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quinta-feira, novembro 24, 2022

A Arte da Guerra

“A ordem e a desordem dependem da organização; a coragem e a covardia, das circunstâncias; a força e a fraqueza das disposições.

Quando as tropas ocupam uma situação favorável, o covarde torna-se bravo. Se estão perdidas, o bravo vira covarde. Na arte da guerra não existem regras fixas. Apenas podem ser talhadas segundo as circunstâncias.”

Sun Tzu

Introdução

A história tem destas coisas. O senso comum dá-lhe o nome de ciclos, acontecimentos que se repetem de tempos em tempos. Um dos aspectos deste livro é, sem dúvida, a sua atualidade.

Sun Tzu – um general chinês de carreira a viver no período “clássico” da China, época de inúmeros exércitos; todos eles eficazmente organizados e com um estilo de comando rígido – é o nome do homem que se destacou no século IV a.C. pelas muitas vitórias conseguidas enquanto chefe do exército real de Wu. Foi o primeiro homem a escrever sobre a guerra. O seu livro é como um tratado onde descreve as manobras militares.

O verdadeiro interesse presente nos 13 capítulos que compõem “A Arte da Guerra” está na multiplicidade de utilizações dos ensinamentos de Tzu. A tese central deste livro assenta na organização. Todo o exército ou pessoa que detenha uma maior disciplina e analisar atentamente os seus movimentos vai cometer menos erros. O adversário pode ser estudado e pressionado até à vitória. Um fato que Sun Tzu não descuidava. Inclusive, as concubinas do rei de Wu eram instruídas para combater em defesa do seu soberano.

Uma marca de clareza percorre as táticas de guerra e as estratégias de combate. Esta é a mais antiga obra a fazer referência ao tema da política e das relações entre Estados.
Traduzido, pela primeira vez em 760 d.C., pelos japoneses, só em 1772, “A Arte da Guerra” chegaria ao “Velho Continente”. Esta tradução deve-se ao padre jesuíta J.J. Arniot. Napoleão Bonaparte vai ser um dos grandes seguidores da obra de Tzu, ordenando uma nova impressão no ano de 1782. Atualmente, a mais fidedigna é a tradução do chinês para o inglês, realizada por Samuel Griffith no ano de 1963.

A obra prima ainda pela multiplicidade de assuntos relacionados com a guerra. Desde as técnicas de operações secretas, passando pela adaptabilidade do exército aos diferentes obstáculos levantados pelo inimigo, existindo também lugar para as implicações econômicas dos conflitos.

“O verdadeiro objetivo da guerra é a paz. Na paz, preparar-se para a guerra; na guerra, preparar-se para a paz. O mérito supremo consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar”.

Resumo da Obra

Capítulo I – Da Avaliação

A guerra é um assunto de vida ou morte para um Estado, deve então ser seriamente estudada.Cinco fatores são fundamentais:

1) A moral: um soberano deve ter a confiança de seu povo para conseguir levá-lo à guerra e arriscar suas vidas.

2) O clima: compreensão e bom uso das estações do ano.

3) O terreno: as condições físicas da geografia local, o cálculo das distâncias.

4) O comando: as cinco qualidades básicas de um general, a saber, a coragem, o rigor, a sabedoria, a sinceridade e a humanidade.

5) A Doutrina: tudo que concerne à manutenção e administração das tropas.

O conhecimento desses cinco fatores possibilitará a previsão de que lado vencerá. Aquele que melhor souber usá-los poderá criar situações que o levem à vitória.Sete cálculos respondem sobre a vitória:

Quem pode unir povo e exército?
Quem tem um melhor comandante?
Quem tem vantagem sobre o terreno e o clima?
Quem pode garantir mais ordem e disciplina?
Quem tem um exército superior?
Quem tem homens mais treinados?
Quem tem um sistema mais justo de recompensa e punição?
Com muitos cálculos pode-se vencer, com poucos não. Mas sem eles as chances são nulas. Toda guerra baseia-se no ardil, um bom comandante sempre dissimulará as suas reais condições com o intuito de ludibriar o inimigo e criar as condições de vitória.

Capítulo II – Do Comando da Guerra

Os custos de uma guerra são muito elevados para qualquer Estado, a manutenção das tropas por longos períodos de tempo leva um reino à ruína. Assim, a chave da guerra está na vitória e não na sua prolongação.

Capítulo III – Da Arte de Vencer se Desembainhar a Espada

Na guerra, o objetivo é tomar o Estado intacto. A habilidade consiste em derrotar o inimigo sem lutar. Portanto deve-se primeiro atacar a estratégia do inimigo; em seguida deve-se romper as alianças dele; o melhor passo seguinte é atacar seus exércitos.

A pior atitude é cercar uma cidade, pois isso consome recursos e tempo.
Aquele que consegue tomar o império intacto, não cansa suas tropas e domina a arte da estratégia ofensiva.

No uso das tropas assim é que se deve proceder:

Quando suas tropas estiverem na proporção de dez para um em relação ao inimigo, cerca-o.
Quando tiver cinco para um, ataca-o.
Se a força dele é o dobro da sua, divide-o.
Se sua força for numericamente mais fraca, certifique-se da possibilidade de retirada.
Havendo equilíbrio de forças, vá à combate. Prevalecendo a igualdade, tente enganá-lo.
O comando das tropas cabe exclusivamente ao general, existem três modos de um governante atrapalhar seu exército:

Quando não sabe quando atacar ou recuar e interfere nas ordens do general.
Quando ignora os assuntos militares e se intromete na administração dos exércitos.
Quando participa do exercício da responsabilidade, dividindo a cadeia de comando e confundindo os oficiais.
Existem, assim, cinco modos de ganhar:

Saber quando combater ou não.
Saber utilizar a força máxima de um exército, numeroso ou não.
Possuir tropas firmes no apoio ao seu comandante.
Ser prudente e aguardar uma imprudência do inimigo.
Possui generais hábeis e independentes.
Estas cinco matérias, garantem a vitória, pois aquele que conhece a si e ao inimigo, será invencível; aquele que conhece a si mas desconhece o inimigo terá chances iguais de vitória e derrota; aquele que desconhece a si e ao inimigo, corre risco constante.

Capítulo IV – Da Arte de Manobrar as Tropas

Os homens letrados na guerra podem fazer-se invencíveis, mas não podem ter certeza da vulnerabilidade do inimigo. Assim, é possível saber vencer, mas não se garante conseguir vencer.

A invencibilidade reside na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque. Aquele que está em inferioridade de forças, defende-se; aquele que é superior, ataca.
Quem domina os elementos da arte da guerra, não será aclamado por suas vitórias no campo de batalha, pois vence sem cometer erros, combate um inimigo já derrotado. Isso o vulgo não compreende, nem valoriza. O perito se torna primeiro invencível e espera a falha do inimigo.

Os elementos da arte da guerra são:

1) A medida do espaço: possibilita o cálculo dos custos.

2) O cálculo dos custos: garante as estimativas de forças.

3) As estimativas: levam à comparação das forças.

4) As comparações dos números, possibilitam o cálculo das probabilidades de vitória.

5) As probabilidades de vitória. Assim um exército luta como a água que corre do desfiladeiro.

Capítulo V – Do Confronto Direto e Indireto

Dirigir muitos é o mesmo que dirigir poucos, é uma questão de organização.
Do mesmo modo, comandar muitos é o mesmo que comandar poucos, é uma questão de comunicação.

Numa guerra, os exércitos se valem de ataques diretos e indiretos (ataques-surpresa). Mesmo só existindo esses dois tipos, suas combinações são infinitas. Aquele que bem souber usá-los e neutralizá-los será imprevisível como o céu e a terra e inexaurível como os grandes rios.

O exército que se mantém em prontidão, será mortífero ao desferir o golpe. O general que for habilidoso extrairá a vitória da situação, aproveitando o potencial de seus homens, mas jamais atribuirá o fardo da vitória unicamente a eles. Utiliza seus homens como quem rola pedras e paus da ribanceira.

Capítulo VI – Do Cheio e do Vazio

O bom general deve ocupar o campo de batalha antes do inimigo. Aquele que primeiro toma a iniciativa leva vantagem. Atraia o inimigo para onde deseja que ele vá. Faça ameaças para que ele não chegue onde deseja ir.

Se o opositor estiver tranqüilo, agite-o; se alimentado, faça-o passar fome; se imóvel, faça-o mover-se. Esgote-o, depois o confunda. Enquanto o inimigo divide-se, devemos nos concentrar.

Quem tem poucos se prepara para o inimigo; quem tem muitos, força o inimigo a se preparar contra ele.

O exército é como a água, ataca os fracos e evita os poderosos. Molda-se a situação do inimigo como a água ao terreno. Assim como a água não tem forma constante, também a guerra comporta-se desta maneira.

Capítulo VII – Da Arte do Confronto

Quando tropas se movimentam, devem tornar o caminho tortuoso no mais direto. Deve-se tomar uma rota indireta e lançar uma isca para o inimigo. Assim é possível sair depois e chegar primeiro ao campo de batalha. Mas deve-se ter em mente que tanto a vantagem quanto o perigo são inerentes à manobra.

Tropas que se movimentam com todos seus equipamentos e provisões são lentas. Se partir e deixar para trás suas provisões, andará mais rápido, mas poderá perder sua bagagem. Tropas que se movem rapidamente, sem suas bagagens e sem descanso, chegarão mais rapidamente, porém se desorganizarão. Os mais fortes deixarão os mais fracos para trás e somente um décimo das tropas chegará ao campo de batalha. Não se vence uma batalha onde se entrou rapidamente. Um exército sem provisões se esgota.

Aquele que conduz o exército deve conhecer as condições das montanhas, dos desfiladeiros, das florestas, dos pântanos e dos brejos para ter sucesso. Aquele que não usa guias locais não terá acesso às vantagens do terreno.

Na velocidade, sê rápido como o vento. Na quietude, silencioso como a floresta. Na agressão, feroz como o fogo. Na defesa, incólume como a montanha. Ao esconder-se, sê como as nuvens negras; ao atacar, como um raio.

Capítulo VIII – Da Arte das Mudanças

Não acampe em terrenos baixos.
Não ignore a diplomacia em terreno aberto (comunicante).
Não permaneça em terreno desolado.
Em terreno fechado, planeje uma fuga.
Em situação desesperada, lute até a morte.
Há estradas que não devem ser seguidas.
Há momentos em que não se deve capturar o inimigo.
Há cidades que não devem ser atacadas, territórios que não devem ser disputados.
Há ocasiões em que as ordens do comandante não devem ser seguidas.
Mesmo aquele que conhece o terreno, fracassará se não conhecer as nove variáveis. Sempre se deve levar em conta os fatores favoráveis e desfavoráveis.

Na guerra, não se deve esperar que o inimigo venha, mas estar pronto quando ele chegar. Não presumir que ele atacará, mas tornar-se invencível antes.

Existem cinco fraquezas que devem ser evitadas num comandante. Quando é descuidado, é fácil matá-lo. Quando é covarde, é fácil capturá-lo. Quando é irascível, é fácil provocá-lo. Quando é honrado, é fácil insultá-lo. Quando é benevolente, é fácil preocupá-lo.

Capítulo IX – Da Importância da Geografia

Ao posicionar tropas, fique longe das montanhas e perto dos vales. Ocupe a parte mais alta do terreno. Nunca lute montanha acima. Essa é a estratégia para regiões montanhosas.

Ao atravessar um rio, distancia-te da margem rapidamente. Nunca ataque quando o inimigo estiver atravessando o rio, espere que metade de suas tropas tenha atravessado para atacar. Não espere o adversário perto da margem, busque o terreno próximo mais elevado. Essa é a estratégia para regiões de rios.

Num terreno pantanoso, atravesse-o rapidamente. Ao encontrar o inimigo, estejas perto da grama e com a floresta às costas. Essa é a estratégia para o pântano.

Num terreno plano, posicione sua retaguarda e o flanco direito no terreno mais alto. Essa é a estratégia para regiões planas. Eis os quatro tipos de guerra.

Quando os emissários são humildes, mas os preparativos continuam, o inimigo avançará. Quando as tropas mostram-se apressadas e o emissário é arrogante, o inimigo se retirará. Quando os emissários são bajuladores, deseja-se uma pausa. Se, sem alguma razão, pedem trégua, é porque planejam algo.

Capítulo X – Da Topografia

Há os seguintes tipos de terreno:

O terreno fácil é uma área acessível para você e para seu inimigo. Aquele que ocupar sua parte mais alta e guardar a via de abastecimento levará vantagem.

O terreno difícil é área que é fácil de entrar e difícil de sair, é simples atacar tropas que não estão preparadas neste terreno. Aquele que bloquear o caminho de saída terá vantagem.

O terreno neutro é aquele em que é complexo tanto para você como para o opositor lançarem a ofensiva. Deve-se bater em retirada neste terreno e esperar que o inimigo o persiga para se poder atacá-lo.

O terreno estreito nunca deve ser atacado se já se tiver armado sua defesa, mas se não estiver pronta é possível atacá-lo.

No terreno íngreme deve-se ocupar a parte mais alta primeiro e aguardar o inimigo.

Em terreno distante é difícil tomar a iniciativa de combate para ambos os lados.

Estes seis tipos de terreno devem ser estudados e compreendidos por todos.

Existem erros de comando que podem desestabilizar um exército:

Uma força equilibrada porá uma força dividida em fuga; soldados bem treinados comandados por oficiais fracos geram insubordinação; chefes rigorosos e soldados fracos geram o colapso no exército; soldados vingativos e desobedientes levam o exército à destruição. Quando os soldados não tem disciplina e as ordens não são claras surge a desorganização no exército; quando o comandante é incapaz de avaliar o inimigo e o enfrenta em desigualdade, o resultado será a debandada das forças. Essas seis causas de derrota devem ser estudadas e o comandante deve ser responsabilizado.

O bom general é a principal jóia do estado. Pois ele sabe considerar esses fatores.

Capítulo XI – Dos Nove tipos de Terrenos

Quando se luta dentro do próprio território, esta é uma situação cômoda. Não ataque antes que o inimigo tiver penetrado bastante em seu território.

Quando se luta em território inimigo, mas não se avançou bastante, esta é uma situação simples. Nesta situação, nunca pare de avançar.

Um terreno de ocupação vantajosa tanto para mim como para o inimigo está numa situação crítica. Deve-se sempre avançar primeiro e nunca atacar se o inimigo estiver na vantagem.

Um terreno acessível para ambos estará numa situação aberta. Nele também é melhor avançar primeiro e fortalecer as defesas e comunicações.

Um terreno que oferece fronteira com vários Estados encontra-se numa situação de controle. Nele deve-se usar da diplomacia para fortalecer os vínculos com os estados vizinhos.

Quando se luta bem no interior do estado inimigo e se deixou para trás muitas cidades inimigas esta é uma situação séria. Certifique-se que não faltarão provisões.

Lutar em terreno pantanoso, de altas florestas ou de desfiladeiros, está-se numa situação perigosa. É mister nunca permanecer mais do que o necessário.

Lutar em terreno de acesso estreito e saída distante caracteriza uma situação difícil. Planeje como sair de uma armadilha.

Um terreno onde a única chance está na batalha, cria uma situação desesperada. A única saída é lutar até a morte.

Aquele que tem uma boa estratégia ataca por todos os lados. Evita a comunicação entre as tropas inimigas, confude-as. Ataque quando for favorável. Se atacado por inimigo superior, descubra que ponto ele visa e ocupa-o com todas as suas forças. Ele cederá.
Aproveite-se do despreparo do inimigo, mova-se em direções inesperadas e ataque locais desprotegidos. Lembre-se: na guerra a velocidade é crucial.

O bom líder militar comanda um milhão de homens como se comandasse um só.
E num campo de batalha dispõe as tropas de modo a não haver outra saída senão lutar pela própria vida.

Atraia o inimigo sendo tímido como uma donzela. Depois ataque-o rapidamente como uma lebre.

Capítulo XII – Da Pirotecnia

Há cinco métodos para ataques com fogo. O primeiro é atear fogo nas tropas inimigas. O segundo, em suas provisões. Em terceiro, queimar seus transportes. Quarto, seu arsenal e por último suas vias de abastecimento.

Em uma guerra só os interesses do Estado contam. Um governante não deve declarar guerra por estar encolerizado. Um general não pode ir à guerra por estar ressentido. Pois um homem zangado pode tornar-se feliz. Um homem pesaroso pode ficar satisfeito. Mas um país destruído não pode ser recuperado. Um homem morto não pode reviver.

Capítulo XIII – O Serviço Secreto ou O Uso de Espiões

Considerando os custos que a guerra traz e o tempo que ela consome, é imprudência recusar-se a comprar informações sobre o opositor. É impossível vencer sem ter informações prévias do inimigo. Elas não podem ser obtidas através de conjecturas, superstições ou forças sobrenaturais. Só podem ser obtidas com aqueles que conhecem bem a situação do inimigo.

Existem cinco tipos de espiões ou divisões:

Divisão nas cidades e nas aldeias: o espião local é o camponês nativo.
Divisão exterior: o espião interno é aquele que é oficial do inimigo.
Divisão entre inferiores e superiores: o espião convertido é aquele que servia ao inimigo e foi comprado, dissemina discórdia entre diversas guarnições ou escalões.
Divisão de morte: espiões mortais são aqueles que sacrificamos dando informações falsas ao inimigo.
Divisão de vida ou espiões seguros: são aqueles que podem retornar para relatar as informações coletadas. Distribui-se dinheiro em abundância para os desertores do inimigo.
Nenhum oficial é mais querido que o espião. Nem melhor recompensado. Ele desfruta da confiança do comandante. Apenas os generosos e humanos obtêm todas as informações de um espião. Apenas os cautelosos e engenhosos podem precisar a exatidão das informações recebidas.

Planos de espionagem revelados antes de postos em prática devem ser punidos com a morte do espião e do informante.

O Tao Da Guerra

Pode parecer estranho querer relacionar o Tao ao tema da guerra. Mas se levarmos em consideração que o Taoísmo é a base da sabedoria popular chinesa veremos que o princípio deste pensamento permeia toda a construção de “A Arte da Guerra”.

Os dois livros provêm do mesmo período histórico da China Antiga; poderia-se contra-argumentar que “Arte da Guerra” tem como objetivo o ensino de um ofício do mal. Algo, aliás, que realiza tão bem que até hoje é utilizada com esse fim. Ora, o Tao Te King, livro que contém a essência do pensamento taoísta, diz:” Quando todos reconhecem o bom como bom, isso em si mesmo é mau.”O oposto também é perfeitamente aplicável à essência da guerra. Se ela é de todo o Mal, em si mesma será o Bem. Uma vez que a perspectiva é de inevitabilidade do conflito, o total domínio de sua dinâmica permite a realização somente do mal estritamente necessário. O bem residirá na concretização de um mal menor.

Levando adiante essa política dos opostos sugerida pelo Tao, Sun Tzu considera que o exército sempre deve aparentar o contrário do que é. Parecer incapaz para ser capaz, parecer inativo para ser ativo, etc. Ter sempre uma visão espelhada. Assim, um general não constrói uma estratégia, ele destrói a do inimigo. Ao descrever como deve agir um general, Sun Tzu aproxima-se mais e mais do conceito que o Tao Te King descreve de um sábio, idealizando a figura do militar. “Se podemos compreender e abranger o todo, somos capazes de fazer justiça”, diz o Tao. Esse é o princípio de “A Arte da Guerra”: o domínio total dos elementos envolvidos. O general deve ser discreto, humilde, indiferente aos seres em prol de um objetivo superior. É um bom diplomata e um bom administrador, além de ser um bom guerreiro.

A guerra desenvolve-se, a partir desses pontos, como uma resposta natural às situações impostas. O preparo ideal das tropas permite que se lute visando o erro do inimigo, ou mesmo provocando-o com antecedência. É o ensinamento taoísta de só agir no momento oportuno.

Outros aspectos, como a natureza aforística da obra, contribuem para sua beleza e força metafórica, fazendo a “Arte da Guerra” ultrapassar os limites do tempo, tendo influenciado grandes líderes como Mao Tse Tung e Napoleão, e quebrar as barreiras do gênero, visto que o livro é empregado hoje em dia no treinamento de jovens executivos, sendo constantemente adaptado também para outras áreas do conhecimento.

Conclusões

A arte da guerra não se resume a soldados fardados, estratégias militares… Hoje a guerra está presente em nosso dia-dia e nossos soldados podem ser nossos funcionários, nossos inimigos um concorrente, até mesmo um rival do campo afetivo.

Dominar a arte da guerra é de fundamental importância para a vida moderna, saber interpretar Sun Tzu, transportar seus ensinamentos para a atualidade nos torna capaz de enfrentar qualquer situação. A guerra de informações, a guerra do tráfico, a guerra das empresas, a guerra do sexo…, para todos os tipos de guerra o “tratado milenar” de Sun Tzu deve ser utilizado.

Um livro que, após séculos, ainda se faz atual e de grande utilidade deveria ser lido por todos os cidadãos que almejam uma posição de destaque e por todos àqueles que desejam vencer os desafios do dia-dia.

“A Arte da Guerra” é um manual para quem deseja sobreviver no mundo atual. Após essa leitura, obrigo-me a dizer que as estratégias que adotei para alcançar meus objetivos sofreram algumas alterações e que, com certeza, na guerra da vida eu vencerei.

Referências

TZU, Sun. A Arte da Guerra.Tradução: Sueli Barros Cassal, Porto Alegre Ed. L&PM Pocket, 2002

TSE, Lao. Tao Te King. versão de Paulo Condini. São Paulo: Lemos Editorial, 1998.

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