1-INTRODUÇÃO

CARVALHO, Nelly de. O que é Ambigüidade nos convida a desmistificar o recurso lingüístico da ambigüidade, explorando com diversas ópticas seu emprego, suas decorrências e conseqüências diante do processo de comunicação.

A autora inicia o breve texto de 3 (três) paginas, expondo ao leitor exemplos cotidianos clássicos onde há ocorrência do famoso vício de linguagem da ambigüidade, exemplos estes presentes nas manchetes de jornais, anúncios publicitários, nos diálogos corriqueiros.

Nelly defende a idéia de que a dualidade deste recurso lingüístico pode ser útil para a produção e compreensão textual, e da mesma forma inútil, dificultando-a. E amplia o raciocínio, afirmando que a dubiedade do recurso conhecido como falha lingüística, na maioria dos casos pode dar leveza e graça à frase, tornando-a maliciosa ou poética. Para ela, ambigüidade é uma qualidade que possuem as línguas de permitir duas interpretações de uma mesma mensagem.

No desenrolar da obra, a autora evidencia situações em que a ambigüidade torna-se um recurso com efeitos diversos, defendendo a idéia de que o sentido múltiplo proporciona humor, malicia e até poesia, ampliando assim o alcance da frase ou expressão. Para exemplificar tal alcance, Nelly utiliza-se de um anúncio publicitário utilizado por um posto de gasolina no Dia dos Pais, com a seguinte frase: “Pai não enche nunca, completa sempre”. Este é um exemplo claro de que a dubiedade deste recurso estilístico acrescenta à expressão efeitos poéticos e humorísticos, instigando o leitor a desvendar o que há nas entrelinhas.

Um ponto que desperta a atenção do leitor no texto é a inserção da gramática normativa, sem que para isso, o texto se torne uma leitura especifica ou monótona. A autora ensina a seus receptores a variedade de ambigüidades existentes, e como estas são compostas. Esclarecendo as diferenças entre a ambigüidade causada pela polissemia (múltiplo sentido da palavra), homonímia (escrita igual, sentidos diferentes) e até mesmo pela homofonia (mesmo som).

Por fim, a autora recomenda ao leitor que ao escrever, faça um planejamento textual, planejando assim o emprego de expressões ou palavras ambíguas. Segundo a própria autora, se estas não foram planejadas e empregadas intencionalmente, comprometem a leitura e tornam-se um obstáculo comunicativo.

2- OPINIÃO CRÍTICA

Dotado de objetividade, riqueza de conteúdo e estilo, o texto aqui resenhado, amplia o conhecimento do leitor, de tal forma que a absorção de conteúdo passa desapercebida. A linguagem empregada e a interlocução atraem o receptor do conteúdo e torna a obra acessível e agradável. A autora invoca o leitor a descobrir o quão é útil o uso deste recurso e as diversas faces do seu emprego, desmistificando a então idéia pré-concebida de que este recurso seria um vício de linguagem, um defeito textual. Nelly nos prova que em construções textuais antecedidas de planejamento, o recurso da ambigüidade é empregado com estilo e ousadia, tornando assim a leitura rica.

A obra, em poucas páginas, reúne um vasto conhecimento normativo, conteúdo acessível, clareza de expressão, poder de sedução e enorme interlocução tornando o texto uma leitura agradável e recomendável para todos aqueles que exaustos da inacessibilidade da gramática normativa, almejam desmistificar os recursos lingüísticos da Língua Portuguesa.

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