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terça-feira, junho 18, 2024

SISTEMA NERVOSO CENTRAL

Autor: Rafael Marcatti

1- Introdução

Admite-se que no homem adulto de estatura mediana o menor encéfalo compatível com a inteligência normal seria de 900 gramas. Acima deste limite as tentativas de se correlacionar o peso do encéfalo com o grau de inteligência esbarram em numerosas exceções (este se refere ao peso corporal e não ao grau de inteligência, pois ainda não se consegui provar de forma alguma qual dos dois sexos é mais inteligente).

A inteligência não se refere somente a quantidade de massa cinzenta, mas sim a capacidade que os seres humanos tem de entender, raciocinar, interpretar e relacionar o conhecimento sobre experiências vividas e não vividas, e a capacidade adaptativa do ser humano a novas situações.

O Sistema Nervoso Central necessita de grande aporte de oxigênio e glicose para o seu metabolismo, por isso o fluxo sanguíneo é geralmente intenso.

A parada da circulação por 7 (sete) segundos leva o indivíduo à perda da consciência e com 5 (cinco) minutos já começa a ocorrer lesões irreversíveis.

As diferentes áreas são lesadas em tempos diferentes de forma que o centro respiratório do bulbo é o último a ser lesado.

O fluxo sangüíneo cerebral é superado somente pelo rim e coração.

O encéfalo é irrigado pelas artérias carótidas internas e vertebrais. Na base do crânio essas artérias irão formar o polígono de Willis.

As artérias cerebrais têm as paredes finas, comparáveis às veias com a finalidade de amortecer e proteger o tecido nervoso do choque da onda sistólica que é a responsável pela pulsação das artérias.

2- O Sistema Nervoso Central (SNC)

O Sistema Nervoso tem a capacidade de receber, transmitir, elaborar e armazenar informações. Recebe informações sobre mudanças que ocorrem no meio externo, isto é, relaciona o indivíduo com seu ambiente e inicia e regula as respostas adequadas. Não somente é afetado pelo meio externo, mas também pelo meio interno, isto é, tudo que ocorre nas diversas regiões do corpo. As mudanças no meio externo são apreciadas de forma consciente, enquanto as mudanças no meio interno não tendem a ser percebidas conscientemente. Quando ocorrem mudanças no meio, e estas afetam o sistema nervoso, são chamadas de estímulos. O sistema nervoso, junto com o endócrino, desempenha a maioria das funções da regulação do organismo. O sistema endócrino regula principalmente as funções metabólicas do organismo.

Com a denominação de sistema nervoso compreendemos aquele conjunto de órgãos que transmitem a todo o organismo os impulsos necessários aos movimentos e às diversas funções, e recebem do próprio organismo e do mundo externo as sensações.

No sistema nervoso distingue-se uma parte nervosa central, formada pelo eixo cérebro-espinhal, da qual partem os estímulos e à qual chegam as sensações, e uma parte nervosa periférica, formada pelos nervos, os quais servem para “conduzir” a corrente nervosa. Os nervos transportam à periferia os estímulos e dela recebem as diversas sensações que, com percurso inverso, são conduzidas ao sistema nervoso central.

O sistema nervoso central é a parte nobre do nosso organismo: por presunção é a sede da inteligência, o lugar onde se formam as idéias e o lugar do qual partem as ordens para a execução dos movimentos, para a regulação de todas as funções; é o anteparo ao qual chegam as impressões da vista, do ouvido, do tacto, do olfato, dos sabores.

No sistema nervoso central fica, em suma, o comando de todo o organismo, seja entendido no sentido físico, seja no sentido psíquico. Toda a lesão que ocorra em uma parte qualquer do sistema nervoso central é quase sempre permanente e não pode ser reparada.

3- O cerebelo
É o centro coordenador dos movimentos e intervém também no equilíbrio do corpo e na orientação. Apresenta dobras em sua superfície e a substância cinzenta de sua parte cortical penetra no interior da branca, formando arborizações chamadas “árvore da vida”; entre seus dois hemisférios se interpõe uma pequena saliência chamada Vérnix.

O cerebelo constitui a parte posterior e inferior do encéfalo; tem ele contacto com as fossetas inferiores do osso occipital. A cissura transversal separa o cerebelo do cérebro, de modo que o cerebelo parece uma massa nervosa independente. Ela, na verdade, está unida ao cérebro somente por dois prolongamentos: os pedúnculos cerebelares superiores. Também no cerebelo, como no cérebro, a substância cinzenta está na periferia e a substância branca no interior; esta se ramifica no interior do cerebelo como os ramos de uma planta, pelo que os antigos anatomistas a chamaram de “arbor vitae” (árvore da vida). Os pedúnculos cerebelares médios ligam o cerebelo à ponte de Varólio, e os pedúnculos cerebelares inferiores a põem em comunicação com o bulbo ou medula alongada.

3.1- Divisão do Cerebelo

O cerebelo está dividido em duas partes por um sulco sagital, pelo que se distinguem dois lobos laterais reunidos, no centro, por um lobo mediano. O cérebro e o cerebelo constituem a parte superior do encéfalo em direto contato com os ossos cranianos. Entre a massa do cérebro e a do cerebelo, que, de fato, enchem a cavidade craniana, e a medula espinhal que, depois de ter percorrido o canal vertebral, entra no crânio pelo buraco occipital, há um segmento de substância nervosa que faz a ligação – é o tronco cerebral.

3.2- Localização do Cerebelo

O Cerebelo localiza-se logo abaixo do cérebro e possui seguintes funções: Coordena os movimentos comandados pelo cérebro, garantindo uma perfeita harmonia entre eles, dá o tônus muscular, isto é, regula o grau de contração do músculo em repouso, mantém o equilíbrio do corpo, graças às suas ligações com os canais semicirculares do ouvido interno.

4- Bulbo
Tem sua origem na base do crânio e continua na medula. É um órgão elaborador de atos reflexos e, como tal, rege a atividade de funções tão importantes para a vida como a respiratória e a do coração.

4.1- Localização do Bulbo

Localizado abaixo da ponte, controla importantes funções do nosso organismo, entre elas: a respiração, o ritmo dos batimentos cardíacos e certos atos reflexos (como a deglutição, o vômito, a tosse e o piscar dos olhos).

5- O Cérebro
É o órgão onde se radicam a sensibilidade consciente, a mobilidade voluntária e a inteligência; por este motivo é considerado como o centro nervoso mais importante de todo o sistema.

Apresenta um profundo sulco que chega até o corpo caloso e o divide em dois hemisférios simétricos (esquerdo e direito).

5.1- Córtex Cerebral

O córtex cerebral constitui o nível superior na organização hierárquica do sistema nervoso; encontra-se repregada apresentando pregas ou circunvoluções e figuras ou canais. O córtex cerebral não é homogêneo, encontrando-se diferenças na espessura total, nas das diferentes capas e na conformação celular fibrilar.

5.2- Ações Voluntárias e Involuntárias

O cérebro contém os centros nervosos relacionados com os sentidos, a memória, o pensamento e a inteligência. O cérebro coordena também as ações voluntárias desenvolvidas pelo indivíduo, além de comandar atos inconscientes.

5.3- Áreas Cerebrais Específicas

Para explicar o grupo de estruturas de neurônios, conhecido pelo nome de córtex, em quatro áreas altamente especializadas.

Cada uma destas áreas tem uma maneira de perceber, selecionar e processar as informações necessárias unicamente para cumprir sua tarefa específica.

5.4- Lobo posterior esquerdo.

Especializado em desenvolver seqüências e processos etapa por etapa. É o especialista das rotinas. Sempre que fazemos uma tarefa seqüenciada é esta à parte que domina, por exemplo, ao fazer uma conta com muitos números, fabricar objetos ou prestar serviços. Também é a parte que rotula e guarda as palavras. O meio cientifico e industrial o explora ao máximo para produzir alimentos, casas, roupa e tudo que se relaciona a processos automatizados. As pessoas que têm esta área como líder são detalhistas, organizadas, preferem os procedimentos sujeitos a regras bem definidas e são grandes produtores de bens ou serviços.

5.5- Lobo posterior direito
É o especialista em perceber as relações harmônicas do mundo ao redor. Isto é, percebe através dos sentidos as partes do mundo cujos dados são úteis para chegar à harmonia e criá-la quando não existe. São as pessoas que, ao receber uma mensagem, percebem com maior facilidade o tom e os gestos do que as palavras que estão escutando. Esta área lidera as pessoas solidárias, que criam laços de boa vontade, lealdade e confiança com sua família, seu grupo de amigos, seus companheiros de trabalho e a sociedade em geral. São pessoas sensíveis e com alta noção de pertencer a um grupo.

5.6- Lobo frontal direito

Percebe padrões e relações abstratas. Por exemplo, ao ver um rosto, é a parte que desenha a caricatura. E também é o grande especialista em detectar as “tendências”. Percebe mudanças e usa a imaginação para criar novas respostas, produtos, serviços ou estratégias. Também é o responsável por gestos e a linguagem corporal. Portanto, as pessoas que têm esta parte como líder gesticulam e precisam mover seu corpo quando estão falando. São pessoas sensíveis, criativas, visionárias e inovadoras.

5.7- Lobo frontal esquerdo

Tem maior habilidade para a análise lógica e é eficaz quando se trata de calcular, avaliar e diagnosticar porque “vê” a estrutura. Isto é, é a parte que sustenta, estimula ou impede alguma coisa. Portanto, sabe focalizar as metas e avaliar os resultados de uma ação.

São as pessoas que preferem falar apenas para comunicar alguma coisa: uma ordem, uma conclusão ou a pergunta exata. As pessoas que têm esta área como líder não hesitam em tomar as decisões necessárias. São lógicos, dirigentes natos, sabem negociar e debater.

5.8- Principal Órgão do Sistema Nervoso Central

O cérebro é o principal órgão do sistema nervoso e o centro de controle de todo o corpo, tanto das ações voluntárias quanto das involuntárias. É por isso que, mesmo se estiver dormindo, você respira e o coração bombeia sangue. Tudo porque o grande capitão fica no comando dos controles dessa nave fascinante e complexa que é o seu corpo. Ademais, quando você está acordado, cada vez que pensa, sente, se lembra de alguma coisa ou fala, é também seu cérebro que está operando, ou seja, esteja você dormindo ou acordado, seu cérebro se encarrega de que todos os sistemas de seu corpo funcionem normalmente.

Mas as pessoas não são apenas um corpo que subsiste, mas seres que participam num mundo de relacionamentos consigo mesmo e com o mundo ao redor.

Dentro desse mundo há muitas outras pessoas e outros elementos, aquilo que se chama a “realidade”. Isto é, fatores que abrangem tudo, do clima e meio geográfico aos padrões de comportamento social, de trabalho e econômico.

Para responder a todas essas exigências externas, o cérebro humano trabalha para desenvolver habilidades e respostas eficientes. É o grande aliado de cada um e o que nos ajuda a viver e a negociar com a realidade.

Neste sentido, há um elemento muito importante: seu cérebro sempre atua procurando seu bem-estar e seu progresso pessoal.

6- Barreira Encefálica:

As barreiras encefálicas podem ser conceituadas como dispositivos que impendem ou dificultam a passagem de substancias do sangue para o tecido nervoso, do sangue para o líquor, ou do líquor para o sangue.

7- Vascularização Cerebral

A circulação arterial do cérebro apresenta duas origens que convergem entre si: o sistema carotídeo e o sistema vertebral.

As artérias do cérebro provem de quatro grossos troncos arteriais que entram no crânio para se disporem na massa encefálica. Destes troncos arteriais uns são anteriores e outros posteriores, os anteriores são as duas carótidas internas e os posteriores são as duas artérias vertebrais.

A artéria carótida direita nasce do tronco arterial bráquio-cefálico e a artéria carótida esquerda diretamente da aorta: ambas passam na frente do pescoço, onde cada artéria se bifurca, originando as artérias carótidas internas e externas.

Por sua vez as artérias carótidas internas divide-se em duas, formando as artérias cerebrais médias e as artérias cerebrais anteriores. Estas últimas unem-se através da artéria comunicante anterior, dando origem à porção anterior do polígono de Willis.

As carótidas transportando 300-400 ml/m de sangue, irrigam, através dos seus ramos intracerebrais, a maior parte, dos hemisférios cerebrais, os gânglios da base e os conteúdos das órbitas.

As artérias vertebrais são comunicações da artéria subclávia. Estas atravessam os buracos transversários das vértebras cervicais, até alcançarem o áxis, dirigindo-se posteriormente ao atlas e cérebro.

As duas artérias vertebrais, uma de cada lado unem-se na frente do tronco cerebral, para formar a artéria basilar. Na parte superior do mesencéfalo, a artéria basilar bifurca-se, para formar as artérias cerebrais posteriores, e as artérias comunicantes posteriores, ou seja, a porção posterior do polígono de Willis.

As artérias comunicantes posteriores ligam das artérias posteriores às artérias carótidas internas e completam o polígono de Willis.

8- O Polígono de Willis
O polígono de Willis é um circuito arterial fechado que se encontra na base do cérebro e desenha uma figura geométrica conhecida por heptágono de Willis.

Este heptágono é constituído adiante pelas artérias cerebrais anteriores, unidas entre si pela comunicante anterior; atrás encontram-se as artérias cerebrais posteriores e lateralmente apresentam-se as comunicantes posteriores ou laterais.

O polígono de Willis constitui o sistema anastemótico mais importante entre os dois territórios carotídeos (através da artéria comunicante anterior) e entre estes e o território vertebrobasilar (através das artérias comunicantes posteriores).

9- Territórios Vasculares
Os principais ramos das artérias cerebrais que irrigam os hemisférios e as estruturas sub-corticais são as artérias cerebrais anterior, posterior e média. Cada uma destas artérias cerebrais é responsável pelo território cerebral que irriga, logo uma obstrução produz sinais focais específicos para a artéria envolvida.

9.1- Diferentes Territórios Vasculares
Os diferentes territórios vasculares irrigados pelas artérias cerebrais anteriormente referidas encontram-se descritas abaixo:

9.2- Artéria Cerebral Anterior
Ramo da carótida interna percorre a fissura longitudinal do cérebro e sua obstrução leva a paralisia e diminuição da sensibilidade do membro inferior do lado oposto.

– face interna do lobo frontal

– porção anterior de face interna do lobo parietal

– cápsula interna anterior

– núcleo caudado inferior

– fórnix anterior

– 4/5 anteriores do corpo caloso região anterior dos gânglios da base

9.3- Artéria Cerebral Posterior
Ramo da bifurcação da artéria basilar percorre a face inferior do lobo temporal e se dirigem para o lobo occipital. Sua obstrução causa cegueira em uma parte do campo visual.

– face interna do lobo occipital

– porção posterior da face interna do lobo temporal

– porção posterior do corpo caloso

– mesencéfalo grande parte do tálamo óptico

9.4- Artéria Cerebral Média
Ramo principal da carótida interna percorre o sulco lateral e vasculariza a maior parte da face súpero-lateral de cada hemisfério. As obstruções quando não fatais levam a diminuição da sensibilidade do lado oposto do corpo (exceto membro inferior) podendo haver também graves distúrbios da linguagem.

– face externa do hemisfério cerebral (lobo frontal, parietal e temporal)

– porção posterior da cápsula interna

– cápsula externa

– parte externa

– maior parte do núcleo caudado

Conclusão
Com base no conteúdo apresentado, fica claro a importância de uma vascularazição íntegra para o bom funcionamento do Sistema Nervoso Central e de todas nossas funções vitais.

Podemos dizer que existem os principais ramos das artérias cerebrais que irrigam os hemisférios e suas principais estruturas que são as artérias cerebrais anterior, posterior e média.

Cada uma destas artérias cerebrais é responsável pelo território cerebral que irriga, logo uma obstrução produz sinais focais específicos para a artéria envolvida.

O polígono de Willis é um circuito arterial fechado que se encontra na base do cérebro e desenha uma figura geométrica conhecida por heptágono de Willis.

É constituído pelas artérias cerebrais anteriores, unidas entre si pela comunicante anterior; atrás encontram-se as artérias cerebrais posteriores e lateralmente apresentam-se as comunicantes posteriores ou laterais.

Referências Bibliográficas:

1- BOBATH, Berta (1990). Hemiplegia no adulto: Avaliação e tratamento, São Paulo: Editora Manole;

2- CALDAS, A. (1999). A Herança de Franz Joseph Gall: O Cérebro ao Serviço do Comportamento Humano; Amadora: McGraw-Hill;

3- CAMBIER, J. e Masson, M. (1980). Manual de Neurologia, Rio de Janeiro: Editora Masson do Brasil;

5- MAUSNER & BAHN (1999). Introdução à epidemiologia (2ª Ed.). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian;

6- O’ SULLIVAN, S. (1993). Avaliação e tratamento (2ª Ed.). São Paulo: Editora Manole;

7- PEDRETTI, Lorraine William (1996). Occupational Therapy: Practice Skills for Physical Dysfunction (fourth edition). Missouri: Mosby-Year Book;

8- WILLARD & SPACKMAN (1998). Terapia Ocupacional (9ª Ed.). Philadelphia: Lippincott-Raven Publishers.

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