Câncer

0

1. INTRODUÇÃO

O nome câncer refere-se a um conjunto de mais de 100 doenças, que se caracterizam pela perda do controle da divisão celular e pela capacidade de invasão de outras estruturas orgânicas. Ele é considerado como uma das doenças mais temidas pela humanidade, representando no Brasil a segunda causa de morte (WERBACH, 2001).

A revisão sistemática de causas de câncer feita por Doll e Peto (1981) e as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), já em 1964, muito contribuíram para firmar a idéia de que elementos da dieta atuam em alguns tipos de câncer e na saúde em geral.

Estima-se que 60% a 70% de todos os cânceres estão diretamente relacionados aos nossos hábitos alimentares e a outros fatores do nosso estilo de vida, incluindo o fumo, falta de exercício, obesidade e dieta (FAGUNDES, 2001).

Os dados epidemiológicos relativos ao consumo de alimentos particulares e o risco de câncer são difíceis de interpretar, uma vez que existem muitos fatores, alimentares e não alimentares, que podem confundir uma dada associação. Quando uma relação é encontrada, não deve ser atribuída a um nutriente em particular, pois os alimentos não se reduzem a um único constituinte (WCRF/AICR, 1977). Entre os fatores potencialmente protetores estão vários carotenóides, ácido fólico, vitamina C, fitoestrógenos e as fibras.

Contudo, observa-se que os hábitos alimentares vêm sendo modificados a cada ano, adaptando-se às novas situações decorrentes das necessidades do dia-a-dia, como menos tempo disponível para as refeições, o papel da mulher no mercado de trabalho, a existência de alimentos industrializados, de preparo rápido e de baixo custo etc.

Dessa forma, princípios fundamentais da boa nutrição estão sendo desvirtuados, podendo trazer grandes malefícios, se não houver rapidamente conscientização de toda a população sobre a importância de uma alimentação saudável.

Diante disso, a rotina ou habitual consumo de frutas e hortaliças tem sido fortemente associados com a redução dos riscos para muitos tipos de cânceres (MACHADO et al, 2007).

Os efeitos fisiológicos destes alimentos vêm sendo atribuídos às suas ações antioxidantes, moduladores da expressão de genes sensíveis à regulação redox, e da resposta das células e tecidos frente às condições adversas (contato com senobióticos, condições pro-oxidantes, vírus e bactérias) (RIBEIRO, 2007).

Segundo Wargovich (2000), existem fortes evidências quanto à redução de cânceres de boca, faringe, esôfago, pulmão, estômago e cólon pelo consumo de frutas e hortaliças. Efeitos moderados foram observados em cânceres de mama, pâncreas e bexiga. Entretanto, em outros tipos desta doença, os dados não são suficientes para determinar uma conclusão dos efeitos benéficos desses alimentos sobre essa enfermidade.

Em 1992, uma revisão de 200 estudos epidemiológicos mostrou que o risco de câncer em indivíduos que consumiam dietas ricas em frutas e hortaliças foi inferior a 50% quando comparado aos indivíduos que consumiam pequena quantidade destes alimentos (BLOCK et al., 1992).

Com o estímulo à promoção da saúde, busca-se a conscientização quanto aos hábitos saudáveis de alimentação, uma vez que a mesma atua na capacitação da sociedade, procurando melhorias na qualidade de vida e de saúde, tendo como base um estilo de vida saudável, orientado para o bem-estar global. A identificação dos alimentos com atividade preventiva podem levar a meios adicionais de proteção, e ao consumo de alimentos específicos por indivíduos de risco (ALVES et al., 2007).

A alimentação, quando realizada de forma equilibrada contribui para manutenção da saúde e prevenção das doenças. O câncer, por ser uma doença crônica, leva décadas para aparecer, sendo a alimentação uma forte aliada para minimizar os riscos de seu aparecimento.

A relevância dos programas de promoção da saúde nos centros de ensino com atuação sobre o consumo alimentar objetiva promover a adoção de uma alimentação saudável, visando, assim, à construção de hábitos dietéticos que possam minimizar os prejuízos da alimentação inadequada.

A promoção da saúde, por meio da nutrição e uma alimentação saudável, pode ser desenvolvida na comunidade, centros de ensino, local de trabalho e no próprio domicílio, com a finalidade de orientar as pessoas sobre a importância da alimentação saudável e sua atuação na prevenção de doenças e otimização da saúde.

Em geral, a nutrição pode modificar o processo de carcinogênese em qualquer estágio, inclusive metabolismo carcinogênico, defesas celulares e do hospedeiro, diferenciação celular e crescimento do tumor (MAHAN e ESCOTT-STUMP, 1998).

A escolha desse tema para a elaboração dessa monografia deve-se que o câncer é uma das doenças mais comuns nos dias atuais.

A revisão bibliográfica é importante porque para manter a saúde e possivelmente reduzir o risco de câncer deve-se adotar uma dieta pobre em gordura, rica em hortaliças e frutas, evitando o consumo de álcool e fumo e mantendo um peso corporal saudável.

A contribuição desse trabalho é alertar sobre a necessidade de implementação de ações e programas de promoção da saúde por meio do estímulo e conscientização de hábitos dietéticos saudáveis, principalmente como o consumo de frutas e hortaliças pela sociedade, de maneira a incentivar as classes mais desfavorecidas sobre os riscos da alimentação inadequada, e que autoridades governamentais realizem mais investimentos nesta área, para que futuramente o número de casos com câncer possa seja reduzido significativamente.

2. OBJETIVOS

2.1 Objetivo geral

Verificar a importância da prevenção e a dietoterapia no tratamento do câncer.

2.2 Objetivos específicos

Para a estruturação da revisão teórica levantaram-se os seguintes objetivos:

– abordar sobre a evolução histórica do câncer.
– conceituar a enfermidade câncer.
– relacionar a dieta e o câncer.
– explicar como se previne o câncer, citando a dieta e os fatores relacionados.

3. METODOLOGIA

O trabalho consistiu em uma revisão bibliográfica sobre Câncer, sua prevalência no Brasil, diagnóstico, tratamento, complicações, alterações nutricionais decorrente ao câncer, dietoterapia e prevenção.

Foram realizadas buscas nas duas principais bases de dados em saúde, a MEDLINE, de abrangência mundial, desenvolvida pela National Library of Medicine (Washington, USA) e a LILACS – Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde, de responsabilidade da BIREME (São Paulo, BR), disponíveis na Biblioteca Virtual em Saúde ( www.bvs.br ou www.bireme.br). Também foram realizados buscas no SCIELO (Scientific Electronic Library Online) biblioteca eletrônica que abrange uma coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros, disponível disponíveis em www.scielo.br e no Inca Instituto Nacional de Câncer (www.inca.gov.br).

A busca foi realizada lançando-se mão de trabalhos científicos revistas e livros, os quais em sua maioria correspondem à publicações dos últimos 10 anos. Foram usados como limites: estudos em humanos, nos idiomas português e inglês.

4. REVISÃO DA LITERATURA

4.1 Evolução histórica do câncer

O câncer é conhecido desde a Grécia Antiga. São quase dois mil anos de luta contra esse mal. A cada ano que se passa o homem tem aperfeiçoado técnicas para o tratamento, mas até hoje não se conhece tudo sobre a doença (NOBILE, 2002).

Os mais antigos registros sobre o câncer são os papiros egípcios por volta do ano de 1600 a.C. No ano de 450 a.C. os gregos tomam conhecimento da existência de tumores. O grego Galeno é quem utiliza pela primeira vez a palavra “câncer” para a doença e chega a extirpá-los. Um pouco depois o grego Hipócrates dá o nome de “carcino” às lesões hoje conhecidas como cancerígenas. Durante a idade média o conhecimento sobre a doença não avança muito, segundo a medicina da época a doença é causada por um excesso de bile preta (líquido excretado pelo fígado) (SANTOS, 2000).

No ano de 1628, o médico inglês William Harvey descreve a circulação sangüínea. Avançam os estudos da anatomia, o que permite a identificação dos linfonodos (nódulos na virilha e na axila). Em 1730 o médico francês Claude Gendron sugere que o câncer pode ser uma doença localizada devido uma massa que cresce e pode ser arrancada. Dez anos depois o professor holandês Hermann Boerhaave sugere que uma inflamação pode dar origem a um tumor (GRAY et al., 2000).

Em 1750 estudos mostram que o câncer pode estar relacionado com ambientes insalubres. Algumas décadas depois são feitas as primeiras ilustrações e descrições dos tumores de mama, estômago, bexiga, pâncreas e esôfago. Por volta de 1838 com o avanço dos microscópios torna-se possível observar pela primeira vez as células cancerosas (PACIORNIK, 2006).

A partir de 1850 as cirurgias começam a ser mais profundas e mais aperfeiçoadas as técnicas de remoção de tumores, devido o uso de anestesia.

No ano de 1905, Marie Curie descobre a radioatividade em elementos naturais, que daria origem à radioterapia. Alguns anos depois é descoberta a possibilidade de que o câncer seja causado por falhas nos genes (ROSENTAL, CARIGNAN e SMITH, 2006).

Somente a partir 1915 estudos mostraram que a doença pode ser causada por substâncias nocivas à saúde. A radiação solar é identificada como uma das causas do câncer de pele (RAFF; MCGEE, 2006).

Na década de 40, inicia-se o uso da quimioterapia. Pesquisadores tentam sem sucesso, vencer o câncer com vacinas feitas pelo próprio tumor (ALEIXO, 2000).

Em 1943 é criado o exame Papanicolaou, que detecta o câncer de colo de útero (ALEIXO, 2000).

Dez anos depois, o inglês Francis Crick e o americano John Watson anunciam a descoberta da estrutura do DNA (material genético). É o início da revolução na Biologia Molecular que influencia o estudo do câncer até hoje (ALEIXO, 2000).

Em 1956 o norte-americano Richard Doll mostra que pode haver uma relação entre o cigarro e o câncer de pulmão. Um ano depois começam a surgir drogas mais avançadas, como o interferon (CATES, 2002).

Na década de 60, Judah Folkman desconfia que possa matar o tumor de fome (CATES, 2002).

No ano de 1964, é identificado o vírus Epstein-Barr, o primeiro associado a um tumor humano. Cinco anos depois estudos mostram a existência de genes que impedem o crescimento de tumores (CLARK, LACHMAN e Wells, 2002).

No início da década de 70 é descoberto o primeiro oncogene (gene associado ao aparecimento do câncer) viral, fator que dá início ao tumor, pelo cientista alemão Peter Duesberg e pelo japonês Hidesaburo Hanafusa (ANELLI, 2000).

Em 1972 com o aprimoramento das técnicas de diagnósticos por imagem permite métodos mais precisos de identificação de tumores. Com o avanço da engenharia genética, por volta de 1975, há a possibilidade de criação de agentes que identificam células de tumor e ativam o sistema de defesa do organismo, chamados anticorpos monoclonais. Três anos depois estudos mostram que as metástases (o aparecimento de focos secundários e distantes) originam-se do primeiro tumor e viajam no corpo pelas veias (BARACAT, 2000).

Na década de 80, são realizados estudos mostrando que o sistema de defesa do organismo pode ser usado contra o câncer. O pesquisador americano Robert Gallo mostra que um tipo de vírus chamado HTLV-1, da mesma família do HIV, pode causar leucemia. No ano de 1982, é identificado o primeiro oncogêne humano (BARACAT, 2000).

No início da década de 90, são identificadas mutações genéticas que podem dar origem a futuros casos de câncer de mama. A descoberta ajuda na prevenção. A partir dai são feitos os primeiros testes para se obter uma terapia genética contra o câncer. Começam a se desenvolver várias campanhas incentivando a mudança de hábitos de vida como forma de prevenir o câncer (BARACAT, 2000).

Entre 1994 e 1996 começa a aparecer estudos relacionando genes com o câncer. Por exemplo, o gene p53 está associado a pelo menos 52 tipos diferentes de câncer (BARROS, 2000).

Em 1994 a angiostatina é descoberta e, em 1996, a endostatina. No ano de 1997 a angiostatina e a endostatina eliminam tumores em ratos. A terapia genética dá os primeiros resultados contra o câncer de coluna (BARROS, 2000).

Em 1998 laboratórios testam a droga tamoxifeno, o qual reduz o risco de desenvolvimento de câncer de mama. Entra no mercado a primeira vacina contra o câncer de pele. Onze drogas que atrapalham a formação de vasos sangüíneos estão em testes em pacientes (BARROS, 2000).

O Projeto Genoma Câncer do Brasil é criado em 1999, cujo objetivo é mapear o material genético de certos tipos de tumores. Atualmente são testadas vacinas que ativam o sistema de defesa do corpo humano, além dos tratamentos tradicionais. O câncer é uma doença que desafia seus estudiosos desde os tempos mais remotos até o mundo de hoje. Com o passar do tempo o homem busca cada vez mais soluções para a prevenção e o tratamento deste (BATISTA, 2006).

A palavra câncer tem origem no latim, cujo significado é caranguejo. Tem esse nome, pois as células doentes atacam e se infiltram nas células sadias como se fossem os tentáculos de um caranguejo (BARACAT, 2000).

Esta doença tem um período de evolução duradouro, podendo, muitas vezes, levar anos para evoluir até ser descoberta. Atualmente, foram identificados mais de cem tipos desta doença, sendo que a maioria tem cura (benignos), desde que identificados num estágio inicial e tratados de forma correta (BARACAT, 2000).

Os tumores aparecem no organismo quando as células começam a crescer de uma forma descontrolada, em função de um problema nos genes. A causa dessa mutação pode ter três origens : genes que provocam alterações na seqüência do DNA; radiações que quebram os cromossomos e alguns vírus que introduzem nas células DNAs estranhos. Na maioria das situações, as células sadias do organismo impedem que estes DNAs passem adiante as informações (BARACAT, 2000).

O tumor desenvolve um conjunto de rede de vasos sanguíneo para se manter. Através da corrente sanguínea ou linfática, as células malignas chegam em outros órgãos, desenvolvendo a doença nestas regiões. Esse processo de irradiação da doença é conhecido como metástase (BARACAT, 2000).

Esta doença é tão perigosa, pois possui capacidade eficiente de reprodução dentro das células e também porque se reproduz e coloniza facilmente áreas reservadas a outras células (BARACAT, 2000).

Existem vários fatores que favorecem o desenvolvimento do câncer. Podemos citar como principais: predisposição genética (casos na família), hábitos alimentares, estilo de vida e condições ambientais. Todos estes fatores aumentam o risco de uma pessoa desenvolver a doença (BARACAT, 2000).

O tabagismo aumenta as chances do fumante em desenvolver câncer nos pulmões, na boca e na garganta. Bebida alcoólica em excesso pode provocar, com o tempo, o aparecimento de câncer na boca. Sol em excesso pode afetar as células e cresce o risco do desenvolvimento desta doença na pele. O câncer de mama tem origens nos distúrbios hormonais e é mais comum nas mulheres. A leucemia (câncer no sangue) é desencadeado pela exposição à radiações. Determinadas infecções podem desencadear o surgimento de tumores no estômago e no fígado. A vida estressante, a alimentação inadequada (rica em gorduras, conservantes e pobre em fibras) também está relacionados a alguns tipos de câncer (CARLOS, 2006).

O melhor tratamento ainda é aquele que visa evitar o surgimento da doença. Para tanto, os especialistas aconselham as pessoas a ter uma vida saudável: alimentação natural e rica em fibras, evitar o fumo e o álcool, ter uma vida tranqüila, fugindo do estresse, usar protetores ou bloqueadores solares e fazer exames de rotina para detectar o início da doença (CARLOS, 2006).

4.2 Conceito de câncer

O câncer é uma enfermidade crônica não-infecciosa de origem genética, cuja ocorrência é determinada em grande parte por fatores ambientais, de natureza química, física ou biológica, constituindo-se na segunda causa de morte por doença em países desenvolvidos (ADAMI et al., 2001).

O câncer descreve uma classe de doenças caracterizadas pelo crescimento descontrolado de células aberrantes. Os cânceres matam em conseqüência da invasão destrutiva de órgãos normais por extensão direta e disseminação para locais distantes através do sangue, linfa ou superfícies serosas. O comportamento clínico anormal das células cancerosas é freqüentemente refletido por aberrações biológicas, como mutações genéticas, translocações cromossômicas, expressão de características fetais ou outras características antológicas discordantes, bem como pela secreção inapropriada de hormônios ou enzimas (SIMONE, 2001).

Dentre os vários tipos de câncer, o de pulmão é o mais comum em todo o mundo e o de mama é o mais freqüente entre as mulheres. No Brasil, estima-se que os cânceres de mama e de próstata serão os de maior incidência em 2006 (BRASIL, 2005).

O câncer é a segunda doença que provoca mais mortes, e a expectativa é que ultrapasse, no início do século XXI, as doenças cardíacas na liderança dessa lista nefasta (SIMONE, 2001).

A notável variação observada nas taxas de câncer em um determinado país, bem como entre países, as diferentes taxas entre imigrantes de um local para outro e as tendências freqüentemente marcantes com o decorrer do tempo sugerem que os fatores ambientais (utilizando o termo fatores ambientais em seu sentido mais amplo, para abranger todas as exposições exógenas e não-genéticas) induzem à maioria dos cânceres, talvez por meio de uma interação com traços de suscetibilidade do hospedeiro (BLOT, 2001).

Nos últimos 50 anos, a freqüência da maioria dos cânceres manteve-se estável, porém foram observadas algumas mudanças notáveis. Ocorreu declínio na freqüência dos cânceres do estômago e do útero, esse último devido, sem dúvida alguma, a triagens citológicas de rotina para o câncer do ciclo uterino. A causa do declínio na incidência do câncer do estômago não está bem elucidada, mas pode-se relacionar, em parte ao maior uso de antibióticos e aos seus efeitos sobre a infecção crônica pelo Helicobacter pylori (SIMONE, 2001).

Apesar da hereditariedade afetar a susceptibilidade genética para todos os cânceres, os fatores ambientais são considerados a causa principal do câncer, destacando-se dentre eles o tabaco, a dieta e fatores relacionados, composição corporal e atividade física (NAVES, 2006).

O medo do câncer, do sofrimento decorrente da doença e do seu tratamento, bem como o benefício limitado da terapia para os cânceres nas comuns combinam-se para tornar a prevenção uma prioridade cada vez maior na clínica e saúde pública (OMENN, 2001).

A alteração mais notável foi observada no aumento do câncer do pulmão em ambos os sexos, o que, sem dúvida alguma, é relacionado ao tabagismo. Outros cânceres com taxa de mortalidade crescente, sobretudo no indivíduo idoso, são o melanoma, o linfoma não-Hodgkin e os tumores cerebrais. Tem havido especulações, porém poucas evidências firmes, para explicar essas mudanças. A taxa global de mortalidade, particularmente para os pacientes com menos de 65 anos de idade, vem declinando, basicamente devido a uma terapia mais efetiva dos cânceres de origem fetal e hematopoética que ocorrem na população mais jovem (SIMONE, 2001).

O principal câncer que mata tanto homens quanto mulheres é, sem dúvida alguma, o câncer do pulmão, seguido dos cânceres de próstata, cólon e reto, bem como do pâncreas nas mulheres. Nove tipos de câncer que podem ser rastreados (mama, cólon, reto, colo uterino, próstata, testículo, língua, boca e pele) são alvos de diagnósticos precoce. Atualmente, não se dispõe de exames de triagem efetivos para os cânceres do pâncreas e pulmão (OMENN, 2001).

Acredita-se que o câncer seja, em grande parte, passível de ser prevenido.As causas da maioria dos cânceres da cavidade oral e faringe, esôfago, fígado, laringe, pulmão e colo uterino já se tornaram conhecidas. Foram, também, identificados fatores de risco para outros cânceres, porém as pesquisas continuam, para esclarecer os fatores que contribuem para a maioria dos processos malignos nos Estados Unidos e em todo o mundo. A maioria das informações atuais sobre os fatores de risco para o câncer provém dos estudos de casos controlados que avaliaram diversas características, bem como a exposição de pacientes com cânceres isolados, e de estudos de coorte determinando as taxas de câncer entre grupos expostos a agentes particulares com suspeita de potencial carcinogênico. As orientações para essas investigações epidemiológicas freqüentemente foram obtidas de estudos descritivos das taxas de câncer e estatísticas, bem como de observações clínicas atenta (BLOT, 2001).

As modalidades primárias para a prevenção do câncer exigem mudanças de comportamento, particularmente no que concerne ao fumo, etilismo, dieta e atividade física. A redução da exposição a agentes carcinogênicos de todas as fontes ambientais constitui uma abordagem complementar. Nesse momento estão sendo pesquisadas intensivamente intervenções hormonais, nutricionais e farmacológicas, bem como triagem genética, aconselhamento e tratamento para aqueles com predisposição genética passíveis de detecção.Novos modelos animais e marcadores genéticos de alto risco para o câncer do cólon e o câncer da mama oferecem meios promissores de rastreamento e avaliação dos agentes e modificações dos fatores de risco em uma base científica (OMENN, 2001).

4.3 A influência da dieta e nutrição sobre os riscos de câncer

Fortes evidências indicam que a dieta e a nutrição podem influenciar o risco de câncer. Mais significativas são as associações inversas entre o risco de certos cânceres epiteliais, particularmente câncer oral, esôfago, estômago e pulmão, e a ingestão de frutas frescas e vegetais. O risco desses cânceres entre indivíduos que se encontram no maior quartil de consumo é menor, algumas vezes de mais da metade, do que entre os que se encontram no quartil mais baixo de ingestão. Os ingredientes responsáveis pelos efeitos protetores nos seres humanos ainda não foram esclarecidos (BLOT, 2001).

A relação entre o consumo de certos alimentos e o risco de câncer possui evidência científica apesar da complexidade dos fatores que estão associados à ingestão dos alimentos, como conservação e preparo do alimento, tipo e quantidade de alimento consumido. Muitos componentes da alimentação têm sido associados com o processo de desenvolvimento do câncer, principalmente câncer de mama, cólon (intestino grosso), reto, próstata, esôfago e estômago (INCA, 2007).

Apesar da maior parte da investigação sobre a relação dieta-câncer se basear nos constituintes dos alimentos, a verdade é que as pessoas consomem alimentos e bebidas. Assim, é a alimentação como um todo, mais do que os seus constituintes individuais, que devem ser vistos como os fatores-cave na etiologia do câncer. Os dados epidemiológicos relativos ao consumo de alimentos particulares e risco de câncer são difíceis de interpretar, uma vez que existem muitos fatores, alimentares e não-alimentares, que podem confundir uma dada associação. Quando uma relação é encontrada não deve ser atribuída a um nutriente particular, uma vez que os alimentos não se reduzem a um único constituinte (WORD CANCER RESEARCH FUND e AMERICAN INSTITUTE FOR CANCER RESEARCH, 1997).

O tipo de preparo do alimento também influencia no risco de câncer. Ao fritar, grelhar ou preparar carnes na brasa a temperaturas muito elevadas, podem ser criados compostos que aumentam o risco de câncer de estômago e coloretal. Por isso, métodos de cozimento que usam baixas temperaturas são escolhas mais saudáveis, como vapor, fervura, pochê, ensopado, guisado, cozido ou assado.Estudos demonstram que uma alimentação pobre em fibras, com altos teores de gorduras e altos níveis calóricos (hambúrguer, batata frita, bacon, etc), está relacionada a um maior risco para o desenvolvimento de câncer de cólon e de reto, possivelmente porque, sem a ingestão de fibras, o ritmo intestinal desacelera, favorecendo uma exposição mais demorada da mucosa aos agentes cancerígenas encontradas no conteúdo intestinal. Em relação a cânceres de mama e próstata, a ingestão de gordura pode alterar os níveis de hormônio no sangue, aumentando o risco da doença (INCA, 2007).

Estudos efetuados na China e na Itália, sugeriram que o alho, a cebola e outros vegetais da mesma família podem reduzir o risco de câncer no estômago. Os compostos presentes em vegetais da família do alho exibem acentuados efeitos anticâncer em animais experimentais. Estudos em animais também mostraram uma proteção contra o câncer conferida por polifenóis e outros compostos presentes no chá e am alguns outros alimentos. Vários estudos epidemiológicos constataram um menor risco de alguns cânceres em indivíduos que bebem chá, porém as evidências são mistas. Alguns produtos alimentares também podem conter substâncias capazes de aumentar o risco de câncer; assim, por exemplo, alguns contamiantes de alimentos, tais como as aflatoxinas encontradas, algumas vezes, em amendoins ou grãos mofados, são fortes carcinógenos animais.

As taxas de câncer do fígado tendem a ser altas em partes da Ásia e da África onde a contaminação por aflatoxinas é em partes da Ásia e da África onde a contaminação por aflatoxinas é comum; todavia, as informações sobre o efeito dessas substâncias nos seres humanos continuam escassas (BLOT, 2001).

Existem também os alimentos que contém níveis significativos de agentes cancerígenos como os nitritos e nitratos usados para conservar alguns tipos de alimentos, como picles, salsichas e outros embutidos e alguns tipos de enlatados, se transformam em nitrosaminas no estômago. As nitrosaminas, que têm ação carciongênica potente, são responsáveis pelos altos índices de câncer de estômago observados em populações que consomem alimentos com estas características de forma abundante e freqüente. Já os defumados e churrascos são impregnados pelo alcatrão proveniente da fumaça do carvão, o mesmo encontrado na fumaça do cigarro do carvão e que tem ação carcinogênica conhecida. Os alimentos preservados em sal, como carne-de-sol, charque e peixes salgados, também estão relacionados ao desenvolvimento de câncer de estômago em regiões onde é comum o consumo desses alimentos (INCA, 2007).

Os estudos epidemiológicos mostraram que os carotenóides, mas não as fontes animais de vitamina A (retinóis), provocam, de modo bastante consistente, um risco reduzido de câncer; todavia, foram também identificadas as vitaminas C e E, que podem inibir a formação de compostos N-nitroso carcinogênicos in vivo, bem como o folato e outros nutrientes possivelmente protetores. Em um estudo clínico randomizado, eferuado numa região da China caracterizada por deficiências crônicas de nutrientes, a suplementação diária com uma combinação de beta-caroteno, vitamina E e selênio reduziu a taxa de mortalidade por câncer. A suplementação com selênio também foi associada a um risco reduzido de vários cânceres em um estudo clínico randomizado de menor porte efetuado nos estados unidos.

Entretanto, não se observou nenhum benefício semelhante em estudos clínicos com fumantes na Finlândia que tomaram suplementos de beta-caroteno ou de vitamina E, de médicos norte-americanos que tomaram beta-caroteno, ou de fumantes ou operários expostos ao asbesto nos Estados Unidos aos quais foram administrados beta-caroteno e retinol. Com efeito, os estudos clínicos de fumantes na Finlândia e nos Estados Unidos mostraram aumentos pequenos, porém significativos, no câncer do pulmão entre indivíduos que receberam suplementos com beta-caroteno. Esse resultado inesperado adverte contra o uso de suplementação, com altos níveis de beta caroteno em fumantes e indica que a ligação entre dieta e câncer é mais complexa do que se supunha originalmente (BLOT, 2001).

Alguns tipos de alimentos, se consumidos regularmente durante longos períodos de tempo, parecem fornecer o tipo de ambiente que uma célula cancerosa necessita para crescer, se multiplicar e se disseminar. Esses alimentos devem ser evitados ou ingeridos com moderação. Neste grupo estão incluídos os alimentos ricos em gorduras, tais como carnes vermelhas, frituras, molhos com maionese, leite integral e derivados, bacon, presuntos, salsichas,lingüiças, mortadelas, dentre outros (INCA, 2007).

A gordura da dieta, sobretudo gordura saturada, e as calorias são implicadas no risco de câncer do cólon e outros cânceres, embora a natureza etiológica das associações ainda não tenha sido bem-estabelecida. A relação entre as fibras dietéticas e o risco de câncer do cólon não é bem esclarecida. A despeito dessas incertezas, foi estimado que uma alta percentagem de cânceres colorretais possui uma etiologia dietética. A dieta e o câncer da mama também foram associados, em parte devido às taxas muito mais elevadas desses cânceres nos países ocidentais que consomem dietas ricas em gorduras e com baixo teor de fibras, embora as evidências sejam inconsistentes. Algumas estimativas sugerem que um terço ou mais dos cânceres podem-se relacionar a práticas dietéticas e nutricionais (BLOT, 2001).

Há vários estudos epidemiológicos que sugerem a associação de dieta rica em gordura, principalmente a saturada, com um maior risco de se desenvolver esses tipos de câncer em regiões desenvolvidas, principalmente em países do Ocidente, onde o consumo de alimentos ricos em gordura é alto. Já os cânceres de estômago e de esôfago ocorrem mais freqüentemente em alguns países do Oriente e em regiões pobres onde não há meios adequados de conservação dos alimentos em geladeira, o que torna comum o uso de picles, defumados e alimentos preservados em sal. Atenção em especial deve ser dada aos grãos e cereais. Se armazenado em locais inadequados e úmidos, esses alimentos podem ser contaminados pelo fungo Aspergillus flavus, o qual produz a aflatoxina, substância cancerígena. Essa toxina está relacionada ao desenvolvimento de câncer de fígado (INCA, 2007).

Ainda conforme o Inca (2007) é preciso salientar ainda que as associações entre dieta alimentar inadequada e o câncer são resultantes de estudos de laboratório ou de estudos de correlação entre populações com diferentes padrões de consumo. Os estudos epidemiológicos do tipo caso-controle têm apresentado resultados muitas vezes controversos, o que se atribui a dificuldades metodológicas, como a mensuração do consumo de alimentos. Apesar dos hábitos alimentares cujos benefícios para o controle de outras doenças, já foram comprovados, como os exemplos da dieta rica em fibras, para o combate à prisão-de-ventre e da dieta com ingestão baixa de gordura e sal, para o controle de doenças cardiovasculares.

4.4 Abordagem sobre dieta e câncer

Estima-se que os fatores da dieta sejam responsáveis por aproximadamente 30% dos cânceres nos países desenvolvidos e 20% nos países em desenvolvimento (WHO, 2003).

O estudo da relação entre fatores da dieta e risco de câncer é bastante complicado e limitado, sobretudo elo fato do câncer ser uma doença complexa e a dieta conter inúmeros fatores de exposição (nutrientes e não-nutrientes). Assim, para assegurar a eficácia e segurança das medidas de prevenção, as recomendações para prevenção, primária de câncer são baseadas em associações evidenciadas em um grande número de estudos epidemiológicos e confirmadas em pesquisas experimentais.

Considerando a dieta e fatores relacionados, a obesidade (balanço energético positivo) e o álcool constituem, atualmente, os fatores de risco mais relevantes para câncer, e o consumo elevado de frutas e hortaliças e a atividade física, os fatores de proteção mais importantes (ADAMI et al., 2001, WHO, 2003).

As evidências científicas sobre a relação entre dieta e câncer derivam, em grande parte, de estudos epidemiológicos analíticos, especialmente do tipo coorte. Nos estudos coorte, obtém-se informações da dieta de indivíduos saudáveis durante certo período de observação até a ocorrência do efeito (câncer), para determinar a prevalência de doentes em cada nível de exposição aos fatores da dieta. Nos estudos caso-controle, as informações sobre a dieta prévia de pacientes (casos) são comparadas com a dieta de indivíduos sem a doença (controles) e então é determinada a prevalência de expostos aos fatores de interesse em ambos os grupos (WILLETT, 1998).

As relações causais sugeridas nos estudos epidemiológicos de intervenção, que constituem estudos experimentais (controlam o fator de exposição – causa) e completam o ciclo de investigação sobre uma relação de causa e efeito. Os estudos de intervenção com beta-caroteno conduzidos em meados da década de oitenta e início dos anos noventa são exemplos de estudos epidemiológicos de quimioprevenção denominados de fase III (randomizados e com grupo placebo – controle). Apesar de todos os investimentos, os resultados destes estudos foram contraditórios e, portanto, não conclusivos (NAVES e MORENO, 1998).

Em função da dificuldade de se determinar até que ponto o consumo de um nutriente ou fitoquímico pode interferir na quimioprevenção do câncer, busca-se atualmente um enfoque mais global nos estudos epidemiológicos de exposições alimentares, por exemplo, por grupo de substâncias (em doses próximas às fisiológicas) ou de alimentos, assim como uma abordagem multidisciplinar (FORMAN et al., 2004).

Para avaliar a consistência das relações causais evidenciadas nos estudos epidemiológicos analíticos, os especialistas responsáveis pelo relatório conjunto da Fundação Mundial de Pesquisa de Câncer e do Instituto Americano para Pesquisa de Câncer (WCRF/AICR, 1997) sobre alimentos, nutrição e prevenção de câncer definiram quatro categorias de evidências científicas, conforme a seguir: convincente: Associação consistente entre o fator de exposição e o câncer, evidenciada em um grande número de estudos epidemiológicos (pelo menos 20) e confirmada por pesquisas experimentais (em animais e/ou humanos); provável: Associação consistente entre o fator de exposição e o câncer, evidenciada em um número considerável de estudos (especialmente do tipo coorte), com confirmação laboratorial; possível: Associação observada em estudos limitados em quantidade, qualidade e consistência (estudos caso-controle e transversais) e sem evidência experimental; insuficiente: Evidência baseada em um número reduzido de estudos que sugerem uma associação entre a exposição e o câncer, mas não são suficientes para se estabelecer uma possível relação causal.

estão resumidas as evidências convincentes e prováveis sobre fatores da dieta e risco de câncer de diferentes sítios, sendo considerados os mais relacionados à dieta. Destacam-se a obesidade e o consumo regular e elevado de álcool como os fatores de risco mais relevantes para câncer. Associadas à obesidade, encontram-se a ingestão energética elevada como fator da dieta e a atividade física como co-variável (MCCULLOUGH e GIOVANNUCCI, 2004; NORMAN et al., 2004).

O álcool, associado à obesidade, aumenta consideravelmente o risco para os cânceres de mama, esôfago e cólon e reto. Por outro lado, o consumo de frutas e hortaliças está associado à redução do risco, sobretudo de cânceres de esôfago e de estômago, constituindo-se provavelmente no fator de proteção da dieta mais importante que se conhece.(NAVES, 2006).

Em relação ao câncer de pulmão, dados de centenas de estudos epidemiológicos revisados no início dos anos noventa indicavam uma forte associação inversa entre consumo de frutas e hortaliças (fonte de carotenóides) e o risco da doença (ZIEGLER et al., 1996).

Entretanto, não foi confirmada a hipótese de que o beta-caroteno seria o fator de proteção mais importante presente nesses alimentos, quando testada nos estudos epidemiológicos de intervenção, conforme mencionando anteriormente (NAVES e MORENO, 1998).

Além disso, no estudo coorte denominado EPIC (European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition), conduzido em dez países da Europa com cerca de quinhentos mil indivíduos, foi constatado um efeito protetor de câncer de pulmão associado somente ao consumo de frutas, sem qualquer relação com o consumo de hortaliças (GONZALES, 2006).

Assim, persiste a controvérsias sobre o efeito das frutas e hortaliças e da dieta em geral no risco de câncer pulmonar. Em termos de saúde pública, a prioridade na prevenção da enfermidade consiste em reduzir prevalência do hábito de fumar (WHO, 2003).

Quanto ao câncer de mama (feminina), a relação inversa entre consumo de frutas e hortaliças e risco da doença é ainda menos clara que para o câncer de pulmão. Especialistas da Fundação Mundial de pesquisa de Câncer e do Instituto Americano para Pesquisa de câncer (WCRF/AICR, 1997). Consideraram esta relação provável, porém resultados mais recentes de estudos coorte não confirmam esta associação (VERHOEVEM et al., 1997; VAN GILS, 2005).

Por outro lado, o consumo de álcool e a obesidade constituem fatores relacionados à dieta que aumentam o risco de câncer de mama (WCRF/AICR, 1997; SMITH-WARNER et al, 1998).

A dieta típica ocidental, elevada em energia e gordura e pobre em fibras e outros fitoquímicos, está associada à obesidade pós-menopausa e, por conseguinte, ao risco de câncer de mama (WCRF/AICR, 1997; WHO, 2003).

Sendo assim, dietas fartas e variadas em frutas e hortaliças podem indiretamente reduzir o risco de câncer de mama, pois contribuem para a redução do Índice de Massa Corpórea (IMC) e prevenção da obesidade (NAVES, 2006).

Conforme WCRF/AICR (1997); Norat et al.(2002) e Gonzáles (2006).no caso do câncer de cólon e reto, dietas ricas em hortaliças reduzem o risco, enquanto a ingestão de carne vermelha e processada aumenta o risco da doença (evidências prováveis).

Ainda, a dieta típica ocidental e conseqüente sobrepeso e obesidade constituem um dos principais fatores determinantes do risco de câncer de cólon e reto (LIPKIN et al., 1999; WHO, 2003).

Em relação ao câncer de estômago, dietas ricas em frutas e hortaliças têm efeito protetor e o consumo elevado de sal e de alimentos conservados com sal provavelmente aumentam o risco de câncer de estômago. Os cânceres de esôfago e cavidade bucal podem também ser prevenidos por meio do consumo de dietas ricas em frutas e hortaliças, enquanto o consumo regular e elevado de álcool aumenta o risco de cânceres de fígado, esôfago e cavidade bucal. Alimentos e bebidas muito quentes também constituem fatores de risco para os dois últimos tipos de câncer (WCRF/AICR, 1997; WHO, 2003).

Outros fatores da dieta têm sido relacionados ao risco de câncer, porém os dados disponíveis são limitados, sendo essas evidências classificadas como possíveis e insuficientes. Nesse sentido, ainda é necessário esclarecer a relação entre a soja e o risco de câncer de mama, assim como a influência das fibras da dieta na etiologia do câncer de cólon e reto, dentre outros fatores (WHO, 2003).

Ao contrário, permanece desafio de relacionar, de forma convincente, o consumo elevado de gordura animal (ou saturada) com o aumento do risco de câncer de mama (HANF e GONDER, 2005; GONZALES, 2006), assim como a exposição a compostos tais como aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos com o risco de câncer de cólon e reto (LIPKIN et al., 1999).

Inúmeros outros fatores da dieta presentes em frutas e vegetais em geral, tais como diversos tipos de polifenóis (ácidos fenólicos, ligninas, flavonpoides) e vitaminas (ácido fólico, vitaminas C, D e E) têm sido associados com a modulação de eventos genéticos e epigenéticos envolvidos no processo carcinogênico (VAN DUYN e PIVONKA, 2000; MCCULLOUGH e GIOVANNUCCI, 2004).

Contudo, ainda é prematuro relacionar o consumo elevado destas substâncias com o menor risco de câncer (NAVES, 2006).

4.5 Prevenção de câncer: dieta e fatores relacionados

Para a prevenção do câncer, as recomendações são, na grande maioria, baseadas em evidências científicas convincentes e prováveis da relação de causalidade entre o fator e a doença. De modo geral, recomenda-se a adoção de uma dieta à base de vegetais, composta essencialmente por alimentos básicos como o arroz e o feijão, preparados de forma tradicional, e farta e variada em frutas e hortaliças (mínimo de cinco porções ao dia). A dieta adequada contém fatores de proteção suficientes (em quantidades e qualidade) para garantir a redução do risco de câncer, não sendo recomendado o uso de suplementos dietéticos (NAVES, 2006).

estão sumarizadas as principais recomendações relacionadas à dieta para prevenção de câncer, incluindo a atividade física, conforme WCRF/AICR (1997) e a Organização Mundial de Saúde (WHO, 2003).

Em termos de saúde pública, as estratégias de prevenção de câncer devem ser consideradas dentro de um programa integrado de prevenção de doenças crônicas, uma vez que os fatores de risco mais importantes, dieta típica ocidental, inatividade física, obesidade, álcool e tabaco, são fatores comuns a outras enfermidades como doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2 (WHO, 2003).

Se as metas da Fundação Mundial de pesquisa de Câncer e o instituto Americano para Pesquisa de Câncer (WCRF/AICR, 1997) forem atingidas, espera-se um impacto substancial na saúde pública em termos de redução de incidência de câncer. Os cânceres de estômago e de cólon e reto constituem os tipos que apresentam maiores possibilidades de prevenção, podendo ser reduzidos em até 75% mediante dieta adequada, e dieta e fatores associados (IMC normal e atividade física), respectivamente. Em relação à incidência geral de câncer, espera-se uma redução de até 40% se forem seguidas todas as orientações, dieta adequada,manutenção de IMC normal e prática regular de atividade física. O consumo de uma dieta farta e variada em frutas e hortaliças pode reduzir a incidência geral de câncer em pelo menos 20%.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O câncer é uma doença que pode ser prevenida em grande parte pelo consumo de uma dieta adequada, manutenção de um peso corporal apropriado e prática regular de atividade física. Todos os esforços deveriam ser empregados visando à mudança de hábitos alimentares típicos de populações ocidentais para hábitos alimentares saudáveis.

Quando mais precocemente se der a mudança de hábitos de vida (dieta e atividade física), maiores serão as possibilidades de prevenção.

Apesar do enorme investimento em pesquisa na área, muitas relações causais entre fatores da dieta e risco de câncer ainda permanecem ambíguas. O estudo da relação entre nutrição, obesidade, atividade física e câncer constitui atualmente um grande desafio para os pesquisadores.

Além disso, as fronteiras do conhecimento sobre o papel quimiopreventivo e mecanismos de ação de substâncias como carotenóides e flavonóides necessitam ser mais bem exploradas, assim como possibilidades de uso dessas substâncias na prevenção de câncer de populações com suscetibilidades genéticas e epigenéticas diversas em relação à patologia.

Pela análise da revisão da literatura ficou evidenciado cientificamente que uma dieta rica em frutas e hortaliças, as quais são dotadas de propriedades medicinais, sendo o poder medicinal caracterizado para cada espécie e também mudanças nos hábitos alimentares podem nos ajudar a reduzir os riscos de desenvolvermos o câncer.

Torna-se importante ressaltar que a prevenção pode ser o melhor remédio para o câncer. Neste sentido, conscientizar a população sobre os riscos do consumo de alimentos com níveis significativos de agentes cancerígenos já pode ser grande começo.

Pela nutrição pode-se modificar o processo de carcinogênese em qualquer estágio, inclusive metabolismo carcinogênico, defesa celulares e do hospedeiro, diferenciação celular e crescimento do tumor.

Apesar disso, existe, ainda, reduzido número de programas de promoção da saúde relacionados ao consumo de alimentos e sua implicação na geração do câncer, bem como de sua atuação em diferentes locais.

Como sugestão citamos a ampliação dos programas de promoção à saúde, para melhor adoção dos hábitos alimentares saudáveis, comprovando-se os benefícios de uma dieta correta co-relacionada com a mudança de hábitos alimentares no que tange à prevenção do câncer.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Adami H.O, Day, NE, Trichopoulos, D, Willett, WC. Primary and secondary prevention in the reduction of morbidity and mortality. Eur J. Cancer 2001; 37 (suppl 8): S118-27.

Aleixo N. A. Manual de planejamento familiar. Belo Horizonte: Coopmed, 2000, 125p.

American institute for cancer research. Food, nutrition, and the prevention of cancer: a global perpective. American Institute for Cancer Research, Washington. D. C., 1997.

Alves R. E.; Brito E. S.; Saura-Calixto F. D.; Rufino M. S. M.; Pérez-Jiménez J. Compostos com propriedades funcionais em frutas. In: Sediyama, M.A.N.; Barros, R. S.; Flores, M. E. P.; Salomão, L. C. C.; Puschmann, R. Simpósio Brasileiro de Pós-Colheita de Frutas, Hortaliças e Flores, 2. 2007. Viçosa-MG. Palestras e Resumos. P. 179-188. 2007

Anelli A. Manual prático de condutas em oncologia clínica. São Paulo: Lemar, 2000, p. 55.

Baracat, F. F. Cancerologia atual: um enfoque multidisciplinar. São Paulo: Roca, 2000, p. 35-36.

Barros T. G. T. Câncer. Disponível em:,http://www.cancer.gov.br. Acesso: 25 jan. 2008.

Batista N. J. Cirurgia de urgência: condutas. Rio de Janeiro: Revinter, 2006, p. 29-30.

Block G.; Pateerson B.; Subar A. Fruit vegetables and cancer prevention: a review of epidemiological evidence. Nutr. Cancer, 1992; n. 18, v. 1, p, 1-29

Blot William J. Epidemiologia do cancer. Revista Brasileira de Cancerologia. V. 47, n. 4; out/nov/dez, 2001.

Carlos A. P. T. Câncer de próstata hoje. Disponível em: http://www.suapesquisa.com/cancer. Acesso 25 jan. 2008.

Cates W. J. Contraceptive choice, sexually transmitted diseases, Ca, and future fertility. J. Br. Fert. Society, 2002, p. 18-22.

Clark S. D.; Lachman D.; Wells E. S. OutLook: vaginal barrier mthods-underutilized options? P. 1-8, 2002.

Doll R.; Peto P. The causes of cancer: quatitatives estimates of avoidable riscks of cancer in the Unitet States today. J. Natl. Cancer Inst. 1981; n. 66, v. 6: p. 1191-1308.

Fagundes L. A. A escolha dos alimentos para proteção contra o câncer. Porto Alegre: Age, 2001, 127p.

Formann H. A, G. O; V. L. W Butrum R. R. Review of the international Research Conference on Food, Nutrition and Cancer, 2004. J. Nutr. 2004; v. 134, n. 12S, p. 3391S-3S.

Gonzales C. A. The European Prospective investigation into Cancer and Nutrition (EPIC). Publ. Health Nutr. 2006; v. 9, n. 1A, p. 124-126.

Gray B. et al. Anatomia: estudo regional do corpo humano. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000, p. 10-15.

Hanf V. Gonder U. Nutrition and primary prevention of breast câncer: foods, nutrients and breast câncer risk. Eur J.Obstet. Gynecol Reprod Biol, 2005, v. 123, p. 139-149.

INCA. Hábitos alimentares. Disponível em: http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=18. Acesso em: 17 nov. 2007.

Lipkin M. Reddy B Newmark H Lamprecht, S. A. Dietary factors in human colorectal cancer. Annu Rev Nutr, 1999, v. 19, p. 545-586.

McCullough M. L Giovannucci E. L. Diet and cancer prevention. Oncogene 2004; v. 23, n. 38, p. 6349-64.

Machado C. M.M.; Carvalho P. G. B.; Moretti C. L. Compostos funcionais em hortaliças. In: Sediyama, M.A.N.; Barros, R. S.; Flores, M. E. P.; Salomão, L. C. C.; Puschmann, R. Simpósio Brasileiro de Pós-Colheita de Frutas, Hortaliças e Flores, 2. 2007. Viçosa-MG. Palestras e Resumos. P. 189-196. 2007.

Mahan L. K.; Escott-Stump S. Krause: alimentos, nutrição & dietoterapia. São Paulo, 6.ed. 1998.

Naves Maria Margareth Veloso. Dieta e prevenção de câncer. Nutrição em pauta. São Paulo, Ano XIV, n. 81, nov/dez., 2006.

Naves M. M. V.; Moreno F. S. Beta-Carotene and cancer chemoprevention: from epidemiological association to cellular mechanisms of action. Nutr. Res 1998.

Nobile L. Sexualidade na maturidade. São Paulo: Brasiliense, 2002, p. 52.

Omenn Gilbert S. Prevenção do câncer. Revista Brasileita de Cancerologia. V. 47, n. 4; out/nov/dez, 2001.

Paciornik R. Dicionário médico. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006, p. 102.

Raff J. C.; Mcgee R. F. Enfermagem oncologia. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas. Oncologia Hoje, n. 4. Rio de Janeiro: Pro-Onco. INCA, 2006, p. 115.

Ribeiro R. M. R. Biodisponibilidade de compostos funcionais, impactos na saúde e na prevenção de doenças. In: Sediyama, M.A.N.; Barros, R. S.; Flores, M. E. P.; Salomão, L. C. C.; Puschmann, R. Simpósio Brasileiro de Pós-Colheita de Frutas, Hortaliças e Flores, 2. 2007. Viçosa-MG. Palestras e Resumos. P. 189-196. 2007.

Rosental S.; Carignan J.; Smith B. Oncologia prática: cuidados com o paciente. 2.ed. Rio de Janeiro: Revinter, 2006, p. 26.

Santos S. S. C. Enfermagem erontolo-geriátrica: da reflexão à ação cuidativa. João Pessoa: UFPB, 2000, p. 25-29.

Simone Joseph V. Oncologia. Revista Brasileita de Cancerologia. V. 47, n. 4; out/nov/dez, 2001.

Smith-Warner S. A; Spiegelman D.; Yaun S-S; Van Den Brandt P. A.; Folson A. R.; Goldbohm R. A. et al. Alcohol and breast cancer in women: a pooled analysis of cohort studies. JAMA, 1998, v. 279, n. 7, p. 535-540.

Van Duyn MAS Pivonka E. Overview of the health benefits of fruit and vegetable consumption for the dietetics professional: selected literature. J. AM Diet Assoc. 2000; v. 1000, n. 12, p. 1511-1521.

Van Gils CH; Peeters PH; Bueno-de-Mesquita H. B; Boshuinzen H.C; Lahmann P. H; Chavel-Chapelon F. et al. Consumption of vegetables and fruits and risk of breast cancer. JAMA 2005; v. 293, n. 2, p. 183-193.

Verhoeven D. T. H.; Godbohm R. A.; Van Poppel G.; Verhagen H.; Van Den Brandt P. A. Epidemiological studies on brassica vegetables and cancer risk. Cancer Epid. Biomark, Prev. 1997; n. 5, p. 733-748.

Wargovich M. J. Anticancer Properties of fruits and vegetables. HortScience. 2000; v. 35, n. 4: p. 573-575.

WCRF/AICR (World Cancer Research Fund & American Institute for cancer Research). Food, nutrition and the prevention of cancer; a global perspective. Washington: World Cancer Research Fund & American Institute for Cancer Research, 1997.

Werbach M. A cura através da nutrição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.

Willet W. C. Nutrition and cancer. Salud Pública de México. Cuernavaca. 1998; v. 39, n. 4, p. 1-30.

World Health Organization. Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases. Geneva; 2003.

Ziegler R. G.; Mayne S. T.; Swanson C. A. Nutrition and lung cancer. Cancer Causes Control, 1996; v. 7, n. 1, p. 157-77.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui