QUAIS OS SINTOMAS DE CRIANÇAS HIPERATIVAS

1969

APRESENTA

Crianças que não param, na refeição a criança não fica sentada à mesa, se levantam o tempo todo e na grande maioria das vezes para que se alimente, tem que se correr com o prato de comida atrás desta criança; * crianças que não conseguem assistir um programa de TV, ficam o tempo todo se mexendo, plantando bananeira, não conseguem se concentrar mexem em coisas; * crianças que não conseguem ficar brincando com determinado brinquedo durante um período, trocando de brinquedo e brincadeira o tempo todo, nada satisfaz. * crianças que não dormem, que ficam todo tempo chorando, ficam insatisfeitas sempre; * crianças que se expõe com muita facilidade a situações de perigo, não percebem essa faceta e temos que ficar vigiando sempre. * crianças que na escola, se destacam em seu comportamento. * crianças que não param na sala de aula, não param sentadas na carteira, não ficam quietas, mesmo ouvindo a professora contando uma história. * crianças que não conseguem se manter em um grupo ficam girando em torno de grupo para ver o que um está fazendo ou outro está fazendo, mexe com os outros, fala o tempo todo, interrompe as conversas, às vezes até por motivos não inerentes aquela conversa, muitas vezes essas crianças interferem nas conversas e são muitas vezes reprimidas, fazem perguntas o tempo todo e não esperam a resposta. Esta criança normalmente fica marginalizada? Sim, e aí começa todo o conflito, eles não tem “desconfiômetro”, acham que não estão fazendo nada de especial, nada de anormal, muitas vezes são castigadas e não entendem porque estão sendo punidas, o comportamento não lhes diz nada, mas a punição existe, assim sendo, essa marginalização dos colegas, dos professores, da família acaba acontecendo mais hora menos hora, e deixa uma cicatriz muito forte. Temos que trabalhar muito no sentido de melhorar a auto-estima desta criança. Como a escola pode ajudar na hiperatividade? A escola ajuda quando detecta, chama os pais, encaminha para avaliações especializadas.
Na minha concepção, as escolas sempre encaminham para uma avaliação psicológica e fica por isso mesmo. Essas crianças não são tratadas com medicamentos, temos uma gama enorme de crianças que chegam aqui sendo tratadas a dois, três anos sem resolver nada. Com o diagnóstico precoce se obtém um êxito melhor no tratamento e é muito mais econômico, pois o tempo de tratamento é mais curto; quanto mais crônico é um problema, maior a dificuldade para a sua resolução. O despreparo dos profissionais da saúde é grande para a questão da hiperatividade? Existe um desconhecimento grande, apesar de não ser um assunto novo, há 35 anos, 40 anos já existia o diagnóstico que antes era usado à sigla DCM (Disfunção Cerebral Mínima) e que depois com o tempo acabou sendo desdobrada: Distúrbio da Atenção, Síndrome do Déficit de Atenção com ou sem hiperatividade, mudou a sigla, mas o quadro é exatamente o mesmo. Se trabalharmos com educação, temos que conhecer todos os caminhos da educação, se você trabalha com neurologia infantil tem que conhecer todos os meandros da neurologia infantil, mesmo que não seja especialista numa determinada área, tem que conhecer e saber que existe. Um pediatra se é generalista, tem que conhecer a hiperatividade, mesmo que não a trate, tem por obrigação diagnosticar e encaminhar corretamente, essa é uma falha que existe e é freqüente. Professor mal formado já se sabe que o Estado tem, mas o que mais surpreende é ver nas escolas particulares regiamente pagas, pessoas que não conhecem, não sabem observar um comportamento anormal, confundindo-o muitas vezes com má educação ou os considera “bagunceiros” ou até deficiente mental. Percebemos que existe um pré-conceito com relação à parte medicamentosa, como o Sr. Analisa isso? Existe um pré-conceito muito forte, mas há um desconhecimento quanto à existência de estudos Americanos onde o índice de delinqüência do indivíduo hiperativo não tratado é infinitamente maior que nos tratados; isso está na literatura. Vemos profissionais da educação e até da saúde, que trabalham com essas crianças, intervindo na retirada precoce do medicamento, fazendo ruir tratamentos por puro pré-conceito. A própria família muitas vezes, acredita que o tempo que a criança vem se tratando é o suficiente e retira a medicação ou diminui, por conta própria. O que procuro chamar atenção é que se estivéssemos tratando um diabético que necessita de insulina todos os dias, pelo resto da vida, não se questionaria. Então porque não se tem a paciência para tratar o hiperativo durante algum tempo? Existem outros transtornos que possam se confundir com a hiperatividade? Temos muitas doenças que se acompanham do quadro hiperativo. Crianças com Síndrome de Down, em sua maioria, são hiperativas, e ela deverá ser tratada da sua hiperatividade para ajudá-la em seu aprendizado, crianças com TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), muitos são hiperativos, isso atrapalha no rendimento global; temos autistas hiperativos e temos que tratar, alguns com dislexia apresentam hiperatividade; crianças com distúrbio de aprendizagem também podem ser hiperativas. Como devemos nos conscientizar da importância da questão da hiperatividade?Cabe a cada um de nós se interar do assunto e procurar ver qual o segmento mais adequado.
Mesmo os indivíduos que não tem grandes desvios comportamentais, carregam durante muitos anos dificuldades na escolaridade, dificuldade no aprendizado, uma série de outros transtornos que irão carregar até a idade adulta.( Abram Topczewski, Jerson Aranha)
Hiperatividade – Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA)
O DDA ocorre como resultado de uma disfunção neurológica no córtex pré-frontal. Quando pessoas que têm DDA tentam se concentrar, a atividade do córtex pré-frontal diminui, ao invés de aumentar (como nos sujeitos do grupo de controle de cérebros normais). Assim sendo, pessoas que sofrem de DDA mostram muitos sintomas, como fraca supervisão interna, pequeno âmbito de atenção, distração, desorganização, hiperatividade (apesar de que só metade das pessoas com DDA sejam hiperativas), problemas de controle de impulso, dificuldade de aprender com erros passados, falta de previsão e adiamento.
O DDA tem sido de particular interesse para mim nos últimos 15 anos pois, dois dos meus três filhos têm essa síndrome. Eu digo às pessoas que entendo mais de DDA do que gostaria. Através de uma pesquisa feita com SPECT (tomografia computadorizada por emissão de fóton único) na minha clínica, com imagens cerebrais e trabalho genético feito por outras, descobrimos que o DDA é basicamente uma disfunção geneticamente herdada do córtex pré-frontal, devido, em parte, a uma deficiência do neurotransmissor dopamina.
Aqui estão algumas das características comuns do DDA, que claramente ligam essa doença ao córtex pré-frontal.

Pequeno âmbito de atenção

Um âmbito de atenção pequeno é a identificação desse distúrbio. Pessoas que sofrem de DDA têm dificuldade de manter a atenção e o esforço durante períodos de tempo prolongados. Sua atenção tende a vagar e freqüentemente se desligam da tarefa, pensando ou fazendo coisas diferentes da tarefa a ser realizada. Ainda assim, uma das coisas que muitas vezes enganam clínicos inexperientes ao tratar desse distúrbio é que as pessoas com DDA não têm um âmbito pequeno de atenção para tudo. Freqüentemente, pessoas que sofrem de DDA conseguem prestar muita atenção em coisas que são bonitas, novas, novidades, coisas altamente estimulantes, interessantes ou assustadoras. Essas coisas oferecem uma estimulação intrínseca suficiente a ponto de ativarem o córtex pré-frontal, de modo que a pessoa consiga focalizar e se concentrar. Uma criança com DDA pode se sair muito bem em uma situação interpessoal e desmoronar completamente em uma sala de aula com 30 crianças. Meu filho que tem DDA, por exemplo, costumava levar quatro horas para fazer um dever de casa que levaria meia hora, muitas vezes se desligando da tarefa. Mas se você lhe der uma revista sobre estéreo de carros, ele a lê rapidamente de cabo a rabo e se lembra de cada detalhe. Pessoas com DDA têm dificuldade em prestar atenção por muito tempo em assuntos longos, comuns, rotineiros e cotidianos, como lição de casa, trabalho de casa, tarefas simples ou papelada. O terreno é terrível e uma opção nada desejável para elas. Elas precisam de excitação e interesse para acionar suas funções do córtex pré-frontal.
Muitos casais adultos me dizem que, no começo de seu relacionamento, o parceiro com DDA adulto conseguia prestar atenção à outra pessoa durante horas. O estímulo de um novo amor ajudava-o a se concentrar. Mas quando a “novidade” e a excitação do relacionamento começavam a diminuir (como acontece com quase todos os relacionamentos), a pessoa com DDA tinha muito mais dificuldade em prestar atenção e sua capacidade de escutar falhava.
Distração e hiperatividade
Como já mencionei acima, o córtex pré-frontal manda sinais inibitórios para outras áreas do cérebro, sossegando os dados advindos do meio, de modo que você possa se concentrar.
Quando o córtex pré-frontal está com hiperatividade, ele não desencoraja adequadamente as partes sensoriais do cérebro e, como resultado, estímulos em demasia bombardeiam o cérebro. A distração fica evidente em muitos locais diferentes para uma pessoa com DDA. Na classe, durante reuniões, ou enquanto ouve um parceiro, a pessoa com DDA tende a perceber outras coisas que estão acontecendo e tem dificuldade em se concentrar na questão que está sendo tratada.
As pessoas que têm DDA tendem a olhar pelo quarto, desligar-se, parecer aborrecidas, esquecer-se de para onde vai a conversa e interrompê-la com uma informação totalmente fora do assunto. A distração e o pequeno âmbito de atenção podem também fazer com que elas levem muito mais tempo para completar seu trabalho.

Impulsividade

A falta de controle do impulso faz com que muitas pessoas que têm DDA se metam em enrascadas. Elas podem dizer coisas inadequadas para os pais, amigos, professores, outros empregados, ou clientes. Uma vez eu tive um paciente que foi despedido de 13 empregos, porque tinha dificuldade em controlar o que dizia. Ainda que realmente quisesse manter vários dos empregos, de repente punha para fora o que estava pensando, antes de ter a oportunidade de processar o pensamento. Decisões mal pensadas são ligados à impulsividade. Em vez de pensar bem no problema, muitas pessoas que sofrem de DDA querem uma solução imediata e acabam agindo sem pensar. De modo similar, a impulsividade faz com que essas pessoas tenham dificuldade de passar pelos canais estabelecidos do trabalho. Elas freqüentemente vão direto ao topo para resolver os problemas, em vez de seguir o sistema. Isso pode causar ressentimento dos colegas e supervisores imediatos. A impulsividade pode também levar a condutas problemáticas como mentir (diz a primeira coisa que vem a cabeça), roubar, Ter casos e gastar em excesso. Eu tratei de muitas pessoas com DDA que sofriam da vergonha e da culpa oriundas desses comportamentos. Nas minhas palestras costumo freqüentemente perguntar ao público: “Quantas pessoas aqui são casadas?”. Uma grande porcentagem da platéia levanta as mãos. Depois eu pergunto: “É útil dizer tudo o que pensa em seu casamento?”. O público ri, porque todos sabem a resposta. “Claro que não”, eu continuo. “Os relacionamentos requerem tato. Mesmo assim, devido à impulsividade e à falta de pensar antes de agir, muitas pessoas que têm DDA dizem a primeira coisa que vem à mente. E, em vez de pedir desculpas por terem dito uma coisa que magoou, muitas tentam justificar por que fizeram a observação que magoou, só piorando as coisas. Um comentário impulsivo pode estragar uma noite agradável, um fim de semana, ou mesmo um casamento inteiro.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA