DESPERDÍCIO DE ENERGIA

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Disperdicio de energia

Desperdício de Energia

Se ainda pairava alguma dúvida sobre a importância do uso consciente da energia, os dados levantados pela Associação Brasileira das Empresas de Conservação de Energia (Abesco) vieram acabar com ela. Devido ao desperdício de energia e o mau uso, o Brasil desperdiça cerca de R$ 10 bilhões por ano em petróleo, eletricidade e gás natural. Para se ter uma noção da gravidade desse número, só para construir a hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, localizada na Região Amazônica, serão necessários R$ 8 bilhões. A potência estimada da nova usina de Jirau é para a produção de 3.300 megawatts (MW). É como se a cada ano jogássemos fora mais de uma usina hidrelétrica desse porte.
O cálculo representa 5% do volume de eletricidade distribuído por todas as concessionárias de energia do país somado à produção de petróleo pela Petrobras. Em termos financeiros, o valor pode crescer ainda mais já que a cotação do barril de petróleo vem batendo sucessivos recordes de preço.

Evite Disperdicios

Segundo a diretora-executiva da entidade, Maria Cecília Amaral, o desperdício está espalhado por todas as esferas da economia, mas o campeão de desperdício é o setor público, com 45% de perdas. Em segundo lugar está o comércio com 30% e, por último, a indústria, com 15%.
De acordo com a Associação, um bom exemplo é dado pelo setor industrial que vem se preocupando cada vez mais com a redução do consumo de energia em suas linhas de produção. A Abesco avaliou que os custos de energia podem responder por até 70% do valor do produto fabricado, como é o caso dos bens que utilizam grande quantidade de alumínio em sua composição.

Além das perdas financeiras para o país, o desperdício de energia também contribui para o aquecimento global e é causador de profundos impactos sociais e ambientais. Quanto mais necessitarmos de energia, mais usinas geradoras precisarão ser construídas e mais poços de petróleo terão de ser perfurados. Para ficar no exemplo das hidrelétricas, imensas áreas precisam ser inundadas, desmatadas e algumas populações são obrigadas a abandonar suas casas. E, segundo reportagem publicada pela Ciência Hoje, revista de divulgação científica da SBPC, a energia hidroelétrica também causa a emissão de gases de efeito estufa por efeito. Isso ocorre porque a vegetação que fica sob as águas das represas se decompõe, liberando grandes volumes de metano, um gás 23 vezes mais poderoso em termos de aquecimento global do que o CO2.

Essas são importantes razões para que o consumidor consciente faça a sua parte para ajudar a reduzir a demanda por energia. Aqui vão algumas dicas:

• Todos os produtos consomem energia em seu processo de fabricação. Quando adquirimos um produto, não compramos apenas o que vemos, mas todo o ciclo de produção daquele bem, que exigiu matéria-prima, água, energia, transporte e trabalho. Por isso, dê preferência aos produtos fabricados por empresas que se preocupam em reduzir o consumo de energia em suas atividades. E use todos os produtos até o final da sua vida útil, só comprando um novo quando realmente é necessário. Assim, você vai colaborar para um menor gasto de energia nos processos industriais.
• Uma lâmpada econômica pode economizar até 80% de energia em relação à lâmpada convencional. Além disso, as lâmpadas econômicas (compactas fluorescentes) duram até 13 vezes mais do que as tradicionais (incandescentes). Por isso, apesar de serem um pouco mais caras, as lâmpadas econômicas compensam o dinheiro gasto. Durante a sua vida útil, cada uma delas pode proporcionar uma economia na conta de luz que varia de R$ 60 a R$ 120, muito mais do que o gasto a maior na sua compra.
• O selo Procel indica os produtos que têm melhor desempenho energético, comparados com os outros da mesma categoria. Criado em 1993, o selo Procel serve para distinguir aqueles produtos que conseguem realizar o mesmo que os outros gastando menos energia. Para obter o selo, os produtos são submetidos a uma série de testes em laboratórios. Por isso, dê preferência a produtos que tenham o selo Procel. Assim você estará reconhecendo o empenho dos fabricantes que se esforçaram para desenvolver um produto mais econômico energeticamente e estará incentivando outras empresas a fazerem o mesmo.
• 20% da energia consumida no país é gerada por usinas termelétricas, movidas a carvão e altamente poluentes. Quer dizer que a cada cinco lâmpadas acesas na sua casa, uma é alimentada por energia termelétrica. Portanto, procure economizar o máximo de energia e você estará contribuindo para reduzir a poluição provocada pelas usinas termelétricas, além de diminuir a contribuição dessas usinas para o aquecimento global e, também, o montante que você pagará em sua conta de eletricidade.
• Um dos maiores consumidores de energia em uma casa fica no banheiro. De acordo com o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), um chuveiro elétrico é responsável por 25% a 35% do gasto de eletricidade de uma casa e apresenta um consumo médio mensal de 120 kWh, considerando um chuveiro de 3500 W, usado 40 minutos de uso por dia (quatro banhos diários de 10 minutos cada). Esse volume de energia elétrica, para ser produzido, lança cerca de 31 quilos de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Em um ano, essa emissão sobe para mais de 11 mil quilos, o equivalente à emissão de um carro movido a gasolina, com motor até 1.4 de potência, ao andar 72 mil quilômetros, ou seja, percorrendo oito vezes todo o litoral brasileiro.
• O dispositivo stand-by dos aparelhos eletro-eletrônicos chega a responder por 25% do consumo de energia desses equipamentos. O stand-by – caracterizado pelo controle remoto presentes nas TVs, DVDs, sistemas de som, e outros equipamentos – é um grande “comedor” de energia elétrica. Para evitar esse consumo desnecessário, lembre-se de desligar o equipamento pelo seu botão on/off ou de tirar da tomada os aparelhos sempre que estiverem foram de uso.
• Computadores e monitores de vídeo devem ser desligados mesmo quando não forem usados durante um período curto de tempo. Muita gente acha que o processo de ligar e desligar computadores e periféricos consome muita energia e, por isso, prefere deixá-los ligados. Não é verdade. Os computadores devem ser desligados sempre que forem ficar mais de meia hora inativos. E os monitores de vídeo devem ser desligados se forem ficar sem uso por mais de quinze minutos. Por isso, não se esqueça de desligar seu computador e monitor sempre que for sair para almoçar ou para reuniões prolongadas.
• A geladeira é um dos grandes consumidores de energia elétrica em uma casa, pois fica ligada o tempo todo. Veja como você pode gastar menos:
– Instalando a geladeira e o freezer em local ventilado e longe do fogão.
– Verificando se a vedação das portas está funcionando bem.
– Evitando forrar as prateleiras da geladeira com plásticos ou vidro, pois isso dificulta a passagem do ar e provoca aumento no consumo de energia.
– Procurando não abarrotar as prateleiras, deixando espaço entre os alimentos para facilitar a circulação do ar.
– Não guardando líquidos nem alimentos ainda quentes na geladeira, pois o motor vai ter de trabalhar mais para resfriar o ambiente interno e, conseqüentemente, gastar mais energia.
– Não deixando a porta da geladeira aberta desnecessariamente nem por muito tempo, pois isso faz com que o frio “escape” e exige mais trabalho do motor para baixar a temperatura interna novamente.
• Na hora de usar a máquina de lavar roupa, economize água e energia lavando, de uma só vez, a quantidade máxima de roupa indicada pelo fabricante. Além disso, coloque sempre a quantidade de sabão recomendada pelo fabricante. Assim você não terá de programar outro enxágue, que gastaria mais energia elétrica, além do desperdício de sabão e água.
• Evite passar poucas peças de roupa de cada vez. Espere acumular uma quantidade razoável de roupa e passe tudo de uma vez só. Além disso, passe primeiro as roupas delicadas, que precisam de menos calor. No final, depois de desligar o ferro, aproveite ainda o seu calor para passar algumas roupas leves.

Mercado aposta em rede inteligente para cortar o desperdício de energia elétrica

“GATOS” ou “G.A.TO” (Lê-se: gea-tô)

GATO Energia Eletrica

Popularmente chamado de Gato, e pelos mais espertinhos de Gea-tô, é o nome dado ao furto de energia elétrica nas residencias, comércios e industria de todo o país.

Tão necessário quanto produzir energia, é cortar o desperdício da energia produzida.

Os investimentos feitos nesse sentido no país poderão gerar uma economia de quase R$ 8 bilhões.

O valor refere-se à energia “desviada” por conta da manipulação dos medidores e dos chamados “gatos”.

Essa perda corresponde a 17% do total de 114.000 megawatts (MW) gerados pela matriz elétrica nacional, o equivalente a quase 20.000 MW, quantia muito superior à produção de Itaipu, a maior hidrelétrica do país e que tem capacidade para 14.000 MW.

As perdas atingem, em cheio, os cofres das distribuidoras e do governo. A resposta a esse rombo gigantesco está vindo em forma de tecnologia altamente sofisticada, as “smart grids”, ou redes inteligentes.

“A popularização dessas tecnologias está avançando rapidamente. Os desembolsos no mercado brasileiro, na área de redes inteligente, estão na casa dos R$ 5,5 bilhões”, estima Cyro Boccuzzi, vice-presidente da Empresa Energética do Mato Grosso do Sul (Enersul) e sócio fundador da Expertise Consultoria e Ordenamento em Energia Inteligente (Ecoee). A

injeção desses recursos deverá proporcionar um corte drástico nessas perdas, reduzindo para índices entre 2% a 3%, taxas idênticas às registradas nos EUA e Europa. Há outros benefícios: as novas tecnologias em aplicação reduzirão problemas provocados com picos de consumo e as despesas com falhas na rede elétricas. “Esse é um efeito interessante, porque hoje o Brasil gasta dinheiro fazendo usinas para atender esse desvio de 17%, que não é remunerado”, emenda.

A solução ganha corpo dentro das empresas de energia através de projetos pilotos que exigem volumosas quantias para a melhoria do desempenho e automatização dos processos relacionados à energia. “O alto custo e a escassez da mão de obra acelera a adoção de tecnologia”, acrescenta Boccuzzi.

Para se ter uma ideia, um corte e uma religação de energia no Estado do Mato Grosso do Sul custa em torno de R$ 54,00. “Isso é quase o custo para a instalação de um desconector direto efetuar o desligamento à distância. As tecnologias estão ficando mais padronizadas, comuns e acessíveis, e estão entrando no dia a dia da empresa. Todas as companhias instaladas no Brasil estão estudando a questão e fazendo projetos em maior ou menor escala”, afirma.

Pelos cálculos de Boccuzzi, 80% do mercado de energia está, há cerca de três anos, articulando com as empresas na área de tecnologia a implementação das smart grids. “O conceito de rede inteligente é um conglomerado de tecnologia, uma cesta de tecnologia, que nem sempre é implementado de forma completa. Os investimentos feitos pelas empresas já vêm contemplando parte dessas tecnologias”, diz.

O vice-presidente lembra que quando hoje se constrói uma sub-estação, não faz sentido construir sem automação. “A automação já vem embutida como um padrão mínimo exigido pela concessionária, coisa que não acontecia até bem pouco tempo atrás”, conclui.

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