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gico, Jaako Hintikka (1976:14), em relação às nossas posições:

Não parece que muito do trabalho que foi feito ou que se está fazendo sobre a lógica modal forneça novas intuições sobre importantes problemas teóricos de lógica ou de estudos de fundamentos. Não obstante, a lógica modal promete muito como classificação de uma grande quantidade de conceitos e problemas filosóficos mais centrais, embora ao que parece menos como iluminação dos conceitos de possibilidade e necessidade lógica do que como, por exemplo, iluminação da natureza das diferentes atitudes proposicionais (itálico nosso).

Para Hintikka, as atitudes proposicionais são consideradas modalidades pessoais (aquelas que servem para expressar o estado ou a atitude de um indivíduo). Como exemplos, podem servir o conhecimento, a crença, a esperança, a dúvida, a expectativa, a intenção etc.

Normalmente, esse tipo de modalidade expressa-se em orações (que Frege chamava indiretas ou oblíquas) nas quais aparecem verbos como “crer”, “desejar”, “duvidar” etc.

Desse modo, por meio das modalidades poderemos definir — a proposta já está presente em Aristóteles — o estatuto da oração: interrogação, afirmação, ordem etc.

Nesse sentido, convém ressaltar a velha oposição entre dictum e modus: enquanto o primeiro é o conteúdo representado (proposição primitiva expressa pela relação sujeito-predicado), o segundo é uma operação que tem por objeto o dictum. Em outras palavras, o modus, por assim dizer, “comenta” o dictum, ou mera descrição.

LOZANO, J, PEÑA-MARÍN, C. & ABRIL, G. Análise do discurso: por uma semiótica da interação textual. São Paulo: Littera Mundi, 2002, p. 56—59.

INDICADORES MODAIS ou ÍNDICES DE MODALIDADE

Os indicadores modais, também chamados modalizadores em sentido estrito, são igualmente importantes na construção do sentido do discurso e na sinalização do modo como aquilo que se diz é dito. O estudo das modalidades vem desde a lógica clássica e permeia toda a semântica moderna.

Não pretendo aprofundar-me aqui nos aspectos lógicos da questão, mas tão-somente apontar os meios linguísticos por intermédio dos quais as modalidades se apresentam (“lexicalizam”) no discurso. Os principais tipos de modalidade apontados pela lógica são:

necessário/possível

certo/incerto, duvidoso

obrigatório/facultativo

Um mesmo conteúdo preposicional (cf. cap. “Linguagem e Ação”) pode ser veiculado sob modalidades diferentes. Por exemplo:

28. É necessário que a guerra termine.

É possível que a guerra termine.

É certo que a guerra vai terminar.

É provável que a guerra termine.

29.Ê obrigatório o uso de crachás.

É facultativo o uso de crachás.

Nesses exemplos, as modalidades estão lexicalizadas sob forma de expressões cristalizadas do tipo “é + adjetivo”. Existem, no entanto, diversas outras formas de expressão da modalidade: certos advérbios ou locuções adverbiais (talvez, provavelmente, certamente, possivelmente, etc.); verbos auxiliares modais (poder, dever, etc.); construções de auxiliar + infinitivo [ter de + infinitivo, precisar (necessitar) + infinitivo; dever + infinitivo, etc.]; “orações modalizadoras” (tenho a certeza de que…, não há dúvida de que…, há possibilidade de…, todos sabem que…, etc.). Vejam-se os exemplos abaixo:

30.Quem vai ao centro necessariamente passará pelo novo elevado.

Quem vai ao centro deverá passar pelo novo elevado.

Quem vai ao centro tem de passar pelo novo elevado.

31.Possivelmente, viajarei no domingo.

Talvez eu viaje no domingo.

Pode ser que eu viaje no domingo.

34. Os candidatos deverão apresentar documento de identidade.

Exige-se que os candidatos apresentem documento de identidade.

Os candidatos terão de apresentar documento de identidade.

Há obrigatoriedade de apresentação do documento de identidade pêlos candidatos.

Em todos esses exemplos, verifica-se que, ao conteúdo proposicional, foi acrescentada a indicação da modalidade sob a qual ele deve ser interpretado. É fácil perceber, também, que:

a. uma mesma modalidade pode ser expressa através de recursos linguísticos (= lexicalizações) de diferentes tipos;

b. um mesmo indicador modal pode exprimir modalidades diferentes, como é o caso dos verbos dever e poder nos seguintes exemplos.

35. a. Todos os candidatos devem comparecer em traje social (é obrigatório).

b. O tempo deve melhorar amanhã (= é possível),

c. Vamos, a reunião deve estar começando (= é provável).

36. a. Os candidatos podem apresentar-se em traje esportivo (= é facultativo),

b. Os preços podem cair nos próximos meses (= é possível).

INDICADORES ATITUDINAIS, ÍNDICES DE AVALIAÇÃO E DE DOMÍNIO

Além dos indicadores de modalidade, existem também os indicadores de atitude ou estado psicológico com que o locutor se representa diante dos enunciados que produz. São exemplos:

37. Infelizmente, não poderei ir à sua festa.

38. Felizmente, ninguém se machucou na queda.

39. É com prazer (satisfação, alegria) que o convido a fazer parte de nossa equipe.

40. Anunciamos, pesarosamente, o falecimento de nosso diretor.

41. Francamente, não gosto de pessoas exageradas.

A atitude subjetiva do locutor em face de seu enunciado pode traduzir-se também numa avaliação ou valoração dos fatos, estados ou qualidades atribuídas a um referente. São, em geral, expressões adjetivas e formas intensificadoras, como:

42. O engenheiro realizou um excelente trabalho.

43. O orador foi extremamente feliz em sua exposição.

Há, ainda, operadores que delimitam o domínio dentro do qual o enunciado deve ser entendido (exs. 44 e 45) ou o modo como ele é formulado pelo locutor (exs. 46 e 47):

44. Politicamente, ele está desmoralizado.

45. Geograficamente, o Brasil é um dos maiores países do mundo.

46. Resumidamente, pode-se dizer que a desavença se deu da seguinte maneira: …

47. Vou abordar concisamente esse aspecto da questão.

KOCH, I.G.V. A inter-ação pela linguagem. 8. ed. São Paulo: Contexto, 2003, p. 50 — 53.

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