Introdução

Quando uma determinada coletividade faz uso em seus processos intercomunicativos de um cristalizado sistema de sinais verbalizadores dos elementos que compõem seu universo, tal manifestação acústico-oral vem caracterizar aquilo que se pode denominar de língua. Esse sistema impõe-se como conseqüência de um processo histórico, cuja dinâmica pode propiciar empobrecimentos ou alargamentos nos acervos lexicais formativos do universo lingüístico. É certo que as línguas evoluem (ou regridem!) embora esse fato não se faça perceptível à consciência do falante possibilitando uma incessante marca de variação, cuja realização pode ser facilmente apontada nas variedades dialetais que caracterizam as línguas em geral.

As variações diatópicas (espaço geográfico), diastraticas (extratos socioculturais) e diafasicas (modalidades expressivas) somam-se diferenças etárias e geracionais. O conhecimento dessas diferenças leva a uma melhor compreensão da língua como um todo e nos dias atuais, os estudos dialetologicos justificam-se, pela facilidade com que as mudanças ocorrem na sociedade, seja no plano material ou no plano das idéias como objetivos imediatos, concretizar o registro de uma serie de itens lexicais arcaicos, ou que se encontrem em processo de arcaizamento.

Os Arcaísmos

O fenômeno do arcaísmo pode atingir o vocabulário, a morfologia e a estrutura de construção da língua. Os arcaísmos léxicos e semânticos dizem respeito diretamente ao vocabulário. Por arcaísmos léxicos compreendem-se as palavras que deixaram de ser usadas porque se tornaram desnecessárias ou porque foram substituídas por sinônimos de formação variada.

Quanto aos arcaísmos semânticos, estes são vocábulos que hoje apresentam uma significação diversa daquela que ostentavam em época passada.
Entendemos que o arcaísmo é uma palavra ou expressão, que entrou em desuso numa língua e estas palavras ou expressões, vão sendo preteridas por outras mais recentes, até que seu uso não seja mais efetivado na atualidade.

Os arcaísmos podem ser encontrados no léxico, na fonética, na morfologia e na sintaxe tendo um efeito estilístico, para recuperar a virtualidade de um termo antigo como acontece na literatura, quando um escritor insiste em não deixar morrer um termo antigo, que lhe é caro por algum motivo. O romance histórico convencional tem necessidade de recuperar a linguagem da época através de arcaísmos e no texto literário, o uso de arcaísmo não é intencional, porque se considera um erro de expressão (por exemplo, hoje é difícil aceitar o uso de “quiça”, que muitas vezes ocorre em pretensões de estilização). É necessário o leitor possuir conhecimentos de historia da língua para poder avaliar o uso estilístico do arcaísmo.

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