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domingo, fevereiro 25, 2024

Lasar Segall

Autoria: Anônimo

Lasar Segall (1891 – 1957) nasceu na comunidade judaica de Vilna, Lituânia, tendo mudado para o Brasil em 1923 e posteriormente adquirido cidadania brasileira. Durante sua carreira, seu estilo sofreu várias influências, mas alguns temas recorrentes em sua obra já aparecem desde as primeiras produções, como o universo judaico, a perseguição aos povos (em especial os judeus) e a ênfase na figura humana. Em seus primeiros trabalhos podem ser notadas inspirações cubistas e impressionistas. Entretanto, em 1910, tendo se mudado para Dresden, onde viveu até 1921, absorve a forte influência expressionista da cidade que havia sido berço do grupo Die Brücke (a Ponte), adotando a deformação e a síntese em suas pinturas. Durante esse período em Dresden, a Alemanha passa por grave crise e forte agitação social e artística. Segall toma parte na mobilização do país, priorizando em suas representações as figuras desprivilegiadas socialmente. Trata-se de uma geração expressionista mais desesperançada pela realidade social que aquela que dá origem ao movimento. As figuras humanas são perdidas, especialmente deformadas nos pés, mãos e cabeças. “Auto Retrato II“, de 1919, com forte influência das máscaras africanas, é ilustrativo dessa fase. Cabe ressaltar que o expressionismo de Segall é considerado um expressionismo “construído“, uma vez que a deformação nunca foi levada às últimas conseqüências e há uma inclinação para a busca de ordem. Os desenhos – que limitam as cores – ainda são de grande importância para Segall (após chegar ao Brasil, sua pintura vai progressivamente dando menor ênfase ao desenho e privilegiando mais as cores). São dessa fase em Dresden telas como “Aldeia Russa“, de 1912, “Eternos Caminhantes“ de 1919 e o álbum “Bubu“, de 1921. Após uma estadia em Berlim entre 1921 e 1923, muda-se para o Brasil em 1923, impressionando-o muito o cenário, as cores e o povo do país que marcaria, a partir de então, profundamente sua obra. Afirma ter descoberto a cor e a luz no país. Mesmo quando de sua curta volta à Europa, entre 1928 e 1932, realiza várias telas a partir das lembranças brasileiras, como os negros, as plantas tropicais, as favelas. É ainda durante esse período que começa a esculpir, misturando a pintura e a escultura em obras como “Duas Mulheres“, de 1929 ou “Dois Nus“, de 1930. Por outro lado, é por seu intermédio que o Brasil passa a ter maior contato com o expressionismo (suas obras são as primeiras telas expressionistas a serem aqui exibidas). Acaba por juntar-se aos artistas brasileiros que buscavam uma revolução na arte através do movimento modernista, atuando como grande influência para eles. Em 1932, já é um dos fundadores da Sociedade pró Arte Moderna (existente até 1935). Rapidamente passa a ser admirado por personalidades do modernismo brasileiro como Mário de Andrade e Oswald de Andrade (para quem inclusive realizou ilustrações de obras, como “Poesias Reunidas“). Continua suas experiências com a pintura e a escultura, principalmente utilizando-se de paisagens, retratos e naturezas-mortas. “Jovem de Cabelos Compridos“, de 1942, é um exemplo da junção dessas técnicas. Com a Segunda Guerra Mundial, o artista, que sempre teve inclinação para a temática social, dedica-se ainda mais à produção de obras dramáticas, demonstrando o destino trágico de grupos humanos. São exemplos desse tipo de telas grandiosas “Pogrom“, de 1937 e “Navio de Emigrantes“, 39/41. Seus últimos trabalhos caracterizam-se por uma maior serenidade e forte presença harmoniosa e sutil da luz e da cor, como demonstram “Floresta Crepuscular“, de 1956, ou “Rua de Erradias I“, também de 1956. Livros e edições de revistas brasileiras e estrangeiras foram dedicados à sua obra, além de filmes e documentários. Após sua morte, sua casa e estúdio acaba virando sede do Museu Lasar Segall, dedicado ao artista.

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