O Cinema

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1947

Autoria: Suélen Cristina

O Cinema

Sistema de reprodução de imagens em movimento, registradas em filme e projetadas sobre uma tela, usado como meio de expressão artística e comunicação de massa . Desde a Antiguidade, o homem preocupa-se com o registro do movimento. O desenho e a pintura foram as primeiras formas de representação dos aspectos dinâmicos da vida humana e da natureza. O jogo de sombras do teatro de marionetes oriental, que surge por volta de 5.000 a.C. na China, é considerado um dos mais remotos precursores do cinema. Experiências posteriores , como a câmera escura (século XV) e a lanterna mágica (século XVII), constituem os fundamentos da ciência ótica, que torna possível a técnica cinematográfica.

No século XIX, são construídos vários aparelhos baseados no fenômeno da persistência retiniana (fração de segundo em que a imagem permanece na retina) na tentativa de captar e reproduzir a imagem do movimento. A fotografia, desenvolvida simultaneamente por Louis-Jacques Daguerre (1787-1851) e Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833), representa avanço decisivo na direção do cinematógrafo. Esse aparelho, uma espécie de ancestral da filmadora, capaz de exibir imagens em movimento, é criado pelos irmãos Auguste e Louis Lumière, considerados os inventores do cinema.

A primeira apresentação pública do cinematógrafo, em 28 de dezembro de 1895, em Paris, marca oficialmente o início da história do cinema. Na ocasião são exibidas as primeiras produções dos Lumière, como A Chegada do Trem à Estação, A Saída dos Operários das Usinas Lumière e O Almoço do Bebê. Esses primeiros filmes, mudos e em preto-e-branco, duram de 1 a 2 minutos e mostram cenas do cotidiano captadas ao ar livre por uma câmera fixa.

O precursor da ficção no cinema é o norte-americano Edwin Porter (1869-1941), que desenvolve os princípios da narração e da montagem artística em Vida de um Bombeiro Americano (1902). Um ano depois, seu filme O Grande Roubo do Trem marca o início da indústria cinematográfica. Mas é o francês Georges Méliès (1861-1938) quem, de fato, introduz a ficção no cinema com Viagem à Lua (1902), pioneiro na utilização de efeitos especiais, cenários e figurinos. É atribuída a ele também a realização dos primeiros filmes em cores. O norte-americano David Griffith (1875-1948), considerado o criador da linguagem cinematográfica, introduz o corte e a montagem, o que permite contar ações paralelas intercalando as imagens. Também inova ao deslocar a câmera para filmar closes, como em Nascimento de uma Nação (1915), o primeiro longa-metragem norte-americano.

Vanguardas européias – Na Europa, a partir do final da década de 10, o cinema aproxima-se dos grandes movimentos artísticos. O impressionismo inspira cineastas como Abel Gance (1889-1981) e o dadaísmo e o cubismo influenciam René Clair (1898-1981). O diretor Luis Buñuel (1900-1983) é considerado o expoente do surrealismo no cinema. Refletindo as angústias do período entreguerras, o expressionismo marca a produção cinematográfica alemã. Na Rússia, com o construtivismo, o cinema torna-se um instrumento de difusão dos ideais revolucionários. Na França, entre 1921 e 1931, desenvolve-se a avant-garde, movimento de renovação cinematográfica. Os filmes tentam romper com a narrativa do cinema clássico ao expressar sentimentos e idéias dentro de um contexto poético e por meio de artifícios técnicos de enquadramento, montagem e ritmo.

Hollywood – Durante a I Guerra Mundial, a produção cinematográfica desloca-se da Europa para os Estados Unidos. Em Hollywood, Califórnia, surgem os primeiros grandes estúdios, como a Universal Pictures. Nos anos 20, com a consolidação da indústria cinematográfica, os estúdios funcionam com equipes de diretores , roteiristas, técnicos e atores. A comédia, baseada na sátira de pequenas cenas do cotidiano, da vida urbana e da “civilização das máquinas”, é o gênero mais comum. Destacam-se os tipos desenvolvidos por Charles Chaplin (1889-1977) em Carlitos Repórter e O Garoto e por Buster Keaton (1895-1966) em A General (1926) e Marinheiro de Encomenda (1928). Luzes de Nova York (1928), de Brian Foy, é o primeiro filme totalmente falado.

O auge dos estúdios de Hollywood ocorre nas décadas de 30 e 40. Surgem superproduções como A Dama da Camélias, …E o Vento Levou, O Morro dos Ventos Uivantes e Casablanca. Novos recursos técnicos possibilitam o desenvolvimento pleno de todos os gêneros, principalmente do musical (Voando para o Rio, de Thornton Freeland), da comédia (Aconteceu Naquela Noite, de Frank Capra) e do western (No Tempo das Diligências, de John Ford). Entre os estúdios, destacam-se a Metro (dedicada a musicais e filmes com grandes estrelas, como Greta Garbo), a Warner (especializada em filmes de gângster em preto-e-branco) e a Paramount (consagrada em produções mais sofisticadas, com estrelas como Marlene Dietrich). Eles desenvolvem o sistema de “fabricação de estrelas”, o star system. Mary Pickford (1893-1979) e Theda Bara (1890-1955) são alguns dos nomes mais expressivos.

Cinema de autor – Em 1941, Orson Welles (1915-1985) lança sua obra-prima, Cidadão Kane, e inova a linguagem do cinema ao utilizar um enredo não-linear, uma narrativa baseada em flashbacks e ousadia na profundidade de campo.

A partir da década de 50, os produtores perdem força em favor dos diretores-autores, que deixam de ser apenas executores técnicos. Surge o cinema de autor, no qual o diretor imprime a cada filme seu estilo e sua visão de mundo. Várias manifestações, como o neo-realismo italiano, a nouvelle vague francesa e o cinema novo brasileiro, compõem o chamado “cinema de arte”, oposto às produções comerciais de entretenimento.

O neo-realismo surge na Itália em plena II Guerra Mundial. Os cineastas assumem uma posição crítica em relação aos problemas sociais e reagem contra os esquemas hollywoodianos de produção ao usar poucos recursos, linguagem mais simples, atores não-profissionais e tomadas ao ar livre. Inovam nos temas ao tratar criticamente o cotidiano do proletariado, de camponeses e da baixa classe média em meio ao desemprego, à fome e às dificuldades enfrentadas durante e após a guerra. A decisão de abandonar a aventura, o suspense e o artificialismo para retratar o cotidiano é a principal contribuição do neo-ralismo ao cinema moderno. O filme Obsessão (1942), de Luchino Visconti (1906-1976), é considerado a obra inaugural do gênero. Mas é Roma, Cidade Aberta (1945), de Roberto Rossellini (1906-1977), que alcança repercussão internacional. Outro expoente é Ladrões de Bicicletas (1948), de Vittorio De Sica (1901-1974).

Na França, no final dos anos 50, a nouvelle vague defende o cinema de autor e a liberdade narrativa. Seus representantes reagem contra o academicismo das produções francesas, criticam o cinema de estúdio e as formas narrativas convencionais. Realizam obras de baixo custo, privilegiam as câmeras portáteis, equipes pequenas e filmagens nas ruas. Embora influenciada pelo neo-realismo, a nouvelle vague interessa-se pouco pela situação social e política do país, privilegiando as questões existenciais, a discussão da liberdade individual em uma sociedade repressora e os efeitos da memória e do tempo nas relações humanas. Entre os principais filmes estão Acossado, de Jean-Luc Godard (1930-), Os Incompreendidos, de François Truffaut (1932-1984), Hiroshima, Meu Amor, de Alain Resnais (1922-), e Trinta Anos Esta Noite, de Louis Malle (1932-1995).

Nos EUA, o maior destaque dos anos 50 é o cinema noir, que exibe atmosferas sombrias e decadentes. A maioria dos filmes é em preto-e-branco, como Relíquia Macabra, de John Huston (1906-1987). Na mesma época, destaca-se a produção dos diretores Alfred Hitchcock (1899-1980) e Billy Wilder (1906-).

Nos anos 60 e 70, o cinema italiano inclina-se para a investigação psicológica. Nessa linha destacam-se: Michelangelo Antonioni (1912-), com Blow-Up-Depois Daquele Beijo; Federico Fellini (1920-1993), com A Doce Vida; Ettore Scola (1931-), com Nós Que Nos Amávamos Tanto; e Bernardo Bertolucci (1941-), com O Último Tango em Paris. Nos EUA, os principais nomes do cinema de autor afirmam-se na década de 70, como Francis Ford Coppola (1939-), de O Poderoso Chefão; Martin Scorsese (1942-), de Taxi Driver; Robert Altman (1925-), de Mash.; e Woody Allen (1935-), de Manhattan. Na Alemanha, desponta o cinema novo, com os filmes amargurados de Rainer Fassbinder (1946-1982), diretor de O Casamento de Maria Braun, e Werner Herzog (1942-), de O Enigma de Kaspar Hauser. Na Rússia, destaca-se a obra de Andrei Tarkóvski (1932-1986), como Solaris. No Leste Asiático, o japonês Akira Kurosawa (1910-), de Dersu Uzala, desenvolve uma produção peculiar que une temáticas tradicionais e assuntos contemporâneos.

Tendências contemporâneas – A partir dos anos 80, o cinema volta a ser mais narrativo e cresce a preocupação com a viabilidade comercial das produções. É comum cineastas fazerem referências a marcos do cinema, como Brian De Palma (1940-), em Dublê de Corpo, que tem cenas inspiradas na obra de Alfred Hitchcock. Na Europa, o cinema inglês destaca-se a partir da produção do Channel 4 de TV. Os filmes têm muita movimentação de câmera, enfocam problemas sociais e são ousados ao tratar de sexo. Entre os principais diretores estão Alan Parker (1944-), de Coração Satânico; Stephen Frears (1941-), de Minha Adorável Lavanderia; Peter Greenaway (1942-), de O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante; e Kenneth Branagh (1960-), de Henrique V. Na Alemanha e na Suécia, destacam-se, respectivamente, as obras de Wim Wenders (1945-) – Paris, Texas – e Ingmar Bergman (1918-) -, Fanny e Alexander.

Na França o cinema intimista permanece uma tendência forte para diretores como Bertrand Blier (1939-), de Meu Marido de Batom; Jean-Jacques Beineix (1946-), de Betty Blue; Jean-Jacques Annaud (1943-), de O Amante; Louis Malle, de Perdas e Danos; e Claude Chabrol (1930-), de Madame Bovary.

No cinema espanhol distinguem-se Carlos Saura (1932-) e Pedro Almodóvar (1948-). O primeiro faz críticas à vida familiar, como em Mamãe Faz Cem Anos. Almodóvar satiriza a Espanha atual e os antigos melodramas, como em Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos e A Flor do Meu Segredo.

No Leste Europeu nasce um cinema de enfoque político. Destacam-se o polonês Andrzej Wajda (1926-), de O Homem de Ferro; o húngaro Istvan Szabo (1938-), de Mephisto; e o iugoslavo Emir Kusturica (1955-), de Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios. Na China, a Academia de Cinema, após sua reabertura na década de 70, revela diretores como Zhang Yimou (1950-), de Lanternas Vermelhas; e Chen Kaige (1952-), de Adeus Minha Concubina.

O cinema norte-americano absorve valores do cinema de autor. É o caso dos irmãos Joel (1955-) e Ethan Coen (1957-), de Arizona Nunca Mais; David Lynch (1946-), de Veludo Azul; Jim Jarmusch (1953-), de Daunbailó; Spike Lee (1957-), de Malcolm X; e Hal Hartley (1959-), de Confiança. Ao mesmo tempo, o cinema comercial e as superproduções conquistam grande público, como O Parque dos Dinossauros, de Steven Spielberg (1947-); Independence Day, de Roland Emmerich (1955-); e Batman & Robin, de Joel Schumacher (1942-). Os filmes que exploram a violência, como Pulp Fiction – Tempo de Violência, de Quentin Tarantino (1963-); Seven – Os Sete Pecados Capitais, de David Fincher (1963-); e A Outra Face, de John Woo (1948-), atingem um público cada vez maior.

Cinema no Brasil

A primeira sessão pública de cinema no Brasil é realizada no Rio de Janeiro no dia 8 de julho de 1896, apenas sete meses após a histórica exibição dos filmes dos irmãos Lumière em Paris. Um ano depois, Paschoal Segreto (1868-1920) e José Roberto Cunha Salles inauguram uma sala permanente na rua do Ouvidor. Em 1898, Afonso Segreto (1875-1920) realiza o primeiro filme brasileiro , com algumas cenas da Baía de Guanabara. Paralelamente são produzidos pequenos filmes sobre o cotidiano carioca e os lugares importantes da cidade, no estilo dos documentários franceses do início do século.

Primeiros filmes – A partir da inauguração da Usina de Ribeirão das Lages para fornecimento de energia elétrica, em 1907, várias salas de exibição são abertas no Rio de Janeiro e em São Paulo. A apresentação de filmes estrangeiros é acompanhada por aumento da produção nacional. São feitos documentários em curta-metragem e filmes de ficção cada vez mais longos. Os Estranguladores (1908), de Antônio Leal (1876-1946), baseado em fato verídico, é considerado o primeiro filme de ficção brasileiro. Casos policiais são exaustivamente explorados, e crimes da época são reconstituídos, como em Noivado de Sangue e Um Drama na Tijuca.

Entre 1908 e 1911 forma-se um centro carioca de produção de curtas que, além de ficção policial, desenvolve vários gêneros: melodramas tradicionais (A Cabana do Pai Tomás), dramas históricos (A República Portuguesa), patrióticos (A Vida do Barão do Rio Branco), religiosos (Os Milagres de Nossa Senhora da Penha), carnavalescos (Pela Vitória dos Clubes) e comédias (Pega na Chaleira). Essa produção diminui nos anos seguintes em virtude da concorrência estrangeira. Muitos profissionais abandonam a atividade e outros sobrevivem fazendo “cinema de cavação” (documentários sob encomenda). A partir de 1915 são produzidas várias fitas inspiradas na literatura brasileira, em especial na romântica, como A Moreninha, O Guarani e Iracema.

Na mesma época, Cristóvão Guilherme Auler (1865-1927) e Francisco Serrador (1878-1941) realizam os chamados filmes cantados ou falados, em que os artistas se escondem atrás das telas e acompanham com a voz a movimentação das imagens, como em A Viúva Alegre. No gênero filme-revista, que enfoca figuras e acontecimentos político-sociais, destaca-se Paz e Amor (1910), o primeiro no gênero, produzido por Auler e filmado por Alberto Botelho (1885-1973).

Produções regionais – Em 1923, a produção, que se limitava a Rio de Janeiro e São Paulo, estende-se a Campinas (SP), Pernambuco, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Na cidade mineira de Cataguases, o fotógrafo italiano Pedro Comello realiza experimentos cinematográficos com Humberto Mauro (1897-1983) e, juntos, produzem Os Três Irmãos (1925) e Na Primavera da Vida (1926). No movimento gaúcho, de menor expressão, destaca-se Amor Que Redime (1928), de Eduardo Abelim (1900-1984) e Eugênio Kerrigan (1874-1956). Em Campinas, Amilar Alves (1881-1941) ganha prestígio com o drama regional João da Mata (1923).

O ciclo pernambucano, com Edson Chagas (1901-1958) e Gentil Roiz (1897-1975), é o que mais produz. Os primeiros filmes, de 1925, como as aventuras Retribuição e Jurando Vingar, têm personagens que lembram caubóis. Os temas regionais aparecem com os jangadeiros de Aitaré da Praia, com os coronéis de Sangue de Irmão e com o cangaceiro de Filho Sem Mãe.

Em São Paulo, José Medina (1894-1980), acompanhado do cinegrafista Gilberto Rossi (1882-1971), dirige Fragmentos da Vida em 1929. No mesmo ano é lançado o primeiro filme nacional inteiramente sonorizado: Acabaram-se os Otários, de Luiz de Barros (1893-1981). No Rio de Janeiro, em 1930, Mário Peixoto (1910-1992) realiza o vanguardista Limite, influenciado pelo cinema europeu.

Os estúdios – Nas décadas de 30, 40 e 50, o cinema brasileiro é marcado pelo aparecimento dos grandes estúdios. O primeiro a ser inaugurado é a companhia Cinédia, no Rio de Janeiro, em 1930. Idealizado por Adhemar Gonzaga (1901-1978), produz dramas populares e comédias musicais, que ficam conhecidos como chanchadas. Humberto Mauro assina o primeiro filme da companhia, Lábios Sem Beijos (1930). Em 1933 dirige com Adhemar Gonzaga Voz do Carnaval, com a cantora Carmen Miranda. No mesmo ano lança sua obra-prima, Ganga Bruta. A Cinédia, com comédias musicais como Alô, Alô, Brasil, Alô, Alô, Carnaval, lança atores como Oscarito e Grande Otelo.

A Atlântida é fundada em 1941. O filme de estréia, Moleque Tião, revela a preocupação das primeiras produções: a procura de temas brasileiros. Logo, porém, predomina a chanchada, de baixo custo e grande apelo popular, como Nem Sansão Nem Dalila, de Carlos Manga (1928-), e Aviso aos Navegantes, de Watson Macedo (1918-1981).

O mais ousado investimento da indústria do cinema brasileiro é a Companhia Vera Cruz, que surge em São Bernardo do Campo (SP) em 1949. Contrata técnicos estrangeiros e tenta realizar produções mais sofisticadas. Entre elas estão Floradas na Serra, do italiano Luciano Salce (1922-), Tico-Tico no Fubá, de Adolfo Celi (1922-1986), e O Canto do Mar, de Alberto Cavalcanti (1897-1982). O Cangaceiro (1952), de Lima Barreto (1906-1982), faz sucesso internacionalmente, iniciando o ciclo de filmes sobre o cangaço . Amácio Mazzaropi (1912-1981), um dos grandes nomes da companhia, vive o personagem caipira mais bem-sucedido do cinema nacional.

Anos 50 – Até meados dos anos 50, as chanchadas são as principais produções. A partir daí, a temática e os personagens passam a expressar uma identidade brasileira, precursora do cinema novo. Nessa época são produzidos Agulha no Palheiro (1952), de Alex Viany (1918-1992); Rio 40 Graus (1954), de Nelson Pereira dos Santos (1928-); e O Grande Momento (1957), de Roberto Santos (1928-1987), inspirados no neo-realismo. Paralelamente destaca-se o cinema de Anselmo Duarte (1920-), com O Pagador de Promessas, premiado em Cannes em 1962, e o dos diretores Walter Hugo Khouri (1929-), de Noite Vazia, Roberto Faria (1932-), de Assalto ao Trem Pagador, e Luís Sérgio Person (1936-1976), de São Paulo S/A.

Cinema novo – No começo da década de 60 surge o cinema novo, que propõe a realização de filmes de autor, de baixo custo, preocupados com a realidade social e enraizados na cultura brasileira. Os filmes caracterizam-se por imagens com pouco movimento, falas longas e cenários simples. Muitos são realizados em preto-e-branco para dar a idéia de pobreza. É a versão brasileira de estéticas nascidas após a II Guerra Mundial, como o neo-realismo italiano e a nouvelle vague francesa. Primeira experiência importante no cinema do terceiro mundo, o cinema novo pretende promover a discussão política com obras que enfocam problemas sociais. De início a temática centraliza-se no trabalhador rural e na miséria nordestina. Posteriormente predominam temas urbanos ligados à classe média. Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, é o filme pioneiro do cinema novo. Entre as principais produções estão ainda Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha (1939-1981); Os Fuzis, de Ruy Guerra (1931-); Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988); A Grande Cidade, de Carlos Diegues (1940-); e Pindorama, de Arnaldo Jabor (1940-).

No fim dos anos 60, o cinema novo se enfraquece. Em seguida surge o cinema marginal ou underground. Distanciados das preocupações sociais e políticas, os filmes retratam a crise do país de forma debochada. Júlio Bressane (1946-), de Matou a Família e Foi ao Cinema (1969), e Rogério Sganzerla (1946-), de O Bandido da Luz Vermelha (1968), são os principais nomes. Em 1969, o governo funda a Embrafilme, empresa encarregada de financiar o cinema nacional.

Anos 70 e 80 – Nos anos 70, o cinema produz alguns dos maiores sucessos de bilheteria de sua história, como Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto (1955-). Mas o gênero responsável pelo crescimento de público é a pornochanchada, que tem seu centro produtor instalado na chamada Boca do Lixo, em São Paulo. A tentativa de industrialização do cinema é acelerada com a criação do Conselho Nacional de Cinema (Concine), em 1976, para normatizar e fiscalizar o mercado. A Embrafilme fica responsável por financiamento, co-produção e distribuição de filmes brasileiros. Com o fim da censura, no final dos anos 70, a política e a realidade nacional são temas de filmes como Pra Frente, Brasil, de Roberto Faria, e Bye Bye Brasil, de Carlos Diegues.

O cinema brasileiro começa a década de 80 acumulando prêmios em festivais internacionais, com destaque para Eles Não Usam Black-Tie, de Leon Hirszman (1937-1987), vencedor do Leão de Ouro em Veneza. Produções como Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos, Pixote e O Beijo da Mulher-Aranha, de Hector Babenco (1946-), Gaijin, Caminhos da Liberdade, de Tizuka Yamazaki (1949-), A Hora da Estrela, de Suzana Amaral (1932-), e Eu Sei Que Vou Te Amar, de Arnaldo Jabor, ganham prestígio no mercado internacional. Mas a maior bilheteria do cinema brasileiro entre 1976 e 1987 é a do grupo Os Trapalhões, com seis filmes entre os dez que mais faturaram no período. Em documentários os principais nomes são Silvio Tendler (1950-), de Jango, e Sylvio Back (1937-), de Rádio Auriverde. Apesar da retração de público, 70 cineastas estréiam em longa-metragem entre 1980 e 1988. Destacam-se A Marvada Carne, de André Klotzel (1954-); Asa Branca, de Djalma Limongi; e O Homem da Capa Preta, de Sérgio Rezende (1951-). Em 1988, a criação da Fundação do Cinema Brasileiro, que passa a cuidar dos aspectos culturais da produção cinematográfica do país, esvazia as atribuições da Embrafilme, extinta em 1990.

Anos 90 – O início da década de 90 é um período crítico para o cinema brasileiro. A recuperação só acontece a partir de 1994, com o surgimento de vários projetos de incentivo à produção cinematográfica e uma nova lei de audiovisual. São realizados filmes como A Terceira Margem do Rio, de Nelson Pereira dos Santos; Alma Corsária, de Carlos Reichenbach (1945-); Lamarca, de Sérgio Rezende; Vagas para Moças de Fino Trato, de Paulo Thiago; Beijo 2348/72, de Wálter Rogério; e A Causa Secreta, de Sérgio Bianchi. A parceria entre televisão e cinema realiza-se em Veja Esta Canção, dirigido por Carlos Diegues e produzido pela TV Cultura.

A partir de 1995, várias produções chegam ao mercado, como Carlota Joaquina – Princesa do Brazil, de Carla Camurati (1960-); Perfume de Gardênia, de Guilherme de Almeida Prado; O Corpo, de José Antônio Garcia; Sábado, de Ugo Giorgetti (1942-); Mil e Uma, de Suzana Moraes; As Meninas, de Emiliano Ribeiro; e Todos os Corações do Mundo, de Murilo Salles. Destacam-se as co-produções entre Brasil e Portugal, como Terra Estrangeira, de Walter Salles Jr. (1956-) e Daniela Thomas (1959-); e entre Brasil e Estados Unidos, como Jenipapo, de Monique Gardenberg, e O Monge e a Filha do Carrasco, de Walter Lima Jr. O Quatrilho, de Fábio Barreto (1957-), é um dos cinco concorrentes ao Oscar de 1996 na categoria de melhor filme estrangeiro. Surgem ainda novos nomes, como José Joffily (Quem Matou Pixote?) e Rosemberg Cariry (Corisco e Dadá), ao lado de veteranos consagrados, como Carlos Diegues (Tieta do Agreste). A história do Brasil volta a ser tema de vários filmes, como Guerra de Canudos, de Sérgio Rezende; Policarpo Quaresma, de Paulo Thiago; e O Que É Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto.

Cinema novo

Movimento do cinema brasileiro iniciado no começo da década de 60 que ressalta a importância do autor e rejeita o predomínio do produtor e da indústria na realização de um filme. Com o lema “Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”, cunhado por Gláuber Rocha, jovens cineastas propõem a realização de obras voltadas à realidade brasileira e defendem uma linguagem mais adequada ao subdesenvolvimento. De baixo custo, grande parte desses filmes caracteriza-se por imagens com pouco movimento, falas geralmente longas e cenários simples. Muitos são realizados em preto-e-branco para dar a idéia de pobreza. É a versão brasileira de estéticas cinematográficas nascidas após a II Guerra Mundial, como o neo-realismo italiano e a nouvelle vague francesa, que contestam as grandes produções da época, o artificialismo, e se recusam a ser apenas diversão.

Primeira experiência importante no cinema do terceiro mundo, o cinema novo pretende promover a discussão política com obras que enfocam problemas sociais. De início, a temática centraliza-se no trabalhador rural e na miséria nordestina, como em Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos (1928-), marco inicial do movimento. Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha (1938-1981), o principal nome do cinema novo, e Os Fuzis, de Ruy Guerra (1931-), ambos de 1964, também pertencem a essa fase. Posteriormente, predominam temas urbanos ligados à classe média, como em A Grande Cidade (1966), de Carlos Diegues (1940-). Após o golpe militar de 1964 , os filmes utilizam metáforas para tentar driblar a censura. É o caso de Terra em Transe (1967), de Gláuber Rocha, e Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988). O movimento começa a perder força no final dos anos 60, quando surge o cinema marginal ou underground.

Filmes românticos do cinema

Amor, Sublime Amor

A Princesa e o Plebeu

Tarde Demais Para Esquecer

Nosso Amor de Ontem

Doutor Jivago

A Felicidade Não Se Compra

Love Story: Uma história de amor

Luzes da Cidade

Casablanca

E o vento levou

Enquanto você dormia

Titanic

Romeu e Julieta

Dom Juan

[…]

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