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quinta-feira, fevereiro 2, 2023

Paradigmas

INTRODUÇÃO

Com este trabalho, eu pretendo estudar a administração, analisando suas características, vantagens e desvantagens dentro de uma organização, identificando os enfoques dados por Peter Drucker, buscando respostas nos diferentes estilos de administração.

Nascido em Viena, Áustria, trabalhou como jornalista em Londres, antes de ir para os Estados Unidos, em 1937. Escreveu o primeiro livro, Concept of the Corporation, em 1946, baseado nos seus estudos sobre a General Motors. Mas The Pratice of Management (1954) inventou a gestão como disciplina. Drucker dividiu o trabalho dos gestores em seis tarefas: definir objetivos, organizar, motivar, comunicar, controlar, formar e motivar pessoas.

Além de cunhar idéias como as da privatização e da gestão por objetivos, lançou o profético livro The Age of Discontinuity (1969), onde anunciou a chegada dos trabalhadores do conhecimento. Nos últimos anos, tem estudado o tema da gestão de organizações não lucrativas.

Peter Drucker lecionou na Universidade de Nova Iorque e é professor da Claremont Graduate School, na Califórnia, desde 1971. É o autor com mais livros publicados sobre gestão, economia e análise social. Está por trás das principais teorias de gestão dos últimos 50 anos, tais como: gestão por objetivos; privatização; cliente em primeiro lugar; papel do líder; descentralização e era da informação.

Os novos paradigmas da administração

Segundo a Enciclopédia Barsa, a “administração caracteriza-se pelo conjunto de princípios, normas e funções que têm por objetivo ordenar, redigir e controlar os esforços de grupos de indivíduos que se associam para a obtenção de um resultado comum.”

Muitos administradores afirmam que a administração serve apenas na tarefa de tomar decisões sobre definição de objetivos e a utilização dos recursos necessários, isto é, zelar pela eficácia e eficiência da organização.(MAXIMIANO, A C. p.22)

Hoje em dia vale questionar se a administração é uma ciência ou uma arte. Como fenômeno social, a prática administrativa é muito antiga, existindo praticamente desde as primeiras organizações, por exemplo, dentro das primitivas comunidade humanas, onde existiam grupos que seriam os embriões das modernas empresas. As expedições para a caça de grandes animais, empreendimento impraticável para um indivíduo, exigiam um esforço conjunto precedido de decisões de planejamento, divisão do trabalho e logística. Era preciso antecipar a rota das migrações da caça, determinar o local onde os caçadores acampariam, preparar víveres a armar os caçadores. Para isso, é necessário um líder.

As pirâmides do Egito também estão aí até hoje para testemunhar que um grande esforço humano coletivo seguiu-se a um intenso trabalho de planejamento de arquitetos, a partir das especificações estabelecidas pelos faraós. Dizem as tradições que a grande Pirâmide de Quéops, levou 20 anos e precisou de 100.000 pessoas para ser construída. É inegável que, além de artesanato e técnica de engenharia, havia entre os egípcios grande competência administrativa.

O autor Antônio Cesar A. Maximiano em seu livro Introdução à Administração, no entanto, afirma que como corpo organizado de conhecimentos, a história da administração é recente. À medida que as organizações proliferam e se tornam complexas, os próprios gerentes e os pesquisadores de diversas disciplinas preocuparam-se em consolidar o conhecimento derivado da prática administrativa. A administração, particularmente no séc. XX, passou a ser um objeto de estudo, o que a transformou numa disciplina – um campo de busca, ordenação e disseminação de conhecimentos disponíveis na vida prática.

Desde que existem as organizações, seus administradores vêm criando um acervo de soluções, um repertório de técnicas administrativas que aumentam e se refinam, geração a geração. É nesse acervo que encontramos a teoria Clássica, Neoclássica, Burocrática, de Sistemas, da Contingência e muitas outras.

Quase tudo o que os executivos fazem, pensam ou enfrentam, já foi estudado por Peter Drucker.

Para muitos, ele pode ser considerado como o patrono da moderna administração. Parte desse sucesso deve-se ao seu extremo poder de antever situações e circunstâncias, baseado em sintomas muitas vezes pouco aparentes aos demais mortais, que derivam em conseqüentes denominações de fórmulas e princípios simples facilmente exequíveis no dia-a-dia das organizações.

Na revista Exame, de fevereiro de 1999, o já nomeado autor faz uma análise da administração que tem como objetivo reexaminar essas teorias existentes dentro da ciência social.

A administração é necessária em todos os tipos de atividade organizada e em todos os tipos de organização. Ela é necessária onde quer que as pessoas trabalhem em conjunto e procurem alcançar uma meta comum. Já que somos constantemente administrados, ou estamos administrando os outros, um aumento do conhecimento de administração deve tornar a vida mais confortável e previsível.

A administração também é universal porque usa uma massa sistemática de conhecimentos, incluindo leis, princípios e conceitos de conceitos que tendem a ser verdadeiros em todos os esforços humanos organizados quer sejam empresas, governos, instituições educacionais, sociais, religiosas, etc.

A administração é necessária nas organizações porque sem elas as pessoas estariam entregues a si próprias e trabalhariam para a obtenção apenas de seus objetivos independentemente das demais, mas tendo uma autoridade final, um chefe para que, se houver necessidade, tenha autonomia para a tomada de decisão e orientação que forem necessárias.

Acredita-se que a organização certa é algo que não existe. Existem apenas organizações, cada uma das quais possui pontos fortes distintos, limitações distintas e aplicações específicas. O que já ficou claro, sim é que a organização não é um absoluto. É uma ferramenta para tornar as pessoas produtivas quando trabalham em conjunto. Como tal, uma estrutura organizacional é adequada para determinadas tarefas em determinadas condições e determinadas épocas.

A organização, como um organismo vivo, deve estar apta para se ajustar e expandir-se continuamente para sobreviver e crescer. O crescimento é um sinal da vitalidade e de garantia de sobrevivência. Para não atrofiar essa vitalidade, com sobrecarga de trabalho e estagnação, e delegação de autoridade parece ser a resposta correta para o esforço total da organização.

As estruturas organizacionais múltiplas permitem que as decisões sejam tomadas pelas unidades situadas nos níveis mais baixos da organização, proporcionando um considerável aumento de eficácia. Um bom exemplo disso é que todos os indivíduos devem aprender a trabalhar ao mesmo tempo em diferentes estruturas organizacionais.

Devemos acentuar a importância de uma equipe bem coordenada. Independentemente dos nomes que atribuímos às funções organizacionais, é importante compreender os fatores que permitem relações construtivas e as práticas que geram hostilidade e conflito.

Existem vários tipos aplicáveis na administração. Não se deve partir da premissa errônea de que existe apenas uma maneira correta da administrar pessoas. Pessoas são seres humanos que possuem características singulares que devem ser respeitadas e levadas em conta dentro do sistema organizacional para que dessa forma haja um melhor aproveitamento motivacional de todo o corpo da empresa.

O fim das fronteiras tecnológicas, dentro de uma organização, partiu da compreensão da necessidade de pesquisa específica, nascendo assim vários outros tipos organizacionais líderes mundiais, tais como automotiva, telefônico e, posteriormente, farmacêutico e computadores.

Com a globalização, os setores competem entre si. O aço compete não apenas com o alumínio, mas com o plástico produzido por companhias petrolíferas e químicas. Os computadores começaram como ferramentas de engenharia e posteriormente tornaram-se aparelhos para armazenar dados. Um outro fator importante para demonstrar o fim das fronteiras tecnológicas é dentro do mesmo ramo, como por exemplo, alimentício brasileiro, competindo com todos os setores alimentícios existentes mundialmente.

Peter Drucker mostra no texto, “os novos paradigmas da administração”, que a informação não é exclusiva de nenhuma indústria ou ramo específico; ela tampouco tem uma só finalidade, e nenhuma finalidade requer apenas um tipo específico de informação.

Existem poucas instituições para as quais os não clientes não representam pelo menos 70% de seu mercado potencial. E, no entanto, muito poucas instituições sabem qualquer coisa sobre os não-clientes; algumas delas nem sabem que eles existem.

A influência da tecnologia sobre a organização e seus participantes é muito grande. Podemos dizer que a tecnologia tem a propriedade de detectar a natureza da estrutura organizacional das empresas. Fala-se de imperativo tecnológico, quando referem-se ao fato de que é a tecnologia que determina a estrutura da organização e o seu comportamento. Não resta dúvida alguma de que existe um forte impacto da tecnologia sobre a vida, natureza e funcionamento das organizações.

Nos anos recentes, houve um aumento substancial dos negócios internacionais. Como parte deste desenvolvimento, as empresas multinacionais tornaram-se as instituições dominantes do mundo dos negócios.

O contexto cultural dos negócios internacionais é importante por causa das variadas culturas em que as multinacionais operam. Alguns conhecimentos dessas culturas é essencial ao bom desempenho. Ao mesmo tempo, deve haver algum esforço para eliminar as ineficiências culturalmente aprovadas.

A própria internacionalização do mundo dos negócios é o fator mais significativo do desenvolvimento das empresas verificado depois das duas guerras mundiais. Aliás, o esforço para a exportação ou para a criação de subsidiárias para pôr o pé em outros territórios estrangeiros é fenômeno relativamente recente, que provocou a integração do desenvolvimento do produto e a descentralização do processo de sua produção.

Hoje, os EUA não mais dominam a economia mundial. A própria globalização da indústria automobilística com o aparecimento do “carro mundial” já é inevitável, levando à interdependência de vários países na produção de um mesmo produto em escala mundial. As demais indústrias estão abandonando as antigas indústrias centralizadas e passando a agir em escala mundial.

Desde a globalização, as empresas não precisam ser grandes para serem inseridas do mercado mundial.

Um bom exemplo deste fato, são empresas de pequeno ou médio porte que estão obtendo lucros redobrados, competindo com grandes multinacionais. Para isso, esses empresários devem seguir os passos do processo de planejamento de marketing, avaliando os pontos fortes e fracos de uma organização, estudar fatores ambientais estabelecendo objetivos de marketing, selecionando o público alvo e desenvolvendo meios para satisfazer alvos escolhidos.

A maioria das empresas, contudo, acha necessário continuar praticando a segmentação de mercado fora de seus mercados internos, adaptando os seus compostos de marketing, para atender os seus específicos. Muitas multinacionais, incluindo a IBM, a Gillette e a Xerox, evoluíram a tal ponto que mais da metade de sua vendas é realizada no exterior.

Embora muitas empresas já estejam comercializando seus produtos no exterior, outras ainda não conseguiram fazê-lo.

O primeiro passo para o sucesso do marketing global é assegurar o apoio da administração. A etapa importante que vem a seguir é pesquisar o processo de exportação e os marcados potenciais. Uma vez que as empresas tenham feito sua pesquisa, podem escolher estratégias básicas para entrar em mercados internacionais, tais como: exportação, licenciamento para exterior, comercialização e produção.

Um dos pontos a ser definido dentro da administração consiste na organização dos resultados existentes aos seus cuidados, desenvolvendo recursos visando obter resultados fora dela.

A maior parte da atividade humana está voltada para a concepção para um determinado fim. Toda organização é criada para alcançar um objetivo ou alguns objetivos. Cada membro das organizações também dá a sua contribuição individual para alcançar certos objetivos pessoais; tais objetivos são visualizados como metas.

A administração por objetivos, ou por metas, constituindo um modelo administrativo bastante difundido e democrático da teoria neoclássica, seu aparecimento é recente: em 1954, Peter Drucker publicou um livro no qual caracterizou pela primeira vez na administração por objetivos, sendo considerado o criador dessa teoria.

A administração por metas é um processo pelo qual os gerentes e funcionários de uma organização identificam objetivos comuns, definem as áreas de responsabilidade de cada um pelos resultados esperados e usam esses objetivos como guias para operações de negócios.

O administrador deve saber entender o que as metas da empresa esperam dele em termos de desempenho, e o seu superior deve saber que contribuição pode exigir e esperar dele e deve julgá-lo em conformidade com a mesma.

Segundo Peter Drucker a administração é a ferramenta específica, a função específica, o instrumento específico para tornar as instituições capazes de gerar resultados.

Resumindo, ele cita que a instituição não existe simplesmente dentro da sociedade e para reagir à sociedade; ela existe para produzir resultados dentro da sociedade e para modificá-la.

O centro da sociedade moderna é a instituição administrativa, e não a informação ou mesmo a tecnologia.

CONCLUSÃO

Ter liderança, saber negociar, administrar conflitos e ser um estrategista são pré-requisitos básicos para o administrador se dar bem no mercado. Recente pesquisa com 5 mil dirigentes do país, feita pelo Conselho Federal de Administração, revela o perfil do profissional que as empresas desejam. O administrador tem que participar do processo decisório; Ter boa comunicação interpessoal; exercer liderança; saber motivar; ser um bom negociante; conseguir administrar conflitos e o tempo; compreender problemas; saber exercitar o poder; Ter conhecimento de informática e um comportamento empreendedor; e dominar o inglês. Os dados da pesquisa mostram que o mercado está exigindo hoje um estrategista.

O administrador responde pelo planejamento e funcionamento de uma empresa. Define programas e metas de trabalho, avalia resultados, identifica problemas e propõe soluções. Atua na área de produção, de recursos humanos (seleção e admissão de pessoal), financeira e organizacional (relações entre empresas e funcionários). Deve ser capacitado para atuar em empresas industriais, comerciais e de prestação de serviços, em organizações públicas e privadas, num contexto criativo e ético. Forma agentes de modernização, capazes de se adequarem às mudanças do ambiente externo.

Um dos fenômenos marcantes do século atual é o surgimento de uma sociedade de organizações. Nessa sociedade, as tarefas sociais importantes estão sendo confiadas a grandes instituições, como o governo, as universidades, os sindicatos, as empresas, etc.

No fundo, todas as instituições e empresas são organizações e, consequentemente, têm uma dimensão administrativa comum. A teoria das administrações, segundo a abordagem neoclássica, salienta que há três aspectos principais nas organizações:

a) quanto aos objetivos;

b) quanto à administração;

c) quanto ao desempenho individual.

Seguem abaixo, 10 conselhos de Drucker extraídos de várias de suas obras:

1. Nas administração estratégica, a eficiência é importante, mas a eficácia é vital.

2. Defender o ontem, isto é, não inovar, é mais arriscado do que fazer o amanhã.

3. Deve-se aprender a ver as mudanças sociais, tecnológicas, econômicas e demográficas como oportunidades e não como ameaças.

4. Os empreendedores mais bem sucedidos que conheci sempre foram homens e mulheres humildes, que tinham consciência de que o sucesso de hoje pode ser o fracasso de amanhã e vice-versa.

5. Inovação é trabalho. Ações sistemáticas, deliberadas e disciplinadas são o que realmente conduzem uma empresa ao progresso.

6. Nunca misture unidades administrativas a unidades empreendedoras.

7. A pesquisa de marketing é um instrumento que pode ser utilizado para descobrir o que os clientes compram, como compram e assim por diante.

8. A simplicidade tende ao desenvolvimento, a complexidade à desintegração.

9. O judô empreendedor sempre se concentra no mercado e é dirigido pelo mercado.

10. Aqueles que sobrevivem tendem a evoluir.

BIBLIOGRAFIA

BOONE E KURTZ, David. Marketing contemporâneo. 8ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora S/A, 1998.

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_____. _____. Abordagem descritivas e explicativas. Vol 2, 5ª ed. São Paulo: Makron Books, 1998.

DRUCKER, Peter F. “Os novos paradigmas da administração”. In: Revista Exame, nº . São Paulo, 24/02/99.

ENCICLOPÉDIA BARSA. Rio de janeiro / São Paulo: Enciclopédia Britannica Editores Ltda., 1964-1977.

LONGENECKER, Justin Goordel. Introdução à administração: uma abordagem comportamental. São Paulo: Atlas, 1981.

MAXIMIANO, Antônio Cesar Amaru. Introdução à administração. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 1985.

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MOTTA, Fernando C. P. Teoria geral da administração. 16ª ed. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1991.

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