Os Últimos Passos de um Homem

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“Os últimos passos de um homem”, relata a história de um homem chamado Mathew, que foi condenado à pena de morte, após ter sido acusado de assassinar junto com outra pessoa dois adolescentes covardemente.

Após de anunciada a sua sentença e conhecendo mais das leis, Mathew começa uma difícil luta contra a pena de morte e busca ajuda com uma freira chamada Hellen para que juntos consigam a anulação de sua sentença.

A partir daí é possível evidenciar no filme temas existencialistas como: liberdade, responsabilidade, angústia, encontro, intersubjetividade, consciência, transcendência e amor.

Diante desses temas foi escolhido pelo grupo para analisar o vídeo a proposta filosófica de Sartre e Kierkegaard.

Segundo a idéia de Sartre em relação à liberdade, afirma que: o que esta na base da existência humana é a livre escolha que cada homem faz de si mesmo e de sua maneira de ser.

Baseado nesta idéia pôde-se verificar que o crime cometido por Mathew foi uma escolha dele, já que o ser humano tem poder de escolha e de optar pelo que é certo e errado. Foi ele quem escolheu praticar este ato bárbaro.

Em vários momentos do filme foi observado que Mathew responsabiliza o seu ato a fatores externos como as drogas e até ao seu próprio amigo, a quem atribui toda a culpa do crime.

Sartre deixa claro em sua obra que: O homem é inteiramente responsável por aquilo que é, não tem sentido as pessoas quererem atribuir suas falhas a fatores externos, como hereditariedade ou a ação do meio ambiente ou a influencia de outras pessoas. Sendo assim, o crime praticado por Mathew é de sua inteira responsabilidade.

Enquanto esteve preso Mathew começou a ler livros de direito e passou a conhecer mais a lei e viu que ao ato cometido por ele cabia apenas prisão perpetua e não pena de morte como estava sendo condenado. Foi a partir deste principio que resolveu buscar ajuda.

Escreveu uma carta para irmã Hellen, uma freira de Nova Orleans, para que pudesse lhes ajudar. A freira diante da situação decide que vai ajudá-lo mesmo sem ter certeza de sua inocência, passa a ser sua diretora espiritual e acaba se envolvendo em uma perigosa luta contra a pena de morte. Foi a partir daí que começou a relação entre as subjetividades de ambos que é o que chamamos de intersubjetiviade.

Kierkegaard em sua obra afirma que: A subjetividade isolada é má. Para ele a única salvação era subjetividade. Deus era como uma subjetividade infinita e compulsora. Crer em Deus era um salto de fé, um comprometimento com o absurdo. A pessoa faz uma escolha por aquele fato histórico porque este significa tanto para ela que até arrisca a vida por ele. Então vive; vive inteiramente cheia das provas para pessoa crer e viver esta fé. A fé é impossível se houver provas e certezas. Sem riscos não há fé, é uma impossibilidade. A fé e a razão são opostas mutuamente exclusivas.

Esta idéia de Kierkegaard pode ser relacionada ao momento que a freira resolve ajudar Mathew, mesmo sem ter certeza de sua inocência e conhecendo também à dor e a revolta dos familiares das vítimas. Ela faz tudo isso por crê em um Deus que é digno de perdão e por saber e crê que todo ser humano é passível de erro.

Impressionada com as condições precárias da condenação e principalmente com a dor e angústia da espera pela execução, irmã Hellen tentou junto com Matthew cancelar sua sentença, como nenhuma das tentativas estava dando certo o mesmo começou a ficar angustiado, pelo fato de saber que o seu amigo o qual fora acusado do mesmo crime, por possuir dinheiro e um bom advogado conseguiu em sua sentença a prisão perpetua, enquanto que o mesmo estava sendo condenado a pena de morte.

Kierkegaard em uma de sua idéias filosóficas com base religiosa,declara que: Deus permite que o homem sofra para que ele perceba que é um abandonado de Deus, e que tenta enganá-lo, e, se Deus na opinião do homem não está atento para este fato, o homem enganou a Deus. Foi o que acontecera com Mathew, diante de todo o seu sofrimento percebeu que estava sozinho e que precisava de ajuda.

É interessante notar, que em diversas partes do filme, as pessoas faziam ponderações a freira por ela estar consolando um assassino, citando supostos trechos da bíblia favoráveis a pena de morte (principalmente passagens do Velho Testamento, onde vigorava o olho por olho), e a freira sempre respondia com outras passagens, dos ensinamentos de Cristo: ame o próximo, perdoe o inimigo.

Então surge no conceito de Deus no pensamento de kierkegaard, uma palavra chave: O amor. È por amor que Deus deve decidir-se eternamente a agir, mas como seu amor é a causa, seu amor deve também ser o fim. O amor de Deus não somente ensina, mas também leva a um novo nascimento do discípulo, passando do não ser ao ser, pois “ o fazer nascer pertence a Deus cujo amor é regenerador”.

Para ela nada justificava a pena de morte, pois ao ordenar a morte de uma pessoa, usa-se o argumento do “olho por olho, dente por dente” e atitudes cruéis e brutais como essa já deviam ter sido deixadas no esquecimento. Além disso, estamos praticando um ato assassino. Sim, estamos assassinando uma pessoa, pois tirar a vida de alguém é assassinato. Negar-lhe o direito de viver é assassinato. mesmo que a pessoa seja culpada.

Esta mesma pessoa de quem queremos extinguir a existência na face da Terra é um , e por isso ela também tem direito à vida e se na lei dos homens a prisão é o meio de punição, então que assim seja. Retirar a vida não ia reparar os danos e a maldade cometida, nem aliviar a dor de ninguém, mas sim fazer mais pessoas sofrerem, porque este indivíduo, por pior que seja também tem família e pessoas que o amam.

Como a irmã Hellen não conseguiu de forma alguma cancelar a pena de morte e havia ficado decretado que em pouco tempo Mathew iria para o corredor da morte, decidiu ajudá-lo de outra forma que era buscando a Deus e se arrependendo do que havia feito, pois só assim teria a salvação eterna.

Essa idéia do filme pode ser relacionada a uma idéia de Kierkegaard que diz que: Só Deus pode salvar o inimigo do desespero. Deus pode a todo instante e é impossível enganá-lo, pois Ele é onipotente e onisciente.

Depois de toda luta de Mathew e irmã Hellen contra pena de morte sem sucesso, chegou o dia da execução, e finalmente o mesmo confessa a freira que havia participado do crime em partes, mais que estava arrependido. Foi aí que a freira falou que o importante é que ele se arrependeu e a bíblia diz que a verdade implica em liberdade.

Segundo Kierkegaard cada criminoso, cada pecador, que pode ser punido neste mundo, pode ser salvo para eternidade. Na eternidade o que será lembrado? O sofrer, aqui, pela verdade. Todas as transações nesse mundo tem como filtro intelectualismo e a espiritualidade, sendo Deus nos céus o parceiro.

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