CORRETIVOS MEDICAMENTOSOS PARA A DISFUNÇÃO ERÉTIL

(fisiologicamente, a questão é influxo e efluxo de sangue)
No popular, como funciona o Viagra

José Domingos Fontana

Normalmente quando o homem se excita ou é excitado sexualmente, o estímulo cerebral é endereçado às terminações nervosas e vasos da região genital promovendo um balanço antagônico entre as artérias que relaxam e se alargam permitindo então um afluxo maior de sangue ao pênis enquanto as veias se comprimem e reduzem o fluxo de escoamento de sangue do mesmo órgão. O resultado líquido é a ereção. Contrariamente, a impotência masculina ou disfunção erétil (DE) é a incapacidade do homem em conseguir ou manter uma ereção adequada para o ato sexual seja pelo desempenho menos satisfatório das artérias, das veias ou de ambas ou até mesmo pela refratariedade ao estímulo sexual. Por vezes a adoção de um artefato simples como o “anel tipo O-ring” propicia solução.

Há um elenco variado de fatores que podem causar ou mesmo agravar a DE e entre eles se enfatiza o tabagismo (nicotina) e o diabetes. Mas indubitavelmente a maior causa é de ordem vascular, seguida de distúrbios hormonais (e.g., prolactina elevada; hipotireoidismo), uso / abuso de drogas e desordens neurológicas. Usualmente, a DE afeta homens na faixa etária maior do que 40 anos mas excepcionalmente mais jovens também podem padecer do mal. A DE pode ser acidentalmente isolada (e.g., excesso de bebidas alcoólicas), recorrente ou crônica. As cifras norte-americanas são de assustar (“The Merck Manual of Diagnosis and Therapy – Section 17 – Genitourinary Disorders, Chapter 220: ED) : estima-se entre 10 e 20 milhões o número de yankees que padecem em maior ou menor grau de DE, sendo que entre os 40 e 70 anos, a incidência da disfunção é da ordem de 52% (permanente).

Além de uma bateria de exames laboratoriais desde a glicemia até níveis de testoterona, há um teste mecânico de valor que é o da tumescência peniana noturna cujos episódios frequentemente estão associados aos movimentos rápidos dos olhos.

Uma das terapias anti-DE é a injeção de prostaglandina (PGE1) no pênis ou no meato uretral. Embora haja risco de machucadura ou sangramento, a ereção pode se estender até por 60 minutos. Neste particular, hiperdosagens levam ao quadro conhecido como priapismo ou ereção permanente.

Outra terapia é com o alfa-bloqueador yoimbina (retirado do córtex da planta Corynanthe johimbe) que atua efetivamente nos casos de DE de natureza psicogênica [1] mas não no caso das DE derivadas, p.ex., de hipertensão arterial.

Algumas outras drogas de síntese química ou seja produzidas por laboratórios médico-farmacêuticos tem se mostrado eficientes na terapia medicamentosa da DE. A pioneira delas foi o (citrato de) sildenafil ou Viagra que promove a ereção potencializando o efeito do óxido nítrico na musculatura vascular lisa ou seja incrementando o fluxo de sangue ao pênis. Em termos bioquímicos o Viagra e seus análogos como o Cialis – tadalafil e Levitra – vardenafil são inibidores de uma enzima (fosfodiesterase tipo V), alongando então a vida média de um 2º. mensageiro o GMPc (Guanosina MonoFosfato cíclico) e complementando a ação do óxido nítrico nos corpos cavernosos do pênis tendo se em conta que o óxido é um ativador da enzima guanilato ciclase, a qual sintetiza justamente o GMPc. Segundo a bula, cerca de 15% dos usuários recebendo estes estimuladores são acometidos, paralelamente, de cefaléias. A contraindicação é para pacientes que estejam sendo tratados com nitratos (e.g., caso de angina de peito).

[1] Riley, A . Yoimbine in the treatment of erectile disfunction. Br. J. Clin. Pract. 48 (1994) pg. 133.


Obs.: Não se automedique. Consulte seu médico.

José Domingos Fontana ([email protected]) é professor emérito da UFPR junto ao Depto. de Farmácia, Pesquisador 1ª do CNPq e 11º. Prêmio Paranaense em C&T.

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