PEQUENA HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

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DICAS PARA ANALISAR, COMPREENDER, E INTERPRETAR TEXTOS

Nomes recebidos: Aldeia do Rio Comprido, Aldeia de São José do Paraíba, Vila Nova de São José do Paraíba, Vila de São José do Sul. Em 1871, com o advento da Lei nº 47, ganhou o nome de São José dos Campos, em razão dos campos compreendidos pelo município.

Por que São José dos Campos foi fundada?: São José foi fundada no Vale do Rio Comprido, por ordem do padre José de Anchieta. Nascia a Aldeia de São José do Rio Comprido pela reunião de índios já catequizados, formando uma fazenda de gado. Mas o Vale do Rio Comprido não era bom para sediar aldeia de índios, pois não oferecia defesa contra os caçadores de índios que os escravizava nos engenhos de cana-de-açúcar. A topografia ali dava perfeita visão aos caçadores. Era preciso arranjar outro local. Os jesuítas arranjaram com o fidalgo João Luiz Mafra uma sesmaria de 4 léguas no planalto do centro atual da cidade, perto do Rio Paraíba. No local a defesa era fácil porque a aldeia ficava em ponto e tinha em seu redor o banhado lodoso, por onde os ataques seriam frustados. Nesse local tomou de Aldeia de São José do Paraíba.

Fundador: Há divergência entre os historiados, mas uma carta de Anchieta ao padre- mestre Diogo Laynez, preposto-geral, em 16 de abril de 1563, prova que o fundador foi realmente o Padre José de Anchieta.

Data de Fundação: ( elevada à categoria de Vila) – 27 de julho de 1767.

PATRIMÔNIO HISTORICO

Histórico

O território joseense foi inicialmente ocupado por uma fazenda de pecuária criada oficialmente a partir da concessão de sesmarias, por volta de 1590, a pedido de padres jesuítas. Essa fazenda localizava-se às margens do Rio Comprido, hoje divisa natural entre São José e Jacareí.

A classificação como fazenda de gado foi um artifício usado pelos jesuítas para ocultar dos bandeirantes uma missão catequetética.

A Lei de 10 de setembro de 1611 que regulamentava de aldeamentos de índios dispersos, administrados por religiosos, transformou oficialmente a fazenda em missão de catequese. Esse fato causou desagrado aos colonos que muito necessitavam da mão de obra indígena e que tiveram suas ações dificultadas. O resultado desse conflito entre religiosos e colonos culminou com a expulsão dos jesuítas em 1640 e a conseqüente extinção da missão pela dispersão dos aldeados.

Alguns anos mais tarde, como o “esquecimento” da expulsão por parte dos paulistas, os jesuítas reapareceram no Vale do Paraíba em nova sesmaria, distante cerca de 15 km a nordeste da aldeia velha, onde hoje se encontra o centro comercial. Do novo local tinha-se uma visão privilegiada da área que circundava a aldeia nova, garantindo maior segurança contra invasões, enchentes e permitindo boa ventilação e insolação. Apesar de ser uma nova missão, ora oficialmente tratada como fazenda de gado.

Sabe-se ainda que a organização urbana no plano teórico e prático da aldeia, é obra atribuída ao padre jesuíta Manoel de Leão, cuja principal ocupação era a de ser administrador, estando em São Paulo desde de o ano de 1663, encontra-se à frente das fazendas mais remotas. Entre estas, figura-se o aldeamento em solo joseense.

Em 1662 essa aldeia aparece com o nome de “Residência do Paraíba do Sul” e em 1696 como “Residência de São José”.

Com o início do ciclo da mineração , o aldeamento passa por sérias dificuldades devido a saída de braços para o trabalho mas minas.

Nota-se, ainda, por parte dos padres um certo abandono em relação ao destino da aldeia.

Após a expulsão dos jesuítas do Brasil em 1759, todos os bens dessa ordem religiosa, tais como fazendas, colégio e aldeias passaram para a custódia da Coroa. Esta determinou o governador, D. Luis Antonio de Souza Botelho Mourão, o Morgado de Mateus, que tornasse essas novas propriedades produtivas.

O governador pediu e obteve do Vice-Rei autorização para criar freguesias e Vilas.

A 27 de julho de 1767 foi formalizada a ereção de Aldeia em Vila de São José do Paraíba.

A emancipação à categoria de Vila não foi um fator determinante para o seu progresso, que por muitos anos manteve as mesmas características de uma pequena vila com predominância do setor rural. A principal dificuldade de São José era o fato de a Estrada Real passar fora de seus domínios.

Em meados do século XIX, a Vila de São José do Paraíba já demonstrava alguns sinais de crescimento econômico com o desenvolvimento da agricultura.

O algodão teve uma rápida evolução na região quando São José conseguiu algum destaque e cuja produção atinge seu apogeu em 1864. Nesse mesmo ano, a 22 de abril, a Vila é elevada à categoria de cidade. E, em 1871 recebe a atual denominação de São José dos Campos, seguida pela criação da Comarca em 1872.

Quase simultaneamente, há o desenvolvimento da cultura cafeeira no Vale do Paraíba que começa a ter alguma expressão a partir de 1870, inclusive com a participação de São José. No entanto, foi no ano de 1886, quando já contava com o apoio da Estrada de Ferro inaugurada em 1877, que a produção cafeeira joseense teve seu auge, mesmo num momento em que já acontecia a decadência dessa cultura na região, conseguindo ainda algum destaque até por volta de 1930.

A procura do município de São José dos Campos para o tratamento de tuberculose pulmonar, teria se tornado perceptível no início deste século, devido às condições climáticas favoráveis. Entretanto, somente em 1935, quando o município foi transformado em Estância Hidromineral, que São José passou a receber recursos oficiais que puderam ser aplicados na área sanatorial. Com o advento dos antibióticos nos anos 40, a tuberculose começa a receber tratamento ambulatorial, caracterizando assim o fim da função sanatorial até então exercida por São José, num momento que já é crescente a vinda de estabelecimentos industriais para a cidade.

O processo de industrialização do município, toma impulso a partir da instalação do Centro Técnico de Aeronáutica – CTA, em 1950 e também com a inauguração da Rodovia Presidente Dutra, possibilitando assim uma ligação mais rápida entre Rio de Janeiro e São Paulo e cortando a parte urbana de São José dos Campos. A conjunção desses fatores permitiu que o município caminhasse para o potencial científico-tecnológico em que se encontra.

Região Administrativa

O Estado de São Paulo está dividido político-administrativamente em 11 regiões, sendo São José dos Campos Sede da 3ª Região Administrativa e Integrada por Municípios de todo o Vale do Paraíba Paulista e Costa Norte.

Formação Administrativa Municipal

Oficialmente, o município é constituído por três Distritos: São José dos Campos (sede), Eugênio de Melo e São Francisco Xavier. O Distrito de São José dos Campos é subdividido em dois Subdistritos: 1º Subdistrito de São José dos Campos e 2º Subdistrito de Santana do Paraíba.

Para melhor administrar o município de São José dos Campos, o Poder Público dotou os Distritos de Eugênio de Melo e São Francisco Xavier de Administradores Distritais, enquanto que o Distrito sede foi dividido em quatro Regionais: Centro, Leste, Norte e Sul.

O PLANO DE CRIAÇÃO DO CENTRO TÉCNICO AEROESPACIAL

O plano do Prof. Smith referia-se a algo amplo do que exclusivamente uma Escola Superior, propondo uma integração de atividades em Ciência e Tecnologia no campo aeronáutico, que o Brasil ainda não tinha. Era primordial para o sucesso de uma instituição de tal natureza que a mesma gozasse de autonomia plena, livre para estabelecer sua própria filosofia, diretrizes e procedimentos, bem como gerir, econômica e financeiramente, seus projetos e realizações. Assim, o plano estabelecia a criação de uma instituição que não poderia subordinar-se a qualquer estrutura regulamentar de organização ortodoxa educacional, a fim de não criar empecilhos para a conquista dos meios e dos fins ali pretendidos, prejudicando sua eficiência e objetividade.

O plano continha as seguintes proposições essenciais:

o Centro Técnico de Aeronáutica seria o órgão científico e técnico do Ministério da Aeronáutica com o objetivo de exercer suas atividades em pról da Força Aérea Brasileira, da Aviação Civil e da futura Indústria Aeronáutica, segundo os programas e planos do Ministério;
fazia-se importante que o CTA tivesse autonomia financeira administrativa e mesmo didática, podendo criar novos regulamentos para si, dentre os que regiam o Serviço Público Federal, vigente à época de sua efetivação, bem como os que regiam os regulamentos do Sistema Nacional de Educação, liberado de toda a influência burocrática que viesse a tolher o dinamismo de sua ação realizadora;
a autonomia para instituir e alterar seu próprio regimento interno poderia ser conseguida, fosse ele uma fundação, um órgão autônomo ou uma empresa de capital misto, sem fins lucrativos, sem prejuízo de sua vinculação ao Ministério, por meio da participação de certa porcentagem de representantes do mesmo no Conselho Deliberativo e Fiscal anexo à Direção do CTA: e
o plano previa o estabelecimento de um fundo financeiro, ou de certa porcentagem do orçamento ministerial anual, para a manutenção das atividades regulares do Centro, sem prejuízo do reembolso de despesas nos projetos extras que fosse solicitado e executar para outros órgãos do Ministério ou para outras instituições governamentais.
Para atingir os objetivos complementares, o Centro Técnico de Aeronáutica deveria:

prover os meios para criar e desenvolver uma Universidade de Engenharia, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica-ITA, didaticamente autônoma, sob disposições emanadas de sua congregação de professores, de conformidade com o que viesse a constar em seu Regimento Interno;
estabelecer um regime de ensino de alto nível teórico/prático, segundo os mais avançados métodos educacionais dos países desenvolvidos, adotando-se o regime de dedicação plena, tanto por parte dos professores como dos alunos;
formar uma vida comunitária no campus universitário, de grande comunicação entre alunos e professores, com um sistema de auto gestão – pelos alunos – das atividades culturais, esportivas e sociais de seu próprio interesse;
ficar o regime de concessão de bolsas de estudo para os alunos de maneira a permitir a dedicação ao estudo, em tempo integral, resultando, daí, melhor desempenho de trabalho em empresas estatais ou particulares de transporte aéreo ou para a futura indústria aeronáutica; e
conduzir pesquisas e/ou projetos de natureza científica ou tecnológica (teórica ou experimental), a fim de atingir um estado avançado de conhecimento tecnológico.
Inicialmente, o centro teria a seguinte constituição:

Direção Geral;
Instituto Tecnológico de Aeronáutica;
Laboratórios dos diversos ramos da ciência ligados à aeronáutica; e
órgão de apoio à Direção.
A fim de se conseguir o almejado e elevado padrão técnico-científico, foram previstas as seguintes condições:

consideração de um período experimental. extensivo até 1951, para as fases de construção, organização e adaptação;
funcionamento do Instituto durante o período inicial, com maioria de professores norte-americanos altamente credenciados, contratados por quatro anos *, após o que o contrato poderia ser renovado por período não superior a três anos, se houvesse conveniência entre as partes;
(*) O limite estabelecido de quatro anos obedeceu às disposições legais sobre o prazo máximo dos contratos trabalhistas.

embora com maioria de professores nos níveis de professor associado e pleno, o ITA deveria ter maioria de professores assistentes brasileiros, com exceção nos dois primeiros anos de execução do plano;
findo o período experimental, todo o pessoal norte-americano seria, gradualmente, substituído por brasileiro e, se possível, dentre os formados pelo próprio Instituto;
o Instituto funcionaria como parte integrante do CTA, mas teria autonomia didática, sendo regido por normas elaboradas por sua congregação de professores, calcadas nas diretrizes gerais do Regimento do Instituto;
o primeiro Reitor do ITA exerceria o cargo até dezembro de 1951, à escolha do Ministro da Aeronáutica. Findo esse período, os reitores passariam a ser eleitos pela congregação, em mandatos de dois anos; e
os chefes dos laboratórios especializados do CTA seriam os professores das respectivas cadeiras do ITA.
O plano definia, ainda, a formação de outros Institutos, além do ITA, a serem criados, no futuro, para atender à expansão das atividades do CTA, nos campos da pesquisa & desenvolvimento técnico-industrial do país, assegurando o controle da qualidade dos produtos, conforme exigiam os requisitos de eficiência e segurança aeronáutica.

A Comissão de Organização do Centro Técnico de Aeronáutica ( COCTA)

Como visto, a convite do então Coronel Montenegro e em colaboração com Oficiais do Ministério da Aeronáutica, p Prof. Smith, do MIT, formulou o plano de criação de um centro universitário, de pesquisa para a aeronáutica brasileira, que foi aprovado pelo Presidente da República, em novembro de 1945.

Em conseqüência, no dia 29 de janeiro de 1946, ano do quinto aniversário de criação do Ministério da Aeronáutica, o Ministro Armando F. Trompowski, por intermédio da Portaria nº 36, nomeou a Comissão de Organização do Centro Técnico de Aeronáutica (COCTA), subordinada diretamente à Subdiretoria de Técnica Aeronáutica, cujo Diretor era o então Cel. Av. (Eng.) Casimiro Montenegro Filho. A COCTA foi composta pelos Ten.Cel.Eng. Benjamin Manuel Amarante, Cap.Av.(Eng.) Aldo Weber Vieira da Rosa e Eng. Hélio de Oliveira Gonçalves, para executar o plano recém-aprovado.

A COCTA adquiriu autonomia administrativa, em1947, e foi oficialmente criada pelo Decreto nº 25.508, de 25 de março de 1949. A COCTA foi extinta, em 31 de dezembro de 1953, e o CTA considerado organizado, a partir de 1º de janeiro de 1954, pelo Decreto nº 34.701, de 26 de novembro de 1953.

Assim, de acordo com o estipulado, cabia à COCTA propor, à aprovação do Ministro, sem prazos marcados, os anteprojetos de organização e regulamentação do CTA, bem como as medidas para a efetivação do plano aprovado. Com isso, a comissão teria o tempo e a flexibilidade almejados, para evitar que as disposições legais e regulamentares do ortodoxo sistema do Serviço Público Federal e da organização militar, a que estavam sujeitos os órgãos do Ministério, pudessem conduzir a entraves importantes as diretrizes recomendadas e os projetos básicos visados pelo plano.

O Local Escolhido

A comissão, de imediato, priorizou a definição do local a ser instalado o Centro, dentre os quatro municípios do Estado de São Paulo escolhidos inicialmente. A preferência recaiu a favor do município de São José dos Campos, situado às margens da nova rodovia Rio-São Paulo ( Via Presidente Eurico Gaspar Dutra), em virtude das condições climáticas favoráveis, da topografia, da facilidade de comunicações e obtenção de energia, bem como do relativo afastamento dos grandes centro urbanos, sem estar longe da cidade de São Paulo (86 km), para possibilitar o completo atendimento à futura comunidade ceteana no que se referia à saúde, cultura, comércio,etc., que estivesse além das facilidades que a cidade poderia proporcionar. Adicionando-se a isto, a proximidade do Porto de São Sebastião, ponto de desembarque de grandes “containers” de máquinas e ferramentas, condição importante para a montagem dos futuros laboratórios do CTA, sem se falar no acesso às indústrias de médio e grande porte instaladas ao redor da capital de São Paulo, para o funcionamento dos laboratórios.

Havia, também os fatos de grande interesse por parte dos governantes do Município e de membros representativos da comunidade, com a perspectiva de concessão de importante área denominada Campo dos Alemães, o que entusiasmara Montenegro e sua comissão. Logicamente, compreendiam os joseenses a extensão e o surto de desenvolvimento que a região abarcaria com a instalação do Centro, verdadeiro pólo incentivador de uma nova mentalidade sobre ciência e tecnologia, no Brasil, pois as perspectivas da pesquisa e desenvolvimento, no campo da indústria mecânica, da física, da química, da eletrônica e da engenharia aeronáutica, poderiam vir a revolucionar a cidade de São José dos Campos, elevando-a no conceito da competição entre as cidades do interior do Estado, pois não era à toa que o Vale do Paraíba, como um todo, era chamado por Monteiro Lobato de ” as cidades morta ” do Sudoeste de São Paulo.

O Projeto

Após a escolha do local, duas portarias ministeriais ( nºs 361 e 362, ambas de 5 de outubro de 1946) foram assinadas, nomeando o Ten.Cel.Av.(Eng.) Benjamin Manoel Amarante, o Eng. Civil Alberto de Melo Flores e os Eng. Arq. Hélio de Oliveira Gonçalves e Alcides Áquila da Rocha Miranda, para constituírem a Comissão de Estabelecimento do Concurso de Anteprojetos das Instalações do CTA, bem como o júri para análise desse concurso.

A Comissão do Concurso elegeu o Anteprojeto “B”, de autoria do arquiteto Oscar Niemeyer Soares Filho como o que melhor satisfazia as condições estipuladas no edital. O arquiteto escolhido foi Fernando Geraldo Saturnino Rodrigues de Britto, e o contrato assinado em 30 de abril de 1947. O bom entendimento entre Niemeyer e Brito permitiu a conclusão do Projeto do CTA. A aprovação dos projetos de arquitetura e de instalações, assim como do caderno de encargos para as obras do CTA, foi publicada no Bol. Int. CTA, de 2 de janeiro de 1948.

O ITA

Na forma prevista no plano, o primeiro instituto do Centro a ser instalado seria a escola de formação de engenheiros de aeronáutica.

Assim, desde o início de seus trabalhos, paralelamente às atividades de construção e aquisição de equipamento, a COCTA efetuou a seleção dos professores e técnicos para o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), os quais, inicialmente, trabalharam junto à Escola Técnica do Exército.

Transferidos daquela Escola para o ITA os cursos de preparação e formação de engenheiros de aeronáutica ( Decreto nº 27.695, de 16 de janeiro de 1950), o Ministro da Aeronáutica baixou instruções, regulando a admissão ao Instituto ( Portaria nº 38, de 1º de março de 1950) e a organização deste ( Portaria nº 88, de 24 de abril de 1950).

O ITA foi concebido como um estabelecimento de ensino modelar, comparável às grandes universidades norte-americanas, constituídos por seleto grupo de professores de renome internacional, e sobre o qual manifestou-se o Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura, em sua 375ª sessão, em 5 de maio de 1950, com um voto de felicitações ao Ministro da Aeronáutica, “pela excelente organização dada à Escola de Engenharia Aeronáutica”.

Primeiro com o curso de engenharia aeronáutica de aeronaves, a seguir inciando o de aerovias, e depois o de eletrônica, instituiu-se, assim, o ITA como uma universidade, que da criação de um curso, e vai crescendo, na expressão do Prof. Ernesto de Souza Campos, “… por epigenesia, com a criação ou incorporação de novos cursos ou escolas.”

A CÃMARA MUNICIPAL

Introdução

A República do Brasil esta formada pelos Estados, Municípios e Distrito Federal.

São poderes, independentes e harmônicos entre si, o Executivo ( Prefeitura Municipal) e o Legislativo ( Câmara Municipal).

Câmara Municipal, o que é?

É o órgão legislativo do município, constituída de Vereadores eleitos para uma legislatura de quatro anos.

A Constituição Federal, através do seu artigo 29, estabelece que o número de vereadores será proporcional à população do Município, observados os seguintes limites:

mínimo de 9 e máximo de 21 nos municípios de até um milhão de habitantes,
mínimo de 33 e máximo de 41 nos municípios de mais de um milhão de habitantes e menos de cinco milhões de habitantes,
mínimo de 42 e máximo de 55 nos municípios de mais de cinco milhões de habitantes.
Cabe a Câmara, com a sanção do Prefeito, dispor sobre as matérias de competência do Município e, especialmente:

legislar sobre assuntos de interesse local, inclusive suplementando a legislação federal e estadual;
legislar sobre tributos municipais, bem como, autorizar isenções e anistias físicas e a remissão de dívidas;
votar o orçamento anual e o plurianual de investimentos, a lei de diretrizes orçamentárias, bem como, autorizar a abertura de créditos suplementares, bem como, autorizar a abertura de créditos suplementares e especiais;
deliberar sobre obtenção e concessão de empréstimos e operações de empréstimos e operações de crédito, bem como, a forma e os meios de pagamento;
autorizar a concessão de auxílios e subvenções;
autorizar a concessão de serviços públicos;
autorizar a concessão do direito real de uso de bens Municipais;
autorizar a concessão administrativa de uso de bens municipais
autorizar a alienação de bens imóveis;
autorizar a aquisição de bens imóveis, salvo quando se tratar de doação sem encargo;
dispor sobre a criação, organização e supressão de distritos e subdistritos, após prévia consulta plebiscitária;
criar, transformação, alterar e extinguir cargos, empregos e funções na Administração Pública direta, autárquica e fundacional, assim como fixar e reajustar os respectivos vencimentos, gratificações ou outras vantagens pecuniárias;
aprovar o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado;
autorizar convênios com entidades públicas ou particulares e consórcios com outros Municípios;
delimitar o perímetro urbano;
autorizar a alteração da denominação de próprios, vias e logradouros públicos;
dispor, a qualquer títulos, no todo ou em parte, de ações ou capital subscrito, realizado ou aumentado;
dispor sobre a estrutura da Administração Municipal.
A Câmara Municipal compete, privativamente, as seguintes atribuições:

eleger a sua mesa e constituir as comissões permanentes, bem como destituí-las;
elaborar os seus Regimento Interno;
organizar os seus serviços administrativos;
dar posse ao Prefeito e ao Vice-Prefeito, conhecer de sua renúncia e afastá-lo definitivamente do exercício do cargo;
conceder licença ao Prefeito e aos Vereadores para afastamento do cargo;
autorizar o Prefeito, por necessidade de serviço, a ausentar-se do Município por mais de quinze dias;
fixar os subídios e a verba de representação do prefeito, do Vice-Prefeito, e dos Vereadores;
criar comissões especiais de inquérito sobre fato determinado que se inclua na competência municipal, sempre que o requerer pelos menos um terço de seus membros;
solicitar informações ao Prefeito sobre assuntos referentes à administração;
julgar anualmente as contas do Prefeito e da Mesa da Câmara;
exercer, diretamente ou com o auxílio do Tribunal de Contas do Estado, a fiscalização, orçamentária, operacional e patrimonial, em qualquer órgão da administração direta, indireta, fundacional e autárquica, podendo, inclusive, instaurar auditoria;
convocar os Secretários Municipais, Diretores de Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista, para prestar informações, previamente determinadas, sobre matéria de sua competência importando infração político-administrativa a ausência sem justificação adequada;
autorizar referendo e convocar plebiscito;
zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa do Executivo;
julgar o Prefeito, o Vice-Prefeito e os Vereadores, nos casos previstos e lei;
instaurar processo contra o Prefeito, os Secretários ou qualquer membro de diretoria de fundações, empresas municipais ou de economia mista;
decidir sobre a perda do mandato de Vereador;
dispor sobre sua organização, funcionamento e política, criação e transformação de cargo, empregos e funções de seus serviços e fixação da respectiva remuneração, observando os parâmetros legais;
deliberar sobre assuntos de sua economia interna e competência privativa;
outorgar homenagens a pessoas que, reconhecidamente, tenham prestado serviço ao Município.

Vereadores

Vereador é sinônimo de EDIL, que significa administrar, reger, governar.

São agentes políticos, investidos do mandato legislativo municipal por um período de quatro anos, por voto secreto e direto, com posse no 1º ano de cada legislatura, no dia 1º de janeiro, em sessões solene de instalação, independente de número e sob a presidência do Vereador mais votado dentre os presentes.

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS COM DUAS INSTITUIÇÕES HONROU O POETA CASSIANO RICARDO

As autoridades joseenses, agindo em nome da cidade, em 1967 e em 1974, reconheceram o valor de seu dileto filho CASSIANO RICARDO LEITE, instituindo duas honrarias em sua homenagem: a SEMANA CASSIANO RICARDO e a MEDALHA CASSIANO RICARDO.

Essa atitude da Câmara Municipal veio em tempo, pois a Semana foi instituída enquanto ele estava vivo e a Medalha logo depois de sua morte. Sim, veio em tempo da cidade reconhecer nele um de seus maiores filhos, pois sua vasta obra, seja respeitante à poesia ou à prosa, tem tradução em várias línguas por seu valioso e imenso conteúdo humano, pela clareza, pelo quanto tem de judicioso, inovador e clarividente. As homenagens que lhe foram prestadas vieram também reparar o mau conceito que dele faziam muitos joseenses, alardeando que ele nunca se impressionou com sua terra, acusação leviana e de péssimo gosto. É revoltante a atitude dos que criticam intelectuais da lavra de um Cassiano Ricardo, mas esses críticos laboram em vão, pois a magnitude de sua monumental obra caiu sobre eles, esmagando-os.

“Sou poeta porque nasci em São José dos Campos”, disse Cassiano em seu discurso na Câmara Municipal, quando da instituição da semana que tem o seu nome. Essa resposta calou todos aqueles que o hostilizavam.

O BOLETIM DE HISTÓRIA reproduz o discurso acima citado, bem como as Leis que instituíram a Semana e a Medalha, honrando assim a sua memória, que seguem abaixo:

-“Sr. Presidente da Câmara Municipal, Dr. José de Castro Coimbra. Sr. Representante do Prefeito Municipal Elmano Ferreira Veloso. Ilustres autoridades presentes. Srs. Membros da Comissão Organizadora da Semana Cassiano Ricardo. Minhas Senhoras e meus Senhores. Antes de tudo quero agradecer e o faço vivamente, as palavras entusiastas e calorosas que nós acabamos de ouvir, proferidas pelo Dr. José de Castro Coimbra. Estas palavras eu atribuo uma grande responsabilidade, a de intervir também – nas coisas intelectuais e culturais de minha cidade natal. Não digo que serei líder, isto excede, naturalmente, ao meu merecimento. Mas estareri ao lado de todos aqueles que em São José dos Campos trabalham e contribuem pelas coisas da inteligência e da cultura, da beleza e da arte. Assim respondo ao convite feito ilustre Presidente da Câmara Municipal, com a inteligência e seu brilhante discurso. Organizou-se esta tocante homenagem em me favor e, como filho de São José dos Campos, compreendo bem a grandeza de seu significado. Sinto-me enternecido, como é natural, diante de tão alta manifestação de bem-querer, da parte da cidade onde nasci e onde espero repousar, um dia. Ninguém desconhece, aliás, o amor de cada poeta pelo lugar onde nasceu. “Todos catam sua terra”, disse um deles; vou também cantar a minha: SOU POETA PORQUE NASCI EM SÂO JOSÉ.

E como não haveria eu de amar, acima de todas as coisas, esta São José que me serviu de berço e é meu orgulho? Se aqui nasci poeta é porque São José me fez nascer poeta. Direi, então sou poeta porque nasci em São José. Num sentido mais geral, e sem nenhuma idéia de comparação, lembrarei que um Dante – é apenas um exemplo – foi poeta principalmente por se florentino. Por isso tinha sua Florença “um amor quase sensual de homem pela cidade”. Veja-se Joyce com a sua Dublin, no romance célebre; recorde-se Leopardi jurando morrer por sua cidade: “Alma terra natia, la vita que mi deste eco ti rendo”. Nem preciso ir tão longe. O amor de um Drumond, poeta nosso, por sua Itabira, é bem conhecido. O de Manuel Bandeira por sua Recife já é quase proverbial. Tem razão Menotti, poeta os demais, quando em seu Juca Mulato escreve: “na terra em que se nasce, a própria dor dói menos”. Em sentido inverso, afirmarei que também a alegria é maior, na terra em que nasce. Maior ainda quando pelo afeto a um acontecimento como este.

O FEITIÇO MUNICIPAL – Compreende-se. Não se trata de um localismo estreito e fechado, mas de um apego ao feitiço municipal de que a gente não se desprende mais, mesmo quando está longe, em outros países. O torrão natal do poeta está na origem de seu ser como criatura terrena e afetiva que ele é, e vive no seu corpo, que é feito de chão e de espírito. Caros amigos: nunca se desfez em minha memória a São José do meu tempo, com os amigos da meninice, um José Delias Sobrinho, um Napoleão Monteiro, um Joaquim Moura, um Gaspar Galvão. Os valores já adultos e militantes, que enfeitavam esse tranqüilo mundo, também deles não me esqueço: Donato Mascarenhas, Antônio Porfírio (que me ensinou a ler), Luiz Jacinto, Pena da Câmara, Antero Madureira, Licínio Machado, Felisbino Pinto, a família Lebrão, meu tio José Monteiro, os Veneziani, entre tantos outros. A figura de meu pai, naquele tempo, e de minha mãe, que também era dada à poesia; de meu tio Manuel Ricardo, também poeta, pensando sempre em voz alta, inteligentíssimo, que me ensinou o “a b c” da arte de fazer versos; todos aquele grupo inesquecível que estou sempre, toda vez que me vejo no espelho da alma.

A CIDADE RENASCIDA – E venho dos dias de menino aos dias atuais, maravilhado com o que estou vendo e ouvindo agora…será possível!?, neste recinto de vossa Câmara e em minha cidade renascida. O avanço de São José dos Campos para o futuro também me deslumbra. A sua paisagem industrial, a juventude das suas escolas e faculdades, a operosa administração que possui, com seu ilustre Prefeito Elmano Ferreira Veloso, a cooperação dos que vieram de fora e joje, se fizeram, igualmente, operários de sua grandeza: tudo constitui uma nova inauguração da cidade. Num época em que tanto se fala em sub-desenvolvimento, São José oferece, graças ao trabalho fecundo e à grandeza cívica de sua população um radioso exemplo de desenvolvimento que precisa ser meditado e por certo imitado.

SÂO JOSÉ E A CULTURA – Tal preocupação de progresso não mudou, porém, a índole acolhedora de seu povo, a bondade e ternura de sua gente; e a prova aqui está, no que está, no que esta homenagem tem de mais joseense. Ponha-se de lado da minha pessoa e aprecie-se o desvelo com que São José encara as coisas da arte e da ciência. Tamanha a autenticidade de sua conduta, de que tenho a impressão de que passo de objetivo da homenagem de um participante dela para poder dizer que iniciativas deste Gênero glorificam e elevam minha terra perante São Paulo e todo o Brasil. Sou apenas uma mera circunstância explicativa, na permanência espiritual de minha cidade. Senhor Presidente da Câmara, meus caros amigos: já tenho dito várias vezes o que São José representa em minha existência. Mas há um ponto que desejo mais uma vez, porque está intimamente ligado a meu comportamento de escritor, à atividade que tem sido para mim uma quase atormentada busca de beleza, a que se corporifica nos livros que até hoje publiquei.

O CHEIRO FORTE DA TERRA – Nesses livros, como nas publicações da Academia Brasileira, o nome de São José nunca deixou de ser citado, não só como dado biográfico como também – e quantas vezes – como prova insofismável do meu à minha terra. O primeiro poema, ainda juvenil, quase criança, que pus em letra de forma, foi escrito aqui. A minha infância – e que é a poesia senão a infância que se encontra de novo, em qualquer fase da vida!? – aqui foi vivida, e a conservo pura no coração, dádiva de minha cidade natal. Não há livro meu, de poesia, em que São José não esteja presente. Ou num poema, como aquele que foi até objeto de excelente estudo de Lêdo Ivo, no Suplemento Literário d’O Estado, A Flauta que me roubaram; ou no Martim Cererê, onde se respira, no dizer um Roquete Pinto, “o cheiro forte da terra”, ou num livro mais recente, Um Dia Depois de Ouro, em que figura Elegia, uma sentida recordação do menino que fui e dos companheiros de peraltice, quando brincávamos no beco da Matriz. Nem me falou, em outro poema, a banda de música que muitas vezes ouvi tocar, no coreto hoje Praça Cônego Lima ou desfilando pelas ruas, nos dias de festa: Ainda agora, sem saber porquê, me deu tanta saudade de você.

PRESENTE, MESMO NA DISTÂNCIA – Mesmo longe daqui, em São Paulo ou no Rio de Janeiro, e até na França como Chefe do Escritório Comercial Brasileiro, onde quer que fosse, São José estava comigo, em minha lembrança e no meu sangue. Não se diga, pois, que raramente vinha a São José, se mesmo quando ausente, por força das circunstância, São José estava comigo; e se, na verdade, freqüentes vezes aqui estive, não raro anonimamente, para ver minha cidade ou para procurar, com meu irmão, o lugar onde localizava o pequeno sítio de meu pai, em Vargem Grande, além do Paraíba e do Buquira. Aqui, esteve, também, fazendo-me desapercebido, para uma providência de que Napoleão Monteiro e o distinto Prefeito Veloso tem conhecimento. E é por isso que aceito, de consciência tranqüila, as excepcionais homenagens que aqui me são prestadas; e também porque tudo fiz para merecê-las, nas posições a que fui conduzido: na Academia Brasileira, na Missão Oficial de paria e, agora, no Conselho Federal de Cultura, por designação do Presidente da República.

PROGRAMA DA “SEMANA” – Não quero concluir estas palavras, sem confessar que a festa que hoje se inicia da Semana a que se deu o meu modesto nome, e em que tomarão parte artistas e escritores de grande mérito, não podia ser mais agradável ao meu espírito. Lamento apenas não poder estar presente a todos os atos que a tomam uma admirável seqüência de bom gosto e cultura. Gosto à cultura que se explica pela presença, à frente da Comissão Organizadora, de José Madureira Lebrão, Olney Borges Pinto de Souza, Luiz Gonzaga Guimarães Pinheiro, Roberto Wagner de Almeida, Mário Ottoboni, Darcy de Oliveira, Joaquim Hilário Netto, Pedro Paulo Teixeira Pinto.

CONCLUSÃO – Senhor Presidente da Câmara Municipal: quero frisar um fato que sobremaneira me envaidece, e que é o de ser recebido tão generosamente nesta edilidade, onde têm assento os representantes do povo de minha terra. Todos os joseenses que aqui estão presentes, nas pessoas daqueles que confiaram, em eleições libre e democráticas, o destino da grande cidade valeparaibana, que é a vossa cidade, que é a minha cidade. Ao Senhor Presidente, cujas palavras em nome dos Poderes Públicos locais me tocaram fundo o coração, aos Senhores Vereadores, à todos os que fazem deste órgão legítimo das aspirações de São José – belas e justas aspirações do trabalho e bem social – as minhas homenagens, a minha emoção de agora, a minha gratidão de sempre!”.

A SEMANA “CASSIANO RICARDO”

O processo nº 452/67 que instituiu a Semana “CASSIANO RICARDO” tem a seguinte redação:

“Artigo 1º – Fica instituída no Município a “SEMANA CASSIANO RICADO”, a se realizar no mês de outubro de cada ano e cuja finalidade será promover atividades culturais.

Artigo 2º – Para organização, programação e desempenho das atividades da “SEMANA CASSIANO RICARDO” – será constituída, em caráter permanente, uma Comissão Organizadora composta dos seguintes membros: 1 Presidente; 1 Vice-Presidente; 1 Secretário Executivo; 1 Subsecretário Administrativo; 1 Primeiro Tesoureiro e 1 Segundo Tesoureiro cujas nomeações serão de atribuição do prefeito Municipal, através de Decreto.

§ Primeiro – Os Membros da Comissão Organizadora a que se refere este artigo, terão seus mandatos por tempo indeterminado, competindo ao Prefeito nomeá-los ou exonerá-los, reformulando parcial ou integralmente a Comissão.

§ Segundo – O mandato da Comissão será considerado serviço público relevante, não podendo seus componentes serem remunerados a qualquer título.

Artigo 3º – Fica criado o Prêmio “Cassiano Ricardo” a ser concedido, anualmente, ao autor do melhor trabalho literário, inédito, selecionado em concurso, sendo o prêmio em solidariedade, no encerramento da Semana.

§ Primeiro – No mês de março de cada ano, a Comissão fará publicar edital, fixando normas para o concurso e bem assim o tema e gênero dos trabalhos a serem apresentados.

§ Segundo – O concurso literário para a concessão do prêmio “Cassiano Ricardo” será realizado a partir de 1968.

Artigo 4º – Sem prejuízo da “SEMANA CASSIANO RICARDO”, a Comissão Organizadora poderá promover outras atividades culturais.

Artigo 5º – Do Orçamento Municipal constará, anualmente, verba própria destinada à Comissão Organizadora da “SEMANA CASSIANO RICARDO”, para atender às despesas com suas atividades.

Artigo 6º – Dentro do prazo de 60(sessenta) dias da promulgação desta Lei, o Prefeito Municipal baixará decreto regulamentando-a e nomeando os Membros que comporão a Primeira Comissão Organizadora da “SEMANA CASSIANO RICARDO”.

Artigo 7º – Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

A MEDALHA “CASSIANO RICARDO”

A “Medalha Cassiano Ricardo” foi instituída pelo Decreto Legislativo nº 01/74, de 05 de março de 1974, conforme segue:

“A Câmara Municipal de São José dos Campos aprova o seguinte Decreto Legislativo:

Artigo 1º – Fica instituída a “Medalha Cassiano Ricardo”, como honraria o Legislativo às pessoas ou entidades que se destacaram pela relevância dos serviços prestados à comunidade joseense.

Artigo 2º – A homenagem será conferido pela Câmara Municipal, por proposta de qualquer dos seus membros, acompanhada de justificativa e “curriculum vitae”, aprovada pela maioria indicada na Lei Orgânica Municipal.

Artigo 3º – A Medalha deverá ser confeccionada em metal nobre, contendo, de um lado, a efígie do Poeta, e, de outro, o brasão do Município, com as inscrições: “Medalha Cassiano Ricardo” e “Sou poeta porque nasci em São José dos Campos”.

Artigo 4º – A outorga ao homenageado dar-se-á em sessão solene, especialmente convocada.

Artigo 5º – O presente Decreto Legislativo entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrária.”

Sala da Presidência, aos 05 de Março de 1974 – Francisco Eduardo Pinto Neves, Presidente.

Registrado e publicado na Secretaria da Câmara Municipal de São José dos Campos, aos 06 de março de 1974 – Mário Ottoboni, Secretário Administrativo.

Gentileza Academia Brasileira de Letras

Cassiano Ricardo (C.R.Leite), jornalista, poeta e ensaísta, nasceu em São José dos Campos, SP, em 26 de julho de 1895, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 14 de janeiro de 1974. Eleito em 9 de setembro de 1937 para a Cadeira nº 31, na sucessão de Paulo Setúbal, foi recebido em 28 de dezembro de 1937 pelo acadêmico Guilherme de Almeida.

Era filho de Francisco Leite Machado e Minervina Ricardo Leite. Fez os primeiros estudos na cidade natal. Aos 16 anos publicava o seu primeiro livro de poesias, Dentro da noite. Iniciou o curso de Direito em São Paulo, concluindo-o no Rio, em 1917. De volta a São Paulo, foi um dos líderes do movimento de reforma literária iniciada na Semana de Arte Moderna de 1922, participando ativamente dos grupos “Verde Amarelo” e “Anta”, ao lado de Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Raul Bopp, Cândido Mota Filho e outros. Formaram as fase que Tristão de Athayde classifica de nacionalista.

No jornalismo, Cassiano Ricardo trabalhou no Correio Paulistano (de 1923 a 1930), como redator, e dirigiu A Manhã, do Rio de Janeiro (de 1940 a 1941). Em 1924, fundou a Novíssima, revista literária dedicada à causa dos modernistas e ao intercâmbio cultural pan-americano. Também foi o criador das revistas Planalto (1930) e Invenção (1962).

Em 1937 fundou, com Menotti del Picchia, a “Bandeira”, movimento que se contrapunha ao Integralismo. Dirigiu, àquele tempo, o jornal O Anhanguera, que defendia a ideologia da Bandeira, condensada na fórmula: ” Por uma democracia social brasileira, contra as ideologias dissolventes e exóticas.”

Eleito, em 1950, presidente do Clube da Poesia em São Paulo, foi várias vezes reeleito, tendo instituído, em sua gestão, um curso de Poética e iniciado a publicação da coleção “Novíssimo”, destinada a publicar e apresentar valores representativos daquela fase da poesia brasileira. Entre 1953 e 1954, foi chefe do Escritório Comercial do Brasil em Paris.

Poeta de caráter lírico-sentimental em seu primeiro livro ao Parnasianismo/Simbolismo, em A flauta de Pã (1917) adota a posição nacionalista do movimento de 1922, revelando-se um modernista ortodoxo até o início da década de 40. As obras Vamos caçar papagaios (1926), Borrões de verde e amarelo (1927) e Martim Cererê (1928) estão entre as mais representativas do Modernismo. Com O sangue das horas (1943), inicia uma nova e surpreendente fase passando do imagismo cromático ao lirismo introspectivo-filosófico, que se acentua em Um dia depois do outro (1947), obra que a crítica em geral considera o marco divisório da sua carreira literária. Acompanhou de perto as experiências do Concretismo e do Praxismo, movimentos da poesia de vanguarda, nas décadas de 50 e 60. A sua obra Jeremias sem chorar, de 1964, é bem representativas desta posição de um poeta experimental que veio bem em sua vivência estética e, messe livro, está em pleno domínio das técnicas gráfico-visuais vanguardistas.

Se a obra poética é tida como uma das mais sérias e importantes da literatura brasileira, contemporânea, a de prosador é também relevante. Historiador e ensaísta, Cassiano Ricardo publico em 1940 um livro grande repercussão, Marcha para Oeste, em que estudo o movimento das entradas e bandeiras.

Cassiano Ricardo pertenceu ao Conselho Federal e à Academia Paulista de Letras. Na Academia Brasileira de Letras, teve atuação viva e constante. Relator da comissão de Poesia em 1937, redigiu parecer concedendo a láurea ao livro Viagem, de Cecília Meireles. Para a vitória de seu ponto de vista, manteve destemido confronto. Saiu vitorioso, e Viagem foi o primeiro livro da corrente moderna consagrado na Academia. Ao lado de Manuel Bandeira, Alceu Amoroso Lima e Múcio Leão, Cassiano Ricardo levou adiante o processo de renovação da instituição, para garantir o ingresso dos verdadeiros valores.

Obras – POESIA: Dentro da noite (1915); A flauta e Pã (1917); Jardim das Hespérites (1920); A mentirosa de olhos verdes (1924); Vamos caçar papagaios (1926); Borrões de verde e amarelo (1927); Martim Cererê (1928), Deixa estar, jacaré (1931); Canções da minha ternura (1930); O sangue das horas (1943); Um dia depois do outro (1947); Poemas murais (1950); A face perdida (1950); O arranha-céu de vidro (1956); João Torto e a fábula (1956); Poesias completas (1957); Montanha russa (1960); A difícil manhã (1960); Jeremias sem-chorar (1964).

Ensaio: O Brasil no original (1936); O negro da bandeira (1938); A Academia e a poesia moderna (1939); Marcha para Oeste (1940); A poesia na técnica do romance (1953); O tratado de Petrópolis (1954); Pequeno ensaio de bandeirologia (1959; 22 e a poesia de hoje (1962); Algumas reflexões sobre a poética de vanguarda ( 1964).

Numerosos poemas de Cassiano Ricardo foram traduzidos para o italiano, espanhol, francês, inglês, húngaro, holandês e servo-crata. Marcha para Oeste foi traduzido pelo “Fondo de Cultura Econômica” do México, com o título La Marcha hacia el Oeste; e Martim Cererê, do qual Gabriela Mistral já havia traduzido alguns poemas, foi depois integralmente ver para o castelhano, pela escritora cubana Emília Bernal, e publicado em Madri, pelo Instituto de Cultura Hispânica, em 1953.

O POETA CASSIANO RICARDO

DADOS BIOGRÁFICOS

Nome – CASSIANO RICARDO LEITE.

Nascimento – 26 de julho de 1895.

Filiação – Francisco Leite Machado e Minervina Ricardo.

Escolaridade

GE Olímpio Catão;
ginasial, Colégio Nogueira da Gama-Jacareí;
Faculdades de São Paulo e Rio de Janeiro (formatura de 1971).
Revolucionário de 1932.
Estado civil – Casado em 1ªs núpcias com d. Jacy Gomide e em 2ªs núpcias com a d. Lourdes Fonseca Ricardo.

Atividades

Residiu em Passo Fundo-RS em 1920/1924, envolvendo-se na luta entre maragatos e pica-paus, por ganhar inimizades, retornou a S. Paulo.
Foi secretário do governo paulista (Pedro de Toledo) em 1932 e (Armando Sales) em 1935.
Membro do Cons.Com. Exterior em 1942.
Chefe do Escritório Coml. Do Brasil em Paris 1953.
Falecimento – Faleceu no Hospital dos servidores, no Rio de Janeiro, em 15 de janeiro, de 1934 e foi sepultado no Mausoléu dos Imortais, no Cemitério São João Batista.

QUEM MORREU NÃO FOI ELE…

No discurso do acadêmico JOSÉ CÂNDIDO DE CARVALHO, ao assumir a cadeira de Cassiano na Academia Brasileira de letras, foi citado o trecho poético de profunda reflexão e beleza, onde a morte e o sentir têm conceito invertido:

“quem morreu não foi ele.

Foram as coisas, que deixaram

De ser vistas pelos seus olhos.

Foram os objetos que a sua

Mão deixou de tocar

Os seus livros, os seu pequeno

Cão, estão defuntos

Não foi o sangue que lhe parou

De fluir, nas veias:

Foi, antes, o vinho quem ficou imóvel,

Na garrafa

Não é ele defunto, é o mundo

Que morreu nos seus cinco sentidos”.

BANDEIRA

DESCRIÇÃO

Instituída pela Lei 655 de 02 de fevereiro de 1960. Desenho do estudante da escola João Cursino, Sr. João Vitor Guzzo Strauss, vencedor do concurso promovido pela municipalidade.

CORES

Blau de prata; treze listras; figura de uma roda dentada em ouro simbolizando a riqueza sempre ascendente do Município; faixa em prata; sinuosa; representando o Rio Paraíba do Sul; três estrêlas simbolizando os três distritos: São José dos Campos, Eugênio de Melo e São Francisco Xavier; os treze dentes da engrenagem falam do entrosamento entre o Estado e o Município.

BRASÃO

Brasão de Armas de São José dos Campos, de autoria de Afonso de Taunay e José Wasth Rodrigues, aprovado pela Lei Municipal Nº 180 de setembro de 1926, cujo desenho foi restaurado através da Lei Nº 2178 de 03 de maio de 1979 com as seguintes características:

DESCRIÇÃO

I. Escudo português, cortado, e partido o campo do chefe em dois quartéis e encimado pela coroa mural;

a) primeiro quartel: em campo de ouro, quatro cabeças, de sua cor, de índios guaianases, afrontados e acantonados ladeando o brasão do venerável José de Anchieta, como símbolos da fundação do povoado de São José no século XVI;

b) segundo quartel: em campo de sinople (verde) um lírio e uma haste cruzados, de prata, e uma faixa ondeante, também de prata, simbolizando o Rio Paraíba, constituindo as “Armas do Município”.

c)no campo inferior, metade do escudo, de goles (vermelho), uma panóplia bandeirante, arcabuz, espada, machado e bandeira, tudo de sua cor, recordando a entrada dos desbravadores em terras de São José no século XVI;

II. suportes: dois tenentes do terço miliciano criado para o Norte de São Paulo, pelo Morgado de Mateus, então Governador da Província, e dois ramos de café frutificados, tudo ao natural, como ornamento exterior, sobre os quais se assenta o escudo;

III. coroa mural: em couro, com cinco torreões, visíveis, tendo a porta principal, aclarada, o brasão do Morgado de Mateus;

IV. listão: em prata, e letras de goles (vermelho) a divisa “AURA TERRAQUE GENEROSA”- Generosos São Meus Ares e a Minha Terra;

V. sob o Brasão, e dele fazendo parte, serão inscritas as palavras “São José dos Campos”.

HINO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Em 1967, ano do 2º Centenário de elevação a Vila (que depois alcançou o status de cidade, pela Lei Provincial nº 27 de 22 de abril de 1864), a Prefeitura instituiu um concurso para a confecção do Hino do 2º Centenário, oficialmente pela Lei nº 1.463, de 26 de agosto de 1968, tendo alcançado sucesso, o trabalho do Professor Vitor Machado de Carvalho, que teve partitura do Maestro Pepe Ávila, de São Paulo.

Estribilho:

Ei-la envolta na neblina
Debruçada na colina,
Sob o olhar da Mantiqueira
São José a Hospitaleira
São José Bicentenária
Das mãos de Anchieta nascida,
Desta terra legendária
Que alegre vivas unida
No teu trabalho febril
Que o orgulho sejas do Vale
A cidade que mais cresce
Pois o título desvanece

(estribilho)

De operário a estudante,
Teu sangue novo estoante
Flui da escola à oficina
E da fé te ilumina,
Unes o livro ao esmeril,
Terra de obreiro e de bardo,
Que tens Cassiano Ricardo
O Poeta do Brasil.

ESTÂNCIA CLIMÁTICA

O início da história do Instituto das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada se deu quando, em 7 de junho de 1922, uma jovem paulistana, Dulce Rodrigues dos Santos, 21 anos, veio para essa cidade em busca de melhorias para sua saúde. Na ocasião São José dos Campos era considerada uma das melhores estâncias climáticas do país, devido o seu clima saudável, às condições, grau de umidade do ar, e outros fatores que influenciavam a cura da Tuberculose, o que fez com um grande número de doentes a procurassem.

Aos poucos a cidade vai se transformando, tornando-se uma cidade industrial de grande porte, projetando-se inclusive, mundialmente, por volta 1965, quando a instituição encerrou-se definitivamente a fase de sua história conhecida como “sanatorial”.

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