Violência e Agressividade na Juventude

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A constituição brasileira assegura os direitos da criança e do adolescente estabelecido por lei, no entanto esses direitos vêm sendo desrespeitados. Os jovens são vítimas de violência e esta violência geralmente inicia-se na família, passando pela escola e acaba por refletir na sociedade, causando grande revolta e descontentamento que consequentemente afetará todas as pessoas. Essa situação precisa ser modificada e para isso é necessário combater a ignorância das pessoas e a desigualdade social. A sociedade como um todo deve unir forças, formando uma corrente solidária para tentar reverter essa situação. Este trabalho objetiva mostrar a diferença entre violência e agressividade, enfatizando os tipos de violência sofridos na maioria das vezes pelas crianças e adolescente, que são tidos como causadores e não vítimas da violência.

1 INTRODUÇÃO

Convivemos numa sociedade constantemente assustada com a violência, frequentemente atribuída às péssimas condições de vida e a falta de oportunidade das pessoas. Costa (1986, p. 15) afirma que as definições que são dadas ao termo violência são sempre provisórias, operacionais e inferidas em casos particulares.

Apesar de terem seus direitos estabelecidos na Constituição, as crianças e adolescentes do Brasil têm sido vítimas dos mais variados tipos de violência – física, verbal, psicológica, entre outros, o que atualmente tem preocupado muito as instituições que buscam garantir esses direitos.

Este trabalho pretende mostrar que violência e agressividade apesar de estarem num mesmo contexto são diferentes uma da outra, abordando os fatores que influenciam a violência na juventude e mostrando essa juventude como vítima e causadora dessa violência.

2 VIOLÊNCIA X AGRESSIVIDADE

Na atual sociedade em que nos encontramos a agressividade e a violência fazem parte de um mesmo contexto, no entanto, existe uma diferença rigorosa entre ambas.

A agressão é inata ao ser vivo. Existe na face da terra antes mesmo do aparecimento do homem, não é condição exclusiva do ser humano. O que é exclusiva do ser humano, à vista da sua racionalidade, é a violência. A agressão é biologicamente própria de todo ser vivente. Toda violência é agressão, mas nem toda agressão é violência. As duas se confundem facilmente porque a violência pretende ser a única forma eficaz de agressão todas as formas de agressão podem afinal levar à violência. A forma manifesta, crua, desenfreada, calculada e consciente de agressão é que passa a ser violência.

A manifestação da violência a partir de um estado de consciência do ser humano se confirma ao considerarmos que a mesma está presente no comportamento do homem desde as sociedades mais antigas. A violência faz parte da cultura dos povos antigos nos cultos de guerra, quando guerreiros comiam os cérebros de seus inimigos, no apedrejamento de mulheres por causa do adultério, como também em toda a mitologia grega.

Sem uma quantidade moderada de individualismo agressivo não poderia haver progresso social ou cultural, o comportamento agressivo é um dos impulsionadores das ações humanas, sendo necessário em pequenas doses, para o crescimento da humanidade, diferentemente da violência que é destruidora. (MONTEIRO, 1994, p. 75)

A violência é cada vez mais, um fenômeno social que atinge governos e populações, no público e no privado, estando seu conceito em constante mutação, uma vez que várias atitudes e comportamentos passaram a ser considerados como formas de violência entre os quais podemos destacar:

2.1 VIOLÊNCIA FÍSICA

Tipo de violência que usa a força com o objetivo de ferir a vítima, deixando ou não marcas evidentes. São comuns, murros, estalos e agressões com diferentes objetos e até queimaduras. Essa violência pode ser agravada quando o agressor está sob o efeito do álcool, ou quando apresenta um transtorno explosivo.

2.2 VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA

A violência psicológica ou agressão emocional, tão ou mais prejudicial que a física, é caracterizada pela rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas. É uma violência que não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente provoca cicatrizes para toda a vida.

2.3 VIOLÊNCIA VERBAL

A violência verbal não é uma forma de violência psicológica, é normalmente utilizada para importunar e incomodar a vida das outras pessoas. Pode ser feita através do silêncio, que muitas vezes é muito mais violento que os métodos utilizados habitualmente, como as ofensas morais (insultos), depreciações e os questionários infindáveis.

2.4 VIOLÊNCIA SEXUAL

Violência na qual o agressor abusa do poder que tem sobre a vítima para obter gratificação sexual, sem o seu consentimento, sendo induzida ou obrigada a práticas sexuais com ou sem violência física. Essa violência gera nas vítimas o medo, a vergonha e a culpa, mesmo naquelas que acabam por denunciar o agressor, por essa razão, a ocorrência destes crimes são ocultados.

3 VIOLÊNCIA INFANTO-JUVENIL

A violência sofrida por crianças e adolescentes está preocupando as pessoas e instituições que se empenham em garantir os direitos estabelecidos por lei dessa parcela da população.

As crianças e adolescentes atualmente estão sendo vítimas das formas mais variadas de violência: física, verbal, psicológica, enfim. Essa violência geralmente inicia-se em casa por familiares ou pessoas próximas, que às vezes encontram-se cheios de problemas e acabam por descarregar nos seres mais próximos que lhe parecem mais frágeis.

O jovem acaba sendo discriminado como se fosse o causador da violência, quando na verdade ele é uma vítima, devido à falta de emprego, de educação e de oportunidades. A juventude está em crise porque não consegue colocar suas idéias e sonhos em prática, sendo assim acabam se revoltando e passa a transgredir as regras impostas pela sociedade com atos brutais. A violência transforma as crianças em jovens frustrados, com sentimento de inferioridade, timidez e revolta, que se tornaram adultos também violentos.

4 PARCEIROS NO COMBATE A VIOLÊNCIA

No cenário atual, de intolerância e agressividade, a sociedade em seus diversos setores deve encontrar uma forma de solucionar tal problema. Cabe à família tratar os jovens com respeito e dignidade, elevando sua auto-estima e procurando auxiliá-los na concretização de seus projetos sem, no entanto, esquecer de repreendê-los quando preciso.

A educação também se apresenta como uma alternativa, não para fazer milagres, mas para formar cidadãos em condições de enfrentar um mundo de incertezas e perplexidades, reconhecendo sua contribuição e compreendendo os problemas pelos quais os jovens passam.

O poder público parece ser o caminho mais efetivo para a diminuição dos índices de violência através de suas ações políticas que enfatizam algumas prioridades, como a educação, uma política de crescimento econômico que possa incluir os jovens no mercado de trabalho e uma política de segunda oportunidade a jovens e situação mais vulnerável.

5 CONCLUSÃO

Vivemos numa época em que a violência e a agressividade tomaram grandes proporções, tornando-se presente nos diversos setores da sociedade. O que ocorre na realidade é que a agressividade que é natural do ser humano acaba sendo muitas vezes extrapolada ou exercida de forma errônea, daí surge a violência.

As crianças e adolescentes estão sendo os mais afetados pelas variadas formas de violência, dentre elas a violência física, verbal, psicológica e sexual, porém a sociedade os considera responsáveis pela violência praticada contra ela, esquecendo – se de que antes de praticá-las eles são vítimas dessa mesma violência, quando não tem seus direitos garantidos.

Para tentar resolver o problema da violência é necessário fortalecer um campo em torno da promoção de políticas para a juventude, envolvendo poder público federal, estadual e municipal juntamente com o legislativo, judiciário e a própria sociedade civil organizada, de forma a envolver a família e a escola, pois são a chave para combater a ignorância das pessoas, implantando na mente de todos a idéia de paz e respeito aos direitos e natureza humanos.

6 REFERÊNCIAS

COSTA, J.F. Violência e Psicanálise. Rio de Janeiro: Ed Graal, 1986.

MONTEIRO, V.B. Vítimas da Violência. São Paulo: Saraiva, 1994.

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