INTRODUÇÃO

Na história da humanidade a sociedade ao longo do tempo tem dividido espaço com as mais variadas drogas. Sendo algumas drogas de origem natural, outras de origem laboratorial, elas ocasionam efeitos nocivos sobre o Sistema Nervoso Central (SNC) do indivíduo. Os efeitos do uso geram alterações na mente, no físico e no modo de agir. Sabemos que muitos seres humanos estão insatisfeitos com seu estado físico ou mental, fato este que os levam a buscar modificações de sua percepção, sensação ou estado emocional nas drogas, hora com intuito relaxante, ou por puro prazer.

Sendo o homem possuidor de grande racionalidade que o permite tomar decisões, percebemos com o decorrer do tempo que nem sempre essa racionalidade é utilizada como uma forma de se tornarem as melhores decisões que o permitam sobreviver.

As drogas que antes eram utilizadas na realização de ritos religiosos ou por médicos na cura de doenças, tem sua utilização deturpada pelo uso de forma indevida pelo homem. Hoje as drogas são caracterizadas como um dos males do século XX, aumentando-se a cada dia sua diversidade.

Atualmente, o consumo das drogas é cada vez mais freqüente, e as substâncias são mais diversificadas e com maior quantidade de componentes que podem levar o indivíduo à dependência química mais rapidamente.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os motivos que podem levar alguém a provar ou usar ocasionalmente drogas são:

– Curiosidade;
– Influência de amigos, sociedade e publicidade de fabricantes de drogas lícitas;
– Sensação imediata de prazer;
– Facilidade de acesso;
– Desejo ou impressão de que elas podem resolver todos os problemas, ou aliviar ansiedades;
– Fuga, estimulação, relaxamento;
– Ficar acordado, dormir;
– Emagrecer, engordar;
– Aliviar dores, tensões, angústias, depressões;

São razões muito diversas que podem levar ao uso abusivo das drogas. Mesmo com drogas aceitas, toleradas ou até mesmo incentivadas pela sociedade, como é o caso da bebida alcoólica, é possível em alguns casos chegar à dependência química pelo uso abusivo, seja substância lícita ou ilícita.

É aí que está o perigo de toda droga, seja medicamento, álcool ou outro tipo de substância psicoativa, por essas e outras razões atribui-se grande importância à prevenção do uso de drogas e a devida importância que deve ser dada nas atividades físicas que podem ser desenvolvidas no processo de tratamento da dependência química.

Os profissionais ligados à saúde, como é o caso do professor de Educação Física, devem estar constantemente atualizados, tendo uma base para comprovar o que aplica para aquelas pessoas que aderem à prática de atividades físicas com o intuito de modificar hábitos para melhorias relativas à saúde (COSSENZA, 1996).

Atividade Física pode ser determinada como sendo o conjunto de ações que um indivíduo ou grupo de pessoas pratica envolvendo gasto energético e alterações orgânicas, através de exercícios que envolvam movimento corporal, com aplicação de uma ou mais capacidades físicas, associado à atividade mental e também social, onde este indivíduo terá como resultado benefícios à sua saúde, melhorando sua capacidade cárdio-respiratória, seu nível de força, flexibilidade, tônus muscular, entre outras, tudo isso dependendo do tipo de atividade e da intensidade, freqüência e duração da mesma. Além de diminuir os riscos de doenças como diabetes, hipertensão, controle de estresse, etc. (BARBANTI, 1990)

OBJETIVO

O objetivo inicial deste projeto de pesquisa foi avaliar a importância da atividade física no tratamento para dependência química em comunidade terapêutica, porém, o estudo foi direcionado para a avaliação do perfil dos indivíduos que se encontram em tratamento para dependência química em Comunidade Terapêutica (CT), tendo como fundamento principal a elaboração de atividades específicas para que sejam aplicadas ao determinado grupo de estudo. O objetivo foi assim definido devido às atividades terapêuticas adotas pela CT, tendo que ser alterado o direcionamento no decorrer da pesquisa. Assim, o objetivo das presente pesquisa foi avaliar o perfil do grupo de estudo e eleborar atividades físicas que possam ser aplicadas aos mesmos de forma mais incisiva na otimização do tratamento, observando ainda o conhecimento e a importância que estes dão à prática de atividades físicas e sua influência no processo de recuperação.

Os benefícios do esporte para a saúde e o bem-estar são gerais, mas é principalmente importante para dependentes químicos, que têm um repertório de sensações de prazer reduzidas. Observa-se que o círculo de amizades dos usuários de drogas normalmente também é de pessoas dependentes. A atividade física pode ajudar a recuperar o prazer por uma atividade não relacionada à droga.

JUSTIFICATIVA

A prática de atividade física proporciona a modificação e aperfeiçoamento da percepção, do pensamento, da motivação, sendo estes aspectos a base de regulação dos movimentos motores.

Essa melhora do aspecto psicomotor do indivíduo pode ser atingido por meio de orientações psicológicas de treinamento, estabilização e otimização do comportamento, ocasionando uma regeneração psicológica (auto-estima, auto-conhecimento, auto-confiança), e por conseqüência a otimização da comunicação ou convívio social e profissional.

A prática de atividades físicas contribui em larga escala para o desenvolvimento da personalidade, proporcionando àqueles que praticam, saúde, bem-estar, autodeterminação e responsabilidade social (com o grupo e com a sociedade como um todo).

Sabendo-se que a droga faz parte de nossa realidade desde muito tempo, o beber socialmente ou fazer uso de medicamentos sem prescrição médica, por isso tornou-se algo comum. As pessoas sabem quais os males ocasionados pelo uso das drogas, mas não têm consciência desses males por falta de estímulo de suas capacidades físicas e psicológicas, capacidades estas que são fundamentais para que atuem mais participativa e conscientemente da sociedade, pois a reações psicofísicas (ansiedade, medo, raiva, entre outras) serão constantes no cotidiano, não podendo desta forma agir como se nada estivesse ocorrendo, mas sim utilizar as capacidades psicológicas que possui para enfrentar uma situação adversa (SAMULSKI, 2002).

Ao utilizar o corpo, o indivíduo trabalha a mente por ter que pensar como irá realizar os movimentos, se irá se antecipar controlando fatores internos de modo a otimizar as condições táticas e psicológicas para a realização da ação ou se irá agir de forma retroativa, ou seja, analisar e avaliar as ações anteriores de modo a possibilitar um feedback positivo para a regulação das ações futuras sob os aspectos motor, técnico e psicológico (SAMULSKI, 2002).

É essa uma das razões que a prática de atividade física pode contribuir para o desenvolvimento das habilidades psicológicas das pessoas que se encontram em tratamento para a dependência química, pois faz se importante que esses indivíduos tenham um cuidado especial em relação à mudança no estilo de vida, e a freqüência da prática de atividades físicas podem contribuir no sucesso do tratamento, e pode ainda, despertar a afeição à prática esportiva, que atualmente é considerada de fundamental importância na vida de todas as pessoas. Enfatizando ainda que a elaboração de um programa de atividades a serem desenvolvidas deve ser de acordo com o histórico pessoal e familiar das pessoas que serão submetidas à prática proposta.

MATERIAIS E MÉTODOS

Inicialmente foi aplicado um questionário, que segue anexo, para avaliar o perfil do grupo de estudo, e diversos fatores foram levados em conta.

O questionário preenchido pelos indivíduos da pesquisa forneceu um quadro claro do perfil do indivíduo.

O questionário foi aplicado quarenta e oito indivíduos do sexo masculino na faixa etária de vinte à cinqüenta nove anos de idade, que realizam atualmente tratamento para dependência química em duas comunidades terapêuticas, sendo uma em Jaboticabal e outra em Campinas, interior de São Paulo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARBANTI, Valdir J. APTIDÃO FÍSICA: Um convite à saúde. São Paulo: Manole, 1990.

COSSENZA, Carlos Eduardo. Personal Training. Rio de Janeiro, Sprint, 1996.

COUTINHO, Walmir. Enciclopédia do emagrecimento. São Paulo: Goal editora, 2001.

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GUEDES, D. P.; GUEDES, J. E. P. Exercício na promoção da saúde. Londrina: Midiograf, 1995.

JACOB, Stanley W.; FRANCONE, Clarice Ashworth & LOSSOW, Walter L. Anatomia e fisiologia humana. 5ª Edição. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A., 1990.

MERCK. Manual Merck de Saúde para a Família. Secção 6: Doenças do cérebro e do sistema nervoso. Capítulo 59: Biologia do sistema nervoso. Disponível no site < http://www.manualmerck.net/?url=/artigos/%3Fid%3D85%26cn%3D823>. Acesso aos 28/05/2007.

MERCK. Manual Merck de Saúde para a Família. Secção 6: Doenças do cérebro e do sistema nervoso. Capítulo 70: Doenças dos nervos periféricos. Disponível no site < http://www.manualmerck.net/?url=/artigos/%3Fid%3D85%26cn%3D823>. Acesso aos 28/05/2007a.

MIDIO, A. F. Glossário de toxicologia. São Paulo: Rocca, 1992.

ROBERGS, Robert A. & ROBERTS, Scott O. Princípios Fundamentais de Fisiologia do Exercício para Aptidão, Desempenho e Saúde. São Paulo: Phorte Editora, 2002.

SAMULSKI, D. M. Psicologia do Esporte. 1ª ed. Barueri-SP: Manole, 2002.

SERRAT, Saulo Monte. Drogas e Álcool: prevenção e tratamento. Campinas: Editora Komedi, 2001.

VILELA, Ana Luisa Miranda. Divisão do Sistema Nervoso. Anatomia & Fisiologia Humanas. Disponível no site <http://www.afh.bio.br/nervoso/nervoso3.asp#divisao>. Acesso aos 28/05/2007.

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