Gramática Comparada ou Linguistica Histórica

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Índice

1)Lingüística histórica ou gramática comparada.- Uma Torre de Babel ou a precursora do estruturalismo?

2)Estruturalismo-espinha dorsal da lingüística.Radiografia da língua.

3)Estruturalismo X gramática gerativa.-Teria a gramática gerativa tornado o estruturalismo ultrapassado?

4)Sociolingüística, análise do discurso, análise da conversação X estruturalismo.-A sociolingüística é um caminho prazeroso mais a estrada pavimentada é o estruturalismo.

5)Perfil do cientista lingüístico.-Ferramenta o estruturalismo.

6)Bibliografia

No século XIX,o parentesco lingüístico foi objeto de estudos altamente especializados,em fins do século XVIII os estudos comparativistas passaram a ter o objetivo de identificar as famílias de línguas e mostraram ser a mudança lingüística um processo:

Regular: princípio da regularidade das mudanças.

Universal: todas as línguas evoluem.

Constante: qualquer língua está em evolução constante.

Os primeiros estudiosos a se ocuparem da análise sistemática das correspondências entre as diferentes formas de diferentes línguas foram:

Ramus Rasks- Dinamarca (1787-1832)
Jakob Grimm-Alemanha (1787-1863)
Friedrick e August Wilhelm von Schlegel-Alemanha(1791-1867)
Franz Boop-Alemanha(1791-1867)
Wilhelm von Humboldt-Alemanha(1767-1834)
A.Schleicher-Alemanha(1821-1867)

A Torre de Babel começa com Grimm e os neogramáticos.Grimm chegou a propor uma tabela de correspondências fonéticas entre o sânscrito, o grego e o latim de um lado e as línguas germânicas de outro, a qual ficou conhecida como “lei de Grimm”.Humboldt classificou as línguas em isolantes, aglutinantes e flexionais, de acordo com a estrutura gramatical dos vocábulos.Mas, foram os neogramáticos que formularam mais sistematicamente os princípios e métodos da gramática comparada, se bem que muitos deles tenham sido modificados à luz dos desenvolvimentos posteriores da lingüística.Sua principal tese vai de encontro ao pensamento de Grimm no que concerne a lei de mudança fonética regular; Grimm admite as exceções, mas os neogramáticos consideravam que as leis fonéticas tinham caráter absoluto.No entanto, estas controvérsias em nada enfraquecem a evolução dos estudos lingüísticos.Pelo contrário favorece o surgimento do estruturalismo.

O estruturalismo surge no século XX, como uma nova corrente lingüística que se insurgiu contra o atomismo reinante nos estudos de filologia comparada, isto é: contra a tendência de se estudar os elementos isoladamente, de ver os elementos em si mesmos, sem relaciona-los com os outros da mesma língua com os quais tenham ligações de identidade ou de oposição contra o princípio comparativista de que só o método histórico e científico.

Podemos concluir que a lingüística histórica, apesar de suas controvérsias, foi uma contribuição vital para o estruturalismo, longe de ser uma Torre de Babel foi o terreno rico, em que controvérsias só fizeram fomentar a necessidade de se criar uma nova corrente lingüística que abrigasse diferentes concepções.Foi a gramática comparada e precursora do estruturalismo.

Estruturalismo-Espinha dorsal da lingüística-radiografia da língua.

O estruturalismo tem sua origem no curso de lingüística geral(1916), de Ferdinand de Saussure, que introduz conceitos fundamentais.Nunca Saussure esteve mais presente do que nos dias hodiernos, em que ele é às vezes declarado “superado”.Só há um meio honesto de superá-lo: é lê-lo, repensar com outros os problemas que ele propôs, nas suas célebres dicotomias: língua e fala, diacronia e sincronia, significante e significado, relação associativa (=paradigmática) e sintagmática, identidade e oposição etc. O esquema de oposição abaixo é o básico para qualquer estudo lingüístico:

Tudo isso leva a encarar o estudo da língua como um sistema, uma estrutura: cada um dos elementos do sistema é definido pelas relações de equivalência ou de oposição que mantém com os outros elementos.Nem o elemento, nem o todo constituem a estrutura, mas sim o conjunto de relações.O estruturalismo parte do pressuposto de que cada sistema é um jogo de oposições, presenças e ausências, constituindo uma estrutura onde o todo e as partes são independentes, de tal forma que qualquer modificação num dos elementos constitutivos implica a modificação de cada um dos outros e do próprio conjunto.O termo estruturalismo se aplica as escolas lingüísticas que têm em comum esta visão global do seu objeto.

Na Europa, o estruturalismo é representado pelos discípulos diretos de Saussure(Bally), pelo círculo lingüístico de Praga, pela glossemática de Hjelmslev, a psicossistemática de G Guillaume, o funcionalismo de A.Martinet,o binarismo de R.Jakobson.Nos E.U.A o estruturalismo nasceu com F.Boas e E.Sapir a partir do estudo das línguas ameríndias;desenvolveu-se com a escola de L.Bloomfield e conduziu ao distribucionalismo de Z.Harris e à gramática gerativa de N.Chomsky

Outros setores são tocados pelo estruturalismo; a história, pelo encontro de pesquisas já antigas, como as de Dumézil e Braudel, que acham o estruturalismo num terreno revivificante, a história das idéias e principalmente o marxismo (Althusser: Por Marx 1965); A filosofia da história (Foucault: As palavras e as coisas, 1966); a psicanálise, em que Lacan (Escritos, 1966) ocupa um lugar especial; a crítica literária (R. Barthes: Crítica e verdade 1966).O desenvolvimento de um estruturalismo independente das especialidades e comum a todas é paralelo à passagem destas a condição cientifica (nascimento da noção de “ciências humanas”.) O estruturalismo deixa a doutrina do “achismo” e se embrenha num caminho pioneiro de pura ciência no estudo da língua.Por este caminho muitas doutrinas e ciências paralelas vão se direcionar, tais como: a psicanálise, a história, o marxismo etc.

A genialidade de Saussure o coloca como um homem acima de sua época, isto pode ser provado pela demora na publicação de sua obra, como também pela demora na aceitação desta obra pela comunidade científica muito aquém em conhecimentos para entende-la.O estruturalismo foi o berço das demais variações.Raiz de muitas outras ciências, como também a espinha dorsal da lingüística.Foi a primeira ciência que radiografou a língua e de posse desta radiografia conseguiu dissecá-la e entendê-la como um cientista.O estruturalismo foi um farol para o entendimento, tornando fácil à compreensão não só da lingüística como de outras ciências.Dividir para entender, observar a estrutura da língua como um organismo vivo e evolutivo na sociedade.

Duas correntes do estruturalismo são de vital importância: o binarismo e o funcionalismo, vale a pena colocá-las neste trabalho para efeito ilustrativo.

Binarismo- Conjunto dos procedimentos de análise lingüística oriundos da teoria fonológica de R. Jakobson, que reduzem as relações, entre as unidade, as oposições binárias.Roman Jakobson quis descrever os sistemas fonológicos de todas as línguas do mundo, graças a uma série de doze oposições binárias, baseadas na análise acústica da fala (parole):

Consonântico/não consonântico
Vocálico/ não vocálico
Compacto/difuso
Tenso/relaxado
Surdo/sonoro
Nasal/ oral
Descontínuo/contínuo
Estridente/rouco
Bloqueado/não bloqueado
Grave/agudo
Bemolizado/não bemolizado
Sustenizado/não sustenizado

Funcionalismo – Lingüística funcional, os elementos lingüísticos se definem em virtude de sua função num sistema (a língua) que só existe em si mesmo em razão de sua função e comunicação.Seguidores:

Escola de Praga
Martinet
Jakobson.

Essas são duas correntes de pensamento que ao meu ver enriqueceram muito o estruturalismo.

Estruturalismo X Gramática gerativa.Teria a gramática gerativa tornado o estruturalismo ultrapassado?

A gramática gerativa não empanou o brilho do estruturalismo, ao contrário, o complementou.Se antes havia a preocupação do estudo restrito a partes em comum, estas ciências procuraram os pontos divergentes.Elas não só buscam a raiz comum, mas a diferenciação.

A gramática gerativa é a gramática formal destinada a dar conta do saber lingüístico dos locutores por sua capacidade de enumerar o conjunto infinito das frases gramaticais de uma língua por meio de um conjunto finito de regras.

A gramática gerativa é uma teoria lingüística formulada por volta de 1960 por Noam Chomsky e seus alunos.O ponto de partida é uma crítica ao modelo distribucionalista.Este, com efeito, partindo da descrição de um corpus finito, era incapaz de dar conta do fato de que um falante pode, a partir de um número finito das palavras da língua e de um número limitado de regras, produzir (ou gerar), um número infinito de frases inéditas.

A análise distribucionalista também não podia dar conta de um certo número de fatos sintáticos: duas frases formalmente idênticas podem ter estruturas diferentes (ele foi encontrado por seu irmão/por acaso).Duas frases formalmente diferentes podem ter estruturas idênticas (a frase ativa e a frase passiva).Uma frase pode ser ambígua no plano sintático: Ele vê seu filho doente= ele vê seu filho ou ele o vê doente).Para solucionar essas dificuldades é preciso postular que todo enunciado comporta dois níveis: uma estrutura de superfície, que é a organização da frase realizada; e uma estrutura profunda que é a organização num nível mais abstrato.

Uma gramática gerativa é formada de três partes (ou componentes)

Componente central { Sintaxe

Componente interpretativo {fonologia e semântica

O componente sintático, sistema de regras que define as frases permitidas na língua, é também constituído de duas partes: a base e a transformações.

Base { define as estruturas fundamentais

Transformações{permitem passar as estruturas profunda para as estruturas de superfície das frases, sem alterar a interpretação semântica feita em nível profundo.

Por esta breve análise da gramática gerativa vemos que ela seria inviável sem o avanço do estruturalismo.A gramática gerativa nada mais é que a evolução do pensamento estruturalista.Sua concepção de base e transformações é apenas um estudo mais detalhado da língua e da fala.Quando, o então ministro Magri criava a palavra imexível, ele intuitivamente aplicava a gramática gerativa, que poderia também ser analisado pelos conceitos de língua e fala do estruturalismo, como também ser enfocado pela diacronia.

Em suma, a gramática gerativa em nada se contrapõe ao estruturalismo.Ela apenas o amplia.Jogando luzes em seus pontos obscuros, alargando horizontes.Mas toda a clareza deste estudo, o pensamento evoluído da década de 60 só é possível graças às bases fortificada pelo estudo do estruturalismo.É o estruturalismo o alicerce da gramática gerativa.

O estruturalismo é uma visão arrojada para a sua época, uma técnica de análise sem precedentes.O estruturalismo consegue influenciar as demais ciências humanas, e isto com muito mais ênfase que o gerativismo.Com toda certeza foi uma corrente que ocasionou muito mais impacto nas demais filosofias.Se analisarmos sua época, contabilizarmos as informações disponíveis naquela data veremos que o Estruturalismo foi de grande valia para a as ciências humanas sendo o precursor de muitas delas.

Sociolingüística
Análise do discurso X Estruturalismo
Análise da conversação

A sociolingüística é um caminho prazeroso, mas a estrada pavimentada é o estruturalismo.

Sociolingüística em resumo é uma disciplina que estuda a linguagem como instituição humana, estabelecendo uma relação entre os fatos lingüísticos e os fatos sociais.A ligação de teorias lingüísticas com a sociologia propiciou o aparecimento da sociolingüística.Todavia, dependendo de como se vê a relação entre a sociedade e a linguagem, pode-se dizer que a sociedade determina a linguagem, ou ainda que a linguagem determina a sociedade.Esta é uma questão que levaria horas de debates e anos de estudos.Porém, em sentido escrito a sociolingüística parte do ponto de vista de que a sociedade determina a linguagem, e como o estudo da sociedade é fluido, o estudo da linguagem (e das línguas) no ato social de produção permitiria tirar conclusões sobre a estrutura da sociedade onde se situa a língua: as diferentes variações lingüísticas seriam dessa forma, um índice sensível dos processos sociais.

A sociolingüística em nada se contrapõe ao estruturalismo.Ela possui características estruturalistas à medida que faz conclusões a respeito da língua como ato social influenciado pela estrutura da sociedade.Não haveria sociolingüística sem o estruturalismo.Podemos afirmar isso com a mesma tranqüilidade da do engenheiro civil ao afirmar que não existe casa segura sem um bom alicerce e vigas de sustentação.Se a sociolingüística pode se ater ao fato do “r” do paulista interiorano ser menos socialmente aceito que o “r” carioca; é porque o estruturalismo já fez o trabalho minucioso de estudar a ling6uística diacrônica, geográfica e retrospectiva.

À sociolingüística coube o agradável trabalho de analisar a fala da sociedade.A linguagem do sexo, de camadas sócio-culturais diferentes, foram pontos brilhantemente discutidos neste curso.Mas, ao meu ver este assunto agradável é bastante discutível.Quando ouvimos os mestres e doutores falando categoricamente: homem não usa diminutivo, homem usa a fala para demarcar território.Homem fala mais alto, não passa a palavra como a mulher passa, interrompe mais.Tudo isso é muito discutível.

Creio que pessoas educadas não falam assim são as de educação menos privilegiadas que usam o modo de falar dito como masculino; tão bem aqui expostos pela doutora Lílian e mestra Penha Lins.E mesmo porque não vivemos numa sociedade estável, estamos numa época de transição em que os papéis masculino e feminino são altamente questionáveis, ou seja, mulher ocupando papéis masculinos e homens ocupando papéis femininos.Nesta nova estrutura como fica a fala?Será que se adequou?Ou será que hoje a fala é comum a ambos os sexos,diferenciando-se apenas pelo grau de educação?Uma questão é irrefutável: a mulher mudou.E a sua fala?Mudou também?E se a resposta for sim esta mudança implica masculinização?

Ao ver da Mestra Penha Lins sim: “Uma mulher bem-sucedida adota o discurso masculino” segundo ela.O discurso masculino é forte, o tempo todo ele é usado para demarcar espaço.Estas são as teorias de Lakoff (1975) e Maltz Borker (1982) todas apoiadas por um estudo evolutivo da sociedade ocidental, mas precisamente européia.O ponto chave dessas teorias é a suposta subordinação da mulher ao homem.A pergunta que eu me faço é a seguinte: esta subordinação ainda existe?Se hoje ainda existe não esta pouco a pouco, como um muro velho e mal estruturado, se desmoronando?E com todas essas modificações como poderia a língua organismo vivo e evolutivo permanecer intacto?

Não devemos nunca nos esquecer que um lingüista é um cientista.E uma análise científica passa pelo ponto de partida de uma minuciosa observação.Foi este o procedimento adotado pela sensacional escritora Lillian Glass em seu livro: He says, she says.Nesta obra são enumeradas 105 características do discurso feminino.Posso discordar de algumas?Lógico que posso, não sou mais uma universitária, sou uma pós-graduanda em estudos lingüísticos.Mas, como tudo na vida tem seus prós e contras vou ser julgada como tal.Que tristeza!Vou refazer todo este trabalho em breve.Mas, vamos ao que interessa.Vamos aqui criticar algumas posições da escritora quanto às características da linguagem feminina.

Cada vez mais, os discursos masculino e feminino se aproximam – Não somos rivais, somos caminheiros da mesma estrada.

Características femininas

1) “Falam menos, falam de relações, sentimentos, pessoas, crianças, dietas”.Será?

Vamos fazer uma retrospectiva histórica.Desde a Segunda Guerra Mundial que este panorama vem se modificando.O Homem foi convocado para a guerra e a mulher para o mercado de trabalho e saiu-se muito bem.Melhor ainda, continua se superando e evoluindo cada vez mais nas mais diversas áreas de trabalho.Não usou um discurso masculino para demarcar espaço, não invadiu o terreno masculino apenas o ocupou quando convocada. Devido às diversas crises econômicas, ela sem gritar, exigir ou ameaçar, pede para ajudar no orçamento doméstico.E vai a luta e muitas supera o salário do marido; como sempre quem ganha mais manda mais, quem tem mais ocupa uma posição superior ao que tem menos.

O ser é o que menos interfere no “status social”, infelizmente é assim, não importa que a mulher tivesse sido ao longo dos anos um ser mais abrangente e sensível; o que importa é que hoje ela detém um bom percentual da famosa distribuição da renda nacional, muitas ocupando o papel de “chefe da casa”.Assim sendo, como acreditar que ela continua sendo um ser submisso?Que seu universo lingüístico gira em torno de crianças, dietas etc. Quem dera!Hoje o assunto é trabalho, aplicações financeiras, é só observar a Lillian Whitefibe.É exceção?Não é a nova realidade da mulher contemporânea.Mas o discurso não é masculino, continua feminino; só que alterado pela diversidade de funções.ora profissional,ora dona de casa.Os tópicos são muito mais amplos e diversificados.Não dá mais para falar pouco.Hoje elas não falam menos que os homens,em contrapartida eles também falam de dietas,beleza e educação de filhos.

2) “Usam mais adjetivo e enunciados descritivos”.Quem dera!Com jornada dupla, não dá mais para ser tão prolixa.O tempo é exíguo, a mulher teve que aprender a ser objetiva e concisa sem perder seu estilo detalhista.Enquanto toma o café apressada, direciona a vida dos filhos e/ou empregada.Deixa post-fix na geladeira organizando o dia-a dia da casa e segue para o trabalho.Como ter tempo para usar tantos adjetivos e perder-se na narrativa descritiva.Hoje a linguagem é “enxuta” assim como seu vestuário.E os homens têm mais tempo para luzes nos cabelos, brincos…Que coisa triste, meu Deus! O homem ficou esteticamente parecido com a mulher.Que tristeza!Mas, quem foi o otimista que falou que nesta evolução só teria coisas boas.Tudo na vida tem prós e contras, infelizmente.

Mas, o meu trabalho é sobre estruturalismo.E o ponto principal desta parte do estudo é analisar que a sociolingüística é a sobremesa dos estudos lingüísticos.No entanto, ela não seria possível sem a refeição nutritiva que é o estruturalismo.Se este estudo ocupou o lugar de uma bela paisagem em que toda a classe deleitou-se; não devemos nunca nos esquecer que a rua pavimentada é o estruturalismo, que serve de base para as demais correntes lingüísticas.

Mesmo sabendo que fazer experiências científicas em humanos é pouco ético, não dá para resistir.Que vontade de descobrir se usar o discurso masculino no meu contexto familiar daria certo.Pelo que eu vi a mulher chegou aonde chegou porque não fez alarde, foi “comendo pelas beiradas”.Mas isso foi o que eu vi.É como se fosse uma casa que tem uma lateral pintada de verde e a outra pintada de branca.O observador de um lado dirá que a casa é verde e o do outro lado afirmará com certeza que a casa é branca.Quem estaria certo?Os dois ou nenhum dos dois, porque a casa é branca é verde.Assim é a nossa visão se nos posicionarmos só de um lado, só teremos uma análise parcial nunca a total da situação.Por isso a experimentação se faz tão necessária.Vou experimentar e usar o discurso masculino para ver se funciona.Se por um acaso eu perder os dentes frontais, eu mando a conta dos implantes para a UFES aos cuidados da Dr. ª Lillian Yacovenco e/ou da Me. Penha Lins.Brincadeira, mas devemos ter em mente que um discurso masculino, nunca é facilmente aceito quando dito por uma mulher, sempre há represálias.

Perfil do cientista lingüístico

Por tudo que eu li e aprendi neste curso de evolução lingüística, conclui que a postura do lingüístico é altamente critica e argumentativa.Em lingüística pude observar que dificilmente você terminará a leitura de um livro concordando com tudo.Por várias vezes ao fechar a leitura de um livro ou artigo sempre haverá pontos discordantes em seu pensamento.É uma ciência nova em que muito está por se fazer, apesar do muito já feito.Foi um espaço curto de tempo para tantas descobertas.Mas mesmo assim lacunas ainda existem.Tal como a Me Penha Lins no auge de sua “loucura genial” devemos ouvir tudo.A exemplo dela pegar o controle da antena parabólica e pesquisar todos os diversos tipos de discursos: do pastor, do repórter, do vendedor.Marx um dia disse: “nada que é humano me é indiferente”.O cientista lingüístico por outro lado diz: “nada que tem som que é falado me é indiferente”.E isso é fascinante, o trabalho da Drª Lílian Yacovenco, um gravador na mão ouvido atentos, nada do que é dito pode passar pela desatenção.

Os métodos tão bem elaborados na divisão de cada falante, adaptá-los à escassez de recursos e estudar o sotaque capixaba.Ciência nova, escutar sem preconceito, isto é vanguarda.A obrigação de aguçar o raciocínio e chegar as suas próprias conclusões; É este o papel do cientista lingüístico, despojado de preconceitos quanto ao “r” caipira, quanto às regras gramaticais.Entender que por trás de uma língua, há um povo, uma história, entender por meio desta linguagem a alma humana.Ter o direito de raciocinar ou melhor dar-se o luxo de errar, porque antes raciocinar errado que não raciocinar, nunca deixar de argüir.Se o estruturalismo é ciência, a sociolingüística é pura diversão de caráter científico.Prazerosa e uma excelente idéia para uma monografia.

Bibliografia

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LOBATO, Lucia Maria Pinheiro. Sintaxe gerativa do português, da teoria padrão à teoria da regência e ligação. Belo Horizonte: Vigília, 1986.

WARHAUGH, Ronald. Introduction to Linguistic. McGraw Hill book CO, Dezembro 1977.

RANDY, Allen Harris. The Linguistics wars. Oxford University, maio 1989.

FIORIN, José Luis. Introdução a Lingüística. Contexto, 2002.

CRYSTAL, David. Dicionário de Lingüística e fonética. Jorge Zahar, 1985.

ARRIVE, Michel. Lingüística e Psicanálise: Freud, Saussure, Hjelms. São Paulo: Edusp, 2001.

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