De origem grega, a palavra filosofia significa amor à sabedoria. Desde a Antiguidade, a surpresa e o espanto perante o mundo levam o homem a formular questões sobre a origem e a razão do Universo e a buscar o sentido da própria existência. Todos os aspectos da cultura humana podem ser objeto de reflexão. A questão central de cada corrente filosófica está inserida na estrutura econômica, social e política de determinado momento histórico.

Segundo a tradição, foi Pitágoras, matemático, religioso e filósofo grego, do séc. VI a.C., o criador da palavra. Pitágoras terá, no entanto, dotado a palavra de um sentimento profundamente religioso e ético. Considerava ele que nenhum homem se poderia considerar sábio (sophos) ou possuidor do saber, mas tão só amigo do saber.

Foi neste sentido que o termo Philosophia foi empregue pelos pitagóricos. A partir daquela época, todos os filósofos têm tido a preocupação de definir adequadamente a amplitude do termo, o que tem dado origem a múltiplas definições sobre a verdadeira natureza da Filosofia e do seu verdadeiro sentido para a vida.

A CIÊNCIA

Há várias significações para a palavra “Ciência”, inclusive aquelas que permitem considerar qualquer conhecimento como ciência, mas a CIÊNCIA que nos interessa neste trabalho é mais especifica.

A ciência é um ramo do conhecimento sistemático e organizado por princípios rígidos e regras especificas, relacionados e sistematizados. Essa relacionação e essa sistematização é que caracterizam o conhecimento científico e o diferençam do conhecimento vulgar, ou empírico, que se limita a verificar os fatos sem lhes buscar uma explicação racional, nem as suas relações inteligíveis com outros fatos, sistematizando. O que distingue uma ciência de outra ciência não é a natureza dos objetos que estuda, mas o ponto de vista sob o qual os estuda.

As ciências buscam os antecedentes necessários dos fenômenos, a que se chamam causas; mas as causas que as ciências buscam são as causas segundas e eficientes, não as causas primeiras nem as causas finais, que são do domínio da filosofia. Ao mesmo tempo, ocupam-se de descobrir as leis dos fenômenos, ou sejam as relações necessárias entre dois fatos, de maneira que para uma certa quantidade dum seja determinada uma certa quantidade correspondente do outro. Daí a aplicação da Matemática, que é uma característica da ciência moderna, assim como o emprego do método experimental.

Quanto às qualidades do investigador científico, pode dizer-se que são principalmente a paixão pela precisa observação dos fatos, a clareza de concepção o senso crítico e o sentimento da inter-relacionação das coisas.

A lógica da descoberta científica consiste numa íntima combinação e alteração do processo indutivo e do dedutivo. O primeiro passo da investigação consiste no coligir dos dados, sobretudo nas mensurações minuciosas e exatas; o segundo é a classificação dos fatos; depois vem o momento decisivo da concepção de uma hipótese explicativa, a que se segue a experimentação verificadora, com o fim de se ver se a hipótese é por ela confirmada ou informada. O resultado final é a formulação de uma lei.

FILOSOFIA DA CIÊNCIA

A ciência é um fato já tão antigo e de tanto peso no mundo atual que ele tem dado e está cada vez mais a dar o que pensar aos homens e, como é natural, em primeira linha aos filósofos. Nada é criada no mesmo seio da filosofia, a ciência dela se foi progressivamente emancipando. Tanto que hoje a ciência, ela própria, estabelece não apenas os seus próprios métodos, mas, o que é muito mais, os seus próprios fundamentos sem necessidade de recorrer, na sua ordem, à heteronímia dos filósofos.

As relações entre filosofia e ciência estiveram sempre marcadas e continuam a estar marcadas, a caso mais do que nunca, pelo sinal da ambigüidade. É essa ambigüidade que se estabelece, com tanta freqüência, ao tornar conceitos sinônimos e unívocos (exatidão). Tal sinonímia e tal univocidade estão longe de identificarem, por que tanto cientistas como filósofos nem sempre têm o cuidado de procurarem distinguir para finalmente poderem unir.

Daí as confusões, as intempestivas reivindicações territoriais e/ou de soberania, daí as mutuas depreciações, ignorâncias ou anátemas.

A expressão filosofia da ciência, quando verdadeiramente ponderada com todo o rigor semântico e sematológico, não passa de um genitivo objetivo de grande alcance, sem dúvida, por dar ao pensar do real e do possível larguíssima matéria de meditação de exame e de reflexão, mas nada mais.

A CIÊNCIA COMO RECONSTRUÇÃO DO REAL

A ciência responde a duas grandes necessidades do ser humano: a necessidade de compreender e de agir eficazmente sobre a natureza.

À necessidade de compreender corresponde hoje mais especificamente o que geralmente se entende por ciência pura e à necessidade de agir o que se entende por técnica (no sentido de ciência aplicada, tecnologia).

A compreensão como tentativa de ordenação e estruturação dos elementos perceptivos, apresenta-se-nos como um esforço de apreensão e racionalização da realidade, que não pode limitar-se apenas aos dados espontâneos ou captados imediatamente pelos sentidos. O objetivo da ciência consiste em estabelecer uma ordenação constante nas seqüências dos fenômenos, ou nas relações entre fenômenos que nos permitam explicá-los e prever os eu funcionamento. Para isso a ciência constrói métodos e apoia-se em instrumentos adequados para reconstruir os fatos experimentalmente, dando da realidade uma visão a que, por contraponto da visão sensitiva e imediata, podemos chamar uma visão pensada e construída.

Esta organização da realidade procura substituir a imagem múltipla e diversa da experiência corrente do dia a dia por uma unidade e identidade que permitam ao homem estabelecer leis constantes que dêem ao homem um domínio da realidade que o rodeia.

Nessa reconstrução da realidade a ciência deixa de lado a observação espontânea e imediata (e ingênua) do senso comum, a observação meramente empírica, para, com artifícios técnicos e instrumentos, proceder a uma observação rigorosa e sistemática que lhe permita quantificar o real e construir dele uma visão objetiva.

O “vivido imediato” do homem comum, as impressões sensíveis do quotidiano, são na ciência substituídas pelo rigor instrumental, pela leitura de medições em escalas padronizadas que as reduzem a unidades precisas.

O objetivo final da ciência é formar um quadro ordenado e explicativo dos fenômenos que permitem ao homem o domínio do seu funcionamento, em termos de relação causa efeito de modo a poder prever a sua seqüência garantido assim um maior controlo e domínio da natureza, para o homem se poder defender, para provocar a sua repetição ao para prevenir.

Por tudo isto a ciência é reversível, sujeita à controvérsia e à modificação dos seus quadros explicativos. A objetividade do conhecimento científico relaciona-se com a eficaz articulação dos meios técnicos com os conceitos naturais.

CIÊNCIA X FILOSOFIA

Vivemos em uma época na qual os filósofos, em sua maioria, estão muito afastados dos cientistas. Historicamente, ciência e filosofia surgiram juntas e durante muito tempo se confundiram; a própria física começou como filosofia natural. À medida que o tempo passou, a ciência ganhou uma complexidade cada vez maior, e nossa compreensão do mundo e do universo – pelo menos a nível fenomenológico – se expandiu, porem, uma atividade ficou cada vez mais distinta da outra. À medida que o território da ciência se expandiu, suas fronteiras pareceram cada vez mais distantes, para muitos, da quase totalidade da atividade cientifica.

Desse modo, chegamos a uma cisão suspeitíssima na qual acreditava-se que é possível produzir ciência da alta qualidade sem nunca gerar qualquer pensamento filosófico novo e que seja possível filosofar sobre a realidade sem conhecer ou se reportar à ciência.

Por outro lado, a ciência não pode avançar – ou sequer existir – sem a filosofia. As estruturas filosóficas, conscientes ou não, constituem a ferramenta através da qual tentaremos interpretar a realidade.

Até ai, poderíamos conceber a filosofia como fundamento implícito, mas dissociado do objeto da ciência. Só que o conhecimento não consiste apenas em preencher com percepções e experiências uma forma já pronta. Ao contrario, os grandes saltos de compreensão se dão quando reformulamos nossas formas.

De fato, o tipo de conhecimento que a ciência pretende obter sobre a realidade esta muito mais nas estruturas que descobre serem adequadas para interpretá-la do que no acumulo infinito de percepções. Assim, todo grande avanço na ciência não só requer, mas consiste em uma mudança nas estruturas filosóficas através das quais pensamos a realidade.

A filosofia não pode ficar alheia aos avanços da ciência. Na medida em que a ciência avança, ela penetra em domínios que antes pertenciam à filosofia. Nossa apreensão da realidade se altera através das eras e, aos poucos, questões que antes pertenciam por excelência ao domínio do debate filosófico puro, e demarcavam ate mesmo os limites do cognoscível, passam a poder ser tratadas cientificamente.

Dessa forma, questões tal como “Que são as estrelas?” “, O que é a luz?”, “Será o universo infinito?” que em diferentes épocas já foram questões filosofias, hoje são tratadas pela ciência. Tal mudança de situação não impede incursões da filosofia pura em nenhum desses assuntos – porem é fundamental que quem se dispunha a fazê-las considere-e para tanto precisará conhecê-los – os argumentos científicos relevante.

Já outras questões como “O que é o bem?”, “Por que estamos aqui?”, “Existe Deus?”, ainda hoje, são, eminentemente, competência da filosofia.

Talvez algum dia se torne possível tratá-las no âmbito da ciência, talvez não; a filosofia é mesmo mais abrangente que a ciência. No entanto, o filosofo deve perceber que as descobertas cientificas revolucionarias não apenas apresentam conseqüências filosóficas profundas, mas mais do que isso consistem em reformulações filosóficas, e muito bem fundamentadas.

A ciência expandiu-se tanto nos últimos séculos, que muitas vezes filósofos e cientistas perdem de vista que são atividades com uma fronteira – freqüentemente nebulosa – em comum, e que quanto mais a filosofia fala sobre realidade concreta, mais próxima ela esta da ciência, assim como quanto mais a ciência se universaliza, mais próxima esta da filosofia pura.

Pretender conhecer a realidade e fazer ciência sem empregar a filosofia é como tentar construir a cobertura de um prédio antes de lançar as fundações. Porem, fazer filosofia ignorando a ciência é como estudar o problema genérico das fundações ignorando os arranha-céus que já estão construídos por aí.

Por mais forte e clara que seja essa ligação, há porem uma forma de se desfrutar de considerável popularidade: negar não só a acessibilidade, mas a própria existência de uma realidade objetiva, concreta, suposição básica sem a qual a ciência se torna não só desconectada da filosofia, mas completamente inviável.

A conseqüência direta dessas concepções subjetivas e relativistas é um universo no qual todas as opiniões têm o mesmo valor e ninguém esta efetivamente “com razão” sobre coisa alguma. E como nada faz sentido mesmo, estamos isentos de qualquer responsabilidade e só o que pode prevalecer é nossa vontade pessoal. Em tal situação, só nos resta submeter continuamente tudo e todos a nossas ilusões e fantasias, ao invés de, ao contrario, adaptar nossas concepções e representações internas ao que vemos.

Felizmente, essa visão de mundo só se revela não somente dantesca, mas também de pouca consistência. Afastada a possibilidade de todas as nossas realidades subjetivas em uma única e universal realidade objetiva, qualquer proposta filosófica fica transformada em um fim e si, em um delírio exclusivamente formal. E, de qualquer forma, não adianta espernear e dizer que não e possível fazer o que já esta efetivamente sendo feito.

A evidência mais contundente da existência de algum tipo de realidade objetiva é justamente o gigantesco e cada vez maior sucesso que a ciência vem obtendo em operar baseada nessa suposição.

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