1. REENGENHARIA

1.1. INTRODUÇÃO

Um conjunto de princípios estabelecidos há mais de dois séculos moldou a estrutura, a gestão e o desempenho das empresas, através dos séculos XIX e X. As pessoas fundaram e construíram empresas em torno da brilhante descoberta de Adam Smith de que o trabalho industrial deve ser decomposto em suas tarefas mais simples e básicas. Os empresários, executivos e gerentes criaram e conduziram empresas que por mais de 100 anos atenderam a demanda crescente pelos produtos e serviços do mercado de massa. Os gerentes e as empresas por eles geridos fixaram padrão e desempenho para o resto do mundo empresarial. Esse não é mais o caso. Chegou à hora de se aposentarem esses princípios e de se adotar um novo conjunto.

As novas organizações serão empresas projetadas especificamente para funcionar no mundo de hoje e de amanhã, e não instituições provindas de uma era anterior, gloriosa, mas que deixou de ser relevante.

Na era empresarial pós-industrial, as empresas serão fundadas e construídas em torno da idéias da reunificação dessas tarefas em processos empresariais coerentes.

As empresas atuais precisam se reinventar. Chamamos as técnicas de que podem se valer para isso de reengenharia empresarial. As grandes empresas, inclusive as mais bem sucedidas e promissoras, precisam abraçar e aplicar os princípios da reengenharia empresarial, ou serão eclipsadas pelo maior sucesso daquelas que o fizerem.


1.2. CONCEITOS E EXEMPLOS

1.2.1. Reengenharia

A reengenharia foi uma reação ao colossal abismo existente entre as mudanças ambientais velozes e intensas e a total inabilidade das organizações em ajustar-se a essas mudanças. Para reduzir a enorme distância entre a velocidade das mudanças ambientais e a permanência das organizações tratou-se de aplicar um remédio forte e amargo. Reengenharia significa fazer uma nova engenharia da estrutura organizacional. Representa uma reconstrução e não simplesmente uma reforma total ou parcial da empresa. Não se trata de fazer reparos rápidos ou mudanças cosméticas na engenharia atual, mas de fazer um desenho organizacional totalmente novo e diferente. A reengenharia se baseia nos processos empresariais e considera que eles é que devem fundamentar o formato organizacional.

1.2.2. Fundamentos de Reengenharia

Para alguns autores, a reengenharia é o reprojeto dos processos de trabalho e a implementação de novos projetos, enquanto para outros é o repensar fundamental e a reestruturação radical dos processos empresariais visando alcançar drásticas melhorias no desempenho de custos, qualidade, atendimento e velocidade. Assim, a reengenharia se fundamenta em quatro palavras-chave:

a) Fundamental: busca reduzir a organização ao essencial e fundamental. As questões: Por que fazemos o que fazemos? E por que fazemos dessa maneira?
b) Radical: impõe uma renovação radical, desconsiderando as estruturas e procedimentos atuais para inventar novas maneiras de fazer o trabalho.
c) Drástica: a reengenharia joga fora tudo o que existe atualmente na empresa. Destrói o antigo e busca sua substituição por algo inteiramente novo. Não aproveita nada do que existe.
d) Processos: a reengenharia reorienta o foco para os processos e não mais para as tarefas ou serviços, nem para pessoas ou para a estrutura organizacional. Busca entender o “quê” e o “porquê” e não o “como” do processo.

1.2.3. Exemplos de Empresas Adeptas da Reengenharia

1.3. CONCLUSÃO

A reengenharia introduz conceitos novos e revolucionários, os quais requerem mentes abertas e podem ser aplicados de forma pragmática em outros conceitos de mudança. Trata de processos e procura simplificá-los de forma a eliminar as fontes de erro e de atrasos, bem como, de custos desnecessários.

A reengenharia encontra oposição, porque implica outras formas de trabalhar, mas tem de ser feita com aqueles que serão afetados e nunca contra eles. Portanto, é importante salientar a necessidade de uma nova forma de relacionamento com os empregados e com todos os grupos ligados à organização. São esses grupos que levarão a cabo qualquer projeto de reengenharia e que devem ser a força criativa que determinará o futuro da organização.

Os processos devem ter em vista satisfazer o cliente da forma mais satisfatória para este e da forma mis eficiente e econômica para a empresa.

Assim sendo, a reengenharia pode ser vista como o grau mais elevado dos processos de melhoria contínua, sendo portadora de um conjunto valioso de conceitos e técnicas, os quais não precisam de ser aplicados integralmente, nem de forma ortodoxa. Consiste no repensar fundamental e no redesenhar radical dos processos de trabalho com o objetivo de obter melhorias dramáticas nas medidas contemporâneas críticas da performance da empresa, seja nos custos, na qualidade, no serviço ou no tempo.

2. READMINISTRAÇÃO

2.1. CONCEITO

Readministração é uma forma de gerir as organizações, de um lado organizações eficientes, eficazes e efetivas e, de outro, indivíduos satisfeitos, atualizados e recompensados com e pelo que fazem.

A idéia de readministração surgiu como contraponto da idéia de reengenharia, que é considerada revolucionária, radical e drástica, que causava grande impacto nas pessoas e nas atividades, e sua visão era somente em curto prazo, sistêmica e técnica. A readministração visava à vantagem competitiva, a satisfação do cliente e dos membros da organização. Enfocava as responsabilidades sociais, ecológicas e técnicas, e compreendia a empresa com uma visão holística e abordagem evolucionária e programada. Assim, a readministração tem como propostas:

• Questionar a aplicabilidade da Reengenharia
• Propor uma reformulação mais abrangente e menos radical das orientações administrativas e gerências, mais aplicável em longo prazo com uma teoria ou filosofia administrativa renovada.



2.2. REENGENHARIA x READMINISTRAÇÃO

Os modelos administrativos adotados na maioria das nossas empresas tiveram sua origem no início do século, numa época em que o mercado consumidor era amplamente comprador, e nossos clientes tinham um nível de exigências primitivo.

Desta época data-se a primeira grande revolução da produtividade conhecida como Administração Científica, na qual o Engenheiro Frederick W. Taylor revolucionou os processos industriais ao propor a divisão e a subdivisão do trabalho, a organização racional do trabalho, a utilização das linhas de montagem, e o conceito do “homem econômico”, pelo qual o homem trabalha apenas pelo dinheiro que o trabalho proporciona. Tais conceitos rapidamente ganharam adeptos como: Henry Ford, Frank e Lilian Gilbreth, Henri Fayol, Alfred Sloan, dentre outros.

Mas ao mesmo tempo em que a “Administração Científica” ganhava adeptos, ela ganhava contestadores na mesma velocidade, e desta forma surgiu em 1927 a “Escola Neoclássica”, principalmente quando Elton Mayo efetuou a famosa experiência de Hawthorne, a partir da qual descobriu-se questões relativas aos aspéctos emocionais e psicológicos dos trabalhadores, dando origem à Teoria das Relações Humanas, cujo principal papel foi à posição antagônica que a mesma defendia frente à Administração Científica.

Desta forma, enquanto a Administração Científica considerava o homem apenas como um autômato do processo produtivo, dando completo destaque à parte mecanicista das organizações, a Teoria das Relações Humanas abordava o aspecto humano e as relações entre as pessoas que compunham as organizações, e o mundo empresarial jamais chegou a uma conclusão sobre qual destes conceitos administrativos eram mais aplicáveis dentro das empresas, a tal ponto que apesar de antagônicos passaram a ser aplicados concomitantemente.

Quase 100 anos nos separam das publicações de Taylor, e outros 70 anos nos separam das primeiras experiências de Mayo, o mercado consumidor é completamente diferente, fala-se em qualidade, em produtividade, em eficácia, porém o velho dilema persiste, é bem verdade que travestido de uma nova roupagem, talvez parecendo até que existe alguma coisa de novo no ar.

Nos anos 90 surgiu uma nova corrente de pensamento, denominada Reengenharia, que prometia fazer verdadeiros milagres dentro das empresas, destacando-se ganhos de até 80% em produtividade após a implementação das mudanças no processo produtivo, porém depois de algum tempo descobriu-se que a Reengenharia não passava da velha e conhecida “Organização Racional do Trabalho”, somente que desta vez ela estava sendo aplicada a processos adaptados às novas exigências dos consumidores.

Quase que imediatamente, a nova tendência foi criticada pelos adeptos da chamada readministração, que condenavam os métodos utilizados pela reengenharia quanto à forma com que ela tratava os participantes da organização, repetindo os mesmos conceitos desenvolvidos pela teoria das Relações Humanas.

Se estabelecermos um quadro comparativo entre os princípios da reengenharia e da readministração, teremos a situação abaixo:



3. BIBLIOGRAFIA

Introdução à Teoria Geral da Administração: CHIAVENATO, Idalberto

A Readministração: FERREIRA, Ademir Antônio

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