, correta e absoluta na mente de seu aluno.

Mas, deu zero pela redação. É claro. Naquela escola não era permitido que se rabiscassem as folhas da prova.

A história de Luizinho repete-se em muitas escolas.

Sua Inteligência pictórica é imensa, colossal, lúcida, clara e contrasta visivelmente com as limitações de sua competência verbal. Expressou o que sabia, da maneira como conseguia. Mas, não são todos os professores que se encontram treinados para ouvir linguagens diferentes da que a escola instituiu como única e universal.(Celso Antunes, 2000, p. 72-73)

Na nossa sociedade, há muitos professores agindo como Marcelo, professor muito bom, propõe uma mediação entre conhecimento e aprendizagem, no entanto, os espaços escolares padronizaram a forma de mostrar o que aprenderam, deve ser a prova escrita e nada mais. Veja a gravura a seguir:

O aluno Agostinho, pelo que é mostrado, possui habilidades na área de expressão artística. No entanto, fora da sala de aula é que ele pode expressar o que sabe. O conhecimento da expressão artística vai além do que a professora expõe em sala de aula, dá para notar falta de atrativos na aula dela. O Agostinho age de forma inteligente não querendo permanecer em sala de aula, afinal o espaço escolar não tem dado espaço para mostrar o que sabe. Paulo Freire no seu livro Pedagogia da Autonomia, diz:

Por que não discutir com os alunos a realidade concreta a que se deva associar a disciplina cujo conteúdo se ensina, a realidade agressiva em que a violência é a constante e a convivência das pessoas é muito maior com a morte do que com a vida? Por que não estabelecer uma “intimidade” entre os saberes curriculares fundamentais aos alunos e a experiência social que eles têm como indivíduos? Por que não discutir as implicações políticas e ideológicas de um tal descaso dos dominantes pelas áreas pobres da cidade?A ética de classes embutida neste descaso? Por que dirá um educador reacionariamente pragmático, a escola não tem nada que ver com isso. A escola não é partido. Ela tem que ensinar os conteúdos, transferi-los aos alunos. Aprendidos estes operam por si mesmos. (Freire, 1996, p.30-31)

Ao olhar criticamente as práticas educativas, percebe-se que para a aprendizagem ocorrer de fato, os profissionais da educação necessitam conhecer e por em prática o que Paulo Freire coloca no livro aqui citado. É emergente perceber, discutir e analisar que “ensinar não é transferir conhecimentos”, ensinar é algo muito abrangente, é uma prática que existem diversos saberes aos educadores. Essas práticas errôneas e tão comuns no dia-a-dia de algumas escolas resultam na falta de aprendizagem. A educação carece urgentemente de educadores que abracem com amor a causa da educação.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A multiplicidade de olhares para a aprendizagem da criança permite uma ampla discussão acerca do aprender e da qualificação docente. O aprender só ocorrerá de fato, se o educador estiver proporcionando situações que sejam favoráveis à aprendizagem. É mister ao educador saber lidar com a heterogeneidade presente em sala de aula, bem como procurar conhecer quais atividades tem contribuído para que seus alunos construam conhecimento.

Geralmente os professores se preocupam em dar todos os conteúdos presentes nos livros didáticos, não param para refletir se são importantes ou não e esquecem que os mesmos foram organizados levando em consideração a realidade de outro lugar. A ilustração remete o leitor a pensar que os educadores devem travar uma grande batalha: vencer a padronização dos conteúdos, refletir constantemente sobre sua prática, propor momentos de interação em que pontos de vista sejam refletidos, estar em sintonia com outros profissionais da educação, para dialogar sobre suas práticas. Dessa maneira, não só o professor, mas os educandos serão vencedores do desafio da qualificação e da formação cotidiana.

Muitos profissionais não tem encontrado tempo para fazer analises como as que se propõe nesse trabalho, por falta de tempo levam diversos conteúdos para os alunos, marcam a prova, os alunos ( a maioria ) não saem bem e são tachados como desinteressados, acabam não desenvolvendo nenhuma aprendizagem. É emergente perceber não só apenas no aluno quieto, mas também naquele que tira o sossego do professor, quando e como o seu cérebro fica mais propicio ao aprender. Vale lembrar que a aprendizagem ocorre com mais precisão, quando o assunto e/ou tema abordado é de interesse do aluno, portanto é esse ponto que deve ser levado em consideração pelos professores.

A educação precisa estar em consonância com essa nova visão de mundo, com a sociedade almejada no futuro, e, para tanto, é necessário criar ambientes educacionais que extrapolem as questões pedagógicas, que busquem o entendimento da condição humana, a preparação do cidadão para exercer sua cidadania, para uma participação mais responsável na comunicação local e planetária, tendo como prioridade o cultivo de valores humanitários, ecológicos e espirituais. Isso requer novos métodos de ensino, novos currículos e novos valores, e novas práticas educacionais absolutamente diferentes das que estamos acostumadas a encontrar em nossas escolas(Moraes, 1997, p.112)

Atualmente, a escola vem sendo incumbida de promover o desenvolvimento integral do indivíduo, esse fato supõe ao educador compreender a maneira como a criança aprende e se desenvolve. Nesse trabalho, fica explícito que as metodologias utilizadas em muitos âmbitos educacionais não contribuem com a formação integral dos indivíduos, na maioria dos casos elas são imbecilizantes. O educador Paulo Freire escreveu que ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo. Mas como o sujeito irá intervir no mundo, se na escola estão lhe ensinando o que é artigo, substantivo, e/ou adjetivo de forma mecânica? Como intervir em alguma coisa se os alunos não conseguem se expressar bem e não compreendem criticamente o que ocorre a sua volta?

Assim, falar em aprendizagem da criança carece fazer uma reflexão acerca de como essa aprendizagem tem sido encarada pelos profissionais educativos. Esse trabalho apresentou diversos olhares de autores, que assim como eu, se preocupam em melhorar o contexto educacional. Dessa forma, esse trabalho não se finaliza aqui, enquanto houver a necessidade de fazer a educação melhorar, haverá a necessidade de se refletir, propor e fazer a mudança acontecer.

Com o pensamento abaixo de Rui Canário, encerra-se essa etapa deste trabalho:

Se aprender é algo intrínseco ao ser humano, a verdade é que o ensino não é uma condição necessária nem suficiente para que se verifique uma aprendizagem. Aprende-se coisas que não são ensinadas e ensina-se coisas que ninguém aprende. A escola carrega consigo dois problemas que condicionam a sua eficácia: o primeiro é que ela foi concebida e programada para ensinar; o segundo é que ela foi concebida e programada para ensinar grupos homogêneos de alunos, o que a desarma perante a crescente heterogeneidade dos públicos escolares”. (Revista Pátio, agosto/outubro 2006, p.9)

REFERÊNCIAS

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FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

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Recreio. Revista Pátio. Porto Alegre: Artmed. Ano 10, n.37, fevereiro/abril, 2006.

SANTOS, José Wilson dos; BARROSO, Rusel Marcos Batista. Manual de Monografia da Ages: Graduação e pós-graduação. Aracajú: Gráfica Editora J. Andrade, 2005.

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________________.Celso dos Santos. Construção do conhecimento em sala de sula, 16ªed. São Paulo: Libertad Editora, 2005.

WERNECK. Hamilton. Se você finge que ensina eu finjo que aprendo; Petrópolis, RJ: Vozes, 1992.

__________.Hamilton. Ensinamos demais, aprendemos de menos. 17ªed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.

Vygostky e a educação, disponível em http://www.mineweb.com.br/educadore, acesso em 29.03.2008.

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