RESUMO

O Problema das dermatoses ocupacionais é amplo e muito complexo, sendo uma das maiores causas de falta ao trabalho em todo o mundo. Mesmo para o médico do trabalho mais experiente é, muitas vezes, difícil para se lidar com esses pacientes, em especial no que se refere à sua relação com a indústria onde trabalha, pois é freqüente a necessidade de orientação segura no sentido de maior proteção no ambiente profissional, bem como até mudança de ramo de atividade, do que nem sempre é fácil convencer o paciente ou a empresa. A saúde dos trabalhadores e a convivência saudável entre este e seu ambiente de trabalho, é de vital importância para o bem estar da empresa, pois trabalhador em suas plenas condições de trabalho e saudável, a sua produção é alta. Portanto, são necessários que alguns cuidados sejam tomados quanto à saúde dos trabalhadores, quando os mesmos trabalham direta ou indiretamente com produtos perigosos quimicamente, principalmente os derivados do óleo mineral, petróleo, detergentes, solventes, plásticos, resinas, borracha natural, tintas, vernizes, corantes, petróleo e seus derivados, ácidos, álcalis e seus derivados. Os quais provocam freqüentemente dermatites ou dermatoses nos indivíduos, quando os mesmos ficam em contato com estes tipos de produto sem a mínima higiene exigida. Neste trabalho serão apresentadas as várias formas de dermatoses ocupacionais que podem aparecer na pele do indivíduo devido ao seu nocivo ambiente de trabalho, no qual o mesmo entra em contato diversos produtos de riscos. Também serão apresentadas algumas medidas preventivas contra as dermatoses e os principais métodos de diagnósticos das mesmas.

PALAVRAS-CHAVE: Indústrias, Trabalhador, Dermatoses, Dermatite ocupacional, Saúde do trabalhador, Exposição a produtos químicos

ABSTRACT

The Problem of the occupational dermatoses is wide and very complex, being one of the largest lack causes to the work all over the world. Even for the doctor of the most experienced work it is, a lot of times, difficult to work with those patient ones, especially in what he/she refers to ther relationship with the industry where works, therefore it is frequent the need of safe orientation in the sense of larger protection in the professional atmosphere, as well as even change of activity branch, that not always it is easy to convince the patient or the company. The workers health and the healthy coexistence between this and his/her work atmosphere, is of vital importance for the good to be of the company, because worker in their full work conditions and healthy, is production is high. Therefore, they are necessary that some carefuls are been as for the workers’ health, when the same ones work direct or indirectly with dangerous products chemically, mainly derived them of the mineral oil, petroleum, detergents, solvents, plastics, resins, natural eraser, paints, vernizes, coloring, petroleum and yours derived, acids, alkalis and yours derived. Which frequently provoke dermatitises or dermatoses in the individuals, when the same ones are in contact with these product types without the low demanded hygiene. In this work they will be presented the several forms of occupational dermatoses that can appear in the individual’s skin due to his/her noxious work atmosphere, in which the same enters in contact several products of risks. Also some will be introduced measured preventive against the dermatoses and the main methods of diagnoses of the same ones.

KEY WORDS: Industries, Worker, Dermatoses. Dermatitis, occupational, Worker’s health, Chemical compound exposures.

CAPITULO I

INTRODUÇÃO

As atividades industriais, ao longo dos tempos, promoveram mudanças irreversíveis no ambiente onde vivemos. Em decorrência de conotações determinantes na vida do ser humano resultam em mobilizações nas mais diversas frentes socioeconômicas e culturais, onde se busca resgatar a conscientização das organizações econômicas no sentido de atender aos requisitos de desenvolvimento sustentável na utilização dos recursos naturais. Porém, os resultados alcançados não têm se demonstrado satisfatórios, uma vez que o processo de degradação do meio ambiente se externa a cada dia em suas diversas configurações sob a responsabilidade do homem, que atenda aos seus objetivos somente nos rendimentos econômicos de suas atividades em detrimento dos recursos naturais.

Os casos mais freqüentes de dermatoses ocupacionais são as chamadas dermatites de contato. Elas são desencadeadas por três formas de contato: por irritantes absolutos (no caso, a dermatite já é sentida no primeiro contato com produtos cáusticos, por exemplo), irritantes relativos (a dermatite surge após sucessivas exposições ao agente com grau maior ou menor de intensidade, de acordo com a concentração do agente desencadeante da reação) e sensibilizantes (surge após um período variável de exposição ao agente; neste caso pode demorar semanas, meses ou mesmo anos para aparecer).

Dentro das dermatoses ocupacionais, além das dermatites eczematosas de contato, podemos encontrar lesões diferentes dependendo do tipo de agente causador da dermatite. Podem ocorrer erupções acneiformes causadas por óleos e roupas sujas por derivados de (petróleo), discromias (alterações na cor da pele, geralmente encontradas em trabalhadores da indústria de borracha), queratoses (provocadas por traumas repetidos em determinadas áreas do corpo), ulcerações (provocadas normalmente pelo uso do cromo) e dermatoses agravadas pela luz solar. As dermatites de contato podem ser desencadeadas por vários tipos de substâncias: metais (principalmente níquel, cromo e cobalto), detergentes, solventes, plásticos, resinas, borracha natural, tintas, vernizes, corantes, petróleo e seus derivados, ácidos, álcalis e seus derivados.

Quanto à estimativa das dermatoses ocupacionais, tem-se que elas ocupam lugar de relevância entre as doenças relacionadas ao trabalho. Observa-se, na bibliografia, índices variando entre 20% a 70%, Em torno de 1/3 das alergias desse tipo se tornam crônicas, pela exposição continuada e pelo diagnóstico tardio. Malten et al. (1963) atribuíram essas variações à extensão e ao tipo de industrialização onde o estudo é realizado, assim como à experiência e interesse de dermatologistas na dermatite de contato. Nos países desenvolvidos, essa incidência tem caído (ATSDR, 1993; Birmingham, 1998). A razão precisa deste declínio, explica Mathias (1994), não é conhecida. Ainda segundo Mathias (1994), a aplicação de processos de automação e o emprego de novas tecnologias dentro da indústria tenham sido fatores que contribuíram para a redução do número total de indivíduos expostos diretamente a produtos potencialmente irritantes e alérgenos.

Segundo Birmingham (1998) a ampliação da automação e do enclausuramento de processos industriais e a melhor preparação de gerentes, supervisores e trabalhadores na prevenção de doenças ocupacionais em geral têm sido apontados como causas deste declínio. Contudo, ainda segundo Birmingham (1998), na maioria dos países não existe ainda uma avaliação precisa do número de casos, de fatores causais, de tempo de perda de serviço ou do custo real de doença cutânea ocupacional.

1. PROBLEMÁTICA

As Dermatoses Ocupacionais, embora benignas em sua maioria, constituem problema de avaliação difícil e complexa. Referem-se a toda alteração da pele, mucosa e anexos, direta ou indiretamente causada, condicionada, mantida ou agravada pela atividade de trabalho.

Geralmente as dermatoses são ocasionadas por agentes biológicos, físicos e, principalmente, por agentes químicos. Aproximadamente 80% das Dermatoses Ocupacionais são provocadas por substâncias químicas presentes nos locais de trabalho, ocasionando quadros do tipo irritativo (a maioria) ou do tipo sensibilizante. O diagnóstico é realizado a partir da anamnese clínico-ocupacional e do exame físico. O teste de contato deve ser realizado quando se suspeita de quadro do tipo sensibilizante, visando identificar o(s) agente(s) alergênico(s).

Em se referindo aos riscos tecnológicos ambientais, Porto & Freitas (1997) salienta a problemática da expansão, em nível mundial, da capacidade de produção, armazenamento, circulação e consumo de substâncias químicas. Explicam que a lógica de desenvolvimento industrial e inovações tecnológicas ao ramo químico vêm possibilitando um crescimento dos riscos numa velocidade bem maior do que a capacidade científica e institucional de analisá-los e gerenciá-los. Observa-se ainda que nos países de economia semiperiférica como o Brasil, somam-se aos riscos decorrentes da própria industrialização as fragilidades sociais, institucionais e técnicas, que acentuam a vulnerabilidade dessas sociedades frente aos riscos tecnológicos.

1.1 OBJETIVOS

1.1.2 Objetivos Gerais

Caracterizar as dermatoses ocupacionais, suas principais definições e as suas correlações com o ambiente de trabalho.

1.1.3 Objetivos Fundamentais

Levantar os riscos ocupacionais nos diversos ambientes de trabalho;
Determinar um método para avaliação dos indicadores de riscos no ambiente de trabalho e as oportunidades num processo de melhoria contínua;
Identificar os riscos ocupacionais associados às atividades e produtos nas empresas;
Analisar a segurança e saúde do trabalho em relação às dermatoses.
1.2. JUSTIFICATIVA

A segurança, como princípio da própria sobrevivência, é inerente à vida do homem deste o momento de seu nascimento, e está presente em todas as suas atividades, das mais simples às mais complexas. Os perigos, no seu dia a dia, são iminentes. Isso exige do homem, a necessidade premente de reconhecer os perigos que o cerca, e atuar sobre os mesmos, no sentido de criar condições para o seu controle. Sem dúvida alguma, que estes aspectos quando colocados frente a uma situação de trabalho, são ampliados, podendo gerar conseqüências desagradáveis ao homem, à organização e, até à nação.

Cada risco específico possui metodologias particulares de avaliação, tanto quantitativa como qualitativamente, sendo muitas delas extremamente complexas, o que pode implicar na assessoria ou incorporação estratégica de especialistas em sua análise. Esta inclusão é um dos elementos fundamentais para o sucesso das ações preventivas.

As dermatoses ocupacionais são lesões causadas por agentes físicos, químicos e biológicos decorrentes da exposição ocupacional, causando danos à pele do trabalhador sem a devida proteção. Essas condições são inerentes à organização do trabalho que busca atingir os objetivos de alta produtividade e qualidade do produto, com o dimensionamento de trabalhadores e recursos materiais estipulado pelas empresas, sem que o critério de qualidade de vida no trabalho seja de fato levado em conta. A organização do trabalho, sem considerar o fator humano e seus limites, se estrutura nos diferentes níveis hierárquicos, tendo como características a inflexibilidade e alta intensidade do ritmo de trabalho, pressão para produtividade, impossibilidade de controle por parte dos trabalhadores. As alterações na pele, mucosas e anexos do trabalhador são freqüentes em muitas dessas atividades e representam parcela importante das doenças profissionais. Elas não chegam às estatísticas e sequer ao conhecimento dos especialistas. Muitas são autotratadas, outras são atendidas no próprio ambulatório da empresa.

O presente trabalho tem como meta aprimorar os conhecimentos, que visem mobilizar recursos para interagir, com os fatores geradores de doenças nos trabalhadores; para minimizá-los e na medida do possível neutralizá-los totalmente.

1.3. METODOLOGIA

Os objetivos deste trabalho é uma revisão da literatura principalmente sob a ótica da Teoria Institucional, como está ocorrendo, sobre as dermatoses ocupacionais em ambiente de trabalho e da segurança do trabalho, nas empresas e organizações do Brasil. A pesquisa visa descrever uma determinada realidade, logo pode ser considerada como descritiva, do tipo teórico e empírico.

Considera-se o paradigma interpretativo o mais adequado ao objeto em estudo. O padrão interpretativo, assim como o funcionalista, preocupa-se com a regulação social, porém de um ponto de vista subjetivista (LAKATOS & MARCONI, 2001). Assim, para melhor considerar a subjetividade, opta-se por uma pesquisa qualitativa. Como método de abordagem, a pesquisa foi conduzida de forma indutiva, realizada em três etapas: a observação dos fenômenos, a descoberta da relação entre eles e a generalização da relação (LAKATOS & MARCONI, 2001). Utilizou-se também como método de procedimentos, o estudo de caso, definido como uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo, dentro de seu contexto da vida real (YIN, 2001).

A natureza da pesquisa pode ser definida como básica, pois objetiva produzir novos conhecimentos. Define-se entendesse por pesquisa básica “o tipo de estudo que tem por objetivo gerar conhecimentos novos, úteis para o avanço da ciência sem aplicação prática prevista”. Do ponto de vista da abordagem do problema, a pesquisa classifica-se como qualitativa. Silva e Menezes (2001) citam que a pesquisa qualitativa “considera que tudo pode ser quantificável, o que significa traduzir em números opiniões e informações para classificá-los e analisá-los”.

Com relação aos objetivos a pesquisa pode ser classificada como exploratória. Gil (2002) define a pesquisa exploratória como sendo a pesquisa que “têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo mais explicito ou a construir hipóteses”. Para Selltiz et al (apud GIL, 2002) na maioria dos casos, a pesquisa exploratória envolve:

Levantamento bibliográfico;
Entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; e
Análise “de exemplos que estimulem a compreensão”.
Serão utilizados neste trabalho dois tipos de pesquisas, a saber: a pesquisa bibliográfica, constituída principalmente de artigos científicos e livros, visto que permite a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla; e a pesquisa documental. Embora esta última se assemelhe à pesquisa bibliográfica, permite que se tenha acesso a documentos tipo: reportagens de jornal, relatórios de pesquisa, documentos oficiais.

A pesquisa bibliográfica deste trabalho foi elaborada de acordo com o esquema de leitura cujos princípios são análise textual, temática, interpretativa, e problematização e síntese pessoal Severino (1996).

CAPITULO II

2. Dermatoses

A incidência das doenças alérgicas tem aumentado, especialmente nos países industrializados do mundo. As razões para o aumento da incidência das doenças alérgicas são ainda desconhecidas, mas fatores hereditários e ambientais são reconhecidamente importantes, e o nível de exposição aos alérgenos é um dos fatores de risco para o desenvolvimento da sensibilização, entre outros (LILJA & WICKMAN, 1998; Von MUTIUS, 2000).

No ambiente interno de trabalho, o aumento da morbidade das doenças alérgicas pode estar relacionado ao aumento da exposição alergênica (CARRER et aI. 2001). O desenvolvimento e a introdução de novos processos ou produtos nos locais de trabalho têm exercido influência na relação entre riscos e desenvolvimento de saúde ou doença. Além disso, esta relação executada sob determinadas condições tem levado ao aumento da exposição ocupacional, resultando em acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais. No ambiente hospitalar, as doenças ocupacionais como a asma, rinite e dermatoses são consideradas decorrentes da exposição a estas fontes de alérgenos (BERNSTEIN, 1997).

O termo “dermatose” é definido como qualquer doença da pele, significando esta expressão um estado anormal da pele em decorrência do contato de agentes internos ou externos que possam vir a agredi-la com manifestações inflamatórias cutâneas, sensibilizando o ser portador, não só no aspecto estético (físico), mas principalmente no emocional (sentimentos) e no psicológico (mental).

O desenvolvimento e a introdução de novos processos ou produtos nos locais de trabalho têm exercido influência na relação entre riscos e desenvolvimento de saúde ou doença. Além disso, esta relação executada sob determinadas condições tem levado ao aumento da exposição ocupacional, resultando em acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais. No ambiente hospitalar, as doenças ocupacionais como a asma, rinite e dermatoses são consideradas decorrentes da exposição a estas fontes de alérgenos (BERNSTEIN, 1997).

2.1. A Pele

Segundo a literatura, a pele pesa cerca de 10% do peso do corpo de um indivíduo, possuindo um pH ideal entre 5,5 e 7,0, e tendo uma espessura de cerca de 4mm nas palmas das mãos e solas dos pés.

2.1.1. Funções da pele

As principais funções da pele são:

Realizar a proteção do corpo contra a entrada de agentes químicos, físicos e biológicos;
Efetuar o controle da temperatura do corpo humano (a transpiração, os vasos sanguíneos e a camada de gordura são os responsáveis pelo controle da temperatura). Ressaltando-se que são através dos vasos sanguíneos que os contaminantes são absorvidos;
A pele é ainda um órgão sensitivo, sendo que as células nervosas receptoras são responsáveis por repassar as sensações de calor, dor, frio, tato ao cérebro;
Servir como um órgão excretor, o que é possibilitado pela transpiração (evaporação de substâncias indesejáveis ao organismo);
Trabalhar como um órgão metabólico, o qual deve produzir vitamina D na presença da luz solar;
Responsável pela cor do corpo, que é dada em função da quantidade de pigmento existente. Observa-se, porém que algumas doenças como Sarampo, Sífilis podem mudar a cor da pele;
2.2. Definições de dermatose ocupacional

As dermatoses ocupacionais correspondem como a moléstia mais comum para a saúde dos trabalhadores, sendo que as dermatoses são caracterizadas por alterações da pele, mucosos e anexos diretamente relacionados por agentes inerentes à atividade profissional do trabalhador (PEREZ, 1998).

Para Ali (1998), o termo dermatose é amplo demais, pois envolve tudo o que possa ocorrer na pele da pessoa. A dermatite é considerada uma dermatose ocupacional proveniente do ambiente de trabalho da pessoa, seja de forma direta ou indireta, sendo que esta doença não atinge somente a pele, mas também pode atingir cabelos, mucosas e unhas.

Segundo Ali (1998), a dermatite de contato, que é uma das formas de dermatite, ocorre na área de contato da pele do trabalhador com a substância nociva. A substância química que entrou em contato com a pele do operador pode ser irritativa ou alérgica, o que causará dermatites irritativas e alérgicas respectivamente na pele agredida.

No Brasil, as dermatoses ocupacionais ocorrem em maior número na construção civil e em segundo lugar nas indústrias metalúrgicas, sendo que estas têm maiores incidências em empresas de pequeno porte, onde não são utilizados corretamente os EPI’s adequados para cada ambiente de trabalho, ou ainda os mesmos são utilizados sem conhecimento de forma errônea (ALI, 1998).

Ali (1998) afirma que na indústria metalúrgica, a maioria dos casos são dermatites irritativas causadas principalmente pelos óleos de cortes (óleos minerais). Dentro destas indústrias, ocorre um quadro clínico bem comum denominado de Elaioconiose, que acontece no osteofolicular, que nada mais é que o orifício por onde sai o pelo, sendo que o óleo ou a graxa acaba por penetrar nesta região, obstruindo, irritando e infectando a pele levando a formação de pequenas lesões que se aparentam com uma acne, por isso, também são conhecidas como erupções acneiformes. Ressalta-se que estas erupções acneiformes podem ocorrer em várias partes do corpo, como na mão, no braço, na perna, barriga, coxa, etc.

Normalmente, as alergias mais comuns, que se manifestam na pele, representam à dermatite de contato e a dermatite atópica. Os possíveis agentes causadores são os medicamentos, alimentos e aditivos alimentares, infecções e infestações parasitárias, picadas de insetos, estresse emocional e físico, entre outros (FONSECA, 1985).

Dermatose ocupacional é toda alteração das mucosas, pele e seus anexos que seja:

Direta constituída pelos agentes biológicos, físicos, químicos ou mecânicos presentes no trabalho que atuariam diretamente sobre o tegumento produzindo ou agravando uma dermatose pré-existente. ou
Indiretamente causada, condicionada, mantida ou agravada por agentes presentes na atividade ocupacional ou no ambiente de trabalho (Ali 1997). Ou as causas indiretas podem ter como fatores Predisponentes a idade, sexo, raça, antecedentes mórbidos e doenças concomitantes, fatores ambientais como o clima (temperatura, umidade), hábitos, facilidades de higiene, físicos, químicos, existentes no meio ambiente e que atuariam diretamente sobre o tegumento, quer causando, quer agravando dermatose preexistente (Birmingham 1998).
As principais dermatoses ocupacionais podem ser assim classificadas:

a) Dermatites de contato irritativas;

b) Dermatites de contato alérgicas;

c) Dermatites de contato com fotosensibilidade;

d) Ulcerações;

e) Erupções acneiformes;

f) Discromias;

g) Distrofias ungueais,

h) Câncer cutâneo;

i) Outras dermatoses.

As Dermatoses Ocupacionais compreendem as alterações da pele, mucosos e anexos direta ou indiretamente causados, mantidos ou agravados pelo trabalho. São determinadas pela interação de dois grupos de fatores:

Aproximadamente 80% das dermatoses ocupacionais são originadas por agentes químicos, substâncias orgânicas e inorgânicas, irritantes e sensibilizantes. A maioria é de tipo irritativo e um menor número é de tipo sensibilizante (ALI, 1998). As dermatites de contato são as dermatoses ocupacionais mais freqüentes. Estima-se que juntas, as dermatites alérgicas de contato e as dermatites de contato por irritantes, representam cerca de 90% dos casos das dermatoses ocupacionais. Apesar de, na maioria dos casos, não produzirem quadros considerados graves são, com freqüência, responsáveis por desconforto, prurido, ferimentos, traumas, alterações estéticas e funcionais que interferem na vida social e no trabalho.

A dermatite de contato está relacionada ao exercício da profissão pelo trato direto com substâncias irritantes fortes e afetam de 3% a 4% da população adulta, sendo que a incidência vária de pais para pais, de acordo com o grau de industrialização (BRASIL, 1992). A dermatite atópica ocorre principalmente na infância, sendo que 60% a 80% dos casos iniciam-se no primeiro ano de vida e 95% até os cinco anos de idade. Vários fatores podem atuar no desenvolvimento da dermatite atópica, como pêlos de animais, poeira, ácaros, fungos e alguns tipos de alimentos, especialmente os corantes; também são fatores de ocorrência as substâncias químicas e estresse físico e emocional.

A ocorrência das dermatoses se reflete na influência cutânea do organismo doente, por modificar completamente o estado relativo da pele, em virtude da intensidade em dose e tempo da ação dos produtos do trabalho em contato com o tegumento. As emoções, ansiedades e os estados depressivos, originados dos problemas vivenciados por essa clientela, têm significados positivos no desenvolvimento e retorno das crises da doença (FONSECA, 1985).

Validamente, os problemas apresentados por essas pessoas são evidenciados pela complexidade e pluralidade das limitações educacionais, sociais e econômicas, as quais, muitas vezes, impedem que recebam um tratamento adequado pelos profissionais de saúde.

Deste modo, cumpre-se enfatizar que a participação da Terapia Ocupacional nessa área de atuação simboliza o “cuidado”, centrado numa abordagem humanizadora que perceba a pessoa doente na sua totalidade, considerando os aspectos psicológicos, emocionais, culturais, econômicos e outros. É preciso enxergar a pessoa doente como um sujeito que carrega não somente problemas físicos, um órgão doente, mas angústias sentidas, dúvidas, ansiedades, problemas familiares, sofrimentos de sua história de vida, bem como é necessário considerar suas crenças e emoções próprias.

A Terapia Ocupacional é definida como “campo de conhecimento e de intervenção em saúde, educação e na esfera social, reunindo tecnologias orientadas para a emancipação e autonomia das pessoas que, por razões ligadas a problemáticas específicas (físicas, sensoriais, psicológicas, mentais e/ou sociais), apresentem, temporária ou definitivamente, dificuldades na inserção e participação na vida social. As intervenções em Terapia Ocupacional dimensionam-se pelo uso de atividades, elemento centralizador e orientador na construção complexa e contextualizada do processo terapêutico” (SÃO PAULO, 1997).

No âmbito da Medicina do Trabalho, como foco de intervenção, construir o elo inicial de uma cadeia evolutiva para a comunidade. Sua prática se constitui vinculada ao uso de atividades, sejam elas de autocuidado, de lazer ou laborativas, adotando prática que estimule as pessoas a reconhecerem seu estado de saúde e as mudanças necessárias no cotidiano, a fim de que elas conquistem sua autonomia.

Segundo De Carlos (2001):

As atividades são recursos que proporcionam um conhecimento de uma experiência que auxiliam na transformação de rotinas e ordem estabelecidas e oferecem às pessoas instrumentos que sejam para o seu próprio uso, ampliando a comunicação, permitindo crescimento pessoal, autonomia, interação social e inclusão cultural.

Neste aspecto, as atividades são consideradas como meios pelos quais uma pessoa é capaz de experimentar e mudar o ambiente, podendo ser utilizadas pelo terapeuta com esse fim.

Conseqüentemente, devem ser realizadas durante o procedimento de intervenção que tem lugar no setting terapêutico, constituído em uma realidade virtual, porque ele se configura em qualquer espaço que favoreça condições para a realização das atividades e o processo dinâmico relacional entre a pessoa do paciente e a do terapeuta (MUNGUBA, 2002).

2.3. Meios de Diagnostico das Dermatoses Ocupacionais

Para o diagnóstico e o estabelecimento das condutas adequadas às dermatoses ocupacionais, confirmadas ou suspeitas, é importante considerar os seguintes aspectos:

Quadro clínico;
História de exposição ocupacional observando-se concordância entre o início do quadro e o início da exposição, bem como a localização das lesões em áreas de contato com os agentes suspeitos;
Melhora com o afastamento e piora com o retorno ao trabalho; e
Teste epicutâneo positivo, nos casos de dermatites de contato por sensibilização.
Os testes epicutâneos constituem uma ferramenta auxiliar para a investigação de processos alérgicos, porém, seus limites e regras para execução devem ser estritamente observados. Não devem ser utilizados como critério exclusivo para o diagnóstico e podem apresentar algumas complicações como iatrogenia e, ou agravamento do quadro. Consistem na re-exposição, de forma controlada, da pele do paciente ao contato com substâncias químicas, em concentrações não irritantes. Estas são colocadas, de modo ordenado e identificadas, sobre uma tira de Micropore e fixadas na pele do dorso do paciente. Depois de 48 horas retira-se a fita e decorridos 30 a 60min faz-se a primeira leitura. Novas leituras deverão ser feitas em 24 a 48 horas após a primeira. Os resultados devem ser classificados segundo os critérios estabelecidos pelo International Contact Dermatitis Group.

Outros recursos, como exames laboratoriais e histopatológicos podem contribuir para o diagnóstico das dermatoses ocupacionais. Porém, nenhum desses recursos substitui uma história bem colhida, o exame físico cuidadoso e o conhecimento por parte do profissional que atende o trabalhador, dos principais produtos e alergênicos, potencialmente presentes no trabalho, capazes de provocar dermatoses.

2.4. Tratamento das Dermatoses

O tratamento das dermatoses ocupacionais varia de acordo com a gravidade das lesões, e com as causas que as determinam e deve ser orientado pelo especialista. Muitas vezes, medicamentos tópicos, como pomadas e cremes contendo corticóides, picrato de butesin, antimicóticos, prometazina, entre outros, se mal utilizados, podem determinar iatrogenia, causando sensibilização ou agravando o quadro pré-existente. O mesmo se aplica à medicação sistêmica, como por exemplo, anti-histamínicos, antibióticos e corticóides por via oral e parenteral.

A prevenção das Doenças da Pele e do Tecido Subcutâneo Relacionadas com o Trabalho baseia-se na Vigilância da Saúde dos trabalhadores, vigilância epidemiológica de agravos e vigilância sanitária de ambientes e condições de trabalho. Apoia-se em conhecimentos médico-clínicos, epidemiológicos, de higiene ocupacional, toxicologia, ergonomia, psicologia, entre outras disciplinas, valoriza a percepção dos trabalhadores sobre o trabalho e a saúde e considera as normas técnicas e regulamentos vigentes. Estes procedimentos podem ser resumidos em:

Reconhecimento das atividades e locais de trabalho onde existam substâncias químicas, agentes físicos e biológicos e ou fatores de risco decorrentes da organização do trabalho, potencialmente causadores de doença;
Identificação dos problemas ou danos potenciais para a saúde, decorrentes da exposição aos fatores de risco identificados;
Proposição das medidas a serem adotadas para a eliminação ou redução da exposição aos fatores de risco e de promoção e proteção da saúde dos trabalhadores;
Orientação e informação dos trabalhadores e empregadores.
A partir da confirmação do diagnóstico da doença e de sua relação com o trabalho, seguindo os procedimentos previstos, os serviços de saúde responsáveis pela atenção a trabalhadores devem implementar as seguintes ações:

Avaliação da necessidade de afastamento (temporário ou permanente) do trabalhador da exposição, do setor de trabalho ou do trabalho como um todo. Este procedimento poderá ser necessário mesmo antes da confirmação do diagnóstico, diante de uma forte suspeita;
Caso o trabalhador seja segurado pelo SAT/Previdência Social, solicitar à empresa a emissão da CAT preencher o LEM e encaminhar ao INSS. Em caso de recusa de emissão de CAT pela empresa, o médico assistente deve fazê-lo;
Acompanhamento e registro da evolução do caso, particularmente se houver agravamento da situação clínica com o retorno ao trabalho;
Notificação do agravo no sistema de informação de morbidade do SUS e à Delegacia Regional do Trabalho. Dependendo das circunstâncias, o sindicato da categoria a qual pertence o trabalhador também deverá ser informado;
Ações de vigilância epidemiológica visando à identificação de outros casos, através de busca ativa na mesma empresa ou ambiente de trabalho, ou em outras empresas do mesmo ramo de atividade na área geográfica;
Se necessário, completar a identificação do agente agressor (físico, químico, ou biológico) e das condições de trabalho determinantes do agravo e de outros fatores de risco contribuintes;
Inspeção da empresa ou ambiente de trabalho, de origem do paciente e de outras empresas do mesmo ramo de atividade na área geográfica, procurando identificar os fatores de risco para a saúde e as medidas de proteção coletiva e equipamentos de proteção individual utilizados. Pode ser importante a verificação da existência e adequação do PPRA (NR-9) e PCMSO (NR-7) da Portaria 3.214/78 do Ministério do Trabalho; e
Recomendação sobre as medidas de proteção a serem adotadas pelo empregador, informando-as aos trabalhadores.
A proteção da saúde e prevenção da exposição aos fatores de risco envolve medidas de engenharia e higiene industrial, mudanças na organização e gestão do trabalho e de controle médico dos trabalhadores expostos, entre elas:

Substituição do agente, substância, ferramenta ou tecnologia de trabalho por outro mais seguro, menos tóxico ou lesivo;
Isolamento da máquina, agente, ou substância potencialmente lesiva, através de enclausuramento do processo, suprimindo ou reduzindo a exposição;
Medidas de higiene e segurança ocupacional, como a implantação e manutenção de sistemas de ventilação local exaustora adequados e eficientes, capelas de exaustão, controle de vazamentos e incidentes através de manutenção preventiva e corretiva de máquinas e equipamentos, monitoramento sistemático dos agentes agressores;
Adoção de sistemas de trabalho e operacionais seguros, através da classificação e rotulagem das substâncias químicas segundo propriedades toxicológicas e toxicidade;
Diminuição do tempo de exposição e do número de trabalhadores expostos;
Informação e comunicação dos riscos aos trabalhadores;
Utilização de equipamentos de proteção individual, especialmente óculos e máscaras adequadas a cada tipo de exposição, de modo complementar às medidas de proteção coletiva; e
Medidas de controle médico e monitoramento biológico dos trabalhadores expostos.
As ações de observação e controle médico têm como finalidade identificar a doença em seu estado latente, ou inicial, quando algum tipo de intervenção pode reverter ou diminuir a velocidade de instalação e progressão dos processos patológicos. Devem ser realizados exames admissional e periódico dos trabalhadores expostos, com utilização de questionários padronizados e exames físicos e complementares direcionados para a avaliação da pele e tecido subcutâneo.

E fundamental a garantida aos trabalhadores condições para limpeza e higiene pessoal nos locais de trabalho, entre elas:

Existência e acesso fácil à água corrente, quente e fria, em abundância, com chuveiros, torneiras, toalhas, e agentes de limpeza apropriados. Chuveiros de emergência devem estar disponíveis em ambientes onde são utilizadas substâncias químicas corrosivas. Podem ser necessários banhos por mais de uma vez por turno e troca do vestuário em caso de respingos e contato direto com essas substâncias;
Utilização de sabões ou sabonetes neutros ou mais leves possíveis;
Disponibilidade de limpadores/toalhas de mão para limpeza sem água para óleos, graxas e sujeiras aderentes. Nunca devem ser usados solventes, como querosene, gasolina, thinner, para limpeza da pele; eles dissolvem a barreira cutânea (camada protetora de gordura da pele), induzem a dermatite irritativa e predispõem a dermatite de contato;
Creme hidratante para ser usado nas mãos, especialmente se é necessário lavá-las com freqüência;
Roupas protetoras com a finalidade de bloquear o contato da substância com a pele. Os uniformes e aventais devem estar limpos e serem lavados e trocados diariamente. A roupa deve ser escolhida de acordo com o local da pele que necessita de proteção e com o tipo de substância química envolvida e incluem: luvas de diferentes comprimentos, sapatos e botas, aventais e macacões, de materiais diversos: plástico, borracha natural ou sintética, fibra de vidro, metal e combinação de materiais. Capacetes, bonés, gorros, óculos de segurança e proteção respiratória também podem ser necessários; e
O vestuário contaminado deve ser lavado na própria empresa, com os cuidados apropriados. Em caso de contratação de empresa especializada para esta lavagem, devem ser tomadas medidas de proteção adequadas ao tipo de substância também para esses trabalhadores.
Sobre o uso de luvas, é importante lembrar que as de borracha natural são impermeáveis à maioria dos compostos aquosos, porém, deterioram-se após exposição a ácidos e bases fortes. Os sais de níquel penetram na borracha, porém não em luvas de PVC (policloreto de vinila). As borrachas sintéticas são mais resistentes a álcalis e solventes; algumas são alteradas por solventes hidrocarbonetos clorados. É recomendável utilizar luvas de algodão por dentro das luvas sintéticas, para maior proteção à pele das mãos.

Ainda sobre a indicação e utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e os cremes protetores ou de barreira, deve-se consultar as Normas Regulamentadoras e as Portarias MTb N° . 06/83 e N° 26/94.

Os cremes protetores ou cremes de barreira, em geral, oferecem menos proteção do que as roupas, incluindo uniformes, luvas, botas, mas podem ser úteis nos casos em que, por motivos de segurança ou acuidade das tarefas, não é possível o uso de luvas. Esses cremes devem ser aplicados na pele limpa, removidos sempre que a pele ficar excessivamente suja, ou no final do turno, e então reaplicada. O uso apropriado desses cremes não só protege a pele como obriga o trabalhador a lavar-se, pelo menos, duas vezes durante o turno de trabalho. É necessário lembrar que alguns constituintes desses cremes, como lanolina, propileno glicol e protetores solares. Podem induzir dermatites de contato. No mercado estão disponíveis quatro tipos de cremes protetores:

Vanishing creams: contêm detergentes, que permanecem na pele e facilitam a remoção da sujeira quando lavados;
Repelentes de água: deixam uma camada de substância que repele água, tal como lanolina, petrolatum ou silicone, que impede o contato direto da pele com substâncias hidrossolúveis irritantes, tais como ácidos e álcalis;
Repelentes de solventes: repelem o contato direto de solventes com a superfície da pele, através de uma fina camada de creme oleoso ou seco; e
Cremes especiais: incluem os bloqueadores solares ou absorventes de radiações UVA e UVB, ou ambos os espectros de raios ultravioletas, e os cremes repelentes de insetos.

CAPITULO III

3. DERMATITES RELACIONADAS COM O TRABALHO

As Dermatites de contato, também denominadas por “eczema”, são inflamações agudas ou crônicas da pele, caracterizadas clinicamente por eritema, edema, vesiculação, na fase aguda, acompanhadas, freqüentemente por prurido intenso, e nas formas crônicas, por espessamento da epiderme (liquenificação), com descamação e fissuras, produzidas por substâncias químicas que, em contato com a pele, causam irritação ou reações alérgicas. Quando causam alergia são denominadas Dermatites alérgicas de contato.

3.1 Epidemiologia

As dermatites de contato são as dermatoses ocupacionais mais freqüentes. Estimam-se que juntas, as dermatites alérgicas de contato e as dermatites de contato por irritantes, respondam por cerca de 90% dos casos de dermatoses ocupacionais. A grande maioria dos agentes de origem ocupacional tem pouco poder de sensibilização, com exceção de algumas madeiras que podem provocar sensibilização em altas porcentagens (70% a 80%) dos trabalhadores expostos.

As dermatites alérgicas de contato relacionadas com o trabalho podem ser enquadradas nos Grupos I ou III da Classificação de Schilling. O trabalho pode ser causa necessária, em trabalhadores não alérgicos ou atópicos (Grupo I), ou desencadeador ou agravante, em trabalhadores atópicos, alérgicos, hipersensíveis ou previamente sensibilizados pelos mesmos alergenos e/ou por outros semelhantes (Grupo III).

3.2. Quadro Clínico e Diagnóstico

A dermatite alérgica de contato resulta de uma reação cutânea eczematosa, imunologicamente mediada por células-T, com resposta antígeno-específico, tardia, a um antígeno hapteno em contato com a pele. Ao se afastar do contato com o alergeno pode haver remissão total do quadro, mas a hipersensibilidade latente permanece e re-exposições voltam a desencadeá-lo.

O período de incubação, após a exposição inicial, pode variar de 5 a 21 dias. No trabalhador sensibilizado, re-exposto ao contato com um agente sensibilizante é previsível o aparecimento de uma dermatite eczematosa no período de 1 a 3 dias, e seu desaparecimento em 2 a 3 semanas, cessada a exposição. Sob exposição intensa ou exposição a agentes sensibilizantes potentes, as lesões podem aparecer mais rapidamente (dentro de 6 a 12 horas), e melhoram mais lentamente.

A aparência genérica das dermatites de contato alérgicas não é muito diferente das dermatites irritativas e, clinicamente, é difícil distingui-las. Tipicamente, o quadro se inicia com o aparecimento de eritema, seguido de pápulas e vesículas úmidas. Nas superfícies palmares e plantares e nas bordas dos dedos da mão e do pé, o primeiro sinal pode ser a presença de numerosas vesículas agrupadas, acompanhadas de intenso prurido. Novas áreas de dermatite aparecem na vizinhança das lesões originais, com coalescência posterior e extenso comprometimento. Podem aparecer lesões em locais distantes, não relacionados à exposição ocupacional, porém expostas, inadvertidamente, ao alergeno através das mãos.

Após exposições maciças a antígenos com alto poder de sensibilização, trabalhadores podem mostrar reações imediatas, tais como urticária e eritema multiforme. Posteriormente, toda a pele pode estar comprometida por um quadro dermatológico de lesões úmidas, crostosas e exfoliativas. Os quadros crônicos são caracterizados por pele espessada, com fissuras, e podem agudizar nas re-exposições ao antígeno ou contato com substâncias irritantes.

O diagnóstico e a caracterização como doença relacionada ao trabalho são feitos baseados na história clínica-ocupacional e no exame clínico. A identificação das substâncias alergenas (para fins de diagnóstico e para prevenção de novos contatos e da re-exposição) pode ser auxiliada pelos testes epicutâneos ou patch tests.

O diagnóstico diferencial deve ser feito com quadros de dermatites de contato irritativa, psoríase, herpes simples e herpes zoster, reações idiopáticas vesiculares pela presença do Trichophyton nos pés (micides), eczema numular, reações cutâneas a drogas, entre outras doenças.

3.3. Tratamento e Outras Condutas

As formas de tratamentos das dermatites de contato se caracterizam em cuidados higiênicos locais para prevenir a infecção secundária e uso de anti-histamínicos sistêmicos e cremes de corticóides. Em casos mais extensos deve-se empregar a corticoidoterapia sistêmica. O afastamento da exposição é essencial.

Nas formas agudas, sem infecção secundária pode-se utilizar compressas com solução de Burrow 1:20 ou 1:40; curativos fechados com cremes corticóides associando-se corticóide via oral. Quando associada à infecção secundária, tratar com compressas ou banhos de Permanganato de potássio (KMnO4) 1:20 mil ou 1:40 mil; curativos fechados com cremes corticosteróides e instituir antibioticoterapia.

Nas formas crônicas, utilizar cremes ou pomadas de corticóide na área afetada, cuidando para que não haja absorção demasiada do medicamento em decorrência da aplicação em grandes extensões de tegumento. Em áreas liquenificadas, fazer curativo com pomadas ou cremes de corticóide, ocluídos por plástico, durante a noite. Se houver prurido, associar anti-histamínico por via oral. Orientar o paciente para evitar coçaduras. Se houver infecção secundária, associar antibioticoterapia.

Apesar do manejo difícil, os eczemas cronificados de origem ocupacional respondem bem à terapêutica apropriada. Se tal não ocorrer, deve-se verificar a ocorrência de uma das seguintes possibilidades:

Trabalhador continua em contato com substâncias irritantes e sensibilizantes;
Áreas de tegumento se mantêm eczematizadas em decorrência de escoriações produzidas pelo ato de coçar; e
Poderá estar ocorrendo autolesionamento (dermatite artefacta) ou a contribuição importante de fatores emocionais na manutenção da dermatose.
3.4. Prevenção

A prevenção baseia-se na Vigilância da Saúde dos trabalhadores. Entre as facilidades para higiene pessoal a serem providas aos trabalhadores estão:

Existência e acesso fácil à água corrente, quente e fria, em abundância, com chuveiros, torneiras, toalhas, e agentes de limpeza apropriados. Chuveiros de emergência devem estar disponíveis em ambientes onde são utilizadas substâncias químicas corrosivas. Podem ser necessários banhos por mais de uma vez por turno e troca do vestuário em caso de respingos e contato direto com essas substâncias;
Utilização de sabões ou sabonetes neutros ou mais leves possíveis;
Disponibilidade de limpadores/toalhas de mão para limpeza sem água para óleos, graxas e sujeiras aderentes. Não utilizar solventes, como querosene, gasolina, thinner, para limpeza da pele;
Uso de creme hidratante nas mãos, especialmente se é necessário lavá-las com freqüência;
Uso de roupas protetoras para bloquear o contato da substância com a pele. Os uniformes e aventais devem estar limpos e serem lavados e trocados diariamente. A roupa deve ser escolhida de acordo com o local da pele que necessita de proteção e com o tipo de substância química envolvida e incluem: luvas de diferentes comprimentos, sapatos e botas, aventais e macacões, de materiais diversos: plástico, borracha natural ou sintética, fibra de vidro, metal e combinação de materiais. Capacetes, bonés, gorros, óculos de segurança e proteção respiratória também podem ser necessários; e
O vestuário contaminado deve ser lavado na própria empresa, com os cuidados apropriados. Em caso de contratação de empresa especializada para esta lavagem, devem ser tomadas as medidas de proteção adequadas ao tipo de substância também para esses trabalhadores.
As medidas de controle ambiental para a eliminação ou redução da exposição aos fatores de risco de natureza ocupacional nos limites considerados “seguros” incluem:

Enclausuramento de processos e isolamento de setores de trabalho;
Uso de sistemas hermeticamente fechados, na indústria ou, dotar as máquinas e equipamentos de anteparos para evitar que respingos de óleos de corte atinjam a pele dos trabalhadores;
Adoção de normas de higiene e segurança rigorosas com sistemas de ventilação exaustora adequados e eficientes;
Monitoramento ambiental sistemático;
Mudanças na organização do trabalho que permitam diminuir o número de trabalhadores expostos e o tempo de exposição;
Fornecimento, pelo empregador, de equipamentos de proteção individual adequados, em bom estado de conservação, nos casos indicados, de modo complementar com as medidas de proteção coletiva.
Recomenda-se a verificação do cumprimento, pelos empregadores, de medidas de controle dos fatores de riscos ocupacionais e acompanhamento da saúde dos trabalhadores prescritas na legislação trabalhista e nos regulamentos sanitários e ambientais existentes nos estados e municípios. Os Limites de Tolerância para exposição a algumas substâncias no ar ambiente, para jornadas de até 48 horas semanais, podem ser consultados na Norma Regulamentadora Nº. 15 (Portaria MTb Nº. 12/83). Para o ácido crômico (névoa) é de 0,04 mg/m3 e para o Mercúrio inorgânico e seus compostos tóxicos é de 0,04 mg/m³ de ar. Esses limites devem ser comparados com aqueles adotados por outros países e revisados periodicamente à luz do conhecimento e evidências atualizadas. Tem sido observado que mesmo quando estritamente obedecidos, não impedem o surgimento de danos para a saúde.

O exame médico periódico visa à identificação de sinais e sintomas para a detecção precoce da doença. Consta de avaliação clínica, com exame dermatológico cuidadoso e exames complementares de acordo com a exposição ocupacional e orientação do trabalhador. Para algumas das substâncias químicas envolvidas na gênese das dermatoses de base, deve ser feito o monitoramento biológico.

Determinado o diagnóstico e confirmado a relação da doença com o trabalho deve ser realizado:

Informação aos trabalhadores;
Exame dos expostos visando identificar outros casos;
Notificação do caso ao sistema de informação em saúde;
Caso o trabalhador seja segurado pelo SAT da Previdência Social, providenciar emissão da CAT;
Orientação ao empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação ou controle dos fatores de risco.
3.5. Dermatites de Contato geradas por Irritantes

Dermatites de contato, também conhecidas por “eczema”, são a inflamações agudas ou crônicas da pele, caracterizadas clinicamente por eritema, edema, vesiculação, na fase aguda, acompanhadas, freqüentemente por prurido intenso, e nas formas crônicas, por espessamento da epiderme (liquenificação), com descamação e fissuras, produzidas por substâncias químicas que, em contato com a pele, causam irritação ou reações alérgicas. Se o contato com a pele – único ou repetido – produzir efeitos tóxicos imediatos ou tardios de irritação local, elas serão rotuladas Dermatites de contato por irritantes.

Ao contrário das dermatites de contato alérgicas, não é necessária a sensibilização prévia. A fisiopatologia das dermatites de contato por irritantes não requer a intervenção de mecanismos imunológicos. Assim, pode aparecer em todos os trabalhadores expostos ao contato com substâncias irritantes, dependendo da sua concentração e do tempo de exposição.

As dermatites de contato são as dermatoses ocupacionais mais freqüentes. Estima-se que juntas, as dermatites alérgicas de contato e as dermatites de contato por irritantes, respondam por cerca de 90% dos casos de dermatoses ocupacionais. As dermatites de contato por irritantes são mais freqüentes que as dermatites alérgicas. Estudos epidemiológicos realizados em distintos países mostram taxas de incidência entre 2 a 6 casos em cada dez mil trabalhadores/ano, o que significa que as dermatites de contato irritativas são, provavelmente, as doenças profissionais mais freqüentes.

Entre os agentes causais destacam-se os ácidos e álcalis fortes que, dependendo da concentração e do tempo de exposição, também produzem queimaduras químicas e sabões e detergentes.

As dermatites de contato por irritantes, relacionadas com o trabalho, devem ser enquadradas no Grupo I da Classificação de Schilling, sendo o trabalho considerado causa necessária.
Fonte: ALI, S.A. Dermatoses ocupacionais. In: MENDES, R. (Ed.) – Patologia do Trabalho. Rio de Janeiro, Atheneu, 1995.

3.5.1. Diagnostico e Quadro Clinico

O quadro clínico varia de acordo com o irritante, podendo aparecer sob a forma de dermatites indistinguíveis das dermatites de contato alérgicas agudas, até ulcerações vermelhas profundas, nas queimaduras químicas.

A dermatite irritativa cumulativa é mais freqüente que a “aguda” ou “acidental”. Agressões repetidas, por irritantes de baixo grau ocorrem ao longo do tempo. Nestes casos, a secura da pele e o aparecimento de fissuras são freqüentemente os primeiros sinais, que evoluem para eritema, descamação, pápulas, vesículas e espessamento gradual da pele.

As dermatites de contato irritativas podem ser facilmente diagnosticadas pela história clínica-ocupacional, e com freqüência ocorrem como “acidentes”.

Os testes epicutâneos ou patch test não estão indicados para o diagnóstico de dermatites irritativas. Eventualmente, as mesmas substâncias irritativas, mas em concentrações muito mais baixas, poderão ser testadas para fins de esclarecimento etiológico da dermatite de contato alérgica.

O diagnóstico diferencial deve ser feito com os quadros de dermatites de contato alérgicas, psoríase, herpes simples e herpes zoster, reações idiopáticas vesiculares pela presença do Trichophyton nos pés (micides), eczema numular, e reações cutâneas a drogas, entre outras doenças.

3.5.2.Tratamento

O tratamento é feito com cuidados higiênicos locais para prevenir a infecção secundária e uso sintomático de anti-histamínicos. Cremes de corticóides também podem ser usados .

4. CONCLUSÕES

Através deste trabalho, pode-se concluir que:

Os diversos produtos químicos, podem trazer vários problemas para a saúde dos trabalhadores, sendo que os mais comuns são as dermatoses ocupacionais, as quais podem aparecer na barriga, braços, mãos, e em outros membros do corpo humano que estejam em contato contínuo com este óleo de corte;

Embora as dermatites apareçam freqüentemente nos trabalhadores, estas podem ser evitadas se as condições ideais de higiene forem seguidas pelas pessoas que manuseiam estes tipos de produto (fluidos de corte, óleos minerais, etc.).

É importante salientar que a dermatite de contato não tem cura definitiva sendo fundamental afastar-se do agente causador (contactante).

5. REFERÊNCIAS

ALI, S.A. Dermatoses Ocupacionais. São Paulo, Fundacentro, 1994.

________Dermatoses Ocupacionais. In: MENDES, R. (Ed.) Patologia do Trabalho. Rio de Janeiro, Atheneu, 1995.

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BIRMINGHAM, D. J. Overview: Occupational Skin Diseases. In: Encyclopedia of Occupational Health and Safety (Stellman, J. M., ed.) pp.12.1-12.6, 4 th ed. Geneva: International Labors Office. 1998.

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LILJA, G. & WICKMAN, M. Allergy, atopy, hypersensitivity – a matter of definition. Allergy, 53:1011-2, 1998.

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MUNGUBA, M.C. Videogame: estratégias de aprendizagem, visão do terapeuta ocupacional para o século XXI – aporte para terapeutas ocupacionais, educadores e pais. Fortaleza (CE): Universidade de Fortaleza; 2002.

PEREZ, J. C. F. Cremes Protetores para a Pele. Revista Meio Ambiente Industrial, ano III, edição 14, nº. 13, Editora Tocalino, julho/agosto, p. 63-65. 1998.

REVISTA MEIO AMBIENTE INDUSTRIAL. Proteção da Pele. Revista Meio Ambiente Industrial, ano III, edição 14, nº. 13, Editora Tocalino, julho/agosto, p. 90-91. 1998.

SÂO PAULO. Universidade de São Paulo (USP). Terapia Ocupacional. São Paulo: A Universidade; 1997.

VON MUTIUS E. The Environmental Predictors of Allergies Disease. J. Allergy Clin. Immunol. 2000.

Anexo I

Lista de Doenças da Pele e Tecido Cutâneo Relacionadas com o Trabalho segundo a Portaria MS/ Nº. 1.339/GM de 18 de novembro de 1999

Dermatoses Pápulo-Pustulosas e suas Complicações Infecciosas Relacionadas com o Trabalho (L08.9)
Dermatites Alérgicas de Contato Relacionadas com o Trabalho (L23.-)
Dermatites de Contato por Irritantes Relacionadas com o Trabalho (L24.-)
Urticária Relacionada com o Trabalho (L50.-)
Queimadura Solar Relacionada com o Trabalho (L55.-)
Outras Alterações Agudas da Pele devidas à Radiação Ultravioleta Relacionadas com o Trabalho (L56.-): Dermatite por Fotocontato (L56.2); Urticária Solar (L56.3); Outras Alterações Especificadas (L56.8); Outras Alterações Não Especificadas (L56.9)
Alterações da Pele devidas à Exposição Crônica à Radiação Não-Ionizante, Relacionadas com o Trabalho (L57.-): Ceratose Actínica (L57.0); Dermatite Solar, “Pele do Agricultor”, “Pele do Marinheiro” (L57.8)
Radiodermatite: Aguda, Crônica e Não Especificada Relacionada com o Trabalho (L58.-)
Outras Formas de Acne Relacionadas com o Trabalho: “Cloracne” (L70.8)
Outras Formas de Cistos Foliculares da Pele e do Tecido Subcutâneo, Relacionadas com o Trabalho:”Elaioconiose Folicular” ou “Dermatite Folicular” (L72.8)
Outras Formas de Hiperpigmentação pela Melanina: “Melanodermia” Relacionada com o Trabalho (L81.4)
Leucodermia, Não Classificada em Outra Parte, Relacionada com o Trabalho (inclui “Vitiligo Ocupacional”) (L81.5)
Porfiria Cutânea Tardia Relacionada com o Trabalho (E.80.1/L81.8))
Ceratose Adquirida (Ceratodermia) Palmar e Plantar Relacionadas com o Trabalho (L85.1)
Úlcera Crônica da Pele Relacionada com o Trabalho (L98.4)
Geladuras (Frostbite) Relacionadas com o Trabalho (T33-T35)

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