Estratégias de Leitura com Diversidades de Gêneros em Sala de Aula

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O que leva um leitor a ler mais cuidadosamente um texto? O que o faz preferir a leitura de um e o descarte do outro? O que se espera encontrar naquele material escolhido. É com o objetivo de explicar o que ocorre quando temos e contribuir para o debate conceitual e prático sobre o ensino de leitura, todo bom leitor procura ajustar o modo de ler ao objetivo inicial de sua leitura. Nessa busca o leitor interage o tempo todo com o texto, utilizando seu conhecimento prévio sobre o tema, fazendo inferência, elaborando hipóteses e chegando suas previsões. O resultado disso leva a interpretações e compreensões feitas sem a interferência direta de um leitor mais experiente.

Com esse processo de leitura não é natural, automático ou muito menos simples, ele precisa ser construído pelo aprendiz. É pensando nisso que a estratégia de leitura faz uma ponte com a realidade da escola, alertando os professores para o fato de que os alunos não aprendem isso sozinho.

Cabe ao educador oferecer às crianças os segredos que utilizam quando eles próprios lêem. Isso deve ser feito na mesma forma como ocorre com outros conteúdos de ensino ou quando mostra como utilizar adequadamente um caderno ou traçar de forma correta as letras. O professor funciona como um especialista em leitura explicitando ser processo pessoal à turma, o que leva à compreensão do que está escrito: qual seu objetivo com aquela determinada leitura, que dúvidas surgem, que elementos toma do texto para tentar resolver suas questões … vendo o que o professor faz para elaborar uma interpretação do texto, os alunos entendem as chamadas estratégias de compreensão leitora e possam a adotá-las.

Segundo Isabel de Solé.

“Ler é compreender e compreender é sobretudo um processo de construção de segmificados sobre o texto que pretendemos compreender”.

As estratégias de leituras são técnicas de métodos que os leitores usam para adquirir as informações, ou ainda procedimentos de gêneros escolhidas para facilitar o processo de compreensão em leitura. São planos flexíveis adaptados às diferentes situações que variam de acordo com o texto a ser lido e a abordagem elaborada plenamente pelo leitor para facilitar a sua compreensão.

“Identificam seis tipos de estratégias de leitura que as pesquisas realizadas têm sugerido como auxiliares no processo de compreensão, a saber: predição pensar em voz alta, estrutura do texto, representação visual do texto, resumo e questionamento. A predição implica em antecipar, prever fatos ao conteúdos do texto utilizando o conhecimento já existente para facilitar o a compreensão […] Duke e Pearson (2002) “.

Pensar em voz alta e quando o leitor verbaliza seu pensamento enquanto lê. Tem sido demonstrado melhora na compreensão dos alunos quando eles mesmos se dedicam a esta prática durante a leitura e também quando professores usam rotineiramente esta mesma estratégia durante suas aulas.

Toda dia o professor de manhã pega o jornal para saber das últimas novidades enquanto toma café. Em seguida, vai até a caixa do correio e descobre que recebeu folhetos de propagandas e (surpresa!) uma carta de alguém que está morando em um lugar distante. Depois vai até a escola e separa livros para planejar uma atividade com seus alunos. No fim do dia, de volta a casa, pega uma coletânea de poema na estante e lê alguns antes de dormir. Não é de hoje que essa relação com os textos escritos viraram estratégias de leitura para facilitar o trabalho em sala de aula, eles têm formato próprio, suporte específico, possíveis propósito de leitura, em outras palavras têm o que os especialistas chamam de “características sociocomunicativas” definidas pelo conteúdo, a função, o estilo e a composição de material a ser lido. E é essa soma de características que define os diferentes gêneros, ou seja, se é um texto com função comunicativa, tem um gênero. Como estratégica.

Na última década, a grande mudança nas aulas foi a chegada dos gêneros à escola. Essa mudança é uma novidade a ser comemorada. Porém muitos especialistas e formadores de professores destacam que há uma pequena confusão na forma de trabalhar. Explorar apenas as características de cada gênero não faz com que ninguém aprenda a, efetivamente, escrever uma carta. Falta discutir por que e para quem escrever a mensagem, certo? Afinal, quem vai se dar ao trabalho de escrever para guardá0la? Essa é a diferença entre tratar os gêneros como conteúdos em si e ensiná-la no interior das práticas de leitura e escrita.

Essa postura equivocada tem raízes claras: é uma infeliz reedição do jeito de ensinar cada disciplina que predominou durante a maior parte do século passado. A regra era falar sobre o idioma e memorizar definições dos conteúdos abordados. E assim por diante, numa lista quilométrica. Pode até parecer mais fácil e econômico trabalhar apenas com os aspectos estruturais dos conteúdos, mas [e garantido: a turma não vai aprender. “ O que importa é fazer a garotada transitar entre as diferentes estruturas e funções dos textos como leitores e escritores “, explica a linguísta Beth Marcuschi, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

É por isso que não faz sentido pedir os estudantes escreverem só para você ler (e avaliar). Quando alguém escreve uma carta, e porque outra pessoa vai recebê-la. Quando alguém redige uma notícia é porque muitos voa lê-la. Quando alguém produz um conto, uma crônica ou um romance, é porque espera emocionar, provocar ou simplesmente entreter diversos leitores. E isso é perfeitamente possível de fazer na escola: a carta pode ser enviada para amigos, parentes ou colegas de outras turmas: a notícia pode ser divulgada num jornal distribuído internamente ou transformado em mural: o texto literário pode dar origem a um livro produzido de forma coletiva pela moçada. Isso são estratégias que modificam o gosto pela leitura.

Os especialistas dizem que os gêneros são na verdade uma “condição didática para trabalhar com os comportamentos leitores e escritores”. A sutileza, importantíssima, é que eles devem estar a serviço dos verdadeiros conteúdos os chamados “comportamento leitores e escritores “ (ler para estudar, encontrar uma informação especifica tomar notas, organizar entrevistas, elaborar resumos, sublinhar as informações mais relevantes, comparar dados entre textos e, claro, enfrentar o desafio e de escrevê-los).

“Cabe ao professor possibilitar que os alunos pratiquem esses comportamentos, utilizando textos de diferentes gêneros”, afirma Beatriz Gouveia, coordenadora do Programa além das Letras do Instituto Avisa Lá. São Paulo.

Existem muitas formas de trabalhar as estratégias de leituras na prática. É simplesmente o professor organizar as propostas curriculares que ele planejou durante a sua pesquisa e adotar como suas aulas programadas para cada semestre abordado.

Antes de detalhar como funciona essa abordagem que privilegia o ensino dos comportamentos leitores e escritores, vale uma palavrinha sobre os conteúdos clássicos de cada disciplina, como por exemplo, ortografia e gramática. Eles continuam sendo muito importantes nesse novo de planejar, pois conhecê-los é essencial para que os alunos superam as dificuldades. Que tempo verbal usar para contar algo que já aconteceu? Que recursos de coesão e coerência garantem a compreensão de uma história? “ Saber utilizar a língua e o que mais influencia a qualidade textual “. Ressalta Beth Marcuschi. Para alcançar isso, porém, não é necessário colocar a ortografia e a gramática como “ um fim em si mesmo “, ocupando o centro das aulas. Assim com os gêneros, elas são um meio para ensinar a ler e escrever cada vez melhor.

A apresentação dos textos e outros ponto essencial: eles devem ser trabalhados em seu suporte rela. Se você quer usar reportagens, tem de levar para a sala jornais e revistas de verdade. Para explorar receitas, e preciso que os alunos manuseiem obras de culinária. Na análise de biografia, é fundamental cada um dispor de livros desse tipo. E assim sucessivamente. Portanto, nada de oferecer apenas uma carta que está publicada (ou resumida) nas paginas do livro didático.

Isso posto, é hora de mergulhar nos currículos. O fio condutor que aproxima as duas propostas é a preocupação de fazer a turma transitar pelas três posições enunciativas do texto: Ouvinte, leitor e escritor. É nessa “ viagem “ de possibilidade que a garotada exercita os tais comportamentos leitores e escritores. Todo professor tem que ler diariamente ao longo do primeiro semestre, contos para a turma de 2o ano. Ao ouvir, os alunos se familiarizam com diversos exemplos de textos, apreciando-os e aprendendo a identificar características.

Ao mesmo tempo eles atuam como leitores, comparando diferentes versões de um conto, por exemplo, com o objetivo de refletir sobre os recursos linguísticos escolhidos pelos autores. E o professor ainda Põe a garotada para trabalhar, pede que todos caracterizem um personagem e, portanto, escrevam. Nessa hora, eles vão usar termos como “bom“, “mau“, “bonito“, “nervoso“ etc. “ Só então cabe explicar que esses termos são chamados de adjetivos e são muito importantes em diversos textos, sobretudo os contos e as propagandas, mas não são adequados em outros, como as notícias “, explica Beth Marcuschi.

Para integrar essa multiplicidade de propostas de estratégias de leitura e dar conta da evolução dos conteúdos, o melhor caminho e organizar as aulas conforme as modalidades propostas pela pesquisadora argentina Delia Lerner e dividir os trabalho entre atividades permanentes, sequências didáticas e projetos didáticos, que podem ser interligados ou usados separadamente, dependendo dos objetivos.

“A chave é pensar numa progressão das dificuldades”. afirma a lingüística Vera Lúcia Cristovão, da Universidade Estadual de Londrina. (UEL).

O projeto didático e a modalidade mais indicada para trabalhar a escrita, afinal, ao criar um produto final com público definido, a turma aprende a focar em um gênero e saber o quê por quê e para quem escrever. Num projeto didático sobre propagandas, por exemplo, a exibição das criações para outro estudantes permitem reproduzir o que ocorre com a publicidade na vida rela. Além disso, a tarefa adquire outro sentido, pois o aluno sabe que escreve para que outros leiam (e não apenas para o professor) e, portanto, passa a prestar mais atenção na necessidade de se fazer entender.

Já as sequências didáticas são idéias para a leitura de diferentes exemplares de um mesmo gênero, de obras variadas de um mesmo autor ou de diversos textos sobre um tema. Elas garantem uma progressão que respeita o objetivo a ser alcançado. Ao planejá-las, é importante colocá-la antes dos projetos de produção textual, por exemplo, os textos informativos são explorados numa sequência didática meses antes da criação de um jornal mural.

Por fim, vale destacar que quando os gêneros são ensinados como instrumento para a compreensão da língua, não importa quando ou quais você trabalha, desde que o objetivo seja usá-las como um jeito de formar alunos que aprendam a ler e escrever de verdade. Os textos informativos têm a função de abordar algum fato, transmitir dados, atualizar conceitos e ensinar o tema. Isso é o que acontece em reportagens de recursos, verbetes de enciclopédias, notícias de jornais, artigos de divulgação cientifica e livros didáticos. A maioria dos leitores, ao ter um texto informativo em mãos quer saber o que está sendo dito e aprender algo com a leitura. É sempre gostoso ler um texto com um estilo inventivo e bem escrito. Mas, no caso dos gêneros informativos, não resta dúvida: a ênfase é o conteúdo sobre o que se ler.

Ter isso em mente ajuda a lembrar as habilidades de leitura a ser trabalhadas com esse tipo de gênero. Usando textos informativos, você deve levar a turma a buscar dados específicos, tomar notas, comparar fontes de informação e interpretar a linguagem. Em poucas palavras é preciso saber ler para estudar. Além de fundamentais para a vida cotidiana, essas competências são essenciais para que os alunos se tornem, de fato, autores dos textos informativos, e não meros copiadores de trechos de referencias , como muitas vezes costuma acontecer.

Há diversos procedimentos de estratégias de leitura para organizar informações e facilitar o entendimento: sublinhar os trechos essenciais para apresentar as idéias, resumir o texto mostrando o que é mais importante e fazer registro em tópicas. Quando o aluno cumpre essas etapas de estudo, as informações fundamentais são destacadas, o que facilita sua retomada para o momento da escrita.

Decidir quais estratégias usar, se é mais adequado resumir do que fazer esquemas, por exemplo, depende do tipo de texto e da informação que se quer obter com base na leitura. O aluno com o conhecimento que o professor leva a sala de aula, tem que saber sublinhar e tomar notas em tópicos de diversos textos, fonte de jornais e revistas com um objetivo claro: procurar informações que pudessem ser úteis para o momento de escrever para o jornal mural da escola sobre os conteúdos a serem trabalhados.

Com a ajuda dos professores os alunos entendem rapidamente a utilidade dos processos intermediários à escrita propriamente dita.

“A maneira de registrar o que mais se destaca permite que o aluno tem em mãos a síntese de sua leitura e suas notas de apoio, podendo recuperá-las mais rapidamente do que tivesse de reler tudo de novo”, diz Cláudio Bazzoni, assessor de Língua Portuguesa de Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e selecionador do Premio Victor Civita – Educador Nota 10.

Grifar o que importa ou fazer um apanhado dos conceitos mais relevantes não é coisa simples. “No caso do sublinhado, por exemplo, muitas vezes os alunos escolhem o parágrafo inteiro ou apenas palavras isoladas, ou seja, fazem a atividade sem ter um critério claro do que é o principal” Explica Bazzoni.

Leituras festas, a turma vai para a sistematização e a produção

Depois da leitura e da discussão sobre um conteúdo, é hora de sistematizar as características de cada um dos diferentes gêneros informativos. Quais os termos recorrentes? Os estudantes percebem que esses textos, normalmente escritos em terceira pessoa, não costumam trazer uma opinião pessoa explicita? Veem que as informações tendem a ser rigorosas, com números retirados de fontes como estudos e pesquisas de universidades e entidades internacionais?

Unindo os dados sobre o formato do gênero e o conteúdo apresentado, é hora de planejar o que vai ser escrito, prestando atenção para não somente copiar, transcrever trechos longos na integra ou levantar um só aspecto da questão. O ideal é que o aluno consiga se “descolar” dos textos que serviram de base e criar outro novo, fazendo sua própria hierarquia dos dados com base no que selecionou das leituras. Ele deve ter claro para quê, para quem é o quê escrever informações essenciais dadas por você logo no início do trabalho. Como uma bagagem razoável sobre o tema, espera-se que ele tenha condições de cruzar dados, relacioná-los com os conhecimentos que já tem, refletir sobre o que foi proposto e reorganizar as informações selecionadas numa estrutura.

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