A arte de Estudar

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DICAS PARA ANALISAR, COMPREENDER, E INTERPRETAR TEXTOS

Autor: Jose Pardinho Souza

As pessoas que não se interessam ou não estudam geralmente têm sentimento de culpa. A falta de motivação é responsável por um número maior de fracassos do que um ambiente familiar inadequado ou a falta de capacidade. Sentir-se desmotivado é o problema mais sério que muitos estudantes enfrentam.

Por que tantos alunos acham difícil estudar? A falta de metas a longo prazo. A maioria dos estudantes tem sonhos profissionais: querem ser médicos, advogados, engenheiros, executivos, professores, etc. mas esses objetivos muitas vezes são vagos e geralmente mudam de tempos em tempos. Poucos estudantes estão absolutamente certos do que desejam fazer na vida, e um número ainda menor sabe exatamente o que deve fazer na faculdade, para se preparar para a carreira que escolheram. Essas incertezas levam à insegurança e à ansiedade e tolhem toda e qualquer motivação para estudar.

1. SUCESSO NA VIDA ACADÊMICA E PROFISSIONAL

Se você tem um propósito bem definido achará mais fácil adquirir os hábitos e as habilidades necessárias a um estudo eficiente. Quase todos os estudantes parecem interessados em ganhar bons salários quando terminarem seus estudos. Entretanto, é bom lembrar: há uma relação muito íntima entre boas notas e bons salários. Os alunos médios certamente terão um salário bem menor que os alunos que se destacaram em termos de notas.

A razão óbvia é que os que têm maior capacidade terão maior possibilidade de êxito, tanto na vida acadêmica quanto na vida profissional. Por outro lado, todas as profissões exigem que a pessoa seja capaz de ler com rapidez e de compreender o que se está lendo. Ainda, devem ser capazes de lembrar-se aquilo que leram. Mais ainda, exigem que a pessoa saiba distribuir o seu tempo e que saiba dialogar com os cliente, amigos de trabalho e patrões.

Muitos sabem que os bons hábitos podem tornar uma pessoa mais eficiente. Por isso, tenhamos sempre o cuidado de estarmos adquirindo bons hábitos.

2. A IMPORTÂNCIA DAS NOTAS

As notas não medem uma pessoa, nem são a única medida do desempenho acadêmico. São apenas um instrumento de avaliação bastante imperfeito daquilo que você aprendeu nas várias disciplinas. No entanto, de modo geral, as notas refletem realmente o que os alunos aprendem em determinados cursos e indicam o que eles provavelmente poderão conseguir no futuro.

3. SATISFAÇÃO NO ESTUDO

Aprender e estudar não são necessariamente obrigações desagradáveis. Você deve saber o que aprender e como aprender. À medida em que você vai aumentando a sua capacidade de compreensão de um determinado assunto, você vai adquirindo satisfação e vai desafiando a si mesmo a examinar algumas idéias novas. Uma vez cumprida com certa eficiência uma determinada tarefa, você estará em melhores condições para fazê-la de novo. Quanto mais você lê e aprende, mais fácil se torna ler e aprender. Em vez de ser uma tarefa árida e frustrante, estudar será uma coisa gratificante em si mesma.

Bons hábitos de estudo possibilitam fazer-se mais em menos tempo.

4. DESENVOLVENDO A EFICIÊNCIA PESSOAL

Para desenvolver uma eficiência pessoal, é importante concentrar-se naquilo que se está fazendo. Há que evitar, de modo especial, coisas que possam interromper a atividade. Se houver dificuldade em alguma matéria particular, cuidar para não gastar tempo demais nela esquecendo-se das outras disciplinas, que também requerem tempo suficiente para que seus conteúdos sejam aprendidos.

Aprenda a organizar o seu tempo para um estudo eficiente. Ficar cinco, seis ou até sete horas por dia estudando um assunto não é sinônimo de estar aproveitando o tempo; pelo contrário, pode ser indício de que a pessoa é desorganizada.

5. COMO APROVEITAR O TEMPO

organizar um horário de estudo. Um horário bem planejado significa economia de tempo. Evita que você fique indeciso quanto ao que vai fazer. Evita que você estude mais uma matéria que a outra;

ajuste-se às suas horas de aula as atividades e os trabalhos. Divida o horário em períodos de mais ou menos 45 minutos. Faça intervalo entre um período e outro de pelo menos 10 minutos. Evite estudar até tarde da noite, quando você já se encontra cansado. Especifique cada matéria dentro dos vários períodos, isso evita perder tempo pensando no que estudar primeiro.

Destine menos tempo aos assuntos mais fáceis e mais tempo nos que considera difíceis; faça o estudo em várias sessões, pois é mais proveitoso do que fazê-lo de “uma só pegada”. Revise as matérias quando estiver próxima a aula;

Fixe o horário estabelecido num local onde possa vê-lo com uma certa freqüência e cumpra-o cabalmente depois de estabelecido, porém, evite se estressar com os desvios ocasionais.

Procure um bom lugar para estudar. O melhor é sentar-se à mesa ou à escrivaninha e não na cama. Não leia e nem estude numa posição reclinada. Sente-se reto. Mantenha sua mesa ou escrivaninha limpa de qualquer coisa que não tenha relação com o estudo e que possa distrai-lo, ou seja: fotos, troféus, centro musical, etc. É importante que o local seja bem iluminado, com uma luz forte que seja confortável, agradável e distribuída de maneira igual, evitando sombra sobre os livros.

Tenha consigo todo o material necessário: lápis caneta, papel, livros, cadernos, borracha e um bom dicionário;

Procure estudar num local apropriado. A biblioteca pode ser um excelente ambiente.

Uma observação: uma velha regra prevê que para cada hora de aula são necessárias duas horas de estudos.

6. ESTUDANDO PARA AULAS EXPOSITIVAS

Tome nota de tudo que puder. Revise e passe a limpo os apontamentos sobre a aula, eliminando os pontos sem importância, desenvolvendo os mais importantes e reorganizando-os de forma mais legível. Não deixe passar muito tempo depois da aula para fazer o que está sendo sugerido. Quando possível, leia o tópico a ser estudado na aula antes da mesma, pois a familiaridade com um determinado tema ajuda a despertar o interesse. Procure encontrar materiais sobre o assunto.

Tenha cuidado mui especial com as matérias cumulativas, como a matemática, física, química, línguas e outras. Essas matérias são seqüenciais, no começo do curso você aprende coisas das quais terá necessidade para aprender mais tarde.

7. AUMENTANDO A CAPACIDADE DE CONCENTRAÇÃO

Há muitos fatores que facilitam a concentração. A boa saúde é um deles. Faça suas refeições em horários regulares. Durma o suficiente, pois o sono muitas vezes atrapalha a eficiência no estudo. Guarde as festas para o fim de semana ou para as noites livres. Reserve tempo para as recreações e para prática de exercícios físicos, ainda que seja uma caminhada. Tenha como meta a ser alcançada o interesse pelo estudo. Ao ler, habitue-se a conversar com o livro, a fazer pausas para argumentar a respeito do que leu; assim, você estará tomando uma atitude ativa quanto ao estudo, o que promoverá uma maior atenção de sua parte e o livrará da monotonia e da fadiga.

8. FORTALECENDO AS HABILIDADES BÁSICAS

8.1 Identificando suas fraquezas:

Responda sinceramente as seguintes perguntas: “Será que sei realmente ler bem? Com que rapidez consigo ler? Consigo lembrar-me do que li? Sei decidir sobre o que deve ser lembrado? Sei interpretar mapas e tabelas? E as legendas? O que eu faço quando estou lendo um texto pela primeira vez? O que eu faço quando acabo de ler? Quantas vezes preciso ler o mesmo assunto para entendê-lo? Leio um livro didático da mesma maneira que leio um romance? Com qual diferença leio química e antropologia? Tomo notas? Que tipo de notas eu tomo? Às vezes, tenho a impressão de que o professor está perguntando alguma coisa na prova que não estava nas aulas e nem nos textos? Qual é a extensão do meu vocabulário? Toma nota das palavras novas que encontro? Sei a diferença entre termos gerais e técnicos? Conheço o sentido dos sufixos e dos prefixos mais comuns? Sou capaz de fazer as quatro operações com rapidez e precisão? Sei ler gráficos?

Se você responder honestamente a essas perguntas estará dando um grande passo para descobrir as suas fraquezas, corrigi-las e alcançar maior satisfação nos estudos. Tornar-se-á mais apto para tirar o máximo de proveito de sua experiência em sala de aula, melhorar sua capacidade de leitura, de estudar livros didáticos com maior eficiência, de fazer provas e trabalhos, e estudar idiomas, matemática e ciências.

8.2 Tente compreender a organização.

Certifique-se de que entende, de saída, como o curso foi organizado. Procure ter acesso ao programa da escola e assistir a primeira aula de todos os cursos.

8.3 Aperfeiçoando a capacidade de ouvir.

Mantenha-se sintonizado com que o professor diz, ainda que a sala seja numerosa e que o professor tenha maneirismos e um tom de voz desagradável. Procure não se sintonizar com quadros na parede ou com a paisagem à janela. Tome bons apontamentos e mantenha-se atento ao que está sendo dito.

8.4 Tomando bons apontamentos nas aulas.

Tomar notas em aula é uma arte que se aperfeiçoa com a prática. Exige um certo esforço. Significa atenção em aula, cópia e revisão dos apontamentos. Ser disciplinado neste quesito enriquecerá a sua experiência acadêmica. Conserve os apontamentos através de um fichário com divisões por matérias. Tenha sempre à mão um estoque de papel em branco. Não se esqueça de datar os seus apontamentos.

9. CINCO REGRAS PARA TOMAR NOTAS:

1. Anotar as principais idéias e fatos;

Reduzir. Reduzir é resumir. Extraia os termos e conceitos-chave.

Ler em voz alta. Releia as notas de aula o mais cedo possível após a aula, também, antes de uma prova, para manter o assunto fresco na cabeça.

Refletir. Uma das principais finalidades da educação é ajudá-lo a pensar. Portanto, se você refletir sobre o que está aprendendo o resultado é que você alcançará uma nota satisfatória nos testes.

Rever. Deve saber quando, como e o que rever. Aqui está um segredo para uma boa eficiência no estudo.

9.1 Resumindo, questionando, ouvindo

A maioria dos bons discursos, capítulos e artigos lhe dão, antecipadamente, uma idéia do que virá em seguida. Quando você lê alguma coisa, pode, em geral, resumir seu conteúdo percorrendo os títulos e lendo os resumos.

Quanto a uma aula expositiva, você precisa ficar atento ao que diz o professor, isso ajudará a organizar seus apontamentos racionalmente. Não se esqueça de perguntar, pois esta é uma das maneiras mais eficazes de se aproveitar uma aula, mesmo que ela seja monótona.

10. COMO TIRAR O MELHOR PROVEITO DE SUAS AULAS PARTICIPATÓRIAS

Esteja preparado para participar e assim contribuir com idéias próprias para o debate, bem como prestar atenção às idéias expressas por seus colegas de turma.

Contribua para o debate. Faça pergunta, o que é próprio de alunos inteligentes e que gostam de pensar. Não tenha receio de pedir informação. Quando o professor fizer perguntas, coloque-se à disposição para responder, mesmo que não esteja seguro da resposta.

Troque idéias com os colegas. Conversem entre si, pois este é um dos mais eficazes métodos educacionais. Não fuja do tema.

11. COMO TIRAR O MÁXIMO PROVEITO DO ESTUDO INDEPENDENTE

O estudo independente pode consistir em leituras orientadas ou o preparo de um longo ensaio sobre um determinado assunto que lhe interesse.

11.1 Planejando o trabalho.

Não vá adiando o início de um determinado trabalho. Não caia na armadilha de deixar as coisas para a última hora, pois poderá chegar o fim do curso e você ter apenas um projeto inacabado e sem nota, ou o que é pior, com um trabalho feito às pressas e uma nota baixa. Comece imediatamente. Decida o que precisa fazer e reserve tempo em seu horário, de modo que possa trabalhar cada semana com vistas do seu objetivo. Mantenha os seus apontamentos de forma ordenada.

11.2 Entrevistas com o seu orientador.

Programe entrevistas periódicas com o seu orientador. Lembre-se de que ele ou ela é um profissional mui ocupado. Não roube o seu tempo.

11.3 Preparando o trabalho ou relatório final.

Decida logo de início qual é a forma que vai dar ao relatório final. Reserve tempo suficiente para prepará-lo e comece a coletar o material de que precisará, logo que for possível.

12. A ARTE DE LER

Isaac Watts disse uma coisa muito importante: “você tem sorte se aprendeu a ler bem e gosta de ler.”

Normalmente quem não gosta de ler é porque lê mal.

Façamos um teste para saber quais são as nossas deficiências na leitura (responda honestamente a cada pergunta):

a) Move os lábios ou vocaliza enquanto lê?

Quando move os lábios, você executa exatamente os mesmos movimentos feitos na leitura oral. É ineficiente porque diminui o seu ritmo. Além disso, mover os lábios é um mau hábito que você pode romper. É um sintoma de má leitura. Com os lábios imóveis você lerá melhor e mais depressa.

b) Você lê palavra por palavra?

Os bons leitores sabem que algumas palavras são mais importantes que outras e não dão a mesma ênfase a cada uma. Ler palavra por palavra é também um sintoma de uma leitura muito ruim. As pessoas que lêem palavra por palavra geralmente têm dificuldade em juntar os vocábulos que fazem sentido. Podem entender palavra por palavra, quando aparece, mas não tem idéia do que as palavras dizem quando são reunidas em expressões ou frases. Esse tipo de pessoa provavelmente escrevem mal e não sabem gramática.

c) Acha com freqüência, palavras que não compreende ou lhe são desconhecidas nas leituras que lhe mandam fazer?

Se a sua resposta for sim, então, precisa ampliar o seu vocabulário.

d) Volta atrás e acha necessário reler o que acabou de ler?

Isso é sintoma de desatenção.

e) Lê tudo com a mesma velocidade e da mesma maneira?

Francis Bacon disse que: “alguns livros são para ser degustados, outros para ser engolidos e alguns poucos para ser mastigados e digeridos”. Algumas coisas devem ser vistas apenas de relance. Outras coisas, podem ser lidas rapidamente. Outras, finalmente, devem ser lidas com muita atenção. Você deve ler cada frase como se cada palavra fosse uma bomba prestes a explodir.

f) Queixa-se com freqüência de que não compreende o que lê?

Algumas coisas você não entenderá. Todos nós teremos dificuldades para entender parte do que lemos, simplesmente porque ignoramos os detalhes técnicos do assunto. Mas você deve entender a maioria dos livros didáticos adotados em sua escola. Se sente que não entende uma grande parte do que lê, é um mau leitor. É provável que isso aconteça não só porque não entende uma grande parte do que lê, é um mau leitor. É provável que isso aconteça não só porque não possui embasamento técnico, mas por causa das suas deficiências nas habilidades lingüísticas essenciais e porque desenvolveu maus hábitos de leitura.

Há outras falhas, mas estas são sintomáticas. Se sua leitura é caracterizada por qualquer delas, então você tem muito o que fazer para melhorar. Com um pouco de esforço, quase todos conseguem melhorar sua capacidade de leitura de alguma forma.

12.1 LER COM UMA FINALIDADE

Quase todos os alunos, quando se sentam para estudar, escolhem um livro e começam a ler. Não se preocupam com o objetivo que possam ter para a leitura, daí resultando que lêem tudo do mesmo modo. Mas as maneiras de ler variam de acordo com os objetivos. O modo como você lê deve depender do seu propósito no momento.

12.2 LER POR ALTO

Um objetivo da leitura é descobrir do que trata determinado texto. Livro, ou pode querer saber se alguma coisa em que está interessado é nele mencionada. Um meio é procurar pontos de referência. Em livros didáticos e em alguns livros técnicos, isso é relativamente fácil de fazer, porque os títulos indicam quase tudo. Você pode folhear um livro ou um capítulo simplesmente examinando os títulos e subtítulos. Outro modo, especialmente em livros que não têm títulos, é examinar a primeira frase de cada parágrafo. Na maioria das vezes, a primeira frase contém a idéia principal do parágrafo. Da mesma forma, poderá ler o primeiro parágrafo de cada capítulo ou seção. Finalmente, poderá correr os olhos pela página em busca de certas palavras críticas. Isso pode ser necessário em livros que não tenha índice, e mesmo no caso dos que tenham.

Ler por alto é um passo importante e o primeiro a ser dado quando se estuda.

12.3 EXTRAINDO A IDÉIA PRINCIPAL

Como encontrar as idéias principais? Há idéias principais para capítulos inteiros, seções, subseções e parágrafos. Os parágrafos (trecho de prosa que trata de um único tópico) são as unidades menores. No parágrafo tudo gira em torno desse tópico.

Ao escrever é recomendável que se comece o parágrafo com uma frase-chave sobre o tópico, depois explique, ilustre, corrobore sua afirmativa por meio de outras frases e finalmente termine o parágrafo com uma frase que o resuma ou sirva de transição para o seguinte. Nem sempre, é bom que se diga, será possível e aconselhável começar o parágrafo com uma frase-chave. Às vezes a frase de transição vem antes. Essa frase mostra a ligação de um parágrafo com o que o antecede ou sucede. Às vezes o autor não pode dar a idéia principal em primeiro lugar. Um bom meio de apresentar alguma coisa nova é ilustrar primeiro o princípio que vai estabelecer. O princípio e não a ilustração é que constitui a idéia principal. É o que é novo para você, não aquilo que você já conhece, é o que constitui a idéia principal.

Ao procurar a idéia principal, não se preocupe com períodos completos. Os períodos geralmente contêm mais que uma idéia. A idéia principal provavelmente estará contida na oração principal de um período. Você pode em geral reduzi-la a duas ou três palavras mentalmente.

Para entender o que estamos dizendo, peque um de seus livros didáticos e procure alguns períodos com idéias principais. Agora, experimente eliminar os modificadores. Conserve apenas o sujeito e as palavras essenciais do predicado. É muito provável que obtenha a idéia principal..

Lembre, porém, de que às vezes os qualificativos são importantes para a idéia principal de uma frase-chave. Se você eliminar o adjetivo na frase “mesmo os leões domésticos mordem”, o ponto principal da frase ficará perdido. Por outro lado, se você ler: “a pessoa que lê rapidamente, percorrendo cada linha com o menor número de movimentos oculares e sem parar para devanear, é exatamente a que aprende muito em pouco tempo”, poderá eliminar a maior parte das palavras, traduzi-las e chegar à seguinte idéia principal: “o que lê mais rápido geralmente aprende mais rápido”.

Ocasionalmente, você encontrará parágrafos nos quais a idéia principal não é absolutamente expressa. Isso não acontece muito em livros didáticos, mas é comum na literatura, em geral, e na ficção, em particular.

Observa-se que, de modo geral, nada do que você lê é completo em si mesmo. O escritor não se preocupa em dizer-lhe todo o essencial sobre o assunto. Um escritor que o fizesse se tornaria insuportável e aborrecedor para o leitor. Os escritores esperam que você seja capaz de tirar certas conclusões do que lê.

Procure adquirir prática na busca da idéia principal dos parágrafos. Se o fizer, poderá tornar-se tão eficiente que o fará inconscientemente, sem pensar no assunto. Fazer isso é dominar um dos aspectos mais importantes de uma leitura eficiente.

12.4 EXTRAINDO DETALHES IMPORTANTES

Se conhece um determinado texto, pode tirar dele uma porção de detalhes importantes. Porém, o que é um detalhe importante? Muitas vezes é um exemplo do princípio estabelecido na idéia principal. Isso acontece com freqüência em livros de ciências.

Por exemplo, como dizem DEESE e DEESE ( 1990):

“um livro de biologia pode dizer que os pardais nas áreas urbanas da Inglaterra, durante o século XIX, eram mais escuros e acinzentados do que os pardais do campo. O texto pode em seguida dizer que este é um exemplo de coloração protetora na seleção natural. Como os pardais da cidade viviam num ambiente de pedras cobertas de foligem e pó de carvão, em vez de bosques, os que não avistados por predadores sobreviviam para procriar. O resultado foi que os pardais da cidade se tornaram mais escuros que os da roça. A idéia importante é que a coloração protetora resulta da seleção natural. Os pardais da Inglaterra são o exemplo.

Quase sempre os livros didáticos são organizados para apresentar informações de modo ordenado, é fácil extrair a idéia principal e pelo menos os detalhes mais importantes. Se você se habituar a ler de modo a identificá-los sem pensar muito, será mais eficiente em absorver informações do que se apenas for lendo sem se preocupar com o que é importante ou não.

12.5 LER POR PRAZER

Quanto mais você ler por prazer, melhor leitor se tornará. Algumas pessoas pouco lêem além das seções de esporte, histórias em quadrinhos, charges ou piadas. Todos temos coisas de que gostamos de ler por prazer. Aceite que você pode ler por prazer da mesma maneira que lê para aprender e que algumas coisas que ler, poderão ser incorporadas ao seu cabedal de conhecimentos.

12.6 AVALIAR O QUE VOCÊ LÊ

Aprenda a avaliar o que você lê. Com freqüência, você lerá assuntos polêmicos, entrevistas, reportagens e outras coisas que nem sempre podem ser julgadas pelo seu valor nominal. Você pode até ler coisas que ofendam suas crenças e valores. Procure descobrir por quê. Mesmo os livros didáticos nem sempre estão de acordo com as suas crenças e idéias preconcebidas. Quando houver essa discordância, examine suas crenças e descubra se você quer mantê-las ou não. Se você fizer isso, descobrirá que está numa posição muito melhor para defender essas crenças.

Se tomar uma posição avaliadora, ao ler, você se manterá alerta e absorverá conhecimentos de maneira mais seletiva. Aumentará a sua habilidade para dissecar argumentos. Ficará menos satisfeito em aceitar tudo o que lê pelo seu valor aparente.

12.7 AMPLIANDO O QUE LÊ

Outro objetivo da leitura é expandir ou ampliar o que você lê, de modo que possa ser aplicado a situações do seu dia-a-dia. Você pode aplicar o que lê aos seus próprios problemas, tornando, assim, a leitura uma experiência ativa.

12.8 USANDO OS OLHOS

São os olhos que controlam o nosso propósito, a nossa atenção e a nossa atitude quando lemos. Por isso, recomenda-se treinar bastante os movimentos oculares.

12.9 COMO MELHORAR SUA LEITURA

Muitas vezes, a má leitura é resultante de atenção dispersa ou de incapacidade de transformar o que se lê num conhecimento coerente. Para melhorar a sua leitura, tome as seguintes providências:

a) construa um vocabulário. À medida que seus textos de leitura se tornarem mais difíceis, procure aumentar o seu vocabulário. Muitas das palavras que aprendemos são termos técnicos, próprios de uma determinada disciplina. Se você estudar teologia, ouvirá falar de hermenêutica, homilética, esagoge, teosofia, teofania, etc.; se estudar psicologia, encontrará termo como “libido”, “gânglio”, ‘ego”, etc.; se estudar filosofia, “epistemologia”, “positivismo”, pragmatismo”, “neoaristotelismo”, “platonismo”, “maiêutica”, etc. você precisa saber o que estas palavras significam, lendo sobre elas ou ouvindo falar a seu respeito, ou então consultando um glossário ou dicionário. Além dos termos técnicos, verá que os livros que terá que ler contêm palavras que lhe são desconhecidas, como “heurística”, “peroração” e “reticular”. Finalmente, verá, palavras e expressões conhecidas em pregadas com sentidos novos e bastante específicos.

Um dos indícios mais evidentes de um bom leitor é o vocabulário. Um bom leitor é em conseqüência um bom aluno. Ele conhece e define um maior número de palavras e as distingue. Isso ajuda a ler mais depressa, pois não precisam parar para pensar. Não se sentem frustrados por uma incapacidade de compreender o que lêem. Aprenda a dominar as palavras que você lê.

b) preste atenção às palavras novas. Quando encontrar uma palavra nova ou encontrar uma que já tenha visto antes , mas não consegue identificar , não passe por cima dela. Isso não só é preguiçoso, é também um caminho certo para um mau desempenho acadêmico. O significado de uma frase interia pode depender de uma palavra nova, desconhecida. E esta pode ser a frase que contém a idéia principal.

c) Use um dicionário. O dicionário é o mais importante meio auxiliar para o estudo que você possui. Use-o certifique-se de que é um bom dicionário. Há muitos dicionários baratos à venda, mas um dicionário barato pode ser sinônimo de perda de tempo. Quando procurar uma palavra no dicionário, descubra seu significado específico no contexto em que a encontrou. Muitas palavras têm sentido gerais, que são encontrados nos dicionários, mas também sentidos específicos em determinados contextos. Isto acontece especialmente com palavras que são usadas como “metáfora”. Lembre-se, cada palavra nova que você compreende o sentido e os vários empregos se torna sua propriedade.

Também, lembre-se, escritores de sucesso, que têm o melhor domínio do português do que a maioria de nós, muitas vezes têm meia dúzia de dicionários para diversos fins. Estão sempre procurando palavras novas e até mesmo palavras que usaram durante toda a vida, simplesmente para apurar o emprego dessas palavras com determinados objetivos.

d) fichas de vocabulário. Um modo de aumentar e enriquecer o seu vocabulário é fazendo uso de fichas. Sempre tenha algumas consigo. Escreva também a expressão ou frase em que a encontrou, de modo a conhecer alguma coisa sobre o contexto. Mais tarde, quando de posse de um dicionário, procure a palavra e escreva a sua definição. Quando tiver acumulado um bom número de fichas, pegue-as e memorize.

e) Dissecando as palavras. Você pode melhorar o seu vocabulário aprendendo como as palavras se juntam. A língua portuguesa, principalmente o vocabulário derivado do latim, é constituída de elementos, muitos dos quais são empregados em inúmeras combinações para produzir novas palavras. Há três espécies de elementos: prefixos, sufixos e radicais. Se você conhecer o significado de um determinado prefixo e um radical, ou de um sufixo e um radical, poderá decifrar o sentido de uma palavra desconhecida que combine esses elementos.

O radical é a parte principal da palavra, ao passo que o prefixo e o sufixo são sílabas especiais acrescentadas no início e no fim da palavra. Na palavra “premeditação”, “pre” é o prefixo, “medita” é o radical e “ção” é o sufixo. O prefixo “pre”– significa antes e o sufixo “ção” indica que a palavra é um substantivo. “Medita (r ) significa ponderar, intentar, projetar. Portanto, “premeditação” se refere a um ato que é projetado antes, como assassinar alguém com premeditação.

Alguma palavras gregas entraram para a língua portuguesa, na maioria dos caos, através do latim. Embora sejam muito menos freqüentes que palavras puramente latina, algumas delas são muito importantes. Aprender palavras pode ser uma atividade absorvente e se você acha interessante ler a origem das palavras no dicionário, pode consultar dicionários históricos e etimológicos.

12.10 APRENDENDO A LER MAIS DEPRESSA

a) prática de leitura.

O primeiro passo para melhorar a velocidade de sua leitura é manter um registro da mesma. Dedique um período de tempo especial, a cada dia, para praticar a leitura rápida. Pode ser a qualquer hora, contanto que possa contar com ele, e não deixar que outras atividades interfiram. Calcule uma meia hora – ou pelo menos dez ou quinze minutos – para praticar a leitura rápida.

Escolha material que você gosta de ler e que não seja difícil demais, alguma coisa que não o distraia com ilustração e que não exija leitura de tabelas, gráficos e fórmulas. Qualquer que seja o material escolhido, mantenha o mesmo tipo durante a primeira fase do seu curso de auto-treinamento.

Pegue um relógio digital e dispare o cronômetro no momento exato que começar a ler. Leia o mais rápido que puder, procurando, porém, entender o que lê. Depois de ler três ou quatro páginas, pare o cronômetro e verifique quanto tempo gastou. Procure verificar quantas palavras você leu (conte as palavras de dez linhas, depois, divida o texto em conjunto de dez linhas e multiplique pelo número de palavras). Você poderá fazer a média de palavras que lê por minuto. Cuidado para sacrificar a compreensão do texto. Se notar que tem alguma deficiência, ou seja, se não conseguir ler ao menos 150 palavras de um texto fácil em um minuto, deverá procurar um especialista.

b) Prática de leitura superficial.

Há duas espécies de leitura superficial. Uma serve para procurar palavras e expressões-chave. Muitas vezes isso implica em recorrer os títulos; em outras ocasiões, é preciso ter idéia do que se está procurando. Outra espécie de leitura é aquele em que você deixa os olhos percorrerem a página de alto a baixo, para sentir o assunto que trata o livro ou o artigo, como está escrito e que tipo de vocabulário deverá conhecer para lê-lo.

13. ESTUDANDO EM LIVROS DIDÁTICOS

Cada estudante tem a sua própria maneira de estudar livros didáticos. Há no entanto alguns princípios gerais para o estudo eficiente dos livros didáticos. Fiquemos com o princípio de Francis P. Robinson, da Universidade estadual de Ohio. Ele resumiu a cinco as etapas específicas de um estudo eficaz:

a) Examinar. Aqui você procura obter a melhor visão possível do que vai estudar, entes de fazê-lo em minúcias. Examinar uma tarefa com antecedência é tão importante quanto examinar um mapa rodoviário antes de empreeender uma viagem de carro por estradas desconhecidas. Saiba o que vai encontrar antes de partir.

Examinar um livro é coisa que se faz partindo do geral para o particular. Quando pegar um livro pela primeira vez, dê uma olhada no volume todo, começando pelo prefácio. Ao ler um capítulo, você deverá prestar a atenção aos títulos. Eles lhe dizem qual o assunto abordado em determinada seção.

b) Perguntar. É importante fazer pergunta enquanto se aprende. A maioria das coisas que merecem ser lembradas é resposta a algum tipo de pergunta. Além disso, é sabido que uma pessoa se lembra mais daquilo que aprende como resposta a uma pergunta do que das coisas que apenas leu ou memorizou.

As perguntas ajudam porque fazem lembrar sobre o que se deseja saber com relação ao material que se está lendo. Todas as vezes que você se deparar com uma nova seção de um livro, deverá ter a cabeça cheia de perguntas.

Lembre-se que a finalidade das perguntas é orientá-lo para a idéia principal de uma seção e ajudá-lo a integrar essa idéia ao seu cabedal de conhecimento.

c) Ler. Ler não é a parte primeira, nem a última, nem obrigatoriamente a mais importante no processo de “Como estudar”. A leitura precisa ser algo ativo. Você precisa prestar atenção ao que aparece a cada passo; precisa questionar, evitando-se assim uma leitura passiva. Dê atenção aos termos importantes (normalmente os autores os anotam em itálico). Sempre que aparecer expressão em itálico, é preciso parar e prestar atenção, pois trata-se de coisa relevante.

Na leitura, não pule gráficos, tabelas e ilustrações. Mesmo uma simples fotografia ou desenho pode lhe dizer o conteúdo de uma seção inteira. As ilustrações às vezes, ajudam a tornar o material mais interessante e fazer com que seja lembrado mais facilmente.

d) Repetir. A repetição é o método mais antigo de aprender. Dizem que a “repetição” é a alma da aprendizagem; é o melhor método que pode, por si só, tornar sua leitura ativa, por isso é um método eficiente. A repetição revele, de imediato, a ignorância do leitor.

A regra geral é a seguinte; à medida que lê, pare de quando em vez para dizer, com suas próprias palavras, o conteúdo de cada seção importante do capítulo. Lembre-se que antigas pesquisas concluíram que: “quanto mais cedo se repete, mais tarde se esquece”.

A repetição serve para manter a atenção na tarefa a ser cumprida e ajuda, por outro lado, a corrigir erros.

e) Rever. A primeira revisão deve ser feita imediatamente após se estudar alguma coisa. Isso significa tentar repetir os pontos importantes do que se leu. Não deixe para revisar em cima da hora, antes de uma prova, por exemplo. Não reviso apenas com o intuito de memorizar, mas de aprender.

13.1 Como sublinhar e resumir livros didáticos

Nunca sublinhar sem antes percorrer o capítulo. Não se deve fazer uma seleção aleatória de textos. Isso indica que você não deu atenção devida ao texto o que, inevitavelmente, o levará a sublinhar coisas superficiais e deixar coisas importantes para trás.

Use a seguinte tática: primeiro: examine o capítulo; segundo: faça a si mesmo perguntas sobre ele, tentando respondê-las. Não sublinhe frases por atacado. Muitas palavras numa frase são irrelevantes. Em média, meia dúzia de palavras num parágrafo são suficientes.

14. MÉTODO PARA FAZER ESQUEMAS

O primeiro passo é utilizar as pistas que o autor fornece para o esquema que le próprio faz. Se há títulos no texto, você pode fazer um esboço do seu esquema baseando-se nesses títulos. Você deve escrever frases completas desses títulos após lê-los.

Seu resumo deve ser ordenado.

15. CONTEÚDO E FORMA DAS ANOTAÇÕES

Suas anotações devem conter as idéias principais e os detalhes importantes em cada nível de esquema. Certifique-se de que suas anotações serão fáceis de ser compreendidas mais tarde. Escreva legivelmente.

Observa-se que alguns tipos de leitura não se prestam a anotações esquematizadas. Uma obra literária, por exemplo, ninguém lê para entender determinados fatos ou teorias. O mais apropriado, nesse caso, é fazer um comentário do que foi lido. Deverá prestar atenção às imagens que o autor emprega e a qualquer interpretação simbólica que a obra possa ter. Você precisa estar alerta para os aspectos da história que podem parecer apenas incidentais mas que, na realidade, são de importância capital para a idéia ou a atmosfera que o autor deseja transmitir. Pode haver alusões, por exemplo, a história da mitologia clássica ou a textos bíblicos.

16. COMO FAZER RESUMOS

Estude cuidadosamente o material antes de começar a resumi-lo. Os resumos devem ser o mais breve possível, mas devem conter todas as informações essenciais. Resumo é uma simples repetição do assunto. Nele, são caracterizados os personagens de uma história, são mencionados os símbolos usados pelo autor, são mencionados os fatos mais marcante, as figuras de linguagem e os fatos irônicos.. É, deveras, um comentário feito com palavras próprias, onde a atmosfera da história e o sentimento que ela evoca são abordados.

Quando se tratar de resumos de um capítulo, é necessário que se faça um esquema.

17. COMO FAZER PROVAS

A melhor regra a seguir é: prepare-se para o tipo de provas que vai fazer e para todas as perguntas que possam aparecer, e não apenas para algumas delas. Estude a matéria toda. Procure estar em boas condições físicas, descansado e com boa disposição de espírito. Repasse os apontamentos de aula e as anotações feitas ao estudar pelo livro, prestando a atenção às idéias principais e revendo as listas de termos técnicos. Não faça da revisão um momento de aprendizagem.

Se você tiver mantido seu estudo em dia, a revisão para uma prova não precisará tomar muito tempo. Para uma prova semanal, bastam alguns minutos de revisão; para uma semestral, duas ou três horas: para uma final, de cinco a oito horas. Faça a revisão em períodos curtos. Intercale-os com outras atividades, principalmente repouso e recreação. Faça um plano definido para revisão.

Não vire a noite estudando sob o suposto poder do café preto ou sob os efeitos de pílulas estimulantes. Essa espécie de estudo frenético e desorganizado é ineficiente e, muitas vezes, prejudicial. Ficar sem comer, sem dormir e sem descansar causa esgotamento físico.

Na revisão, enfatiza a repetição. Reduza a leitura ao mínimo. Tente recordar as idéias principais sem recorrer aos apontamentos. Em seguida, confronte o que você relembra com as suas anotações. Não tente adivinhar o que o professor irá pedir na prova.

17.1 TIPOS DE PROVA

As provas podem ser objetivas ou dissertativas. Provas objetivas. As objetivas não exigem que você escreva. Tudo o que tem a fazer é decidir se determinadas afirmativas são verdadeiras ou falsas, qual das várias afirmativas é verdadeira ou como podem ser combinadas. Esse tipo de prova objetiva enfatiza sua capacidade de reconhecer as respostas certas quando as vê, não a sua aptidão para organizar as informações que recebeu.

Como fazer provas objetivas:

Examine. Ao receber a prova, folheie as páginas para ver se é muito longa e quantos tipos de questões há de cada tipo: verdadeiro/falso, múltipla escolha, acasalamento, etc. Em seguida,
leia atentamente as instruções; resolva como distribuir o tempo;
certifique-se de que entende a atribuição do valor das questões;
responda primeiro as questões fáceis. Comece por aquela que você tem certeza de que sabe fazer e depois, se tiver tempo, volte aos que você tem que pensar para solucionar;
Coloque as perguntas no contexto. Pergunte a si mesmo como essa questão deve ser respondida à luz do seu livro didático ou do que foi dito em aula. Identifique a fonte, se possível. Não caia na armadilha de responder uma pergunta com a sua opinião pessoal ou com o que foi dito em algum outro curso que esteja fazendo.

18 COMO RESPONDER AS QUESTÕES DE “VERDADEIRO/FALSO”

18. 1 Analise os modificadores. Ex.: todos, quase todos, alguns, poucos, nenhum…sempre, geralmente, às vezes, raramente, nunca… grande, muito grande, muito, pouco… mais igual, menos… bom, mau, é não é, etc.;

18.2 Procure palavras-chave. Há sempre uma delas. É geralmente uma palavra ou um grupo de palavras de que depende a verdade ou a falsidade da afirmativa;

19. COMO RESPONDER QUESTÕES DE MÚLTIPLA ESCOLHA

Em geral, porém, apenas uma das alternativas é correta. Aqui sua tarefa é escolher a melhor alternativa – a que está mais próxima da verdade. É geralmente uma questão relativa e não absoluta. Assim sendo, adote uma estratégia de eliminação ao responder a pergunta. Procure pela palavra-chave dar o primeiro passo. Depois de eliminar uma ou duas alternativas completamente falsas, voc6e deverá decidir. Para que isto ocorra a contento, você precisa conhecer alguma coisa do que se está pedindo.

17. PROVAS DISSERTATIVAS.

A prova dissertativa, por outro lado, exige que você recorde. É preciso organizar o que sabe, de forma coerente.

A principal diferença entre os dois tipos de prova é apenas de organização, não de detalhes. As dissertativas são mais difíceis apenas porque exigem que você organize as informações, mas não podem mais que uma boa prova objetiva. Como a organização é indispensável nas provas dissertativas, se você for fazer uma, deve praticar para organizar as respostas com antecedência. As provas objetivas, por sua vez, dão ênfase ao conhecimento, portanto, você deve estar preparado para conhecer os pontos gerais, quando apresentados sob a forma de exemplos específicos.

A prova dissertativa é aquela em que as perguntas são relativamente curtas e o seu trabalho consiste principalmente em escrever e não em ler as perguntas e tentar descobrir as respostas certas. Este tipo de prova varia de um extremo – em que as perguntas têm respostas curtas e exigem que você escreva algo bastante específico – a outro extremo, em que as perguntas lhe pedem para discutir um problema geral. Às vezes as provas são uma combinação desses dois tipos.

18. PALAVRAS IMPORTANTES EM QUESTÕES DISSERTATIVAS

Compare, contraste, critique, defina, descreva, faça um diagrama, discuta, avalie, explique, ilustre, interprete, justifique, enumere, esquematize, prove, relacione, examine, resuma, trace, etc.

O melhor meio de saber se sua resposta está correta, é ser coerente e organizado. Quando estiver certo de que entendeu o que foi pedido numa questão, resolva que pontos deve mencionar e faça um esquema, usando-o como roteiro para escrever a resposta. Escolha as palavras com cuidado. Os professores não são adivinhos. Não conseguem descobrir o que você pretende dizer; podem apenas julgar o que você diz de fato. Procure expressar-se com exatidão. Lembre-se, ainda que a má caligrafia prejudica. Os professores não podem dar notas por aquilo que não conseguem entender. Tenha o cuidado de responder às perguntas num bom português. Pontue adequadamente e escreva com correção. Uma redação má indica pensamento desorganizado e confuso, bem como falta de conhecimento da matéria. Erros ortográficos, sobretudos em palavras importantes ou termos técnicos, sugerem uma leitura e um estudo sem atenção.

19. APRENDENDO COM AS PROVAS

Não pense nas provas só em termos de notas. Na verdade, a maior justificativa para as provas, no processo de aprendizagem, é dar ao aluno uma oportunidade de aprender com elas. Leia novamente a prova com o intuito de corrigir seus métodos de preparar-se para os exames e a fim de certificar-se de que realmente sabe o que deveria Ter escrito. Observe onde cometeu erros e perdeu pontos. Os erros, quando prontamente corrigidos, constituem um importante instrumento de aprendizagem.

20. COMO REDIGIR TRABALHOS NA FACULDADE

A coisa mais importante que um estudante aproveita de toda a educação formal que recebe é a capacidade de ler e escrever de maneira inteligente e organizada. Deste modo, o aluno precisa aprender a expressar idéias e apresentá-las de forma condizente com o seu nível de educação.

Muitos alunos detestam redigir. Para eles o curso de redação é entediante e muitas vezes fazem o mínimo possível. Procuram temas fáceis para redações e escrevem de modo a cometer o mínimo de erros possível.

Ninguém pode ensinar a ninguém a escrever – somente quem se dá ao trabalho de corrigir o que você escreve pode fazê-lo – contudo, existem algumas regras que podem facilitar a sua tarefa de escrever. Talvez, você nunca se torne um escritor profissional, mas pode aprender a escrever em prosa clara, direta e inteligível. Qualquer que seja a sua atividade profissional, depois de formado, sempre haverá ocasiões em que terá de escrever para comunicar alguma coisa a outras pessoas. Saber escrever é a primeira qualificação de uma pessoa de nível superior.

20.1 ETAPAS A CUMPRIR NA REDAÇÃO DE UM TRABALHO

20.1.1 Como escolher o assunto. Em geral, você tem uma certa liberdade para escolher o seu próprio assunto. Se escolher um assunto que seja por demais amplo ou restrito, pessoal ou controvertido, estará dificultando sua própria tarefa. Evite temas demasiado amplos ou difíceis e, também, assunto muito limitado ou um tema em que esteja muito envolvido emocionalmente.

Um meio de encontrar temas é folhear os índices de livros didáticos e especializados sobre o assunto que vai abordar. Escolha um livro didático e verifique quantos tópicos você pode identificar, que possam ser utilizados para um trabalho de fim de semestre.

Os apontamentos de aula podem servir como uma outra fonte de tópicos a serem utilizados. Preste atenção aos assuntos que surgem durante a aula e que possam ser úteis ou interessantes. Esteja atento aos temas que possam Ter relação com a sua área de estudos prioritária.

Você irá descobrir que muitos dos seus professores pedirão trabalhos baseados em sua experiência diária. Quase todos nós escrevemos melhor quando o fazemos sobre coisas que conhecemos e nas quais estamos interessados.

Outros bons temas surgem das relações entre as matérias.

Escolher um tópico que provavelmente interesse ao professor é uma boa regra. Os bons escritores levam em conta o público em potencial. Mais importante ainda é escolher um assunto que lhe interesse pessoalmente, um assunto sobre o qual queira aprender mais e entender melhor.

20.1.2 Reunindo material. Às vezes, você pode ter que fazer poucas leituras e escrever uma composição informal sobre um assunto de interesse pessoal. Quase sempre, entretanto, terá que aprender alguma coisa nova. Neste caso, provavelmente será preciso fazer uso intensivo da biblioteca e tomar notas de pesquisa.

Para começar, você deve fazer algumas leituras básicas. Normalmente, os livros e apostilas de curso contém informações importantes. Se tiver dificuldade, peça ajuda ao professor. Ele poderá ajudá-lo a esclarecer e limitar um tópico e fornecer fontes para leituras básicas. Em muitos casos, essas fontes fornecerão uma bibliografia básica que o levará a um outro material. Em outros casos, você deverá recorrer a resenhas, índices cumulativos, fontes bibliográficas especiais e à internet para compilar uma lista de obras que deve ler.

À medida que consultar suas referências, irá, preparando uma bibliografia a ser utilizada, a qual deverá ser registrada em fichas. Para cada livro ou artigo que consultar, prepare uma ficha com as seguintes informações:

Autor (ou autores) do livro ou artigo (também o tradutor, quando for o caso);
Título e edição (se não for a primeira) do livro ou título do artigo e nome do jornal ou revista;
Local de publicação (para livros);
Nome da editora;
Data do “copyright”;
Número do jornal ou revista (no caso de artigos);
Ano;
Número das páginas do artigo;
Mês do exemplar;
Nome do autor; nome do artigo; E-mail e data de acesso (para o caso de artigos tirados da Internet).
Identifique as fichas com códigos: letras, números ou símbolos. Tome notas à medida que ler livros didáticos. As anotações para um trabalho baseado em pesquisa de biblioteca não são como as que você faz, ao ler livros didáticos. As notas de pesquisas não são esquematizadas e sim sob a forma de sumários. A extensão e as minúcias do sumário dependem do tamanho do texto lido, do que o professor sugeriu que você fizesse e do seu objetivo ao fazer leitura. Faça sumários com a suas próprias palavras. Se usar as palavras do autor para alguma coisa, não se esqueça de pôr aspas ou indicar que está citando diretamente da fonte. Não deixe de anotar a página da citação.

21. COMO FAZER UM ESQUEMA

Quando acabar de tomar notas, você deverá fazer um esboço do trabalho. Primeiro leia todas as fichas e arrume-as de acordo com os títulos. Isto lhe dará uma idéia de como organizar seu trabalho. Quando fizer o esboço, arrume os tópicos principais e os secundários numa ordem lógica.

Uma coisa a ser lembrada é que você não pode ter menos que dois subtítulos para cada tópico. Não use títulos em excesso, mesmo para um trabalho longo. Faça um esquema utilizando frases em vez de tópicos, mas não se perca com minúcias. Lembre-se, o esquema tornará o seu trabalho mais organizado e facilitará a redação. Através do esquema, você descobrirá se terá ou não de fazer mais leituras ou dar mais substância a uma determinada seção.

22. FAZENDO O PRIMEIRO RASCUNHO

Alguns trabalhos exigem dois ou mais rascunhos. O importante é você escrever até ao ponto de que as idéias estejam claras e bem coordenadas. Para escrever, reserve um bom período de tempo, durante o qual possa trabalhar sem ser interrompido. Redigir um trabalho extenso de uma só vez é tarefa difícil, mas se o trabalho for curto, é possível fazê-lo – e é uma boa idéia. Para um primeiro rascunho não se preocupe em fazer tudo muito certo. Depois de lançar suas idéias no papel, você poderá corrigi-las facilmente.

Deixe bastante espaço para correções e alterações. Naturalmente seu rascunho final terá espaço duplo, mas faça o primeiro dessa mesma maneira. Se escrever à mão, faça-o em linhas alternadas.

Quando completar o primeiro rascunho, releia-o uma vez para fazer as alterações mais óbvias. Em seguida, deixe-o de lado por algum tempo. Quando programar a redação, preveja o intervalo mais longo que puder entre o primeiro rascunho e a revisão. Você terá assim uma nova perspectiva e será mais fácil descobrir erros e lapsos de gramática e de redação.

23. RASCUNHO FINAL

Antes de preparar a versão final, verifique se não há nenhum erro. Tenha sempre às mãos manuais da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), visto que são muitos os detalhes que deverão ser observados.

O professor orientador, certamente, fará algumas anotações e comentários antes de encaminhar o trabalho para a nota final. Leia-os com atenção, pois poderá aprender sempre alguma coisa e, além do mais, não cometer mais os mesmos erros.

24. REDAÇÕES

24.1 Meios auxiliares para a redação.

Ter à mesa obras prontas para consultas. No mínimo, um bom dicionário e um manual de estilo. O dicionário deve ser atualizado e completo. Você deve criar o hábito de consultá-lo – conferir grafia e procurar definições. Quanto aos manuais, eles são úteis porque trazem as regras da gramática, o uso da língua e pontuação.

24.2 Como desenvolver a redação.

Aprenda a escrever prosa informativa de maneira clara, simples e exata. As frases dever ser escritas com clareza e bem ordenadas em parágrafos (habitue-se a pensar em frases claras e bem feitas). Depois de escritas, as frases devem ser revistas com atenção e espírito critico. Corrija as falhas e, sempre que possível, simplifique a sua maneira de expressar-se. Observe os erros mais comuns na construção de frases;

24.3 Frases fragmentadas.

Às vezes, têm sujeito e verbo, mas podem ser incompletas por ser formuladas como orações subordinadas. Bons escritores sabem usar os fragmentos de frases de modo eficiente, mas na medida do possível isso deve ser evitado.

24.4 Frases longas.

Cuidar especialmente com a pontuação. É preferível converter frases longas em períodos compostos, tornando subordinada uma das orações.

24.5 Falta de concordância entre sujeito e verbo.

Ex.: “O pessoal foi” e não “o pessoal foram”.

24.6 Falta de concordância entre pronome e antecedente.

“Cada pessoa da equipe fez o que lhes foi pedido.

24.7 Modificadores deslocados.

Para corrigir esses erros, começa-se por evitar a voz passiva sempre que possível e variando os tipos de frases que se escreve, eliminando construções prolixas e deselegantes.

25. COMO ESTUDAR UMA LÍNGUA ESTRANGEIRA

Para início de conversa, é preciso praticar diariamente. Procure identificar onde você encontra mais dificuldade, se no falar, escrever ou ouvir.

25.1 Veja algumas regras:

a) Mantenha a matéria em dia. É indispensável que se participe freqüentemente das classes e que se faça os exercícios. Lembrar-se de que aprender um outro idioma é um processo cumulativo. É importante conhecer os significados das palavras antes de tentar reuni-las em frases. Precisa saber como pronunciar os sons e identificá-los com exatidão, antes de poder conversar com um falante nativo. Deve conhecer a ordem das palavras para entender as frases mais complexas. Tem que saber conjugar os verbos e declinar substantivos e adjetivos. Contudo, deve começar pelas coisas mais simples e ir avançando para as mais complicadas.

b) Passe bastante tempo repetindo. A repetição em voz alta é a técnica básica para aprender outra língua. Deve-se repetir pelo menos 80% do tempo de estudo. Três habilidades são necessárias na aprendizagem de um idioma estrangeiro: aprender a ler, entender o que ouve e aprender a falar.

c) Domine a gramática. É preciso aprender a estrutura de uma língua. O conhecimento de regras é que permite a construção de frases próprias e também a compreensão do que os outros dizem. É fundamental o domínio da gramática da língua mãe. Todas as línguas são cheias de irregularidades, exceções a regras gerais e regras contrárias, que se aplicam apenas a poucas palavras. Estas regras têm de ser decoradas. A gramática é o principal instrumento de que se pode dispor para dominar uma língua;

d) Aprender a pensar na outra língua. Pensar em outro idioma significa não só que você é fluente nele, mas também que não precisa traduzir. Desde o início do estudo é preciso aprender a associar as palavras estrangeiras não com vocábulos equivalentes no vernáculo, mas diretamente com os objetos, fatos e qualidades que elas designam.

e) Aprender a ler na língua estrangeira. Siga as seguintes sugestões: a) estude por meio de frases e períodos. Procure perceber o sentido das partes principais da frase como um todo, antes de procurar palavras específicas que não conhece. E quando procurar no dicionário uma palavra nova, deve levar em conta a relação dessa palavra com o padrão da frase como um todo. É importante memorizar os elementos básicos do vocabulário, como pronomes relativos ou verbos irregulares alem disso, é preciso aprender os verbos auxiliares, as preposições entre outros elementos.

f) Procurando palavras no dicionário: o que se deve e o que não se deve fazer. Consultar um dicionário é apenas um meio de aprender um significado de uma palavra e é não só demorado como , as vezes ineficiente porque isola o sentido do contexto em que a palavra é usada. É importante conhecer as palavras através do seu contexto. Ler a frase toda antes de procurar o significado de uma palavra no dicionário.

g) Dissecando as palavras: as línguas podem ser agrupadas de diversas maneiras : tem radicais, sufixos e prefixos, assim, poder-se-a muitas vezes decifrar uma palavra que nunca foi vista antes, dividindo-a em seus elementos constitutivos.

h) O uso de cognatos: é preciso prestar atenção, pois os cognatos podem enganar. Não se pode confiar cegamente nas semelhanças entre os vocábulos e os do português.

Utilize fichas.

As traduções justapostas: este tipo de material deve ser evitado. Procure um texto cuja a tradução esteja na outra página.

26. APRENDENDO A FALAR UMA LÍNGUA ESTRANGEIRA.

Procure pessoas que falam a língua estrangeira que você deseja aprender e peça para conversarem com você. Ler jornais e revista na língua em questão. Assista filmes e tente acompanhar os diálogos sem recorrer às legendas.

Imitação: ousa fitas ou CDs gravados por falantes nativos, grave sua própria fala e corrija os erros que possa perceber por si mesmo.

Memorização: concentre-se em lembrar palavras e frases.

Estude em voz alta: leia em voz alta sempre que possível.

Distribua bem o estudo: divida cada tarefa em duas partes e aprenda cada uma separadamente. Reserve tempo para ler e rever.

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