A teoria bakhtiniana é contra qualquer extremismo no que concerne ao estudo da língua. Contrapõe-se ao subjetivismo idealista, no qual a língua é uma criação individual, análoga à criação artística, e apresenta-se como um sistema estável, acabado, ou seja, pronto para ser usado; um depósito imóvel. Assim, essa teoria é muito ingênua ao acreditar que toda forma de expressão lingüística já vem pronta para ser utilizada e que não sofre nenhuma modificação por parte do falante. É contrária também a do objetivismo abstrato, no qual a língua é um sistema estável, imutável e transmitida igualmente a todos os seres.

As leis lingüísticas são específicas que relacionam os signos lingüísticos dentro de um sistema fechado. Então, essas leis são objetivas, práticas e transmitidas igualmente a todas as pessoas, independe da subjetividade. Diferentemente do subjetivismo idealista, no objetivismo abstrato as ligações lingüísticas não são relacionadas aos valores ideológicos (artísticos cognitivos ou outros).

Não há, pois, uma interação entre a palavra e seu sentido por meio de uma conexão artística ou naturalmente cognitiva. Concebe as variações individuais nos atos da fala com sendo refrações (“quebras”, “desvios”) ou variações acidentais ou mesmo deformações das formas normativas.

Já com relação ao dialogismo, que pertence à ótica bakhtiniana, a língua é vivenciada e evoluída na própria comunicação verbal concreta. Ela (a língua) não é dependente das normas lingüísticas muito menos do psiquismo individual dos falantes.

Diferentemente das duas correntes extremistas, a língua é um sistema estável com evolução ininterrupta que é conseguida a partir da interlocução viva. As leis da evolução lingüística são, pois, leis sociológicas. Não há uma correlação entre a criatividade lingüística e a criatividade artística nem com qualquer atividade ideológica particular. Mas, não se pode isolá-la dos valores e conteúdos ideológicos a que pertence.

A enunciação é de caráter genuinamente social. E, portanto, só se torna eficaz entre os interlocutores.

Muitas pessoas não sabem o que significa realmente cognição ou processo cognitivo. Ligam cognição a conhecimento puro e simples. No entanto, cognição nesse sentido toma um caráter meramente imutável, inativo, sem interação. Mas na verdade, conhecer é um ato de acumulação de informações (transmitidas por outros ou pelo meio) que se faz mediante atuação, interação e vivência; e processamento dessas informações (que quando lemos guardamos na memória).

Nós atuamos no meio no qual vivemos. À medida que vamos interagindo com o meio, no qual há outras pessoas, sofremos perturbações decorridas dessa interação, mas concomitantemente a isso causamos perturbações a ele e, por conseguinte, às pessoas que nele subjazem.

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