Bem que poderia aproveitar esse artigo para falar sobre diversos temas, mas preferi falar de coisas de crianças.

Há anos vejo pais, professores e crianças na busca pela “educação”

Quando nos propomos a estar com estes seres ímpares, frágeis, delicados e fortes tão semelhantes… Muitas vezes nos surpreendemos com suas palavras e com suas ações.

Falta a nós, adultos, muitas vezes sensibilidade para estar com eles, conduzi-los, ajuda-los em seu desenvolvimento… O sorriso da criança é algo incomparável, gostoso de ouvir. Nos primeiros anos ele brota naturalmente, e, com o tempo, muitas vezes é estancado, cedendo espaço a uma fisionomia triste, rebelde… O que será que acontece com estes seres?…

Há quem acredite que os pais são “fiéis depositários” de seus filhos, e deverão prestar contas dos mesmos… Gaiarça, um psiquiatra conhecido no Brasil, desenvolveu a “teoria da vingança póstuma”, em que atribui o abandono dos idosos ao abandono emocional destes para com os filhos ainda na infância. É algo que nos faz pensar… Que tipo de vivência emocional estamos oferecendo e que tipos de vivência emocional estão plantando para o futuro?…

Vimos gerações criarem seus filhos de forma rígida e autoritária. De repente, alguém disse: “Não é nada disso. Elas não devem ser contrariadas”. Hoje falamos em uma educação equilibrada, formando pessoas para ser felizes, e isso não significa ter tudo nas mãos. Significa aprender a fazer conquistas, também a lidar com as frustrações que a vida traz. Ah! Para quem não sabe, a vida é cheia de imprevistos e precisamos aprender a ganhar e perder.

Em termos físicos nós já sabemos do que precisa uma criança, mas emocionalmente ela também necessita de elementos para se desenvolver.

A criança vem ao mundo sem muita noção de quem é, elas precisam de liberdade, ”Che Guevara” diz: (Esta liberdade surgirá quando cada um de nós compreender sua responsabilidade em relação ao todo) Como também demonstra Platão, ela só poderá se enxergar através do olhar do outro. Ela saberá quem é, a partir do momento em que alguém do seu relacionamento lhe mostrar. Podemos apresentar-lhes a si mesmos como fortes ou fracos bons ou ruins, bonitos ou feios, amados ou odiados, dignos ou indignos da vida. Assim, ao convivermos com crianças estimulamos ou aniquilamos suas possibilidades de sucesso…

O que se diz aos filhos, aos alunos, aos irmãos mais novos é de suma importância. Às vezes vejo com enorme preocupação o modo traumatizado, com que alguns pais nutrem sentimentos de revolta, porque o irmão, professor “brincava” dizendo que seus filhos eram feios magrelos ou narigudos… São brincadeirinhas que podem matar… Matar a auto-estima, ajudar na formação de uma auto-imagem deturpada de uma pessoa que se constrói incapaz de se relacionar, incapaz de amar, incapaz de produzir.

Frases como “esse menino é burro” jamais deveria sair da boca de quem ama.

Mas vamos esconder as limitações? Não! Vamos observar as nossas limitações, mas focar nas potencialidades e não nas dificuldades.

Toda criança precisa de Afeto, carinho, tempo, elogio…

Observando em escolas percebemos que boa parte do comportamento inadequado na sala de aula deve-se ao “querer chamar a atenção”… Mas, para quê alguém quer chamar a atenção? Só para ser visto? Não! É para ser amado, valorizado em alguma coisa.

Que possamos sinalizar às nossas crianças que elas podem ser valorizadas por aquilo que fazem de bom, de positivo. Não pelo negativo.

Toda criança precisa de brincar. Voltaire em uma de suas obras disse: “Brincar para a criança é mais que brincar. São suas mais sérias ações”.

Enquanto a criança brinca ela pode desenvolver sua criatividade, elaborar suas vivências emocionais conflituosas, aprender. No entanto, ainda existem educadores que privam as crianças de brincar… Por quê? “Por que brincar suja, estraga os brinquedos”. Julgam não ser importante.

Brincar é fundamental. Aliás, os adultos jamais deveriam deixar de brincar…

É muito bom para a criança quando alguém “importante”, “adulto” brinca com ela. É por isso que ela insiste te chamando pra brincar…

Aos 16 anos de idade tive uma diretora numa escola em que estudei por apenas um ano na cidade de Petrópolis RJ – seu nome era Marta Souza – (Acredito ser a única diretora que ainda lembre o nome) que brincava conosco no recreio. Ainda sou capaz de me lembrar de brincadeiras ensinadas por ela.

Seja importante para suas crianças. Brinque!

Tenha sensibilidade… Crianças não gostam do que nós também não gostamos.

Todos odeiam ser advertidos publicamente. A vergonha não faz crescer, intimida.

A criança deve ser corrigida em particular, e, preferencialmente quando não estamos com raiva. Lembre-se: Educamos para que ela aprenda e não para “descontar” a nossa ira.

Todos detestam ser comparados. Aprendemos que Deus nos criou únicos. Que possamos valorizar a unicidade de cada ser. Esqueça que ela deve ser “estudiosa como a prima”, “organizada como a vizinha”, “educada como a menina da televisão”.

A criança precisa ser comparada com ela mesma e devemos nos surpreender quando esta age de forma inapropriada… Afinal “isso nem parece com ela”… Você mal pode acreditar que ela, uma criança tão boa, inteligente, esperta tenha feito aquilo…

Lembre-se que educar é um ato de persistência. Cumpra o que você prometeu…

Fale poucos “nãos”, mas que sejam justificados. A criança precisa compreender o porquê não pode. Ajude-a pensar. Você não tem que saber todas as coisas…

Seja sensível e aproveite a presença dessa criança que está aí pertinho de você.

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