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quinta-feira, novembro 24, 2022

ECONOMIA DA CHINA

A China é um país de economia planificada, isto é, controlada pelo estado segundo os princípios socialistas. Com a morte do presidente Mao Zedong (Mao Tsé-tung), a economia passou por um processo de modernização e liberalização, visando mais eficiência e melhor aproveitamento dos recursos.

Organização econômica:
O novo regime instaurado em 1949 procurou transformar a sociedade e a economia com a socialização dos bens básicos: a terra, a indústria e as fontes de energia. Eliminada a propriedade privada dos meios de produção, o objetivo seguinte foi o desenvolvimento produtivo e a industrialização, contando apenas com os recursos internos. Isso se realizou com a planificação da economia a médio prazo e com os planos qüinqüenais.

Contudo, a partir de 1978, pouco depois da morte de Mao Zedong, a política econômica tomou novo rumo, cujo objetivo prioritário era modernizar o país. Deixou-se de lado o mito da auto-suficiência econômica e intensificaram-se as trocas comerciais com o Japão, a Europa e os Estados Unidos. Além disso, houve mudanças no sistema de gestão industrial e o sistema de comunas camponesas foi complementado com a criação de pequenos lotes privados.

Agricultura, pecuária e pesca. Os chineses têm praticado a agricultura no mínimo há três milênios. Depois da revolução, o governo procurou aumentar a produção agrícola para atender as necessidades da população sem recorrer às importações. A exploração do campo foi organizada em comunas, cujo tamanho e riqueza variavam de acordo com a região. No fim do século XX, dois terços da população se dedicavam às atividades primárias da economia.

A necessidade de aumentar a produção exigia maior rendimento das áreas cultivadas, cujos solos estavam depauperados após séculos de utilização intensiva. Com essa finalidade, já na década de 1960 a terra passou a ser adubada com fertilizantes químicos e o curso dos rios foi alterado; as secas passaram a ter menos impacto e construíram-se canais, barragens e muros de contenção para atenuar os efeitos das inundações.

A China apresenta grande variedade de regiões agrícolas. As terras mais férteis estão no sudeste e no centro do país. As regiões do norte e do oeste têm zonas de cultivo que se estendem pelos sopés dos maciços montanhosos.

As culturas mais importantes são as de cereais, de que a China é um dos maiores produtores do mundo. Destacam-se o arroz, no sudeste, e o trigo, o milho e a soja. Também são importantes as culturas de hortaliças (batata-doce e batata-inglesa) e de produtos de uso industrial como o algodão. Cultivam-se ainda plantas tropicais como o amendoim, o chá e a cana-de-açúcar.

A importância da pecuária é relativa, pois quase toda a terra disponível é dedicada à agricultura. As criações mais importantes são as domésticas (patos e porcos), em que a China ocupa um dos primeiros lugares. O gado bovino (búfalos) e o eqüino é utilizado para tração nas atividades agrícolas. A criação extensiva ou nômade (ovelhas e cavalos) ocorre nas regiões que não comportam agricultura: a oeste de Xinjiang, na Mongólia Interior ou no Tibet.

O peixe tem lugar de destaque na alimentação dos chineses:
A pesca fluvial é muito importante, praticada nos rios, canais, arrozais, lagos e até nos charcos e zonas pantanosas. A pesca costeira se faz com embarcações artesanais (barcos a vela e a remo), enquanto as embarcações motorizadas são reservadas quase exclusivamente à pesca em alto-mar. A China é um dos primeiros países em volume de pesca.

Mineração e energia: São enormes os recursos do subsolo chinês, mas as grandes distâncias, o relevo acidentado e as vias de comunicação insuficientes limitam as possibilidades de seu aproveitamento.

A China possui uma das maiores reservas de carvão do planeta. As jazidas mais ricas encontram-se no norte, na bacia de Shanxi e no oeste de Shandong. No sul da China, há pequenas explorações que alimentam a indústria da região. A partir da década de 1960, a prospecção de hidrocarbonetos deu excelentes resultados. As principais reservas de petróleo ocorrem em Daqing (Tashing), no golfo de Bo, na bacia de Qaidam e em Xinjiang. A produção atende às reduzidas necessidades internas e o resto é exportado. A eletricidade provém de grande número de centrais térmicas, hidrelétricas e nucleares.

O subsolo chinês contém grandes reservas de ferro e manganês. Possui também abundantes jazidas de molibdênio, tungstênio, bauxita, cobre e estanho.

Indústria:
A partir de 1842, o antigo artesanato chinês (tecidos, cerâmica, cristal) começou a ser complementado por uma indústria moderna que esteve em mãos de estrangeiros (ingleses, russos e japoneses) até a revolução de 1949.

Desde o começo, o regime revolucionário se propôs converter a China num país industrial. Nos primeiros dez anos, o apoio técnico e financeiro da União Soviética permitiu um vertiginoso desenvolvimento industrial, interrompido em princípios da década de 1960, com o fracasso do chamado “grande salto para a frente” e o fim da ajuda soviética. Mesmo assim, em 1970 a produção industrial havia triplicado em relação à de 1949: a China tornara-se o país mais industrializado do Terceiro Mundo. Depois da morte de Mao, e sobretudo a partir de 1978, observou-se uma clara evolução da política industrial, que se materializou na multiplicação das importações de bens de equipamento e de tecnologia e no estímulo à produtividade (diversificação de salários e atribuição de gratificações por desempenho).

A indústria siderúrgica, especialmente estimulada a partir de 1949, não consegue satisfazer as necessidades do país. As instalações mais importantes são as de Anshan, Baotou (Paotou) – na Mongólia Interior – e Xangai.

Na indústria mecânica tem destaque a fabricação de caminhões (fundamentais para o transporte, dada a insuficiência da rede ferroviária) e de tratores. As principais fábricas estão em Tianjin, Baotou, Xangai e Cantão. São também importantes as indústrias de construção naval instaladas em Lüda (Dairen) e Xangai; de material ferroviário, em Changzhou e Lüda; de material elétrico, em Harbin; e de equipamentos agrícolas, em Lüda,
Pequim, Tianjin, Nanquim e Fushun.

A indústria química cresceu espetacularmente já na década de 1960, com a produção de fertilizantes e com a petroquímica. Pequim e Xangai são os núcleos onde se localizam os maiores complexos químicos. A indústria têxtil apresenta enorme volume de produção, atendendo a mais de um bilhão de pessoas. Seu grau de evolução tecnológica varia desde a manufatura artesanal até a tecnologia de ponta. Destaca-se a fabricação de artigos de lã, seda e algodão e, em menor grau, a de fibras sintéticas. Muito dispersos, os principais centros têxteis ficam nos núcleos mais povoados: Xangai e Pequim.

Comunicações e comércio:
A insuficiência da rede viária constitui um dos maiores problemas da economia chinesa, embora a malha de estradas e ferrovias tenham-se multiplicado a partir de 1949. A rede de transportes terrestres é decerto mais densa no leste da China, sobretudo no eixo Pequim-Xangai, que é a região mais populosa e industrializada. Acham-se também asseguradas as comunicações com as regiões menos povoadas, porém estratégicas, do oeste do país, Xinjiang e o Tibet.

As insuficiências são compensadas pelas hidrovias (mais de 150.000km), sobretudo o rio Amur e seus afluentes, além do curso inferior do Yangzi. A eles acrescenta-se o grande canal, reformado em 1958, que une o rio Amarelo ao Yangzi.

O transporte marítimo é assegurado por navios estrangeiros, pois a marinha mercante chinesa, em que pese o notável incremento de sua capacidade de carga, não pode absorver todos os fretes. Os principais portos são Lüda, Tianjin, Xangai e Cantão.

As rotas aéreas domésticas são atendidas por companhias nacionais, mas a exploração da maior parte das linhas internacionais está em mãos de empresas estrangeiras. Pequim, Xangai e Cantão possuem aeroportos internacionais.

Na China, o comércio exterior é monopólio do estado. Durante o regime maoísta reduziram-se ao mínimo as transações com o estrangeiro, mas essa situação mudou progressivamente após a morte do presidente Mao. Até 1969, o maior volume de trocas era com os países socialistas. Desde 1970, porém, os maiores fornecedores são o Japão, Hong Kong, a Europa ocidental e os Estados Unidos. O comércio com o Terceiro Mundo está vinculado à ajuda financeira e técnica que a China presta aos países em desenvolvimento.

Os chineses importam dos países desenvolvidos bens de capital (às vezes fábricas completas), fertilizantes, trigo e matérias-primas (algodão, lã e cobre). Em contrapartida, vendem matérias-primas (soja, antimônio, tungstênio e seda natural), produtos alimentícios (chá, carne de porco) e manufaturas destinadas a países do Terceiro Mundo (maquinaria, tecidos e produtos farmacêuticos).

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