Durante anos a guerra do Paraguai foi omitida da história e sua causa, bem como a forma que se desenvolveu o conflito foi manipulada, ocultando-se o que de fato a guerra representou, não só para os países que formaram a Tríplice Aliança, mas para o Império Britânico.

Antes de qualquer consideração, sobre a Guerra do Paraguai, necessário fazer uma contextualização histórica do país, no período que antecedeu a guerra.

O Paraguai tornou-se independente em 1811, bem antes dos demais países latino-americanos que se encontravam sobre o domínio de caudilhos e imperiais. O país era governado por Francia (El Supremo), que usa o absolutismo como método de governo em benefício do povo, perseguindo ricos e tornando insuportável a vida dos oligarcas. Nesse período ocorre um grande desenvolvimento no país, surgem fábricas, o analfabetismo desaparece e Francia alia-se ao povo, que passou a deter os meios de produção.

Aos poucos Francia vai estruturando uma nova forma de governo, criando novas relações econômicas e promovendo a primeira grande reforma agrária da América Latina. Em 1824 o Governo confisca todos os bens da Igreja e transfere para o Estado. Dia-a-dia sua fama de bárbaro e terrorista aumenta, assim como o Estado se torna soberano e não permite nenhuma forma de infiltração estrangeira para subtrair sua riqueza.

A principal dificuldade encontrada pelo país era conseguir exportar sua produção, tendo em vista que não possui saída para o mar, precisando fazer acordos com Buenos Aires a fim de viabilizar a saída de seus produtos. Vale lembrar que nesse período Buenos Aires é a sede dos interesses ingleses na América Latina.

O Paraguai tinha uma superprodução e sobrava para o povo, mas o que faltava ao Estado era exportar seu excedente, transformando-o em riquezas que impulsionassem o progresso interno e a modernização dos próprios meios de produção. Com o acordo acima mencionado, o Paraguai precisava deixar boa parte de seus lucros nos portos da Argentina.

Após a morte de Francia (1840), Carlos Antonio Lopez assume o poder, encontrando um Paraguai com aproximadamente 400 mil habitantes e com uma estrutura sócio-econômica crescente, que atendia os interesses populares, havendo uma grande coesão entre o Estado e o povo. O Paraguai tornara-se a mais progressista república americana, insultando os padrões que o imperialismo impôs a América do Sul.

Data a situação acima mencionada, uma série de circunstancias políticas internacionais vão se unir para destruí-lo. As justificativas eram várias, mas a causa fundamental foi nitidamente econômica. “A guerra, portanto, determinou-se como fatal já em 1850 quando o Paraguai começou a desenvolver uma forte economia autônoma” (p. 37). Objetivos delineados: (p. 37-38)

a) destruir o Paraguai porque era um país progressista com uma economia autônoma;

b) garantir o equilíbrio econômico no Plata, defendido pelos representantes do imperialismo inglês;

c) salvar o império brasileiro e as províncias argentinas da desagregação, para que o domínio britânico não sofresse solução de continuidade;

d) satisfazer os desejos expansionistas do Brasil e Buenos Aires;

e) estabelecer finalmente a situação na bacia do Plata, sedimentando um estado tampão entre o Brasil e a Argentina.

Neste mesmo período, Brasil e Argentina viviam um período de crise econômica e política com graves reflexos sociais e momentaneamente a guerra do Paraguai os salvaria. Em 1869 a guerra ainda estava em andamento e Francisco Solano Lopes governava o Paraguai.

É bom lembrar que o Paraguai fez um acordo com o Uruguai em 1850 e que sairia em defesa do Uruguai se o mesmo fosse ameaçado de ocupação. Em 1865 é assinado oficialmente o Tratado da Tríplice Fronteira, esse tratado estipulava apenas a aliança de alguns países, mas estipulava detalhadamente a destruição do Paraguai.

Nesse mesmo período as forças do Império Brasileiro ocupam o Uruguai e Francisco Solano Lopes vai fazer a guerra sem entender a verdadeira natureza dessa ocupação, ou seja, o motivo principal da guerra da Tríplice Aliança não era simplesmente pelo fato de acordos serem descumpridos, mas sim econômicos.

A principal diferença dos integrantes do exército paraguaio para os demais países era sua formação. Ninguém chegava a oficial por origem social e todo cidadão paraguaio era soldado. Na Argentina o exército era formado em sua maioria por homens mercenários ou raptados da sociedade civil, já o exército brasileiro era formado por um grande número de escravos que tinham que defender o regime que os oprimia.

Os métodos utilizados na Guerra foram diversos, desde degolação, pau-de-arara, até por via de contaminação de cadáveres coléricos, que eram jogados nos rios, a fim de matar inclusive a população civil. Hospitais paraguaios foram fechados com crianças e velhos dentro, e depois se ateava fogo.

Enquanto o Paraguai financiava o próprio exército, sem receber ajuda alguma externa, já os brasileiros, paraguaios e uruguaios recebiam diversas ajudas, seja em armamentos, seja em quantia em espécie. Vale ressaltar que a guerra foi cruel, como qualquer guerra. Tanto os países que compunha a Tríplice Fronteira como o próprio Paraguai cometeram atos de estrema selvageria.

Quando a guerra iniciou-se, o Paraguai possuía uma população aproximada de oitocentos mil habitantes e terminara com aproximadamente 194 mil habitantes, formada praticamente por crianças e mulheres, tendo em vista que 96.50% dos homens paraguaios morreram.

A mais terrível batalha existente nessa guerra, foi em 1869, quando 20 mil soldados brasileiros lutaram contra 3 mil e quinhentas crianças paraguaias, tendo em vista que já não havia mais homens paraguaios para lutar. Enfim, a guerra estava terminada e o Paraguai completamente destruído, perdendo 140 mil km² de seu território, área superior a Portugal e Dinamarca juntos. Os países da Tríplice Aliança destroem o Paraguai, dividem a área obtida através da guerra e ficam com uma dívida externa espantosa.

“O Império do Brasil e a República da Argentina – sempre com o Uruguai de contrapeso – destruíram o Paraguai para o imperialismo inglês e pagaram por isso: em vidas humanas e num endividamento crescente, que determinou inclusive a impossibilidade de um desenvolvimento autônomo de suas economias, sempre ligadas, até hoje, ao capital estrangeiro”. (p. 164).

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